O controle de diurese é um dos procedimentos mais frequentes e importantes realizados pela equipe de enfermagem. Através da mensuração precisa do volume urinário eliminado pelo paciente, é possível avaliar a função renal, o estado de hidratação, a resposta a medicamentos, especialmente diuréticos, e identificar precocemente alterações clínicas que podem colocar a vida do paciente em risco.
Em unidades de internação, centros cirúrgicos, pronto-socorros e unidades de terapia intensiva, o controle rigoroso da diurese é considerado um parâmetro essencial para monitorar a evolução clínica do paciente.
A diurese normal em adultos geralmente varia entre 0,5 e 1 mL/kg/hora. Valores inferiores podem indicar oligúria, enquanto volumes muito elevados podem sugerir poliúria.
Quando o controle de diurese é indicado?
O controle rigoroso da diurese é indicado em diversas situações clínicas, como:
- Pacientes críticos;
- Insuficiência renal aguda ou crônica;
- Insuficiência cardíaca;
- Grandes cirurgias;
- Sepse;
- Queimaduras extensas;
- Uso de diuréticos;
- Controle hídrico rigoroso;
- Distúrbios hidroeletrolíticos;
- Pacientes em ventilação mecânica.
A precisão da mensuração é fundamental para garantir uma avaliação adequada do balanço hídrico.
Métodos de medição da diurese
A escolha do método depende das condições clínicas do paciente, do grau de mobilidade, do nível de consciência e da necessidade de monitorização rigorosa.
Controle de diurese utilizando o compadre
O compadre é amplamente utilizado para pacientes do sexo masculino acamados ou com limitação de mobilidade. Uma vantagem importante é que a maioria dos compadres possui graduação impressa em sua estrutura, permitindo a leitura direta do volume urinário.
Após a micção, o profissional deve posicionar o compadre em superfície plana e realizar a leitura observando o nível do líquido na graduação.
Cuidados de enfermagem
- Verificar se toda a urina foi coletada no recipiente.
- Evitar perdas durante o transporte.
- Realizar a leitura em superfície nivelada.
- Registrar imediatamente o volume obtido.
- Realizar higienização adequada após o uso.
Controle de diurese utilizando a comadre
A comadre é utilizada principalmente em pacientes do sexo feminino acamadas ou em indivíduos que não conseguem utilizar o banheiro. Diferentemente do compadre, muitas comadres não possuem graduação confiável para mensuração da urina.
Nesses casos, é necessário transferir o conteúdo para um recipiente graduado.
Utilização do cálice graduado
Quando a urina é coletada em comadre, o método mais utilizado para mensuração é a transferência para um cálice graduado. O cálice graduado possui marcações volumétricas precisas que permitem medir a quantidade eliminada. Após a transferência, o volume deve ser registrado no prontuário e utilizado no cálculo do balanço hídrico.
Cuidados de enfermagem
- Evitar derramamentos durante a transferência.
- Garantir leitura correta na altura dos olhos.
- Realizar limpeza e desinfecção do material após o uso.
- Utilizar equipamentos de proteção individual conforme protocolo institucional.
Controle de diurese através da sonda vesical de demora
A sonda vesical de demora (SVD) é um dos métodos mais precisos para monitorização urinária.
Ela é indicada em situações específicas, como:
- Pacientes críticos;
- Controle rigoroso do balanço hídrico;
- Pós-operatórios;
- Retenção urinária;
- Monitorização da função renal.
A urina é drenada continuamente para uma bolsa coletora graduada pertencente a um sistema fechado. O volume pode ser medido diretamente na bolsa ou na câmara graduada existente em alguns sistemas.
Cuidados de enfermagem
- Manter sistema fechado.
- Evitar desconexões desnecessárias.
- Posicionar a bolsa abaixo do nível da bexiga.
- Evitar contato da bolsa com o chão.
- Realizar esvaziamento conforme protocolo institucional.
- Registrar volume, aspecto, odor e coloração da urina.
Controle de diurese através da sonda vesical de alívio
A sonda vesical de alívio é utilizada para esvaziamento temporário da bexiga. Após a drenagem, o volume urinário é coletado em recipiente graduado e mensurado. Por ser um procedimento pontual, não há monitorização contínua.
Cuidados de enfermagem
- Manter técnica asséptica.
- Registrar o volume drenado.
- Observar presença de sedimentos, sangue ou alterações na urina.
- Descartar adequadamente os materiais utilizados.
Pesagem de fraldas para estimativa da diurese
Em pacientes incontinentes, pediátricos, geriátricos ou com incapacidade de utilizar dispositivos coletores, a pesagem de fraldas é uma alternativa eficaz. O método consiste em pesar a fralda limpa antes do uso e novamente após a micção. A diferença de peso corresponde ao volume urinário eliminado.
Considera-se que:
1 grama = aproximadamente 1 mL de urina
Exemplo
Peso da fralda limpa: 30 g
Peso da fralda utilizada: 280 g
Diferença: 250 g
Diurese estimada: 250 mL
Cuidados de enfermagem
- Utilizar sempre a mesma balança.
- Registrar o peso da fralda seca.
- Evitar contaminação por fezes, pois pode alterar o resultado.
- Registrar imediatamente os valores encontrados.
Urinol ou recipiente coletor graduado
Pacientes com capacidade de deambulação parcial ou total podem urinar diretamente em recipientes graduados específicos. Esse método é frequentemente utilizado em enfermarias e unidades de internação. Após a micção, o profissional realiza a leitura direta do volume.
Coleta em recipientes para balanço hídrico rigoroso
Em unidades críticas, alguns serviços utilizam recipientes graduados específicos para controle horário da diurese. Esse método permite monitorar alterações rápidas no débito urinário e identificar precocemente disfunções renais.
Avaliação qualitativa da urina
Além da quantidade eliminada, a enfermagem deve observar características importantes da urina.
Aspecto:
- Límpido;
- Turvo;
- Com sedimentos.
Cor:
- Amarelo-claro;
- Amarelo-escuro;
- Avermelhado;
- Alaranjado.
Odor:
- Característico;
- Fétido;
- Adocicado.
Presença de:
- Sangue;
- Muco;
- Coágulos;
- Sedimentos.
Essas informações auxiliam na identificação de alterações clínicas e devem ser comunicadas à equipe multiprofissional.
Cuidados gerais de enfermagem durante o controle de diurese
A precisão da mensuração é essencial para a segurança do paciente.
O profissional deve:
- Realizar registros imediatamente após a medição;
- Evitar estimativas aproximadas;
- Utilizar recipientes adequadamente graduados;
- Manter técnica asséptica nos sistemas de drenagem urinária;
- Monitorar alterações quantitativas e qualitativas da urina;
- Integrar os dados ao balanço hídrico diário.
A coleta correta dessas informações contribui diretamente para a avaliação clínica, prevenção de complicações e tomada de decisões terapêuticas.
Desafios e Boas Práticas
Um desafio constante para a enfermagem é o paciente que utiliza fraldas e possui cateter, ou que tem episódios de incontinência fora da sonda. O segredo é a comunicação clara com a equipe. Se o volume urinário foi perdido (em lençóis, por exemplo), isso deve ser registrado como uma estimativa e comunicado para que o balanço hídrico não seja interpretado de forma errada.
Outro ponto crucial é a higiene. Sempre que realizar a troca do dispositivo ou a medição, garanta a higienização das mãos. O controle de diurese é um momento de contato direto com excreções, e o cumprimento rigoroso das precauções padrão é o que protege tanto o paciente quanto o profissional de infecções cruzadas. A precisão na medição, somada ao registro pontual e à observação clínica, faz da enfermagem o principal sensor de alerta para a estabilidade hemodinâmica do paciente.
O controle de diurese é um procedimento simples, mas de enorme relevância clínica. A escolha do método adequado depende das condições do paciente e dos recursos disponíveis. Seja por meio do compadre, da comadre associada ao cálice graduado, da bolsa coletora da sonda vesical, da pesagem de fraldas ou de recipientes graduados, a enfermagem desempenha papel fundamental na obtenção de dados precisos e confiáveis.
O conhecimento dos diferentes métodos de mensuração e dos cuidados envolvidos garante maior segurança ao paciente e melhora significativamente a qualidade da assistência prestada.
Referências:
- BRASIL. Ministério da Saúde. Segurança do Paciente: Protocolo de Prevenção de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br.
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- TORTORA, Gerard J.; DERRICKSON, Bryan. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
- BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde. Brasília: ANVISA, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa.
- HERDMAN, T. H.; KAMITSURU, S.; LOPES, C. T. Diagnósticos de Enfermagem da NANDA-I: definições e classificação 2024-2026. Porto Alegre: Artmed, 2024.
- BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. S. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022.
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Disponível em: https://www.cofen.gov.br.
-
SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA. Diretrizes e recomendações sobre monitorização da função renal. Disponível em: https://www.sbn.org.br.











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