Escala de Risco de Queda de Johns Hopkins

No ambiente hospitalar, a queda de pacientes não é vista como um acidente inevitável; é um evento adverso que deve ser ativamente prevenido. Uma queda pode levar a fraturas, lesões cerebrais, prolongamento da internação e, infelizmente, até mesmo ao óbito. Para nós, profissionais e estudantes de enfermagem, prevenir quedas é uma das nossas responsabilidades mais críticas, e para fazer isso bem, precisamos de ferramentas precisas.

É aí que entra o sistema de avaliação da Johns Hopkins.

O protocolo de prevenção de quedas desenvolvido pela Universidade Johns Hopkins é um dos mais respeitados e completos. Ele vai além de apenas pontuar o risco; ele integra a avaliação de risco com a capacidade de mobilidade do paciente, dando à equipe de enfermagem uma visão 360 graus do perigo.

Vamos entender como as ferramentas JH-FRAT e JH-HLM funcionam e como elas direcionam nosso cuidado para garantir a segurança dos nossos pacientes.

JH-FRAT: Johns Hopkins Fall Risk Assessment Tool (Onde Está o Risco?)

A JH-FRAT é a parte do sistema que se dedica a identificar e quantificar os fatores de risco do paciente. É uma ferramenta de triagem clínica robusta que soma pontos a partir de sete categorias de risco.

A beleza dessa escala é que ela é projetada para ser rápida, abrangente e fácil de aplicar pela enfermagem na admissão e reavaliada a cada plantão ou mudança no estado clínico do paciente.

As Sete Categorias de Risco da JH-FRAT

A escala pontua os pacientes em diferentes áreas que comprovadamente aumentam o risco de queda. A pontuação é somada e, geralmente, uma pontuação igual ou superior a 13 pontos classifica o paciente como de Alto Risco.

  1. Histórico de Queda: Pacientes que caíram no período de 6 meses antes ou durante a internação atual. Essa é a categoria que mais pontua (25 pontos) – o histórico é o melhor preditor!
  2. Idade: Pacientes mais velhos tendem a ter reflexos mais lentos e ossos mais frágeis.
  3. Mobilidade e Equilíbrio: Avalia se o paciente precisa de auxílio (andador, bengala) ou se possui alguma limitação no caminhar.
  4. Uso de Medicações de Risco: Medicamentos que afetam o SNC, como sedativos, benzodiazepínicos, diuréticos e alguns anti-hipertensivos, que podem causar tontura ou hipotensão postural.
  5. Estado Mental e Nível de Consciência: Pacientes confusos, desorientados (delirium) ou com baixa consciência.
  6. Função Urinária/Intestinal: A urgência para ir ao banheiro (incontinência, diarreia, frequência urinária) faz com que o paciente se apresse e tente levantar sozinho.
  7. Fatores Ambientais/Equipamentos: Itens como drenos, cateteres, soro e bombas de infusão criam obstáculos e podem ser puxados, desequilibrando o paciente.

JH-HLM: Johns Hopkins Highest Level of Mobility (Onde Está a Capacidade?)

A JH-HLM é a parte do protocolo que avalia o nível mais alto de mobilidade que o paciente alcançou nas últimas 24 horas, ou antes da lesão que o internou. Ela não é uma escala de risco, mas sim um guia prático que nos diz como o paciente pode se mover e, mais importante, como ele deve ser movido.

O objetivo principal da JH-HLM é:

  • Evitar a Imobilidade Desnecessária: Impedir que pacientes sejam mantidos acamados por excesso de cautela, o que leva a complicações como fraqueza e úlceras por pressão.
  • Garantir a Segurança: Se o paciente só consegue caminhar com ajuda de dois profissionais, ele nunca deve ser deixado para andar sozinho.

Níveis da JH-HLM

A JH-HLM classifica o paciente em níveis que vão desde a mobilidade totalmente independente até a dependência total:

  • Nível 4 – Ambulante Independente/Supervisionado: Paciente consegue andar sozinho ou com supervisão verbal mínima.
  • Nível 3 – Auxílio de 1 Pessoa: Paciente precisa de um profissional para ajudar a se movimentar ou usar um dispositivo (andador, bengala).
  • Nível 2 – Auxílio de 2 Pessoas: Paciente necessita de dois profissionais para ajudá-lo a sair da cama ou andar.
  • Nível 1 – Dependente Total/Imóvel: Paciente precisa de ajuda para virar na cama, usar o elevador de transferência (guindaste) ou ser transportado.

O Valor da JH-HLM: Ao combinar a JH-FRAT (risco de queda) com a JH-HLM (capacidade de mobilidade), nós sabemos quem está em perigo e como mobilizá-lo com segurança, criando um plano de cuidados realmente individualizado.

Cuidados de Enfermagem

A nossa responsabilidade é traduzir a pontuação e o nível de mobilidade em ações concretas:

  1. Sinalização e Comunicação: Pacientes com alto risco (JH-FRAT ) devem ter a informação de risco visível no prontuário e no quarto. A JH-HLM deve ser comunicada em toda a passagem de plantão, garantindo que toda a equipe (incluindo fisioterapia e técnicos) saiba como mobilizar o paciente.
  2. Ambiente Seguro Focado no Risco:
    • Camas: Manter as grades laterais levantadas e a cama na posição mais baixa.
    • Itens Essenciais: Garantir que o botão de chamada, água e óculos estejam ao alcance do paciente.
  3. Resposta à Eliminação (Risco Alto): Pacientes com urgência urinária devem ser acompanhados ao banheiro a cada 1 ou 2 horas (micção programada) para evitar que levantem sozinhos, reduzindo o risco da JH-FRAT.
  4. Mobilização Controlada (Baseada na JH-HLM):
    • Se o paciente é Nível 3, orientar a equipe a sempre mobilizá-lo com uma pessoa de apoio.
    • Se o paciente é Nível 1, garantir o uso de dispositivos de transferência (elevadores/guindastes) para evitar lesões no paciente e na equipe.
  5. Educação ao Paciente e Família: Ensinar o paciente a pedir ajuda e educar a família sobre o risco e sobre o nível de mobilidade seguro (JH-HLM) que deve ser seguido.

O protocolo Johns Hopkins é a nossa aliada na criação de um ambiente de cuidado seguro. Usá-lo corretamente e aplicar as intervenções necessárias é o nosso compromisso diário com a segurança e o bem-estar do paciente.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Segurança do Paciente: Prevenção de Quedas. Brasília, DF: ANVISA, 2013. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/manuais-e-guias/manual_seguranca_paciente_anvisa.pdf
  2. OLIVEIRA, F. G. S.; et al. Validação da Escala de Risco de Quedas de Johns Hopkins em Adultos Hospitalizados. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 28, e3303, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rlae/a/bWq879p6sQj7S4XyJz7y/.
  3. JOHNS HOPKINS MEDICINE. Johns Hopkins Fall Risk Assessment Tool (JH-FRAT). 2024. Disponível em: https://www.hopkinsmedicine.org/nursing/fall-risk-assessment.

Soroma: O que é ?

Soroma

O Soroma, que é um termo para o popular “Infiltração e Extravasamento” dos cateteres venosos periféricos, são complicações e também são consideradas como Eventos Adversos (EA), relacionados à administração indesejada ou inadvertida do medicamento no tecido ao redor da área puncionada.

Quando utilizamos cateteres venosos periféricos ou centrais para infusão de soluções medicamentosas, entre elas os quimioterápicos, corremos o risco de complicações como a infiltração ou o extravasamento, principalmente nas punções periféricas.

É considerado infiltração o incidente com soluções não vesicantes ou irritantes e de extravasamento as que ocorrem com soluções vesicantes.

Por que pode ocorrer o Soroma?

Porque há soluções endovenosas que são administradas consideradas vesicantes, irritantes ou não vesicantes.

Denominamos uma solução como vesicante quando, por suas propriedades, como pH e concentração, é capaz de causar graves danos se administradas nos tecidos adjacentes ao vaso puncionado.

As irritantes e não vesicantes também causam lesões, mas de menor gravidade.

Quais são os sinais de um Soroma?

Os sinais e sintomas podem ser dor, edema, alteração de cor na pele próxima ao local de punção, formação de bolhas e até mesmo ulceração, e também é perceptível pela elevação da pele perto do local da punção (e na ponta distal do cateter)

Qual é a causa do Soroma?

As causas de infiltração ou extravasamento podem estar relacionadas com o tipo de medicamento, anormalidades nos vasos sanguíneos, edema no membro puncionado e tempo de infusão do medicamento.

A habilidade e conhecimento do profissional quanto aos riscos e boas práticas para uso de cateteres venosos são essenciais para prevenir essa complicação.

Fatores de Risco

Os riscos relacionados com o paciente referem-se à fatores cognitivos dos extremos de idade (criança e idoso) e sua capacidade de comunicação e observação desses sinais e sintomas.

Os Cuidados de Enfermagem

  • O paciente ou seu acompanhante devem ser orientados para comunicar qualquer anormalidade como dor no local onde o medicamento está sendo administrado, ardor, aumento da temperatura da pele, inchaço ou vermelhidão, para que a equipe assistencial possa agir prontamente.
  • Se ao caso já estiver ocorrido o soroma, retirar logo o soro e o cateter, aplicar compressas mornas e orientar elevação do membro.

Notícia

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