
A Escala de Faces Wong-Baker é uma ferramenta amplamente utilizada para avaliar a intensidade da dor, especialmente em crianças e em adultos com dificuldades de comunicação. Ela consiste em uma série de faces com expressões que vão de um sorriso radiante (sem dor) a uma expressão de choro intenso (dor máxima).
Como Funciona?
A escala apresenta uma série de rostos, cada um com uma expressão facial diferente, que vai desde um rosto sorridente (indicando ausência de dor) até um rosto chorando e contorcido (indicando dor intensa). A criança é convidada a escolher o rosto que melhor representa a dor que está sentindo naquele momento.
Por que usar a Escala de Faces Wong-Baker?
- Facilidade de uso: A escala é simples e intuitiva, sendo fácil de entender para crianças a partir dos 3 anos de idade.
- Comunicação não verbal: Permite que crianças pequenas, que ainda não dominam a linguagem verbal, expressem a intensidade da dor.
- Visualização da dor: A representação visual da dor facilita a compreensão da criança sobre o que está sentindo e como pode comunicar isso ao adulto.
- Consistência na avaliação: A escala proporciona um método padronizado para avaliar a dor, permitindo comparar a intensidade da dor ao longo do tempo.
Como utilizar a escala?
- Explique para a criança: Use uma linguagem simples e adequada à idade da criança para explicar o que cada rosto representa.
- Apresente as opções: Mostre à criança todas as faces da escala, uma de cada vez, e pergunte qual delas mais se parece com o que ela está sentindo.
- Incentive a escolha: Deixe que a criança escolha livremente o rosto que considera mais adequado.
- Registre o resultado: Anote o rosto escolhido pela criança para acompanhar a evolução da dor.
Vantagens da Escala de Faces Wong-Baker
- Versatilidade: Pode ser utilizada em diferentes contextos clínicos e para avaliar diversos tipos de dor.
- Validade e confiabilidade: A escala possui boa validade e confiabilidade, sendo amplamente utilizada e estudada.
- Aceitação pelas crianças: A maioria das crianças se sente confortável em utilizar a escala.
Limitações da Escala
- Subjetividade: A avaliação da dor é subjetiva e pode variar de acordo com a interpretação da criança e do profissional de saúde.
- Dificuldade em crianças muito pequenas: Crianças muito pequenas podem ter dificuldade em compreender o conceito de dor e em escolher um rosto.
- Influência cultural: A expressão facial da dor pode variar entre diferentes culturas, o que pode influenciar a escolha da criança.
A Escala de Faces Wong-Baker é uma ferramenta valiosa para avaliar a dor em crianças, proporcionando uma comunicação mais eficaz entre a criança e o profissional de saúde. Ao utilizar essa escala, é possível identificar a intensidade da dor, monitorar a evolução do tratamento e tomar decisões mais adequadas para o manejo da dor pediátrica.
Observação: É importante ressaltar que a Escala de Faces Wong-Baker é apenas uma das ferramentas disponíveis para avaliar a dor em crianças. A escolha da escala mais adequada dependerá das características individuais da criança e do contexto clínico.
Referências:
- SILVA, A. B.; PEREIRA, C. A. C. Índice de Barthel: validação em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 18, n. 1, p. 1-8, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reeusp/a/GwvZjxCGwVyhtjDv4kWPQpc/?format=pdf.
- Oliveira A. M, Cunha Batalha L. M, Fernandes A. M, Castro Gonçalves J, , Viegas R. G. Uma análise funcional da Wong-Baker Faces Pain Rating Scale: linearidade, discriminabilidade e amplitude. Revista de Enfermagem Referência [Internet]. 2014;IV(3):121-130. Recuperado de: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=388239973017

O trauma facial é qualquer lesão que afeta a face, podendo envolver a pele, músculos, ossos, nervos e até mesmo os dentes. Ele pode variar desde um simples arranhão até fraturas complexas que afetam múltiplas estruturas.
As causas mais comuns de trauma facial incluem:
- Acidentes de trânsito: Colisões veiculares são uma das principais causas de traumas faciais.
- Quedas: Principalmente em crianças e idosos.
- Agressões físicas: Brigas, acidentes de trabalho e esportes de contato podem causar traumas faciais.
- Acidentes domésticos: Quedas, objetos pontiagudos e queimaduras podem lesionar a face.
Os Tipos de Trauma Facial
Por tipo de trauma
- Trauma contuso: Causado por um impacto direto, como um soco, um acidente de carro ou uma queda. Pode resultar em hematomas, contusões, fraturas e lacerações.
- Trauma penetrante: Causado por um objeto que penetra a pele, como uma faca, um pedaço de vidro ou um projétil de arma de fogo. Pode resultar em lacerações profundas, fraturas, danos aos tecidos moles e órgãos internos.
- Trauma crânio-encefálico (TCE): Envolve danos ao crânio e ao cérebro. Pode ser classificado em leve, moderado ou grave, dependendo da severidade dos sintomas.
- Trauma térmico: Causado por queimaduras ou exposição a temperaturas extremas. Pode resultar em danos à pele, tecidos moles e ossos.
Por região afetada
- Trauma orbitário: Envolve o olho e a órbita. Pode resultar em hematoma periorbital (olho roxo), fraturas orbitais, perda da visão e outros problemas oculares.
- Trauma maxilofacial: Envolve a maxila, mandíbula, dentes e outros ossos da face. Pode resultar em fraturas, perda de dentes, deformidades faciais e problemas de mastigação.
- Trauma nasal: Envolve o nariz. Pode resultar em fraturas nasais, hematomas, deformidades nasais e problemas respiratórios.
- Trauma do ouvido: Envolve o ouvido externo, médio e interno. Pode resultar em perda de audição, zumbido, desequilíbrio e outras complicações.
- Trauma da pele: Envolve a pele da face. Pode resultar em cortes, lacerações, abrasões, hematomas e queimaduras.
Por gravidade
- Trauma leve: Envolve lesões superficiais e sem complicações graves.
- Trauma moderado: Envolve lesões mais graves, mas sem risco de vida.
- Trauma grave: Envolve lesões que colocam a vida em risco, como fraturas múltiplas, danos aos tecidos moles, perda de sangue e comprometimento de órgãos vitais.
Consequências do Trauma Facial
As consequências do trauma facial variam de acordo com a gravidade da lesão e podem incluir:
- Dor: A dor é um sintoma comum após um trauma facial.
- Inchaço: O inchaço é uma resposta inflamatória normal do corpo à lesão.
- Hemorragia: Sangramento nasal ou oral pode ocorrer.
- Deformidades: As fraturas podem causar deformidades faciais.
- Problemas de visão: As fraturas orbitais podem afetar a visão.
- Dificuldade para respirar: As fraturas nasais e maxilares podem obstruir as vias aéreas.
- Alterações na fala: As fraturas de mandíbula podem afetar a fala.
- Infecções: As feridas abertas estão sujeitas à infecção.
Tratamento
O tratamento do trauma facial depende do tipo e da gravidade da lesão e pode incluir:
- Limpeza e sutura da ferida: Para lacerações e avulsões.
- Redução e fixação de fraturas: Utilizando técnicas cirúrgicas.
- Antibióticos: Para prevenir infecções.
- Analgésicos: Para controlar a dor.
- Cirurgia reconstrutiva: Para corrigir deformidades e restaurar a função.
Cuidados de Enfermagem
Avaliação Inicial
- Via aérea: Avaliar a permeabilidade das vias aéreas, buscando sinais de obstrução, como dificuldade para respirar, ruídos respiratórios anormais ou cianose.
- Respiração: Observar a frequência respiratória, o padrão respiratório e a saturação de oxigênio.
- Circulação: Verificar os sinais vitais (pressão arterial, frequência cardíaca), presença de sangramento ativo e perfusão periférica.
- Neurologia: Avaliar o nível de consciência, pupilas, força muscular e sensibilidade facial.
- Lesões: Inspecionar cuidadosamente a face, identificando lacerações, fraturas, hematomas e outras lesões.
Cuidados Diretos
- Controle do sangramento: Aplicar compressas frias e realizar pressão direta sobre o local do sangramento, se necessário.
- Limpeza e curativos: Limpar as feridas com soluções antissépticas e aplicar curativos estéreis.
- Monitorização: Monitorar os sinais vitais, o nível de dor e a presença de complicações, como infecção ou edema.
- Administração de medicamentos: Administrar analgésicos, antibióticos e outros medicamentos conforme prescrição médica.
- Orientação: Orientar o paciente sobre os cuidados pós-operatórios e a importância de seguir as recomendações médicas.
Cuidados Pós-Operatórios
- Controle da dor: Administrar analgésicos conforme prescrição médica e utilizar técnicas não farmacológicas para aliviar a dor, como compressas frias e massagem.
- Monitorização da ferida: Observar a ferida cirúrgica quanto a sinais de infecção, como vermelhidão, inchaço, calor e secreção purulenta.
- Higiene oral: Orientar o paciente sobre a importância da higiene oral adequada para prevenir infecções.
- Dieta: Recomendar uma dieta líquida ou pastosa nos primeiros dias após a cirurgia e, gradualmente, introduzir alimentos mais sólidos conforme a tolerância do paciente.
- Repouso: Encorajar o repouso e evitar atividades físicas intensas.
Complicações Potenciais e Monitoramento
- Infecção: Monitorar sinais de infecção, como febre, vermelhidão, inchaço e drenagem purulenta.
- Hematoma: Observar o aparecimento de hematomas e comunicar ao médico caso haja aumento significativo.
- Deiscência da ferida: Verificar se há abertura da ferida cirúrgica.
- Alterações sensoriais: Avaliar a presença de alterações na sensibilidade facial.
- Dificuldade respiratória: Monitorar a frequência respiratória e a saturação de oxigênio, especialmente em casos de fraturas nasais ou maxilares.
Papel da Enfermagem
O enfermeiro desempenha um papel fundamental na assistência ao paciente com trauma facial. Além dos cuidados diretos, o enfermeiro também deve:
- Estabelecer um bom relacionamento com o paciente e a família.
- Oferecer suporte emocional.
- Promover a autonomia do paciente.
- Educar o paciente e a família sobre a importância do tratamento e dos cuidados pós-operatórios.
- Comunicar-se de forma clara e objetiva com a equipe multidisciplinar.
Referências:
- UnaSUS
- Medway
- Silva, J. J. de L., Lima, A. A. A. S., Melo, I. F. S., Maia, R. C. L., & Pinheiro Filho, T. R. de C.. (2011). Trauma facial: análise de 194 casos. Revista Brasileira De Cirurgia Plástica, 26(1), 37–41. https://doi.org/10.1590/S1983-51752011000100009