Sistema de Classificação Skin Tear Audit Research (STAR) – Lesão por Fricção

A lesão por fricção (LF) é uma ferida rasa, limitada à derme e que tem como característica principal a presença de um retalho de pele em algum momento de sua evolução.

O retalho pode ser denominado retalho epidérmico, quando o traumatismo separa a epiderme da derme (ferida de espessura parcial) e retalho dermoepidérmico, que ocorre quando epiderme e derme permanecem unidas e o traumatismo as separa das estruturas subjacentes (ferida de espessura total).

Recentemente foi descrito que as lesões por fricção podem resultar numa separação parcial ou total das camadas externas da pele. Tais lesões podem ocorrer devido à força de cisalhamento, atrito ou a um trauma sem corte, fazendo com que a epiderme se separe a partir da derme (ferida de espessura parcial) ou tanto a epiderme e a derme se separem das estruturas subjacentes (ferida de espessura total) .

Classificação STAR

O Sistema de Classificação Skin Tear Audit Research (STAR) – Lesão por Fricção, classifica essas feridas em cinco categorias que examina a presença/ausência do retalho da pele e sua viabilidade, apresenta um glossário de termos inerentes à LF seguido de orientações.

Equivalente ao Sistema STAR foi desenvolvida uma classificação denominado pelo International Skin Tear Advisory Panel (ISTAP) de Skin Tear Classification que avalia a presença/ausência do retalho cutâneo. Essas lesões podem ser categorizadas em: (Tipo 1) sem perda da pele, (Tipo 2) com perda parcial do retalho, e (Tipo 3) com perda total do retalho.

  • Categoria 1a: Lesão por fricção, cujo retalho cutâneo pode ser realinhado à posição anatômica normal (sem tensão excessiva); coloração da pele ou do retalho não se apresenta pálida opaca ou escurecida;
  • Categoria 1b: Lesão por fricção, cujo retalho cutâneo pode ser realinhado à posição anatômica normal (sem tensão excessiva); coloração da pele ou do retalho apresenta-se pálida opaca ou escurecida;
  • Categoria 2a: Lesão por fricção, cujo retalho cutâneo não pode ser realinhado à posição anatômica normal (sem tensão excessiva); coloração da pele ou do retalho não se apresenta pálida, opaca ou escurecida;
  • Categoria 2b: Lesão por fricção, cujo retalho cutâneo não pode ser realinhado à posição anatômica normal (sem tensão excessiva); coloração da pele ou do retalho apresenta-se pálida, opaca ou escurecida;
  • Categoria 3: Lesão por fricção, cujo retalho cutâneo está completamente ausente.

As LFs são lesões pouco estudadas e, consequentemente, subnotificadas, sendo frequentemente confundidas com lesões por pressão. O Brasil é um dos poucos países latinoamericanos com estudos publicados a respeito das LFs e, ainda assim, essas lesões são pouco conhecidas na prática clínica.

Referência:

  1. Adaptação cultural, validade de conteúdo e confiabilidade interobservadores do “STAR Skin Tear Classification System” https://doi.org/10.1590/0104-1169.3523.2537

Fricção e Cisalhamento: O que são?

O Cisalhamento é causado pela combinação da gravidade e fricção.

Exerce uma força paralela à pele e resulta da gravidade que empurra o corpo para baixo e da fricção ou resistência entre o paciente e a superfície de suporte.

Quando a cabeceira é elevada, a pele adere-se ao leito da cama, embora o esqueleto empurre o corpo para baixo. Os vasos sanguíneos são esticados ou acotovelados dificultando ou interrompendo o fluxo sanguíneo e causando danos por isquemia. O cisalhamento causa a maior parte do dano observado nas lesões por pressão.

Já a Fricção, se a ação da fricção for isolada, a possibilidade de danos estará restrita à epiderme e derme e ao estrato córneo. Resulta em uma lesão semelhante a uma queimadura leve e ocorre com maior frequência em pacientes agitados. A forma mais grave de dano por fricção ocorre associada ao cisalhamento.

O cisalhamento causa a maior parte do dano observado nas lesões de pressão.

Fatores para causa de LPP

A umidade cutânea (mais comumente oriunda de incontinência urinária ou fecal) pode gerar maceração da pele, expondo ao risco de desenvolvimento de lesão.

Outros fatores relacionados ao desenvolvimento de lesões por pressão incluem desnutrição, idade avançada, condições de saúde que ocasionam baixa perfusão tecidual (hipotensão, tabagismo, hipertermia, anemia) e estados psicossociais, em particular a secreção de cortisol induzida por estresse.

Veja também:

Classificação da Lesão por Pressão conforme NPUAP

Qual é o benefício do uso do Colchão “Caixa de Ovo”?

Coxim ou Coxins: Prevenção de Lesão por Pressão

Escala de Braden

Referências:

  1. EBSERH

Skin Tears: Lesão por Fricção

Você já ouviu falar no termo “Skin Tears”? Nada mais é do que a lesão por fricção,  ou seja, é um tipo de ferida traumática associada à pele frágil e delicada. A prevenção destas lesões na pele, especialmente em pessoas idosas, é um desafio porque mesmo pequenos movimentos ou toques podem resultar em danos à pele – a pele “rasga”.

A remoção de adesivos é outra forma de ferir esta pele delicada. Idade avançada, raça branca, pele seca, quedas e batidas e ingestão nutricional inadequada são alguns dos fatores de risco.

Ocorrendo principalmente nas extremidades de idosos e pode levar à:

  • separação da epiderme da derme (ferida de espessura parcial);
  • ou separar totalmente a epiderme e a derme das estruturas subjacentes (ferida de espessura total);

Estima-se que, a cada ano, 1,5 milhões de lesões por fricção acometem idosos institucionalizados e que, até 2030, o número de indivíduos em alto risco para essas lesões será de 8,1 milhões de pessoas, somente nos Estados Unidos.

Fazendo-se cálculos em porcentagem em níveis totais deste tipo de problema, conseguimos descobrir o maior local onde ocorre este tipo de lesão:

– 80% em antebraço e mãos;
– 42% em cotovelos;
– 22% em pernas;
– 13% em mãos;

Quais são os Fatores de Risco?

  • História prévia de lesão por fricção;
  • dade avançada;
  • Sexo feminino;
  • Raça branca;
  • Ingestão nutricional inadequada;
  • Equimoses ou hematomas;
  • Edema;
  • Pele seca e descamativa;
  • Dependência para as atividades de vida diárias;
  • Mobilidade prejudicada;
  • Rigidez e espasticidade;
  • Curativos e fitas adesivas;
  • Uso prolongado de corticóides;
  • Problemas vasculares;
  • Problemas pulmonares;

PELOS FATORES INATOS:

  • Síndrome de Ehlers-Danlos;
  • Deficiência da prolidase;
  • Osteogênese imperfeita;
  • Epidermólise bolhosa;

PELOS FATORES ADQUIRIDOS:

  • Envelhecimento;
  • Nutrição desfavorável;
  • Exposição solar;
  • Uso de alguns tipos de fármacos;

Como prevenir as lesões?

1. Utilizar sabonete com pH balanceado;

2. Utilizar água morna e não friccionar (não esfregar) a pele;

3. Reduzir o tempo do banho;

4. Aplicar, sem massagear, creme umectante (hidratante) com nutrientes especiais em todo corpo (não aplicar nas lesões);

5. Introduzir uma dieta balanceada e considerar a possibilidade de acrescentar nos intervalos uma dieta balanceada industrializada;

Obs: Para pessoas com pele muito frágil é recomendável o banho a cada dois dias, procedendo a higiene íntima diária e a aplicação de cremes umectantes (hidratantes) duas vezes ao dia.

Quais são os tratamento das lesões?

1. A limpeza inicial é muito importante para prevenir infecção e deve ser suficiente para remover toda sujidade de forma delicada para não traumatizar mais e não causar dor. Lavar abundantemente com soro fisiológico é uma boa opção.

2. Para controlar o sangramento, uma boa opção é a cobertura com alginato de cálcio.

3. Realinhar o retalho – quando possível, deve-se “ajeitar” a pele alinhando-a delicadamente sobre a lesão.

4. Opções:

a. Cobrir a ferida com curativo de silicone mantém o retalho no local, reduz a dor e pode ser trocado uma vez por semana. Como é poroso permite que o exsudato (líquido que sai da ferida) passe para as compressas – cobertura secundária – que deve ser trocada diariamente.

b. Hidrogel em placa.c. Compressa de petrolatum.

Obs: para evitar que a pele ao redor fique macerada (excesso de umidade) deve-se protegê-la com produtos de barreira.

Quais são os tempos de cicatrização?

  • Sem perda de tecido: 10 dias;
  • Perda parcial de tecido: 19 dias;
  • Derme exposta: 21 dias.

Quais são os objetivos do tratamento?

  • Reduzir o risco de infecção;
  • Estimular a cicatrização;
  • Diminuir a dor;
  • Obter uma cicatrização de boa qualidade;
  • E a autoconfiança.

Lesão por Fricção