Genebra, 1º de junho de 2025 – Um novo relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) acende um alerta global sobre a drástica queda no número de profissionais de enfermagem, um cenário que ameaça a qualidade e a segurança dos sistemas de saúde em todo o mundo. […]
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MPOX (Varíola dos Macacos)

A mpox, também conhecida como varíola dos macacos, é uma doença zoonótica causada pelo vírus monkeypox. Ela se manifesta através de sintomas semelhantes à varíola, mas geralmente menos graves. A transmissão ocorre principalmente por contato direto com lesões, fluidos corporais infectados ou materiais contaminados com o vírus.
Histórico da mpox e a declaração de emergência
A mpox, originária da África, foi negligenciada por muitos anos. No entanto, em 2022, um surto global da doença chamou a atenção da comunidade internacional.
Em resposta a essa rápida disseminação, a OMS declarou a mpox uma emergência de saúde pública de importância internacional (ESPII). Essa declaração mobilizou recursos e esforços globais para conter a doença.
Principais pontos destacados pela OMS
- Transmissão: A transmissão da mpox ocorre principalmente através do contato direto com lesões, fluidos corporais infectados ou materiais contaminados com o vírus. O contato sexual também é uma importante via de transmissão.
- Sintomas: Os sintomas da mpox podem incluir febre, dor de cabeça, dores musculares, linfadenopatia (inchaço dos gânglios linfáticos), fadiga e erupção cutânea.
- Grupos de risco: Pessoas que vivem com HIV, crianças e gestantes são considerados grupos de risco para a mpox.
- Tratamento: Não há tratamento específico para a infecção pelo vírus da mpox. Os sintomas costumam desaparecer espontaneamente, mas o tratamento sintomático pode ajudar a aliviar as complicações.
- Prevenção: A vacina contra a varíola oferece alguma proteção contra a mpox. Além disso, a OMS recomenda medidas de prevenção como higiene das mãos, uso de preservativos e evitar o contato próximo com pessoas doentes.
- Resposta da OMS: A OMS tem trabalhado para coordenar a resposta global à mpox, fornecendo orientações técnicas, apoiando a pesquisa e fortalecendo os sistemas de saúde nos países afetados.
A mpox hoje
Embora a situação da mpox tenha melhorado significativamente desde o pico da pandemia, a OMS continua monitorando de perto a situação e adaptando suas recomendações conforme necessário. A organização enfatiza a importância da vigilância contínua, da vacinação e de outras medidas de prevenção para evitar futuros surtos.
Observação: É importante ressaltar que a situação epidemiológica da mpox pode mudar rapidamente. Recomenda-se consultar as fontes oficiais para obter as informações mais recentes.
Referências:
- Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS): https://www.paho.org/pt/mpox
- Organização Mundial da Saúde (OMS): https://www.who.int/news/item/14-08-2024-who-director-general-declares-mpox-outbreak-a-public-health-emergency-of-international-concern
OMS: Novas recomendações para Cirurgia Segura

No intuito de garantir a segurança do paciente no ato cirúrgico, a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou a primeira edição do manual “WHO Guidelines for Safe Surgery” (Diretrizes da OMS para Cirurgia Segura) em 2008.
Em 2016, a organização lançou as Diretrizes Globais para a Prevenção da Infecção do Sitio Cirúrgico. Os fatores de risco para a infecção cirúrgica são multifatoriais e a prevenção destas é complexa e requer a integração de uma série de medidas preventivas nos períodos antes, durante e após a cirurgia.
As principais diretrizes da OMS
A meta da OMS é que tais medidas forneçam uma gama de recomendações para intervenções que reduzam o risco de infecção do sítio cirúrgico durante os períodos pré, intra e pós-operatório.
Confira a seguir as orientações da instituição para manter o paciente seguro no pré, peri e pós-operatório:
Pré-operatório
- o paciente deve tomar banho antes da cirurgia. A sugestão é ele utilize um sabão simples ou antimicrobiano;
- recomenda-se o uso de pomada de mupirocina a 2% com ou sem a combinação de lavagem corporal com clorexidina aos pacientes que serão submetidos a cirurgia cardiotorácica ou ortopédica;
- de acordo com o tipo de cirurgia, a administração de profilaxia antibiótica antes da cirurgia ajuda a evitar infecção do sítio cirúrgico;
- não se deve fazer tricotomia nas salas de cirurgia em pacientes submetidos a qualquer procedimento cirúrgico. Quando absolutamente necessário, pelos e cabelos devem ser removidos apenas com máquinas de cortar;
- recomenda-se o uso de soluções antissépticas alcoólicas — baseadas em gluconato de clorexidina — para a preparação da pele do sítio cirúrgico de todos os pacientes que serão submetidos a cirurgias;
- não se deve utilizar selantes antimicrobianos após a preparação da pele nos pacientes do sítio cirúrgico;
- a preparação das mãos para a cirurgia é essencial: recomenda-se sabonete antimicrobiano apropriado e água ou lavagem com escova adequada à base de álcool antes de colocar luvas estéreis.
Intra-operatório
- recomenda-se a administração de fórmulas nutricionais orais ou entéricas reforçadas com múltiplos nutrientes em pacientes com baixo peso que passarão por grandes cirurgias;
- a OMS sugere não interromper medicações imunossupressoras antes da cirurgia com a finalidade de prevenir infecção do sítio cirúrgico;
- recomenda-se o uso de dispositivos de aquecimento na sala de cirurgia e durante o procedimento cirúrgico para o aquecimento do corpo do paciente;
- para prevenir infecção, podem ser usados tanto campos estéreis de tecido reutilizáveis quanto campos estéreis descartáveis que não sejam de tecido, assim como aventais cirúrgicos;
- o uso de campos fenestrados adesivos de plástico com ou sem propriedades antimicrobianas não são recomendados;
- recomenda-se o uso de dispositivos de proteção de feridas em cirurgias abdominais potencialmente contaminadas, contaminadas e infectadas a fim de prevenir infecção do sítio cirúrgico;
- a OMS sugere o uso de terapia profilática com pressão negativa em pacientes adultos em incisões cirúrgicas com fechamento primário, desde que sejam feridas de alto risco;
- não é recomendado o uso de sistemas de ventilação com fluxo de ar laminar para a procedimentos de cirurgia de artroplastia total.
Pós-operatório
- não é recomendado o prolongamento da administração de profilaxia antibiótica cirúrgica após a conclusão do procedimento;
- não se deve usar qualquer tipo de curativo avançado ao invés de um curativo padrão sobre feridas cirúrgicas com fechamento primário;
- a profilaxia antibiótica perioperatória não deve ser continuada na presença de um dreno na ferida;
- quando clinicamente indicado, recomenda-se a remoção do dreno da ferida.
Em vias gerais, a cultura da segurança do paciente envolve diferentes critérios atrelados a valores, atitudes, normas, estratégias, práticas, políticas e comportamentos.
Portanto, as diretrizes da OMS objetivam não apenas a redução dos danos nos eventos cirúrgicos, mas a reflexão sobre a importância da adequação às propostas do órgão.
Por fim, ao implementar as recomendações para prevenir infecção do sítio cirúrgico, os profissionais da saúde têm a oportunidade de melhorar o cuidado assistencial e a qualidade dos serviços.
Além disso, a adoção dessas medidas possibilita a substituição do sentimento de culpa quanto aos erros eventualmente cometidos pela oportunidade de um aprendizado constante.
Referências:
Tricotomia: Novas Recomendações da OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou em 2016 novas recomendações para prevenir e combater infecções no ambiente cirúrgico. Essas diretrizes foram elaboradas por especialistas com base nas evidências científicas mais recentes e abordam os cuidados de saúde relacionados a infecções em pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos.
A Importância da Prevenção de Infecções Cirúrgicas
Atualmente, em países de baixa e média renda, 11% dos pacientes que passam por cirurgias são infectados durante o procedimento.
No entanto, a magnitude das Infecções de Sítio Cirúrgico (ISC) ainda é desconhecida em muitos lugares devido à falta de um sistema nacional de notificação.
A subnotificação ocorre quando não há vigilância das infecções após a alta hospitalar dos pacientes. Por exemplo, a identificação das ISC pós-alta pode ser em torno de 74% do total das ISC.
Recomendação sobre Tricotomia
Uma das recomendações importantes diz respeito à tricotomia, ou seja, a remoção dos pelos da área cirúrgica. De acordo com a OMS, em pacientes submetidos a qualquer procedimento cirúrgico:
- Cabelos/pelos não devem ser removidos ou, se absolutamente necessário, devem ser removidos apenas com máquinas de cortar.
- A depilação é fortemente desencorajada, seja no pré-operatório ou na sala de cirurgia.
Essa recomendação visa reduzir o risco de infecção no sítio cirúrgico. A tricotomia realizada com aparelhos elétricos é menos lesiva à pele e tem taxas de ISC inferiores em comparação com a lâmina de barbear. Portanto, é importante seguir essas orientações para garantir a segurança do paciente durante procedimentos cirúrgicos.
Conclusão
As diretrizes da OMS para cirurgia segura são fundamentais para melhorar os resultados cirúrgicos e reduzir as infecções. A tricotomia adequada é uma parte essencial dessas medidas preventivas, contribuindo para a segurança e bem-estar dos pacientes.
Referências:
Cirurgia Segura: O Checklist

A cirurgia é, muitas vezes, o único tratamento que pode aliviar, corrigir e salvar vidas, apesar de seus riscos inerentes; não controláveis. Embora os procedimentos cirúrgicos tenham essa finalidade, falhas evitáveis de segurança podem ocorrer e causar danos físicos e psíquicos irreparáveis ao cliente, familiares e profissionais, quando medidas de segurança não são sistematicamente adotadas.
Nesta perspectiva, iniciativas de aumentar os padrões de qualidade para tornar a assistência cirúrgica segura vem acontecendo em nível mundial, conhecido como Segundo Desafio Global de Segurança do Paciente, contemplando medidas essenciais nas etapas críticas do atendimento perioperatório a serem incorporadas dentro da rotina das salas de operações.
As medidas contemplam 10 objetivos essenciais para a cirurgia segura que deverão estar apresentadas em uma lista de verificação de segurança cirúrgica “checklist”.
O checklist de Cirurgia Segura consiste em uma lista formal utilizada para identificar, comparar e verificar o cumprimento às etapas críticas de segurança e, assim, minimizar os riscos evitáveis mais comuns que colocam em risco as vidas e o bem-estar dos clientes cirúrgicos. Esse instrumento se utiliza das estratégias de comunicação oral e escrita para a sua condução e não possui caráter regulatório.
Sendo assim, o presente Protocolo Multiprofissional Assistencial apresentará as estratégias de segurança cirúrgica, baseadas nas recomendações do manual “Cirurgias Seguras Salvam Vidas”, da Organização Mundial de Saúde (OMS, 2009) e do “Protocolo Cirurgia Segura”, do Ministério de Saúde (MS, 2013), alinhadas ao contexto institucional, a serem implementadas por meio de um Checklist, construído seguindo os princípios de simplicidade, de ampla aplicabilidade e de possibilidade de mensuração, que contempla os 10 objetivos essenciais para a cirurgia segura:
- Certificar-se de que é o paciente certo e o sítio cirúrgico
- Proteger o paciente da dor, minimizando os riscos
- Ter capacidade para reconhecer dificuldades respiratórias e um plano de ação pronto.
- Preparar-se para identificar e agir em caso de grande perda sanguínea.
- Evitar induzir reações alérgicas ou à medicação que tragam riscos ao paciente.
- Usar métodos para minimizar o risco de infecções de sítio cirúrgico.
- Evitar a retenção de compressas ou instrumentos em feridas cirúrgicas.
- Identificar de maneira precisa todos os espécimes cirúrgicos.
- Comunicar e trocar informações críticas sobre o paciente.
Estabelecer vigilância de rotina sobre a capacidade, o volume e os resultados cirúrgicos.
O Público Alvo
Clientes (adulto e infantil) hospitalizados ou em atendimento ambulatorial submetidos à procedimentos cirúrgicos em caráter eletivo e de urgência que implicam em incisão, excisão, manipulação e suturas de tecidos, e que, geralmente, requeiram anestesia regional ou geral ou sedação profunda para controle da dor.
RESPONSABILIDADES Equipe Multiprofissional
- Conhecer o presente Protocolo e as medidas que garantem a promoção da cirurgia segura.
- Compartilhar os saberes interprofissionais específicos e comuns em colaboração no planejamento, na execução e na avaliação das intervenções, antes, durante e após o procedimento cirúrgico, para a tomada de decisão.
- Envolver o cliente e a sua família no planejamento diário dos cuidados.
- Confirmar a identificação do cliente em todos os procedimentos a serem realizados.
- Participar frequentemente de educações continuada.
- Participar ativamente na condução e registro do Checklist de Cirurgia Segura (Apêndice A).
- Notificar qualquer risco identificado e evento adverso ocorrido no Aplicativo de Vigilância em Saúde e Gestão de Riscos Assistenciais Hospitalares (Vigihosp).
Responsável Técnico – RT/Chefe de Unidade
- Supervisionar os cuidados prestados e o cumprimento de todas as etapas do Checklist de Cirurgia Segura.
- Realizar/providenciar o levantamento dos indicadores de segurança/qualidade.
Médico Cirurgião
- Realizar consulta pré-operatória.
- Esclarecer ao cliente e familiares sobre os riscos cirúrgicos, e se consentida a cirurgia, providenciar a assinatura do Termo de Esclarecimento, Ciência e Consentimento para Procedimentos Cirúrgicos (Apêndice B).
- Realizar demarcação de sítio cirúrgico, quando for o caso, no pré-operatório.
- Prescrever os cuidados pré-operatórios.
- Prescrever a antibioticoterapia profilática.
- Informar a equipe interprofissional sobre os riscos e pontos críticos do procedimento cirúrgico no intraoperatório.
- Conduzir/Realizar o procedimento cirúrgico.
- Participar da conferência das compressas e instrumentais utilizados, ao término da cirurgia.
Médico Anestesista
- Realizar consulta pré-anestésica.
- Esclarecer ao cliente e familiares sobre os riscos anestésicos, e se consentida a cirurgia, providenciar as assinaturas dos Termos de Esclarecimento, Ciência e Consentimento para Anestesia e Sedação (Apêndice C) e, se necessário, para Transfusão de Hemocomponentes (Apêndice D).
- Decidir e aplicar o anestésico mais indicado.
- Checar o aparelho de anestesia, no intraoperatório.
- Informar a equipe interprofissional sobre os riscos e pontos críticos no procedimento cirúrgico (via aérea difícil, risco de aspiração e alergias conhecidas).
- Promover a monitorização hemodinâmica do cliente e a administração do antibiótico profilático, no intraoperatório.
- Atentar ao manejo e recuperação, garantindo a estabilidade do estado geral do cliente.
- Avaliar o cliente e da alta da Sala de Recuperação Pós Anestésica-SRPA.
Enfermeiro Assistencial (Unidade Assistencial, Centro Cirúrgico e SRPA)
- Garantir que os cuidados pré-operatórios e a organização do prontuário estejam adequados, antes de encaminhar o cliente ao local em que será realizado o procedimento cirúrgico.
- Realizar ou supervisionar a equipe de enfermagem no preenchimento do Checklist de Cirurgia Segura em suas diferentes etapas (Preparo do cliente; Antes da indução anestésica e da incisão cirúrgica e Antes do cliente sair da sala operatória).
- Confirmar a presença de reserva sanguínea no Hemocentro, no pré-operatório, e registrar.
- Gerenciar os recursos humanos de enfermagem e materiais necessários na sala operatória.
- Capacitar a equipe de enfermagem para prestar uma assistência que garanta a segurança do cliente no perioperatório.
Técnico de Enfermagem (Unidade Assistencial, Centro Cirúrgico e SRPA)
- Implementar as intervenções para o pré-operatório, intraoperatório e pós-operatório prescritas e/ou estabelecidas em rotina.
- Comunicar ao enfermeiro qualquer intercorrência durante a assistência prestada.
- Realizar a conferência e o registro do Checklist de Cirurgia Segura de acordo com cada etapa.
- Preparar e montar a sala operatória com materiais e equipamentos de acordo com o procedimento a ser realizado e os riscos cirúrgicos levantados (seguir rotina estabelecida na unidade).
- Conferir a integridade, a quantidade e a validade dos materiais a serem utilizados, antes da cirurgia. Posicionar o eletrocautério no cliente, antes da incisão cirúrgica.
- Contar as compressas utilizadas junto ao médico cirurgião e instrumentador, ao término da cirurgia.
- Identificar e encaminhar as peças anatômicas/culturas, ao término da cirurgia.
- Fixar as etiquetas de esterilização no prontuário, ao término da cirurgia.
- Monitorar e acompanhar o cliente na SRPA. Instrumentador (Centro Cirúrgico)
- Preparar e montar a sala operatória com materiais e equipamentos de acordo com o procedimento a ser realizado e os riscos cirúrgicos levantados.
- Preparar o instrumental cirúrgico de acordo com o tipo de cirurgia.
- Conferir a integridade, a quantidade e a validade dos materiais utilizados (seguir rotina estabelecida na unidade).
- Realizar a contagem dos instrumentais cirúrgicos junto ao médico cirurgião, ao término da cirurgia.
OPERACIONALIZAÇÃO DO CHECKLIST DE CIRURGIA SEGURA
- A estrutura do Checklist de Cirurgia Segura integra a verificação das medidas críticas gerais de segurança nas etapas pré-operatória e intraoperatória em três momentos, descritos a seguir: ü Antes do encaminhamento do cliente ao centro cirúrgico (registrada na unidade assistencial) ü 2. Antes da indução anestésica e da incisão cirúrgica (conduzida e registrada na sala operatória) ü 3. Antes do cliente sair da sala operatória (conduzida e registrada na sala operatória).
- O Checklist de Cirurgia Segura deverá ser conduzido oralmente no intraoperatório por um único profissional e na presença de toda equipe cirúrgica, cabendo a todos o envolvimento e responsabilidade compartilhada.
- O condutor do Checklist de Cirurgia Segura no intraoperatório deverá solicitar a confirmação do cumprimento às medidas essenciais de segurança à equipe e registrar. Caso algum item do Checklist não esteja em conformidade, a verificação deverá ser interrompida para uma tomada de decisão, que poderá ser até o cancelamento da cirurgia. As observações, justificativas e não conformidades deverão ser registradas no verso do Checklist de Cirurgia Segura e no prontuário.
- O profissional responsável pela condução do Checklist de Cirurgia Segura no intraoperatório (sala operatória) será o Técnico de Enfermagem do Centro Cirúrgico designado para exercer a função de circulante de sala.
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Em situações especiais, qualquer membro da equipe interprofissional cirúrgica poderá assumir a responsabilidade em conduzir o Checklist de Cirurgia Segura. |
- O Checklist preenchido deverá ser arquivado no prontuário, com as assinaturas do profissional de enfermagem responsável na etapa pré-operatória e do condutor e dos médicos anestesista e cirurgião (Staffs e Residentes) na etapa intraoperatória.
O preenchimento do Checklist de Cirurgia Segura não substitui a obrigatoriedade do registro no prontuário das avaliações e intervenções realizadas.
Preparo Pré-Operatório do Cliente
O preparo pré-operatório do cliente hospitalizado consiste nos procedimentos a serem realizados em um período compreendido de 24 horas que antecedem o procedimento cirúrgico. São eles:
- a) Identificação do cliente (Responsabilidade de execução: Equipe Interprofissional)
– Confirmar a identificação do cliente por meio da pulseira; da placa à beira leito, se for o caso; dos dados de identificação no prontuário e pela confirmação verbal do cliente, se possível.
Notas:
- Em casos de crianças ou clientes incapacitados, um tutor ou familiar poderá assumir a função de identificação.
- O cliente não deverá ser encaminhado ao Centro Cirúrgico sem pulseira de identificação ou com uma pulseira com integridade prejudicada.
- b) Tipo de Precaução (Responsabilidade de execução: Equipe Interprofissional)
– Realizar os cuidados pré-operatórios seguindo as determinações dos tipos de precauções: padrão; contato; respiratório por aerossóis; respiratório por gotículas e/ou reverso.
Nota: Em situações de pandemia, seguir rotina e fluxo estabelecidos.
- c) Jejum (Responsabilidade pela prescrição: Médico; Responsabilidade pela execução: Enfermagem)
- Orientar previamente ao cliente sobre a necessidade e o tempo de jejum prescrito. Recomenda-se 8 horas de jejum para alimentos sólidos.
- Monitorizar a glicemia capilar e observar sinais de hipoglicemia (sudorese, tremores, palidez, náuseas, etc.).
Inconformidades: Informar ao médico qualquer não conformidade quanto ao cumprimento do tempo de jejum, tanto para mais quanto para menos, e presença de eventos indesejados. Registar a orientação e conduta no prontuário.
- d) Punção Venosa (Responsabilidade de execução: Enfermagem)
– Manter pérvio o cateter intravascular periférico (18 -20 Fr) ou o cateter intravascular central.
Nota: Clientes sem dispositivo intravenoso não precisarão ser puncionados somente para serem encaminhados ao Centro Cirúrgico. Nestes casos, o acesso venoso poderá ser providenciado pelo Médico Anestesista quando o cliente for admitido na sala operatória.
- e) Preparo gastrointestinal e vesical (Responsabilidades: Médico-prescrição e Enfermagem-execução)
- Prescrever o tipo de solução; o método de aplicação e o intervalo, quando for indicado.
- Realizar o preparo intestinal, quando prescrito, seguindo os passos descritos no Procedimento Operacional Padrão Institucional (POP) “Lavagem intestinal retrógrada”.
- Esvaziar as bolsas de colostomia e vesical, se for o caso, antes do encaminhamento ao Centro Cirúrgico.
- f) Higiene corporal (Responsabilidade de execução: Enfermagem)
– Seguir as normatizações descritas no Quadro 1, quanto à frequência; ao tipo de degermante e ao horário do banho, de acordo com o tipo de cirurgia.
| CIRURGIA | FREQUÊNCIA | DEGERMANTE | HORÁRIO |
| Cirurgias cardíacas; com implantes/próteses ou em clientes colonizados e/ou infectados com bactérias multirresistentes | 3 vezes | Clorexidina 2% degermante | 1º banho – 16h
2º banho – 22h 3º banho – 5h 4° banho – 10h** **quando cirurgia cardíaca agendada para o período da tarde. |
| Outras cirurgias eletivas de grande porte. | 1 vez | Sabonete neutro | 2 horas antes da cirurgia. |
| Cirurgias eletivas de pequeno e médio porte | 1 vez | Sabonete neutro | Banho a ser realizado na manhã da cirurgia |
| Cirurgias de urgência | – | Sabonete neutro | À critério da avaliação da equipe assistente. |
| Cirurgias de emergência | – | – | – |
- g) Higiene bucal (Responsabilidade de execução: Enfermagem)
– Seguir as normatizações descritas no Quadro 2, quanto ao tipo de limpeza bucal e à escolha do produto, de acordo com o tipo de cirurgia. Consultar a Rotina Operacional Padrão InstitucionalEnfermagem (ROP) “Uso de solução bucal a base de digluconato de clorexidina 0,12%”.
| TIPO DE CIRURGIA | MODO | TEMPO |
| Cirurgias de grande porte: cardíacas e com
implantes/próteses
|
1. Limpeza com escova e creme dental ou com gaze embebida com solução dentifrícia, a depender do nível de consciência e orientação do cliente.
2. Antissepsia com solução bucal a base de digluconato de clorexidina 0,12%, por meio de bochecho ou aplicação de gaze embebida, a depender do nível de consciência e orientação do cliente. |
Máximo 2 horas antes
da cirurgia **cirurgia cardíaca, no momento de cada banho |
| Demais
procedimentos cirúrgicos |
2. Limpeza com escova e creme dental ou com gaze embebida com solução dentifrícia, a depender do nível de consciência e orientação do cliente. |
2 horas antes da cirurgia |
| Cirurgia de urgência | 3. A critério da avaliação da equipe assistente. | – |
- h) Tricotomia (Responsabilidade de execução: Enfermagem)
- Realizar a tricotomia nas áreas do procedimento cirúrgico e de posicionamento de eletrodos no tórax, quando prescrito ou indicado.
- Realizar tricotomia, no máximo, duas horas antes do procedimento cirúrgico.
- Utilizar, preferencialmente, tesouras ou tricotomizador elétrico. Evitar o uso de lâminas.
- Avaliar e registrar a presença de marcas, erupções, lesões, verrugas e demais anormalidades da pele no local da incisão cirúrgica.
- i) Remoção de próteses, adornos e de vestimentas (Responsabilidade de execução: Enfermagem)
- Perguntar ao cliente e retirar quaisquer adornos (brincos, colares, piercing, relógios, pulseiras, cintos, prendedores de cabelo, anéis, unhas e cílios postiços e outros) e próteses (exemplos: prótese dental e lentes de contato), assegurando destinação correta para guarda.
- Checar se as unhas das mãos da cliente estão sem esmalte, preferencialmente, ou com algum de coloração clara. Caso contrário, providenciar remoção do esmalte.
- Vestir roupa hospitalar, sem o uso de peças íntimas.
- j) Demarcação de lateralidade (Responsabilidade pela execução: Médico Cirurgião)
- Realizar a demarcação do sítio cirúrgico em casos de lateralidade (direito e esquerdo), de estruturas múltiplas (p. ex. dedos das mãos, membros inferiores, costelas) e de níveis múltiplos (p.ex. coluna vertebral).
- Realizar a demarcação do sítio cirúrgico com o símbolo de um alvo “¤” sobre a pele, tala gessada e/ou curativo, se for o caso.
- Utilizar marcador permanente específico (caneta dermográfica) para a demarcação do sítio cirúrgico.
- Realizar a demarcação, preferencialmente e se possível, com o cliente acordado e consciente, que confirmará o local da intervenção.
- k) Providência de reserva sanguínea (Responsabilidades: Médico-prescrição e Enfermagem-execução)
- Prescrever, coletar e encaminhar a amostra de sangue do cliente para prova cruzada, quando indicado, no mínimo 24 horas antes da cirurgia.
- Confirmar a reserva sanguínea no Hemocentro por meio de contato telefônico. Registrar a confirmação da reserva sanguínea no prontuário.
Notas: validade da prova cruzada é de 72 horas; em crianças até 4 meses de idade, proceder também à coleta de amostra de sangue da mãe.
l) Organização do prontuário (Responsabilidade de execução: Enfermagem e Escrituração/Secretário) O prontuário deverá ser encaminhado ao Centro Cirúrgico junto ao cliente, constando:
- – Dados de identificação do cliente;
- – Prescrição médica;
- – Evolução médica e de enfermagem;
- – Formulário de sinais vitais;
- – Ficha de avaliação pré-anestésica;
- – Termos de consentimentos (Cirúrgico, Anestésico e de Hemotransfusão) informados assinados;
- – Resultados laboratoriais, de biópsia e de imagem;
- – Checklist de Cirurgia Segura;
- – Documentos diversos específicos.
Notas importantes:
- Ficha de avaliação pré-anestésica e os termos de consentimentos cirúrgico, anestésico e de hemotransfusão deverão ser providenciados pelo médico durante o atendimento ambulatorial do cliente, a não ser que a indicação cirúrgica ocorra no período de hospitalização.
- Em clientes admitidos para a realização de procedimentos cirúrgicos eletivos, sem prévia internação, o preenchimento do checklist e organização do prontuário será conduzido pelo enfermeiro da Sala de Internação.
- O Termo de Consentimento de Hemotransfusão é indicado quando há previsão de risco de grande perda sanguínea (> 500 mL, em adultos, ou 7mL/Kg, em crianças).
Observações
Na presença de alguma não conformidade justificada no preparo pré-operatório, o enfermeiro da Unidade Assistencial ou da Sala de Internação deverá informar ao enfermeiro do Centro Cirúrgico, para análise da situação, junto à equipe cirúrgica, e permissão para o encaminhamento.

Estrutura de apresentação do Checklist de Cirurgia Segura destacando o momento “Antes do Encaminhamento do Cliente ao Centro Cirúrgico.
INTRAOPERATÓRIO
III- Recepção do Cliente no Centro Cirúrgico (Responsável pela execução: Enfermagem)
- Confirmar a identificação do cliente (nome completo, número de registro e data de nascimento), por meio da tripla checagem (pulseira, identificação no prontuário e confirmação com o próprio cliente ou responsável) e comparar as informações com o mapa cirúrgico.
- Confirmar o cumprimento dos cuidados pré-operatórios prescritos no Checklist de Cirurgia Segura e a apresentação da documentação obrigatória.
Inconformidades: Se o Checklist não for apresentado ou estiver incompleto com algum cuidado indicado não realizado ou com algum documento não apresentado, exceto quando situações especiais, será necessário discutir com a equipe a decisão por aguardar a resolução da inconformidade ou o cancelamento da cirurgia.
Situações especiais: 1. Cliente externo com indicação de cirurgia eletiva encaminhado diretamente ao Centro Cirúrgico e 2. Cliente internado com indicação de cirurgia de urgência.
- Encaminhar o cliente à sala operatória de destino, previamente preparada de acordo com o procedimento programado. Orientar e acomodar o cliente.
- Preencher e fixar a placa de identificação do cliente (nome completo; registro hospitalar; data de nascimento e descrição do tipo de cirurgia e de anestesia) na porta da sala cirúrgica.
IV – Na Sala de Cirurgia (Responsável pela execução: Equipe Interprofissional)
- a) Antes da indução anestésica (CHECK IN) e da incisão cirúrgica (TIME OUT)
O condutor do Checklist de Cirurgia Segura, em voz alta, junto a toda equipe presente, deverá solicitar aos profissionais que se apresentem informando o nome completo e a função, e ao cliente que se apresente informando o nome completo, a data de nascimento, o procedimento cirúrgico e o local da cirurgia, caso seja capaz de responder. E a seguir, direcionará aos profissionais para que confiram, confirmem e informem a realização dos pontos críticos primordiais contemplados nos 10 objetivos essenciais para a cirurgia segura, conforme demonstração abaixo:
| Direcionamento | Medidas Essenciais de Segurança | Ação Esperada |
| Equipe
Interprofissional |
Identificação do Cliente | Conferir e confirmar o nome completo, o registro hospitalar e a data de nascimento do cliente por meio da pulseira de identificação, do prontuário, do relato verbal do cliente e da placa de identificação da sala operatória. |
| Médico Cirurgião | Procedimento a ser realizado. | Relatar. |
| Sítio cirúrgico/demarcação | Demonstrar o local e, se for o caso, a lateralidade. | |
| Disposição dos exames | Relatar os tipos de exames e o local de disposição. | |
| Médico Anestesista
|
Via aérea difícil
|
Se confirmado, informar os materiais providenciados, como videolaringoscópio e máscara laríngea, e informar a presença do médico anestesista auxiliar. |
| Risco de aspiração
|
Se confirmado, administrar medicamentos pró cinéticos (nome, dose e horário) e informar os materiais providenciados. | |
| Alergia conhecida
|
Se confirmado a alergia a algum medicamento, informar as opções indicadas. | |
| Avaliação pré-anestésica
|
Informar os dados relatados em ficha de avaliação pré-anestésica, assim como os exames solicitados em avaliação; checar os preditores de via aérea difícil realizados ambulatoriamente. | |
| Acesso venoso
|
Descrever o tipo de acesso venoso (central ou periférico); calibre do dispositivo; local e permeabilidade. | |
| Monitorização hemodinâmica
|
Relatar os parâmetros e a funcionalidade
(parâmetros mínimos: pressão arterial não invasiva; frequência cardíaca, saturação de oxigênio e cardioscopia). |
|
| Profilaxia antimicrobiana
|
Relatar o antibiótico profilático, a dose e a hora da administração. A administração deve ocorrer de 0 a 60 minutos antes da incisão cirúrgica. | |
| Aparelho de anestesia | Confirmar a realização do teste de funcionalidade do aparelho de anestesia, seguindo recomendações do fabricante. | |
| Médicos Cirurgião e Anestesista | Previsão dos pontos críticos do procedimento cirúrgico | Se pontos críticos, relatar (risco de grande perda sanguínea, presença de comorbidades, tempo prolongado da cirurgia, risco de parada cardiorrespiratória e outros) e apresentar o plano de intervenção. |
|
Enfermagem
|
Sala operatória montada e equipada | Relatar os materiais e equipamentos reunidos e preparados. |
| Eletrocautério posicionado | Demonstrar o local de posicionamento da placa de eletrocautério. A placa deverá estar bem aderida à pele em área limpa, seca, sem pelos, bem vascularizada, com maior massa muscular e longe de proeminências ósseas; o mais próximo possível da incisão cirúrgica e com menor risco de ser molhada. |

Estrutura de apresentação do Checklist de Cirurgia Segura destacando o momento “Antes da Indução Anestésica e da Incisão Cirúrgica.
b) Antes do cliente sair da sala cirúrgica (CHECK OUT)
O condutor do Checklist de Cirurgia Segura, em voz alta, junto a equipe presente, direcionará aos profissionais para que confiram, confirmem e informem a realização dos pontos críticos primordiais contemplados nos 10 objetivos essenciais para a cirurgia segura, conforme demonstração abaixo:
| Direcionamento | Medidas Essenciais de Segurança | Ação Esperada |
| Enfermagem
Médico Cirurgião Instrumentador |
Contagem final de instrumentais | Confirmar se confere a contagem de instrumentais e de compressas.
Caso a contagem final não apresente o mesmo resultado da contagem inicial, será necessário examinar todos os campos, recipientes de descarte, rampers, feridas cirúrgicas ou obter imagens radiológicas. |
| Contagem final de compressas | ||
| Enfermagem | Peça anatômica identificada e com requisição preenchida | Quando se aplica, confirmar a realização da dupla checagem da identificação do cliente (nome completo e RG) e da peça anatômica (tipo, local e |
|
Enfermagem |
data e horário de coleta), juntamente com o médico cirurgião. | |
| Cultura identificada e com requisição preenchida | Quando se aplica, confirmar a realização da dupla checagem da identificação do cliente (nome completo e RG) e da amostra biológica (descrição da amostra e local anatômico, data e horário de coleta), juntamente com o médico cirurgião. | |
| Etiquetas de esterilização fixadas no prontuário. | Confirmar a fixação das etiquetas de esterilização no prontuário. | |
| Equipe
Interprofissional |
Presença de não conformidades | Quando se aplica, relatar, registrar e notificar |
| Pontos críticos na recuperação pós-operatória | Se presente preocupações da equipe com a evolução do cliente no pós-operatório imediato, relatar, registrar e discutir o plano de intervenções. | |
| Registros do procedimento
intraoperatório |
Confirmar o registro da:
v Descrição cirúrgica v Prescrição Médica v Ficha Intraoperatória (Anestesia) v Ficha de Consumo de Materiais
|

Estrutura de apresentação do Checklist de Cirurgia Segura destacando o momento “Antes do cliente Sair da sala operatória.
PÓS-OPERTÓRIO IMEDIATO
VI -Na Sala de Recuperação Pós Anestésica – SRPA
- a) Admissão na SRPA (Responsável pela execução: Equipe Multiprofissional)
Implementar cuidados relacionados:
- Admissão e acolhimento;
- Exame físico: geral; cardiorrespiratório; motor; neurológico; vascular;
- Prevenção de hipotermia;
- Administração de medicamentos;
- Controle da dor e promoção de conforto;
- Manutenção da integridade da pele e segurança dos dispositivos;
- Permeabilidade de drenos;
- Avaliação da ferida operatória;
- Mensuração dos débitos de drenos e cateteres, quando presentes;
- Balanço hídrico;
- Orientações e apoio psicológico;
- Monitorização dos Sinais Vitais (Quadro 3).
| Parâmetros Vitais | Valores Normais de Referência | 1° hora | 2° hora | 3° hora |
| Pressão Arterial Sistêmica | Pressão Sistólica – 100 a 120 mmHg Pressão Diastólica – 60 a 80 mmHg | Cada 15 min | Cada 30min | Cada 1 hora |
| Frequência Respiratória | 16 – 20 rpm | |||
| Frequência Cardíaca | 60 – 100 rpm | |||
| Temperatura corporal | 35,1 – 37,7°C |
Quadro 3. Valores normais para referência dos sinais vitais
Não conformidades: Qualquer alteração identificada, deve-se comunicar ao médico anestesista e/ou cirurgião responsável.
- b) Alta da SRPA (Responsável pela execução: Médico Anestesita)
- O estado geral do cliente deverá ser avaliado detalhadamente. Como critério para alta da SRPA, o valor da escala de Aldrete/Kroulik deverá ser maior ou igual a 8; em clientes que foram submetidos à anestesia espinhal, o valor da escala de Bromage para alta deverá ser 2, 1 ou 0.
- Os clientes hemodinamicamente estáveis e que foram submetidos a cirurgias de pequeno porte, sem intercorrências, poderão ser encaminhados, imediatamente, para as enfermarias, a critério do médico anestesista.
MÉTRICAS DE MONITORAMENTO
- Número de cirurgias em local errado/mês e ano
- Número de cirurgias em paciente errado/mês e ano
- Número de procedimentos errados/mês e ano
- Taxa de adesão completa ao Checklist de Cirurgia Segura
Referências:
- ALEX B. HAYNES et al. A Surgical Safety Checklist to Reduce Morbidity and Mortality in a Global Population. N Engl J Med., 360, p. 491-499, 2009.
- ASKARIAN M, et al. Effect of surgical safety checklists on postoperative morbidity and mortality rates, Shiraz, Faghihy Hospital, a 1-year study. Qual Manag Health Care, v.20, p. 293–7. 2011.
- BERALDO, Carolina Contador; DE ANDRADE, Denise. Higiene bucal com clorexidina na prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 34, n. 9, p. 707-714, 2008.
- BERGS, J., LAMBRECHTS, F., SIMONS, P., VLAYEN, A., MARNEFFE, W., HELLINGS, J. et al. Barriers and facilitators related to the implementation of surgical safety checklists: a systematic review of the qualitative evidence. BMJ Qual Saf., v. 24, n. 12, p. 776-86, 2015.
- BOHMER AB et al. The implementation of a perioperative checklist increases patients’ perioperative safety and staff satisfaction. Acta Anaesthesiol Scand, v. 56, p. 332-8, 2012.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Assistência Segura: Uma Reflexão Teórica Aplicada à Prática. Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde. Brasil: Anvisa,2017.Disponível em: http://www.saude.pi.gov.br/uploads/divisa_document/file/374/Caderno_1_–_Assist%C3%AAncia_Segura_–_Uma_Reflex%C3%A3o_Te%C3%B3rica_Aplicada_%C3%A0_Pr%C3%A1tica.pdf
- Agência Nacional De Vigilância Sanitária – ANVISA. Critérios diagnósticos de infecção relacionada à assistência à saúde. 2013.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Manual de higienização das mãos em serviços de saúde. Brasil: Anvisa, 2007. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/hotsite/higienizacao_maos/ficha_tecnica.htm
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Brasília: Anvisa, 2017. 126p. Disponível em: < http://www.riocomsaude.rj.gov.br/Publico/MostrarArquivo.aspx?C=pCiWUy84%2BR0%3D>.
- EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES – EBSERH. Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Protocolo: Prevenção de Infecção Cirúrgica. Unidade de Vigilância em Saúde e Qualidade Hospitalar/Setor de Vigilância em Saúde e Segurança do Paciente do HCUFTM, Uberaba, 2017. 13p. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh/pt–br/hospitaisuniversitarios/regiao–sudeste/hc–uftm/documentos/protocolos–assistenciais/prt–svssp–003prevencao–de–infeccao–cirurgica–versao–pdf
- EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES – EBSERH. Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Procedimento Operacional Padrão: Lavagem intestinal retrógada. Serviço de Educação em Enfermagem da Divisão de Enfermagem HC-UFTM, Uberaba, 2020. 9p. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh/pt–br/hospitais–universitarios/regiao–sudeste/hcuftm/documentos/pops/pop–de–010–lavagem–intestinal–retrograda.pdf
- MALACHIAS MVB, SOUZA WKSB, PLAVNIK FL, RODRIGUES CIS, BRANDÃO AA, NEVES MFT, et al. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arq Bras Cardiol., 2016; 107(3Supl.3):1-83
- MINISTÉRIO DA SAÚDE. Agência Nacional de Vigilância Sanitária; Fundação Oswaldo Cruz. Protocolo para cirurgia segura. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.
14. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Manual de Implementação – Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica da OMS. 2009
- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Segundo desafio global para a segurança do paciente: cirurgias seguras salvam vidas (orientações para cirurgia segura da OMS) / Organização Mundial da Saúde; Rio de Janeiro: Organização Pan-Americana da Saúde; Ministério da Saúde; Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2009. 211p.
- RUSS, S., ROUT, S., SEVDALIS, N., MOORTHY, K., DARZI, A., VINCENT, C. Do safety checklists improve teamwork and communication in the operating room? a systematic review. Ann Surg.,258, n.6, p.856-71, 2013. doi: https://doi.org/10.1097/SLA.0000000000000206.
- SEMEL M.E, et al. Adopting A Surgical Safety Checklist Could Save Money And Improve The Quality Of Care In U.S. Hospitals. Health Affairs, v. 29, p. 1593–9, 2010.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO, RECUPERAÇÃO ANESTÉSICA E CENTRO DE MATERIAL E ESTERILIZAÇÃO (SOBECC). Práticas recomendadas: centro cirúrgico, recuperação pós-anestésica e centro de material e esterilização. 5ªed. São Paulo: SOBECC; 2009.
- TREADWELL J.R., LUCAS, S., TSOU, A.Y. Surgical checklists: a systematic review of impacts and implementation. BMJ Qual Saf., v.13, n. 4, p. 299-318, 2014.
Classificação Internacional para a Segurança do Paciente da OMS

A grande função desta parte da Classificação Internacional para a Segurança do Paciente (CISP) é poder descrever o incidente em uma categoria específica, bem como descrever o que ele causou ao paciente, ou seja, é dar as características que dão o “diagnóstico” do incidente, bem como sua “repercussão clínica”. Sendo assim, aqui estão as duas categorias que são fundamentais quando pensamos no paciente, dentro da CISP.
Incidentes, apenas recordando, são eventos ou circunstâncias que poderiam resultar, ou resultaram, em dano desnecessário ao paciente.
Tipos de Incidente
- Circunstância de Risco (reportable circumstance): é uma situação em que houve potencial significativo de dano, mas não ocorreu um incidente;
- Exemplo: a escala de enfermagem de uma UTI está defasada em um determinado plantão.
- “Quase – erro” (“near-miss”): incidente que não atinge o paciente;
- Exemplo: uma enfermeira iria colocar uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, mas percebe antes de instalar.
- Incidente sem dano(no harm incident): um evento que ocorreu a um paciente, mas não chegou a resultar em dano;
- Exemplo: a enfermeira coloca uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, mas o sangue é compatível e o paciente não tem reação.
- Incidente com dano = EVENTO ADVERSO (harmful incident): incidente que resulta em dano para um paciente (danos não intencionais decorrentes da assistência e não relacionadas à evolução natural da doença de base).
- Exemplo: a enfermeira coloca uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, e o paciente desenvolve uma reação febril.
Incidentes de uma natureza comum agrupados por características semelhantes.
Existem 13 tipos de incidente (Tabela 1), que por sua vez, se abrem em sub-grupos que ajudam à entender o que se caracteriza em cada um dos 13 grupos, bem como a detalhar mais a classificação do tipo de incidente, facilitando o agrupamento, a análise e a divulgação.
Tabela 1 – Tipos de Incidente
| 1 | Administração clínica |
| 2 | Processo clínico/ Procedimentos |
| 3 | Documentação |
| 4 | Infecção hospitalar |
| 5 | Medicação/ Fluídos endovenosos |
| 6 | Hemoderivados |
| 7 | Nutrição |
| 8 | Gases/ Oxigênio |
| 9 | Equipamento médico |
| 10 | Comportamento |
| 11 | Acidentes com o paciente |
| 12 | Estrutura |
| 13 | Gerenciamento de recursos/ Organizacional |
Desfechos do Paciente
Conceitos que dizem respeito ao impacto sobre o paciente, que é inteiramente ou em parte atribuível a um incidente.
Inclui-se aqui 3 características. As duas primeiras são descritivas, por exemplo, o tipo de dano foi um trauma craniano em uma queda do paciente, o impacto social e econômico pode ser medido em função da sequela que ele teve e do tempo de reabilitação que precisará.
Quanto ao Grau de Dano, este é variável e deve ser visto em função das informações da Tabela 2. Interessante ressaltar aqui que quando lembramos dos grupos de incidentes, as Circunstâncias de Risco, os “Quase-erros” e os Incidentes sem Dano sempre causam NENHUM dano, enquanto que os EVENTOS ADVERSOS devem ser detalhados entre leves, moderados, graves ou responsáveis por óbito.
- Tipo de Dano
- Impacto Social/Econômico
- Grau de Dano
Tabela 2 – Grau de Dano
| NENHUM | Nenhum sintoma, ou nenhum sintoma detectado e não foi necessário nenhum tratamento. |
| LEVE | Sintomas leves, perda de função ou danos mínimos ou moderados, mas com duração rápida, e apenas intervenções mínimas sendo necessárias (ex.: observação extra, investigação, revisão de tratamento, tratamento leve). |
| MODERADO | Paciente sintomático, com necessidade de intervenção (ex.: procedimento terapêutico adicional, tratamento adicional), com aumento do tempo de internação, com dano ou perda de função permanente ou de longo prazo. |
| GRAVE | Paciente sintomático, necessidade de intervenção para suporte de vida, ou intervenção clínica/cirúrgica de grande porte, causando diminuição da expectativa de vida, com grande dano ou perda de função permanente ou de longo prazo. |
| ÓBITO | Dentro das probabilidades, em curto prazo o evento causou ou acelerou a morte. |
Tabela 3 – Grau de Dano conforme o grupo de Incidentes
| Circunstância de Risco | Nenhum |
| “Quase-Erro” | Nenhum |
| Incidente sem Dano | Nenhum |
| Evento Adverso | Leve
Moderado Grave Óbito |
Tabela 4 – Exemplos de Eventos Adversos conforme o Grau de Dano
| Leve | Ex.: a enfermeira coloca uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, e o paciente desenvolve uma reação alérgica (coceira no corpo), que precisa de uma avaliação de um médico que prescreve uma dose de anti-alérgico, cessando os sintomas. |
| Moderado | Ex.: a enfermeira coloca uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, e o paciente desenvolve uma reação alérgica intensa que resulta em mais dois dias de internação para controle dos sintomas, sendo que esses dois dias não eram previstos dentro da causa inicial da internação. |
| Grave | Ex.: a enfermeira coloca uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, e o paciente desenvolve uma reação anafilática, que o leva a ir para a UTI sob intubação e ventilação mecânica. |
| Óbito | Ex.: a enfermeira coloca uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, e o paciente desenvolve uma reação anafilática, que o leva a ir para a UTI sob intubação e ventilação mecânica. O paciente desenvolve uma pneumonia na UTI e vai a óbito por choque séptico. |
Referência:
-
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). The Conceptual Framework for the International Classification for Patient Safety v1.1. Final Technical Report and Technical Annexes, 2009. Disponível em: http://www.who.int/patientsafety/taxonomy/en/
OMS destaca aprovação do piso nacional da enfermagem no Brasil
A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas e Caribe, considera a aprovação do piso nacional dos profissionais da Enfermagem pelo Congresso brasileiro como uma das melhores experiências para a valorização desses trabalhadores em todos os países da região. Tanto é que o tema foi um dos […]
Escada Analgésica da OMS

De acordo com a International Association for the Study of Pain (IASP), dor é uma sensação ou experiência emocional desagradável, associada com dano tecidual real ou potencial.
A dor pode ser aguda (duração inferior a 30 dias) ou crônica (duração superior a 30 dias), sendo classificada segundo seu mecanismo fisiopatológico em três tipos:
a) dor de predomínio nociceptivo;
b) dor de predomínio neuropático;
c) dor mista.
O tratamento das dores nociceptiva e mista deve respeitar a proposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de escalonamento (Degraus da Escada Analgésica, a seguir), que inclui analgésicos, antiinflamatórios, fármacos adjuvantes e opioides (fracos e fortes). Dentro de uma mesma classe inexiste superioridade de um fármaco sobre o outro.
Em algumas situações de dor oncológica, caso haja lesão concomitante de estruturas do sistema nervoso (por exemplo, o plexo braquial) e escores elevados na escala de dor LANSS (dor mista ou neuropática), medicamentos para dor neuropática podem ser utilizados.
| Degrau | Fármacos |
| 01 | Analgésicos e anti-inflamatórios + fármacos adjuvantes |
| 02 | Analgésicos e anti-inflamatórios + fármacos adjuvantes + opioides fracos |
| 03 | Analgésicos e anti-inflamatórios + fármacos adjuvantes + opioides fortes |
Observação:
O tratamento será considerado ineficaz, ou seja, haverá passagem para o degrau seguinte, caso os analgésicos não atenuem os sintomas de forma esperada após uma semana com a associação utilizada na dose máxima preconizada.
Veja também:
Analgésicos e Sedativos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI)
Referências:
1.Merskey H, Bogduk N. Classification of chronic pain: descriptions of chronic pain syndromes and definitions of pain terms. Seattle: IASP Press; 1994.
2.Schestatsky P, Nascimento OJ. What do general neurologists need to know about neuropathic pain? Arq Neuropsiquiatr. 2009;67(3A):741-9.
3. Bennett MI, Smith BH, Torrance N, Lee AJ. Can pain can be more or less neuropathic? Comparison of symptom assessment tools with ratings of certainty by clinicians. Pain. 2006;122(3):289-94.
4.Kreling MC, da Cruz DA, Pimenta CA. Prevalence of chronic pain in adult workers. Rev Bras Enferm. 2006;59(4):509-13
5. Bennett M. The LANSS Pain Scale: the Leeds assessment of neuropathic symptoms and signs. Pain. 2001;92(1-2):147-57.
6.Schestatsky P, Félix-Torres V, Chaves ML, Câmara-Ehlers B, Mucenic T, Caumo W, et al. Brazilian Portuguese validation of the Leeds assessment of neuropathic symptoms and signs for patients with chronic pain. Pain Med. 2011;12(10):1544-50.



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