Período Perioperatório e Suas Fases

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 20/09/2026.

O paciente não começa a ser cuidado quando entra no centro cirúrgico. A segurança da cirurgia começa antes e continua depois que ele deixa a sala operatória. É justamente essa continuidade que define o período perioperatório.

O que significa período perioperatório

Perioperatório é o conjunto de cuidados relacionados ao procedimento cirúrgico, envolvendo os períodos pré-operatório, intraoperatório e pós-operatório.

Essa divisão facilita a organização da assistência, mas as necessidades do paciente não ficam presas a horários rígidos. Avaliação clínica, prevenção de complicações, comunicação e registro acompanham o paciente durante toda a trajetória cirúrgica.

Na enfermagem, essa continuidade é especialmente importante porque a avaliação e o cuidado precisam ser sistemáticos, considerando dados subjetivos, exame físico, riscos identificados, intervenções realizadas e resposta do paciente. A Resolução Cofen nº 736/2024 estabelece o Processo de Enfermagem em cinco etapas inter-relacionadas e aplicáveis a todo contexto em que ocorre o cuidado.

Pré-operatório: preparar vai muito além do jejum

O pré-operatório começa com a preparação para a cirurgia e pode ocorrer em diferentes momentos e unidades, dependendo do tipo de procedimento. É quando são identificados riscos e necessidades que podem interferir na segurança do paciente.

A equipe pode avaliar condições clínicas, alergias, medicamentos em uso, exames pertinentes, riscos de sangramento, estado nutricional, integridade da pele, identificação do paciente, procedimento e local cirúrgico, além das orientações necessárias.

Por isso, não é adequado tratar o pré-operatório imediato como uma regra fixa de 24 horas para todos os pacientes. Cirurgia eletiva, urgência e emergência possuem fluxos completamente diferentes.

Na prática, uma conferência aparentemente simples pode evitar um problema grande: paciente identificado corretamente, procedimento confirmado e documentação conferida antes de seguir para a sala. Quando existe alguma divergência, a cirurgia não deve simplesmente avançar para “resolver depois”; a inconsistência precisa ser esclarecida conforme o protocolo institucional.

Intraoperatório: segurança durante o procedimento

O intraoperatório corresponde ao período em que ocorre o procedimento cirúrgico, incluindo a recepção do paciente no centro cirúrgico, preparação, anestesia, cirurgia e transferência ao local de recuperação.

É nessa etapa que a enfermagem participa de medidas como posicionamento seguro, prevenção de lesões relacionadas à posição, controle e registro de materiais, manutenção da assepsia, disponibilidade de equipamentos, identificação de espécimes e acompanhamento das condições do paciente.

Um dos pontos mais importantes é a Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica. A OMS organiza o checklist em três pausas: antes da indução anestésica, antes da incisão e antes da saída do paciente da sala. Entre os itens estão identificação, procedimento, local cirúrgico, riscos anestésicos, eventos críticos esperados, contagem de instrumentos e compressas, identificação de espécimes e planejamento da recuperação.

É comum que, em uma sala movimentada, a equipe já conheça o procedimento e queira seguir rapidamente para a próxima etapa. Mesmo assim, o momento do Time Out não é mera formalidade: a equipe interrompe a sequência, confirma paciente, procedimento e local cirúrgico e compartilha riscos relevantes antes da incisão. Essa pausa é justamente uma barreira contra falhas de comunicação.

Pós-operatório: a cirurgia terminou, o cuidado não

O pós-operatório começa após o término do procedimento e acompanha a recuperação do paciente, podendo envolver sala de recuperação pós-anestésica, unidade de internação, UTI ou acompanhamento após a alta, conforme a situação clínica.

A prioridade inicial é reconhecer alterações que exigem intervenção, como comprometimento de via aérea, alterações respiratórias, instabilidade hemodinâmica, alteração do nível de consciência, dor, náuseas e vômitos, sangramento, hipotermia e outras complicações relacionadas ao procedimento ou à anestesia.

Em vez de considerar “pós-operatório imediato = exatamente 24 horas” como uma regra universal, é mais útil entender que a intensidade da vigilância depende do risco e da evolução clínica. Protocolos institucionais podem organizar o cuidado em diferentes momentos, mas o paciente não deixa de precisar de avaliação porque atingiu determinado número de horas.

Um exemplo muito comum é a transferência do paciente da sala operatória para a recuperação: além dos sinais vitais, a equipe precisa transmitir informações relevantes sobre cirurgia realizada, anestesia, perdas, dispositivos, medicamentos, drenos, curativos e intercorrências. Uma passagem incompleta pode fazer uma informação importante desaparecer justamente na mudança de setor.

Os três períodos em resumo

  • Pré-operatório: avaliação, preparo, identificação de riscos e confirmação das condições para o procedimento.
  • Intraoperatório: anestesia, cirurgia, posicionamento, controle de riscos, manutenção da segurança e registro do que ocorre durante o procedimento.
  • Pós-operatório: recuperação, monitorização, controle de sintomas, identificação precoce de complicações e continuidade do cuidado.

Esses períodos não devem ser vistos como etapas isoladas. O que é identificado no pré-operatório pode modificar a assistência durante a cirurgia, e uma intercorrência intraoperatória pode determinar a vigilância necessária no pós-operatório.

Cuidados de enfermagem

A assistência perioperatória deve incluir identificação correta do paciente, conferência do procedimento e documentação, avaliação de riscos, prevenção de lesões, controle de materiais e dispositivos, monitorização, comunicação efetiva e registro das ações realizadas.

Também é essencial participar das etapas do checklist de cirurgia segura e garantir que informações relevantes sejam transmitidas na transferência do paciente. O protocolo brasileiro de cirurgia segura tem justamente como finalidade reduzir incidentes, eventos adversos e mortalidade relacionados aos procedimentos cirúrgicos.

Resumo para salvar

Período Perioperatório

  • O perioperatório envolve pré-operatório, intraoperatório e pós-operatório
  • Os períodos não devem ser tratados apenas por horários rígidos
  • O checklist de cirurgia segura possui três momentos críticos
  • A enfermagem acompanha riscos e continuidade do cuidado em todas as fases

Referências

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Cirurgia Segura: Protocolo para Cirurgia Segura. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em: Protocolo Cirurgia Segura – Ministério da Saúde. 
  2. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto socioambiental onde ocorre o cuidado de enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2024. Disponível em: Resolução Cofen nº 736/2024. 
  3. WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO Surgical Safety Checklist. Geneva: WHO, 2009. Disponível em: WHO Surgical Safety Checklist. 
  4. WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO Guidelines for Safe Surgery 2009: Safe Surgery Saves Lives. Geneva: WHO, 2009. Disponível em: WHO Guidelines for Safe Surgery. 
  5. AORN. Perioperative Nursing: Scope and Standards of Practice. Association of periOperative Registered Nurses. Disponível em: AORN – Perioperative Nursing. 
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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
✓ 16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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