Baby Blues vs. Depressão Pós-Parto: Entendendo as Diferenças

Baby Blues e Depressão Pós-Parto são duas condições que podem afetar mulheres no período pós-parto, mas possuem características e gravidade distintas. É importante saber diferenciá-las para buscar o tratamento adequado.

Baby Blues

  • Ocorrência: Muito comum, afetando cerca de 80% das novas mães.
  • Sintomas: Tristeza, irritabilidade, choro fácil, ansiedade, dificuldade para dormir e alterações de humor.
  • Duração: Geralmente dura poucos dias ou até duas semanas após o parto.
  • Intensidade: Os sintomas são menos intensos e costumam alternar com momentos de alegria e prazer.
  • Causas: Flutuações hormonais, cansaço, mudanças na rotina e a adaptação à nova realidade.
  • Tratamento: Não requer tratamento específico, pois costuma desaparecer espontaneamente. O apoio da família e amigos, descanso e uma boa alimentação podem ajudar a aliviar os sintomas.

Depressão Pós-Parto

  • Ocorrência: Menos comum que o baby blues, mas ainda assim significativa.
  • Sintomas: Sentimentos intensos e persistentes de tristeza, angústia, desesperança, perda de interesse pelas atividades cotidianas, dificuldade em se conectar com o bebê, alterações no apetite e no sono, pensamentos de inutilidade e culpa, e até mesmo ideias suicidas.
  • Duração: Pode durar semanas, meses ou até anos, se não tratada.
  • Intensidade: Os sintomas são mais intensos e duradouros, interferindo significativamente na vida da mãe e do bebê.
  • Causas: Complexas e multifatoriais, envolvendo fatores biológicos, psicológicos e sociais.
  • Tratamento: Requer acompanhamento médico e psicológico, podendo incluir psicoterapia, medicação e grupos de apoio.

É importante ressaltar que:

  • Não se sinta culpada: Muitas mulheres passam por essas experiências e não é sinal de fraqueza buscar ajuda.
  • Procure ajuda: Se os sintomas persistirem ou se tornarem muito intensos, converse com seu médico ou profissional de saúde mental.
  • Cuide de si mesma: Descanse, alimente-se bem, pratique atividades que te dão prazer e peça ajuda para cuidar do bebê quando necessário.

Cuidados de Enfermagem

Os cuidados de enfermagem para mulheres com Baby Blues e Depressão Pós-Parto são fundamentais para promover o bem-estar físico e emocional da puérpera e de seu bebê. O enfermeiro desempenha um papel crucial na identificação precoce dos sintomas, no estabelecimento de um vínculo de confiança com a paciente e na orientação sobre os cuidados necessários.

Baby Blues

  • Identificação: O enfermeiro deve estar atento aos sinais e sintomas característicos do Baby Blues, como tristeza, irritabilidade, choro fácil, dificuldade para dormir e alterações de humor.
  • Orientação: É importante orientar a puérpera sobre a natureza transitória do Baby Blues e que esses sintomas são comuns após o parto.
  • Apoio emocional: Oferecer um ambiente acolhedor e seguro para que a mulher possa expressar seus sentimentos e dúvidas.
  • Incentivo ao descanso: Enfatizar a importância do descanso e do sono adequados para a recuperação física e emocional.
  • Orientação sobre a amamentação: Oferecer suporte e informações sobre a amamentação, pois o aleitamento materno pode auxiliar na produção de hormônios que promovem o bem-estar.
  • Envolvimento da família: Incentivar a participação da família no cuidado com a mãe e o bebê, proporcionando momentos de descanso e apoio emocional.

Depressão Pós-Parto

  • Identificação precoce: O enfermeiro deve estar atento aos sinais de alerta da Depressão Pós-Parto, como tristeza intensa e persistente, perda de interesse pelas atividades cotidianas, alterações no apetite e no sono, pensamentos de inutilidade e culpa.
  • Comunicação: Estabelecer uma comunicação aberta e empática com a paciente, demonstrando interesse e preocupação com seu bem-estar.
  • Avaliação: Realizar uma avaliação completa da saúde física e mental da puérpera, incluindo a coleta de dados sobre a história obstétrica, antecedentes familiares de transtornos mentais e sintomas atuais.
  • Encaminhamento: Encaminhar a paciente para avaliação psiquiátrica e acompanhamento psicológico, quando necessário.
  • Educação: Oferecer informações sobre a depressão pós-parto, as opções de tratamento e a importância do tratamento adequado.
  • Apoio à família: Envolver a família no processo de cuidado, orientando-os sobre como oferecer apoio à mãe e ao bebê.

Cuidados gerais para ambas as condições:

  • Monitoramento: Acompanhar regularmente a evolução clínica da paciente, observando qualquer alteração nos sintomas.
  • Promoção do autocuidado: Estimular a prática de atividades físicas leves, alimentação saudável e técnicas de relaxamento.
  • Grupos de apoio: Incentivar a participação em grupos de apoio para mães, onde elas podem compartilhar experiências e receber apoio de outras mulheres que passaram pela mesma situação.
  • Prevenção: Promover a saúde mental durante a gestação, identificando e tratando possíveis fatores de risco para o desenvolvimento de transtornos mentais no pós-parto.

É fundamental que o enfermeiro esteja atento aos sinais de alerta e ofereça um cuidado integral à mulher no período pós-parto, promovendo sua saúde física e mental e fortalecendo o vínculo materno-infantil.

Referências:

  1. Schmidt, E. B., Piccoloto, N. M., & Müller, M. C.. (2005). Depressão pós-parto: fatores de risco e repercussões no desenvolvimento infantil. Psico-usf, 10(1), 61–68. https://doi.org/10.1590/S1413-82712005000100008
  2. CAMPOS, Paula Azevedo; FÉRÉS-CARNEIRO, Terezinha. Sou mãe: e agora? Vivências do puerpério. Psicologia USP, São Paulo, v. 32, e200211, 2021. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/0103-6564e200211.
  3. Bárbara Camila de Campos; Olga Maria Piazentin Rolim Rodrigues. Depressão pós-parto materna: crenças, práticas de cuidado e estimulação de bebês no primeiro ano de vida. Psico, vol.46 no.4 Porto Alegre dez. 2015. https://doi.org/10.15448/1980-8623.2015.4.20802

Cuidados de Enfermagem ao RN Prematuro

O recém-nascido prematuro é aquele bebê que nasceu antes de 37 semanas de gravidez. Devido ao nascimento precoce, seus órgãos podem estar subdesenvolvidos e não prontos para funcionar fora do útero.

Os Cuidados pré-natais realizados desde o início da gestação podem ajudar a reduzir o risco de parto prematuro.

Pontos Importantes

  1. Desenvolvimento dos órgãos: Como muitos órgãos estão subdesenvolvidos, o bebê prematuro pode enfrentar dificuldades para respirar e se alimentar. Além disso, ele é mais suscetível a hemorragias cerebrais, infecções e outros problemas.
  2. Classificação por idade gestacional:
    • Prematuro extremo: Nasceu antes da 28ª semana de gestação.
    • Muito prematuro: Nasceu entre a 28ª e a 32ª semana de gestação.
    • Moderadamente prematuro: Nasceu entre a 32ª e a 34ª semana de gestação.
    • Prematuro tardio: Nasceu entre a 34ª e a 37ª semana de gestação.
  3. Prevenção e tratamento:
    • Pré-natal: Cuidados pré-natais desde o início da gestação podem ajudar a evitar o parto prematuro.
    • Medicamentos: Em casos de expectativa de parto prematuro significativo, a mãe pode receber medicamentos para retardar ou interromper as contrações.
    • Corticosteroides: Quando necessário, o médico pode administrar injeções de corticosteroides na mãe para acelerar o desenvolvimento dos pulmões do feto e prevenir sangramento cerebral.
  4. Perspectiva:
    • Alguns recém-nascidos prematuros podem enfrentar problemas permanentes, mas a maioria dos sobreviventes não apresenta problemas de longo prazo.
    • A conscientização sobre a importância dos cuidados com o recém-nascido prematuro é fundamental para garantir seu bem-estar e desenvolvimento saudável.

Os Cuidados de Enfermagem

O nascimento prematuro requer cuidados específicos da equipe de enfermagem para garantir o bem-estar e o desenvolvimento adequado do recém-nascido:
  1. Monitoramento Contínuo:
    • Avalie constantemente os sinais vitais do bebê, incluindo frequência cardíaca, respiração, temperatura corporal e pressão arterial.
    • Registre qualquer alteração nos sinais vitais ou comportamento do recém-nascido.
  2. Controle do Ambiente:
    • Mantenha uma temperatura estável e adequada na incubadora ou na unidade de cuidados intensivos neonatais (UCIN).
    • Reduza o ruído e a luminosidade para promover o descanso do bebê.
  3. Alimentação Adequada:
    • Alimente o bebê com mamadeira ou por sonda nasogástrica, conforme necessário.
    • Monitore o ganho de peso e a tolerância alimentar.
  4. Cuidados com a Pele:
    • A pele do recém-nascido prematuro é delicada. Mantenha-a limpa e seca, evitando produtos irritantes.
    • Verifique a presença de lesões cutâneas e trate adequadamente.
  5. Prevenção de Infecções:
    • Recém-nascidos prematuros são mais suscetíveis a infecções. Siga rigorosamente as medidas de precaução padrão.
    • Esterilize adequadamente todos os equipamentos utilizados no cuidado do bebê.
  6. Estimulação Adequada:
    • Forneça estímulos sensoriais adequados, como contato pele a pele e suporte emocional.
    • Respeite o limite de tolerância do bebê.

Referências:

  1. MSD Manuals
  2. Cartilha de Cuidados do RN Prematuro

Medicamentos utilizados na Sala de Parto

Para dispensar um atendimento adequado às necessidades da gestante e do bebê é necessário que os profissionais de saúde detenham o conhecimento básico sobre a classificação de risco que determinados medicamentos se enquadram.

Os medicamentos utilizados na sala de parto podem ter diferentes finalidades, como aliviar a dor, acelerar o trabalho de parto, prevenir hemorragias, tratar infecções ou reanimar o recém-nascido.

Fármacos utilizados em Sala de Parto

  • Ocitocina: é um hormônio que estimula as contrações uterinas e ajuda na descida do bebê. Também é usada após o parto para evitar sangramentos excessivos e facilitar a saída da placenta.
  • Analgésicos: são medicamentos que reduzem a sensação de dor, mas não a eliminam completamente. Podem ser administrados por via oral, intravenosa ou intramuscular. Alguns exemplos são dipirona, paracetamol e opioides (como fentanilo ou morfina).
  • Anestésicos: são medicamentos que bloqueiam a transmissão dos impulsos nervosos e causam perda de sensibilidade em uma parte do corpo ou em todo ele. Podem ser aplicados por via inalatória, epidural ou raquidiana. Alguns exemplos são óxido nitroso, lidocaína e bupivacaína.
  • Antibióticos: são medicamentos que combatem as infecções causadas por bactérias. Podem ser necessários em casos de ruptura prematura das membranas, corioamnionite, infecção urinária ou puerperal, entre outras situações. Alguns exemplos são amoxicilina, cefalosporinas, clindamicina e eritromicina.
  • Expansores de volume: são soluções que aumentam o volume sanguíneo e melhoram a circulação. Podem ser usados em casos de hipotensão, hemorragia ou choque. Alguns exemplos são soro fisiológico, ringer lactato e albumina.
  • Adrenalina: é um hormônio que atua sobre o coração e os vasos sanguíneos, aumentando a frequência cardíaca, a pressão arterial e o fluxo de oxigênio. É usada na reanimação do recém-nascido quando há bradicardia ou asfixia.
  • Sulfato de Magnésio: é um eletrólito usado para prevenir e tratar convulsões em mulheres com pré-eclâmpsia ou eclâmpsia, condições que podem causar pressão alta e problemas nos rins, fígado e cérebro durante a gravidez. Também pode reduzir o risco de danos cerebrais nos bebês prematuros. Pode causar efeitos colaterais como sonolência, fraqueza, náusea, dor de cabeça e rubor. Em casos raros, pode causar problemas respiratórios, cardíacos ou neurológicos graves. Por isso, é importante monitorar a paciente e o bebê durante o uso do sulfato de magnésio na sala de parto.
  • Ergometrina: é um medicamento que atua sobre o útero, causando contrações e diminuindo o sangramento após o parto. No entanto, seu uso rotineiro na sala de parto não é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pois pode ter efeitos colaterais indesejáveis, como aumento da pressão arterial, náuseas, vômitos e dor de cabeça. Além disso, a ergometrina oral não é eficaz para prevenir ou controlar hemorragias, e a ergometrina parenteral só deve ser usada em casos de alto risco ou emergência. A OMS sugere que a ocitocina seja usada como profilaxia no terceiro estágio do trabalho de parto, pois é mais segura e efetiva do que a ergometrina. Portanto, a ergometrina na sala de parto deve ser evitada, a menos que haja uma indicação clara e específica para seu uso.

Os medicamentos utilizados na sala de parto devem ser prescritos pelo médico responsável e administrados pelo enfermeiro obstetra ou pelo anestesista, conforme o caso.

É importante que a parturiente seja informada sobre os benefícios e os riscos de cada fármaco, bem como sobre as possíveis alternativas não farmacológicas para o alívio da dor e o manejo do trabalho de parto.

Referências:

  1. https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/60/60137/tde-02102009-131223/publico/Mestrado.pdf
  2. Recomendações da OMS na Assistência ao Parto Normal – Bahia
  3. Boas práticas de atenção ao parto e ao nascimento
  4. CLASSIFICAÇÃO DE PRÁTICAS NO PARTO NORMAL – Moodle USP: e-Disciplinas
  5. https://www.unasus.gov.br/noticia/voce-conhece-recomendacoes-da-oms-para-o-parto-normal

Partograma: Como é preenchido?

O partograma é uma representação gráfica do trabalho de parto, conforme exigência do governo federal, contando a história do nascimento de um ponto de vista médico.

Para todos os procedimentos médicos, há um prontuário a ser preenchido, com as informações do paciente, medicações, sintomas e tudo que diz respeito ao andamento do tratamento.

O partograma é o documento oficial que deve ser preenchido pela equipe médica ao longo do trabalho de parto.

Como mencionamos, ele é uma representação gráfica da evolução do parto.

Há algumas variações nos modelos, mas ele basicamente registra a frequência das contrações uterinas, os batimentos cardíacos fetais e a dilatação cervical materna com o passar das horas.

Esses registros servem para avaliação posterior se o trabalho de parto está dentro dos padrões considerados normais.

Importância do partograma na saúde

O uso do partograma para acompanhamento do trabalho de parto é recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde do Brasil.

Ele é utilizado pelo governo brasileiro como uma das medidas de estímulo ao parto normal.

O partograma mostra a evolução do trabalho de parto e possibilita um acompanhamento preciso do procedimento e do final da gestação como um todo.

É um procedimento muito importante para a saúde da paciente e do bebê, e para fiscalizar a conduta obstétrica.

Além disso, desde 2015, os planos de saúde só podem fazer o pagamento dos procedimentos com a apresentação desse documento.

É uma forma de coibir as cesarianas marcadas com antecedência, sem necessidade médica.

Os planos só têm a obrigação de reembolsar as cesáreas prescritas por profissionais da saúde ou que se tornam necessárias por complicações durante um trabalho de parto difícil.

Segundo estudos da Cochrane, citados pela Fiocruz, o uso do partograma melhora desfechos obstétricos e reduz taxas de cesariana em países de baixa/média renda.

Para as equipes de saúde, o partograma é uma medida que colabora para a proteção legal do profissional, além de facilitar os registros, principalmente em equipes grandes e multidisciplinares e em turnos com troca de plantão.

Preenchimento do partograma é obrigatório?

Recomendado pela Organização Mundial da Saúde desde 1994 e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Abrasgo) desde 1998, o partograma enfim tornou-se obrigatório no Brasil em 2015.

A medida entrou de carona em um pacote criado pelo governo com o propósito de estimular os partos normais na rede privada, responsável por 84% das cesarianas até então.

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde na época, a cesariana sem indicação médica aumenta em 120 vezes o risco de problemas respiratórios para o bebê e triplica o risco de morte da mãe.

Entre outras medidas, os planos de saúde ficaram obrigados a orientar os médicos para a utilização do partograma em todos os partos.

Quais informações constam no partograma?

O partograma deve considerar a fase ativa do trabalho de parto.

Por conceito, o diagnóstico de trabalho de parto ativo é o seguinte: contrações uterinas regulares que causam esvaecimento e dilatação cervical a partir de, no mínimo, 3 centímetros.

Tudo que acontece a partir daí precisa estar registrado no partograma, um documento que deve ser preenchido de hora em hora ou a cada reavaliação da paciente.

Identificação

O partograma é composto basicamente por quatro partes.

A primeira se refere à identificação da paciente.

Cada instituição pode ter um modelo específico, mas as informações que nunca vão faltar são:

  • Nome completo
  • Documento/atendimento
  • Idade da gestante
  • Idade gestacional (geralmente em semanas).

Dilatação e altura do feto

A segunda parte do partograma traz o acompanhamento da dilatação e a altura do feto, informações que devem ser anotadas a cada toque vaginal realizado.

O preenchimento é feito da esquerda para a direita, pois um dos vetores do gráfico é a passagem do tempo, como mostra o gráfico acima, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A cada nova informação, é importante marcar a hora do trabalho de parto e o horário real de verificação de cada medida.

Esses dados são registrados por meio de símbolos: o triângulo é referente à dilatação e o círculo, à altura do feto.

Chamam a atenção neste gráfico duas linhas: a linha de alerta e a linha de ação.

As duas aparecem em um ângulo de 45 graus e devem ocupar uma área de quatro quadrados.

A linha de alerta começa na segunda hora do partograma, e o trabalho de parto deve acompanhar esta linha.

Ou seja, se a representação do parto ultrapassar essa linha, é motivo de atenção.

Já a linha de ação mostra a necessidade de intervenção, não necessariamente a cesariana.

Batimentos fetais

A terceira parte do partograma é o registro de batimentos cardíacos do feto.

Basta marcar um ponto em cima da linha referente ao número de batimentos por minuto verificado.

Na sequência, vem o registro das contrações, que funciona também de forma gráfica.

Para as contrações efetivas, o quadrado é todo pintado.

Os quadrados pintados pela metade, com uma divisão na diagonal, se referem às contratações que não são efetivas, mas que duram entre 20 e 39 segundos.

O número de quadrados pintados representa a quantidade de contrações a cada 10 minutos.

Uso de ocitocina, aspecto do líquido amniótico e da bolsa

A quarta parte do partograma traz as três últimas informações necessárias para acompanhar a evolução do trabalho de parto.

Este trecho indica se foi feito o uso de ocitocina, o aspecto do líquido amniótico e a situação da bolsa amniótica.

A ocitocina (ou oxitocina) é um hormônio produzido pelo cérebro que proporciona a realização do parto e a amamentação.

Em casos de baixa frequência ou intensidade das contrações uterinas, pode ser feita a aplicação desse hormônio, como forma de induzir o parto.

No partograma, a equipe de saúde indica se o uso é feito ou não e qual a quantidade.

Esse costuma ser o último item do documento.

Antes dele, há uma linha que se refere à bolsa, que pode estar marcada como íntegra ( I ) ou rota ( R ), indicando se já se rompeu ou não.

A partir da ruptura, é possível verificar o LA (líquido amniótico), que é preenchido como líquido claro (LC) ou líquido meconial (LM).

O mecônio é o nome dado às primeiras fezes do bebê, que costumam ser expelidas depois do nascimento.

A presença de resíduos no líquido amniótico, antes da saída do útero, pode indicar que o feto está passando por dificuldades.

Referências:

  1. FioCruz;
  2. Rocha, Ivanilde Marques da Silva et al. O Partograma como instrumento de análise da assistência ao parto. Revista da Escola de Enfermagem da USP [online]. 2009, v. 43, n. 4 [Acessado 21 Setembro 2022] , pp. 880-888. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0080-62342009000400020&gt;. Epub 26 Jan 2010. ISSN 1980-220X. https://doi.org/10.1590/S0080-62342009000400020.

Lóquios Pós-Parto

Os lóquios são perdas, inicialmente de sangue e, numa segunda fase, de outros tecidos também, o que faz com que mudem a sua aparência. Os lóquios começam imediatamente depois do parto e podem prolongar-se até ao final do puerpério, os clássicos 40 dias depois do nascimento.

Imediatamente após a fase de expulsão do bebê, o útero contrai-se e coloca-se na zona situada em cima do umbigo. Entre 10 a 15 dias depois do parto, o útero já fica ao nível da púbis e, no final do puerpério, já recuperou as suas dimensões normais. O peso do útero também muda: se, quando o bebê nasce, pesa cerca de um quilo, depois de 40 dias volta aos 60-90 gramas de sempre.

Mas a que se deve esta mudança? As responsáveis são as células musculares do útero que reduzem o seu volume, diminuem de número e alisam-se produzindo as perdas que recebem o nome de lóquios.

Quais são as causas dos lóquios?

Os lóquios ou perdas de sangue são provocados por três fenômenos:

  • A expulsão da placenta, o órgão que forneceu oxigênio e nutrientes ao feto durante a gravidez. No ponto do útero onde estava presa a placenta forma-se uma ferida que começa a sangrar. Por isso, vão para esta zona uma grande quantidade de glóbulos brancos de modo a formarem uma barreira de defesa face aos possíveis germes que poderiam provocar uma infeção na ferida. À medida que se forma este escudo protetor, as perdas de sangue produzidas pela ferida vão-se reduzindo. Este processo costuma terminar em cerca de quatro semanas após o parto. Não obstante, não se trata de um processo normal de cicatrização mas sim de uma reconstrução dos tecidos. Se sobre o ponto em que estava presa a placenta se formasse uma cicatriz, no futuro não seria possível a implantação de um novo óvulo fecundado.
  • A eliminação da capa que reveste o útero durante a gravidez constitui o segundo elemento responsável pela existência de lóquios. Esta capa é composta por um tecido abundante que, com a sua presença, torna o útero um lugar acolhedor para o feto e que é expulso na maior parte no momento do parto. A capa mais profunda deste tecido elimina-se lentamente produzindo os lóquios.
  • A destruição por lise de parte das fibras do útero, quando termina a gestação, dá lugar a parte dessa secreção chamada lóquios.

Os tipos de Lóquios

A cor desses lóquios se modificam durante puerpério. Conforme a segunda imagem observamos:

  • Até o 3 ° dia uma cor rubra (vermelho), quantidade semelhante ao fluxo menstrual;
  • Após o 3º ou 4º dia até o 10° dia, a cor é FUSCA (acastanhado);
  • Até o 21º dia, observa-se a cor Flava (amarelado) e a partir de 21°dia alba (branca).

Os lóquios possuem odor característicos semelhantes ao sangue menstrual, qualquer modificação desse odor para – odor fétido – pode indicar uma infecção puerperal sendo necessário buscar orientação de um especialista.

Cuidados de Enfermagem

  • Verificar os sinais vitais (pulso, respiração, temperatura e pressão arterial), de 6/6 horas.
  • Observar o estado das mucosas e hidratação. Estimular ingestão hídrica nas primeiras 48 horas.
  • Encorajar a deambulação precoce (6 horas para parto vaginal e 12 horas para cesariana).
  • Verificar altura do fundo uterino, observando sua consistência e localização, bem como as características da incisão operatória quando o parto for cesáreo.
  • Inspecionar diariamente o períneo e o estado dos genitais externos: condições de higiene, cicatrização da episiotomia/laceração, presença de edema, hematoma e sinais de inflamação.
  • Observar continuamente e registrar lóquios: cor, odor, quantidade e aspecto.
  • Fazer ou orientar para higiene vulvar e perineal com água corrente após as micções e evacuações.
  • Avaliar continuamente o estado das mamas e mamilos: consistência, temperatura, sinais de apojadura, ingurgitamento, trauma mamilar, bloqueio de ductos, produção láctea, entre outros.
  • Controlar micção, características da urina, volume, frequência e distúrbios urinários, especialmente nas primeiras 24 a 72 horas. Em caso de sonda vesical, observar cuidados com a mesma.
  • Controlar e registrar diariamente a função intestinal: presença de peristaltismo, frequência e distúrbios no padrão de eliminação. Na ocorrência de hemorroida, observar tamanho, desconforto e sensibilidade.
  • Observar continuamente membros inferiores, atentando para os sinais precoces de tromboses e flebites.
  • Discutir com a puérpera os conceitos relacionados à alimentação e à higiene corporal;
  • Avaliar o estado emocional da puérpera e sua aceitação da maternidade, procurando identificar o grau de interação com o recém-nascido e de integração familiar.
  • Dar suporte emocional e ajuda prática.
  • Identificar o grau de conhecimento da puérpera em relação aos cuidados com o recém-nascido: curativo do coto umbilical, banho, vestuário, alimentação e imunização.
  • Respeitar a autonomia da mulher e sua liberdade de escolha.
  • Ministrar medicamentos prescritos, observando efeitos colaterais e adversos. Em caso de fluidoterapia, realizar controle e cuidados para esta.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de atenção a saúde. Pré-Natal e puerpério: atenção qualificada e humanizada:manual Técnico. Brasília: Ministério da Saúde, versão revisada, 2006. Disponível AQUI.

Cerclagem Uterina

A Cerclagem significa sutura (costura) em forma de bolsa. Usada em outras áreas da Medicina, foi introduzida na Ginecologia e aperfeiçoado em países como França e Estados Unidos a partir de 1953.

Consiste em “costurar” o colo do útero – em sua porção vaginal, que contém a entrada para a cavidade uterina – da grávida para impedir que se abra, a bolsa fetal desça, se rompa e o feto nasça prematuro, o que coloca sua vida em risco.

A cerclagem é uma sutura cirúrgica em bolsa, realizada sob anestesia, geralmente indicada logo após o terceiro mês de gestação com objetivo de manter o colo uterino fechado até o final da gravidez. Os pontos são retirados com cerca de 37 semanas para que o parto possa ocorrer normalmente.

Como é feito?

Introduz-se um espéculo na vagina da paciente, instrumento que permite abrir o conduto para visualizar o colo do útero. “Costura-se”, então, o colo circularmente em dois locais com agulha e fio inabsorvível, que é retirado no momento em que a gravidez se completa e o bebê já pode nascer.

Mulheres que fazem cerclagem devem ficar internadas por 24 horas em observação, pois pode causar contrações uterinas, pelo fato de se interferir na região, e até infecções no local dos pontos. Os dois fenômenos são combatidos com remédios. A retirada do fio, ao final da gravidez, é feita no próprio consultório.

Os Riscos

Esse procedimento, no entanto, tem riscos. O principal deles é favorecer uma infecção intra-uterina ou a ruptura das membranas amnióticas. Nos últimos anos, tem ocorrido uma crescente ampliação das indicações para a cerclagem, nem sempre bem fundamentadas.

As melhores evidências científicas atualmente disponíveis sugerem não haver vantagens de fazer cerclagem em grávidas com baixo risco de perda gestacional. A cirurgia também não deve ser indicada somente pelo achado de um colo uterino curto durante o exame de ultrassom, principalmente em mulheres sem fatores de risco para prematuridade.

Do mesmo modo, a gravidez de gêmeos, por si só, não justifica a intervenção.

Após a realização da cerclagem é necessário permanecer em repouso por longos períodos durante toda a gestação e ficar em abstinência sexual. Este contexto pode ser muito estressante para a mulher e para toda a sua família.

O apoio psicológico profissional pode ser necessário para algumas delas e sua família deve oferecer suporte emocional, estimulando atividades intelectuais e recreativas em casa, em todos os casos.

Referências:

  1. Mattar, RosianeA cerclagem para prevenção da prematuridade: para quem indicar?. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia [online]. 2006, v. 28, n. 3 [Acessado 12 Setembro 2021] , pp. 139-142. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0100-72032006000300001&gt;. Epub 25 Ago 2006. ISSN 1806-9339. https://doi.org/10.1590/S0100-72032006000300001.

Braxton Hicks: Contrações de Treinamento

Também conhecidas como contrações de treinamento ou falso trabalho de parto, as contrações de Braxton Hicks são contrações uterinas que podem ser percebidas no terceiro trimestre de gravidez.

Apesar de geralmente causarem ansiedade na gestante, não trazem prejuízos nem à mãe, nem ao bebê, e não indicam trabalho de parto.

Algumas mulheres descrevem as contrações de Braxton Hicks como um aperto no abdômen que vai e vem. Outras dizem que parecem cólicas menstruais leves.

Características

Diferente do que ocorre com as contrações que indicam trabalho de parto, as de Braxton Hicks:

  • Geralmente não são dolorosas;
  • Não ocorrem em intervalos regulares;
  • Não ocorrem em pequenos intervalos;
  • Podem desaparecer quando você muda de atividade ou posição;
  • Não ficam mais fortes conforme o tempo passa.

O que pode fazer para aliviar as contrações?

  • Dar uma volta, pois as falsas contrações geralmente param quando você muda de posição ou se locomove;
  • Dormir ou descansar um pouco;
  • Relaxar tomando um banho quente ou ouvindo música;
  • Receber uma massagem.

Diferença entre a Contração de Treinamento Vs. Trabalho de Parto

Umas das diferenças mais marcantes entre as contrações de Braxton Hicks e as contrações do parto é o fato da primeira ser habitualmente indolor e de frequência irregular.

As contrações de treinamento podem até ser incômodas em alguns casos, mais elas são bem diferentes das intensas e dolorosas contrações do trabalho de parto.

A forma de descrever as contrações de treinamento pode ser diferente de mulher para mulher:

  • Há algumas grávidas que descrevem as contrações de treinamento como algo semelhante a leves cólicas menstruais ou cólicas intestinais, apesar desta não ser apresentação mais comum;
  • Na maioria dos casos, o que as mulheres descrevem mesmo são apenas contrações uterinas indolores.

Como já referido, as contrações de Braxton Hicks são irregulares, os seus intervalos são imprevisíveis e elas não vão se tornando cada vez mais fortes e frequentes com o passar das horas, que é exatamente o comportamento das contrações do parto.

Outra fato que é típico das contrações de treinamento é o alívio das contrações após uma simples mudança de posição. Se a mulher está em pé, muitas vezes basta ela sentar-se ou deitar-se para que as contrações desapareçam. Deitar de lado também costuma ajudar.

De maneira oposta, durante o trabalho de parto, mudar de posição não tem nenhum efeito sobre as contrações. Quando iniciam-se as contrações expulsivas, nada funciona para aliviá-las.

QUANDO ENTRAR EM CONTATO COM O OBSTETRA?

As maioria das mulheres consegue distinguir facilmente as contrações de Braxton Hicks das contrações do parto.

No entanto, se você estiver insegura ou se o padrão das contrações tiver mudado recentemente, entre em contato com o seu obstetra.

Alguns sinais de alerta que não devem ser ignorados, mesmo que as contrações não tenham as características de trabalho de parto descritas acima. São eles:

  • Perda de sangue vaginal;
  • Perda de líquidos pela vagina;
  • Contrações muito dolorosas de início súbito;
  • Redução clara dos movimentos do bebê.

Referências:

  1. Braxton Hicks Contractions – American Pregnancy Association.
  2. Latent phase of labor – UpToDate.
  3. Williams Obstetrics, 25e F. Gary Cunningham, Kenneth J. Leveno, Steven L. Bloom, Jodi S. Dashe, Barbara L. Hoffman, Brian M. Casey, Catherine Y. Spong.