Os 7 Certos da Transfusão Sanguínea

A transfusão sanguínea é um procedimento essencial para salvar vidas, mas requer cuidados específicos para garantir a segurança do paciente. A prática dos 7 Certos da Transfusão é fundamental para evitar erros e garantir a eficácia do tratamento.

Neste artigo, vamos detalhar cada um desses certos e sua importância.

1. Paciente Certo

  • Identificação precisa: É essencial confirmar a identidade do paciente por meio de dois métodos de identificação, como nome completo e data de nascimento, antes de iniciar a transfusão.
  • Compatibilidade sanguínea: O grupo sanguíneo e o fator Rh do paciente devem ser compatíveis com o hemocomponente a ser transfundido.

2. Hemocomponente Certo

  • Tipo de hemocomponente: O hemocomponente a ser transfundido (concentrado de hemácias, plaquetas, plasma fresco congelado, etc.) deve estar de acordo com a prescrição médica e a necessidade clínica do paciente.
  • Compatibilidade individual: Além da compatibilidade ABO e Rh, outros testes podem ser necessários para garantir a compatibilidade individual do paciente com o hemocomponente.

3. Volume Certo

  • Cálculo preciso: O volume de hemocomponente a ser transfundido deve ser calculado com base no peso do paciente, na indicação clínica e na concentração do hemocomponente.
  • Taxa de infusão: A taxa de infusão deve ser adequada para evitar sobrecarga circulatória e outras complicações.

4. Via Certa

  • Acesso venoso adequado: A transfusão deve ser realizada por via venosa, preferencialmente por um cateter de calibre adequado.
  • Local de infusão: A veia escolhida para a infusão deve ser adequada e livre de complicações, como flebite ou infiltração.

5. Tempo de Infusão Certo

  • Respeito aos protocolos: O tempo de infusão de cada hemocomponente deve seguir os protocolos estabelecidos, variando de acordo com o tipo de hemocomponente e a condição clínica do paciente.
  • Monitoramento contínuo: O paciente deve ser monitorado durante toda a transfusão para identificar qualquer reação adversa.

6. Monitoramento Certo

  • Sinais vitais: A pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura e saturação de oxigênio devem ser monitorados antes, durante e após a transfusão.
  • Reações transfusionais: É fundamental estar atento a sinais de reações transfusionais, como febre, calafrios, urticária, dor torácica e dispneia.

7. Registro Certo

  • Documentação completa: Todos os detalhes da transfusão, incluindo o tipo de hemocomponente, volume transfundido, tempo de infusão, reações adversas e assinatura do profissional responsável, devem ser registrados no prontuário do paciente.

A importância de seguir os 7 Certos da Transfusão

Ao seguir rigorosamente os 7 Certos da Transfusão, é possível reduzir significativamente o risco de erros e complicações relacionadas à transfusão sanguínea, garantindo a segurança e o bem-estar do paciente.

Outras medidas importantes

Além dos 7 Certos, outras medidas são importantes para garantir a segurança da transfusão, como:

  • Treinamento dos profissionais: Todos os profissionais envolvidos na transfusão devem receber treinamento adequado.
  • Verificação dupla: A verificação dupla dos componentes sanguíneos antes da transfusão é fundamental.
  • Hemovigilância: A hemovigilância é um sistema de monitoramento contínuo da segurança da transfusão, que permite identificar e investigar eventos adversos.

A transfusão sanguínea é um procedimento complexo que exige atenção e cuidado. Ao seguir os 7 Certos da Transfusão e adotar as medidas de segurança recomendadas, é possível garantir a eficácia do tratamento e minimizar os riscos para o paciente.

Referências:

  1. HEMOCENTRO DE BRASÍLIA. Cartilha de transfusão segura. Brasília: Hemocentro de Brasília, 2021. Disponível em: <https://www.hemocentro.df.gov.br/wp-content/uploads/2021/04/cartilha-transfusao-segura-032021.pdf&gt;. 
  2. Biblioteca Virtual em Saúde

Mielograma: Saiba tudo sobre este exame!

O mielograma, também conhecido como punção aspirativa da medula óssea, é um exame que permite analisar a medula óssea, o tecido responsável pela produção das células do sangue. Através dele, é possível identificar diversas doenças que afetam a medula óssea, como leucemias, linfomas e mieloma múltiplo.

Quem coleta o material para o mielograma?

O mielograma é um procedimento médico realizado por um profissional de saúde especializado, geralmente um hematologista ou oncologista. A coleta é feita em um ambiente hospitalar ou em um centro de diagnóstico por imagem.

Como é feito o mielograma?

O procedimento consiste em uma pequena punção em um osso, geralmente o ilíaco (osso do quadril), o esterno ou a tíbia. O local da punção é anestesiado com um medicamento local, para garantir o conforto do paciente. Em seguida, o médico insere uma agulha especial para coletar uma pequena amostra da medula óssea. A coleta pode causar um leve desconforto durante e logo após o procedimento, mas a dor é geralmente tolerável.

Que tubo de amostra é utilizado?

O material coletado no mielograma é geralmente colocado em um tubo com anticoagulante (EDTA), que impede a coagulação do sangue e permite a análise das células da medula óssea. O tipo de tubo utilizado pode variar de acordo com os exames que serão realizados.

Para que exames o mielograma é indicado?

  • Diagnosticar: diversas doenças que afetam a medula óssea, como leucemias, linfomas, mieloma múltiplo, anemia aplástica, síndromes mielodisplásicas e outras.
  • Acompanhar o tratamento: avaliar a resposta ao tratamento de doenças hematológicas e monitorar a recuperação da medula óssea após quimioterapia ou radioterapia.
  • Identificar a causa de: anemia, alterações nas plaquetas ou leucócitos, e outras alterações sanguíneas.

É importante ressaltar que o mielograma é um procedimento seguro e eficaz, mas como qualquer procedimento médico, apresenta alguns riscos, como:

  • Sangramento no local da punção
  • Infecção
  • Dor
  • Reações alérgicas ao anestésico

Referências:

  1. Lavoisier: https://lavoisier.com.br/saude/mielograma
  2. Grupo Oncoclínicas: https://grupooncoclinicas.com/servicos/mielograma-biopsia-de-medula-ossea

Tipos de Exames de Sangue

Os exames de sangue são ferramentas poderosas para avaliar a saúde geral de uma pessoa e diagnosticar diversas condições médicas. Ao analisar uma amostra de sangue, os profissionais de saúde podem medir níveis de substâncias como glicose, colesterol, hormônios e enzimas, além de identificar células sanguíneas anormais.

Exames de sangue para enzimas cardíacas são particularmente importantes na avaliação de problemas cardíacos. Quando o coração é danificado, como em um ataque cardíaco, ele libera enzimas específicas no sangue. A medição desses níveis pode ajudar a confirmar um diagnóstico e avaliar a extensão do dano.

A gasometria é outro exame de sangue que avalia a quantidade de oxigênio e dióxido de carbono no sangue, além do pH. Ela é fundamental para avaliar a função pulmonar e a capacidade do sangue de transportar oxigênio para os tecidos.

Exames de Sangue Comuns e suas Funções

Tipo de Exame O que Mede Para que serve
Hemograma Completo Número e tipo de células sanguíneas (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas) Avalia anemia, infecções, distúrbios de coagulação e outros problemas.
Perfil Bioquímico Níveis de glicose, proteínas, enzimas, eletrólitos e outros componentes Avalia função renal, hepática, cardíaca, e metabólica.
Perfil Lipídico Níveis de colesterol total, HDL, LDL e triglicerídeos Avalia o risco de doenças cardíacas.
Tipagem Sanguínea e Fator Rh Tipo sanguíneo (A, B, AB ou O) e presença do fator Rh Essencial para transfusões de sangue e durante a gravidez.
Teste de Função Tireoidiana Níveis de hormônios tireoidianos (T3, T4 e TSH) Avalia a função da tireoide.
Teste de Glicose em Jejum Nível de glicose no sangue após um período de jejum Diagnostica diabetes e monitora o controle glicêmico.
Teste de Tolerância à Glicose Nível de glicose no sangue após a ingestão de glicose Confirma o diagnóstico de diabetes e avalia a resistência à insulina.
Teste de Hemoglobina Glicada (A1c) Nível médio de glicose nas últimas 2-3 meses Monitora o controle glicêmico em pacientes com diabetes.

Exames de Sangue para o Coração

  • Enzimas Cardíacas: Troponina, CK-MB e LDH são as enzimas mais comumente medidas para avaliar danos ao músculo cardíaco.
  • Proteína C-reativa (PCR): Um marcador inflamatório que pode indicar a presença de doença arterial coronariana.
  • BNP (peptídeo natriurético cerebral): Um marcador de insuficiência cardíaca.

Gasometria Arterial

A gasometria arterial mede os seguintes parâmetros:

  • pH: Indica o equilíbrio ácido-base do sangue.
  • pO2: Pressão parcial de oxigênio no sangue arterial.
  • pCO2: Pressão parcial de dióxido de carbono no sangue arterial.
  • Bicarbonato: Um íon importante no equilíbrio ácido-base.
  • Saturação de Oxigênio: Porcentagem de hemoglobina saturada com oxigênio.

Referência:

  1. Hospital Albert Einstein

Coleta com seringa e agulha: Recomendações da SBPC/ML

A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), reconhecendo a importância da coleta de sangue venoso para a qualidade dos exames laboratoriais, publicou um documento com recomendações abrangentes para essa prática.

Este documento, fruto da colaboração de especialistas renomados, apresenta diretrizes detalhadas para profissionais da saúde, visando padronizar e otimizar o processo de coleta, assegurando a integridade das amostras e a confiabilidade dos resultados.

Pontos Abordados

  • Deixar o álcool secar antes de iniciar a punção.
  • Evitar usar agulhas de menor calibre. Usar esse tipo de material somente quando a veia do paciente for fina ou em casos especiais.
  • Evitar colher o sangue de área com hematoma.
  • Tubos com volume de sangue insuficiente ou em excesso alteram a proporção correta de sangue/aditivo, levando à hemólise e a resultados incorretos.
  • Em coletas com seringa e agulha, verificar se a agulha está bem adaptada à seringa, para evitar a formação de espuma.
  • Não puxar o êmbolo da seringa com muita força.
  • Ainda em coletas com seringa, descartar a agulha e passar o sangue deslizando-o cuidadosamente pela parede do tubo, cuidando para que não haja contaminação da extremidade da seringa com o anticoagulante ou com o ativador de coágulo contido no tubo.
  • Não executar o procedimento de espetar a agulha na tampa de borracha do tubo para a transferência do sangue da seringa para o tubo, pois poderá criar uma pressão positiva, o que provoca, além da hemólise, o deslocamento da rolha do tubo, levando à quebra da probe de equipamentos.
  • Homogeneizar a amostra suavemente por inversão de 5 a 10 vezes, de acordo com as instruções do fabricante, não chacoalhar o tubo.
  • Não deixar o sangue em contato direto com gelo, quando o analito a ser dosado necessitar desta conservação.
  • Embalar e transportar o material de acordo com as determinações da Vigilância Sanitária local, das instruções de uso do fabricante de tubos e do fabricante do conjunto diagnóstico a ser analisado.
  • Usar, de preferência, um tubo primário; evitar a transferência de um tubo para outro.

As Recomendações da SBPC/ML para Coleta de Sangue Venoso são um instrumento valioso para todos os profissionais envolvidos na coleta e análise de amostras de sangue.

A SBPC/ML reforça seu compromisso em promover a excelência na Medicina Laboratorial, disponibilizando recursos e ferramentas que contribuem para a melhor qualidade dos serviços laboratoriais no Brasil.

Acesse o documento completo das Recomendações: https://controllab.com/wp-content/uploads/guia_coleta_sangue.pdf

Referência:

  1. SPBC/ML

Devo ou não coletar sangue com braço garroteado?

O garrote é um dispositivo utilizado durante a coleta de sangue para facilitar a localização das veias.

Ele deve ser colocado no braço do paciente próximo ao local da punção, geralmente a cerca de 4 a 5 dedos ou 10 cm acima do local de punção.

No entanto, é importante lembrar que o garrote não deve ser deixado no braço do paciente por mais de 1 minuto!

Por que não devo deixar o braço garroteado durante a coleta de sangue?

O tempo de garroteamento não pode ultrapassar 1 minuto, pois há riscos associados a isso.

Primeiro, existe o risco de hemólise, que é a destruição das células sanguíneas. Além disso, ocorre o aumento da pressão intravascular, resultando no extravasamento de água e eletrólitos do plasma para o espaço extravascular.

Isso leva ao aumento da concentração de células, enzimas, proteínas e outros elementos ligados a proteínas, como o colesterol, cálcio, ferro e triglicerídeos.

Portanto, é essencial que o garrote seja retirado assim que o sangue começar a fluir pelo tubo ou seringa durante a coleta.

Embora o garrote facilite a localização das veias, o garroteamento prolongado pode afetar os resultados de certos exames.

Pesquisadores italianos já comprovaram o aumento de analitos no sangue após 1 e 3 minutos de estase venosa.

Portanto, a prática padrão é manter o tempo de garroteamento dentro desse limite seguro para garantir resultados precisos e minimizar qualquer impacto negativo na saúde do paciente.

Referências:

  1. Lippi G, Salvagno GL, Montagnana M, Brocco G, Guidi GC. Influence of short-term venous stasis on clinical chemistry testing. Clin Chem Lab Med. 2005;43(8):869-75. doi: 10.1515/CCLM.2005.146. PMID: 16201899.

Sistema Circulatório: Fluxo sanguíneo cardíaco

O coração e os vasos sanguíneos constituem o sistema cardiovascular (circulatório). O coração bombeia o sangue para os pulmões para que ele possa receber oxigênio e depois bombeia o sangue rico em oxigênio para o corpo.

O sangue que circula nesse sistema distribui oxigênio e nutrientes para os tecidos do corpo e retira produtos residuais (como dióxido de carbono) dos tecidos.

A função do coração

A única função do coração é bombear sangue.

  • O lado direito do coração: bombeia sangue para os pulmões, onde oxigênio é adicionado ao sangue e o dióxido de carbono é eliminado;
  • O lado esquerdo do coração: bombeia sangue para o restante do corpo, onde oxigênio e nutrientes são fornecidos para os tecidos e os resíduos (como dióxido de carbono) são transferidos para o sangue para serem removidos por outros órgãos (como os pulmões e rins).

O sangue faz a seguinte trajetória: O sangue proveniente do corpo, pobre em oxigênio e carregado de dióxido de carbono, flui através das duas veias maiores – a veia cava superior e a veia cava inferior, que, em conjunto, são chamadas veias cavas – para o átrio direito.

Quando o ventrículo direito relaxa, o sangue que está no átrio direito é despejado através da válvula tricúspide no ventrículo direito. Quando o ventrículo direito está quase cheio, o átrio direito se contrai, enviando sangue adicional para o ventrículo direito, que se contrai em seguida.

Essa contração fecha a válvula tricúspide e impulsiona o sangue pela válvula pulmonar até as artérias pulmonares, que irrigam os pulmões. Nos pulmões, o sangue flui pelos pequenos capilares que rodeiam os alvéolos. Aqui, o sangue absorve oxigênio e libera dióxido de carbono, que depois é exalado.

O sangue proveniente dos pulmões, agora rico em oxigênio, circula pelas veias pulmonares até o átrio esquerdo. Quando o ventrículo esquerdo relaxa, o sangue do átrio esquerdo passa para o ventrículo esquerdo através da válvula mitral.

Quando o ventrículo esquerdo está quase cheio, o átrio esquerdo se contrai, enviando sangue adicional ao ventrículo esquerdo, que, em seguida, contrai-se. (Em idosos, o ventrículo esquerdo não fica totalmente cheio antes da contração do átrio esquerdo, o que faz com que essa contração do átrio esquerdo seja especialmente importante).

A contração do ventrículo esquerdo fecha a válvula mitral e impulsiona o sangue pela válvula aórtica até a aorta, a maior artéria do corpo. Esse sangue leva oxigênio a todo o corpo, exceto aos pulmões.

A circulação pulmonar é o trajeto entre o lado direito do coração, os pulmões e o átrio esquerdo.

A circulação sistêmica é o trajeto entre o lado esquerdo do coração, a maior parte do corpo e o átrio direito.

Referência:

  1. Fisiologia cardiovascular. In: Fisiologia Humana: uma abordagem integrada. D. Silverthorn. Ed. Manole. 2a.edição, 2003, pp. 404-441. 

Sangue oculto nas fezes: Como é feito o teste?

O exame de sangue oculto nas fezes, como o próprio nome diz, analisa a presença de sangue nas fezes que não podem ser vistos a olho nu. Um resultado positivo para esse exame indica que o paciente está sofrendo algum sangramento no intestino grosso, que pode ser consequência de uma inflamação, trauma ou câncer colorretal.

O paciente faz a coleta das fezes frescas em casa ou no hospital e leva a amostra para ser analisada em laboratório.

Como é pedido?

A pesquisa de sangue oculto nas fezes deve ser realizada por homens e mulheres a partir dos 40 anos ou que possuem histórico familiar de câncer colorretal. Ele também pode ajudar a identificar pólipos no cólon e reto ou doenças inflamatórias intestinais, como doença de Chron ou colite.

O exame também pode ser usado no controle de doenças inflamatórias intestinais, na possibilidade de alergia à proteína do leite de vaca ou outras causas de inflamação no intestino grosso. Ele não é usado para diagnóstico de doenças que acometem a parte alta do intestino ou estômago.

Quando é contra indicado?

Não há contraindicações para a pesquisa de sangue oculto nas fezes, uma vez que basta a pessoa evacuar e levar sua amostra para o laboratório. Entretanto, o exame não dever ser colhido durante e após três dias do período menstrual ou se o paciente estiver apresentando sangramento hemorroidário ou presença de sangue na urina.

O preparo

  • Não usar medicamentos irritantes da mucosa gástrica (ácido acetilsalicílico, anti-inflamatórios, corticoides, etc).
  • Evitar sangramento gengival (com escova de dentes, palito, etc).
  • Alguns médicos ou laboratórios podem pedir uma dieta específica de três dias e no dia da coleta do material. A dieta deve ser com exclusão de:
    • Carne (vermelha e branca)
    • Vegetais (rabanete, nabo, couve-flor, brócolis e beterraba).
    • Leguminosas (soja, feijão, ervilha, lentilha, grão-de-bico e milho).
    • Azeitona, amendoim, nozes, avelã e castanha.

No geral, a dieta é solicitada por conta do método usado para identificação do sangue oculto nas fezes. Dependendo do laboratório, o método usado não consegue fazer distinção entre sangue humano e sangue de outros animais, sendo contraindicada a ingestão de carnes.

Outras restrições podem acontecer para não correr o risco desses alimentos presentes nas fezes reagirem com os componentes químicos usados para análise da coleta.

Como é feito?

O laboratório irá fornecer os frascos próprios para você fazer a coleta. A evacuação deve ser feita diretamente no frasco ou então em vaso limpo e seco, para não correr o risco de a amostra ser contaminada com outros micro-organismos. O ideal é que sejam feitas coletas de todas as evacuações do dia, para que você tenha ali o material que passou por todo o intestino.

O frasco deve ser bem fechado e identificado (contendo nome do paciente, idade e data da coleta), para então ser encaminhado ao laboratório – o ideal que a entrega seja feita no mesmo dia da coleta.

Se não há possibilidade de encaminhar a amostra fresca ao laboratório, esta deve ser mantida a baixas temperaturas (5º a 10º C) e encaminhada ao laboratório assim que possível, mantendo refrigerado por no máximo 14 horas.

A análise das fezes pode ser feita com base nesses princípios:

Reação de Benzidina

Consiste em espalhar uma pequena quantidade de fezes sobre um papel de filtro, gotejando duas a três gotas de água oxigenada sobre o material. Em seguida, deve-se adicionar igual volume de solução de benzidina, observando o desenvolvimento de cor. Caso o resultado dê positivo, as fezes ganham uma coloração esverdeada ou azul.

Reação de Meyer-Johannesen

Nesse caso, as fezes são colocadas em uma lâmina de laboratório junto de um líquido, e depois transferir 5 ml dessa mistura para um tubo de ensaio e adicionar 1 ml de reativo de Meyer-Johannesen (uma mistura de fenolftaleína, hidróxido de potássio anidro, agua destilada e zinco em pó). Depois são acrescentadas de três a quatro gotas de água oxigenada. A positividade da reação é considerada quando uma coloração vermelha é desenvolvida.

Reativo de Guáiaco

As fezes são esfregadas em um papel de filtro, e são gotejadas de duas a três gotas de ácido acético glacial e duas a três gotas de uma solução de álcool etílico saturado com goma guáiaco em pó. Depois é adicionada igual quantidade de peróxido de hidrogênio a 3%. Tudo é misturado com um bastão de vidro e a mudança de coloração é observada nos cinco minutos seguintes. A positividade da reação é considerada quando uma coloração azulada é desenvolvida. Uma coloração esverdeada é indicativa de reação negativa.

Imunocromatografia

O teste de imunocromatografia utiliza a combinação de anticorpos monoclonais conjugados e anticorpos policlonais anti-hemoglobina humana de fase sólida, com elevada especificidade e sensibilidade. Em virtude da utilização de anticorpos específicos para a hemoglobina, não há necessidade de realização de dietas, já que os anticorpos reconhecem somente a molécula de hemoglobina (sangue).

Caso haja sangue nas fezes, a hemoglobina se liga ao anticorpo monoclonal, surgindo uma coloração rosa-clara. Na ausência da hemoglobina, não haverá o desenvolvimento de coloração, indicando resultado negativo.

Tempo de duração do exame

O exame dura o tempo que for necessário para você fazer a evacuação. Já os resultados levam no geral um dia útil para ficarem prontos.

Periodicidade do exame

A pesquisa de sangue oculto nas fezes deve ser realizada por homens e mulheres a partir dos 40 anos ou que possuem histórico familiar de câncer colorretal. Caso a pessoa opte pela colonoscopia, pode ser que o médico não ache necessário fazer também o de sangue oculto.

Não há uma periodicidade definida para a pesquisa de sangue oculto nas fezes se ela for feita para o acompanhamento de uma doença inflamatória intestinal. Tudo dependerá do paciente e recomendação médica.

Recomendações pós-exame

Não há nenhuma recomendação especial após o exame. A pessoa pode seguir com suas atividades normalmente.

Grávida pode fazer?

Sim. Não há nenhuma contraindicação ou recomendação especial para pesquisa de sangue oculto nas fezes durante a gravidez.

O que significa o resultado do exame?

O resultado do exame de sangue oculto nas fezes é positivo ou negativo. É emitido um laudo dizendo se você tem ou não sangue oculto nas fezes. Em alguns casos, no laudo também consta qual a metodologia usada para fazer o exame.

A pesquisa de sangue oculto nas fezes não é um exame diagnóstico. Isso quer que dizer que ele, sozinho, não é capaz de dizer se você tem ou não alguma doença. Dessa forma, o exame de sangue oculto é considerado um teste de triagem – ele pode determinar se você irá ou não fazer outros exames para avaliar a saúde do intestino, como a colonoscopia.

O que significam resultados anormais

Se o exame der positivo você tem sangue oculto nas fezes. Isso quer dizer que você está com um sangramento em algum local do intestino, e deve fazer uma colonoscopia para descobrir qual o local e o motivo desse sangramento.

Referências:

1. Fang CB. Rastreamento do câncer colorretal. Ver Assoc Med. Bras. 2002; 48(4):286-6.
2. http://www.inca.gov.br. Câncer colo-retal. 
3. American Cancer Society. Cancer facts and figures, 1999. Atlanta: American Cancer Society, 1999.
4. Novaes de Almeida FF, Araujo SEA, Santos FPS, Franco CJCS, Santos VR, Nahas SC, Harb-Gama A. Colorectal cancer screening. Rev Hosp Clin. 2000; 55(1):35-42.
5. http://analitic.com.br/feca_cult.php.
6. Moayyedi P; Achkar E. Does fecal occult blood testing really reduce mortality? A reanalysis of systematic review data. Am J Gastroenterol. 2006; 1001(2):380-4.
7. Screening for colorectal cancer using the faecal occult blood test, Hemoccult. Cochrane Database Syst Rev. 2007 Jan 24;(1):CD001216
8. Levi Z, Rozen P, Hazazi R, Waked A, Maoz E, Birkenfeld S, Niv Y. Can quantification of faecal occult blood predetermine the need for colonoscopy in patients at risk for non-syndromic familial colorectal cancer? Aliment Pharmacol Ther.  2006;124(10):1475-82. 
9. Woo HY, Mok RS, Park YN, Park DI, Sung IK, Sohn CI, Park H. A prospective study of a new immunochemical fecal occult test in Korean patients referred for colonoscopy. Clin Biochem. 2005; 38(4):395-9.
10. Levi Z, Hazazi R, Rozen P, Vilkin A, Waked A, Niv Y. A quantitative immunochemical faecal occult test is more efficient for detecting significant colorectal neoplasia than a sensitive guaiac test. Aliment Pharmacol Ther. 2006; 23(9):1359-64.
11. Morikawa T, Kato J, Yamaji Y, Wada R, Mitsushima T, Shiratori Y. A comparison of the immunochemical fecal occult blood test and total colonoscopy in the asymptomatic population. Gastroenterology. 2005; 129(2):422-8.
12. Anderson WF; Guyton KZ; Hiatt RA; Vernon SW; Levin B; Hawk E. Colorectal cancer screening for persons at average risk. J Natl Cancer Inst. 2002;94(15):1126-33.
13. Winawer SJ, Stewart ET, Zauber AG, et al: A comparison of colonoscopy and double-contrast barium enema for surveillance after polypectomy: National Polyp Study Work Group. N Engl J Med 2000; 342:1766.
14. Rex DK, Lehman GA, Hawes RH, et al: Colorectal cancer prevention 2000: Screening recommendations of the American College of Gastroengeroloy. Am J Gastroenterol 2000; 95:868.
15. Ciatto S; Martinelli F; Castiglione G; Mantellini P; Rubeca T; Grazzini G; Bonanomi AG; Confortini M; Zappa M. Association of FOBT-assessed faecal Hb content with colonic lesions detected in the Florence screening programme. Br J Cancer. 2007; 96(2):218-21.
16. Müller AD, Sonnenberg A. Protection by endoscopy against death from colorectal cancer. A case-control study among veterans. Arch Intern Med 1995; 155:1741-8.

O que pode ser feito com seu sangue, após doado!

Os hemocentros são abastecidos apenas com doações, e quando elas não chegam a situação fica dramática, pois vidas podem ser perdidas pela falta de sangue.

Quem pode fazer uma doação de sangue?

Para fazer uma doação, é necessário estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos, pesar no mínimo 50 kg, estar descansado (ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas), estar alimentado (evitar alimentos gordurosos nas 4 horas que antecedem a doação).

Antes de acontecer a doação de sangue é realizada uma entrevista e triagem para verificar se o doador está apto.

O que é feito com o seu sangue doado?

Na doação é coletado no máximo 450 ml de sangue. Com o que foi coletado em tubos são realizados testes para classificar o seu tipo sanguíneo (Sistemas ABO e Rh) e testes sorológicos para identificar doenças infecciosas que são transmitidas pela transfusão de sangue como Sífilis, Doença de Chagas, Hepatite B, Hepatite C, Infecção pelo vírus HIV e HTLV.

O sangue coletado em bolsa é separado em até quatro componentes diferentes que são:

Concentrado de Hemácias

O objetivo da transfusão de concentrado de hemácias é melhorar a liberação de oxigênio, sendo útil principalmente nos casos de anemia aguda, crônica e em pacientes submetidos a radioterapia e/ou quimioterapia, perda aguda sanguínea, choque séptico, entre outros.

Concentrado de Plaquetas

É recomendado fazer uma transfusão de plaquetas em pacientes com disfunção plaquetária congênita ou adquirida, por meio de sangramento.

São pacientes com leucemias agudas ou que receberam transplante com células de sangue periférico, pacientes com hemorragia, febre alta e queda rápida na contagem de plaquetas, ou com tumores sólidos.

Plasma

É administrado para corrigir sangramentos, seja por anormalidade ou deficiência de um ou mais fatores de coagulação.

O plasma é utilizado para prevenção de hemorragias em doentes crônicos do fígado, para corrigir hemorragia causada pela deficiência de vitamina k, trombose por déficit de Antitrombina III, entre outros.

Crioprecipitado

Esta concentração sanguínea precipitada à frio contém fibrinogênio, que é um fator de coagulação (fator I), uma proteína necessária para a formação do coágulo, produzido no fígado e liberado junto a outros fatores.

É útil em casos de pacientes com hemorragias e déficits de fibrinogênio, sangramento pós terapêutica com drogas antifibrinolíticas. O crioprecipitado também compõe a cola de fibrina autóloga para uso tópico.

Estes “hemocomponentes” são armazenados e utilizados para transfusão somente após o resultado negativo dos testes sorológicos.

Todo cuidado é pouco com a compatibilidade

No momento da transfusão ainda há riscos de incompatibilidade, uma delas é na utilização do plasma, onde o paciente pode ter uma lesão pulmonar aguda associada à transfusão (TRALI). Isso ocorre quando acontece o encontro dos antígenos correspondentes (anti-HNA e anti-HLA) e há uma ruptura dos capilares pulmonares, iniciando um edema pulmonar.

No geral, a TRALI ocorre entre uma e duas horas após o recebimento do sangue. Porém, há casos em que os pacientes demoram até seis horas para apresentar os sintomas. Clinicamente, a pessoa acometida pela doença costuma ter um quadro agudo de falta de ar, queda de pressão e febre. No entanto, nem todas as pessoas desenvolvem a Lesão Pulmonar Aguda Relacionada à Transfusão. A incidência é maior em pacientes com algum tipo de infecção, que passaram por cirurgia cardíaca, de tórax, ou com câncer.

Existem exames que detectam estes anticorpos, como o LABScreen® Multi, que podem ser feitos antes da transfusão para evitar a TRALI.

Doador de sangue tem direito à folga no trabalho?

Sim, o doador tem direito a um dia de folga no trabalho em cada 12 meses trabalhados, desde que a doação esteja devidamente comprovada, de acordo com os termos previstos no Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 (Consolidação das Leis do Trabalho). Esse direito também se estende ao funcionário público civil de autarquia ou militar.

Vale ressaltar que a doação de sangue é um gesto voluntário e altruísta e, portanto, não deve ser encarada como um benefício próprio.

Referências:

  1. https://epocanegocios.globo.com/Vida/noticia/2017/06/doar-sangue-da-direito-um-dia-de-folga-no-trabalho.htmlhttps://super.abril.com.br/blog/oraculo/qual-o-volume-maximo-de-sangue-que-alguem-pode-perder-e-ainda-sobreviver
  2. http://www.prosangue.sp.gov.br/duvidas/default.htmlhttp://www.saude.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=2985
  3. https://www.hospitalsiriolibanes.org.br/hospital/Documents/guia-conduta.pdf
  4. http://rmmg.org/artigo/detalhes/1684
Notícias da Enfermagem

Profissionais são capacitados para manutenção da qualidade nas transfusões de sangue

Profissionais de hospitais públicos e particulares atendidos pela rede Hemepar e que atuam no processo transfusional – desde a captação de doadores até a transfusão de hemocomponentes –, nas Regionais de Saúde de Cascavel e Toledo (10ª e 20ª), participaram da Oficina de Qualificação do ato Transfusional e Hemovigilância. A capacitação iniciada na terça (21) […]

Os Componentes do Sangue

O sangue possui elementos celulares (hemácias, plaquetas e leucócitos) que têm função na coagulação sanguínea (plaquetas), no mecanismo de defesa contra infecções (leucócitos) e no transporte de O2 e CO2 (hemácias).

O sangue também é constituído pelo plasma (parte líquida) onde existem proteínas  que ajudam na coagulação do sangue (fatores da coagulação).

Para se obter estes componentes sanguíneos específicos de uma bolsa de sangue total coletada do doador são utilizados processos de centrifugação, dando origem a concentrado de hemácias, plaquetas, plasma fresco congelado e crioprecipitado.

Os leucócitos provenientes de uma bolsa de sangue total  são considerados contaminantes estando presentes em pequenas quantidades no concentrado de hemácias e plaquetas mas são capazes de provocar alguns tipos de reações transfusionais.

Existe uma forma de se coletar leucócitos com finalidade transfusional, através de um método especial de doação (aférese) que consiste em se coletar apenas parte dos leucócitos do doador através de um equipamento com esta finalidade (máquina de aférese). Neste caso, o restante dos componentes do sangue são devolvidos ao doador.

Os Componentes

  • Plaquetas : As plaquetas são células que participam do processo de coagulação. Elas têm vida curta e circulam na proporção de 150 a 400 mil por milímetro cúbico de sangue. Sua função mais importante é a de auxiliar na interrupção dos sangramentos.
  • Leucócitos: Os leucócitos são glóbulos brancos. Seu número varia de 5 a 10 mil por milímetro cúbico de sangue e sua vida é curta. Possuem formas e funções diversas, sempre ligadas à defesa do organismo contra a presença de elementos estranhos a ele, como por exemplo, as bactérias.
  • Hemácias: As hemácias são glóbulos vermelhos do sangue. Cada hemácia tem vida média de 120 dias no organismo, onde existem em torno de 4.500.000 delas por milímetro cúbico de sangue. A sua função é transportar o oxigênio dos pulmões para as células de todo o organismo e eliminar o gás carbônico das células, transportando-o para os pulmões.
  • Plasma: O plasma é um líquido amarelo claro que representa 55% do volume total de sangue. Ele é constituído por 90% de água, onde se encontram dissolvidos proteínas, açúcares, gorduras e sais minerais. Através do plasma circulam, por exemplo, elementos nutritivos necessários à vida das células.

Os Tipos Sanguíneos

Grupos sanguíneos (ou tipos sanguíneos) são determinados por  certas características imunológicas do sistema eritrocitário com presença específica de antígenos na superfície eritrocitária e também de anticorpos naturais (e às vezes adquiridos) contra grupos sanguíneos diferentes.

Hoje são conhecidos mais de 30 grupos sanguíneos de importância transfusional.

Grupos sanguíneos de grande importância transfusional são os do sistema ABO (A,B,O,AB) e os do sistema Rh(D).

Além dos grupos sanguíneos ABO e Rh temos outros que também têm importância transfusional, como Kidd, Duffy, MNSs, Lewis, dentre outros, que podem ser responsáveis por reações transfusionais e também causar a doença hemolítica do Rh.

Sistema ABO e fator RH

Os grupos sanguíneos do sistema ABO são os mais importantes do ponto de vista transfusional. A expressão de seus antígenos na membrana eritrocitária é controlada pelo lócus ABO do cromossoma 9 onde existem 3 genes alelos (A,B,O), que expressam os antígenos correspondentes (exceto o O que não expressa antígenos específicos).

Outra característica do grupo ABO é a presença de anticorpos naturais (anti-A ou anti-B) que são produzidos regularmente a partir dos 6 meses de vida. O indivíduo do grupo A produz anticorpos anti-B ; os do grupo B produzem anticorpos anti-A; os do grupo O produzem anti-A e B e os do grupo AB não produzem anticorpos contra o sistema ABO, pois possuem a expressão dos 2 antígenos (A e B) na superfície eritrocitária.

O sistema Rh (ou fator Rh) é composto por antígenos denominados D,d,C,c,E,e presentes na superfície eritrocitária. O mais imunogênico é o antígeno D.

Os indivíduos que expressam o antígeno D são chamados de Rh positivo e os que não expressam (são do tipo d) são chamados de Rh negativos. Aproximadamente 15% da população não apresenta o antígeno D.

Neste sistema não há a presença de anticorpo natural e ele só é produzido quando uma pessoa, que não apresenta um desses antígenos na superfície eritrocitária, entra em contato com sangue de pessoas que possuem esse antígeno, através de transfusões ou gestações (contato do sangue da mãe com o feto). Neste caso chamamos este tipo de anticorpo de irregular. A incompatibilidade neste sistema é um dos principais responsáveis pela doença hemolítica do RN.

A Compatibilidade

A seleção do hemocomponente deve ser ABO compatível. Nos pacientes Rh(D) negativos também deve haver a compatibilização do sistema Rh. O teste de compatibilidade transfusional visa a identificação da compatibilidade/ incompatibilidade entre antígenos das hemácias do doador com os anticorpos presentes no soro/ plasma do receptor.

Referência:

1. Hemoterapia – Condutas para a prática clínica – Fundação Hemominas 2010.