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Pesquisa mostra alta sobrecarga mental de profissionais da Enfermagem

Os profissionais da enfermagem no Brasil enfrentam um quadro de alta sobrecarga mental, fadiga e falta de reconhecimento profissional. O diagnóstico é de pesquisadores do Instituto Qualisa de Gestão (IQG), com artigo publicado recentemente no periódico científico Asploro Journal of Biomedical and Clilnical Case Reports. Para chegar a essa conclusão, a equipe entrevistou 1.484 profissionais (auxiliares, técnicos e enfermeiros) de seis instituições de saúde, públicas e privadas, de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Amazonas, entre dezembro de 2020 e junho de 2021. O período reflete parte do momento mais crítico da pandemia da covid-19.

Segundo os pesquisadores, o sentimento de baixa realização profissional chegou a 69,1% dos entrevistados. Um quadro que, somado à pressão da atividade, eleva a incidência de risco de burnout relacionado à exaustão emocional e despersonalização no ambiente de trabalho – um tipo de distúrbio mental que causa sentimento de desconexão entre o corpo e a mente. Esses dois aspectos atingem cerca de 18% dos profissionais entrevistados.

A pesquisa identificou também episódios frequentes de medo, insegurança, ansiedade, temor de contaminação e de novas formas de trabalho, o que leva ao aumento da probabilidade a erros no trabalho de assistência à saúde. Esses aspectos, segundo os pesquisadores, são típicos do ambiente de trabalho, marcado pela alta rotatividade, absenteísmo, duplo emprego, alta carga de trabalho, riscos ocupacionais e elevada carga mental e sofrimento devido à morte de pacientes.

O quadro de saúde mental dos profissionais da Enfermagem apontado pelos pesquisadores da Qualisa, somado aos baixos salários pagos à categoria, tende a levar ao temido déficit de 1,8 milhão de trabalhadores do setor nas Américas estimado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para 2030.

Vão faltar profissionais em 2030

Por essa razão, o braço da organização nas Américas e Caribe, a Opas, defende investimentos para aumentar essa força de trabalho, inclusive incentivar a permanência dos profissionais no cuidado às populações. Para a diretora da Opas, Carissa Etienne, os governos devem aumentar com urgência os investimentos nesse sentido. Ela chegou a destacar, em maio, a aprovação do piso nacional dos profissionais da Enfermagem pelo Congresso brasileiro como uma das melhores experiências para a valorização desses trabalhadores em todos os países da região.

No entanto, o pagamento do piso salarial foi suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Primeiramente com medida liminar no último dia 4, véspera do pagamento corrigo com a nova lei, pelo ministro Luis Roberto Barroso.

A suspensão foi confirmada no último dia 16, por 7 votos a 4, até que haja uma fonte de recursos. Esse entendimento, aliás, não foi compartilhado pela presidenta do Supremo, ministra Rosa Weber. Para ela, argumentações dos impactos financeiros apresentadas pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços (CNSaúde), que pediu a suspensão, já haviam sido avaliadas durante a tramitação no Congresso.

Fonte: AgoraMT

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Christiane Ribeiro
Técnico de Enfermagem Intensivista (há 12 anos), atuante em UTI Adulto: Geral, Cardiológica, COVID-19. Além de ser profissional de saúde, sou ilustradora digital, e nos tempos livres dedico à ilustrações da saúde para estudantes e profissionais, e também sou uma influenciadora digital na enfermagem.
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