Pressão Intracraniana (PIC)

A pressão intracraniana é a pressão resultante da presença de três componentes dentro de da caixa craniana:

  1. Componente parenquimatoso:  Constituído pela estruturas encefálicas;
  2. Componente liquórico:  Constituído pelo LCR (líquido cefalorraquidiano) nas cavidades ventriculares e do espaço subaracnoide;
  3. Componente vascular: Caracterizado pelo sangue circulante.

O crânio é definido como um sistema fechado, heterogêneo e dependente de fenômenos respiratórios e circulatórios. O valor da PIC varia de 0 a 15 mmHg, quando a pressão liquórica intraventricular é medida com o paciente em decúbito dorsal e com a cabeça levemente elevada. Em condições para manter o fluxo sanguíneo cerebral (FSC) constante. Esse controle ocorre mediante a constrição e dilatação das arteríolas cerebrais e fechamento e abertura dos esfíncteres pré-capilares.

Dessa forma, enquanto um aumento pressórico arterial origina a constrição vascular encefálica, evitando que o aumento da pressão arterial sistêmica (PAS) cause aumento do FSC e da PIC, a queda da pressão arterial sistólica acarreta dilatação vascular encefálica, diminuindo assim a resistência vascular cerebral (RVC), visando à manutenção do FSC. Com isso, é mantida a pressão de perfusão cerebral (PPC), adequada para o funcionamento eficaz das atividades cerebrais.

O Encéfalo normal tem a capacidade de autorregulação do fluxo sanguíneo (FSC), assegurando um fluxo sanguíneo constante ao encéfalo através dos vasos cerebrais.

A teoria de Monro-Kellie afirma que o volume intracraniano é igual ai volume do encéfalo mais o volume do sangue cerebral acrescido do volume do líquido cefalorraquidiano. Qualquer alteração no volume de algum desses componentes, bem com a adição de uma lesão, pode levar a um aumento da PIC. Para uma autorregulação efetiva,  os níveis de dióxido de carbono (que é um potente vasodilatador cerebral) devem estar em uma faixa aceitável, bem como PAM e a PIC.

A PPC é definida como gradiente existente entre a pressão arterial média (PAM) e a PIC, sendo aceitáveis valores acima de 70 mmHg.

PPC = PAM – PIC

PIC Valor normal ≤ 15 mmHg

O fluxo sanguíneo cerebral tem relação direta com a RVC: FSC = PPC / RVC

Hipertensão Intracraniana (HIC)

A hipertensão intracraniana é caracterizada pela elevação da pressão intracraniana. Os valores de referência para o tratamento da HIC devem ser acompanhados pelo monitoramento da pressão intracraniana com valores de:

PIC < 10 mmHg: Valor normal

PIC entre 11 e 20 mmHg: Levemente elevada

PIC entre 21 e 40 mmHg: Moderamente elevada

PIC > 41 mmHg: Gravemente elevada

As causas mais comuns de hipertensão intracraniana são:

  • Traumatismo craniencefálico;
  • Acidentes Vasculares encefálicos;
  • Tumores Cerebrais;
  • Cirurgias intracranianas;
  • Infecções cerebrais (encefalites, meningites);
  • Hidrocefalia;
  • Encefalopatia hepática fulminante;
  • Síndromes associados à diálise;
  • Cetoacidose diabética;
  • Hipoxia.

Sinais e Sintomas

  • Cefaléia;
  • Náuseas com vômito em jato;
  • Edema de papila;
  • Alteração de força motora (paresia e plegia).;
  • Alterações mentais (déficit de memória, desorientação, apatia, depressão);
  • Alterações de personalidade;
  • Alterações de nervos cranianos;
  • Crises convulsivas;
  • Alterações de nível de consciência (agitação, sonolência, coma);
  • Tríade de Cushing (hipertensão arterial, bradicardia e alterações do padrão respiratório);
  • Alterações do padrão respiratório (Cheyne Stokes, hiperventilação neurogênica, apnêustica, atáxica);
  • Alterações pupilares (anisocoria, midríase, e alteração de fotorreação).

Diagnóstico

  • Levantamento de dados do histórico do paciente;
  • Exame físico geral e neurológico;
  • Tomografia computadorizada;
  • Ressonância magnética;
  • Doppler transcraniano;
  • Exame de fundo de olho.

Como monitorizar a pressão intracraniana

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Exemplo de Monitorização Intracraniana

Pode detectar precocemente o aumento da PIC e a necessidade de adoção de um tratamento adequado, a fim de manter a circulação encefálica efetiva mediante preservação da PPC e garantir a oferta adequada de oxigênio e glicose. Os profissionais que podem estar medindo este tipo de procedimento são os : Médicos e cirurgiões (colocação do cateter de PIC no centro cirúrgico); Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem: Verificam e anotam os valores da PIC, além de otimizar a prescrição de enfermagem de forma fraccionada, para garantir a assistência de enfermagem adequada.

Os cateteres podem ser inseridos em diversas posições:

  • Intraventricular;
  • Subaracnóide;
  • Subdural;
  • Epidural;
  • Intraparequimatoso.

A monitorização ideal é a intraventricular, pois permite a drenagem de LCR no controle da hipertensão intracraniana e a recalibração do sistema com o cateter em posição; porém nem sempre é possível acessar o ventrículo devido ao edema ou à compressão. Nesse caso, opta-se pela posição intraparenquimatosa, que passa a ser a técnica de primeira escolha.

A curva da PIC possui três componentes, gerados pela pulsação arterial do círculo de Willis e do parênquima cerebral.

A onda P1 é chamada onda de percussão e representa o pulso arterial sistólico, costuma a ser mais alta das ondas. Na medida em que a complacência intracraniana diminui, as ondas P2 e P3 se igualam à onda P1 e posteriormente a ultrapassam.

Onda P2 é a onda de Maré (Tidal), reflete a diástole complacência P1 > P2. E a onda P3 é a onda dicrótica, fechamento da válvula aórtica. P1 <P2 = HIC

As Ondas A, também chamadas de platô, são ondas rápidas e espontâneas que variam entre 50 e 200 mmHg, surgindo em intervalos variáveis, têm duração  de 5 a 20 minutos e caem espontaneamente. Ondas tipo platô indicam modificações do volume vascular dentro do compartimento craniano. As alterações que comprometem a perfusão cerebral são consideradas mau prognóstico.

As Ondas B, são ondas pequenas e rítmicas, tem a menor duração (30 segundos a 2 minutos) e menor amplitude que a onda A (até 50 mmHg) As Ondas B são observadas em pacientes com diminuição da complacência e retenção de CO² e em paciente com respiração Cheyne Stokes.

As Ondas C são pequenas, rítmicas e rápidas, com frequência de 6 por minuto e não têm significado clínico. Quando aparecem, é sinal de aumento da pressão intracraniana.Mau funcionamento do cateter devido à obstrução ocorre quando a PIC é maior que 50 mmHg.

Complicações relacionadas ao cateter

Infecção: Geralmente ocorre por colonização do cateter quando o tempo de permanência excede 5 dias, e mau funcionamento do cateter devido à obstrução, que ocorre quando a PIC é maior do que 50 mmHG.

Cuidados de Enfermagem ao Técnico de Enfermagem

  • Monitorizar o quadro neurológico (Escala de Glasgow utilizada por enfermeiros).
  • Monitorar a pressão intracraniana e checar seu sistema, garantindo a pressão da leitura;
  • Anotar o aspecto e o volume do líquido cefalorraquidiano (presença de DVE – Derivação Ventricular Extrema);
  • Manter a permeabilidade do cateter inserido no ventrículo;
  • Anotar em prontuário do paciente as medidas de PIC;
  • Manter o paciente com a cabeça elevada a 30º;
  • Manter o alinhamento da cabeça do paciente com o resto do corpo, evitando a flexão do pescoço e a rotação da cabeça;
  • Avaliar presença ou ausência de movimentos involuntários, como convulsões, espasmos, decorticação e descerebração;
  • Avaliar a presença ou ausência de reflexos;
  • Avaliar parâmetros hemodinâmicos e anotá-los no prontuário do paciente;
  • Evitar manobras que possam alterar a pressão intratorácica, causando interferência na pressão intracraniana, como manobra de Valsalva, reflexo de vômito, reflexo de tosse, flexão do quadril, etc;
  • Monitorar ventilação mecânica se for o caso;
  • Manter via aérea permeável;
  • Avaliar nível de sedação;
  • Trocar diariamente o curativo da inserção do cateter de monitorização;
  • Avaliar sinais e sintomas de infecção, principalmente associados ao cateter de monitorização;
  • Realizar procedimentos de higiene e conforto para o paciente;
  • Controlar rigorosamente eliminação vesicointestinal;
  • Manter paciente e familiares orientados quanto aos procedimentos que estão sendo realizados.

 

 

 

Admissão de Paciente em UTI

As internações eletivas são normalmente decorrentes de procedimentos cirúrgicos. Quando a cirurgia é programada, realiza-se a reserva de leito em UTI. Como a reserva de leito em UTI é feita considerando o quadro clínico do paciente e a probabilidade de complicações operatórias, muitas vezes o leito é reservado e não utilizado.

Os responsáveis pela UTI devem elaborar rotinas e procedimentos descrevendo os critérios clínicos que são considerados para a admissão do paciente.

As internações de urgência/emergência podem ser provenientes de pronto-socorros, unidades de internação e centro cirúrgico (transferência interna). Nesses casos há uma alteração no quadro clínico do paciente, sendo necessários cuidados intensivos. Os responsáveis pela UTI devem elaborar rotinas e procedimentos descrevendo os critperios clínicos que são considerados para a admissão do paciente. Há necessidade também de elaboração de protocolos de conduta para a situação de falta de leito para atendimento de pacientes nessas condições.

As internações provenientes de transferência externa (outra instituição) seguem a rotina de contato para solicitação de vaga, com fornecimento de informações sobre o estado clínico do paciente. O ideal é que esse contato seja entre médicos. Após a liberação de vaga, é indicado que haja contato entre os enfermeiros, para fornecimento de informações detalhadas.

Responsabilidades dos Profissionais no Processo de Admissão

Para que a admissão do paciente para a UTI seja realizada de forma rápida e segura, poderá ser estabelecido um protocolo que descreva as atividades de responsabilidade das equipes envolvidas. Uma sugestão de protocolo para o recebimento de um paciente na UTI compreende as seguintes fases:

  1. Solicitação de vaga/leito disponível: A unidade origem solicita a vaga para o médico responsável pelo plantão e discute com o enfermeiro o melhor leito a ser designado para o paciente. A unidade de origem será responsável pelo transporte e pela segurança do paciente, mantendo suas condições clínicas e hemodinâmicas;
  2. Enfermeiro do setor de origem: O enfermeiro transmite por telefone o caso do paciente ao enfermeiro da UTI, com dados relevantes sobre: hipótese diagnóstica e dias de internação, breve exame físico e condições gerais do paciente, necessidade de suporte ventilatório, bombas de infusão ou outro equipamento que poderá ser utilizado pelo paciente. Após a passagem de plantão, o enfermeiro da UTI confirma o horário para a transferência do paciente;
  3. Enfermeiro da UTI e equipe de enfermagem: O enfermeiro da UTI designa o funcionário que irá receber o paciente mediante escala e transmite a ele informações necessárias para a montagem do box/leito. É importante determinar quem responde pela montagem e checagem do ventilador. Alguns hospitais têm fisioterapeutas e técnicos de engenharia responsáveis pela montagem e checagem do ventilador. Se não houver esse profissional na UTI, a tarefa poderá ser realizada pelo enfermeiro ou técnico de enfermagem devidamente treinado.

Procedimentos de Admissão

Na Admissão do paciente deverão estar presentes o enfermeiro, médico e dois técnicos de enfermagem para a realização do transporte e a admissão. Após a acomodação no leito, o paciente deverá ser identificado com pulseira e orientado sobre todos os procedimentos que serão realizados. O paciente deverá ser monitorizado e submetido imediatamente à verificação de sinais e à investigação do traçado eletrocardiográfico.

As drogas e medicações deverão ser colocadas em bombas de infusão conforme prescrição médica, e em seguida, deve-se iniciar rigoroso controle e aprazamento dessas drogas. Instalar oxigenoterapia ou ventilação conforme prescrição médica. O enfermeiro realizará exame físico completo e registrá-lo em Evolução de Enfermagem quando da admissão do paciente.

Registro de Enfermagem

O registro de enfermagem tem como objetivo garantir a comunicação entre os profissionais, fornecendo respaldo legal e segurança, pois constituem o documento que relata todas as ações de enfermagem aplicadas ao paciente.

Anotações de Enfermagem

As anotações de enfermagem fornecem dados para o enfermeiro estabelecer o plano de cuidados e a prescrição de enfermagem para o paciente. É uma descrição dos cuidados ministrados e a resposta do paciente para esses cuidados.

A anotação de enfermagem pode ser realizada por todos os membros da equipe de enfermagem, ou seja, enfermeiros e técnicos de enfermagem.

Algumas regras norteiam a elaboração da anotação de enfermagem:

  • Letra legível;
  • Informações claras, conscisas, objetivas e pontuais;
  • Descrição dos fatos em ordem cronológica;
  • Registro de data e hora (no início do relato);
  • Assinatura, e carimbo do profissional no final do relato.
  • Sem rasuras, linhas ou espaços em branco;
  • Deve conter relato e observações de todos os cuidados prestados;
  • Deve conter a resposta do paciente aos cuidados prestados, incluindo sinais e sintomas;
  • Deve conter apenas abreviaturas previstas em literatura ou autorizadas pela instituição.

Anotação de Admissão

Deverá ter alguns dados registrados como:

  • Data e hora da admissão;
  • Condições de chegada;
  • Presença de acompanhante;
  • Condições de higiene;
  • Queixas relacionadas ao motivo da internação;
  • Procedimentos e cuidados realizados no ato da admissão;
  • Orientações fornecidas ao paciente e ao acompanhante.

Exemplo de anotação de admissão

Ás 10 horas admitido a esta unidade, proveniente do Centro Cirúrgico, em 1ºPOI de revascularização do miocárdio, acompanhado pelo médico, equipe de enfermagem, sob aos cuidados do Dr José, encontra-se sedado, responsivo a estimulos dolorosos e verbais, mantendo intubação com cânula orotraqueal de número 9,0 em ventilação mecânica de transporte osíris, acesso central duplo lumen em veia subclávia direita, recebendo itens 2 e 3 conforme prescrição médica. Dreno pleural em HTD e mediastinal sem débito, oscilantes, mantidos ambos em aspiração contínua. Com curativo oclusivo em região torácica, sem sinais de sujidade ou sangramento externo. SVD com débito de 100ml de aspecto amarelo citrino. Instalado monitorização multiparâmetros, em ventilação mecânica Takaoka com parametros de suporte.

Ás 10:20 Realizado controle de sinais vitais, glicemia capilar, higiene intima (evacuação ausente), massagem de conforto, troca de roupas de cama, mudança de decúbito, rodízio de oximetria.

Segue em observação da enfermagem.

Anotação de Enfermagem em UTI

Como técnico de enfermagem, é sua atribuição anotar todas as intercorrências, detalhes e alterações possíveis do paciente em que ocorreu durante seu plantão. É ali que ficará documentada no prontuário do mesmo, para que possa ser pesquisada futuramente.

Na UTI utilizamos termos mais técnicos pois possuímos diversos tipos de aparelhagem, ventiladores mecânicos, e portanto é importante relatar tudo o que o paciente mantém.

Geralmente segue-se um sequência de fatos para montar uma anotação/relatório.É importante relatar em hora real, pois assim registra com mais precisão em qual hora que ocorreu a intercorrência.

-1.Sinais subjetivos(e o que o paciente relata,o que ele fala para o profissional)-  Muitas das vezes, em uma UTI, recebemos o paciente em estado de coma ou sedado, portanto pode não valer em um relatório em certas ocasiões).

-2.Sinais objetivos(e o que você vê. Ex,edema,feridas,etc…)

-3.O que foi feito (os cuidados prestados por você)

-4.Dieta,alimentação(que tipo de dieta o paciente esta fazendo)

-5.Eliminação(anote o volume urinário,aspecto das fezes)

-6.Sinais vitais(PA,FC,FR, sat 02)

Deve abranger:
– Nível de consciência; coma,sonolento, orientado ou desorientado.
– Locomoção; acamado, deambulando.
– Mantendo jejum; sim ou não qual o motivo
– Dreno, cateter,caso houver
– Abdômen; globoso,distendido
– Sondas; fechada ou aberta
– Venóclise e dispositivo de infusão; local, tipo, periférica.
– Eliminações urinárias e fecais; ausente, presente, quantos dias
– Queixas; náuseas, dor, etc.

Vou dar um exemplo de anotação de enfermagem em UTI:

Ás 13 horas recebo plantão com paciente sedado, PIFR, entubado em ventilação mecânica em parâmetros de suporte, não responsivo a estímulos dolorosos e verbais,  hipotenso, normocárdico, hipertérmico, saturando 93%, apresenta abdomen tenso e plano, lesão por pressão em região sacral e calcâneos bilaterais de aspecto necrosado, com curativo oclusivo de aspecto limpo e seco, mantendo SNE fechado recebendo dieta enteral em sistema aberto em BIC a 83ml/h com água nos intervalos, duplo-lúmen em VSCD com infusão de noradrenalina a 20ml/h, dobutamina a 15ml/h, ambos em via proximal, em via distal mantendo SC a 21ml/h, fentanil a 05ml/h, propofol a 10ml/h, dreno de penrose em hipocôndrio D com débito de 50ml em bolsa descartável de aspecto serohemático, incisão cirúrgica em abdomen de aspecto limpo e seco.

Ás 14 horas realizado banho no leito, troca de roupas de cama (eliminação intestinal presente pastosa amolecida, e vesical pouco presente por SVD aspecto amarelo citrino), troca de curativo em AVC (feito anti-sepsia com SF 0,9% e cloroex alcoólico e ocluido com gaze III), região sacral e calcaneos (feito anti-sepsia com SF 0,9%, aplicado Kollagenase e ocluido com gaze III), massagem de conforto com hidratante do próprio paciente, mudança de decubito conforme protocolo, rodizio de oximetria.

Ás 15:15 Iniciado procedimento de hemodiálise pela equipe da nefrologia, com duração de 4 horas, com programação de perda de 1,800ml, e utilizacão de 1 CC de heparina. Segue em observação da enfermagem.

Ás 17:30 Paciente apresentou hipotensão severa sendo interrompido o processo de hemodiálise, comunicado ao plantonista e o mesmo solicitou para alterar as vazões de noradrenalina para 35ml/h e propofol para 05ml/h.

Ás 18 horas paciente apresentou hipertensão sendo comunicado ao plantonista e feito alteração de noradrenalina para 30ml/h.

Ás 19 horas passo o plantão com médico ciente dos sinais vitais e sem intercorrências.

Varia muito de um hospital ao outro. Este somente é um exemplo de um relatório no qual eu realizo.

A importância do Carimbo ao profissional de Enfermagem

Toda anotação de enfermagem é um documento. É uma prova de todos os procedimentos realizados pelo profissional. Conforme Resolução Cofen 191/96 e 448/2013, o carimbo identificador do profissional deve conter nome completo sem abreviatura, a sigla “Coren” seguida da sigla da Unidade da Federação onde foi feita a inscrição, número de registro e a categoria profissional. Veja exemplo na imagem abaixo.

carimbo-enfermagem-1024x235Em caso de roubo ou furto do carimbo, o profissional deve registrar boletim de ocorrência policial, notificar o responsável técnico da instituição em que trabalha e comunicar o Coren de seu estado.

A importância da Passagem de Plantão

Através de minha experiência, posso falar um pouco sobre o quanto é importante uma passagem de plantão dentro de uma UTI.

A importância da passagem de plantão à beira leito é grande: Ao mesmo tempo que você escuta seu colega falando, você visualiza o paciente como um todo. É uma continuidade. É ali que serão passadas todas as intercorrências, exames pendentes, procedimentos pendentes.

É muito bom chegar cedo um pouquinho antes para preparar para assumir seu paciente. Você terá um pouco de tempo para olhar de longe como a está a situação, começar a planejar a continuidade, observar seu colega. Sempre se possível, leve um pedaço de papel para anotar as principais coisas que estão pendentes para não esquecer. Preste sempre a atenção ao que está sendo passado, pois durante seu plantão alguém pode perguntar se algum procedimento foi feito e você saberá responder. Nunca deixe seu colega falando sozinho, ou pegue o plantão atravessado, como se não quisesse pegar. Isso é ruim para você mesmo, pois possa ter coisas que seu colega tenha esquecido de te passar e ele não anotou no relatório, e pode ser coisas de extrema importância.

Mesmo que já conheça o paciente, faça questão de receber todos os detalhes. Não é que hoje o paciente está consciente e comunicativo, que vai permanecer assim. Poderá acontecer alguma coisa e você não saber o porque aconteceu.

Atente para todas as medicações que estão correndo no paciente, olhe junto com seu colega e confira se realmente está conforme a prescrição médica.  Atente pelas datas de validade dos equipos, apesar de ser uma coisa extremamente pequena, é de grande importância pela vigilância sanitária. Tente evitar passar muitas pendências, mesmo sabendo que a enfermagem é uma continuidade, há colegas que não gostam muito de receber quando as pendências são coisas muito simples e poderiam ter sido feitas em seu horário.

Do mesmo jeito que você pegou o plantão, recebendo todas as informações e detalhes, passe do mesmo jeito. Afinal, se você exige uma passagem de  plantão digna, terá que servir de exemplo ao próximo!

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Entendendo a Bomba de Infusão

A bomba infusora ou bomba de infusão, é um dos mais práticos recursos hoje em dia disponíveis em Unidade de Terapia Intensiva, Salas de Emergência e até mesmo em algumas ambulâncias modernas. Através dela, podemos administrar de maneira totalmente confiável as drogas, fármacos mais delicados e de que precisam de mais atenção, de acordo com as vazões ou dosagem em mg/min ou ml/h.

É indicada para todo doente com prescrição de infusão de drogas vasoativas importantes, sedações contínuas, insulinas, soros de manutenção e reposição eletrolíticas, Nutrição parenteral prolongada ou Nutrição parenteral total, dietas enterais, antibioticoterapias rigorosas.

Há diversos modelos e tipos de bombas de infusão: Bomba de insulina, Bomba de ACP (Analgesia Controlada pelo Paciente), Bomba de seringa, Bombas peristálticas, Linear Peristálticas, Bomba de infusão volumétricas, etc. Os modelos variam de cada fabricante, portanto, uns são mais fáceis de aprender a manusear rapidamente do que o outro.

Segue na ilustração acima, dois modelos de bomba de infusão: Baxter Colleague com 3 canais diferentes, e Life Med monocanal.

São algumas das principais drogas utilizadas em UTI que requerem controle rigoroso por bomba de infusão (Veja mais sobre drogas utilizadas em UTI aqui):

  • As Vasoativas como Noradrenalina, dobutamina, dopamina, vasopressina, nipride (nitroprussiato de sódio), adrenalina.
  • As sedativas/analgesicas como Propofol, dormonid, fentanil, thiopental, precedex
  • Soros Compostos de manutenção que contenha KCL (Cloreto de potássio)

A Nutrição Parenteral Prolongada ou Total também utiliza de BI contínua.

Há também uma bomba de infusão específica para a dieta enteral:

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Bomba de infusão de dieta enteral Minimax

Importante lembrar:

Para evitar erros em administrar as medicações e a dieta enteral, o fabricante disponibiliza equipos com coloração diferenciada. No caso da dieta enteral, o equipo tem toda sua coloração azulada e uma parte siliconada para encaixar no rolete da bomba, tendo sua saída com o encaixe diferenciado e uma tampinha azul para fechar a sonda caso desprezar a mesma, para colocar em sonda enteral, como ilustra na foto abaixo:

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Equipo de dieta enteral para Bomba de Infusão

Para medicações e drogas que exigem proteção à luz por ter componentes fotossensíveis, a coloração é amarelada/alaranjada, conforme modelo de fabricante.

Conforme modelos de equipos fotossensíveis acima, a primeira foto corresponde à bomba de infusão Baxter, e a segunda foto corresponde à bomba de infusão Life Med. Claro que há outros diversos modelos de equipos e bombas, conforme a utilização dos mesmo no hospital, podem variar.
Cuidados de manuseio das Bombas de Infusão ao técnico de enfermagem

  • Fixar corretamente o aparelho ao suporte de soro e atentar para que o mesmo esteja realmente fixado para evitar quedas acidentais.
  • Sempre conectar a Bomba de Infusão à rede elétrica (110 ou 220V), para evitar danos à bateria interna, pois a mesma pode aguentar até 3 horas fora da tomada, e se manter sempre fora rede, pode acabar a eficiência da bateria, e também para caso precisar da mesma para transporte de paciente.
  • Fazer limpeza concorrente às bombas regularmente, limpando os canais, botões e roletes, evitando assim danos constantes aos aparelhos.
  • Ao instalar o equipo na bomba de infusão, atentar anteriormente ao preencher toda a extensão do equipo com a solução a ser infundida, assim evitando ter bolhas de ar em seu interior e assim não pausando a bomba a cada alerta de ar.
  • Nunca coloque o frasco do soro ou medicamento abaixo da bomba de infusão. Para manter um bom funcionamento da BI, mantenha a solução acima de 40cm do equipamento, evitando refluxo de solução ao copo do equipo e assim não alarmando o equipamento.
  • Atentar ao encaixe de silicone no rolete ou canal da bomba, de modo que os conectores fiquem justapostos e evite desencaixes acidentais, instalando primeiro o conector próximo ao frasco de soro e após o conector próximo ao paciente.
  • Verificar se o equipo já instalado a BI está conectado ao acesso do paciente.
  • Abrir a pinça corta fluxo do equipo.
  • Ligue a bomba, atentando pelo autoteste que o mesmo faz.
  • Programe a bomba de Infusão de acordo com o parâmetro exigido pelo médico ou pela prescrição médica.
  • Lembre-se que todo o equipo específico tem sua validade de 24 a 72 horas de uso contínuo (de acordo com cada protocolo hospitalar ou do fabricante), tomando o cuidado de sempre fechar a pinça corta fluxo antes de desconectar do paciente e do equipamento.