Dimensionamento de Pessoal: Fugulin

O Sistema de Classificação de Pacientes segundo a Escala de FUGULIN consiste no agrupamento de pacientes de acordo com o grau de dependência da equipe de enfermagem, observando o perfil de cada categoria – cuidados mínimos, intermediário, alta dependência, semi-intensivo, intensivo – e assim configurando inúmeras decisões administrativas quanto à organização do plano assistencial de enfermagem.

De quem é a Competência deste tipo de Dimensionamento?

Compete ao Enfermeiro estabelecer o quadro quantiqualitativo de profissionais necessário para a prestação da Assistência de Enfermagem.

Os Principais Indicadores

Conforme FUGULIN et al (1994) – são 9 indicadores críticos: estado mental; oxigenação; sinais vitais; motilidade; deambulação; alimentação; cuidado corporal; eliminação; terapêutica.

A Escala de Fugulin é composta de 12 áreas de cuidado com suas respectivas graduações que variam do numeral 1 ao numeral 4. Indica-se iniciar a aplicação da escala seguindo a ordem vertical e de cima para baixo das áreas de cuidado.

ÁREAS DO CUIDADO

1. ESTADO MENTAL: Quando o paciente estiver orientado no tempo e espaço, a graduação será 1 para essa categoria. Quando o paciente estiver apresentando período de desorientação tempo e espaço, a graduação será 2. Quando o paciente estiver apresentando período de inconsciência, a graduação será 3, quando o paciente estiver inconsciente, a graduação será 4 para essa categoria.

2.OXIGENAÇÃO: Quando o paciente não depende de O2, a graduação será 1 para essa categoria. Quando o paciente faz uso intermitente de O2, a graduação será 2, quando o paciente faz uso contínuo de O2, a graduação será 3. Quando o paciente faz uso de ventilação mecânica, a graduação será 4 para essa categoria.

3. SINAIS VITAIS: Quando o paciente possui controle de sinais de 8/8 horas, a graduação será 1 para essa categoria. Quando o paciente possui controle entre 4/4 horas e 6/6 horas, a graduação será 2. Quando o paciente possui controle até 4/4 horas, a graduação será 3, quando o paciente possuir controle menor ou igual a de 2/2 horas, a graduação será 4 para essa categoria.

4. MOTILIDADE: Quando o paciente movimenta todos os seguimentos corporais, a graduação será 1 para essa categoria. Quando o paciente possui limitação de movimento, a graduação será 2, quando o paciente tem dificuldade de movimentar seguimentos corporais, a graduação será 3, quando o paciente for incapaz de movimentar qualquer segmento corporal, a graduação será 4 para essa categoria.

5. DEAMBULAÇÃO: Quando o paciente deambula/ambulante, a graduação será 1 para essa categoria. Quando o paciente necessita de auxílio para deambular, a graduação será 2, quando o paciente se locomove através de cadeira de rodas, a graduação será 3, quando o paciente estiver restrito ao leito, a graduação será 4 para essa categoria.

6. ALIMENTAÇÃO: Quando o paciente é autossuficiente, a graduação será 1 para essa categoria. Quando o paciente se alimenta através da boca/via oral com auxílio, a graduação será 2, quando o paciente se alimenta através de sonda nasogástrica, a graduação será 3, quando o paciente faz uso de dieta através de cateter central, a graduação será 4 para essa categoria.

7. CUIDADO CORPORAL: Quando o paciente é autossuficiente, a graduação será 1 para essa categoria. Quando o paciente necessita de auxílio no banho de chuveiro e/ou na higiene oral, a graduação será 2, quando o paciente possui banho de chuveiro e higiene oral realizada pela enfermagem, a graduação será 3, quando o paciente possui banho no leito e higiene oral realizada pela enfermagem, a graduação será 4 para essa categoria.

8. ELIMINAÇÃO: Quando o paciente é autossuficiente, a graduação será 1 para essa categoria. Quando o paciente necessita de uso de vaso sanitário com auxílio, a graduação para essa categoria é 2, quando o paciente faz uso de comadre ou eliminação no leito, a graduação será 3, quando o paciente necessita de eliminação no leito e uso de sonda vesical de demora, a graduação será 4 para essa categoria.

9. TERAPÊUTICA: Quando o paciente faz uso de medicações intramuscular ou via oral, a graduação será 1 para essa categoria. Quando o paciente faz uso de medicação endovenosa intermitente, a graduação é 2, quando o paciente faz uso de medicação endovenosa contínua ou por sonda nasogástrica, a graduação é 3, quando o paciente faz uso de drogas vasoativas, a graduação é 4 para essa categoria.

10. COMPROMETIMENTO TECIDUAL: Quando o paciente possui a pele íntegra, a graduação é 1 para essa categoria. Quando o paciente possui presença de alteração da cor da pele (equimoses, hiperemia) e/ou presença de solução de continuidade da pele envolvendo a epiderme, derme ou ambas, a graduação é 2, quando o paciente possui presença de solução de continuidade da pele envolvendo o tecido subcutâneo e músculo; Incisão cirúrgica, Ostomias ou drenos, a graduação é 3, quando o paciente possuir comprometimento das camadas teciduais até o nível de tendões e cápsulas; Eviscerações, a graduação é 4 para essa categoria.

11. CURATIVO: Quando o paciente não possuir curativos, a graduação é 1 para essa enfermagem, a graduação é 2, quando o paciente possuir curativo realizado 2 vezes ao
dia pela equipe de enfermagem, a graduação é 3, quando o paciente possuir curativo realizado 3 vezes ao dia ou mais pela equipe de enfermagem, a graduação é 4 para essa categoria.

12. TEMPO DE CURATIVOS: Quando o paciente não possuir curativo, a graduação é 1 para essa categoria. Quando o paciente possuir curativo realizado entre 5 e 15 minutos, a graduação é 2, quando o paciente possuir curativo realizado entre 15 e 30 minutos, a graduação é 3, quando o paciente possuir curativo realizado em tempo superior a 30 minutos, a graduação é 4 para essa categoria.

O registro do tipo de cuidado de acordo com a pontuação total, é feito utilizando as seguintes siglas: Cuidado Mínimo (CM), Intermediário (ITM), Alta Dependência (AD), Semi-Intensivo (SI) e Intensivo (IT). Sugere-se que na evolução de enfermagem, o enfermeiro registre o tipo de cuidado que o paciente foi classificado, sendo na evolução o registro na íntegra ou sem abreviações. categoria.

Cálculo de Quadro de Pessoal (QP) para Unidades de Internação

Cálculo da quantidade de profissionais (QP) de enfermagem para unidade
de internação

QP = Km x THE

Onde THE (total de horas de enfermagem) calcula-se como segue abaixo:

THE = {(PCM x 3,8) + (PCI x 5,6) + (PCSI x 9,4) + (PClt x 17,9)}

Importante:

Para berçário e unidade de internação em pediatria, caso não tenha acompanhante, a criança menor de seis anos e o recém-nascido devem ser  classificados com necessidades de cuidados intermediários.

O paciente crônico com idade superior a 60 anos, sem acompanhante, classificado pelo SCP com demanda de assistência intermediária ou semi-intensiva deverá ser acrescido de 0,5 às horas de Enfermagem.

Onde: Km = Constante Marinho (cálculo abaixo)

Km = DS x IST
—–
JST

DS = dias da semana = 7
JST = jornada semanal de trabalho (20, 30, 36h…)
IST = Índice de segurança técnica = 15% = 1.15

Portanto Km é uma constante conforme quadro:

km (20) 0,4025
Km (24) 0.3354
Km (30) 0,2683
Km (32,5) 0,2476
Km (36) 0,2236
Km (40) 0,2012
Km (44) 0,1828

Opção de fórmula para Cálculo de Pessoal

Fórmulas de Fugulin

QP = Nº Leitos (%) x HS ENF x DS + IST

——————————————–
JST

Onde:

DS = dias da semana
IST = índice de segurança técnica
JST = jornada semanal de trabalho

Exemplo de exercício para Unidade de Internação:

Em uma unidade com 36 leitos, distribuídos entre 21 pacientes com cuidados mínimos e 15 pacientes com cuidados intermediários, qual será a necessidade de pessoal de enfermagem para as 24h, sabendo que a taxa de ocupação é de 80% e a JST é de 36h?

Taxa de ocupação:

21 pacientes com cuidados mínimos x 80% = 16,8
15 pacientes com cuidados intermediários x 80% = 12

QP = Km x THE

Km = DS x IST =====> Km = 7 x 1.15 =====> Km = 0,2236

THE = {(PCM x 3,8) + (PCI x 5,6) + (PCSI x 9,4) + (PCIt x 17,9)}
THE = {(16,8 x 3,8) + (12 x 5,6)} => THE = 131,04
QP = 0,2236 x 131,04 = 29,30 =====> QP = 29

Distribuição por categoria:

• Pacientes prevalentes são de cuidados mínimos

• Enfermeiros = 9 (33%)
• Técnicos ou Auxiliares de Enfermagem = 20

Para saber mais sobre o Dimensionamento de Pessoal, o COREN disponibiliza uma CARTILHA explicativa, onde você pode acessar neste link.

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Referências:

Bonfim D. Planejamento da força de trabalho de enfermagem na Estratégia de Saúde da Família: indicadores de carga de trabalho. [tese]. São Paulo: Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, 2014.

Bulechek GM, Butchec HK, Dochterman JM. Classificação das intervenções de Enfermagem (NIC). Trad. de Soraya Imom de Oliveira et al. 5ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2010.
Conselho Federal de Enfermagem. Resolução 293/04. In: Conselho Federal de Enfermagem. [texto na internet]. Brasília, DF: 2004. Disponível em: http://www.portalcofen.gov.br/Site/2016. Acesso em 04 de junho de 2017.

Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo. Relatório das atividades desenvolvidas pelo Grupo de Trabalho instituído pela Portaria Coren-SP/DIR/158/2013. Disponível em: http://bit.ly/234L1FF . Acesso em 01 de julho de 2017.

Costa JA. Método para dimensionamento de pessoal de enfermagem em Centro de Material e Esterilização (CME). [tese]. São Paulo: Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, 2015.

Cruz CWM. Carga de trabalho de profissionais de enfermagem em Centro de Diagnóstico por Imagem. [tese]. São Paulo: Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, 2015. Dini AP, Guirardello EB. Sistema de Classificação de pacientes pediátricos: aperfeiçoamento de um instrumento. Rev Esc Enferm USP. 2014; 48 (5): 787 – 793.

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Fugulin FMT, Gaidzinski RR, Kurcgant P. Sistema de Classificação de pacientes: identificação do perfil assistencial dos pacientes das unidades de internação do HU-USP. Rev Latino-am Enfermagem. 2005; 13 (1): 72-8.

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Lima AFC. Custo direto da hemodiálise convencional realizada por profissionais de enfermagem em hospitais de ensino. [tese livre-docência]. São Paulo: Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, 2015.

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Perroca MG. Desenvolvimento e validação de conteúdo de nova versão de um instrumento para classificação de pacientes. Rev. Latino – Am. Enfermagem [Internet]. Jan-Fev 2011 [acesso em 16/09/2016]; 19(1): [9 telas]. Disponível em: WWW.scielo.br/pdf/rlae/v19n1/pt_09.pdf

Possari JF. Dimensionamento de pessoal de enfermagem em Centro Cirúrgico no período transoperatório: estudo das horas de assistência, segundo o porte cirúrgico [dissertação]. São Paulo: Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, 2001.

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