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Revisado e atualizado em 24/09/2026.
O detalhe que mais ajuda a entender um dreno Jackson-Pratt (JP) não é o formato da “pera”, e sim o que acontece quando ela perde o vácuo. Se o reservatório não permanece comprimido após o fechamento, a drenagem pode deixar de funcionar como planejado. Por isso, avaliar o sistema completo é tão importante quanto olhar apenas para o volume coletado.
Como funciona o dreno JP?
O Jackson-Pratt é um sistema fechado de drenagem por sucção, formado por um tubo fenestrado conectado a um reservatório compressível. Ao comprimir o reservatório e fechá-lo, cria-se pressão negativa que auxilia na retirada de sangue, secreções e outros fluidos do local operado.
O JP pode ser utilizado em diferentes procedimentos cirúrgicos, e o tempo de permanência não deve ser definido por uma regra única. A indicação e a retirada dependem do procedimento, da evolução clínica e do débito, conforme avaliação da equipe e protocolo institucional.
O que observar durante o plantão
O primeiro passo é olhar o paciente e depois o dispositivo. Observe a fixação do dreno, o trajeto do tubo, a conexão com o reservatório, a presença de dobras ou tração e se o coletor permanece comprimido.
O débito também precisa ser acompanhado. Registre quantidade, coloração e aspecto da drenagem conforme a rotina da instituição. O volume esperado varia de acordo com a cirurgia, portanto não existe um valor único que determine, sozinho, se o funcionamento está adequado.
Um cenário bastante comum no pós-operatório é encontrar o reservatório aparentemente vazio e o paciente estável, mas perceber que a pera perdeu completamente a compressão. Antes de simplesmente registrar “sem débito”, é preciso verificar o sistema: conexão, tampa, dobras, tração e possível obstrução. Um coletor sem conteúdo não significa necessariamente que o local cirúrgico deixou de produzir secreção.
A aparência da drenagem também conta
Nos primeiros períodos após determinadas cirurgias, pode haver drenagem sanguinolenta ou serossanguinolenta. Com a evolução, o aspecto pode mudar. O importante é acompanhar a tendência e reconhecer alterações inesperadas, principalmente aumento súbito do débito, sangue vermelho vivo em quantidade relevante, secreção turva ou purulenta e odor incomum.
Imagine um paciente no primeiro pós-operatório cujo débito vinha diminuindo progressivamente e, algumas horas depois, passa a apresentar aumento importante de sangue vermelho vivo. O número isolado chama atenção, mas a mudança em relação ao padrão anterior é ainda mais relevante e deve ser comunicada prontamente conforme o protocolo da unidade.
Ordenha do tubo exige critério
A chamada ordenha ou “milking” consiste em comprimir suavemente o tubo em direção ao reservatório para ajudar a deslocar pequenos coágulos que possam dificultar a drenagem. Porém, isso não deve ser transformado em uma manobra automática e vigorosa a cada avaliação.
Há evidências de que sistemas de sucção fechados podem gerar pressões negativas consideráveis, especialmente quando o reservatório está vazio. Por isso, a manipulação deve seguir orientação do fabricante e protocolo institucional, evitando força excessiva ou técnicas não padronizadas.
Esvaziamento e manutenção do vácuo
O reservatório deve ser esvaziado conforme a rotina assistencial e a necessidade clínica, e não simplesmente porque atingiu “metade” ou porque passaram exatamente 8 ou 12 horas. Depois da mensuração, o reservatório deve ser novamente comprimido e fechado adequadamente para restabelecer a sucção.
Quando houver mais de um dreno, registre o débito de cada um separadamente. A quantidade e o aspecto devem ser documentados de forma que seja possível acompanhar a evolução ao longo das horas.
Outro detalhe que faz diferença no cuidado é evitar que o reservatório fique pendurado ou seja puxado durante a mobilização. A fixação adequada reduz tração sobre o ponto de inserção e ajuda a preservar a permeabilidade do sistema.
Cuidados de enfermagem
Na prática, a avaliação deve incluir:
- higienização das mãos e técnica adequada durante a manipulação;
- conferência da fixação e do trajeto do tubo;
- manutenção do sistema fechado e do vácuo conforme orientação do dispositivo;
- registro do volume, cor e aspecto da drenagem;
- inspeção do óstio quanto a dor, hiperemia, edema, calor, secreção e sangramento;
- identificação de dobras, desconexões, vazamentos ou tração;
- comunicação de alterações importantes ou interrupção inesperada do débito;
- orientação ao paciente para não puxar ou deixar o reservatório pendurado.
Protocolos institucionais podem estabelecer frequência de curativo, mensuração e técnica de manipulação; por isso, essas rotinas devem ser seguidas em conjunto com a avaliação clínica.
Um segundo detalhe observado na assistência é o paciente que se levanta para caminhar e segura a pera pela própria tubulação. Além do desconforto, esse hábito pode produzir tração no ponto de saída. Ensinar o paciente a manter o reservatório apoiado e preso de maneira segura faz parte do cuidado, especialmente quando ele permanece com o JP após a alta.
Quando comunicar uma alteração
Interrupção súbita da drenagem, aumento inesperado do volume, sangue vermelho vivo, saída do tubo, perda persistente do vácuo, vazamento ao redor do óstio, secreção purulenta ou com odor desagradável, febre e aumento de dor, vermelhidão ou edema no local merecem avaliação e comunicação conforme o quadro clínico e o protocolo institucional.
O ponto principal é não interpretar o débito isoladamente. O estado do paciente, o tipo de cirurgia, o aspecto da secreção e o funcionamento mecânico do sistema precisam ser analisados juntos.
Um dreno funcionando também precisa ser acompanhado
O Jackson-Pratt não é apenas um recipiente que acumula líquido. Ele fornece informações sobre a evolução do pós-operatório e, ao mesmo tempo, precisa permanecer mecanicamente funcional.
Para a enfermagem, acompanhar tendência do débito, aspecto da drenagem, integridade do sistema e condição do sítio de inserção permite reconhecer alterações mais cedo e comunicar a equipe com informações objetivas.
- Sistema fechado com sucção
- Avaliação do débito e aspecto
- Cuidados com o óstio e fixação
- Reconhecimento de alterações
Referências:
- MEMORIAL SLOAN KETTERING CANCER CENTER. Caring for your Jackson-Pratt drain. New York: MSKCC, 2023. Disponível em: MSKCC – Jackson-Pratt Drain.
- MEDLINEPLUS. Closed suction drain with bulb. Bethesda: U.S. National Library of Medicine, 2026. Disponível em: MedlinePlus – Closed suction drain with bulb.
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE. Hospital Universitário Alcides Carneiro. POP.UCAN.007 – Cuidados de enfermagem na manipulação do dreno de Jackson Pratt (Blake). 2024. Disponível em: POP de cuidados com dreno Jackson Pratt – HUAC/UFCG.
- NCBI BOOKSHELF. Nursing Skills: Wound Care – Checklist for Drain Management. Bethesda: National Library of Medicine. Disponível em: NCBI Bookshelf – Drain Management.
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