Sistema Circulatório: Fluxo sanguíneo cardíaco

O coração e os vasos sanguíneos constituem o sistema cardiovascular (circulatório). O coração bombeia o sangue para os pulmões para que ele possa receber oxigênio e depois bombeia o sangue rico em oxigênio para o corpo.

O sangue que circula nesse sistema distribui oxigênio e nutrientes para os tecidos do corpo e retira produtos residuais (como dióxido de carbono) dos tecidos.

A função do coração

A única função do coração é bombear sangue.

  • O lado direito do coração: bombeia sangue para os pulmões, onde oxigênio é adicionado ao sangue e o dióxido de carbono é eliminado;
  • O lado esquerdo do coração: bombeia sangue para o restante do corpo, onde oxigênio e nutrientes são fornecidos para os tecidos e os resíduos (como dióxido de carbono) são transferidos para o sangue para serem removidos por outros órgãos (como os pulmões e rins).

O sangue faz a seguinte trajetória: O sangue proveniente do corpo, pobre em oxigênio e carregado de dióxido de carbono, flui através das duas veias maiores – a veia cava superior e a veia cava inferior, que, em conjunto, são chamadas veias cavas – para o átrio direito.

Quando o ventrículo direito relaxa, o sangue que está no átrio direito é despejado através da válvula tricúspide no ventrículo direito. Quando o ventrículo direito está quase cheio, o átrio direito se contrai, enviando sangue adicional para o ventrículo direito, que se contrai em seguida.

Essa contração fecha a válvula tricúspide e impulsiona o sangue pela válvula pulmonar até as artérias pulmonares, que irrigam os pulmões. Nos pulmões, o sangue flui pelos pequenos capilares que rodeiam os alvéolos. Aqui, o sangue absorve oxigênio e libera dióxido de carbono, que depois é exalado.

O sangue proveniente dos pulmões, agora rico em oxigênio, circula pelas veias pulmonares até o átrio esquerdo. Quando o ventrículo esquerdo relaxa, o sangue do átrio esquerdo passa para o ventrículo esquerdo através da válvula mitral.

Quando o ventrículo esquerdo está quase cheio, o átrio esquerdo se contrai, enviando sangue adicional ao ventrículo esquerdo, que, em seguida, contrai-se. (Em idosos, o ventrículo esquerdo não fica totalmente cheio antes da contração do átrio esquerdo, o que faz com que essa contração do átrio esquerdo seja especialmente importante).

A contração do ventrículo esquerdo fecha a válvula mitral e impulsiona o sangue pela válvula aórtica até a aorta, a maior artéria do corpo. Esse sangue leva oxigênio a todo o corpo, exceto aos pulmões.

A circulação pulmonar é o trajeto entre o lado direito do coração, os pulmões e o átrio esquerdo.

A circulação sistêmica é o trajeto entre o lado esquerdo do coração, a maior parte do corpo e o átrio direito.

Referência:

  1. Fisiologia cardiovascular. In: Fisiologia Humana: uma abordagem integrada. D. Silverthorn. Ed. Manole. 2a.edição, 2003, pp. 404-441. 

Antropometria

Epistemologicamente, a palavra “antropometria” deriva do grego anthropos (homem) e metrom (medida).

Portanto, a Antropometria forma parte da Antropologia que estuda as medidas e proporções do corpo humano que envolvem medidas sistemáticas das propriedades físicas do corpo humano: dimensões, tamanho corporal, forma e proporções.

As medidas antropométricas têm sido utilizadas como base mais assertiva para avaliar a condição nutricional de uma pessoa, em função da facilidade e precisão em obter essas medidas.

Quais são os principais tipos de medidas antropométricas?

Os principais tipos de medidas antropométricas são:

  • Peso;
  • Altura;
  • Dobras Cutâneas ;
  • Diâmetro Ósseo
  • Músculos e gordura;
  • Circunferências corporais;
  • Índice de Massa Corporal (IMC);
  • Categorias de índices de padrão de crescimento.

O que é uma avaliação antropométrica?

A avaliação antropométrica usa como base os dados extraídos para compor a tabela de medidas antropométricas.

Dessa forma, ela considera esses valores primários e secundários para entender o estado nutricional e a morfologia da pessoa em questão. Além disso, uma avaliação antropométrica permite, entre outras coisas:

  • Avaliar índices para riscos de  doenças cardíacas;
  • Diferenciação do peso bruto dos tecidos;
  • Avaliar a composição corporal;
  • Avaliação da água intra e extracelular;
  • Classificar o tipo morfológico da pessoa.

Como é realizada a avaliação antropométrica e qual a sua importância?

A forma mais comum de verificar a composição corporal , por exemplo, é através das dobras cutâneas, pois permite chegar a um valor muito próximo da gordura corporal através das espessuras das dobras.

A importância da avaliação antropométrica é a precisão de um diagnóstico geral para o paciente.

Para atletas profissionais, essa avaliação antropométrica se mostra ainda mais essencial, pois ajuda a monitorar a composição corporal, que reflete no desempenho das atividades físicas.

Por isso, a realização das  medidas antropométricas são importantes também para os profissionais de educação física.

Quem pode fazer a avaliação antropométrica?

Além de existir muita cautela, a avaliação antropométrica só pode ser feita por profissionais com formação e conhecimento nessa prática.

Isso é um pré-requisito pois dados errados podem prejudicar o diagnóstico e a evolução de um paciente. Os principais profissionais que fazem essa avaliação são:

  • Nutricionistas;
  • Enfermeiros;
  • Profissionais  de educação física;
  • Endocrinologistas;
  • Nutrólogos.

Técnicas para a tomada das medidas antropométricas

Técnica de adipometria

Esse método avalia a densidade corporal, determinando, principalmente, o montante de gordura corporal. Serve para medir as dobras cutâneas, que é uma das principais medidas antropométricas, como citamos anteriormente.

Técnica de perimetria

Para verificar as circunferências corporais, utilizamos a técnica de perimetria. São importantes para o acompanhamento das medidas corporais e avaliar índices como por exemplo risco do perímetro abdominal.

Técnica de paquimetria

Essa técnica é muito utilizada para medir o diâmetro ósseo. Trata-se de uma importante medida para identificar a morfologia do avaliado.

Técnica para medir o peso em crianças maiores de dois anos de idade e em adultos

O paciente deve manter a cabeça e corpo erguidos para que o peso seja avaliado. No caso de balanças eletrônicas, o peso aparecerá no visor.

No caso de balanças mecânicas, é preciso destravá-las e mover os cursores sobre a escala numérica até nivelar a agulha do braço e o fiel.

Após isso, você deverá travar novamente a balança para registar o valor na tabela de medidas antropométricas.

Técnica para medir a altura em crianças maiores de dois anos de idade e adultos

Nesta outra técnica, o profissional deve também pedir para que o paciente retire acessórios volumosos e o sapato, por exemplo, para que isso não influencie na medição.

Além disso, o profissional  deve usar um estadiômetro, também conhecido como antropômetro vertical, podendo estar fixo na parede, acoplado à balança ou ser portátil.

Depois disso, o usuário deverá ficar de costas ou de frente para o instrumento, dependendo do modelo,  com os pés paralelos e o corpo tocando o aparelho ou a parede.

O profissional deve posicionar a cabeça do avaliado  de modo que o orifício do ouvido esteja no mesmo plano horizontal da parte exterior da órbita ocular.

Após isso, deve-se baixar a haste móvel do estadiômetro até encostar na cabeça do avaliado  para medir o valor e fazer o registro na tabela de medidas antropométricas.

Instrumentos para medidas antropométricas

Existem diversos instrumentos que devem ser utilizados na hora de fazer as medidas antropométricas no paciente. Conheça 6 desses instrumentos a seguir.

Balança antropométrica mecânica

A balança antropométrica mecânica é uma das balanças antropométricas mais conhecidas, fácil de encontrar em clínicas e não precisa de energia para funcionar. Sua função é medir o peso e altura do paciente.

Ela também é indicada para academias, hospitais, escolas e outros espaços que envolvam profissionais da área.

Balança antropométrica digital

Já a balança antropométrica digital tem a diferença justamente que o nome sugere e ela é mais precisa para indicar a massa corporal e quando tem estadiômetro acoplado, a altura do paciente.

Balança antropométrica digital para obesos

Esse tipo de balança funciona igualmente como a anterior, mas ela é voltada para pessoas obesas, com uma quantidade de gordura superior ao indicado.

Por essa razão, essas balanças precisam suportar uma quantidade de quilogramas superior à balança antropométrica digital tradicional.

Trena

A trena antropométrica ou fita antropométrica tem a função específica de realizar medidas dos perímetros corporais.

Adipômetro

O adipômetro, também chamado de plicômetro, é um instrumento que se usa para medir as dobras cutâneas e obter os valores da composição corporal.

Estadiômetro ou Antropômetro

Por fim, o antropômetro, também conhecido como estadiômetro, serve para medir a altura das pessoas em avaliações nutricionais e esportivas.

Referências:

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  15. Sarni R. Avaliação antropométrica e de composição corporal. In: Silva S, Mura J. Tratado de alimentação, nutrição e dietoterapia. São Paulo: Roca; 2007. p. 131-40. 

Tipos de Abdômen: Saiba Reconhecer

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 08/09/2026.

Antes de tocar no paciente, o abdômen já fornece informações importantes. A forma, a simetria, o grau de distensão, a pele, o umbigo, cicatrizes e até movimentos visíveis podem direcionar o restante do exame físico. Por isso, reconhecer os tipos de abdômen não é apenas uma questão de memorizar nomes: é aprender a transformar uma observação simples em dado clínico.

O que observar na inspeção

Com o paciente confortavelmente em decúbito dorsal e o abdômen adequadamente exposto, observe o contorno de forma global, comparando os dois lados. Na descrição clínica, o abdômen pode ser plano, arredondado, escavado ou protuberante, além de apresentar alterações localizadas ou generalizadas.

Também devem ser observados distensão, cicatrizes cirúrgicas, hérnias ou abaulamentos, estrias, alterações da pele, posição do umbigo e movimentos ou pulsações visíveis.

Abdome atípico ou normal

É o abdome sem alteração morfológica evidente, geralmente com contorno plano ou arredondado e simetria preservada.

A descrição “normal” precisa ser interpretada de acordo com o biotipo do paciente. Crianças, pessoas com maior quantidade de tecido adiposo e gestantes, por exemplo, apresentam características próprias que não devem ser automaticamente classificadas como patológicas.

Abdome globoso ou protuberante

Apresenta aumento global do volume abdominal, com aspecto arredondado ou abaulado. Pode estar relacionado a diferentes situações, como obesidade, distensão por gases ou conteúdo intestinal, retenção de líquidos e ascite.

Portanto, encontrar um abdome protuberante não permite concluir sozinho qual é a causa. A presença de dor, vômitos, alteração do trânsito intestinal, febre, dificuldade respiratória ou mudança rápida do volume deve aumentar a atenção da equipe.

Abdome em avental

Caracteriza-se pela presença de excesso de tecido abdominal que forma uma dobra pendente sobre a região inferior do abdome, podendo alcançar a região pubiana ou as coxas.

É mais frequente em pessoas com obesidade importante. Na assistência de enfermagem, essa característica também merece atenção para higiene, umidade, integridade da pele e surgimento de lesões nas dobras cutâneas.

Abdome escavado ou escafoide

O abdome apresenta aspecto côncavo, com a parede abdominal retraída.

Pode ser observado em pessoas com baixo peso importante ou perda significativa de tecido adiposo. Entretanto, não deve ser utilizado isoladamente para diagnosticar desnutrição, câncer ou outra doença específica. O achado precisa ser relacionado ao estado nutricional, história clínica e demais sinais observados.

Abdome pendular ou ptótico

Nesse padrão, a porção inferior do abdome apresenta maior projeção, associada à flacidez da parede abdominal e à distribuição dos tecidos e vísceras.

Pode ser encontrado em diferentes contextos, inclusive após grandes alterações ponderais e em situações de flacidez da musculatura abdominal. A descrição deve ser objetiva, sem transformar o formato em diagnóstico.

Abdome em ventre de batráquio

É caracterizado por aumento predominante do diâmetro transversal, deixando o abdome mais alargado lateralmente, especialmente quando o paciente está em decúbito dorsal.

Historicamente, esse formato é associado à presença de líquido na cavidade abdominal, especialmente ascite. Porém, a avaliação atual da ascite não depende apenas do formato abdominal: o exame físico pode identificar sinais como macicez móvel e onda líquida, enquanto a ultrassonografia consegue detectar volumes menores de líquido.

Quando o formato do abdômen chama atenção

Um dos pontos mais importantes é observar mudanças em relação ao padrão habitual do paciente. Um abdômen que aumenta rapidamente de volume, fica tenso ou passa a apresentar dor associada a vômitos, ausência de eliminação de fezes e gases ou alterações dos sinais vitais merece avaliação imediata.

Durante a rotina hospitalar, é comum encontrar pacientes com abdômen discretamente distendido por diferentes motivos. O dado ganha outro significado quando, na avaliação seguinte, o profissional percebe que o volume aumentou, a dor apareceu e o paciente passou a apresentar náuseas. Registrar a mudança e comunicar a equipe pode ser mais importante do que simplesmente classificar aquele abdômen como “globoso”.

A forma é apenas uma parte do exame

Depois da inspeção, a avaliação abdominal prossegue com ausculta, percussão e palpação. A ausculta pode fornecer informações sobre os ruídos intestinais e sopros; a percussão auxilia na avaliação de gases, líquido e estruturas; e a palpação permite investigar dor, massas, organomegalias, defesa e rigidez.

Outro detalhe que faz diferença na prática: pacientes idosos, pessoas com obesidade e indivíduos imunossuprimidos podem apresentar manifestações físicas menos evidentes, portanto a ausência de um achado chamativo não exclui doença. O exame precisa ser interpretado junto com sinais vitais, sintomas e evolução clínica.

Cuidados de enfermagem

Na avaliação de enfermagem, observe e registre o contorno, simetria, distensão, cicatrizes, lesões de pele, abaulamentos, presença de dor e alterações percebidas em relação às avaliações anteriores. Em pacientes com abdômen distendido, acompanhar a evolução da circunferência abdominal pode fornecer um dado objetivo adicional quando indicado.

Dor intensa ou progressiva, abdômen rígido, defesa involuntária, vômitos persistentes, sangramento gastrointestinal, hipotensão, taquicardia ou alteração importante do estado geral devem ser comunicados prontamente. A avaliação abdominal não deve ser reduzida à identificação de um “tipo de abdômen”.

Em um paciente no pós-operatório abdominal, por exemplo, uma cicatriz recente pode explicar parte do aspecto observado, mas não explica automaticamente uma nova distensão acompanhada de dor e vômitos. É justamente a comparação entre avaliações que permite perceber uma mudança clínica relevante e agir mais cedo.

✓ Decore para a Prova Para memorizar os principais tipos

  • Atípico ou normal: plano ou arredondado, sem alteração morfológica evidente.
  • Globoso ou protuberante: aumento global do volume abdominal.
  • Em avental: excesso de tecido abdominal formando uma dobra pendente.
  • Escavado ou escafoide: abdome retraído, com aspecto côncavo.
  • Pendular ou ptótico: maior projeção da região inferior do abdome.
  • Ventre de batráquio: aumento predominante do diâmetro transversal.

O mais importante para a prática é lembrar que formato não é diagnóstico. A inspeção identifica padrões; a avaliação completa determina o significado clínico daquele achado.

Resumo para salvar

Tipos de Abdômen na Semiologia

  • Abdome normal ou atípico: contorno plano ou arredondado
  • Globoso: aumento global do volume abdominal
  • Escavado: contorno côncavo e retraído
  • Avental, pendular e ventre de batráquio são padrões morfológicos distintos

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Referências:

  1. PORTO, Celmo Celeno. Semiologia médica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.
  2. Yew, K. S.; George, M. K.; Allred, H. B. Acute Abdominal Pain in Adults: Evaluation and Diagnosis. American Family Physician, v. 107, n. 6, p. 585-596, 2023. Disponível em: American Family Physician – Acute Abdominal Pain in Adults.
  3. MERCK MANUAL PROFESSIONAL EDITION. Evaluation of the Gastrointestinal Patient. 2025. Disponível em: Merck Manual – Evaluation of the Gastrointestinal Patient.
  4. NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE. Chapter 12: Abdominal Assessment – Nursing Skills. Bethesda: NCBI Bookshelf. Disponível em: NCBI Bookshelf – Abdominal Assessment.
  5. THOLEY, Danielle; NGUYEN, Minhhuyen. Ascites. Merck Manual Professional Edition. Revisado em ago. 2025. Disponível em: Merck Manual – Ascites. 

Sinal de Blumberg

O Sinal de Blumberg é um sinal médico caracterizado por dor ou piora da dor à compressão e descompressão súbita do ponto de McBurney. A pesquisa do sinal é feita no ponto de McBurney, também chamado de ponto apendicular.

Como é avaliado?

É traçado uma linha que liga a cicatriz umbilical com a espinha ilíaca ântero-superior. Divide-se esta linha em 3 partes, sendo o ponto referido o local que corresponde ao encontro do terço médio com o terço distal da linha.

Dor no ponto de McBurney, percebido durante o exame físico, é indicativo de peritonite naquele local e, apesar de não ser patognomônico, geralmente associa-se à apendicite aguda.

O verdadeiro sinal de Blumberg positivo ocorre somente quando a dor ocorre em dois tempos: durante a compressão e na descompressão, sendo nesta de muito maior intensidade.

Somente a descompressão dolorosa – dor em um tempo – não caracterizaria o sinal. Idealmente, como foi descrito no artigo em que foi publicado, o sinal de Blumberg só é pesquisado no ponto de Mcburney, sendo que a descompressão dolorosa em qualquer outra parte do abdome não é reconhecida como este sinal.

O nome do sinal é em homenagem ao cirurgião alemão Jacob Moritz Blumberg.

Referência:

  1. Ramos Jr. Semiotécnica da Observação Clínica, 1995

Semiologia Dermatológica: Colorações da Pele

A semiologia dermatológica é uma das etapas do exame clínico que envolve o reconhecimento das alterações e afecções que acometem a pele.

Além das doenças dermatológicas com acometimento cutâneo exclusivo, há condições dermatológicas com envolvimento sistêmico, ou de outros órgãos, e ainda, doenças metabólicas, endócrinas, hepáticas, neurológicas e neoplásicas, entre outras, com determinadas manifestações cutâneas.

Avaliação

Durante a realização do exame físico, o examinador faz uma avaliação das condições gerais do paciente, e uma análise pouco mais minuciosa de algumas características da pele.

Nesta etapa, a simples observação das modificações da superfície cutânea poderá auxiliar no raciocínio clínico do examinador e, portanto, remeter à prováveis hipóteses diagnósticas. O exame dermatológico (ou, simplesmente, da pele) deve ser realizado com uma iluminação adequada (de preferência, luz natural), e com desnudamento progressivo das partes a serem examinadas.

Os elementos a serem investigados no exame físico geral da pele ou exame dermatológico são os seguintes:

  1. Coloração (alterações de coloração da pele generalizada ou localizada: cianose, palidez, icterícia)
  2. Umidade 
  3. Textura
  4. Temperatura
  5. Turgor
  6. Integridade (ou continuidade) (erosões, úlceras, fissuras, fístulas)
  7. Sensibilidade (hipoestesia, anestesia, hiperestesia)
  8. Espessura (atrofia, infiltração)
  9. Elasticidade (elastose, esclerodermia)
  10. Mobilidade (esclerodermia)
  11. Lesões elementares

COLORAÇÃO

Adicionalmente, a cor da pele determinada pela etnia ou raça, algumas condições fisiológicas ou patológicas irão influir na coloração da pele. A coloração da pele é a primeira observação do exame físico dermatológico.

Pode ser modificada por condições fisiológicas, tal como se observa na exposição ao frio (livedo) ou ao sol (eritema solar), ou ainda por condições patológicas que resultam em palidez por colapso periférico.

Os indivíduos de cor branca e pardo-claros apresentam, em condições normais, uma coloração levemente rósea ou rosada da pele. Esta coloração dada pelo sangue que circula na rede capilar cutânea pode sofrer variações fisiológicas e/ou patológicas.

Já alguns distúrbios da coloração dos indivíduos de pele escura, em especial os negros, são observados com maior dificuldade.

Por exemplo, o escurecimento da pele pode ser observado nos indivíduos de pele branca que foram expostos ao sol (bronzeamento); ou na doença de Addison e hemocromatose, que são distúrbios endócrinos que afetam a produção melanina e o metabolismo do ferro, respectivamente.

  • Palidez: é conceituada como sendo uma atenuação ou desaparecimento da cor rósea da pele. Deve ser avaliada com a luz natural, pois, as iluminações artificiais podem influenciar na sua identificação. Por meio de semiotécnica simplificada, o examinador deve pesquisar a palidez na pele em toda a extensão da superfície cutânea, incluídas as mucosas e as regiões palmoplantares, onde é possível a identificação mais acurada da palidez em negros. A comparação entre áreas simétricas complementa a avaliação da palidez, que pode ser classificada em três formas distintas: generalizada, localizada ou segmentar.
  • Palidez generalizada: traduz uma diminuição das hemácias circulantes nas microcirculações cutânea e subcutânea. Pode ser decorrente da redução real das hemácias circulantes, como nas anemias e perdas sanguíneas, pois, a hemoglobina‚ é a responsável, em última instância, pela coloração rósea da pele. Ou por um segundo mecanismo, relacionado a uma vasoconstrição generalizada secundária aos estímulos vasoativos, neurogênicos ou hormonais (crises de feocromocitoma, emoções).
  • Palidez localizada ou segmentar é explicada, fisiologicamente, por uma isquemia no território afetado. Partindo deste princípio, uma palidez restrita ao membro inferior direito, possivelmente, se apresenta como principal causa de uma obstrução da artéria femoral. Uma manobra de avaliação clínica do fluxo sanguíneo através da pele pode auxiliar na investigação deste tipo de palidez. O examinador deve pressionar o polegar de encontro ao osso esterno durante alguns segundos, com a finalidade de expulsar o sangue que flui naquela área. Em seguida, retira-se o dedo abruptamente e observa o tempo necessário para que a pele recém-pressionada retorne à sua coloração rósea. Em condições normais, o tempo‚ é inferior a um segundo.
  • Eritema (eritrose ou vermelhidão): Como a própria nomenclatura já sugere, significa um exagero da coloração rósea da pele, indicando, na maioria das vezes, um aumento da quantidade de sangue na rede vascular cutânea, quer seja por conta de uma vasodilatação ou, aumento de sangue propriamente dito.
  • Eritema generalizado pode ser observado em pacientes febris, indivíduos demasiadamente expostos ao sol, estados policitêmicos, infecções virais (dengue, zika, chikungunya) e bacterianas (escarlatina), afecções inflamatórias (farmacodermia) e neoplásicas (linfoma cutâneo).
  • Eritema localizado pode ter um caráter fugaz (quando depende de um fenômeno vasomotor: ruborização do rosto por emoção, “fogacho” do climatério”) ou ser duradouro (eritema palmar constitucional ou por hepatopatia crônica).
  • Eritema Vs: Hiperemia: Hiperemia, basicamente, é a vasodilatação em uma região ou tecido do organismo, ocorrendo o aparecimento de vermelhidão (eritema) e calor. O eritema seria então a consequência de uma hiperemia, e pode ser causada por um processo inflamatório (levando aos sinais cardinais: rubor, calor, edema e dor), por uma exposição excessiva ao sol (levando à queimadura de primeiro grau), por alergias ou por substâncias medicamentosas incompatíveis. O eritema pode ser considerado como o congestionamento local de sangue. Ainda, o eritema pode ser diferenciado de exantema e púrpura ao pressionarmos a região: no eritema, a vermelhidão some e retorna em seguida, já no exantema ou púrpura, esse “apagamento” da vermelhidão não ocorre.
  • Fenômeno de Raynaud. É uma alteração cutânea que depende das pequenas artérias e arteríolas das extremidades e que resulta em modificações da coloração. Inicialmente, se observa a palidez, a seguir, a extremidade torna-se cianótica, e o episódio termina com uma vermelhidão da área. Trata-se de um fenômeno vasomotor que pode ser deflagrado por várias causas (Lúpus eritematoso sistêmico, Esclerodermia sistêmica, Tromboangeíte obliterante, costela cervical e compressão dos vasos subclávios).
  • Cianose: é o termo que significa uma coloração azulada da pele e, ocorre quando a hemoglobina reduzida alcança no sangue valores superiores a 5g% g% (normal em torno de 2,6 g%). A cianose não é detectável até que a saturação de oxigênio no sangue seja menor que 85%. É menos prontamente detectável se a anemia estiver presente, e mais facilmente vista na policitemia. A sua pesquisa deve ser mais minuciosa nas seguintes regiões: face, ao redor dos lábios, ponta do nariz, lóbulos das orelhas, extremidades das mãos e dos pés (leitos ungueais e polpas digitais). Pode ser classificada em generalizada e localizada e graduada em leve, moderada e intensa.
  • Icterícia: é o termo que designa uma coloração amarelada da pele, mucosas e escleróticas resultantes do acúmulo de bilirrubina no sangue. A icterícia deve ser distinguida de outras condições em que a pele, mas não as mucosas, podem tomar coloração amarelada: uso de certas drogas que impregnam a pele (quinacrina), alimentos ricos em carotenos (cenoura, mamão, tomate).

UMIDADE

A apreciação da umidade começa na inspeção, mas o método deve ser acrescido da palpação com as polpas digitais e com a palma da mão. Por meio da sensação tátil, pode se avaliar a umidade da pele com alguma precisão e se observar variações da umidade normal.

A pele seca revela ao tato uma sensação especial. É encontrada, com maior frequência, em pessoas idosas, em algumas dermatopatias crônicas (esclerodermia, ictiose), no mixedema, na avitaminose A, na insuficiência renal crônica, desidratação. A redução da temperatura nos pacientes febris leva à pele com umidade aumentada ou pele sudorenta.

TEXTURA

Significa trama ou disposição dos elementos que constituem um tecido e são sensíveis ao tato. A textura da pele é avaliada por meio do deslizamento das polpas digitais sobre a superfície cutânea, sendo possível constatar uma das seguintes condições:

Textura normal, aquela encontrada em condições normais, é a que desperta uma sensação própria que a prática vai firmando.

Pele lisa ou fina representa a redução dos constituintes da pele, e é frequente em condições fisiológicas nas pessoas idosas, ou patológicas, que levam à atrofia da pele, como na síndrome de Cushing.

Pele áspera é observada em indivíduos expostos às intempéries, ao sol e que trabalham em atividades rudes, tais como, lavradores e pescadores. Ainda pode ser vista em algumas afecções como mixedema e dermatopatias.

Pele enrugada ocorre em indivíduos que emagrecem rapidamente, ou ainda, quando se elimina um edema.

INTEGRIDADE

Integridade ou continuidade cutânea é o termo que refere a uma ausência de lesão de sua superfície. Portanto, qualquer alteração da pele, seja por erosões, úlceras, fissuras culmina em alterar a continuidade da pele. É um tema complexo, que será descrito adiante, no tópico “Lesões Elementares”.

ESPESSURA

É avaliada por meio do pinçamento de uma dobra cutânea com o polegar e indicador, e somente da camada mais superficial da pele. Esta manobra deve ser feita em várias e diferentes regiões, tais como, antebraço, tórax e abdome. As seguintes condições podem ser observadas:

Pele de espessura normal; Pele atrófica, que é acompanhada de textura lisa ou fina, certa translucidez que permite ver a rede venosa superficial, comum nos idosos e em algumas dermatoses; Pele hipertrófica ou espessa‚ vista em indivíduos expostos ao sol, que apresentam elastose decorrente da desorganização e aumento das fibras elásticas de sustentação.

A esclerodermia é uma doença imune-mediada do tecido conjuntivo, na qual o espessamento cutâneo é uma alteração relevante da doença.

TEMPERATURA

A temperatura da pele e a corporal nem sempre são equivalentes. Para avaliar a temperatura da pele, utiliza-se a face dorsal das mãos ou dos dedos, comparando-se com o lado homologo de cada segmento examinado.

A temperatura da pele é variável, e de acordo com a região anatômica a ser pesquisada. Um aumento da temperatura em nível articular pode indicar um processo inflamatório subjacente.

ELASTICIDADE

Elasticidade é capacidade da pele de se estender quando tracionada; e a mobilidade é a sua capacidade de se movimentar sobre planos profundos subjacentes. Por meio semiotécnico simples, se faz o pinçamento uma prega cutânea com o polegar e o indicador, e em seguida, uma certa tração.

As seguintes condições podem ser observadas: Elasticidade normal; Elasticidade aumentada como ocorre, por exemplo, na síndrome de Ehlers-Danlos, uma doença que afeta as fibras elásticas da pele e de outros órgãos; Elasticidade diminuída ocorre na esclerodermia.

MOBILIDADE

A sua avaliação pode ser realizada por meio da palma da mão, que deve se posicionar sobre a superfície que se quer examinar. A movimentação para todos os lados revela a capacidade da pele em deslizar sobre as estruturas profundas (ossos, articulações e músculos).

As seguintes condições podem ser observadas: Mobilidade normal; Mobilidade diminuída ou ausente ocorre na esclerodermia, elefantíase, infiltrações neoplásicas próximas a pele; Mobilidade aumentada se faz presente na síndrome de Ehlers-Danlos

TURGOR

É facilmente avaliado por meio do pinçamento com o polegar e o indicador, neste caso, a pele e o tecido subcutâneo devem ser englobados. É dito normal, quando o examinador aprecia uma sensação de pele “suculenta”, ou seja, que, ao ser solta, a prega se desfaz rapidamente.

Isto indica que o conteúdo de água está normal e, portanto, a pele está hidratada. Já a sua diminuição é traduzida por uma prega que se desfaz lentamente, podendo indicar desidratação ou desnutrição.

SENSIBILIDADE

É uma etapa comum no exame dermatológico e neurológico. As alterações representam distúrbios neurológicos observados como complicações da hanseníase e do diabetes.  É avaliada nos padrões de sensibilidade térmica, tátil e dolorosa.

  • Sensibilidade tátil pode ser investigada com um chumaço de algodão, ou mais minuciosamente com estesiometro, filamentos de nylon de diversas espessuras, em áreas suspeitas do corpo e pontos específicos das regiões palmo-plantares.
  • Sensibilidade térmica pode ser avaliada com dois tubos de ensaios, um com água quente e, outro, com água fria.
  • Sensibilidade dolorosa pode ser avaliada por meio de uma agulha estéril, em regiões do corpo que compreenda, no mínimo, áreas suspeitas e extremidades. A sua diminuição (hipoalgesia/anestesia) ou aumento (hiperalgesia) podem ocorrer em diversas condições patológicas.

Referências:

  1. SEIDEL H.M; BALL J.W; BENEDICT G.W. Mosby Guia de Exame Físico. 6. ed. Rio de Janeiro, 2007.
  2. SOUZA, B.F. Manual de Propedêutica Médica. 2. ed. Rio de Janeiro. São Paulo: Livraria Atheneu, 1985.
  3. SWARTZ M.H. Tratado de Semiologia Médica. 5. ed. Rio de janeiro. Elsevier, 2006.
  4. ARGENTE, A.H. ALVAREZ, E.M. Semiologia Médica. 3ª ed. Panamericana, 2021.
  5. LE BLOND, F.R. et al. De Gowin’s. Diagnostic Examination. 10th ed. McGraw Hill, 2015.
  6. DENNIS, M. et al. Mechanisms of Clinical Signs. Elsevier, 2012.
  7. DOUGLAS, G. NICOL and F. ROBERTSON, C. Macleod’s Clinical Examination. 12 ed. Elsevier, 2011.
  8. FORTIN, A.H et al. Patient-Centered Interviewing – An Evidence-Based Method. 3th ed. McGraw Hill, 2012.

Exame Físico de Enfermagem, saiba Avaliar!

Exame Físico

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 10/09/2026.

O exame físico não serve apenas para “procurar alterações”. Na prática, ele ajuda o profissional a perceber uma mudança que ainda não apareceu no prontuário, confirmar uma informação relatada pelo paciente e decidir o que precisa ser acompanhado com mais atenção.

Dentro do Processo de Enfermagem, o exame físico faz parte da Avaliação de Enfermagem e fornece dados objetivos que, junto à entrevista e a outros recursos, sustentam o julgamento clínico. A Resolução Cofen nº 736/2024 estabelece que essa avaliação deve ser inicial e contínua.

As quatro técnicas fundamentais

As técnicas propedêuticas clássicas são inspeção, palpação, percussão e ausculta. A sequência pode mudar de acordo com o sistema corporal avaliado, por isso não é adequado decorar uma única ordem como se ela servisse para todo o exame físico.

Inspeção

É a observação sistemática do paciente. Avaliam-se aparência geral, nível de consciência, postura, mobilidade, coloração da pele e mucosas, simetria, padrão respiratório, presença de lesões, edema, secreções, dispositivos e outras alterações visíveis.

O exame começa antes mesmo de tocar no paciente. Ao entrar no quarto, observar como ele está sentado no leito, se apresenta esforço respiratório, palidez, agitação ou dificuldade para falar já fornece informações clínicas relevantes.

Palpação

Utiliza o tato para identificar características como temperatura, textura, sensibilidade, edema, massas, pulsos, expansão, rigidez e outras alterações, conforme a região examinada.

Áreas dolorosas devem ser avaliadas com cuidado e, quando possível, deixadas para o final da palpação. A técnica também precisa considerar a condição clínica e o conforto do paciente.

Percussão

Consiste em produzir sons por meio de pequenos golpes sobre determinadas regiões do corpo, permitindo obter informações indiretas sobre estruturas subjacentes, como presença de ar, líquido ou alterações de densidade.

Embora seja uma técnica clássica da semiologia, sua utilização e profundidade dependem do sistema avaliado e da competência técnica do profissional.

Ausculta

É a avaliação dos sons produzidos pelo organismo, geralmente com o estetoscópio. Pode ser utilizada para investigar sons cardíacos, respiratórios, intestinais e vasculares.

Na ausculta pulmonar, por exemplo, é importante comparar áreas correspondentes dos dois lados do tórax e observar o padrão respiratório, a intensidade dos sons e a presença de ruídos adventícios, como sibilos, crepitações e estridor.

A ordem muda conforme o sistema

Para uma avaliação geral, inspeção, palpação, percussão e ausculta são frequentemente ensinadas como as principais técnicas do exame físico. No abdome, entretanto, a sequência clássica é diferente: inspeção, ausculta, percussão e palpação.

Isso acontece porque a palpação e a percussão podem alterar a atividade intestinal e interferir na avaliação dos ruídos hidroaéreos. Por isso, a ausculta abdominal deve ser realizada antes dessas manobras.

Na prática, essa diferença é fácil de perceber. Se o paciente chega relatando dor abdominal intensa em fossa ilíaca direita, começar apertando justamente a região dolorosa pode aumentar o desconforto e ainda comprometer a sequência da avaliação. Primeiro se observa o abdome, depois se ausculta, e somente então avançam-se as demais manobras.

Exame físico cabeça aos pés

Uma avaliação sistematizada pode seguir uma abordagem céfalo-caudal, adaptada à condição clínica do paciente. O profissional observa inicialmente o estado geral, nível de consciência e sinais vitais, depois direciona a avaliação para os diferentes sistemas.

Em um paciente com dispneia, por exemplo, não faz sentido esperar até o final de um roteiro rígido para perceber que ele está utilizando musculatura acessória, apresentando alteração do nível de consciência ou dificuldade para falar frases completas. A avaliação precisa acompanhar a prioridade clínica.

A literatura de enfermagem recomenda uma abordagem organizada, mas também reforça a necessidade de identificar primeiro situações de instabilidade, avaliando vias aéreas, respiração, circulação e estado mental quando necessário.

O que observar na avaliação

Durante o exame físico, alguns achados merecem atenção especial:

  • Estado geral: aparência, comportamento, nível de consciência, mobilidade e interação.
  • Pele e mucosas: coloração, temperatura, umidade, integridade, lesões e perfusão.
  • Respiratório: frequência, ritmo e esforço respiratório, expansão torácica, saturação e sons pulmonares.
  • Cardiovascular: frequência e ritmo do pulso, perfusão periférica, edema e sons cardíacos quando indicados.
  • Abdome: forma, distensão, movimentos, ruídos hidroaéreos, dor, defesa e massas.
  • Neurológico: nível de consciência, orientação, resposta motora, pupilas e alterações neurológicas pertinentes ao quadro.

A avaliação não precisa produzir uma lista interminável de informações. O objetivo é identificar dados relevantes, reconhecer alterações e relacioná-las ao quadro clínico.

O exame físico precisa gerar registro

Um achado sem documentação pode perder valor na continuidade do cuidado. O registro deve ser objetivo, claro e compatível com aquilo que foi realmente observado ou mensurado.

Em vez de escrever apenas “paciente com alteração respiratória”, é mais útil registrar dados como frequência respiratória, padrão, presença de esforço, saturação, dispositivo de oxigenoterapia e achados da ausculta, quando avaliados.

Esse cuidado também permite comparar a evolução. Uma frequência respiratória de 20 irpm pela manhã e 32 irpm algumas horas depois, acompanhada de aumento do esforço respiratório, representa uma mudança muito mais evidente quando os dados anteriores estão registrados.

A Resolução Cofen nº 736/2024 determina a documentação do Processo de Enfermagem no prontuário, cabendo ao enfermeiro registrar todas as etapas e aos demais membros da equipe realizar suas anotações e registros conforme suas atribuições.

Cuidados de enfermagem durante o exame

Antes de iniciar, confirme a identificação do paciente, higienize as mãos, explique o procedimento, preserve privacidade e conforto e verifique a necessidade de equipamentos de proteção individual. O ambiente deve favorecer uma avaliação segura e adequada.

O estetoscópio deve estar limpo, e as mãos podem ser aquecidas antes do contato. Também é importante observar sinais de instabilidade durante todo o exame e interromper ou adaptar a avaliação quando a condição clínica exigir.

Ao encontrar uma alteração relevante, não basta simplesmente anotá-la. O enfermeiro deve relacionar o achado aos demais dados da avaliação, comunicar alterações que demandem intervenção e utilizar essas informações para conduzir as próximas etapas do Processo de Enfermagem.

Para memorizar

★ Cai em Concurso

Inspeção → observar.
Palpação → tocar.
Percussão → produzir sons e avaliar ressonância.
Ausculta → ouvir

Mas guarde também a exceção que mais aparece na prática e nas provas: no exame abdominal, a ausculta vem antes da percussão e da palpação.

Resumo para salvar

Exame Físico de Enfermagem

  • Inspeção, palpação, percussão e ausculta são as técnicas fundamentais
  • A sequência varia conforme o sistema avaliado
  • No abdome, ausculta vem antes de percussão e palpação
  • O exame físico integra a Avaliação de Enfermagem no Processo de Enfermagem

Referências:

  1. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto socioambiental onde ocorre o cuidado de enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2024. Resolução Cofen nº 736/2024
  2. ERNSTMEYER, K.; CHRISTMAN, E. (eds.). Nursing Skills. Eau Claire: Chippewa Valley Technical College, Open RN. National Library of Medicine, 2021–2024. NCBI Bookshelf – Nursing Skills
  3. ERNSTMEYER, K.; CHRISTMAN, E. (eds.). Chapter 12: Abdominal Assessment – Nursing Skills. Eau Claire: Chippewa Valley Technical College, Open RN. NCBI Bookshelf – Abdominal Assessment
  4. PORTO, C. C. Semiologia médica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2012.
  6. WONG, D. L. et al. Wong: enfermagem pediátrica. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.

Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA)

O sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona recebe esse nome por causa da interação entre esses três hormônios. Atuam de uma forma sequencial para que aconteçam reações orgânicas que vão equilibrar a pressão sanguínea e a quantidade de sódio e água do organismo.

Por que é ativado o SRAA?

Ele é ativado quando a pressão fica baixa demais ou quando há perda excessiva de líquidos, desencadeando uma série de reações orgânicas para que eles voltem a estabilizar.

Como esse sistema funciona?

Você viu que o sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona entra em ação quando existe uma tendência para queda da pressão arterial. Esses hormônios vão atuar em partes distintas do corpo desencadeando reações simultâneas para estabilização sistêmica da pressão.

Assim, acontecem diferentes etapas durante a ativação desse sistema. A seguir você confere quais são elas e o que ocorre em cada uma:

1ª etapa: Conversão da pró-renina em renina

Quando acontece uma queda da pressão arterial também ocorre uma redução da perfusão renal. Essa reação é captada pelos receptores que estão presentes nas arteríolas conectadas aos rins. Então, inicia-se a conversão da Pró-renina em Renina. É a estimulação dos nervos renais que aumenta a secreção da renina pelas células.

2ª etapa: Liberação de angiotensina I

Nessa etapa acontece uma segunda reação desencadeada pela renina. Quando presente no plasma sanguíneo, ela atua na conversão de Angiotensinogênio em Angiotensina I, que tem uma atividade biológica mais baixa.

3ª etapa: Conversão da angiotensina I em angiotensina II

Nesse momento entra em ação uma outra enzima, localizada predominantemente nos rins chamada de Conversora de Angiotensina (ECA). A ação dessa enzima de conversão acontece nos pulmões e nos rins, desencadeando uma reação catalisadora que converte a angiotensina I em Angiotensina II.

4ª etapa: Liberação da Aldosterona

Com a ativação da Angiotensina II, hormônio vasoconstritor ativado, ele vai atuar no córtex das glândulas suprarrenais fazendo com que a aldosterona seja sintetizada e secretada. Esse hormônio atua nas células dos rins incentivando o órgão a aumentar a reabsorção de sódio. Com isso, há um aumento da quantidade de líquido dentro dos vasos sanguíneos com objetivo de corrigir os níveis de pressão arterial.

5ª etapa: Estímulo renal direto

Voltando à ação da Angiotensina II, ela vai atuar estimulando a troca de sódio e hidrogênio nesse órgão. Ao mesmo tempo, vai aumentar a retenção renal de sódio e também de bicarbonato.

6ª etapa: Aumento da sede e ação antidiurética

Nessa etapa de ativação do sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona, a Angiotensina II vai atuar mais uma vez. Porém, aqui ela estimulará o hipotálamo a aumentar a sensação de sede, para que a pessoa seja incentivada a beber água. Ao mesmo tempo, ocorre o estímulo da secreção do Hormônio Antidiurético ( ADH) para que o organismo retenha mais água ingerida ou produzida pelo metabolismo.

7ª etapa: Vasoconstrição

Como explicamos, o sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona também vai provocar uma redução do diâmetro dos vasos sanguíneos pela ação da Angiotensina II. Ela vai atuar diretamente sobre as pequenas artérias e arteríolas fazendo com que se contraiam.

E o Inibidor da Enzima Conversora da Angiotensina (IECA)? Como e quando agem?

O Inibidores são aqueles de diminuem ou bloqueiam a atividade orgânica da enzima conversora da angiotensina, assim produzindo vasodilatação periférica, diminuindo a pressão arterial. Eles entram em ação no organismo quando a o quadro de hipertensão não é regularmente controlada, podendo ocasionar complicações aos pacientes como AVC/AVE, aneurisma, etc.

Em resumo…

A diminuição da Pressão Arterial ativa o SRAA, produzindo um conjunto de respostas tentando normalizar a P.a.

A resposta mais importante é o efeito da aldosterona aumentando a reabsorção renal de Na⁺. Ao se promover a reabsorção de Na⁺, aumenta-se o volume do líquido extracelular e o volume sanguíneo, com isso ocorre aumento do retorno venoso, e pelo mecanismo de Frank-Starling, aumento do débito cardíaco e da pressão arterial.

Referência:

  1. Heran BS, Wong MMY, Heran IK, Wright JM. Blood pressure lowering efficacy of angiotensin converting enzyme (ACE) inhibitors for primary hypertension. Cochrane Database of Systematic Reviews 2008, Issue 4. Art. No.: CD003823. DOI: 10.1002/14651858.CD003823.pub2

Ruídos Hidroaéreos: Saiba Interpretar

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 06/09/2026.

Na avaliação abdominal, ouvir um “barulho” não é suficiente para dizer que o intestino está funcionando bem. O verdadeiro valor dos ruídos hidroaéreos (RHA) está em relacionar o que se escuta com aquilo que o paciente apresenta.

O que são os ruídos hidroaéreos?

Os RHA, também chamados de ruídos intestinais ou peristálticos, são sons produzidos pela movimentação de gases, líquidos e conteúdo intestinal através do trato gastrointestinal. Podem ser percebidos como estalos, cliques, borbulhamentos ou sons mais prolongados, com frequência e intensidade variáveis.

Eles refletem a atividade motora do intestino, mas não funcionam como um “medidor” preciso do peristaltismo. Um paciente pode apresentar sons audíveis mesmo com motilidade intestinal comprometida, e a presença de RHA não confirma que o trânsito intestinal esteja normal.

Como realizar a ausculta

No exame abdominal, a sequência recomendada começa pela inspeção, seguida da ausculta e só depois da percussão e palpação. A manipulação do abdome pode modificar a atividade intestinal e interferir no que será auscultado.

Com o paciente confortavelmente em decúbito dorsal, utiliza-se o diafragma do estetoscópio com pressão suave. Tradicionalmente, inicia-se pelo quadrante inferior direito e segue-se pelos demais quadrantes. Atualmente, porém, não há necessidade de transformar a ausculta em uma contagem rígida de “5, 10 ou 35 ruídos por minuto”, porque a atividade intestinal varia consideravelmente.

RHA normais, aumentados ou diminuídos

Os sons podem ser descritos conforme presença, frequência aproximada e características, evitando classificações excessivamente rígidas.

Os chamados ruídos hiperativos podem ocorrer quando há aumento da atividade intestinal, como em alguns quadros de diarreia e, especialmente, em fases de determinadas obstruções mecânicas. Sons mais agudos ou “tilintantes” podem aparecer em obstruções, mas esse achado possui baixa precisão diagnóstica quando considerado isoladamente.

Já os ruídos hipoativos ou ausentes podem aparecer no íleo, após determinadas cirurgias, em processos inflamatórios e em outras situações que reduzem a motilidade. A ausência verdadeira de sons, entretanto, não deve ser declarada rapidamente apenas porque o estetoscópio ficou alguns segundos sobre o abdome. Protocolos de ensino recomendam um período prolongado de ausculta quando os sons não são identificados.

Um ponto importante para provas e para a prática: não existe um número universal de RHA por minuto que, sozinho, defina normalidade ou doença. A classificação tradicional em “hipoativo, normoativo e hiperativo” pode ser usada na documentação conforme protocolo institucional, mas deve ser interpretada com cautela.

Quando o achado realmente chama atenção

O contexto é o que muda a importância do achado.

Paciente com distensão abdominal, dor progressiva, vômitos e dificuldade para eliminar gases ou fezes merece avaliação cuidadosa, independentemente de haver ruídos aumentados ou diminuídos. Na suspeita de obstrução intestinal, por exemplo, a ausculta pode acrescentar informação, mas não deve determinar sozinha a conduta.

Imagine um paciente no pós-operatório abdominal que passa a apresentar distensão, náuseas, vômitos e ausência de eliminação de gases. Encontrar poucos ruídos hidroaéreos é relevante, mas o dado ganha muito mais peso quando aparece junto dessas alterações clínicas. Nesse cenário, a enfermagem deve comunicar a mudança e acompanhar a evolução, em vez de registrar apenas “RHA hipoativos”.

Da mesma forma, um paciente com cólica intensa e distensão pode apresentar ruídos agudos e frequentes. Isso pode ocorrer em uma obstrução, mas não permite concluir o diagnóstico apenas pelo estetoscópio. A avaliação precisa avançar para o conjunto de sinais e sintomas e, quando indicado, para exames complementares. Estudos mostram baixa sensibilidade e baixa concordância entre profissionais na interpretação dos sons intestinais.

RHA e íleo paralítico

No íleo paralítico, há redução importante da motilidade intestinal, podendo ocorrer distensão, náuseas, vômitos e redução ou ausência dos ruídos. O quadro é especialmente relevante no período pós-operatório, em pacientes críticos e em situações associadas a alterações metabólicas ou uso de medicamentos que diminuem a motilidade.

Mas há uma armadilha importante: o retorno dos ruídos não significa necessariamente que o íleo tenha resolvido. A evolução deve considerar também dor, distensão, eliminação de gases e fezes, tolerância alimentar, vômitos e o estado clínico geral.

O que a enfermagem deve registrar

Na prática, uma anotação útil é mais informativa do que simplesmente escrever “RHA +++/IV”.

Registre a presença ou ausência dos sons, sua característica geral quando relevante e, principalmente, associe o achado aos demais elementos da avaliação: distensão abdominal, dor, náuseas, vômitos, evacuação, eliminação de flatos, aceitação da dieta e alterações dos sinais vitais.

Quando houver mudança importante do padrão abdominal, piora da dor, distensão progressiva, vômitos persistentes, sinais de irritação peritoneal ou alteração hemodinâmica, a prioridade é comunicar e investigar a causa, não repetir a ausculta indefinidamente.

Cuidados de enfermagem

A ausculta abdominal deve ser realizada com técnica adequada e integrada à avaliação física completa. Antes de palpar ou percutir, observe o abdome e procure distensão, cicatrizes, abaulamentos e movimentos visíveis.

Na presença de alterações dos RHA, acompanhe a tendência e o quadro clínico. Observe especialmente dor abdominal, aumento do perímetro abdominal, vômitos, eliminação de gases e fezes e mudanças nos sinais vitais.

Evite interpretar RHA isoladamente como diagnóstico de obstrução ou íleo. A literatura mostra que a precisão da ausculta é limitada e que decisões clínicas importantes não devem depender apenas desse achado.

! Atenção na Prova Para guardar para a prova

RHA são sons produzidos pela movimentação de gases e líquidos no trato gastrointestinal.

A ausculta faz parte do exame abdominal e deve preceder palpação e percussão.

RHA aumentados podem aparecer em algumas obstruções e na diarreia; RHA diminuídos ou ausentes podem ocorrer no íleo, mas nenhum desses achados, isoladamente, confirma o diagnóstico.

E talvez essa seja a informação mais importante: não ouvir ruídos não significa automaticamente intestino parado, assim como ouvir ruídos não garante trânsito intestinal normal. O exame físico precisa ser interpretado em conjunto com a história, os sintomas e a evolução do paciente.

Resumo para salvar

Ruídos Hidroaéreos

  • RHA são produzidos pelo movimento de gases e líquidos no intestino
  • A ausculta deve ocorrer antes da palpação e percussão
  • RHA isoladamente não confirmam obstrução ou íleo
  • Sempre relacione os sons aos demais achados clínicos

Referências:

  1. TAN, Laura; et al. Abdomen – Auscultation. In: Introduction to Health Assessment for the Nursing Professional. Toronto: Toronto Metropolitan University, 2024. Disponível em: Toronto Metropolitan University – Abdominal Auscultation.
  2. MAYUMI, T. et al. Practice Guidelines for Primary Care of Acute Abdomen 2015. Journal of Hepato-Biliary-Pancreatic Sciences, 2016. Disponível em: Journal of Hepato-Biliary-Pancreatic Sciences.
  3. BICKLEY, Lynn S. Bates’ Guide to Physical Examination and History Taking. 14. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2025. Disponível em: Bates Physical Examination Resources.
  4. GU, Yuqi; LIM, Hyun Ja; MOSER, Michael A. J. How useful are bowel sounds in assessing the abdomen? Digestive Surgery, v. 27, n. 5, p. 422-426, 2010. DOI: 10.1159/000319372. Disponível em: PubMed – How useful are bowel sounds?.
  5. KALIL, A. C. et al. Gastrointestinal function in intensive care patients: terminology, definitions and management. Intensive Care Medicine, 2012. Disponível em: Springer – ESICM recommendations. 
  6. BREUM, B. M.; RUD, B.; KIRKEGAARD, T.; NORDENTOFT, T. Accuracy of abdominal auscultation for bowel obstruction. World Journal of Gastroenterology, v. 21, n. 34, p. 10018-10024, 2015. Disponível em: PubMed Central – Accuracy of abdominal auscultation for bowel obstruction.

Sinal de Piparote

O sinal de Piparote, também chamado de teste da onda líquida, é uma manobra realizada durante o exame físico do abdômen do paciente.

É realizado com o paciente deitado de costas e auxilia no diagnóstico de ascites. No exame, o examinador coloca sua mão em um dos flancos do abdômen e um dedo médio do outro lado, empurrando contra o flanco contralateral. Este movimento fará com que o líquido ascítico se mova, formando uma onda que será percebida pelo tato das digitais.

O exame será positivo para ascite quando a ascite tiver um grande volume líquido.

Mas, o que é a Ascite?

A ascite ou “barriga d’água” é o acúmulo anormal de líquido rico em proteínas no interior do abdômen, no espaço entre os tecidos que revestem o abdômen e os órgãos abdominais. A ascite não é considerada uma doença mas sim um fenômeno que está presente em várias doenças, sendo a mais comum a cirrose hepática.

A ascite não tem cura, porém, pode ser tratada com remédios diuréticos, restrição de sal na alimentação e com a não ingestão de bebidas alcoólicas, para eliminar o excesso de líquidos no abdômen.

Os líquidos que podem se acumular dentro do abdômen podem ser o plasma sanguíneo, que é o nome dado ao líquido do sangue, e a linfa, que é um líquido transparente presente em todo o corpo que faz parte da circulação das ínguas.

Referências:

  1. Ascite – estado da arte baseado em evidências. Rev Assoc Med Bras . 55. 4; 489-496, 2009
  2. UNASUS

Classificação de Edema: Sinal de Godet/Cacifo

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 04/09/2026.

Um edema não deve ser descrito apenas como “perna inchada”. Na prática de enfermagem, pressionar a pele e observar o que acontece depois fornece uma informação objetiva que pode ser registrada e acompanhada ao longo da internação: é o sinal de Godet, também chamado de sinal do cacifo ou edema depressível.

O que o sinal de Godet mostra

O exame é realizado aplicando pressão digital sobre uma área edemaciada, preferencialmente sobre uma proeminência óssea, como a região anterior da tíbia. Se, após retirar o dedo, permanecer uma depressão visível ou palpável, há edema com cacifo (pitting edema). A profundidade da depressão e o tempo necessário para a pele retornar são informações úteis para documentar a intensidade do achado.

O sinal pode aparecer principalmente em membros inferiores, mas também pode ser observado em outras regiões, dependendo da distribuição do edema. Em situações de retenção importante de líquidos, o edema pode ser mais extenso, inclusive envolvendo região sacral e outras áreas dependentes.

Como classificar o cacifo

Uma classificação frequentemente utilizada na prática de enfermagem é:

Grau Descrição habitual
1+ Depressão discreta, com retorno rápido
2+ Depressão moderada, com retorno mais demorado
3+ Depressão profunda, com retorno prolongado
4+ Depressão muito profunda, com retorno bastante prolongado

É importante não transformar os valores de profundidade e tempo em uma regra universal. Diferentes referências utilizam critérios diferentes para os graus de edema; por isso, o registro deve seguir a escala adotada pelo serviço e, quando possível, informar localização, profundidade, tempo de retorno e distribuição do edema. Uma referência de avaliação física utiliza 1+ para depressão pouco perceptível e 4+ para depressão profunda com retorno superior a 20 segundos.

Godet positivo não revela a causa

Encontrar cacifo significa que existe edema depressível, mas o exame sozinho não informa por que o líquido se acumulou no tecido. O achado pode acompanhar situações como insuficiência cardíaca, alterações renais ou hepáticas, insuficiência venosa, obstrução venosa, excesso de administração de fluidos e efeitos de determinados medicamentos.

Por isso, a avaliação deve considerar bilateralidade, localização, dor, calor, vermelhidão, integridade da pele, evolução e contexto clínico. Um edema bilateral e simétrico tem uma interpretação diferente de um edema que surgiu de forma súbita em apenas uma perna, principalmente quando acompanhado de dor, calor ou sensibilidade.

Edema com cacifo ou sem cacifo?

O edema com cacifo deixa uma depressão após a pressão. Já no edema sem cacifo, a pressão não produz uma depressão persistente. O edema linfático, por exemplo, pode apresentar cacifo nos estágios iniciais e tornar-se progressivamente mais endurecido e não depressível à medida que ocorre fibrose tecidual.

Essa diferenciação é especialmente útil na avaliação de enfermagem porque acrescenta uma característica objetiva ao exame físico e ajuda a acompanhar mudanças ao longo do tempo.

Duas situações que fazem diferença na prática

Em um paciente internado em UTI que começa a apresentar edema bilateral em membros inferiores após reposição importante de fluidos, a comparação diária pode revelar aumento progressivo do volume das pernas. Nesse cenário, registrar apenas “edema presente” perde informação. Descrever a localização, o grau do cacifo e a evolução permite comparar o exame atual com os anteriores e comunicar a mudança à equipe.

Em outra situação, um paciente pode apresentar edema novo apenas em uma perna, acompanhado de dor e aumento da temperatura local. A presença de cacifo não permite concluir que se trata de trombose, mas a assimetria associada aos demais sinais merece avaliação clínica rápida. Edema unilateral com dor, calor ou vermelhidão pode ocorrer em trombose venosa profunda e em outras condições, portanto não deve ser interpretado isoladamente.

Cuidados de enfermagem

Na avaliação do edema, compare os dois membros quando aplicável, observe pele, coloração, temperatura e presença de dor, faça o exame no mesmo ponto quando estiver acompanhando a evolução e registre o grau conforme o protocolo institucional.

Também acompanhe peso corporal, balanço hídrico e evolução clínica quando esses parâmetros forem pertinentes. Alterações súbitas ou progressivas, especialmente quando associadas a dispneia, dor, assimetria importante, alterações de perfusão ou deterioração clínica, devem ser comunicadas prontamente.

Um detalhe simples melhora muito a anotação: em vez de escrever apenas “edema +++”, registre algo como “edema com cacifo 2+ em região maleolar bilateral, pele íntegra, sem hiperemia ou dor à palpação”, adaptando a descrição ao que realmente foi observado.

! Atenção na Prova Para memorizar

Godet positivo = ao pressionar a pele, permanece uma depressão após retirar o dedo.

A classificação mais comum utiliza 1+ a 4+, mas os critérios de profundidade e tempo variam entre referências. Portanto, para uma avaliação segura, use a escala padronizada pelo serviço e registre também a localização e as características do edema.

Resumo para salvar

Sinal de Godet: Você Sabe Avaliar?

  • Godet positivo indica edema com depressão após pressão digital
  • A classificação mais utilizada vai de 1+ a 4+
  • Profundidade e tempo de retorno podem variar conforme a escala utilizada
  • A avaliação deve considerar localização, simetria, dor, pele e evolução do edema

📌 LEIA TAMBÉM:

Edema: Por que os pacientes na UTI ficam inchados?

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Referências:

  1. JARVIS, Carolyn. Physical Examination & Health Assessment. 9. ed. St. Louis: Elsevier, 2024.
  2. MERCK MANUAL PROFESSIONAL EDITION. Cardiovascular Examination. Rahway: Merck & Co., 2026. Disponível em: Merck Manual – Cardiovascular Examination.
  3. OPEN RESOURCES FOR NURSING. Nursing Skills: Integumentary Assessment – Edema. NCBI Bookshelf, 2024. Disponível em: NCBI Bookshelf – Integumentary Assessment. 
  4. OPEN RESOURCES FOR NURSING. Nursing Skills: Cardiovascular Assessment. NCBI Bookshelf, 2024. Disponível em: NCBI Bookshelf – Cardiovascular Assessment.
  5. MERCK MANUAL PROFESSIONAL EDITION. Some Causes of Edema. Rahway: Merck & Co., 2026. Disponível em: Merck Manual – Causes of Edema.
  6. ROCCO, José Rodolfo. Semiologia médica. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.