Complicações da Canalização do Acesso Venoso Periférico

A canalização do acesso venoso periférico, embora seja um procedimento comum na prática médica, pode apresentar diversas complicações, que variam em gravidade e frequência. É fundamental que tanto profissionais de saúde quanto pacientes estejam cientes dessas possíveis ocorrências para que possam ser identificadas precocemente e tratadas de forma adequada.

Complicações Locais

  • Infiltração: É a mais comum e ocorre quando o líquido infundido extravasa para os tecidos circunvizinhos, causando edema, dor e, em casos mais graves, necrose tecidual.
  • Flebite: Inflamação da veia, caracterizada por eritema, dor, calor e endurecimento ao longo do trajeto venoso. Pode evoluir para trombose venosa.
  • Trombose: Formação de um coágulo sanguíneo dentro da veia, podendo obstruir o fluxo sanguíneo e causar dor, edema e risco de embolia.
  • Infecção: Pode ocorrer na pele ao redor do local da punção ou na própria corrente sanguínea, causando febre, calafrios e eritema.
  • Extravasamento de medicamentos vesicantes: Ocorre quando medicamentos irritantes para os tecidos extravasam para fora da veia, causando lesões teciduais graves.

Complicações Sistêmicas

  • Embolia: Um fragmento do coágulo sanguíneo pode se desprender e migrar para outras partes do corpo, causando obstrução vascular em órgãos vitais.
  • Sepse: Infecção generalizada grave que pode levar a falência de múltiplos órgãos.
  • Sobrecarga hídrica: Ocorre quando o volume de líquido infundido excede a capacidade de eliminação do organismo, levando a edema pulmonar e outras complicações.
  • Reações alérgicas: Podem ocorrer em resposta a medicamentos ou componentes do equipo de infusão, manifestando-se por urticária, angioedema, broncoespasmo e choque anafilático.

Fatores de Risco

  • Condições da veia: Veias pequenas, tortuosas ou com histórico de trombose aumentam o risco de complicações.
  • Tipo de cateter: Cateteres de pequeno calibre ou com ponta afiada podem aumentar o risco de flebite e trombose.
  • Tempo de permanência do cateter: Quanto mais tempo o cateter permanecer na veia, maior o risco de infecção e trombose.
  • Tipo de solução infundida: Soluções hipertônicas ou medicamentos vesicantes aumentam o risco de extravasamento e irritação tecidual.
  • Técnicas de inserção: A técnica inadequada de inserção do cateter pode aumentar o risco de todas as complicações.

Prevenção

  • Seleção adequada do local de punção: Escolher veias de bom calibre, com bom fluxo sanguíneo e longe de articulações.
  • Técnica asséptica rigorosa: Utilizar luvas, anti-sepsia da pele e equipamentos estéreis.
  • Fixação segura do cateter: Evitar movimentos do cateter e reduzir o risco de infiltração.
  • Monitoramento regular do local de punção: Observar sinais de inflamação, edema ou extravasamento.
  • Rotatividade dos locais de punção: Evitar o uso prolongado do mesmo local.
  • Uso de dispositivos de segurança: Reduzir o risco de acidentes com agulhas.

Tratamento das Complicações após Canalização Venosa Periférica

O tratamento das complicações após a canalização venosa periférica varia de acordo com a gravidade e o tipo de complicação. É fundamental que o profissional de saúde avalie cada caso individualmente e inicie o tratamento de forma rápida e eficaz.

Complicações e seus respectivos tratamentos

  • Infiltração:
    • Leve: Elevar o membro, interromper a infusão, aplicar compressas frias e utilizar medicação anti-inflamatória.
    • Moderada a grave: Aplicar calor úmido, utilizar medicamentos vasoativos e, em casos extremos, realizar cirurgia.
  • Flebite:
    • Leve: Remover o cateter, aplicar compressas quentes e utilizar anti-inflamatórios não esteroides.
    • Moderada a grave: Utilizar antibióticos em casos de infecção, aplicar compressas quentes e utilizar anticoagulantes.
  • Trombose:
    • Leve: Remover o cateter, aplicar compressas quentes e utilizar anticoagulantes.
    • Moderada a grave: Utilizar anticoagulantes de ação prolongada e, em casos graves, realizar trombólise.
  • Infecção:
    • Local: Remover o cateter, limpar a ferida com antisséptico e utilizar antibióticos.
    • Sistêmica: Hospitalização, coleta de culturas para identificação do microrganismo e uso de antibióticos de amplo espectro.
  • Extravasamento de medicamentos vesicantes:
    • Leve: Interromper a infusão, elevar o membro e aplicar compressas frias.
    • Moderada a grave: Utilizar antídotos específicos, se disponíveis, e realizar tratamento cirúrgico em casos graves.

Medidas gerais para todas as complicações

  • Monitoramento: Acompanhar regularmente o local da punção e os sinais vitais do paciente.
  • Higiene: Manter o local da punção limpo e seco.
  • Elevação do membro: Facilitar o retorno venoso e reduzir o edema.
  • Analgesia: Utilizar medicamentos para aliviar a dor.
  • Prevenção de novas complicações: Trocar o cateter com frequência, utilizar técnicas assépticas e selecionar o local de punção de forma adequada.

Outras informações importantes

  • Prevenção: A melhor forma de tratar as complicações é preveni-las. A adoção de práticas seguras durante a canalização venosa periférica é fundamental.
  • Educação do paciente: É importante orientar o paciente sobre os sinais e sintomas das complicações, a fim de que ele possa procurar ajuda médica o mais rápido possível.
  • Registro: É fundamental registrar todas as complicações ocorridas, bem como as medidas terapêuticas adotadas.

Referências:

  1. 3M
  2. Complicações relacionadas ao uso do cateter venoso periférico: ensaio clínico randomizado
  3. https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/download/6661/5908
  4. https://periodicos.ufms.br/index.php/pecibes/article/view/13332/9195

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