As emergências cardiológicas são situações clínicas que envolvem risco imediato à vida devido a alterações no funcionamento do coração e do sistema circulatório. Para o profissional de enfermagem, é essencial reconhecer precocemente os sinais e sintomas dessas condições, a fim de atuar com rapidez e segurança.
As Principais Patologias que Constituem uma Emergência Cardiológica
Vamos conhecer as condições que frequentemente nos deparamos em um cenário de emergência cardíaca:
Infarto Agudo do Miocárdio (IAM)
O IAM, popularmente conhecido como ataque cardíaco, ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma parte do músculo cardíaco é interrompido, geralmente por um trombo em uma artéria coronária. Isso leva à morte das células musculares cardíacas por falta de oxigênio.
Sinais e sintomas:
Dor intensa e prolongada no peito (geralmente em aperto), que pode irradiar para o braço esquerdo, mandíbula, pescoço ou costas. Também podem ocorrer suor frio, náuseas, vômitos, palidez e sensação de morte iminente.
Cuidados de enfermagem:
- Monitorização dos sinais vitais e eletrocardiograma contínuo.
- Administração de oxigênio, se saturação estiver < 94%.
- Preparar e administrar medicamentos como ácido acetilsalicílico, nitratos e opioides, conforme prescrição.
- Manter o paciente em repouso e em posição confortável.
- Estar preparado para possíveis paradas cardiorrespiratórias.
Angina Instável
A angina instável é um quadro de dor torácica resultante da isquemia transitória do miocárdio. Diferentemente da angina estável, a instável ocorre em repouso, é mais intensa, prolongada e não responde bem à medicação.
Sinais e sintomas:
Dor no peito semelhante à do infarto, mas geralmente sem elevação de enzimas cardíacas. Pode ocorrer em repouso ou com esforço mínimo.
Cuidados de enfermagem:
- Avaliar a dor: início, localização, intensidade e fatores de alívio ou piora.
- Administrar nitratos sublinguais conforme prescrição.
- Monitorar ECG e sinais vitais.
- Preparar o paciente para exames como troponina e ecocardiograma.
Arritmias Cardíacas Graves
As arritmias são alterações no ritmo dos batimentos cardíacos. Elas podem ser rápidas (taquiarritmias), lentas (bradiarritmias) ou irregulares. Algumas arritmias, como fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso, são emergências que levam à parada cardíaca.
Sinais e sintomas:
Palpitações, tontura, síncope, dor no peito, falta de ar e, em casos graves, perda de consciência.
Cuidados de enfermagem:
- Monitorização cardíaca contínua.
- Reconhecer rapidamente sinais de instabilidade hemodinâmica.
- Auxiliar em procedimentos como cardioversão elétrica ou uso de marcapasso, se necessário.
- Manter materiais de reanimação prontos.
Insuficiência Cardíaca Aguda
Na insuficiência cardíaca aguda, o coração não consegue bombear sangue de forma eficaz, causando acúmulo de líquido nos pulmões e em outros tecidos. Pode ser descompensada por infarto, arritmias, hipertensão, infecções ou má adesão ao tratamento.
Sinais e sintomas:
Dispneia súbita, ortopneia, tosse com expectoração espumosa, taquicardia, crepitações pulmonares, confusão mental e sinais de hipoperfusão.
Cuidados de enfermagem:
- Posicionar o paciente com o dorso elevado (Fowler).
- Administrar oxigênio e monitorar a saturação.
- Realizar controle rigoroso de balanço hídrico.
- Verificar sinais de congestão pulmonar e periférica.
- Auxiliar na administração de diuréticos e vasodilatadores.
Dissecção Aguda da Aorta
Essa é uma condição rara e extremamente grave, caracterizada pela ruptura na camada interna da aorta, criando um falso trajeto para o sangue. Pode ocorrer em pacientes com hipertensão mal controlada ou doenças do tecido conjuntivo.
Sinais e sintomas:
Dor torácica súbita e intensa, descrita como “em facada” ou “rasgando”, podendo irradiar para as costas, abdome ou membros. Pode haver diferença de pulsos entre os braços e sinais de choque.
Cuidados de enfermagem:
- Reconhecer imediatamente os sinais e acionar a equipe médica.
- Monitorar pressão arterial e manter controle rigoroso da dor.
- Preparar para exames como tomografia e possível cirurgia emergencial.
- Manter via venosa calibrosa e acesso a medicações intravenosas.
Crise Hipertensiva
A crise hipertensiva é uma elevação súbita e grave da pressão arterial, que pode ser uma urgência ou uma emergência.
- Urgência Hipertensiva: Pressão arterial muito alta, mas sem lesão aguda de órgão-alvo (cérebro, coração, rins). O objetivo é reduzir a pressão em algumas horas, geralmente com medicação oral.
- Emergência Hipertensiva: Pressão arterial muito alta, com lesão aguda e progressiva de órgão-alvo. Exige redução imediata da pressão arterial, geralmente com medicação intravenosa, para evitar danos irreversíveis.
- Sintomas Comuns: Cefaleia intensa, dor no peito, falta de ar, alterações visuais, confusão mental, náuseas, vômitos. Os sintomas dependem do órgão que está sendo mais afetado.
- Cuidados de Enfermagem:
- Monitorização: Aferição frequente da pressão arterial (a cada 5-15 minutos em emergências), monitorização cardíaca.
- Administração de Medicações: Administrar anti-hipertensivos IV de ação rápida (como Nitroprusseto de Sódio, Labetalol, Hidralazina) conforme prescrição, titulando a dose para atingir o alvo de pressão.
- Acesso Venoso: Garantir acesso venoso calibroso.
- Controle de Sintomas: Aliviar a dor e o desconforto.
- Educação: Orientar o paciente e a família sobre a importância da adesão ao tratamento e do controle da pressão arterial.
Tromboembolismo Pulmonar (TEP) Maciço
O TEP ocorre quando um coágulo sanguíneo (geralmente formado nas pernas, em uma trombose venosa profunda – TVP) se desprende e viaja até os pulmões, bloqueando as artérias pulmonares. Um TEP “maciço” é uma emergência pois causa um impacto significativo no coração e na oxigenação.
Sintomas Comuns:
Dispneia súbita e intensa (geralmente sem causa aparente), dor torácica aguda (que piora ao respirar fundo), tosse (às vezes com sangue), taquicardia, tontura e ansiedade. Em casos graves, pode levar a choque e parada cardíaca.
- Cuidados de Enfermagem:
- Oxigenoterapia: Administração de oxigênio suplementar.
- Monitorização: Sinais vitais, SatO2, monitorização cardíaca.
- Acesso Venoso: Acesso para medicação e exames.
- Preparo para Anticoagulação/Trombolíticos: Administrar anticoagulantes (heparina) ou, em casos graves, trombolíticos (medicamentos que dissolvem o coágulo) conforme prescrição.
- Posicionamento: Confortar o paciente em posição que facilite a respiração.
O Enfermeiro no Epicentro da Emergência Cardiológica: Agilidade e Conhecimento
Em qualquer uma dessas emergências, o enfermeiro é a primeira linha de defesa. Nossa capacidade de realizar uma avaliação rápida e precisa, iniciar as intervenções de enfermagem protocolares, administrar medicações com segurança, monitorar o paciente de perto e comunicar-se efetivamente com a equipe médica pode ser a diferença entre a vida e a morte.
O conhecimento dessas patologias e a prática constante dos protocolos de emergência são essenciais para um atendimento de excelência.
Referências:
- AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). ACLS: Suporte Avançado de Vida em Cardiologia: Manual do Participante. Dallas, TX: AHA, 2020. (Consultar capítulos sobre síndromes coronarianas agudas, insuficiência cardíaca, arritmias e emergências hipertensivas).
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretriz de Emergências Cardiovasculares – 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, São Paulo, v. 116, n. 4, p. 869-913, abr. 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/S8fW4zY9wJ5c7bT3tV2xG7/?lang=pt.
- BRUNNER, Lillian S. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. Disponível em: https://www.elsevier.com/pt-br/books/tratado-de-enfermagem-medico-cirurgica/brunner/9788535284957
- SMELTZER, Suzanne C.; BARE, Brenda G. Enfermagem médico-cirúrgica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. Disponível em: https://www.livrariakoogan.com.br/enfermagem-medico-cirurgica-2v-9788527732653
-
SILVA, Cláudia Maria S. da et al. Enfermagem em emergência e terapia intensiva. São Paulo: Yendis, 2020. Disponível em: https://www.editorayendis.com.br/enfermagem-em-emergencia-e-terapia-intensiva









