Insuficiência Cardíaca Descompensada e a Classificação de Stevenson

insuficiência cardíaca descompensada (ICD)

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 18/10/2026.

Na insuficiência cardíaca descompensada, a pressão arterial isolada não revela toda a gravidade do quadro. Um paciente pode manter a pressão aparentemente adequada e, ainda assim, apresentar congestão importante ou sinais de perfusão inadequada. A classificação de Stevenson ajuda a organizar essa avaliação à beira do leito, combinando dois aspectos: presença de congestão e qualidade da perfusão periférica.

Os quatro perfis hemodinâmicos

A classificação combina os termos “quente” e “frio”, relacionados à perfusão, com “seco” e “úmido”, que indicam ausência ou presença de congestão clínica.

  • Perfil A — quente e seco: há perfusão preservada e ausência de sinais relevantes de congestão. É o perfil mais compensado entre os quatro, embora os sintomas e a causa da descompensação ainda precisem ser investigados.
  • Perfil B — quente e úmido: o paciente mantém perfusão periférica adequada, mas apresenta congestão, que pode se manifestar por dispneia, ortopneia, estertores, edema ou turgência jugular. É um perfil frequente na insuficiência cardíaca aguda.
  • Perfil L — frio e seco: existem sinais de hipoperfusão sem congestão evidente. Extremidades frias, redução da diurese, alteração do estado mental e pressão de pulso estreita podem levantar suspeita, mas devem ser interpretados em conjunto com os demais achados.
  • Perfil C — frio e úmido: coexistem congestão e hipoperfusão. É um perfil de maior preocupação clínica, que exige avaliação rápida, monitorização estreita e investigação de possível choque cardiogênico. A classificação orienta a avaliação, mas não substitui o diagnóstico nem define, sozinha, a conduta terapêutica.

Como reconhecer a deterioração

Imagine um paciente internado por insuficiência cardíaca que começa a apresentar piora da falta de ar, edema crescente e extremidades frias. Mesmo que a pressão arterial ainda não esteja muito baixa, a combinação desses sinais deve chamar a atenção para possível congestão associada à hipoperfusão. Nessa situação, a equipe precisa comunicar a mudança clínica e ampliar a avaliação sem esperar que a hipotensão se instale.

Tratamento: o perfil orienta, mas não prescreve

O tratamento depende do perfil hemodinâmico, da pressão arterial, da função renal, da causa da descompensação e da resposta clínica. Diuréticos intravenosos são frequentemente utilizados quando existe congestão; vasodilatadores podem ser considerados em pacientes selecionados, conforme a pressão arterial e o quadro clínico. Já a hipoperfusão exige investigação cuidadosa: administrar fluidos ou iniciar inotrópicos sem avaliar a situação pode agravar o quadro. Betabloqueadores e os demais medicamentos de manutenção também precisam ser revistos individualmente, conforme a estabilidade e as indicações clínicas.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem deve acompanhar pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória, saturação, nível de consciência, perfusão periférica, diurese e balanço hídrico. Também é importante observar a evolução da dispneia, a tolerância ao decúbito, os edemas e a resposta às intervenções prescritas, registrando tendências e comunicando alterações prontamente.

Em um cenário de UTI, por exemplo, a queda progressiva da diurese acompanhada de extremidades frias e sonolência merece atenção mesmo quando a saturação parece satisfatória. A avaliação conjunta dos sinais pode revelar deterioração circulatória que não seria identificada olhando apenas um parâmetro. Em caso de piora respiratória, alteração de consciência ou sinais de choque, deve ser acionada imediatamente a resposta clínica prevista no protocolo institucional.

Resumo para salvar

Stevenson: Identifique o Perfil Antes de Agir

  • A classificação combina congestão e perfusão
  • O perfil quente e úmido indica congestão com perfusão preservada
  • O perfil frio e úmido exige atenção imediata
  • A classificação orienta a avaliação, mas não substitui o julgamento clínico

Referências:

  1. HEIDENREICH, Paul A. et al. 2022 AHA/ACC/HFSA guideline for the management of heart failure. Journal of the American College of Cardiology, v. 79, n. 17, p. e263-e421, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jacc.2021.12.012.
  2. MANGINI, Sandrigo et al. Insuficiência cardíaca descompensada. Einstein (São Paulo), v. 11, n. 3, p. 383-391, 2013. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1679-45082013000300022. 
  3. MCDONAGH, Theresa A. et al. 2021 ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure. European Heart Journal, v. 42, n. 36, p. 3599-3726, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehab368. 
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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
✓ 16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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