O escore APACHE II (Acute Physiology and Chronic Health Evaluation II) é um sistema de classificação amplamente utilizado em unidades de terapia intensiva (UTIs) para avaliar a gravidade da doença em pacientes criticamente doentes. Ele permite estimar a probabilidade de morte hospitalar e auxiliar na tomada de decisões clínicas.
Como o APACHE II Funciona?
O escore APACHE II atribui pontos com base em diversos parâmetros fisiológicos, laboratoriais e condições crônicas do paciente. Esses pontos são somados, resultando em um escore final que se correlaciona com a gravidade da doença e o risco de morte.
Critérios de Coleta para o Cálculo do APACHE II
A coleta dos dados para o cálculo do APACHE II envolve a avaliação de diversos sistemas orgânicos e a realização de exames laboratoriais. Os principais critérios incluem:
- Dados demográficos: idade, sexo.
- Sinais vitais: temperatura, frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial média.
- Exames laboratoriais: níveis séricos de sódio, potássio, ureia, creatinina, glicose, hematócrito, leucócitos.
- Função neurológica: nível de consciência, presença de déficits neurológicos.
- Função respiratória: necessidade de ventilação mecânica, uso de oxigênio suplementar, PaO2/FiO2.
- Função cardiovascular: presença de arritmias, uso de drogas vasoativas, pressão arterial sistólica.
- Função renal: taxa de filtração glomerular estimada (TFGe).
- Condições crônicas: doenças pré-existentes como diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), insuficiência cardíaca, etc.
É importante ressaltar que o cálculo do APACHE II deve ser realizado por profissionais de saúde qualificados e com experiência em terapia intensiva, pois exige conhecimento técnico e interpretação dos dados.
Utilidades do Escore APACHE II
- Estimação do risco de morte: permite prever a probabilidade de óbito hospitalar, auxiliando no planejamento terapêutico.
- Comparação de grupos de pacientes: possibilita comparar a gravidade de diferentes grupos de pacientes, como aqueles submetidos a diferentes tratamentos.
- Avaliação da qualidade da assistência: pode ser utilizado para avaliar a qualidade da assistência prestada em unidades de terapia intensiva.
- Alocação de recursos: ajuda na alocação de recursos, como leitos de UTI e pessoal especializado.
Limitações do Escore APACHE II
Apesar de ser uma ferramenta valiosa, o APACHE II apresenta algumas limitações:
- Heterogeneidade dos pacientes: a gravidade da doença pode variar significativamente entre os pacientes, mesmo com o mesmo escore APACHE II.
- Mudanças ao longo do tempo: o estado clínico do paciente pode mudar rapidamente, tornando o escore APACHE II obtido no momento da admissão menos preciso para prever o desfecho a longo prazo.
- Não considera todos os fatores: o APACHE II não considera todos os fatores que podem influenciar o prognóstico do paciente, como comorbidades complexas e respostas individuais ao tratamento.
A importância dos enfermeiros no cálculo do APACHE II
Os enfermeiros desempenham um papel crucial na coleta de dados para o cálculo do APACHE II. Isso porque eles são os profissionais que estão em contato mais próximo com o paciente, realizando a monitorização contínua dos sinais vitais, avaliações físicas e acompanhamento dos exames laboratoriais.
Por que os enfermeiros devem conhecer o APACHE II?
- Melhor compreensão da gravidade do paciente: Ao participar do cálculo do APACHE II, os enfermeiros adquirem uma visão mais clara da gravidade da condição clínica do paciente, o que os ajuda a priorizar os cuidados.
- Planejamento da assistência: O escore APACHE II auxilia no planejamento da assistência, permitindo que os enfermeiros antecipam as necessidades do paciente e ajustam os cuidados de acordo com a gravidade da doença.
- Comunicação com a equipe multiprofissional: O conhecimento do APACHE II facilita a comunicação com outros membros da equipe, como médicos e fisioterapeutas, permitindo uma abordagem mais integrada e eficaz.
- Avaliação da evolução do paciente: Ao calcular o APACHE II periodicamente, os enfermeiros podem acompanhar a evolução do paciente e identificar sinais de melhora ou deterioração.
Desafios e considerações
- Carga de trabalho: A coleta de dados para o cálculo do APACHE II pode aumentar a carga de trabalho dos enfermeiros, especialmente em unidades com alta demanda.
- Treinamento: É fundamental que os enfermeiros recebam treinamento adequado para a coleta correta dos dados e o cálculo do escore APACHE II.
- Atualização: O escore APACHE II pode ser complexo e sujeito a atualizações. É importante que os enfermeiros estejam sempre atualizados sobre as últimas versões e modificações.
Referências:
- COREN-SP
-
Freitas, Eliane Regina Ferreira Sernache de; Perfil e gravidade dos pacientes das unidades de terapia intensiva: aplicação prospectiva do escore APACHE II. Rev. Latino-Am. Enfermagem [Internet]. mai-jun 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rlae/a/G4GDSjjJfFRfvHy76XGRtXw/?format=pdf&lang=pt









