
Vá direto ao ponto!
- 1. Por que essa atualização foi necessária?
- 2. Qual o novo valor para temperatura em crianças?
- 3. Como a enfermagem deve agir?
- 3.1. Avaliação do conforto da criança
- 3.2. Medição adequada da temperatura
- 3.3. Critérios para administração de antitérmicos
- 3.4. Suporte geral
- 3.5. Orientação e registro
- 3.6. Casos de alerta
Recentemente, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) atualizou suas diretrizes para a abordagem da febre em crianças, trazendo clarezas importantes que impactam diretamente a prática clínica, o manejo de sintomas e a segurança na assistência em enfermagem.
Neste artigo, vamos explorar o que mudou, como interpretar os novos parâmetros e quais condutas de enfermagem são indicadas com base nas recomendações oficiais publicadas em maio de 2025.
Por que essa atualização foi necessária?
A febre é o sintoma que mais frequentemente motiva as famílias a procurarem atendimento pediátrico – estima-se que apareça em 20% a 30% das consultas.
No entanto, muitas vezes a febre é entendida de maneira equivocada, gerando ansiedade desnecessária. A SBP percebeu esse cenário e repensou as orientações, valorizando o conforto da criança em vez de um valor numérico, apontando que:
- Febre não é doença, e sim um sinal de que há algo acontecendo.
- Não há número de termômetro que defina quando medicar — o critério principal é o desconforto da criança .
Qual o novo valor para temperatura em crianças?
As faixas de referência para definição de febre foram mantidas como:
- Axilar: > 37,5 °C
- Auricular: acima de 37,8 °C a 38 °C
- Oral: acima de 37,5 °C a 37,8 °C
- Retal: acima de 38 °C a 38,3 °C
A grande mudança, porém, está na orientação de quando usar antitérmicos. A SBP reforça que:
- Os antitérmicos (paracetamol, ibuprofeno e dipirona) devem ser usados quando a febre vier acompanhada de desconforto significativo — como irritabilidade intensa, recusa alimentar, sono prejudicado, fraqueza ou alteração no comportamento/nível de atividade.
- Não se deve administrar baseado apenas em um número (por exemplo, 38 °C ou 39 °C), mas sim observando o quadro clínico global .
Como a enfermagem deve agir?
Avaliação do conforto da criança
O enfermeiro deve avaliar se a criança está com sinais de desconforto ou mudança de comportamento — choro persistente, inapetência, indisposição, sono excessivo ou agitação. Esses sinais valem mais do que a febre isolada.
Medição adequada da temperatura
A SBP recomenda:
- Termômetro digital axilar em todas as idades;
- Termômetro auricular (infravermelho) para crianças acima de 1 mês.
Evitar o uso de termômetros de mercúrio por risco de contaminação.
Critérios para administração de antitérmicos
O enfermeiro segue a prescrição considerando:
- Se a criança demonstra mal-estar significativo
- Optar por aplicar apenas um antitérmico, não alternar entre eles, evitando riscos de dosagem incorreta.
Suporte geral
- Manter boa hidratação, oferecer líquidos com frequência
- Aliviar o desconforto sem necessariamente medicar (retirar agasalhos, favorecer ventilação ambiente)
- Acompanhar sinais vitais: frequência cardíaca, respiratória, enchimento capilar, estado de hidratação e saturação de oxigênio.
Orientação e registro
- Explicar à família que febre é um sinal de alerta, não o diagnóstico
- Orientar sobre sinais de alarme (irritabilidade intensa, apatia, vômitos persistentes, dificuldade respiratória)
- Registrar detalhadamente: valores, sintomas associados e condutas
Casos de alerta
A SBP destaca que, além da febre, a atenção deve recair para:
- Crianças menores de 3 meses com febre ≥ 38 °C ou temperatura ≤ 35,5 °C
- Qualquer idade com distúrbio grave no estado geral, sinais neurológicos, dificuldade respiratória, vômitos persistentes ou sinais de desidratação.
Nesses casos, a internação e investigação rápida são indicadas.
A atualização da SBP representa um avanço importante: tirar o foco do termômetro e colocar no bem-estar da criança. Isso ajuda a reduzir a “febrefobia”, diminui o uso desnecessário de medicamentos e reforça o papel essencial da enfermagem na avaliação completa do paciente pediátrico.
Para estudantes e profissionais de enfermagem, esse novo entendimento é um convite para atuar com mais sensibilidade, técnica e segurança — adotando um cuidado verdadeiramente centrado na criança.
Referências:
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Infectologia. Abordagem da Febre Aguda em Pediatria e Reflexões sobre a febre nas arboviroses. Rio de Janeiro: SBP, 16 maio 2025. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2025/maio/16/24896f-DC_-Abordag_Febre_Aguda_em_Pediatria_e_Reflexoes_VIRTUAL.pdf
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Manejo da febre aguda. Rio de Janeiro: SBP, 2021. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/23229c-DC_Manejo_da_febre_aguda.pdf
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. “Febre: cuidado com a febrefobia”. Rio de Janeiro: SBP, 2025. Disponível em: https://www.sbp.com.br/pediatria-para-familias/cuidados-com-a-saude/febre-cuidado-com-a-febrefobia/
Terapia de Reidratação Oral (TRO)
Faltou algum tema ou procedimento?
Conta pra gente qual assunto você quer ver esmiuçado e transformado em ilustração no próximo post!
Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

Você precisa fazer login para comentar.