Métodos Contraceptivos: tipos, funcionamento e o papel da enfermagem na orientação e no cuidado

Os métodos contraceptivos fazem parte da saúde sexual e reprodutiva e são fundamentais para o planejamento familiar. Eles permitem que indivíduos e casais decidam se desejam ter filhos, quando desejam e em quais condições. Além de prevenir a gravidez não planejada, alguns métodos também ajudam a prevenir infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) ou a tratar determinadas condições ginecológicas.

Para estudantes e profissionais de enfermagem, compreender os diferentes métodos contraceptivos, seus mecanismos de ação, eficácia, indicações e contraindicações é essencial. A enfermagem tem papel importante na orientação do paciente, na educação em saúde e no acompanhamento do uso correto desses métodos.

Esta publicação apresenta uma visão completa e didática sobre todos os principais métodos contraceptivos utilizados atualmente.

O que são métodos contraceptivos?

Os métodos contraceptivos são estratégias utilizadas para evitar a gravidez. Eles atuam de diferentes maneiras, como impedir a ovulação, dificultar a passagem dos espermatozoides, impedir a fecundação ou evitar a implantação do embrião no útero.

A escolha do método ideal depende de diversos fatores, incluindo idade, estado de saúde, frequência de relações sexuais, desejo de fertilidade futura, facilidade de acesso ao método e preferências pessoais.

Classificação dos métodos contraceptivos

De maneira geral, os métodos contraceptivos podem ser classificados em cinco grandes grupos:

  • métodos comportamentais ou naturais;
  • métodos de barreira;
  • métodos hormonais;
  • dispositivos intrauterinos;
  • métodos definitivos (cirúrgicos).

Cada um desses grupos apresenta características específicas, vantagens, limitações e diferentes níveis de eficácia.

Métodos contraceptivos naturais ou comportamentais

Os métodos naturais baseiam-se na observação do ciclo menstrual da mulher e na identificação do período fértil. Durante esse período, o casal evita relações sexuais ou utiliza outro método de proteção. Um dos mais conhecidos é o método do calendário ou tabelinha. Ele consiste em calcular os dias férteis com base na duração do ciclo menstrual.

Outro método é o da observação do muco cervical, conhecido como método de Billings. Durante o período fértil, o muco vaginal torna-se mais transparente, elástico e abundante. Também existe o método da temperatura basal, que envolve a medição diária da temperatura corporal ao acordar. Pequenas variações podem indicar a ovulação.

Embora esses métodos não envolvam medicamentos ou dispositivos, eles apresentam maior taxa de falha quando comparados a outros métodos contraceptivos.

Métodos de barreira

Os métodos de barreira impedem fisicamente que os espermatozoides alcancem o óvulo.

Preservativo masculino

O preservativo masculino é um dos métodos mais utilizados no mundo. Ele é uma capa fina de látex ou poliuretano que recobre o pênis durante a relação sexual. Além de prevenir a gravidez, ele é o único método que também protege contra infecções sexualmente transmissíveis, como HIV, sífilis, gonorreia e clamídia.

Preservativo feminino

O preservativo feminino é um dispositivo de poliuretano que é inserido na vagina antes da relação sexual. Ele funciona como uma barreira física, impedindo o contato direto entre espermatozoides e o colo do útero.

Diafragma

O diafragma é uma estrutura flexível em forma de cúpula que é colocada dentro da vagina, cobrindo o colo do útero. Ele costuma ser utilizado em associação com espermicidas para aumentar a eficácia.

Métodos hormonais

Os métodos hormonais utilizam hormônios sintéticos semelhantes aos hormônios naturais femininos. Eles atuam principalmente impedindo a ovulação, alterando o muco cervical e modificando o endométrio.

Pílula anticoncepcional

A pílula anticoncepcional é um dos métodos mais conhecidos. Ela pode ser combinada (estrogênio e progesterona) ou conter apenas progesterona. Quando usada corretamente, apresenta alta eficácia na prevenção da gravidez.

Injeção anticoncepcional

As injeções hormonais podem ser mensais ou trimestrais. Elas liberam hormônios que impedem a ovulação e tornam o muco cervical mais espesso.

Implante subdérmico

O implante contraceptivo é um pequeno bastão colocado sob a pele do braço. Ele libera progesterona lentamente e pode durar até três anos.

Adesivo anticoncepcional

O adesivo transdérmico é colocado sobre a pele e libera hormônios que são absorvidos pela corrente sanguínea.

Anel vaginal

O anel vaginal é inserido dentro da vagina e libera hormônios de forma contínua durante aproximadamente três semanas.

Dispositivos intrauterinos (DIU)

Os dispositivos intrauterinos são pequenos dispositivos colocados dentro do útero por profissionais treinados.

DIU de cobre

O DIU de cobre não contém hormônios. Ele libera íons de cobre que criam um ambiente hostil para os espermatozoides, dificultando a fecundação. Pode permanecer no útero por até dez anos.

DIU hormonal

O DIU hormonal libera pequenas quantidades de progesterona dentro do útero. Isso espessa o muco cervical, reduz o crescimento do endométrio e pode diminuir o fluxo menstrual. Sua duração varia entre três e cinco anos, dependendo do modelo.

Métodos contraceptivos de emergência

A contracepção de emergência é utilizada após uma relação sexual desprotegida ou quando há falha do método contraceptivo. A principal forma é a pílula do dia seguinte, que deve ser tomada preferencialmente nas primeiras 24 horas após a relação, embora possa ser eficaz até 72 horas ou mais, dependendo do tipo.

Também é possível utilizar o DIU de cobre como método de emergência em até cinco dias após a relação.

Métodos contraceptivos definitivos

Os métodos definitivos são cirurgias realizadas para impedir permanentemente a fertilidade.

Laqueadura tubária

A laqueadura consiste na interrupção das trompas uterinas, impedindo que o óvulo encontre os espermatozoides.

Vasectomia

A vasectomia é realizada no homem e consiste na interrupção dos canais deferentes, impedindo que os espermatozoides sejam liberados durante a ejaculação. Ambos os métodos são considerados permanentes e indicados para pessoas que têm certeza de que não desejam mais filhos.

Eficácia dos métodos contraceptivos

A eficácia de um método contraceptivo depende de dois fatores principais: o tipo de método e o uso correto. Métodos de longa duração, como DIU e implantes, apresentam taxas de falha muito baixas. Já métodos comportamentais apresentam taxas maiores de falha. O preservativo, quando utilizado corretamente em todas as relações, apresenta boa eficácia e ainda oferece proteção contra ISTs.

Cuidados de enfermagem na orientação sobre métodos contraceptivos

A enfermagem tem papel fundamental na educação em saúde e no planejamento familiar. Durante as consultas de enfermagem, é importante avaliar o histórico de saúde do paciente, idade, condições clínicas, uso de medicamentos e preferências pessoais.

A orientação deve ser clara, respeitando aspectos culturais e individuais, e sempre enfatizando o uso correto do método escolhido. Também é importante reforçar que apenas o preservativo oferece proteção contra infecções sexualmente transmissíveis. A enfermagem pode atuar ainda na inserção de dispositivos intrauterinos, no acompanhamento do uso de métodos hormonais e na identificação precoce de efeitos adversos.

Outro cuidado essencial é promover o acesso à informação e incentivar decisões informadas e conscientes sobre a saúde reprodutiva.

Assistência de Enfermagem e o Índice de Pearl

Para discutir eficácia com o paciente, o estudante de enfermagem deve conhecer o Índice de Pearl, que calcula o número de falhas de um método em 100 mulheres durante um ano de uso. A fórmula é:

Quanto menor o Índice de Pearl, mais seguro é o método.

Cuidados de Enfermagem na Consulta de Planejamento Familiar:

  • Anamnese detalhada: Identificar fatores de risco cardiovascular, hábitos de vida e histórico familiar.
  • Exame físico: Aferição da pressão arterial (crucial para métodos hormonais) e exame de mamas.
  • Educação em saúde: Explicar os efeitos colaterais comuns, como escape (spotting), náuseas ou sensibilidade mamária, para evitar que a paciente abandone o método por medo.
  • Aconselhamento sobre ISTs: Reforçar que apenas a camisinha previne infecções, independentemente do método anticoncepcional usado.
  • Registro e seguimento: Agendar retornos para avaliar a adaptação e a satisfação do paciente com a escolha.

Os métodos contraceptivos são ferramentas fundamentais para o planejamento familiar e para a promoção da saúde sexual e reprodutiva. Cada método possui características próprias, vantagens e limitações, e a escolha deve ser individualizada.

A enfermagem desempenha um papel central nesse processo, oferecendo orientação qualificada, acompanhamento contínuo e apoio na tomada de decisões.

Conhecer profundamente os diferentes métodos contraceptivos permite que o profissional de enfermagem contribua de forma efetiva para a prevenção da gravidez não planejada e para a promoção da saúde.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção básica: saúde sexual e saúde reprodutiva. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. (Cadernos de Atenção Básica, n. 26). Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/
  2. FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). Manual de Anticoncepção. São Paulo: FEBRASGO, 2021. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/
  3. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Critérios médicos de elegibilidade para uso de métodos anticoncepcionais. 5. ed. Genebra: OMS, 2015. Disponível em: https://www.who.int/pt/publications/i/item/9789241549158
  4. TAMEZ, Eloísa A.; SILVA, Maria Jones P. Enfermagem na Assistência à Saúde Reprodutiva. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.
  5. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Family planning: a global handbook for providers. Geneva: WHO, 2022. Disponível em: https://www.who.int 
  6. FEBRASGO – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Manual de anticoncepção. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br
  7. HOFFMAN, B. L. et al. Williams Ginecologia. 4. ed. Porto Alegre: AMGH, 2021.

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