Regiões e Quadrantes Abdominais, sabe localizar?

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 11/09/2026.

Na avaliação abdominal, dizer apenas “o paciente está com dor na barriga” fornece pouca informação. Quando a dor é registrada como quadrante inferior direito, epigástrio ou hipocôndrio esquerdo, a comunicação fica muito mais precisa e ajuda a equipe a organizar o raciocínio clínico. É por isso que conhecer as divisões do abdome continua sendo básico para enfermagem.

Os 4 quadrantes do abdome

A divisão em quatro quadrantes é feita por duas linhas imaginárias que se cruzam no umbigo: uma vertical e outra horizontal. Assim, o abdome é dividido em quadrante superior direito (QSD), superior esquerdo (QSE), inferior direito (QID) e inferior esquerdo (QIE).

Essa divisão é especialmente prática para registrar dor, massas, distensão, alterações da parede abdominal e achados do exame físico. Importante: direita e esquerda são sempre as do paciente, não as do profissional que está à sua frente.

Quadrante Superior Direito — QSD

Inclui principalmente estruturas como fígado e vesícula biliar, além de partes do duodeno, cólon e intestino delgado. Dor nessa região pode ocorrer em diferentes condições hepatobiliares, gastrointestinais e até renais, portanto a localização ajuda a direcionar a avaliação, mas não fecha o diagnóstico.

Quadrante Superior Esquerdo — QSE

Relaciona-se principalmente ao estômago e baço, além de partes do pâncreas, cólon e intestino delgado.

Quadrante Inferior Direito — QID

Contém estruturas como ceco e apêndice, além de segmentos do intestino delgado, cólon, ureter e, nas mulheres, estruturas anexiais. A dor nessa região pode ter origem gastrointestinal, urinária ou ginecológica.

Quadrante Inferior Esquerdo — QIE

Inclui principalmente segmentos do cólon, além de alças intestinais, ureter e estruturas pélvicas. A localização da dor precisa ser interpretada junto à idade, sexo, sintomas associados e exame físico.

As 9 regiões abdominais

Quando é necessária uma localização anatômica mais detalhada, utiliza-se a divisão em nove regiões. Elas são organizadas em três níveis:

  • Superior: hipocôndrio direito, epigástrio e hipocôndrio esquerdo.
  • Médio: região lombar direita, região umbilical e região lombar esquerda.
  • Inferior: região ilíaca direita, hipogástrio e região ilíaca esquerda.

Essa nomenclatura é útil tanto para o ensino da anatomia quanto para descrever achados do exame físico e documentar alterações encontradas durante a assistência.

O que costuma aparecer em cada região?

No hipocôndrio direito, destacam-se fígado e vesícula biliar. No epigástrio, encontram-se estruturas como estômago, duodeno, pâncreas e parte do fígado. No hipocôndrio esquerdo, destacam-se baço e parte do estômago e do cólon.

Nas regiões lombares, encontram-se principalmente segmentos do cólon e os rins em posição posterior. A região umbilical contém grande quantidade de intestino delgado. Já nas regiões ilíacas, encontram-se porções do intestino grosso e estruturas pélvicas; o hipogástrio também se relaciona com bexiga, cólon sigmoide e órgãos reprodutivos.

Um ponto importante para a prova e para a prática: os órgãos não ficam confinados perfeitamente dentro de um quadrante ou região. O fígado, por exemplo, ocupa predominantemente o lado direito, mas também se estende para a região superior esquerda. Portanto, a localização da dor funciona como uma referência anatômica, não como um mapa diagnóstico absoluto.

Como isso aparece na enfermagem?

Imagine um paciente que informa “dor abdominal”. Durante a avaliação, ele aponta especificamente para o quadrante inferior direito. Essa informação é muito mais útil para o registro e para a comunicação com a equipe do que simplesmente anotar “dor abdominal”, principalmente se houver mudança na intensidade, vômitos, febre ou alteração do estado geral.

O mesmo raciocínio vale para um paciente no pós-operatório. Ao observar uma incisão ou um dreno localizado no quadrante superior direito, registrar exatamente a localização facilita a comparação entre avaliações e reduz ambiguidades na comunicação. A documentação de achados por regiões anatômicas faz parte de uma avaliação abdominal sistemática.

Quadrantes não substituem o exame abdominal

A divisão anatômica é apenas uma ferramenta dentro da semiologia. A avaliação abdominal deve integrar inspeção, ausculta, percussão e palpação, considerando também dor, distensão, massas, cicatrizes, estomas, drenos e alterações da parede abdominal.

Por exemplo, identificar dor no QIE é apenas o primeiro dado. Se o paciente também apresenta distensão, alteração do hábito intestinal, febre e dor à palpação, o conjunto passa a ter muito mais relevância clínica. O profissional deve registrar os achados de forma objetiva e comunicar alterações relevantes conforme o quadro.

Cuidados de enfermagem

Na avaliação, mantenha o paciente em posição confortável, exponha adequadamente o abdome, preserve a privacidade e observe contorno, simetria, cicatrizes, abaulamentos, lesões, drenos e estomas. A localização de dor ou alterações deve ser registrada utilizando quadrantes ou regiões de forma clara.

Durante o exame abdominal, lembre-se de que a ausculta deve preceder a palpação, pois a manipulação do abdome pode modificar os ruídos intestinais. Dor intensa ou progressiva, rigidez, defesa involuntária, distensão importante, vômitos persistentes, sangramento gastrointestinal ou instabilidade hemodinâmica exigem atenção imediata e comunicação à equipe.

Para memorizar rapidamente

  • 4 quadrantes: QSD, QSE, QID e QIE.
  • 9 regiões: hipocôndrio direito, epigástrio, hipocôndrio esquerdo, lombar direita, umbilical, lombar esquerda, ilíaca direita, hipogástrio e ilíaca esquerda.

A regra mais importante é simples: quadrantes e regiões servem para localizar e comunicar achados com precisão. Eles ajudam o profissional a organizar o exame, mas não devem ser usados isoladamente para determinar a causa de uma dor ou alteração abdominal.

  • O abdome pode ser dividido em 4 quadrantes ou 9 regiões
  • Os quatro quadrantes são delimitados a partir do umbigo
  • As nove regiões permitem localização anatômica mais detalhada
  • A localização ajuda no exame e registro, mas não determina sozinha o diagnóstico

 

 

Referências:

  1. GOLDIN, J.; SODHANI, S. Abdominal Examination. StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2026. Disponível em: NCBI Bookshelf – Abdominal Examination.
  2. OPENSTAX. Medical Terminology for Healthcare Professions: Body Regions. Bethesda: National Library of Medicine, 2024. Disponível em: NCBI Bookshelf – Body Regions. 
  3. NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE. Chapter 12: Abdominal Assessment – Nursing Skills. Bethesda: NCBI Bookshelf. Disponível em: NCBI Bookshelf – Abdominal Assessment.
  4. TORONTO METROPOLITAN UNIVERSITY. Abdomen – Inspection. Introduction to Health Assessment for the Nursing Professional. 2024. Disponível em: TMU – Abdomen Inspection. 

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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
✓ 16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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