Paralisia de Bell: Quando Agir Rápido

Paralisia de Bell

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 10/10/2026.

Uma assimetria facial de início súbito exige avaliação imediata. Antes de atribuir a alteração à paralisia de Bell, é fundamental descartar um acidente vascular cerebral (AVC), porque o tempo até o atendimento pode mudar o desfecho do paciente.

O que é a paralisia de Bell?

A paralisia de Bell é uma fraqueza ou paralisia periférica, geralmente unilateral, do nervo facial (VII par craniano), sem causa identificada após avaliação clínica. A inflamação do nervo pode comprometer os movimentos da testa, o fechamento do olho e a expressão da boca. A maioria dos pacientes apresenta melhora progressiva, embora a recuperação possa levar semanas ou meses

Sinais que merecem atenção

Os sintomas podem surgir em horas ou evoluir ao longo de poucos dias. Entre os mais comuns estão queda de um lado da boca, dificuldade para sorrir, incapacidade de fechar completamente um olho, redução das rugas da testa, alteração do paladar, lacrimejamento ou ressecamento ocular e dor perto ou atrás da orelha.

Imagine um paciente que chega à unidade com a boca desviada e dificuldade para fechar o olho esquerdo. Na avaliação inicial, a equipe deve registrar o horário em que os sintomas começaram, verificar outros sinais neurológicos e acionar o protocolo institucional para suspeita de AVC quando indicado. A paralisia de Bell só deve ser considerada após avaliação clínica que descarte causas alternativas.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é clínico, baseado na história e no exame físico. Exames laboratoriais e de imagem não são necessários rotineiramente nos casos típicos, mas podem ser solicitados quando há sinais atípicos, recorrência ou suspeita de outra doença.

Os corticosteroides orais são o tratamento de primeira linha para adultos com paralisia de Bell e apresentam maior benefício quando iniciados nas primeiras 72 horas. Em determinadas situações, o médico pode associar um antiviral; seu uso isolado não é recomendado. A escolha do tratamento depende da avaliação clínica e das contraindicações de cada paciente.

Proteção ocular é prioridade

Quando o paciente não consegue fechar completamente a pálpebra, a córnea fica exposta e pode ressecar ou sofrer lesões. Por isso, lágrimas artificiais durante o dia, lubrificante ocular à noite e fechamento adequado da pálpebra durante o sono podem ser indicados pela equipe médica. Dor ocular, vermelhidão importante, sensibilidade à luz ou alteração visual exigem avaliação rápida.

Na prática assistencial, vale conferir se o paciente consegue fechar o olho sem esforço e se há sinais de irritação. Mesmo que a queixa principal seja a dificuldade para sorrir ou falar, a exposição ocular pode passar despercebida e precisa ser incluída na avaliação.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem deve observar e registrar o início e a evolução dos sinais, a simetria facial, a capacidade de fechar os olhos, a fala, a deglutição e outros déficits neurológicos. Diante de início súbito ou sinais compatíveis com AVC, deve-se priorizar o protocolo de emergência, sem atrasar o atendimento para realizar cuidados não urgentes.

Também é importante orientar a proteção ocular conforme prescrição, avaliar a segurança para alimentação e ingestão de líquidos quando houver dificuldade oral, administrar os medicamentos prescritos e reforçar o retorno diante de piora, sintomas oculares ou recuperação incompleta. Exercícios de reabilitação facial podem ser considerados em casos selecionados, preferencialmente com orientação profissional; massagens e exercícios não substituem o tratamento indicado.

Por exemplo, se o paciente relata que o olho fica aberto durante o sono, a orientação não deve se limitar a recomendar um tapa-olho. É necessário explicar a lubrificação e o fechamento seguro da pálpebra conforme orientação profissional, além de verificar se a pessoa compreendeu como proteger o olho em casa.

Recuperação e acompanhamento

Muitas pessoas recuperam grande parte ou toda a função facial, mas o tempo varia conforme a gravidade. Se os sintomas piorarem, surgirem novos sinais neurológicos ou houver queixas oculares, é necessária reavaliação. A recuperação incompleta após cerca de três meses também justifica avaliação especializada. O acompanhamento ajuda a identificar sequelas, como movimentos involuntários associados da face, e a definir a necessidade de reabilitação.

Resumo para salvar

Paralisia de Bell: Quando Agir Rápido

  • Fraqueza facial súbita exige avaliação imediata
  • É necessário descartar AVC e outras causas
  • Corticosteroides têm maior benefício nas primeiras 72 horas
  • A proteção ocular é essencial quando a pálpebra não fecha

Referências:

  1. BAUGH, Reginald F. et al. Clinical practice guideline: Bell’s palsy. Otolaryngology–Head and Neck Surgery, v. 149, n. 3, supl., p. S1–S27, 2013. Disponível em: https://doi.org/10.1177/0194599813505967.
  2. DALRYMPLE, Sarah N.; ROW, Jessica H.; GAZEW00D, John. Bell palsy: rapid evidence review. American Family Physician, v. 107, n. 4, p. 415–420, 2023. Disponível em: https://www.aafp.org/pubs/afp/issues/2023/0400/bell-palsy.html.
  3. NATIONAL HEALTH SERVICE (NHS). Bell’s palsy. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/bells-palsy/. 
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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
✓ 16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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