A dor torácica é um dos sintomas mais comuns e preocupantes na prática clínica, podendo indicar desde condições benignas até emergências graves, como infarto agudo do miocárdio.
Para auxiliar os profissionais de saúde no manejo adequado desses casos, o Ministério da Saúde desenvolveu um Protocolo de Manejo da Dor Torácica, disponível no portal Linhas de Cuidado.
Nesta publicação, vamos explorar as principais diretrizes desse protocolo e os cuidados de enfermagem essenciais para garantir um atendimento seguro e eficaz.
O Que é o Protocolo de Manejo da Dor Torácica?
O protocolo do Ministério da Saúde é um guia prático que orienta os profissionais de saúde no atendimento inicial de pacientes com dor torácica, desde a avaliação inicial até a tomada de decisões clínicas.
Ele visa identificar rapidamente as causas mais graves e encaminhar o paciente para o tratamento adequado.
Principais Causas de Dor Torácica
A dor torácica pode ter diversas origens, incluindo:
- Causas Cardíacas: Infarto agudo do miocárdio, angina, pericardite.
- Causas Pulmonares: Embolia pulmonar, pneumotórax, pneumonia.
- Causas Gastrointestinais: Refluxo gastroesofágico, esofagite.
- Causas Musculoesqueléticas: Costocondrite, lesões musculares.
- Causas Psicogênicas: Ansiedade, ataques de pânico.
Etapas do Protocolo de Manejo da Dor Torácica
- Avaliação Inicial
O primeiro passo é realizar uma avaliação rápida e sistemática para identificar sinais de gravidade.
- Sinais de Alerta:
- Dor intensa e prolongada (> 20 minutos).
- Sudorese, náuseas, falta de ar.
- História de doença cardíaca ou fatores de risco (hipertensão, diabetes, tabagismo).
- Anamnese e Exame Físico
- Anamnese: Investigar características da dor (localização, intensidade, irradiação, fatores de melhora/piora) e sintomas associados.
- Exame Físico: Avaliar sinais vitais (pressão arterial, frequência cardíaca, saturação de oxigênio) e ausculta cardíaca e pulmonar.
- Exames Complementares
- Eletrocardiograma (ECG): Para identificar sinais de isquemia ou infarto.
- Biomarcadores Cardíacos: Como troponina, para confirmar lesão miocárdica.
- Raio-X de Tórax: Para avaliar causas pulmonares.
- Classificação de Risco
O protocolo classifica os pacientes em três categorias de risco:
- Alto Risco: Sinais de infarto ou embolia pulmonar. Encaminhamento imediato para emergência.
- Risco Intermediário: Sintomas sugestivos, mas sem confirmação. Monitoramento e investigação adicional.
- Baixo Risco: Sintomas atípicos e sem sinais de gravidade. Conduta ambulatorial.
- Conduta e Encaminhamento
- Alto Risco: Encaminhamento imediato para unidade de emergência.
- Risco Intermediário: Monitoramento e exames complementares.
- Baixo Risco: Orientação e acompanhamento ambulatorial.
Cuidados de Enfermagem no Manejo da Dor Torácica
A equipe de enfermagem desempenha um papel crucial no atendimento de pacientes com dor torácica. Aqui estão os principais cuidados:
- Acolhimento e Estabilização
- Acolha o paciente com empatia e tranquilidade.
- Monitore sinais vitais e forneça oxigênio suplementar, se necessário.
- Administração de Medicamentos
- Nitratos: Para alívio da dor em casos de angina.
- Analgésicos: Como dipirona ou morfina, para dor intensa.
- AAS (Ácido Acetilsalicílico): Em casos suspeitos de infarto, conforme prescrição médica.
- Preparação para Exames
- Auxilie na realização do ECG e coleta de exames laboratoriais.
- Prepare o paciente para raio-X de tórax ou outros exames complementares.
- Monitoramento Contínuo
- Observe sinais de piora, como aumento da dor, sudorese ou alterações nos sinais vitais.
- Documente todas as intervenções e respostas do paciente.
- Educação do Paciente
- Explique os procedimentos e a importância do tratamento.
- Oriente sobre sinais de alerta e quando retornar ao serviço de saúde.
Dicas para a Equipe de Enfermagem
- Mantenha a Calma: Um atendimento tranquilo e organizado transmite segurança ao paciente.
- Trabalhe em Equipe: Colabore com médicos e outros profissionais para garantir um atendimento integrado.
- Atualize-se: Conheça os protocolos mais recentes e participe de treinamentos.
Referências:
- MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo de Manejo da Dor Torácica. Disponível em: https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/dor-toracica/unidade-de-atencao-primaria/manejo-inicial/.
- MINISTÉRIO DA SAÚDE. Avaliação e Conduta – Dor torácica. Disponível em: https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/dor-toracica/unidade-hospitalar/avaliacao-conduta/
- Protocolo de dor Torácica do Hospital Albert Einstein








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