Berotec Vs. Atrovent: Conheça as diferenças sutis!

Berotec Atrovent

Um dos medicamentos mais utilizados em setores ambulatoriais e hospitalares, o Berotec (Bromidato de Fenoterol) e o Atrovent (Brometo de Ipratrópio), são utilizados em conjunto com a finalidade de broncodilatação, mas precisamos saber que eles têm mecanismos de ação diferentes.

As Características Físicas destes medicamentos

Ainda um pouco confundido por algumas pessoas, precisamos notar algumas características físicas sutis destes medicamentos, começando pela embalagem, que alguns fabricantes produzem, acabam ficando muito parecida umas com as outras.

Temos que sempre ler a embalagem e comparar com a prescrição médica, isso é de praxe. Mas alguns médicos não dispõem dos nomes dos princípios ativos do Berotec e Atrovent, e muitos profissionais ainda não conseguem decifrar a diferença de uma para a outra.

Primeiramente observamos os segundos nomes destes princípios ativos: O Bromidato de Fenoterol, onde a palavra “Fenoterol” possui a primeira consoante, e podendo comparar com o nome comercial “Berotec”, que assim também provém de uma primeira consoante. Já o Brometo de Ipratrópio, onde a palavra “Ipratrópio” provém de uma primeira vogal, podendo ser comparada com a primeira vogal do nome comercial “Atrovent”, sendo uma da maneira muito utilizada pelos profissionais que assim memorizam estes medicamentos sem realizar a troca errônea das mesmas.

Todo frasco de Bromidato de Fenoterol apresentada sob frasco de 20 ml, contém 5mg por ml, ou seja, a cada 1 ml contém 5 miligramas desta solução.

Todo frasco de Brometo de Ipratrópio apresentada sob frasco de 20ml, contém 0,25mg por ml, ou seja, a cada 1 ml contém 0,25 miligramas desta solução. (Cada gota contém 0,0125 mg de brometo de ipratrópio (equivalente a 0,0101 mg de ipratrópio). 

As Características Farmacológicas destes Medicamentos

Ambos os medicamentos são broncodilatadores. Porém cada um age de uma maneira diferente no organismo:

O Fenoterol é um fármaco agonista de ação rápida do receptor β2 adrenérgico, com duração próxima a oito horas, muito utilizado nas crises asmáticas e em paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) severo.

O Ipratrópio é um fármaco anticolinérgico derivado da atropina e administrado por via de inalação como coadjuvante na broncodilatação para o tratamento de asma, bronquite e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), com o início de ação de normalmente de 15 a 30 minutos, dura entre três a cinco horas.

Porque a combinação de Berotec com Atrovent em alguns casos?

A combinação de Brometo de Fenoterol e Brometo de Ipratrópio (substância ativa) é destinado ao tratamento e profilaxia dos sintomas de limitação de fluxo de ar reversível nos distúrbios obstrutivos crônicos das vias respiratórias como asma brônquica e, sobretudo bronquite crônica, com ou sem enfisema pulmonar.

Deve-se considerar a adoção de um tratamento anti-inflamatório concomitante para pacientes com asma ou Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) que responda ao tratamento com esteroides.

Nos casos de bronco constrição aguda, o Fenoterol e o Ipratrópio exercem sua ação logo após a administração, sendo também apropriado para o tratamento de episódios de broncoespasmos.

O uso concomitante destes dois princípios ativos dilata os brônquios pela atuação em diferentes sítios de ação farmacológica. Deste modo, as duas substâncias ativas complementam-se mutuamente em sua ação sinérgica espasmolítica do músculo brônquico e permitem ampla utilização terapêutica nos distúrbios bronco pulmonares associados com constrição do trato respiratório.

A ação complementar é tal que permite a utilização de pequena quantidade do composto beta-adrenérgico para a obtenção do efeito desejado, sem potencializar as reações adversas, facilitando a individualização da dose para cada paciente.

Entendendo sobre a Inaloterapia

A Inaloterapia
Inaloterapia: fluidificação e broncodilatação.

A Inaloterapia também faz parte da Oxigenoterapia, mas objetiva-se em manter a umidade das vias aéreas adequadas, para a garantia de uma respiração apropriada, podendo ser subdividida em fluidificação e a broncodilatação.

É indicada para administração de medicamentos, principalmente os bronco dilatadores e os muco líticos, e ou para suplementar o oxigênio no sistema respiratório do paciente. Com o uso da Inaloterapia, pode-se mobilizar e fluidificar as secreções mucosas, aliviar o edema da mucosa, reduzir o broncoespasmo e até reduzir processos inflamatórios por nebulizações de antibióticos.

Na forma não invasiva, pode-se realizar a umidificação, administração de oxigênio e medicamentos por meio de nebulizações, por via de máscara inalatória, enquanto por via invasiva (paciente intubado ou traqueostomizado), deve-se utilizar um conector próprio ao circuito ventilatório, o conector MDI (Tubo “T”), conectando o frasco de inalação na terceira via do conector, sem perder a ventilação e não dar perdas ao paciente.

Os medicamentos também podem ser administrados por aerossóis propelidos a freon, um gás que gera alta pressão e produz uma névoa com a solução medicamentosa. Nas unidades de tratamento intensivo (UTIs), são utilizadas nebulizações contínuas para umidificar as vias aéreas e administrar oxigênio, principalmente para os pacientes que foram extubados e ainda apresentam valores diminuídos da pressão parcial de oxigênio, a hipoxemia.

A inaloterapia em geral pode provocar infecções ou superinfecções, em frequência maior que a suspeitada, por contaminação do equipamento (organismos gram-negativos) e pelas alterações na fagocitose e transporte provocados pelo oxigênio em alta tensão.

COMO REALIZAR A INALOTERAPIA?

Materiais necessários para o procedimento:

  • Bandeja;
  • Inalador;
  • Fluxômetro,
  • SF 0,9% ou Água (AD);
  • Medicamento prescrito.

Realizando o procedimento em método não invasivo:

  1. Higienizar como Mãos;
  2. Conferir a prescrição e reunir todo o material e levar junto ao paciente;
  3. Colocar o SF 0,9% ou AD no reservatório do inalador e medicação;
  4. Orientar o paciente sobre o procedimento;
  5. Colocar o paciente em posição de “Fowler”;
  6. Montar o sistema e conectar o inalador a rede de oxigênio ou ar comprimido através do fluxômetro;
  7. Regular o fluxo de oxigênio ou ar comprimido de acordo com a prescrição através do fluxômetro, verificando se há saída de névoa do inalador;
  8. Colocar a máscara sobre a face do paciente delicadamente e orientá-lo a respirar tranquilamente;
  9. Manter a nebulização/inalação durante o tempo indicado e observar o paciente;
  10. Deixar o paciente do Confortável;
  11. Recolher o material para limpeza e guarda;
  12. Higienizar as mãos;
  13. Checar o Procedimento;
  14. Realizar Anotações de Enfermagem no Prontuário.

Realizando o procedimento em método invasivo:

  1. Higienizar como Mãos;
  2. Conferir a prescrição e reunir todo o material e levar junto ao paciente;
  3. Colocar o SF 0,9% ou AD no reservatório do inalador e medicação;
  4. Orientar o paciente sobre o procedimento caso o mesmo estiver consciente;
  5. Colocar o paciente em posição de “Fowler”;
  6. Montar o sistema e conectar o inalador a rede de oxigênio ou ar comprimido através do fluxômetro;
  7. Regular o fluxo de oxigênio ou ar comprimido de acordo com a prescrição através do fluxômetro, verificando se há saída de névoa do inalador;
  8. Instale o conector MDI (Tubo T) na saída do inalador, e desconecte o circuito do paciente, e rapidamente, conecte o tubo T já com a inalação ligada no tubo do paciente, e reconecte o circuito novamente junto ao tubo T (se o paciente obtiver de filtro bacteriológico no circuito, retire enquanto estiver realizando a inalação, pois a eficácia da medicação diminuirá com o filtro bacteriológico conectado ao paciente);
  9. Manter a nebulização/inalação durante o tempo indicado e observar o paciente, e após o término do mesmo, realizar a desconexão do inalador com o tubo T e instalar o filtro bacteriológico novamente, reconectando ao paciente rapidamente;
  10. Deixar o paciente do Confortável;
  11. Recolher o material para limpeza e guarda;
  12. Higienizar as mãos;
  13. Checar o Procedimento;
  14. Realizar Anotações de Enfermagem no Prontuário.