O que faz o Técnico de Enfermagem? A Verdade nua e crua

Você sonha em atuar na saúde, ajudar pessoas e usar o jaleco branco? O curso técnico de enfermagem é, para muitos, a porta de entrada para esse universo tão nobre e desafiador. Mas, para além das expectativas, o que realmente faz um técnico de enfermagem no dia a dia?

Se você está pensando em seguir essa carreira, prepare-se para conhecer as verdades nuas e cruas sobre essa profissão que é a espinha dorsal de qualquer equipe de saúde.

Muito Além de “Aplicar Injeção”: Um Profissional Multitarefas

A imagem popular do técnico de enfermagem muitas vezes se resume a “aplicar injeção e medir pressão”. Embora essas sejam, sim, parte das atribuições, elas estão longe de definir a complexidade e a importância do trabalho desse profissional. O técnico de enfermagem é o profissional que está mais próximo do paciente na maior parte do tempo, executando uma vasta gama de tarefas essenciais para o cuidado e a recuperação.

O Dia a Dia na Prática: Uma Rotina Intensa e Dinâmica

A rotina de um técnico de enfermagem é tudo, menos monótona. Seja em um hospital, clínica, home care ou posto de saúde, cada dia traz novos desafios e a necessidade de jogo de cintura.

O Cuidador Direto: O Toque Humano que Faz a Diferença

Essa é a essência do técnico de enfermagem. O contato direto e contínuo com o paciente é a base do trabalho.

  • Higiene e Conforto: Realizar banho no leito ou no chuveiro, troca de fraldas e roupas de cama, hidratação da pele, e mudança de decúbito para prevenir úlceras por pressão. Parece simples, mas é fundamental para o conforto, dignidade e prevenção de complicações.
    • A verdade nua e crua: Prepare-se para lidar com fluidos corporais de todos os tipos – sangue, urina, fezes, vômito. Não é um trabalho para quem tem estômago fraco, mas é realizado com profissionalismo e respeito.
  • Alimentação: Auxiliar o paciente na alimentação (oral, por sonda), garantindo que ele receba os nutrientes necessários e que a dieta seja segura para sua condição.
    • A verdade nua e crua: Pacientes nem sempre têm apetite. Você precisará de paciência, criatividade e persistência para incentivá-los a comer, mesmo quando eles resistem.
  • Mobilidade: Auxiliar na deambulação (caminhada), transferência do leito para a cadeira e outros movimentos. Isso previne complicações como trombose e atrofia muscular.
    • A verdade nua e crua: Pacientes podem ser pesados, e você precisará usar seu corpo de forma inteligente e correta para evitar lesões em si mesmo. A ergonomia é sua melhor amiga!

O Braço Direito na Medicação e Procedimentos: Precisão é Lei

A administração de medicamentos e a realização de procedimentos técnicos são pilares do trabalho do técnico de enfermagem.

  • Administração de Medicamentos: Preparar e administrar medicamentos por diversas vias (oral, intramuscular, subcutânea, endovenosa), seguindo a prescrição e os “cinco certos” (paciente certo, medicamento certo, dose certa, via certa, hora certa).
    • A verdade nua e crua: Erros de medicação podem ser fatais. A atenção aos detalhes é obsessiva. Você precisará memorizar nomes, doses, vias e horários de muitos medicamentos e estar sempre atento às possíveis reações adversas.
  • Verificação de Sinais Vitais: Aferir pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória, temperatura e saturação de oxigênio. Registrar e comunicar alterações.
    • A verdade nua e crua: Nem sempre o paciente colabora. Crianças choram, idosos podem estar confusos. Você precisará de habilidade e sensibilidade para obter as informações precisas.
  • Coleta de Exames: Coletar sangue, urina, fezes e outras amostras para exames laboratoriais.
    • A verdade nua e crua: Encontrar uma veia em um paciente desidratado ou com acessos difíceis é um desafio constante. Você vai falhar algumas vezes, mas a prática leva à perfeição.
  • Curativos: Realizar curativos em feridas, desde as mais simples até as mais complexas, com técnica asséptica rigorosa.
    • A verdade nua e crua: Feridas podem ter odores fortes, secreções e tecidos que não são agradáveis de ver. Seu profissionalismo deve superar qualquer aversão.
  • Fornece materiais e assiste em Procedimentos Médicos: Prestar assistência ao médico e ao enfermeiro em procedimentos mais complexos, como sondagens, passagem de cateteres, punções, etc.
    • A verdade nua e crua: Em uma emergência, você precisará agir rápido e sob pressão, fornecendo materiais e antecipando as necessidades da equipe sem que peçam.

O Observador Atento e Comunicador Eficaz: Olhos e Voz do Cuidado

O técnico de enfermagem é, muitas vezes, o primeiro a notar uma mudança no estado do paciente.

  • Observação Contínua: Monitorar o paciente em busca de sinais de piora, melhora, dor, desconforto ou qualquer alteração em seu quadro clínico.
    • A verdade nua e crua: Você precisa desenvolver um “sexto sentido”. Aprender a ler as entrelinhas, a observar pequenas mudanças que indicam que algo não está bem. A intuição, aliada ao conhecimento, é um superpoder.
  • Registro das Anotações de Enfermagem: Documentar detalhadamente todas as observações, procedimentos realizados, intercorrências e respostas do paciente ao tratamento.
    • A verdade nua e crua: A anotação é sua prova do trabalho e sua segurança legal. Seja detalhista, claro e objetivo. Erros na anotação podem trazer problemas sérios.
  • Comunicação com a Equipe: Reportar ao enfermeiro e ao médico qualquer alteração relevante no estado do paciente ou qualquer intercorrência.
    • A verdade nua e crua: A comunicação é a chave para evitar erros. Você precisa ser assertivo, claro e direto ao repassar informações cruciais, mesmo quando a equipe está ocupada.

O Suporte Emocional: Além da Técnica, o Cuidado Humano

Não é uma atribuição formal, mas é inerente à profissão.

  • Apoio e Empatia: Oferecer conforto, escuta e apoio emocional aos pacientes e seus familiares, que muitas vezes estão em um momento de vulnerabilidade e medo.
    • A verdade nua e crua: Você vai lidar com dor, sofrimento, medo e, infelizmente, a morte. É preciso desenvolver inteligência emocional e resiliência para não se deixar consumir, mas também para não se tornar insensível.
  • Educação em Saúde Simples: Orientar o paciente e a família sobre cuidados básicos, higiene e aspectos do tratamento de forma acessível.
    • A verdade nua e crua: Você terá que explicar coisas complexas de forma simples, para que pessoas leigas compreendam. A paciência é uma virtude.

Não É Para Qualquer Um: O Perfil do Técnico de Enfermagem

Ser técnico de enfermagem é para quem tem:

  • Resiliência: A capacidade de se recuperar rapidamente de dificuldades. O ambiente de trabalho é estressante e exigente.
  • Empatia: A habilidade de se colocar no lugar do outro e compreender seus sentimentos.
  • Atenção aos Detalhes: A precisão é vital em cada procedimento.
  • Capacidade de Trabalhar em Equipe: A enfermagem é um trabalho colaborativo.
  • Forte Ética Profissional: O cuidado com a vida exige responsabilidade e integridade.
  • Saúde Física e Mental: O trabalho é fisicamente exigente e emocionalmente desgastante.

O Orgulho de Ser Técnico de Enfermagem: Uma Profissão Essencial

Sim, a realidade é desafiadora. O trabalho é cansativo, os plantões são longos e as emoções são intensas. Mas, ao final do dia, saber que você fez a diferença na vida de alguém, que aliviou uma dor, que cuidou com dignidade, que foi os olhos e as mãos de um paciente em um momento de fragilidade… essa é a recompensa que faz tudo valer a pena.

O técnico de enfermagem é a base da assistência, o contato mais humano e a linha de frente do cuidado. É uma profissão de heroísmo diário, muitas vezes invisível, mas absolutamente essencial.

Referências:

  1. BRASIL. Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da Enfermagem e dá outras providências. Brasília, DF: COFEN, 1986. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/lei-no-7-49886-de-25-de-junho-de-1986_4161.html.
  2. ERDMANN, A. L.; KOERICH, M. S.; LEITE, J. L. C. O Sistema de Saúde Brasileiro e o Papel do Enfermeiro: Uma Análise Reflexiva. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 66, n. 5, p. 770-774, set./out. 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/Wb6K7vQ8G6zX7pY3hR4c8b/?lang=pt.
  3. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar capítulos sobre as funções do profissional de enfermagem e os cuidados básicos).

Fatores de risco para Infecção Hospitalar

Hoje o papo é sério e super importante para a nossa prática diária: os fatores de risco para a infecção hospitalar, também conhecida como Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (IRAS).

Sei que o tema pode parecer denso, mas vamos desmistificar tudo para que a gente possa atuar de forma cada vez mais segura e eficaz na proteção dos nossos pacientes. Preparados para blindar o ambiente hospitalar contra os microrganismos indesejados?

O Que Aumenta a Chance da Infecção Acontecer? Desvendando os Fatores de Risco

A infecção hospitalar não escolhe paciente, mas existem algumas condições e situações que podem aumentar significativamente a probabilidade de ela ocorrer. Conhecer esses fatores de risco é o primeiro passo para implementarmos medidas preventivas eficazes. Podemos agrupar esses fatores em algumas categorias principais:

Fatores Relacionados ao Paciente:

  • Idade: Tanto os extremos da vida (recém-nascidos e idosos) apresentam maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de infecções devido à imaturidade ou declínio do sistema imunológico.
  • Doenças de Base e Comorbidades: Pacientes com doenças crônicas como diabetes, insuficiência renal, doenças pulmonares, câncer e HIV/AIDS têm o sistema imunológico comprometido, o que dificulta a defesa do organismo contra agentes infecciosos.
  • Gravidade da Doença e Tempo de Internação: Pacientes gravemente enfermos e aqueles com longos períodos de internação estão mais expostos a procedimentos invasivos e à colonização por microrganismos presentes no ambiente hospitalar.
  • Estado Nutricional: A desnutrição enfraquece o sistema imunológico e prejudica a cicatrização, tornando o paciente mais suscetível a infecções.
  • Queimaduras Extensas: A perda da integridade da pele, que é uma importante barreira de defesa, aumenta significativamente o risco de infecção em pacientes queimados.
  • Uso de Imunossupressores e Corticosteroides: Medicamentos que suprimem o sistema imunológico, utilizados em transplantes, doenças autoimunes e outras condições, aumentam a vulnerabilidade a infecções.
  • Presença de Dispositivos Invasivos: Cateteres urinários, cateteres vasculares centrais e periféricos, sondas nasoenterais, drenos e ventiladores mecânicos rompem as barreiras naturais do corpo e oferecem uma porta de entrada para microrganismos.

Fatores Relacionados aos Procedimentos e Intervenções:

  • Procedimentos Invasivos: Qualquer procedimento que penetre a pele ou mucosas (cirurgias, punções, intubações) aumenta o risco de introdução de microrganismos no organismo do paciente.
  • Tempo de Duração do Procedimento: Procedimentos cirúrgicos mais longos estão associados a um maior risco de infecção do sítio cirúrgico.
  • Técnica Asséptica Inadequada: Falhas na adesão às técnicas de assepsia e antissepsia durante a realização de procedimentos e manipulação de dispositivos invasivos são uma das principais causas de infecção hospitalar.
  • Uso Indiscriminado de Antibióticos: O uso excessivo e inadequado de antibióticos contribui para o desenvolvimento de resistência bacteriana, tornando as infecções mais difíceis de tratar.
  • Transfusão de Hemocomponentes: Embora essencial em muitos casos, a transfusão pode, em raras situações, transmitir infecções.

Fatores Relacionados ao Ambiente Hospitalar e à Equipe de Saúde:

  • Higiene das Mãos Insuficiente: A não adesão ou a técnica inadequada de higiene das mãos pelos profissionais de saúde é uma das principais vias de transmissão de microrganismos no ambiente hospitalar.
  • Limpeza e Desinfecção Inadequadas: Falhas na limpeza e desinfecção de superfícies, equipamentos e materiais podem levar à persistência de microrganismos no ambiente.
  • Superlotação: A superlotação de leitos dificulta a manutenção da higiene e aumenta o contato entre pacientes, facilitando a disseminação de infecções.
  • Número Insuficiente de Profissionais: Uma equipe sobrecarregada pode ter dificuldades em seguir rigorosamente os protocolos de prevenção de infecções.
  • Falta de Educação e Treinamento: Profissionais não adequadamente treinados em medidas de prevenção de infecções podem não seguir as práticas recomendadas.
  • Colonização da Equipe de Saúde: Em raras situações, profissionais de saúde podem estar colonizados por microrganismos multirresistentes e transmiti-los aos pacientes.

Nosso Escudo Protetor: Os Cuidados de Enfermagem na Prevenção da IRAS

Como futuros profissionais de enfermagem, a prevenção da infecção hospitalar é uma das nossas maiores responsabilidades. Nossas ações diárias têm um impacto direto na segurança dos nossos pacientes. Alguns cuidados de enfermagem essenciais incluem:

  • Adesão Rigorosa à Higiene das Mãos: Realizar a higiene das mãos com água e sabão ou álcool em gel nos cinco momentos preconizados pela OMS: antes do contato com o paciente, antes de realizar procedimento asséptico, após risco de exposição a fluidos corporais, após contato com o paciente e após contato com áreas próximas ao paciente. Utilizar a técnica correta em cada situação.
  • Técnica Asséptica Impecável: Seguir rigorosamente as técnicas de assepsia e antissepsia durante a realização de curativos, administração de medicamentos injetáveis, inserção e manipulação de dispositivos invasivos. Garantir a esterilidade dos materiais utilizados.
  • Manutenção da Integridade da Pele e Mucosas: Realizar cuidados com a pele para prevenir lesões, especialmente em pacientes acamados. Promover a higiene oral adequada.
  • Cuidados com Dispositivos Invasivos: Seguir os protocolos para inserção, manutenção e remoção de cateteres, sondas e drenos. Realizar a higiene do sítio de inserção conforme as diretrizes e observar sinais de infecção local ou sistêmica. Manipular os dispositivos com técnica asséptica.
  • Administração Segura de Medicamentos: Preparar e administrar medicamentos de forma segura, seguindo os princípios dos nove certos da administração de medicamentos.
  • Manejo Adequado de Resíduos: Descartar materiais perfurocortantes em recipientes adequados e seguir os protocolos de descarte de resíduos contaminados.
  • Limpeza e Desinfecção de Equipamentos: Participar da limpeza e desinfecção de equipamentos utilizados no cuidado ao paciente, seguindo os protocolos institucionais.
  • Educação do Paciente e Família: Orientar pacientes e familiares sobre a importância da higiene das mãos, dos cuidados com dispositivos invasivos e de outras medidas preventivas.
  • Vigilância Epidemiológica: Estar atento à ocorrência de infecções nos pacientes sob seus cuidados e notificar a equipe de controle de infecção hospitalar conforme os protocolos institucionais.
  • Atualização Constante: Buscar continuamente conhecimento sobre as melhores práticas de prevenção de infecções.

Lembrem-se, a prevenção é sempre o melhor remédio! Nossa atuação consciente e baseada em evidências é a linha de frente na proteção dos nossos pacientes contra as infecções hospitalares.

Referências:

  1. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Brasília: ANVISA, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicos-de-saude/publicacoes/caderno-4-medidas-de-prevencao-de-infeccao-relacionada-a-assistencia-a-saude.
  2. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). WHO Guidelines on Hand Hygiene in Health Care. Geneva: WHO, 2009. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789241597906.
  3. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G.; HINKLE, J. L.; CHEEVER, K. H. Brunner & Suddarth’s textbook of medical-surgical nursing. 14. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2018.

A sequência de uma Anotação de Enfermagem

A anotação de enfermagem é um registro essencial no prontuário do paciente. Ela serve não apenas para documentar a assistência prestada, mas também para garantir a continuidade do cuidado e a segurança do paciente. Além disso, é um instrumento legal e ético que pode ser utilizado como prova documental das ações da equipe de enfermagem.

Para quem está começando a vida acadêmica ou profissional na enfermagem, entender como estruturar uma boa anotação pode parecer desafiador. Pensando nisso, elaboramos este guia completo com a sequência lógica de uma anotação de enfermagem, com exemplos práticos, explicações detalhadas e cuidados que não podem faltar.

Por Que Anotar Tão Detalhadamente? A Importância Além do Óbvio

Você pode se perguntar: “Preciso anotar tudo isso?”. E a resposta é um sonoro sim! A anotação de enfermagem tem múltiplas funções:

  • Comunicação Efetiva: É o principal meio de comunicação entre a equipe de saúde sobre o paciente. Imagine a passagem de plantão: uma boa anotação permite que o próximo colega compreenda rapidamente o estado do paciente e as intervenções realizadas.
  • Continuidade do Cuidado: Garante que o cuidado seja sequencial e lógico, sem repetições desnecessárias ou omissões importantes.
  • Base para o Planejamento: Ajuda a equipe a planejar os próximos passos, adaptar o plano de cuidados e avaliar a eficácia das intervenções.
  • Documento Legal: Serve como prova legal do cuidado prestado, essencial em caso de auditorias ou processos judiciais.
  • Pesquisa e Ensino: Contribui para a base de dados para pesquisas e para o ensino de futuros profissionais.

Agora que entendemos a importância, vamos à sequência que pode te ajudar a organizar suas anotações de forma impecável.

Entenda a Sequência

1. Apresenta: condições de entrada, estado geral e físicas observadas

Nesta parte, o profissional descreve como o paciente se apresenta no momento do atendimento. É importante relatar sinais observáveis, como nível de consciência, coloração da pele, presença de lesões, estado nutricional, entre outros.

  • Condições de entrada (se for admissão ou pós-procedimento): Como o paciente chegou ou como ele está após um evento.
    • Exemplo: “Paciente admitido no leito 10, consciente e orientado, pós-operatório imediato de apendicectomia.”
  • Estado geral: Uma avaliação rápida e abrangente do paciente.
    • Exemplo: “Paciente em bom estado geral, lúcido e comunicativo.” ou “Paciente em estado geral regular, sonolento e com queixa de dor.”
  • Condições físicas apresentadas (ao início do plantão ou momento da anotação): Observações objetivas sobre o corpo do paciente.
    • Exemplo: “Pele e mucosas coradas, hidratadas e quentes ao toque. Perfusão periférica de 3 segundos.” ou “Pele pálida e úmida, mucosas descoradas. Presença de cianose em extremidades.”

Outro exemplo prático:
“Paciente admitido a esta unidade de internação, em leito 10, lúcido, orientado, com coloração da pele pálida +/4, hidratado, afebril, acamado, com lesão por pressão estágio II em região sacral.”

Esse tipo de descrição ajuda a equipe a compreender o estado basal do paciente, o que pode orientar condutas e decisões clínicas posteriores.

2. Mantém: dispositivos e condições assistenciais em uso

Aqui são descritos todos os dispositivos que o paciente está utilizando, como cateteres, sondas, drenos, oxigenoterapia, acesso venoso, entre outros. Também é possível relatar se o paciente mantém posicionamento adequado, dieta prescrita, ou qualquer outro aspecto relevante do cuidado.

Dispositivos: Cateteres, sondas, drenos, acessos venosos, etc. Descreva o tipo, local e as condições de cada um.

  • Exemplo: “Mantendo acesso venoso periférico em dorso da mão direita, sem sinais flogísticos, com SF 0,9% 500 mL correndo em gotejamento rápido.”
  • Exemplo: “Mantendo sonda vesical de demora com débito urinário claro, em sistema fechado.”
  • Exemplo: “Mantendo dreno de tórax em hemitórax esquerdo, com débito serossanguinolento em selo d’água sem oscilação.”
  • Exemplo: “Mantendo sonda nasoenteral em narina esquerda, fixada, sem sinais de irritação.”

Outro exemplo prático:
“Mantém cateter nasal de O₂ a 2L/min, acesso venoso periférico em MSD com jelco 22G funcionante, SNE posicionada, com dieta enteral em gotejamento contínuo sem intercorrências.”

Esse registro mostra o suporte necessário para o paciente e facilita a vigilância desses dispositivos.

3. Refere: queixas e percepções relatadas pelo paciente

Nessa parte, são descritas as queixas espontâneas do paciente ou aquilo que ele verbaliza. É essencial utilizar aspas para destacar as falas do paciente, assegurando a fidelidade da informação.

Queixas, sensações, percepções: O que o paciente verbaliza.

  • Exemplo: “Paciente refere dor abdominal em quadrante inferior direito, de intensidade 7/10, em facada.”
  • Exemplo: “Paciente refere náuseas e tontura ao se levantar.”
  • Exemplo: “Paciente refere que está com sede e com dificuldade para dormir.”

Outro exemplo prático:
“Refere dor abdominal difusa, tipo cólica, intensidade 7 em escala de 0 a 10, iniciada há cerca de 2 horas. Refere também náuseas e ausência de evacuação há 2 dias.”

Esse tipo de anotação contribui para a construção diagnóstica e o planejamento das ações terapêuticas.

4.Procedimentos realizados: todas as ações executadas

Todos os procedimentos de enfermagem realizados devem ser registrados, com clareza, horário, técnica utilizada, materiais empregados e resposta do paciente, se aplicável.

  • Medicações administradas: Nome, dose, via, horário.
    • Exemplo: “Administrado dipirona 500 mg EV conforme prescrição, às 14h.”
  • Aferição de sinais vitais: Valores e horário.
    • Exemplo: “Sinais vitais aferidos às 15h: PA 120×80 mmHg, FC 88 bpm, FR 18 ipm, Tax 37,2°C, SatO2 96% em ar ambiente.”
  • Higiene e conforto: Banho, troca de roupa, mudança de decúbito.
    • Exemplo: “Realizado banho no leito com auxílio, troca de roupa e mudança de decúbito para decúbito lateral esquerdo.”
  • Curativos: Tipo de curativo, local, condições da ferida.
    • Exemplo: “Realizado curativo em ferida operatória abdominal com SF 0,9% e gaze estéril; ferida limpa, sem sinais de infecção, com pequena quantidade de exsudato seroso.”
  • Coletas de exames: Tipo de exame e horário.
    • Exemplo: “Coletada amostra de sangue para hemograma e função renal às 16h, encaminhada ao laboratório.”
  • Orientações fornecidas: O que você orientou o paciente ou familiar.
    • Exemplo: “Orientado paciente e familiar sobre a importância da hidratação e movimentação precoce no pós-operatório.”

Outro exemplo prático:
“Realizada troca de curativo em ferida sacral conforme prescrição médica e protocolo institucional, utilizando técnica asséptica, solução fisiológica 0,9% e cobertura de hidrocolóide. Ferida apresenta bordas regulares, presença de exsudato amarelado em pequena quantidade. Paciente colaborativo durante o procedimento.”

Isso demonstra a execução da assistência e oferece rastreabilidade para auditorias e revisões clínicas.

5. Intercorrências: descrição do evento, sinais e condutas

Sempre que houver algum evento inesperado, como quedas, reações adversas, agravamento do quadro clínico, entre outros, é obrigatório fazer o registro completo com data, hora, sinais/sintomas, condutas adotadas e equipe notificada.

  • Descrição do fato: O que aconteceu.
    • Exemplo: “Às 17h, paciente apresentou episódio de vômito em jato…”
  • Sinais e sintomas observados: As manifestações clínicas da intercorrência.
    • Exemplo: “… com aproximadamente 200 mL de conteúdo alimentar, seguido de palidez e sudorese fria.”
  • Condutas tomadas: As ações que você tomou em resposta à intercorrência.
    • Exemplo: “Oferecido cuba rim, lateralizado decúbito para evitar broncoaspiração, aferido SSVV (PA 90×60 mmHg, FC 110 bpm). Comunicado médico Dr. [nome do médico], que prescreveu antiemético e reavaliação em 30 min. Administrado Ondansetrona 4 mg EV conforme prescrição, às 17h15min.”
  • Avaliação da resposta: Como o paciente reagiu às suas condutas.
    • Exemplo: “Paciente com melhora do quadro, sem novos episódios de vômito até o momento. Mantido em observação.”

Outro exemplo prático:
“Às 15h30, paciente apresentou queda da oximetria para 85%, taquipneia e queixa de dispneia. Realizada aspiração de secreção via cateter nasal, coletado gasometria arterial, notificado médico plantonista. Iniciado O₂ a 3L/min. Saturação aumentou para 92% após intervenção. Permanece em monitoramento.”

A anotação precisa ser objetiva, sem julgamentos ou interpretações subjetivas, focando em fatos.

Cuidados importantes ao anotar:

  • Use linguagem técnica, clara e objetiva;
  • Evite abreviações não padronizadas;
  • Sempre identifique-se com nome completo e registro no COREN;
  • Registre o horário com precisão;
  • Não deixe espaços em branco;
  • Nunca rasure ou utilize corretivo;
  • Faça a anotação imediatamente após a ação realizada.

A Anotação Completa: Um Exemplo Integrado

Juntando tudo, uma anotação de enfermagem poderia ficar assim:

14h00 – Paciente admitido no leito 10, consciente e orientado, pós-operatório imediato de apendicectomia. Apresenta-se em bom estado geral, lúcido e comunicativo. Pele e mucosas coradas, hidratadas e quentes ao toque. Perfusão periférica de 3 segundos. Mantém acesso venoso periférico em dorso da mão direita, sem sinais flogísticos, com SF 0,9% 500 mL correndo em gotejamento rápido. Mantém sonda vesical de demora com débito urinário claro, em sistema fechado. Paciente refere dor abdominal em quadrante inferior direito, de intensidade 7/10, em facada. Administrado dipirona 500 mg EV conforme prescrição. Sinais vitais aferidos: PA 120×80 mmHg, FC 88 bpm, FR 18 ipm, Tax 37,2°C, SatO2 96% em ar ambiente. Orientado paciente e familiar sobre a importância da hidratação e movimentação precoce no pós-operatório.

17h00 – Paciente apresentou episódio de vômito em jato, com aproximadamente 200 mL de conteúdo alimentar, seguido de palidez e sudorese fria. Oferecido cuba rim, lateralizado decúbito para evitar broncoaspiração, aferido SSVV: PA 90×60 mmHg, FC 110 bpm. Comunicado médico Dr. [nome do médico], que prescreveu antiemético e reavaliação em 30 min. Administrado Ondansetrona 4 mg EV conforme prescrição, às 17h15min. Paciente com melhora do quadro, sem novos episódios de vômito até o momento. Mantido em observação.

20h00 – Realizado banho no leito com auxílio, troca de roupa e mudança de decúbito para decúbito lateral esquerdo. Realizado curativo em ferida operatória abdominal com SF 0,9% e gaze estéril; ferida limpa, sem sinais de infecção, com pequena quantidade de exsudato seroso. Paciente aceita dieta líquida em pequena quantidade, sem queixas. Mantido confortável.”

A Ponta do Lápis que Salva Vidas: Nossos Cuidados na Anotação

Anotar é um ato de cuidado. Lembre-se sempre de:

  • Ser Objetivo e Claro: Use termos técnicos, mas evite gírias. Seja direto e evite ambiguidades.
  • Ser Conciso: Vá direto ao ponto, mas sem omitir informações importantes.
  • Ser Cronológico: Anote os eventos na ordem em que aconteceram, com horários precisos.
  • Ser Legível: Sua letra precisa ser clara (ou a digitação, se for eletrônico).
  • Assinar e Carimbar: Sempre assine e carimbe suas anotações com seu nome completo, categoria profissional e número de registro no conselho.
  • Nunca Rasurar: Em caso de erro, passe um traço simples sobre o que errou, escreva “erro” e anote corretamente ao lado, datando e assinando. Nunca use corretivo.
  • Anotar o Que Você Viu e Fez: Baseie suas anotações em observações diretas e intervenções realizadas. Evite interpretações pessoais ou julgamentos.

Dominar a arte da anotação de enfermagem é um passo crucial para sua carreira. Ela é a prova do seu profissionalismo, o elo entre a equipe e a garantia de um cuidado de excelência para o paciente. Pratique, peça feedback e faça da anotação detalhada uma parte inseparável da sua rotina de enfermagem.

Referências:

  1. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução COFEN nº 358/2009. Dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem. Brasília, DF: COFEN, 2009. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-3582009_4384.html.
  2. HERMIDA, V. R. et al. Anotações de enfermagem: importância para a qualidade da assistência e segurança do paciente. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 65, n. 4, p. 627-632, jul./ago. 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/36t9V4Y5L9c8B5c9Y6G6p8w/?lang=pt
  3. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar capítulo sobre documentação em enfermagem).

5 Regras Básicas no Uso de Drogas Vasoativas

No dia a dia da enfermagem, especialmente em ambientes de alta complexidade como as UTIs e pronto-socorros, lidar com pacientes graves é uma constante. E em muitos desses casos, as Drogas Vasoativas (DVAs) se tornam aliadas poderosas, capazes de mudar o curso de uma situação crítica.

Mas, como o próprio nome diz, são drogas que agem nos vasos, alterando a pressão arterial e o fluxo sanguíneo, e seu uso exige um conhecimento e uma atenção impecáveis.

Para nós, profissionais de enfermagem, dominar o uso seguro e eficaz das DVAs é uma questão de vida ou morte. Por isso, separamos as 5 regras de ouro que todo estudante e profissional de enfermagem precisa ter na ponta da língua. Vamos lá!

1.Uso exclusivo de bomba de infusão

As drogas vasoativas devem sempre ser administradas por meio de bomba de infusão. Esse equipamento permite um controle rigoroso e preciso do volume infundido por minuto, o que é essencial, considerando a potência dessas medicações.

Administrações manuais ou com equipo de gotejamento simples são contraindicadas, pois a mínima alteração na velocidade pode causar flutuações abruptas na pressão arterial ou frequência cardíaca do paciente.

Cuidados de enfermagem:

  • Verificar a calibração da bomba antes do uso.
  • Monitorar frequentemente o equipo e a conexão para evitar interrupções na infusão.
  • Documentar e checar a velocidade da bomba conforme a prescrição médica.

2.Preferência por acesso venoso central (CVC)

Drogas vasoativas possuem alto potencial irritativo. Quando administradas em acesso venoso periférico, há risco elevado de extravasamento, que pode levar à necrose tecidual e até amputações, dependendo do tempo de exposição.

Sempre que possível, essas drogas devem ser administradas por um acesso venoso central (CVC). Em situações emergenciais, pode-se iniciar a infusão em veia periférica, mas esse acesso deve ser trocado por um CVC o mais breve possível.

Cuidados de enfermagem:

  • Observar sinais de infiltração ou extravasamento no local da punção.
  • Avaliar o fluxo do cateter e manter o curativo limpo e seco.
  • Notificar imediatamente a equipe médica diante de sinais de irritação local.

3.Monitorização contínua dos sinais vitais

O paciente que recebe droga vasoativa precisa de monitoramento contínuo. A equipe de enfermagem deve acompanhar sinais vitais como pressão arterial, frequência cardíaca, débito urinário e nível de consciência, preferencialmente com monitor multiparamétrico.

As alterações nesses parâmetros guiam o ajuste da dose da droga, que muitas vezes é feita em tempo real conforme a resposta do paciente.

Cuidados de enfermagem:

  • Verificar sinais vitais de 5 em 5 minutos no início da infusão ou após ajustes de dose.
  • Avaliar a perfusão periférica (enchimento capilar, coloração da pele, temperatura das extremidades).
  • Monitorar a diurese horária para avaliar perfusão renal.

4.Não administrar em bolus (sem prescrição específica)

É absolutamente contraindicado administrar drogas vasoativas em bolus (injeção rápida) sem prescrição médica expressa. A infusão abrupta pode causar hipertensão súbita, arritmias, colapso cardiovascular e até morte.

Essas drogas devem ser sempre infundidas de forma contínua e controlada. Em casos raros e sob prescrição, podem ser feitas em bólus, mas isso requer monitoramento intensivo imediato.

Cuidados de enfermagem:

  • Confirmar a via e o modo de administração na prescrição.
  • Em caso de dúvida, nunca administrar sem esclarecimento com o médico responsável.
  • Reforçar com a equipe a importância da padronização de protocolos.

5.Conhecer a farmacologia da droga administrada

É essencial que o profissional de enfermagem conheça a farmacodinâmica e a indicação específica da droga vasoativa em uso. Noradrenalina, dopamina, dobutamina, adrenalina e vasopressina possuem efeitos diferentes, e entender essas ações auxilia na interpretação clínica das reações do paciente.

Além disso, a compreensão dos mecanismos ajuda a tomar decisões mais seguras em situações de urgência, reduzindo o risco de eventos adversos.

Cuidados de enfermagem:

  • Estudar os principais efeitos colaterais e sinais de toxicidade.
  • Manter material de apoio acessível (protocolos da UTI, manuais de enfermagem).
  • Participar de treinamentos e atualizações sobre drogas vasoativas.

O uso de drogas vasoativas envolve riscos importantes, mas quando administradas com responsabilidade e conhecimento, tornam-se aliadas no suporte à vida. A enfermagem tem papel central na segurança do paciente, atuando desde a instalação até o monitoramento da infusão contínua.

Lembre-se: conhecimento salva vidas. E na terapia intensiva, cada detalhe importa.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de uso seguro de medicamentos vasoativos. Brasília: MS, 2019. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
  2. GOMES, Rodrigo Vieira; PINHEIRO, Renata T. Assistência de enfermagem ao paciente em uso de drogas vasoativas. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 32, n. 3, p. 370-378, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbti
  3. NUNES, Camila L.; SOUZA, Patrícia F. Farmacologia aplicada à enfermagem. São Paulo: Manole, 2021.
  4. PEREIRA, Juliana S. et al. Segurança na administração de medicamentos vasoativos: uma revisão integrativa. Revista Enfermagem Atual, v. 92, 2021. Disponível em: https://revistaenfermagematual.com.br

Cuba Redonda vs. Cuba Rim: Entenda as Diferenças e Aplicações na Enfermagem

Se você está trilhando os caminhos da enfermagem, certamente já se deparou com diversos instrumentais e materiais utilizados nos cuidados aos pacientes.

Dentre eles, a cuba redonda e a cuba rim são itens bastante comuns, mas você sabe exatamente quando e por que utilizar cada uma delas?

Compreender as particularidades de cada uma é fundamental para otimizar os procedimentos e garantir a segurança e o conforto do paciente. Vamos explorar juntos as características e as aplicações dessas duas importantes aliadas na prática assistencial.

A Versátil Cuba Redonda

A cuba redonda, como o próprio nome sugere, possui um formato circular e geralmente apresenta uma profundidade considerável. Essa característica a torna ideal para armazenar líquidos, soluções antissépticas e outros materiais que precisam ser mantidos em maior volume ou que necessitam de imersão.

Aplicações Comuns:

  • Armazenamento de soluções: Frequentemente, a cuba redonda é utilizada para conter soluções como soro fisiológico, água destilada ou soluções de limpeza que serão utilizadas em curativos ou outros procedimentos.
  • Descarte de materiais não perfurocortantes: Após a realização de um curativo ou outro procedimento, gazes, algodões e outros materiais não perfurocortantes podem ser descartados na cuba redonda, facilitando a organização e a higiene do ambiente.
  • Realização de banho no leito: Em algumas situações específicas, a cuba redonda pode ser utilizada para auxiliar no banho no leito, contendo a água para a higiene do paciente.
  • Assepsia: Em alguns casos, podem ser usadas para realizar a assepsia de pequenos materiais ou áreas.
  • Coleta de amostras: Pequenas cubas redondas podem servir para coletar amostras biológicas em procedimentos específicos.
  • Organização: Ajudam a manter os materiais organizados e de fácil acesso durante um procedimento.

Cuidados de Enfermagem:

  • Certifique-se de que a cuba redonda esteja limpa e desinfetada antes de cada uso para evitar a contaminação.
  • Ao descartar materiais, observe sempre a separação correta de resíduos, destinando materiais infectantes ou perfurocortantes para recipientes adequados.
  • Ao utilizar para soluções, verifique o prazo de validade e as condições de armazenamento da solução.

A Anatômica Cuba Rim

A cuba rim, com seu formato característico que lembra um rim, possui uma borda mais alta em um dos lados e uma curvatura que se adapta bem ao corpo do paciente. Essa anatomia peculiar a torna especialmente útil para coletar líquidos ou materiais expelidos pelo paciente durante determinados procedimentos.

Aplicações Comuns:

  • Coleta de fluidos e secreções: Devido ao seu formato anatômico, são ideais para coletar fluidos corporais como urina, sangue, vômito e outras secreções durante ou após procedimentos médicos.
  • Acomodação de instrumentais durante procedimentos: Em alguns casos, a cuba rim pode servir como um apoio temporário para instrumentais cirúrgicos ou outros materiais utilizados durante um procedimento, mantendo-os próximos e organizados.
  • Acondicionamento de materiais contaminados: Servem para descartar materiais utilizados em procedimentos que possam estar contaminados, como curativos sujos, gazes com sangue, etc., evitando a contaminação do ambiente.
  • Suporte durante procedimentos: Podem ser utilizadas para apoiar instrumentos durante um procedimento, mantendo-os próximos e evitando que rolem.
  • Coleta de urina em pacientes acamados: Em situações específicas, a cuba rim pode ser utilizada para auxiliar na coleta de urina de pacientes que não conseguem utilizar o comadre ou o papagaio.
  • Higiene pessoal: Em alguns casos, podem ser usadas para auxiliar na higiene pessoal de pacientes acamados.

Cuidados de Enfermagem:

  • Assim como a cuba redonda, a higiene da cuba rim é crucial. Realize a limpeza e desinfecção adequadas antes e após cada uso.
  • Ao utilizar para coleta de fluidos corporais, utilize luvas de procedimento e siga as precauções padrão para evitar a exposição a agentes infecciosos.
  • Ao posicionar a cuba rim para o paciente, garanta o seu conforto e segurança, evitando movimentos bruscos que possam causar derramamentos.

Compreender as diferenças entre a cuba redonda e a cuba rim, bem como suas aplicações específicas, é um passo importante para aprimorar suas habilidades na enfermagem. Ao utilizar cada uma delas de forma consciente e seguindo os cuidados necessários, você contribui para uma assistência mais segura, eficiente e humanizada.

Referências:

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISO 690: documentação: referências: conteúdo, forma e estrutura. Rio de Janeiro, 2013.
  2. Prolab
  3. CF Care Hospitalar

Escarotomia: O que é?

E aí, pessoal da enfermagem! Hoje a gente vai mergulhar em um procedimento cirúrgico que, apesar de parecer simples, faz uma diferença enorme na vida de pacientes com queimaduras graves: a escarotomia.

Já se depararam com essa situação ou ouviram falar? Se a resposta for não, ou se querem refinar o conhecimento, chega mais que vou desenrolar esse tema de um jeito bem prático e com o olhar atento que a enfermagem sempre tem.

Entendendo a “Armadura” da Queimadura Grave

Pensa numa queimadura daquelas bem profundas, que não pega só a camada superficial da pele, mas atinge tecidos mais internos. Em alguns casos, essa lesão evolui formando uma crosta espessa e rígida, tipo uma “armadura” sobre a área queimada. Essa crosta é a escara.

O problema é que essa escara, por ser tão dura e inflexível, começa a exercer uma pressão enorme sobre os tecidos subjacentes. É como se a pele queimada virasse uma roupa apertada demais, dificultando a circulação sanguínea.

Em queimaduras que circundam um membro inteiro (braço, perna) ou até o tronco, essa compressão pode ser tão severa que compromete a chegada de sangue, oxigênio e nutrientes, além de poder afetar nervos e a respiração.

É nesse cenário que a escarotomia se torna essencial. O procedimento consiste em realizar incisões cirúrgicas através dessa escara para aliviar a pressão. Imagina que são pequenos “cortes de alívio” que permitem que os tecidos se expandam e a circulação seja restabelecida.

O “Porquê” da Escarotomia: Mais que Alívio, Preservação

A indicação principal da escarotomia é justamente essa: descomprimir a área afetada para restaurar o fluxo sanguíneo. Essa restauração é crucial para evitar complicações graves, como:

  • Síndrome compartimental: Sabe quando a pressão dentro de um grupo muscular aumenta a níveis perigosos? Isso pode levar a danos musculares e nervosos irreversíveis. A escara circunferencial é um fator de risco importante para essa síndrome.
  • Comprometimento vascular: A pressão da escara pode esmagar os vasos sanguíneos, impedindo a chegada de sangue oxigenado aos tecidos. A isquemia (falta de oxigênio) prolongada pode levar à necrose (morte do tecido) e, em casos extremos, à necessidade de amputação.
  • Restrição respiratória: Em queimaduras que circundam o tórax, a escara pode impedir a expansão completa da caixa torácica durante a respiração, dificultando a ventilação e a oxigenação do paciente.

Percebem a seriedade da coisa? A escarotomia não é só para o paciente se sentir mais confortável, mas sim para prevenir danos sérios e preservar a vida e a função dos membros.

A Enfermagem em Ação: Antes, Durante e Depois da Escarotomia

A gente, como profissionais de enfermagem, tem um papel vital em todas as etapas desse processo.

Antes do Procedimento:

  • Avaliação Cirúrgica: Nossa avaliação constante é a chave. Precisamos estar atentos aos sinais que indicam a necessidade de uma escarotomia: dor intensa e desproporcional à lesão, palidez ou cianose (pele azulada) da extremidade distal à queimadura, diminuição ou ausência de pulsos periféricos, alteração da sensibilidade (formigamento, dormência) e dificuldade para movimentar os dedos.
  • Comunicação Imediata: Qualquer alteração nesses sinais precisa ser comunicada imediatamente à equipe médica. O tempo é crucial nesses casos.
  • Preparo do Paciente: Explicar o procedimento ao paciente e à família de forma clara e tranquilizadora (dentro do possível, considerando o estado emocional de todos). Preparar a área para o procedimento conforme a orientação médica, geralmente com limpeza e tricotomia (remoção de pelos) se necessário. Garantir que o paciente esteja o mais confortável possível antes do procedimento.
  • Monitorização Constante: Acompanhar de perto os sinais vitais (frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória) e a oximetria de pulso.

Durante o Procedimento:

  • Auxílio ao Médico: Preparar todo o material necessário para o procedimento (bisturi, pinças hemostáticas, solução antisséptica, gazes, etc.) e auxiliar o médico durante a realização das incisões. Manter a área limpa e organizada.
  • Monitorização Contínua: Seguir monitorando os sinais vitais e observar a resposta do paciente ao procedimento, como o possível alívio da pressão e a melhora da perfusão periférica.
  • Suporte Emocional: Oferecer apoio emocional ao paciente, que pode estar apreensivo ou sentir dor durante o procedimento, mesmo sob analgesia.

Após o Procedimento:

  • Cuidados com as Incisões: Realizar os curativos conforme a prescrição médica, utilizando técnica asséptica para prevenir infecções. Observar atentamente os sinais de infecção nas áreas das incisões (vermelhidão, calor, edema, secreção purulenta, odor). Documentar as características do curativo e da ferida.
  • Avaliação da Perfuração: Continuar monitorando rigorosamente os pulsos distais, a coloração e a temperatura da pele, a sensibilidade e a motricidade da área afetada. Comparar com o membro contralateral, se houver. Qualquer sinal de piora deve ser comunicado imediatamente.
  • Controle da Dor: Administrar a medicação analgésica prescrita e avaliar a eficácia do tratamento, registrando a intensidade da dor em escalas adequadas. Oferecer medidas não farmacológicas para alívio da dor, como posicionamento adequado e distração.
  • Prevenção de Complicações: Manter o membro elevado (se for o caso) para auxiliar na redução do edema. Incentivar a movimentação dos dedos e do membro (quando possível e indicado pela equipe médica) para melhorar a circulação e prevenir trombose venosa profunda.
  • Educação do Paciente e Família: Orientar o paciente e a família sobre os cuidados com os curativos, os sinais de alerta de infecção, a importância de seguir as orientações médicas para a recuperação e os retornos para acompanhamento.

Cuidando com Atenção: Pontos Chave da Enfermagem na Escarotomia

Para reforçar, nossos cuidados de enfermagem na escarotomia se concentram em:

  • Reconhecimento precoce da necessidade do procedimento através de uma avaliação clínica detalhada e contínua.
  • Comunicação assertiva com a equipe médica sobre qualquer alteração observada.
  • Assistência qualificada e segura durante a realização do procedimento.
  • Monitorização constante e atenta da perfusão periférica e dos sinais vitais no pós-operatório.
  • Prevenção de infecções nas áreas das incisões cirúrgicas.
  • Manejo eficaz da dor do paciente.
  • Orientação e suporte ao paciente e seus familiares.

Lembrem-se que a escarotomia é um procedimento que pode mudar drasticamente o prognóstico de um paciente com queimaduras graves. Nosso olhar clínico e nossos cuidados dedicados são essenciais para garantir que essa intervenção seja realizada no momento certo e que a recuperação ocorra da melhor forma possível.

Referências:

  1. SILVA, M. A.; PEREIRA, A. B. Tratamento de queimaduras: guia prático para enfermagem. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020.
  2. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G.; HINKLE, J. L.; CHEEVER, K. H. Brunner & Suddarth’s textbook of medical-surgical nursing. 14. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2018.
  3. Sociedade Brasileira de Queimaduras: https://sbqueimaduras.org.br/
  4. Revista Brasileira de Queimaduras: http://www.rbqueimaduras.com.br/

Prescrição Médica: Como interpretar?

Se você está começando a sua jornada na enfermagem, uma das responsabilidades mais cruciais que você irá adquirir é a administração de medicamentos.

Essa tarefa, aparentemente simples, envolve uma série de conhecimentos e cuidados para garantir a segurança e a eficácia do tratamento prescrito. Afinal, um medicamento administrado de forma incorreta pode ter consequências sérias para a saúde do paciente.

Vamos juntos desmistificar esse processo e entender os passos essenciais para uma administração segura e responsável.

A Prescrição Médica: O Ponto de Partida

Tudo começa com a prescrição médica, um documento legal que detalha qual medicamento deve ser administrado, a dose, a via de administração, o horário e a frequência. É fundamental entender que nunca devemos administrar um medicamento sem uma prescrição válida e completa.

Essa prescrição é a garantia de que o tratamento foi avaliado e indicado por um profissional de saúde qualificado.

O que observar em uma prescrição:

  • Nome completo do paciente: Certifique-se de que o nome do paciente na prescrição corresponde ao nome do paciente para quem o medicamento será administrado. Parece óbvio, mas a dupla checagem é essencial para evitar erros.
  • Nome do medicamento (genérico e/ou comercial): Verifique o nome do medicamento com atenção. Em caso de dúvidas sobre abreviações ou caligrafia ilegível, não hesite em perguntar ao médico prescritor ou ao farmacêutico.
  • Dose: A dose prescrita deve ser clara e inequívoca (por exemplo, 500mg, 10mL). Preste atenção à unidade de medida (miligramas, gramas, mililitros, unidades internacionais).
  • Via de administração: A via pela qual o medicamento deve ser administrado (oral, intravenosa, intramuscular, subcutânea, etc.) influencia diretamente a velocidade e a forma como o medicamento será absorvido pelo organismo.
  • Frequência e horário: A prescrição indicará com que frequência o medicamento deve ser administrado (por exemplo, a cada 8 horas, uma vez ao dia) e, muitas vezes, o horário específico. Respeitar esses intervalos é crucial para manter a concentração terapêutica do medicamento no organismo.
  • Duração do tratamento: Algumas prescrições indicam por quanto tempo o medicamento deve ser administrado.
  • Assinatura e carimbo do médico: A prescrição deve conter a assinatura e o carimbo do médico prescritor, atestando sua validade.
  • Checar (fazer um medicamento): É o processo de verificar a prescrição, selecionar o medicamento correto, calcular a dose (se necessário), preparar a medicação para a administração e realizar a dupla checagem dos “nove certos” antes de administrar ao paciente. Em resumo, todas as etapas necessárias para garantir que o medicamento correto seja administrado da forma correta.
  • Bolar (não fazer um medicamento): Significa não administrar um medicamento. Todo medicamento bolado deve ser justificado no relatório de enfermagem. E isso pode ocorrer por diversos motivos, como:

    • Ausência de prescrição: Não há uma ordem médica válida para aquele medicamento.
    • Prescrição incompleta ou ilegível: Falta alguma informação essencial na prescrição.
    • Dúvidas sobre a prescrição: Há alguma incerteza quanto ao medicamento, dose, via ou horário.
    • Contraindicação ou alergia: O paciente possui alguma condição ou histórico que impede o uso daquele medicamento.
    • Paciente recusa o medicamento: O paciente tem o direito de recusar o tratamento, após ser devidamente orientado.
    • Medicamento indisponível: O medicamento prescrito não está disponível no momento.
    • Erro na prescrição identificado: Durante a checagem, identifica-se um possível erro na prescrição que precisa ser esclarecido com o médico.

Os Nove Certos da Administração de Medicamentos

Para garantir a segurança na administração de medicamentos, existe um conjunto de nove “certos” que devem ser verificados a cada administração. Essa prática ajuda a minimizar erros e proteger o paciente.

  1. Paciente certo: Confirme a identidade do paciente antes de administrar o medicamento. Utilize pelo menos dois identificadores (nome completo e data de nascimento, por exemplo) e compare com a pulseira de identificação e a prescrição.
  2. Medicamento certo: Compare o nome do medicamento na embalagem com o nome na prescrição, verificando se são o mesmo.
  3. Dose certa: Calcule e confira a dose a ser administrada com a dose prescrita. Em caso de dúvidas no cálculo, peça ajuda a outro profissional.
  4. Via certa: Certifique-se de que a via de administração do medicamento corresponde à via prescrita.
  5. Horário certo: Administre o medicamento no horário prescrito. Respeitar os intervalos garante a eficácia do tratamento.
  6. Orientação certa: Informe o paciente sobre o medicamento que está sendo administrado, seu propósito e possíveis efeitos colaterais. Incentive o paciente a fazer perguntas.
  7. Forma certa: Verifique se a forma farmacêutica do medicamento (comprimido, solução, injetável) corresponde à prescrição.
  8. Resposta certa: Monitore a resposta do paciente ao medicamento administrado, observando sinais de eficácia e possíveis reações adversas. Documente suas observações.
  9. Documentação certa: Registre imediatamente após a administração no prontuário do paciente o nome do medicamento, a dose, a via, o horário, a data, seu nome completo e assinatura/carimbo. Registre também quaisquer intercorrências ou observações relevantes.

Cuidados de Enfermagem Essenciais

Além dos nove certos, alguns cuidados de enfermagem são fundamentais durante o processo de administração de medicamentos:

  • Higiene das mãos: Lave as mãos cuidadosamente antes e após a preparação e administração de qualquer medicamento para prevenir infecções.
  • Preparo do medicamento: Prepare o medicamento em um local limpo e bem iluminado, seguindo as técnicas adequadas para cada via de administração.
  • Observação de alergias: Verifique sempre se o paciente possui alguma alergia conhecida antes de administrar qualquer medicamento. Consulte o prontuário e pergunte ao paciente.
  • Interações medicamentosas: Esteja atento a possíveis interações entre os medicamentos que o paciente está utilizando. Em caso de dúvidas, consulte o farmacêutico.
  • Educação do paciente e família: Explique ao paciente e seus familiares sobre o medicamento, a importância de seguir a prescrição e os possíveis efeitos colaterais.
  • Registro preciso: A documentação completa e precisa é essencial para a continuidade do cuidado e para a segurança do paciente.
  • Comunicação: Comunique qualquer dúvida, erro ou reação adversa à equipe de enfermagem e ao médico responsável.

Administrar medicamentos é uma arte e uma ciência que exige atenção, conhecimento e responsabilidade. Ao seguir os princípios dos nove certos e os cuidados de enfermagem essenciais, você estará contribuindo para um tratamento seguro e eficaz para seus pacientes.

Lembre-se sempre: em caso de dúvidas, pergunte! A segurança do paciente é sempre a prioridade máxima.

Referências:

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMAGEM. Resolução COFEN nº 568/2017: Aprova o Regulamento da Sistematização da Assistência de Enfermagem – SAE nos ambientes públicos e privados em que ocorre o cuidado profissional de enfermagem. Brasília, DF, 2017. 
  2. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne Griffin; STOCKERT, Patricia. Enfermagem básica. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018.
  3. Telemedicina Morsch
  4. Anvisa

Eritrócitos

Os eritrócitos, também conhecidos como glóbulos vermelhos ou hemácias, são as células mais abundantes do nosso sangue e desempenham um papel crucial para a nossa sobrevivência.

Para nós, estudantes de enfermagem, compreender a estrutura, a função e as alterações dessas minúsculas células é fundamental para entender uma vasta gama de condições clínicas e para prestar cuidados eficazes aos nossos pacientes. Vamos mergulhar no fascinante mundo dos nossos pequenos heróis vermelhos?

A Missão Primordial: O Transporte de Oxigênio e Dióxido de Carbono

A principal função dos eritrócitos é o transporte de oxigênio dos pulmões para todos os tecidos do corpo e o transporte de dióxido de carbono (um produto residual do metabolismo celular) dos tecidos de volta aos pulmões para ser eliminado. Essa troca gasosa é essencial para a manutenção da vida e para o funcionamento adequado de todos os órgãos e sistemas do nosso organismo.

Essa tarefa vital é realizada graças a uma proteína especializada presente no interior dos eritrócitos: a hemoglobina. Cada molécula de hemoglobina contém quatro átomos de ferro, e é a esses átomos que as moléculas de oxigênio se ligam de forma reversível nos pulmões.

Nos tecidos com baixa concentração de oxigênio, a hemoglobina libera o oxigênio, permitindo que as células o utilizem para produzir energia. Da mesma forma, a hemoglobina também se liga ao dióxido de carbono, facilitando seu transporte de volta aos pulmões para ser expirado.

Uma Forma Perfeita para a Função: A Anatomia Singular dos Eritrócitos

Os eritrócitos possuem uma forma única: um disco bicôncavo, achatado no centro e mais espesso nas bordas. Essa forma peculiar confere diversas vantagens importantes:

  • Aumento da Área de Superfície: A forma bicôncava aumenta a área de superfície da célula em relação ao seu volume, facilitando a difusão rápida e eficiente do oxigênio e do dióxido de carbono através da membrana celular.
  • Flexibilidade e Deformabilidade: Os eritrócitos precisam passar por capilares sanguíneos muito estreitos, por vezes com um diâmetro menor que o seu próprio. Sua forma e a presença de proteínas específicas no citoesqueleto da membrana celular conferem grande flexibilidade e deformabilidade, permitindo que eles se espremam através desses vasos minúsculos sem se romper.
  • Ausência de Núcleo e Organelas: Os eritrócitos maduros não possuem núcleo nem organelas como mitocôndrias e retículo endoplasmático. Essa característica maximiza o espaço disponível dentro da célula para a hemoglobina, otimizando a capacidade de transporte de gases. A ausência de mitocôndrias significa que os eritrócitos não consomem o oxigênio que transportam.

Uma Vida Efêmera, uma Produção Constante: O Ciclo de Vida dos Eritrócitos

Os eritrócitos têm uma vida útil relativamente curta, em torno de 120 dias. Após esse período, tornam-se menos flexíveis e mais propensos a serem removidos da circulação pelo baço, fígado e medula óssea, onde seus componentes são reciclados.

A produção de novos eritrócitos, um processo chamado eritropoiese, ocorre principalmente na medula óssea vermelha. Esse processo é finamente regulado por um hormônio chamado eritropoetina (EPO), produzido principalmente pelos rins em resposta à diminuição da concentração de oxigênio no sangue (hipóxia). Quando os níveis de oxigênio estão baixos, os rins liberam mais EPO, estimulando a medula óssea a produzir mais eritrócitos.

Para a eritropoiese ocorrer de forma adequada, são necessários diversos nutrientes, incluindo ferro (essencial para a síntese da hemoglobina), vitamina B12 e ácido fólico (importantes para a divisão celular e a maturação dos eritrócitos). A deficiência desses nutrientes pode levar a diferentes tipos de anemia, caracterizadas por uma diminuição no número ou na função dos eritrócitos.

O Olhar da Enfermagem: Implicações Clínicas e Cuidados Essenciais

Entender os eritrócitos e suas funções tem implicações diretas em nossa prática de enfermagem:

  • Avaliação da Oxigenação: A avaliação da coloração da pele e mucosas (palidez, cianose), da frequência respiratória, da frequência cardíaca e da saturação de oxigênio (SpO2) nos fornece informações indiretas sobre a capacidade dos eritrócitos de transportar oxigênio de forma eficaz.
  • Interpretação de Exames Laboratoriais: Exames como o hemograma completo fornecem informações detalhadas sobre o número de eritrócitos (contagem de glóbulos vermelhos), a concentração de hemoglobina e o hematócrito (a porcentagem do volume sanguíneo ocupada pelos eritrócitos). Alterações nesses parâmetros podem indicar anemias, policitemia (aumento anormal do número de eritrócitos) ou outras condições.
  • Identificação de Sinais de Anemia: Estar atento aos sinais e sintomas de anemia, como fadiga, palidez, falta de ar, tontura, cefaleia e taquicardia, é crucial para a identificação precoce e o manejo adequado.
  • Administração de Hemotransfusão: Em situações de anemia grave ou perda sanguínea aguda, a administração de concentrado de eritrócitos (hemotransfusão) pode ser necessária para restaurar a capacidade de transporte de oxigênio. A enfermagem desempenha um papel fundamental na verificação da compatibilidade sanguínea, na monitorização do paciente durante e após a transfusão e na identificação de possíveis reações transfusionais.
  • Cuidados em Pacientes com Policitemia: Em pacientes com policitemia, que apresentam um risco aumentado de trombose devido ao sangue mais viscoso, os cuidados de enfermagem podem incluir a orientação sobre a importância da hidratação adequada e a monitorização de sinais de eventos tromboembólicos.
  • Orientação Nutricional: Fornecer orientações sobre a importância de uma dieta rica em ferro, vitamina B12 e ácido fólico para a produção saudável de eritrócitos, especialmente em grupos de risco como gestantes, crianças e idosos.
  • Monitorização de Pacientes com Insuficiência Renal Crônica: Pacientes com doença renal crônica frequentemente apresentam anemia devido à produção reduzida de eritropoetina pelos rins. A enfermagem monitora os níveis de hemoglobina e administra eritropoetina sintética conforme a prescrição médica.

Compreender a fisiologia dos eritrócitos é essencial para fornecer um cuidado holístico e informado aos nossos pacientes, permitindo-nos reconhecer as manifestações clínicas de alterações na sua função e participar ativamente do plano de tratamento.

Referências:

  1. GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 13. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.
  2. ABBAS, A. K.; LICHTMAN, A. H.; PILLAI, S. Imunologia Celular e Molecular. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
  3. HOFFBRAND, A. V.; MOSS, P. A. H.; PETTIT, J. E. Hematologia Essencial. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. 

Hipertensão arterial sistêmica (HAS)

Hoje vamos conversar sobre um tema super importante e muito prevalente na nossa prática: a Hipertensão Arterial Sistêmica, ou HAS. Tenho certeza que vocês já ouviram falar, mas vamos aprofundar um pouco para entender todos os detalhes e, principalmente, o nosso papel crucial no cuidado desses pacientes.

Preparados?

O Que é, Afinal, Essa Tal de HAS?

De forma bem simples, a Hipertensão Arterial Sistêmica acontece quando a pressão que o sangue exerce nas paredes das nossas artérias se eleva de forma crônica. Imagina as artérias como canos por onde o sangue flui. Quando essa pressão fica muito alta por um longo período, pode danificar esses “canos” e também o “motor” que bombeia o sangue, que é o nosso coração.

A pressão arterial é medida por dois números: a pressão sistólica (o número mais alto), que representa a pressão quando o coração se contrai para bombear o sangue, e a pressão diastólica (o número mais baixo), que representa a pressão quando o coração relaxa entre as batidas. Consideramos hipertensão quando essas medidas ficam iguais ou acima de 140 mmHg (sistólica) e/ou 90 mmHg (diastólica) em diversas medições.

O grande problema da HAS é que, na maioria das vezes, ela é silenciosa. Muitas pessoas convivem com a pressão alta por anos sem sentir nenhum sintoma. É por isso que ela é conhecida como o “assassino silencioso”. E é justamente essa falta de sintomas que torna o diagnóstico tardio e aumenta o risco de complicações graves.

Por Que a Pressão Sobe? Entendendo as Causas

As causas da HAS podem ser divididas em dois grandes grupos:

  • Hipertensão Primária (ou Essencial): Essa é a forma mais comum, representando cerca de 90% dos casos. Nela, não conseguimos identificar uma única causa específica para a elevação da pressão. Ela geralmente se desenvolve ao longo dos anos e está relacionada a diversos fatores como histórico familiar de hipertensão, idade avançada, obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de sal, estresse e tabagismo. É uma combinação de fatores genéticos e de estilo de vida.
  • Hipertensão Secundária: Essa forma é menos comum e geralmente tem uma causa subjacente identificável, como doenças renais, problemas hormonais (como o hiperaldosteronismo), apneia do sono, uso de certos medicamentos (como alguns anticoncepcionais e descongestionantes nasais) e até mesmo a gravidez (pré-eclâmpsia). Nesses casos, o tratamento da causa primária muitas vezes leva à normalização da pressão arterial.

É importante que a equipe médica investigue a possível causa da hipertensão para direcionar o tratamento de forma mais eficaz.

Os Perigos da Pressão Alta Não Controlada

Deixar a hipertensão sem tratamento ou com controle inadequado pode trazer consequências sérias para a saúde, afetando diversos órgãos e sistemas do nosso corpo:

  • Doenças Cardiovasculares: A pressão alta força o coração a trabalhar mais, o que pode levar ao espessamento do músculo cardíaco (hipertrofia ventricular esquerda), angina (dor no peito), infarto agudo do miocárdio (ataque cardíaco) e insuficiência cardíaca (quando o coração não consegue bombear sangue suficiente para o corpo).
  • Acidente Vascular Cerebral (AVC): A pressão alta pode enfraquecer as paredes dos vasos sanguíneos do cérebro, aumentando o risco de rompimento (AVC hemorrágico) ou obstrução por coágulos (AVC isquêmico).
  • Doença Renal Crônica: A hipertensão danifica os pequenos vasos sanguíneos dos rins, prejudicando sua capacidade de filtrar o sangue, o que pode levar à insuficiência renal e à necessidade de diálise.
  • Problemas de Visão: A pressão alta pode afetar os vasos sanguíneos da retina, causando a retinopatia hipertensiva, que pode levar à perda da visão.
  • Outras Complicações: A HAS também pode contribuir para o desenvolvimento de demência vascular, disfunção erétil e doença arterial periférica.

Por isso, a detecção precoce e o controle adequado da hipertensão são fundamentais para prevenir essas complicações e garantir uma melhor qualidade de vida para o paciente.

O Papel Essencial da Enfermagem no Cuidado ao Paciente Hipertenso

Nós, profissionais de enfermagem, desempenhamos um papel crucial em todas as fases do cuidado ao paciente com HAS. Nossa atuação vai desde a detecção precoce até o acompanhamento contínuo e a educação para a saúde.

Na Detecção e Diagnóstico:

  • Aferição da Pressão Arterial: Realizar a aferição da pressão arterial de forma correta, seguindo as técnicas padronizadas e utilizando equipamentos calibrados. Registrar os valores de forma clara e precisa no prontuário do paciente.
  • Identificação de Fatores de Risco: Durante a anamnese, identificar os fatores de risco para HAS presentes no paciente (histórico familiar, hábitos de vida, comorbidades).
  • Orientação sobre a Medição Domiciliar da Pressão Arterial (MAPA e MRPA): Explicar ao paciente a importância e a forma correta de realizar a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) e a Medida Residencial da Pressão Arterial (MRPA), quando indicadas, e orientar sobre o registro dos resultados.

No Tratamento e Acompanhamento:

  • Administração de Medicamentos: Garantir a administração correta da medicação anti-hipertensiva prescrita, observando a dose, a via e o horário. Orientar o paciente sobre a importância da adesão ao tratamento, os possíveis efeitos colaterais e como lidar com eles.
  • Monitorização dos Sinais Vitais: Acompanhar regularmente os sinais vitais, especialmente a pressão arterial, e observar a resposta ao tratamento medicamentoso e não medicamentoso.
  • Identificação de Sinais de Alerta: Estar atento a sinais e sintomas que possam indicar descontrole da pressão ou complicações, como dor de cabeça intensa, tontura, alterações visuais, dor no peito, falta de ar e edema (inchaço). Comunicar imediatamente qualquer alteração à equipe médica.
  • Promoção de um Estilo de Vida Saudável: Essa é uma das nossas principais frentes de atuação. Precisamos orientar o paciente sobre a importância de:
    • Alimentação saudável: Redução do consumo de sal, gorduras saturadas e alimentos processados, e aumento da ingestão de frutas, verduras, legumes e fibras.
    • Prática regular de atividade física: Incentivar a realização de exercícios aeróbicos (caminhada, corrida, natação) por pelo menos 30 minutos na maioria dos dias da semana.
    • Controle do peso: Orientar sobre estratégias para alcançar e manter um peso saudável.
    • Abandono do tabagismo: Informar sobre os malefícios do cigarro e oferecer apoio para a cessação.
    • Moderação no consumo de álcool: Orientar sobre os limites seguros de consumo de bebidas alcoólicas.
    • Gerenciamento do estresse: Ensinar técnicas de relaxamento e estratégias para lidar com o estresse do dia a dia.

Na Educação em Saúde:

  • Esclarecimento sobre a HAS: Explicar de forma clara e acessível o que é a hipertensão, suas causas, os riscos de não tratamento e a importância do controle.
  • Reforço da Adesão ao Tratamento: Motivar o paciente a seguir as orientações médicas e a manter a medicação, mesmo quando se sentir bem.
  • Empoderamento do Paciente: Ensinar o paciente a monitorar sua pressão arterial em casa, a reconhecer sinais de alerta e a participar ativamente do seu tratamento.
  • Suporte Emocional: Oferecer apoio emocional e escuta qualificada, pois o diagnóstico de uma doença crônica como a HAS pode gerar ansiedade e medo.

Nosso trabalho como profissionais de enfermagem são fundamentais para o sucesso do tratamento da HAS. Através da nossa avaliação, da administração de cuidados, da educação e do apoio, podemos contribuir significativamente para a prevenção de complicações e para a melhora da qualidade de vida dos nossos pacientes.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 1 v. 116, n. 3, p. 516-658, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/mprRj48g27P86q7mG7nKkYt/?format=pdf.
  2. MALACHIAS, M. V. B. et al. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 107, n. 3 supl. 3, p. 1-83, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/mprRj48g27P86q7mG7nKkYt/?format=pdf.
  3. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G.; HINKLE, J. L.; CHEEVER, K. H. Brunner & Suddarth’s textbook of medical-surgical nursing. 14. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2018.

Antidiabéticos: Diabetes Mellitus tipo 2

O diabetes mellitus tipo 2 é uma doença crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. O tratamento com medicamentos antidiabéticos é fundamental para controlar os níveis de glicose no sangue e prevenir complicações.

Nesta publicação, vamos explorar os principais grupos de antidiabéticos, seus mecanismos de ação e os cuidados de enfermagem essenciais para pacientes com diabetes.

Os Principais Grupos de Antidiabéticos

Biguanidas (Metformina)

  • Mecanismo de ação: Diminui a produção de glicose pelo fígado, aumenta a sensibilidade à insulina e retarda a absorção de glicose no intestino.
  • Cuidados de enfermagem: Monitorar função renal, orientar sobre o risco de acidose láctica, especialmente em situações de jejum prolongado, desidratação ou insuficiência renal.
  • Exemplo mais comum: Metformina (Glucophage, Gliformin)

Sulfonilureias

  • Mecanismo de ação: Estimulam a liberação de insulina pelo pâncreas.
  • Cuidados de enfermagem: Monitorar hipoglicemia, especialmente em idosos e pacientes com função renal alterada. Orientar sobre a importância de uma alimentação regular e a associação com atividade física.
  • Exemplos: Glibenclamida, Glipizida, Glimepirida

Inibidores da alfa-glicosidase

  • Mecanismo de ação: Retardam a absorção de carboidratos no intestino, reduzindo os picos de glicose pós-prandial.
  • Cuidados de enfermagem: Orientar sobre a importância de uma dieta equilibrada e a ingestão de fibras.
  • Exemplos: Acarbose, Miglitol

Tiazolidinedionas (Glitazonas)

  • Mecanismo de ação: Aumentam a sensibilidade à insulina nos tecidos periféricos.
  • Cuidados de enfermagem: Monitorar ganho de peso, retenção hídrica e insuficiência cardíaca congestiva.
  • Exemplos: Pioglitazona, Rosiglitazona

Agonistas do GLP-1

  • Mecanismo de ação: Mimetizam a ação do hormônio incretina, estimulando a liberação de insulina, reduzindo a glucagonemia e retardando o esvaziamento gástrico.
  • Cuidados de enfermagem: Monitorar hipoglicemia, náuseas e vômitos.
  • Exemplos: Liraglutida (Victoza), Semaglutida (Ozempic), Exenatida (Byetta)

Inibidores da DPP-4

  • Mecanismo de ação: Aumentam os níveis de incretinas endógenas, potencializando a ação da insulina e reduzindo a produção de glicose hepática.
  • Cuidados de enfermagem: Monitorar infecções do trato respiratório superior.
  • Exemplos: Sitagliptina (Januvia), Saxagliptina (Onglyza), Linagliptina (Trajenta)

Inibidores da SGLT2

  • Mecanismo de ação: Inibem a reabsorção de glicose nos túbulos renais, aumentando a excreção urinária de glicose.
  • Cuidados de enfermagem: Monitorar infecções urinárias e genitais, poliúria e polidipsia.
  • Exemplos: Dapagliflozina (Forxiga), Canagliflozina (Invokana), Empagliflozina (Jardiance)

Cuidados de Enfermagem Gerais para Pacientes com Diabetes

  • Educação: Oferecer educação sobre o diabetes, automonitoramento da glicemia, importância da dieta, atividade física e adesão ao tratamento.
  • Monitoramento: Acompanhar regularmente os níveis de glicose, pressão arterial e peso.
  • Identificação de complicações: Estar atento aos sinais e sintomas de hipoglicemia, cetoacidose diabética e outras complicações agudas e crônicas.
  • Promoção da saúde: Estimular hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle do estresse.

É importante ressaltar que esta publicação tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada paciente é único e o tratamento deve ser individualizado, considerando as características clínicas e as necessidades de cada um.

Referências:

  1. Ruy Lyra, Luciano Albuquerque, Saulo Cavalcanti, Marcos Tambascia, Wellington S. Silva Júnior e Marcello Casaccia Bertoluci. Manejo da terapia antidiabética no DM2. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2024). DOI: 10.29327/5412848.2024-7, ISBN: 10.29327/5412848.2024-7.
  2. Araújo, L. M. B., Britto, M. M. dos S., & Porto da Cruz, T. R.. (2000). Tratamento do diabetes mellitus do tipo 2: novas opções. Arquivos Brasileiros De Endocrinologia & Metabologia, 44(6), 509–518. https://doi.org/10.1590/S0004-27302000000600011