Glicemia Capilar e Valores de Referência

A glicemia capilar é um exame que mede a quantidade de glicose (açúcar) presente no sangue obtido por uma picada no dedo. É um dos principais métodos utilizados para monitorar os níveis de açúcar no sangue em pessoas com diabetes, permitindo um ajuste mais preciso do tratamento e prevenindo complicações.

Por que a Glicemia Capilar é Importante?

  • Monitoramento constante: Permite acompanhar as variações da glicemia ao longo do dia, após as refeições e antes de dormir.
  • Ajuste do tratamento: Ajuda a ajustar a dose de insulina, a dieta e a prática de atividade física, garantindo um controle eficaz do diabetes.
  • Prevenção de complicações: A manutenção dos níveis de glicemia dentro da faixa ideal reduz o risco de complicações como problemas nos olhos, rins, nervos e coração.

Valores de Referência da Glicemia Capilar segundo a SBD

A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) estabelece os seguintes valores de referência para a glicemia capilar:

  • Glicemia de jejum: Entre 70 e 99 mg/dL.
  • Glicemia 2 horas após o início das refeições: Abaixo de 180 mg/dL.

Observação: Esses valores podem variar ligeiramente de acordo com o indivíduo e com as metas estabelecidas pelo médico.

Fatores que Influenciam a Glicemia Capilar

Diversos fatores podem influenciar os níveis de glicose no sangue, como:

  • Alimentação: O consumo de carboidratos, especialmente açúcares simples, eleva rapidamente a glicemia.
  • Atividade física: A prática regular de exercícios físicos ajuda a controlar a glicemia.
  • Medicação: Os medicamentos para diabetes, como a insulina, influenciam diretamente os níveis de glicose.
  • Estresse: Situações de estresse podem aumentar a glicemia.
  • Hormônios: Hormônios como o cortisol e o glucagon podem elevar a glicemia.

Importância do Automonitoramento da Glicemia

O automonitoramento da glicemia capilar é fundamental para o controle do diabetes. Ele permite que a pessoa com diabetes:

  • Identificar padrões: Observar como diferentes alimentos, atividades físicas e medicamentos influenciam a glicemia.
  • Tomar decisões: Ajustar o tratamento de forma rápida e eficaz.
  • Aumentar a autonomia: Ter mais controle sobre a própria saúde.

Quando Consultar um Médico?

É importante consultar um médico endocrinologista para:

  • Orientação sobre o automonitoramento: Aprender a utilizar o glicosímetro corretamente e interpretar os resultados.
  • Estabelecimento de metas: Definir os valores ideais de glicemia para cada indivíduo.
  • Ajuste do tratamento: Realizar ajustes na medicação, dieta e atividade física, conforme necessário.

Cuidados de Enfermagem com a Glicemia Capilar

Os cuidados de enfermagem com a glicemia capilar são essenciais para garantir a precisão dos resultados e a segurança do paciente. É fundamental que o profissional de saúde siga os protocolos estabelecidos e ofereça orientações claras ao paciente.

Preparo do Paciente e do Material:

  • Higienização: Lavar as mãos e o local da punção com água e sabão, secando bem.
  • Escolha do local: Preferir as laterais dos dedos, evitando o dedo polegar e o dedo médio.
  • Aquecimento: Se necessário, aquecer o local da punção para aumentar o fluxo sanguíneo.
  • Material: Ter à mão o glicosímetro, as fitas reagentes, o lancetador, algodão com álcool, gaze e o formulário para registro dos resultados.

Técnica da Punção Capilar:

  1. Selecionar a profundidade da lanceta: Ajustar a profundidade de acordo com as características da pele do paciente.
  2. Realizar a punção: Firmar o dedo do paciente e realizar a punção rápida e perpendicularmente à pele.
  3. Coleta da amostra: Limpar a primeira gota de sangue e coletar a próxima, aplicando-a na fita reagente.
  4. Inserção da fita no glicosímetro: Seguir as instruções do fabricante.
  5. Aguardar o resultado: Aguardar o tempo indicado pelo aparelho para obter o resultado.

Cuidados após a Punção:

  • Pressão: Aplicar leve pressão no local da punção com gaze até parar o sangramento.
  • Higienização: Descartar o material utilizado em recipiente apropriado.
  • Registro: Anotar o resultado da glicemia no formulário do paciente.
  • Orientações: Oferecer orientações ao paciente sobre a importância do automonitoramento da glicemia e sobre como interpretar os resultados.

Cuidados Especiais:

  • Pacientes com pele frágil: Utilizar lanceta com menor profundidade e realizar a punção em locais com menor espessura de pele.
  • Pacientes com alterações de coagulação: Avaliar a necessidade de outros métodos para coleta de sangue e comunicar o médico.
  • Uso de anticoagulantes: Aumentar a pressão no local da punção para obter a gota de sangue.
  • Armazenamento do material: As fitas reagentes devem ser armazenadas em local seco e à temperatura ambiente, conforme as instruções do fabricante.

Possíveis Erros e Interferências:

  • Contaminação da amostra: A presença de álcool ou outros produtos pode alterar o resultado.
  • Excesso ou falta de sangue na fita: A quantidade de sangue deve ser suficiente para cobrir toda a área reagente da fita.
  • Falha no equipamento: Verificar se o glicosímetro está calibrado e se as pilhas estão funcionando corretamente.

Importância do Treinamento:

É fundamental que os profissionais de saúde sejam treinados adequadamente para realizar a coleta da glicemia capilar, garantindo a qualidade e a segurança do procedimento.

Orientações ao Paciente:

  • Higiene das mãos: Lavar as mãos antes e após a realização do exame.
  • Armazenamento do glicosímetro: Guardar o glicosímetro em local seguro, longe do alcance de crianças.
  • Calibração do aparelho: Realizar a calibração do glicosímetro conforme as instruções do fabricante.
  • Registro dos resultados: Anotar os resultados da glicemia em um diário ou aplicativo.

Referências:

  1. https://diretriz.diabetes.org.br/metas-no-tratamento-do-diabetes/
  2. HUUFSC
  3. PEBMED

Hipoglicemia Neonatal

Hipoglicemia neonatal é uma condição em que os níveis de glicose no sangue de um recém-nascido estão abaixo do normal. Essa condição pode ocorrer por diversos motivos e, se não tratada adequadamente, pode levar a complicações sérias, incluindo danos neurológicos.

Valores de Glicose nas Primeiras 24 Horas

É importante ressaltar que os valores considerados normais para a glicose em recém-nascidos podem variar ligeiramente entre diferentes instituições e protocolos. No entanto, de forma geral, os valores de glicose nas primeiras 24 horas de vida devem ser mantidos acima de 45 mg/dL.

Por que os valores são mais baixos nas primeiras horas?

  • Adaptação à vida extrauterina: O bebê precisa se adaptar rapidamente à nova forma de obter energia.
  • Estoques de glicogênio: Os estoques de glicogênio, a principal fonte de energia do bebê nas primeiras horas de vida, podem ser limitados em alguns casos (pré-maturos, pequenos para a idade gestacional).
Idade do Recém-Nascido Valores de Glicose (mg/dL) Considerado Hipoglicemia
Primeiras 24 horas > 45 mg/dL < 45 mg/dL
Após 24 horas > 50 mg/dL < 50 mg/dL

Causas da Hipoglicemia Neonatal

As causas da hipoglicemia neonatal são diversas e podem incluir:

  • Fatores maternos: diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, uso de medicamentos.
  • Fatores fetais: asfixia perinatal, macrosomia, infecções congênitas.
  • Fatores neonatais: prematuridade, baixo peso ao nascer, distúrbios hormonais.

Sintomas da Hipoglicemia Neonatal

Os sintomas da hipoglicemia neonatal podem ser inespecíficos e variar de um bebê para outro. Alguns dos sinais mais comuns incluem:

  • Tremores
  • Irritabilidade
  • Letargia
  • Dificuldade para mamar
  • Choro fraco
  • Cianose
  • Hipotermia
  • Convulsões (em casos mais graves)

Diagnóstico

O diagnóstico da hipoglicemia neonatal é feito através da medida da glicose no sangue. É importante que o diagnóstico seja realizado o mais rápido possível, para que o tratamento seja iniciado imediatamente.

Tratamento

O tratamento da hipoglicemia neonatal consiste em elevar os níveis de glicose no sangue. As opções de tratamento podem incluir:

  • Alimentação: O leite materno ou fórmula é a principal fonte de energia para o recém-nascido.
  • Solução de glicose: Em casos mais graves, pode ser necessária a administração de uma solução de glicose por via intravenosa.
  • Tratamento da causa subjacente: É fundamental identificar e tratar a causa da hipoglicemia.

Prevenção

A prevenção da hipoglicemia neonatal envolve a identificação dos bebês de risco e o monitoramento cuidadoso dos níveis de glicose.

Bebês de risco:

  • Pré-maturos
  • Pequenos para a idade gestacional
  • Mães com diabetes gestacional
  • Bebês com asfixia perinatal

Consequências da Hipoglicemia Não Tratada

A hipoglicemia não tratada pode levar a complicações sérias, como:

  • Danos neurológicos: A falta de glicose pode causar danos irreversíveis ao cérebro.
  • Convulsões
  • Coma
  • Morte

Cuidados de Enfermagem

Monitoramento:

  • Glicemia capilar: Realizar a monitorização da glicemia capilar com frequência, de acordo com a prescrição médica e o estado clínico do recém-nascido.
  • Sinais vitais: Monitorar a frequência cardíaca, respiratória, temperatura e pressão arterial (quando indicada).
  • Sinais clínicos: Observar atentamente a presença de sinais e sintomas de hipoglicemia, como tremores, irritabilidade, letargia, dificuldade para mamar, cianose e convulsões.

Alimentação:

  • Aleitamento materno: Estimular o aleitamento materno exclusivo e precoce, orientando a mãe quanto à frequência e duração das mamadas.
  • Leite de fórmula: Oferecer leite de fórmula, caso o aleitamento materno não seja possível, seguindo as orientações médicas.
  • Complementação: Em casos de necessidade, oferecer complementação com glicose, conforme prescrição médica.

Prevenção:

  • Identificar os fatores de risco: Reconhecer os recém-nascidos com maior risco de hipoglicemia (pré-maturos, pequenos para a idade gestacional, mães com diabetes, etc.).
  • Manter a temperatura corporal: Evitar a hipotermia, pois ela pode agravar a hipoglicemia.
  • Evitar o estresse: Minimizar o estresse do recém-nascido, proporcionando um ambiente calmo e seguro.

Tratamento:

  • Administrar glicose: Preparar e administrar soluções de glicose, conforme prescrição médica, utilizando técnica asséptica.
  • Monitorar a resposta ao tratamento: Acompanhar a evolução da glicemia após a administração de glicose e comunicar qualquer alteração ao médico.

Outras medidas:

  • Documentar: Registrar todos os procedimentos realizados, incluindo os valores de glicemia, sinais vitais e a resposta do recém-nascido ao tratamento.
  • Educar a família: Orientar os pais sobre a importância do aleitamento materno, os sinais de hipoglicemia e a necessidade de acompanhamento médico regular.
  • Trabalhar em equipe: Colaborar com a equipe médica para garantir a melhor assistência ao recém-nascido com hipoglicemia.

Prevenção de complicações:

  • Identificação precoce: Identificar a hipoglicemia o mais precocemente possível para iniciar o tratamento adequado.
  • Tratamento oportuno: Administrar a glicose de forma rápida e eficaz.
  • Monitoramento contínuo: Acompanhar o estado clínico do recém-nascido de forma constante.

Referências:

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Diretrizes SBP – Hipoglicemia no período neonatal. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2015/02/diretrizesssbp-hipoglicemia2014.pdf.
  2. Freitas, P. de ., Matos, C. V. de ., & Kimura, A. F.. (2010). Perfil das mães de neonatos com controle glicêmico nas primeiras horas de vida. Revista Da Escola De Enfermagem Da USP, 44(3), 636–641. https://doi.org/10.1590/S0080-62342010000300012
  3. MARINHO, P. C.; SÁ, A. B. de; GOUVEIA, B. M.; SERPA, J. B.; MORAES, J. R. S.; SODRÉ, R. S.; QUARESMA, R. S. A.; SOARES, S. P.; SOUZA, A. C. C. B. de. Hipoglicemia neonatal: revisão de literatura/Neonatal hypoglychemia: literature review. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 3, n. 6, p. 16462–16474, 2020. DOI: 10.34119/bjhrv3n6-068. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/20050.

Hiperglicemia VS Hipoglicemia: As diferenças e os Cuidados de Enfermagem

A Hipoglicemia e a Hiperglicemia são duas condições opostas, mas que trazem grande desconforto para quem tem diabetes.

O que é a Glicemia?

Glicemia é a quantidade de glicose que circula em seu sangue em determinada hora do dia. Quando ela está alta, ou seja, quando temos mais açúcar no sangue do que o esperado para aquele momento, é chamada de hiperglicemia. Quando está abaixo do normal, estamos diante de uma hipoglicemia.

As Diferenças

A hiperglicemia ocorre em qualquer pessoa com diabetes, em maior ou menor intensidade, e pode estar ligada à efetividade do tratamento recebido.

Os sintomas variam em função do grau de hiperglicemia. Confira os principais: sede e apetite acima do normal, desejo frequente de urinar, cansaço, perda de peso, alterações na visão, entre outros.

Já a hipoglicemia se manifesta sempre que cai o nível de açúcar e a disponibilidade de glicose para as células. Principais sintomas: fome, cansaço, mal-estar, suor frio, confusão, tremores, dificuldade para enxergar, taquicardia até a perda de consciência.

Entre os principais fatores que levam a hipoglicemia estão: uso inadequado dos medicamentos, excesso de exercícios físicos, dieta pobre em carboidratos e consumo de bebidas alcoólicas.

Você sabia?

Quem tem diabetes deve respeitar sempre os horários das refeições, definir os exercícios físicos mais adequados com seu médico e tomar corretamente seus medicamentos.

E atenção, pois a hipoglicemia pode ocorrer durante a noite, sem que se perceba, por isso faça um lanche leve antes de dormir e evite praticar exercícios à noite. mas tome cuidado para não usar hidratante entre os dedos dos pés.

Cuidados de Enfermagem

Quanto ao paciente diabético:

  • Orientar o paciente portador do diabetes a mudar ou manter os hábitos de vida saudáveis a fim de diminuir a ocorrência de complicações vindas de um tratamento diabético ineficaz;
  • Orientar o paciente diabético tipo 2 quanto à realização de vacinação contra a influenza, uma vez que o índice de mortalidade cresce com a presença desse vírus nos portadores de diabetes;
  • Monitorar o paciente e educar quanto ao tratamento farmacológico prescrito pelo médico;
  • Educar e monitorar o paciente em uso de insulinoterapia, demonstrar a aplicação da insulina, fornecer esquema de rodízio ao paciente, instruir sobre como é realizada a aspiração das unidades de insulina e mesmo as complicações que podem ocorrer nos locais onde se aplica insulina, assim como o armazenamento, conservação e transporte. Fornecer informações sobre o uso dos instrumentos existentes para uso da insulina;
  • Orientar o paciente a realizar a automonitorização e ensiná-lo a manusear o material e equipamento utilizado para tal. Nos casos em que o paciente não tem condições de realizar o procedimento em sua residência, o mesmo deve ser orientado a comparecer ao posto de saúde;
  • Monitorar a participação dos pacientes nas consultas médicas conforme a preconização do médico de retorno ao consultório, realização de exames e participação nos grupos de diabéticos;
  • Participar de campanhas de rastreamento de casos de pacientes diabéticos e realizar os encaminhamentos necessários;
  • Prestar cuidados de enfermagem ao paciente diabético hospitalizado, como monitorar frequentemente a glicemia capilar, coletar dados do paciente sobre o esquema terapêutico que utiliza em domicílio e sempre registrar informações no prontuário. Assistir o paciente e monitorizar níveis de hipoglicemia nos pacientes hospitalizados e administrar medicações conforme a prescrição médica. Seguir ações de enfermagem específicas em cada complicação conforme citado no módulo;
  • Interagir com a família do diabético para que a mesma compreenda certas manifestações do paciente e a correlação com a enfermidade;
  • Questionar sempre ao paciente sobre questões que podem envolver sinais de complicações da doença;
  • Promover ao máximo o autocuidado eficiente;
  • Incentivar o paciente a manter uma boa higiene bucal e relatar quaisquer casos de hemorragias, edemas ou dores na gengiva;
  • Manter uma boa higiene e cuidados com a pele, orientar o paciente para que realize em casa, e nos casos de pacientes hospitalizados realizar os cuidados;
  • Auxiliar o paciente a manter níveis adequados de glicemia como forma de proporcionar uma melhor qualidade de vida;
  • Participar da prestação do cuidado aos pacientes que tiveram complicações e interagir em sua reabilitação familiar e social.

Quanto ao paciente hipoglicêmico:

  • Educar o paciente sobre como balancear dieta, exercício e agente hipoglicemiante oral ou insulina(Grau I e II);
  • Evitar consumo de álcool em doses maiores do que o permitido na dieta (> 2 doses de álcool/dia);
  • Pacientes que não enxergam bem devem receber orientação especial para evitar erros de dose de insulina;
  • Pacientes suscetíveis devem ter suas metas de controle revisadas (os que não reconhecem sintomatologia precoce, não atendem aos princípios básicos do tratamento ou têm padrões de vida incompatíveis com as normas preventivas);
  • Muitas vezes, mesmo quando em busca de controle estrito, pode ser necessário revisar as metas de controle para a glicemia de jejum e para a glicemia ao deitar, tolerando níveis de até 140 a 150 mg/dL.
  • Outro aspecto importante na prevenção da hipoglicemia noturna é prescrever um lanche antes de dormir que contenha carboidratos, proteínas e gorduras, por exemplo, um copo de leite (300 mL). (Grau II).
  • Detecção Precoce – o objetivo é sustar o desenvolvimento da hipoglicemia leve para evitar seu agravamento, sendo necessário:
  • Identificar os sinais precoces como sudorese, cefaleia, palpitação, tremores ou uma sensação desagradável de apreensão.
  • Quando isso não ocorre, a cooperação da família, amigos, colegas e professores é fundamental; eles podem alertar para um sinal de hipoglicemia quando esta ainda não foi conscientizada pelo paciente (agir estranhamente, sudorese).
  • O tratamento deve ser imediato, mas com pequena dose (10 a 20g) de carboidrato simples, repetindo-a em 15 minutos, se necessário. Em geral, 10 g de carboidrato simples estão presentes em: 2 colheres de chá de açúcar, 100 ml de refrigerante ou suco de fruta, 2 balas.
  • Dois erros comuns são retardar o tratamento para poder terminar uma determinada tarefa em andamento – o que pode levar a uma hipoglicemia grave ou exagerar na dose inicial de açúcar – o que pode ser sucedido por uma descompensação hiperglicêmica.
  • Evitar aplicar insulina em local que será muito exercitado (p.ex., quando faz trabalho de fortalecimento de quadríceps, caminhada e corrida evitar aplicação na perna, fazendo-a no abdômen), pois pode afetar sua velocidade de absorção;
  • Se possível, realizar controle metabólico (glicemia capilar) antes da atividade;
  • Postergar o início do exercício com glicemia > 250 mg/dL no tipo 1;
  • Ingerir um alimento contendo carboidrato se a glicemia for inferior a 100 mg/dL;
  • Ingerir carboidratos de fácil digestão antes, durante e depois de exercício prolongado;
  • Diminuir a dose de insulina ou aumentar a ingesta de carboidrato (para cada 30 minutos de exercício, 10 a 15g) quando for praticar exercício;
  • Evitar exercitar-se no pico de ação da insulina;
  • Evitar exercícios de intensidade elevada e de longa duração (mais que 60 minutos);
  • Carregar consigo um alimento contendo carboidrato para ser usado em eventual hipoglicemia;
  • Estar alerta para sintomas de hipoglicemia durante e após o exercício.

Referências:

  1. Duncan BB, Schmidt MI, Giugliani ERJ. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 3a ed. Porto Alegre: Artmed; 2004.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Plano de reorganização da atenção à hipertensão arterial e ao diabetes mellitus. Brasília: Ministério da Saúde; 2001. Disponível em:http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/miolo2002.pdf
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Diabetes mellitus. Brasília: Ministério da Saúde; 2006. (Cadernos de Atenção Básica, n. 16 ; Série A. Normas e Manuais Técnicos). Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diabetes_mellitus.PDF

Insulina e Glucagon: Como eles funcionam no controle da glicemia?

A insulina e o glucagon são dois hormônios produzidos pelo pâncreas, que são fundamentais para a vida e têm função inversa entre si.

Dependendo da necessidade do organismo, o pâncreas secreta ora insulina ora glucagon e assim controla de modo natural a glicemia no sangue.

Qual o Papel da Insulina e do Glucagon?

No Caso da Insulina

Quando comemos, os alimentos são transformados em açúcar (glicose). Essa glicose é o principal combustível do corpo e, justamente por isso, precisa ser armazenada para momentos de jejum ou falta de comida.

Após as refeições, o sangue irá apresentar picos glicêmicos e, a partir daí, o pâncreas entra em ação.

O pâncreas irá produzir insulina, que é o hormônio responsável por transportar a glicose do sangue para dentro das células. A insulina faz isso com as células do tecido muscular esquelético, adiposo e hepático.

Enquanto todo o corpo consome glicose para manter-se vivo, o fígado armazena aproximadamente 1% desse açúcar dentro de suas células em forma de glicogênio.

Desse modo, a insulina retira o açúcar da circulação sanguínea e o carrega para dentro das células do corpo e fígado.

Quando o pâncreas não funciona ou funciona de maneira deficiente, ocorre a falta ou a baixa produção de insulina, provocando Diabetes Tipo 1, Diabetes Tipo 2 ou Diabetes Gestacional, doenças caracterizadas pelo excesso de glicose no sangue (hiperglicemia).

E o Glucagon? Qual é o seu papel?

O glucagon faz o papel inverso da insulina. E juntos, insulina e glucagon equilibram e controlam o teor de açúcar no organismo.

O glucagon é produzido pelo pâncreas para os momentos de hipoglicemia, ou seja, quando a glicose presente nas células começa a cair para níveis em que falta combustível ao corpo.

Veja os números de referência para controle glicêmico:

  • Nível normal de glicose no sangue: de 70 mg/ dL a 100 mg/ dL;
  • Hiperglicemia: acima de 120 mg/ dL => atuação da insulina;
  • Hipoglicemia: abaixo de 60 mg/ dL => atuação do glucagon;
  • Diabetes: acima de 126 mg/ dL em jejum

Como falamos, após as refeições é normal haver picos glicêmicos, mas se a pessoa for saudável logo a insulina irá trabalhar para metabolizar a glicose e reequilibrar a glicemia no sangue.

A situação oposta é justamente a hipoglicemia, que pode ocorrer em jejuns ou longos intervalos entre as refeições. Tonturas, fraqueza, dores de cabeça e até desmaios são um sinal de que falta glicose para o cérebro.

Os sintomas de hipoglicemia funcionam como um sinal de alerta para a pessoa se alimentar rapidamente. No entanto, o corpo não pode ficar parado esperando por comida.

Ao menor sinal de hipoglicemia, imediatamente o pâncreas irá produzir o hormônio glucagon, que por sua vez estimula o fígado a transformar o glicogênio armazenado em moléculas de glicose.

Após fazer isso, o glucagon carrega a glicose do fígado para a corrente sanguínea e o teor de açúcar no sangue é novamente normalizado.

Note que nesse processo, a insulina e o glucagon também ajudam a regular a fome.

“Hi” e “Lo” na Glicemia Capilar: O que é?

O objetivo do tratamento do diabetes é manter a glicemia (açúcar no sangue) o mais próximo do normal quanto possível.

Há diversos monitores, dispositivos, aparelhos, de diversas marcas, que contém seus padrões de controle de glicemia, para casos extremos de hiper e hipoglicemia.

O que são os termos “Hi” e “Lo” nestes monitores?

O termo “Hi” vem do inglês, que significa “alto”, ou seja, para aquele aparelho utilizado, o padrão glicêmico atingiu os níveis acima pré estabelecidos.

Já o termo “Lo” vem do inglês, que significa “baixo”, ou seja,  para aquele aparelho utilizado, o padrão glicêmico atingiu os níveis abaixo pré estabelecidos.

É importante sempre consultar o manual destes monitores, que variam muito os valores de referência:

Para os Monitores da Accu-Check:

É medido a glicemia num intervalo definido de 10 – 600 mg/dL ou 0,6 – 33,3 mmol/L .

Os valores que estiverem fora deste intervalo são indicados como “LO” – significa que o resultado é inferior a 10 mg/dL (0,6 mmol/L); ou “HI” – que significa que o resultado é superior a 600 mg/dL (33,3 mmol/L).

Para os Monitores da Optium Xceed:

O monitor determina que o resultado do teste de glicose é inferior a 20 mg/dL (1,1 mmol/L) para “LO”.

 Já para o caso de situações onde o monitor determina que o resultado do teste de glicose no sangue é superior a 500 mg/dL (27,8 mmol/L), é caracterizado como “HI”.

Estes dois são exemplos para os mais utilizados em âmbito hospitalar. Vale sempre consultar os manuais de outros aparelhos, todos provém destas informações!

Lembre-se!

Nem sempre estes valores podem ser reais, sempre verifique houve algum problema com a tira-teste, ou se não utilizou estas fitas de maneira correta, como por exemplo, tocar diretamente no sensor da fita com as mãos sujas, úmidas, molhadas.

Sempre verifique novamente a glicemia do paciente para confirmar o resultado.

Mas se realmente os valores permanecem os mesmos e o resultado ainda confirma “HI” ou “LO”, notifique imediatamente o médico plantonista e o enfermeiro responsável pelo setor!