Como abrir ampola de medicamento?

Abrir uma ampola de vidro parece uma tarefa simples para quem vê um profissional experiente fazendo, mas para o estudante de enfermagem que segura aquele frasco pela primeira vez, a sensação costuma ser de insegurança. O medo de o vidro estilhaçar, de cortar os dedos ou de contaminar a medicação é real e muito comum. No entanto, a indústria farmacêutica desenvolveu tecnologias para tornar esse processo quase intuitivo e, acima de tudo, seguro.

Para garantir uma administração de medicamentos impecável, o primeiro passo é conhecer o material que temos em mãos. Hoje, a maioria das ampolas utiliza os sistemas OPC (One Point Cut) ou VIBRAC. Entender a lógica por trás de cada um deles não só facilita o trabalho, como também previne acidentes ocupacionais e garante a segurança do paciente.

Por que é importante conhecer o sistema da ampola?

As ampolas de vidro, quando abertas de forma inadequada, podem provocar cortes nos dedos, exposição ao sangue e risco biológico. Além disso, fragmentos de vidro podem contaminar o medicamento, trazendo risco direto ao paciente.

Os sistemas VIBRAC e OPC foram desenvolvidos justamente para facilitar a abertura da ampola e reduzir acidentes, mas só cumprem esse papel quando utilizados corretamente.

O Sistema OPC: O Ponto de Ruptura Único

O sistema OPC (One Point Cut) é identificado por aquele pequeno ponto colorido (geralmente azul, branco ou vermelho) localizado no pescoço da ampola. Esse ponto não é apenas decorativo; ele indica o local exato onde o vidro foi pré-cortado ou fragilizado por laser.

Para abrir uma ampola OPC corretamente, você deve posicionar o ponto colorido voltado para você. O segredo está na alavanca: ao colocar o polegar sobre o ponto e aplicar uma leve pressão para trás, a ampola se quebra de forma limpa. A lógica é que o ponto de fragilidade “estique” até romper. Se você tentar quebrar para os lados ou sem observar o ponto, as chances de o vidro estilhaçar são muito maiores.

Erros comuns ao abrir ampola OPC

Um erro frequente é tentar quebrar a ampola girando o vidro ou aplicando força excessiva. Outro erro é não posicionar corretamente o ponto colorido, o que aumenta o risco de quebra irregular e acidentes.

O Sistema VIBRAC: O Anel de Ruptura

Diferente do OPC, o sistema VIBRAC é caracterizado por um anel colorido que circula todo o gargalo da ampola. A principal diferença aqui é a versatilidade, pois não há um ponto fixo de pressão. O anel indica que toda aquela circunferência foi tratada para romper sob pressão.

Embora pareça mais fácil, o sistema VIBRAC exige a mesma atenção técnica. O anel garante que a ruptura ocorra naquela linha específica, evitando que o gargalo quebre em pontas irregulares que poderiam cair dentro do líquido ou ferir o profissional. É uma tecnologia muito comum em ampolas de soro, eletrólitos e medicações de uso rotineiro.

Dificuldades comuns no sistema VIBRAC

Por não ter ponto de referência visual, muitos profissionais aplicam força excessiva ou tentam girar o gargalo. Isso aumenta o risco de quebra irregular e cortes.

Passo a Passo para uma Abertura Segura

Antes de qualquer manipulação, o preparo começa com a higienização das mãos e a conferência dos “certos” da medicação. Com a ampola em mãos, o primeiro movimento deve ser garantir que todo o líquido esteja no corpo do frasco. Frequentemente, uma pequena quantidade fica retida na “cabeça” da ampola. Um movimento circular suave com o pulso ou pequenos “petelecos” na parte superior resolvem isso facilmente.

Após garantir o líquido no lugar certo, faça a desinfecção do gargalo com algodão ou gaze embebida em álcool a 70%. Esse passo é vital para evitar que microrganismos da superfície externa entrem em contato com o fármaco no momento da abertura.

Para a abertura propriamente dita, nunca use os dedos diretamente sobre o vidro nu. Utilize uma gaze seca para envolver o gargalo. Além de oferecer uma melhor aderência (o vidro pode estar escorregadio devido ao álcool), a gaze serve como uma barreira física caso o vidro estilhace. Com o ponto do sistema OPC voltado para você, aplique uma pressão firme e constante para trás. O som deve ser um estalo seco e limpo.

Cuidados de enfermagem ao abrir ampolas

Independentemente do sistema utilizado, alguns cuidados são indispensáveis na prática de enfermagem.

  • A higienização das mãos deve ser realizada antes do preparo do medicamento, respeitando os princípios da técnica asséptica.
  • Sempre que possível, utilize gaze, algodão ou dispositivo protetor para envolver o gargalo da ampola, reduzindo o risco de lesões.
  • Nunca abra ampolas direcionando a quebra para o corpo ou para outra pessoa. O movimento deve ser firme, controlado e afastado.
  • Após a abertura, observe se houve formação de fragmentos de vidro. Caso haja suspeita de contaminação, o medicamento deve ser descartado.
  • O descarte da parte superior da ampola deve ser feito imediatamente em coletor de perfurocortantes, nunca no lixo comum.

Além de outros Cuidados:

  •  Uso de Agulhas com Filtro: Sempre que possível, utilize agulhas com filtro para aspirar a medicação de ampolas de vidro. Micropartículas de vidro, invisíveis a olho nu, podem cair no líquido durante a quebra e serem aspiradas para a seringa.
  • Descarte Imediato: Assim que a ampola for aberta e o conteúdo aspirado, as duas partes do vidro (corpo e gargalo) devem ser descartadas imediatamente na caixa de perfurocortantes (Descarpack). Nunca deixe gargalos soltos sobre a bancada.
  • Não Force o Vidro: Se a ampola oferecer resistência excessiva, não force. Pode haver um defeito de fabricação no pré-corte. Tente girar a ampola levemente ou, em último caso, utilize uma serra de ampolas apropriada, embora isso seja cada vez mais raro com os sistemas OPC e VIBRAC.
  • Proteção Ocular: Em ambientes de urgência ou ao manipular drogas quimioterápicas e irritantes, o uso de óculos de proteção é indispensável, prevenindo que respingos atinjam a mucosa ocular.

Conhecer e aplicar corretamente a técnica de abertura de ampolas com sistema VIBRAC e OPC é uma habilidade básica, porém essencial, na rotina da enfermagem. Pequenos detalhes fazem grande diferença na prevenção de acidentes, na segurança do paciente e na qualidade da assistência prestada.

Para o estudante de enfermagem, dominar essa técnica desde cedo contribui para uma prática mais segura, confiante e profissional.

Referências:

  1. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Brasil). Boas Práticas de Preparo de Medicamentos em Serviços de Saúde. Brasília: Anvisa, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa
  2. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO. Guia de Boas Práticas: Administração de Medicamentos. São Paulo: COREN-SP, 2020. Disponível em: https://portal.coren-sp.gov.br
  3. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne Griffin. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.
  4. BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. S. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. Disponível em:
    https://www.grupogen.com.br
  5. COREN-SP. Segurança no preparo e administração de medicamentos. São Paulo, 2019. Disponível em:
    https://portal.coren-sp.gov.br
  6. POTTER, P. A.; PERRY, A. G. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. Disponível em: https://www.elsevier.com

O que são os Resíduos Hospitalares?

Resíduo Hospitalar

O Termo Resíduo Hospitalar provém dos resíduos descartados pelos Serviços de Saúde, na qual contém alto teor de contaminação para o ser humano e o meio ambiente.

Os mesmos devem ser corretamente separados, armazenados, identificados e encaminhados para um tratamento seguro mediante contratação de empresas especializadas e de acordo com as normativas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Os Serviços de Saúde geralmente incluem: hospitais, clínicas, laboratórios, ambulatórios, farmácias, postos de saúde, necrotérios, centros de pesquisa, entre outros.

O que geralmente são descartados nestes serviços são as luvas, seringas, algodão, gazes, bem como órgãos, tecidos, medicação, vacinas vencidas, materiais cortantes, dentre outros. Note que esses estabelecimentos podem ser também as clínicas veterinárias.

Como é feito este descarte?

Deve ser feito de maneira adequada, visto a quantidade de bactérias e vírus (resíduos infectantes) que apresentam os quais podem levar ao contágio de doenças infecciosas.

Além disso, os remédios contêm sustâncias tóxicas e radioativas que podem contaminar e alterar a qualidade do solo e a água.

Lembrando que, mesmo em casa, não devemos descartar os medicamentos vencidos, pois segundo a coleta seletiva eles são levados aos aterros sanitários, o que pode prejudicar a vida das pessoas que coletam o lixo, bem como contaminar a área.

Nesse caso, algumas farmácias contam com o descarte de medicamentos que não serão mais utilizados.

Para tanto, seu destino é realizado mediante uma coleta de lixo hospitalar própria e realizada por caminhões específicos que os levam aos locais para incineração, ou seja, para serem queimados em altas temperaturas.

Além da incineração, alguns casos são realizados o aterramento e a radiação. Lembre-se que o descarte inadequado desse tipo de lixo pode afetar gravemente o meio ambiente e a saúde humana.

A Classificação: Os Tipos de Resíduos Hospitalares conforme a ANVISA

Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na Resolução RDC nº 33/03 os resíduos hospitalares são classificados em 5 tipos, sendo que o primeiro (classe A) são os mais perigosos uma vez que representam grandes riscos de contaminação devido à presença de agentes biológicos.

  • Grupo A (potencialmente infectantes);
  • Grupo B (químicos);
  • Grupo C (rejeitos radioativos);
  • Grupo D (resíduos comuns);
  • Grupo E (perfurocortantes).

Essa classificação e sistematização foi implementada pela Anvisa com o intuito de evitar prejuízos ambientais bem como prevenir acidentes que possam atingir profissionais que trabalham diretamente nos processos de coleta, armazenamento, transporte, tratamento e destinação desses resíduos.

Afinal, o que são?

Os Resíduos Infectantes ou Biológicos?

Têm a possível presença de agentes biológicos, que, por suas características, podem apresentar risco potencial à saúde e capacidade de provocar infecção. Exemplos: sangue, membranas e excreções. O acondicionamento deve ser feito em saco plástico branco leitoso, resistente e impermeável. A destinação final é a incineração.

Os Resíduos Perfurocortantes?

São todos os materiais descartados que podem causar cortes e perfurações. Exemplos: agulhas, escalpes, lancetas e ampolas. O acondicionamento é feito em recipientes rígidos. A destinação correta é a incineração.

Os Resíduos Químicos?

Contêm substâncias químicas que podem apresentar riscos, dependendo de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade. Exemplos: resíduos saneantes, desinfetantes e desincrostrantes, resíduos de reagentes utilizados na realização de testes manuais e efluentes de equipamentos automatizados. O acondicionamento deve ser feito em sua embalagem original, dentro de recipiente inquebrável, envolvido por um saco. A destinação é a devolução ao fabricante.

Os Resíduos Comuns?

Não apresentam risco biológico, químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente. Exemplos: sobras de alimentos, papéis de uso sanitário, fraldas e embalagens em geral. O acondicionamento deve ser feito em lixeiras ou recipientes que diferenciem cada conteúdo. Devem ser enviados à reciclagem, reutilização ou aterramento.

Os Resíduos Radioativos?

São quaisquer materiais resultantes de atividades humanas que contenham radionuclídeos em quantidades superiores aos limites de eliminação especificados em norma. Exemplos: resíduos provenientes de serviços de medicina nuclear e radioterapia. O acondicionamento deve ser feito em recipientes blindados. A destinação final são os depósitos de lixo radioativo.

Os Subgrupos do Grupo A : Infectantes

  • Grupo A1: Resíduos provenientes de manipulação de microorganismos, inoculação, manipulação genética, ampolas e frascos e todo material envolvido em vacinação, materiais envolvidos em manipulação laboratorial, material contendo sangue, bolsas de sangue ou contendo hemocomponentes. Este resíduo deve ser acondicionado pelo gerador em saco branco leitoso com símbolo de risco infectante.
  • Grupo A2: Corresponde a carcaças, peças anatômicas, vísceras animais e até mesmo animais que foram submetidos a processo de experimentação com microorganismos que possam causar epidemia.  Como estes resíduos possuem um alto grau de risco, devem ser acondicionados em sacos vermelhos contendo símbolo de risco infectante.
  • Grupo A3: Peças anatômicas (membros humanos), produtos de fecundação sem sinais vitais, com peso inferior a 500 gramas e estatura menor que 25 cm, devem ser acondicionados pelo gerador em saco vermelho com símbolo de risco infectante.
  • Grupo A4: Kits de linha arteriais, filtros de ar e de gases aspirados de áreas contaminadas, sobras de laboratório contendo fezes, urina e secreções, tecidos e materiais utilizados em serviços de assistência á saúde humana ou animal, órgãos e tecidos humanos, carcaças, peças anatômicas de animais, cadáveres de animais e outros resíduos que não tenham contaminação ou mesmo suspeita de contaminação com doença ou microorganismos de importância epidemiológica. Estes resíduos devem ser acondicionados pelo gerador em sacos branco leitoso com símbolo de risco infectante.
  • Grupo A5: Órgãos, tecidos, fluidos e todos os materiais envolvidos na atenção à saúde de indivíduos ou animais com suspeita ou certeza de contaminação por príons (agentes infecciosos compostos por proteínas modificadas). Estes materiais devem ser acondicionados pelo gerador em 2 sacos vermelhos (um dentro de outro) contendo símbolo de risco infectante.

As Classes de Códigos conforme a ONU

Quando consideramos o transporte de resíduos no qual não seja prevista utilização, mas que são transportados para fins de despejo, incineração ou qualquer outro processo de disposição final devemos entender que são substâncias, soluções ou misturas que contêm, ou estão contaminados por, um ou mais produtos perigosos.

A classificação adotada para os resíduos considerados perigosos, considerando o tipo de risco que apresentam e conforme as recomendações para o transporte de resíduos Perigosos da ONU é composta das seguintes classes definidas abaixo:

  • Classe 1 – Explosivos

Subclasse 1.1 – Substâncias e artefatos com risco de explosão em massa

Subclasse 1.2 – Substâncias e artefatos com risco de projeção

Subclasse 1.3 – Substâncias e artefatos com risco predominante de fogo

Subclasse 1.4 – Substâncias e artefatos que não apresentam risco significativo

Subclasse 1.5 – Substâncias pouco sensíveis

  • Classe 2 – Gases comprimidos, liquefeitos, dissolvidos sob pressão ou altamente refrigerados.

Subclasse 2.1 – Gases inflamáveis;

Subclasse 2.2 – Gases não inflamáveis, não tóxicos;

Subclasse 2.3 – Gases tóxicos.

  • Classe 3 Líquidos Inflamáveis
  • Classe 4 – Esta classe se subdivide em: 

Subclasse 4.1 – Sólidos inflamáveis;

Subclasse 4.2 – Substâncias sujeitas à combustão espontânea;

Subclasse 4.3 – Substâncias que, em contato com a água, emitem gases inflamáveis.

  • Classe 5 – Esta classe se subdivide em: 

Subclasse 5.1 – Substâncias Oxidantes;

Subclasse 5.2 – Peróxidos Orgânicos.

  • Classe 6 – Esta classe se subdivide em: 

Subclasse 6.1 – Substâncias Tóxicas (venenosas);

Subclasse 6.2 – Substâncias Infectantes.

  • Classe 7 – Substâncias Radioativas
  • Classe 8 – Corrosiva
  • Classe 9 – Substâncias Perigosas Diversas

Os Cuidados de Enfermagem com os Resíduos Hospitalares

  • O primeiro cuidado que devemos ter no ambiente hospitalar é em relação a lavagem das mãos, esse deve ser feito de forma rigorosa, pois trata tanto da prevenção da saúde do paciente quanto do profissional. As mãos devem ser lavadas antes e após qualquer cuidado prestado a um paciente. Lembrando que o uso da luva não exclui a necessidade de lavagem das mãos.
  • Os cuidados com materiais contaminados é de extrema importância, pois visa a proteção do profissional e auxilia também no controle de infecção hospitalar, devendo ser acondicionados em locais apropriados.
  • É importante o uso de máscaras e protetor ocular quando o paciente possa gerar respingos ou aerosóis de secreções ou fluidos corporais durante o procedimento prestado.
  • O uso do avental é para proteger o profissional da umidade das roupas durante atividades com o paciente.
  • A equipe de enfermagem também deve ter um cuidado especial com relação ao descarte do lixo hospitalar, afim de prevenir acidentes e infecção.

Lembrando que o lixo deve ser separado de forma rigorosa, para cada classe existe um tipo de coleta e destinação, é necessário a identificação com a respectiva simbologia e seu transporte deve ser realizado por profissionais capacitados e treinados para não se contaminar.