
A capacidade do selo d’água de um dreno torácico depende do tipo de sistema de drenagem utilizado e da quantidade de líquido ou ar que é removido do espaço pleural.
O que é um selo d´água?
O selo d’água fica dentro de uma frasco que contém água estéril ou soro fisiológico, e que impede a entrada de ar no tórax, mantendo a pressão negativa intrapleural e a expansão pulmonar.
O selo d’água deve estar submerso em 2,5 cm de altura em relação ao fundo do frasco.
O que corresponde a cerca de 300 ml para frasco de drenagem com capacidade de 1000 ml e 500 ml para de frasco de drenagem com capacidade de 2000 ml.
O selo d’água deve ser trocado a cada 12 ou 24 horas, ou sempre que estiver sujo ou contaminado.
A troca do selo d’água requer cuidados de higiene, assepsia e proteção individual, além de monitorização do volume e aspecto do conteúdo drenado.
A oscilação do nível de água no selo indica que o sistema está funcionando adequadamente e que há sincronia entre a respiração do paciente e o fluxo do dreno.
Referência:
- https://periodicos.furg.br/vittalle/article/download/11619/8861/42399

Um curativo de dreno de tórax é um procedimento que visa proteger o local de inserção do dreno, evitar infecções, manter a permeabilidade do sistema de drenagem e facilitar a remoção do ar e/ou líquido acumulado na cavidade pleural.
A Importância
Está relacionada à prevenção de complicações respiratórias e à promoção da recuperação do paciente.
Alguns cuidados
O curativo deve ser realizado com técnica asséptica, utilizando material estéril e seguindo as normas de biossegurança.
O profissional de enfermagem deve avaliar o aspecto da ferida, a quantidade e a coloração do líquido drenado, a presença de sinais de infecção ou de fístula, e registrar os dados no prontuário.
O curativo deve ser trocado sempre que estiver úmido, sujo ou solto, ou conforme a rotina da instituição.
Alguns cuidados que devem ser observados ao realizar o curativo são:
- lavar as mãos antes e depois do procedimento;
- usar luvas estéreis;
- trocar o curativo sempre que estiver úmido ou sujo;
- fixar bem o dreno para evitar deslocamentos;
- observar sinais de infecção ou sangramento no local;
- anotar a data e hora da troca do curativo.

Referência:
- Boas Práticas -Dreno de Tórax

Para que serve?
Dar saída à coleções líquidas ou gasosas do espaço pleural, mediastino ou cavidade torácica, restaurando a pressão no espaço pleural ou reexpandindo o pulmão colapsado, restaurando a função cardio-respiratória normal, após cirúrgia, traumatismo ou afecções clínicas.
Executor:
Médico
Materiais Necessários
- Mesa auxiliar
- Foco auxiliar
- Caixa de pequena cirurgia
- Drenos de tórax compatíveis com a finalidade
- Gazes estéreis
- Fio de sutura mono-nylon 2,0 ou 3,0 agulhados
- Seringa 10ml descartável para anestesia
- Agulhas para anestesia (40×12 e 30×7)
- clorexidina alcoólica a 0,5%
- Xylocaína 2% sem vasoconstritor
- Lâmina de bisturi de acordo com o cabo do bisturi
- Luvas estéreis
- Campo fenestrado
- Frascos de drenagem conforme a solicitação do cirurgião
- Soro fisiológico ou água estéril para preenchimento do frasco de drenagem (+500ml)
- Fita adesiva
- Recipiente para lixo
Etapas do Procedimento
Médico:
- Técnica asséptica;
- O médico deve usar paramentação cirúrgica;
- Lavar as mãos corretamente e calçar luvas estéreis;
- antissepsia da pele;
- Colocação de campo;
- Anestesia local e/ou se necessário sedo-anestesia;
- Incisão e dissecção dos tecidos;
- Colocação do dreno;
- Fixação do dreno;
- Curativo;
- Verificação do sistema;
- Confirmar posicionamento do dreno com Rx de tórax;
Enfermagem:
- Lavar as mãos corretamente;
- Abrir os pacotes com técnica asséptica;
- Preparar o paciente, posicionando-o;
- Colocar o antisséptico na cuba ;
- Segurar o frasco de anestésico para o médico, realizando a antissepsia prévia com álcool 70%;
- Colocar soro ou água esterilizada dentro do frasco;
- Instalar a tampa no frasco, de modo que a haste fique submersa cerca de 1,5 a 2 cm na água ;
- Calçar as luvas;
- Após a introdução do dreno, auxiliar na conexão deste à extremidade distal do sistema, sem contaminar;
- Colar na altura-limite da água, o rótulo com a hora, dia e nome no frasco de drenagem e quantos ml de água foram colocados;
- Após o término do procedimento, descartar os materiais perfuro-cortantes em recipiente adequado;
- Encaminhar os instrumentais para a CME e arrumar o local;
Para a troca de frascos: quando alcançar 2/3 da capacidade do frasco
- Lavar as mãos corretamente;
- Calçar luvas estéril;
- vestir máscara;
- proteger a inserção do dreno com campo estéril;
- Pinçar o intermédiário realizar assepsia com álcool 70 % na conexão do dreno e intermediário ;
- Pegar novo frasco de drenagem;
- Colocar soro ou água estéril dentro do frasco;
- Instalar a tampa no frasco, de modo que a haste fique submersa cerca de 1,5 a 2 cm na água (cerca de 500ml);
- Desconectar o intermediário e encaixá-lo usado e encaixá-lo ao frasco limpo;
- Retirar as pinças do dreno;
- Colar na altura-limite da água, o rótulo com a hora, dia e nome de quem trocou o frasco de drenagem e quantos ml de água foram colocados;
- Encaminhar o frasco para a sala de utilidades, desprezar o conteúdo e colocar o frasco em lixo infectante, se descartável, ou para a limpeza e esterilização, se de vidro;
- Anotar no prontuário do paciente o aspecto e o volume drenado;
Cuidados/Observações/Orientações
- Toda vez que houver necessidade de se elevar o frasco acima do nível do tórax do paciente (transporte, deambulação, etc), clampliar os drenos;
- Manter o frasco abaixo do nível do tórax;
- O dreno não pode ficar diretamente no chão, utilizar o cordão para fixá-lo na lateral da cama;
- Trocar o frasco de drenagem quando este acumular cerca de 2/3 do volume da capacidade do frasco. O frasco não deve ser esvaziado e reutilizado. Ele deve ser substituído;
- Se o volume diário drenado for de 100ml a 150 ml e a capacidade do frasco estiver próximo ao limite perguntar ao médico sobre a necessidade de troca;
- Frascos de drenagem de pneumotórax não necessitam de troca;
- Observar o funcionamento do sistema de drenagem;
- Estimular o paciente à movimentação no leito;
- Estimular exercício respiratório.
- A montagem e manutenção de sistemas com dois ou três frascos devem ser orientadas pelo médico.
Referências:
- LYNN, Pamela. Manual de habilidades de Enfermagem Clínica de Taylor.
- POTTER. Guia completo de procedimentos e competências de enfermagem.
- COREN-SP. Boas práticas com drenos de tórax.

A Válvula de Heimlich foi descrita para substituir os sistemas de drenagem sob selo d’água, sendo projetada para evitar o refluxo de fluidos e ar para o paciente.
Disponível com e sem saco coletor pré-conectado, é indicado principalmente para procedimentos de cirurgia torácica, como por exemplo o pneumotórax.
Vantagens
Henry Heimlich, em 1968, idealizou um dispositivo para substituir os sistemas de drenagem sob selo d’água convencionalmente utilizados, apresentando vantagens, tais como:
- Conferir maior mobilidade ao paciente;
- Não necessitar de pinçamento durante o transporte;
- E oferecer maior segurança e facilidade de higienização.
Propôs, então, uma válvula, de pequenas dimensões, que permite a passagem de fluido ou ar em uma única direção, evitando o refluxo para a cavidade pleural.
Além dessas vantagens, seria de fácil utilização e entendimento pela equipe médica, de enfermagem e, inclusive, pelo próprio paciente.
O sistema também mantém-se funcionando, independentemente de sua posição ou nível, tornando a drenagem pleural mais confiável.
O Enfermeiro e a Válvula de Heimlich
Quanto a competência do Enfermeiro em reconectar nova válvula de Heimlich por desconexão da anterior, por solicitação médica:
A troca da válvula de Heimlich pode ser feita pelo Enfermeiro se o mesmo tiver recebido capacitação para tal procedimento e com a prescrição do médico.
Referências:
- BEYRUTI, RICARDO et al. A válvula de Heimlich no tratamento do pneumotórax. Jornal de Pneumologia [online]. 2002, v. 28, n. 3 [Acessado 2 Outubro 2021] , pp. 115-119. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0102-35862002000300001>. Epub 05 Nov 2002. ISSN 1678-4642. https://doi.org/10.1590/S0102-35862002000300001.
- ORIENTAÇÃO FUNDAMENTADA Nº 029/2017

O Tamponamento Cardíaco é uma emergência médica, onde ocorre acúmulo de líquido entre as duas membranas do pericárdio, que envolve o coração.
A consequência será o bombeamento ineficiente de sangue para os órgãos e tecidos do corpo, reduzindo a pressão arterial, podendo causar choque e morte, se não tratada a tempo!
Como acontece o Tamponamento Cardíaco?
Ocorre quando um trombo (coágulo) se desloca através da corrente sanguínea até o coração, ou o músculo cardíaco (miocárdio) sofre uma pequena ruptura em toda sua espessura, mas sem que a membrana que o envolve (pericárdio) seja rompida, ou quando seu rompimento é bloqueado por coágulos que se formam por hematoma mediastinal ou pelo próprio parênquima pulmonar.
Esta situação promove o acúmulo de sangue no espaço virtual compreendido entre o pericárdio e o miocárdio, fato que exerce efeito compressivo sobre as câmaras do coração, fazendo com que este seja impedido de relaxar satisfatoriamente durante a sua fase de relaxamento (diástole). Assim, o coração não se enche de sangue suficientemente para manter o débito cardíaco e a pressão arterial, que por esta razão, caem.
Bastam apenas pequenos acúmulos de líquido, da ordem de 100 a 150 ml, para que as manifestações clínicas do tamponamento apareçam.
Sintomas do Tamponamento Cardíaco
Os sintomas do tamponamento cardíaco são os seguintes:
- Redução da pressão arterial;
- Aumento da frequência respiratória e cardíaca;
- Pulsação paradoxal: desaparece ou diminui durante a inspiração;
- Veias do pescoço distendidas;
- Dor no tórax;
- Queda do nível de consciência;
- Pés e mãos frias e roxas;
- Falta de apetite e dificuldade para engolir:
- Tosse e dificuldade para respirar.
Cuidados de Enfermagem com Pacientes em Tamponamento Cardíaco
Para um atendimento adaptado ao paciente que apresenta tamponamento cardíaco, é
de fundamental importância que a enfermagem esteja treinada e qualificada. Para tanto a enfermagem deve ter uma visão, preparo e comunicação da situação e deve organizar a assistência dada ao paciente.
Fora toda a assistência dada ao médico para a realização da pericardiocentese os cuidados incluem:
- Tranquilização do paciente;
- Transporte rápido e monitorização até um hospital que possa efetuar procedimentos cardíacos de emergência;
- A equipe do hospital onde o paciente será levado deverá já estar informada, para que possam ser iniciadas as preparações para um intervenção cirúrgica de emergência;
- Deve ser administrado oxigênio em alta concentração;
- Obter-se dois acessos venosos;
- Realizar a reposição volêmica para aumentar a pressão venosa central;
- Deve-se considerar a intubação endotraqueal e a ventilação com pressão positiva, caso o paciente esteja hipotenso.
Veja mais em:

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