Hemodiálise veno-venosa contínua (CVVHD)

A hemodiálise veno-venosa contínua (CVVHD) é um procedimento de purificação do sangue utilizado para imitar a função dos rins em casos de doenças renais, como lesão renal aguda e toxicidade. Neste artigo, exploraremos os principais aspectos desse tratamento contínuo, suas indicações, técnicas e considerações clínicas.

O que é a Hemodiálise Veno-Venosa Contínua?

A hemodiálise veno-venosa contínua é uma terapia de substituição renal contínua que visa filtrar e dialisar o sangue sem interrupção. Diferentemente da hemodiálise intermitente, que ocorre em sessões periódicas, a hemodiálise veno-venosa contínua opera de forma contínua, evitando episódios de hipotensão causados pela remoção intermitente de grandes volumes de líquidos.

Indicações

Esse procedimento é indicado principalmente para pacientes com lesão renal aguda que estão hemodinamicamente instáveis e/ou que necessitam receber grandes volumes de líquidos. Alguns cenários em que a hemodiálise veno-venosa contínua pode ser apropriada incluem:

  1. Lesão Renal Aguda (LRA): Pacientes com LRA que apresentam instabilidade hemodinâmica e não toleram a hemodiálise intermitente.
  2. Choque: Pacientes em choque que necessitam de hiperalimentação e/ou vasopressores intravenosos.
  3. Insuficiência de Múltiplos Órgãos: Em casos de insuficiência de múltiplos órgãos, a hemodiálise veno-venosa contínua pode ser uma opção para manter o equilíbrio hídrico e eletrolítico.

Técnicas e Procedimentos

Existem duas abordagens principais para a hemodiálise veno-venosa contínua:

  1. Procedimento Arteriovenoso:
    • A artéria femoral é canulada, e a pressão arterial empurra o sangue através do filtro para a veia femoral.
    • As velocidades de filtração são tipicamente baixas, especialmente em pacientes hipotensos.
    • Essa via é mais simples, não requerendo uma bomba, mas pode fornecer fluxos de sangue não confiáveis em pacientes hipotensos.
  2. Procedimento Venovenoso Contínuo:
    • Utiliza-se uma bomba para dirigir o sangue de uma grande veia (femoral, subclávia ou jugular interna) através do circuito de diálise e de volta para a circulação venosa.
    • Um catéter com duplo lúmen é utilizado; o sangue é retirado e devolvido para a mesma veia.
    • Essa via permite melhor controle da pressão arterial e da velocidade de filtração, com remoção mais suave de líquidos.

Alguns Pontos Chave:

  • Procedimento Contínuo: Diferente da hemodiálise intermitente, este método opera sem interrupção, o que pode evitar episódios de hipotensão causados pela remoção intermitente de grandes volumes de líquidos.
  • Bomba de Sangue: Utiliza-se uma bomba para movimentar o sangue de uma grande veia (femoral, subclávia ou jugular interna) através do circuito de diálise e de volta para a circulação venosa.
  • Catéter Duplo Lúmen: O sangue é retirado e devolvido para a mesma veia por meio de um catéter com duplo lúmen.
  • Anticoagulação: Os procedimentos requerem anticoagulação, frequentemente regional, para prevenir a coagulação do sangue durante o processo.

Anticoagulação

Ambos os procedimentos requerem anticoagulação, geralmente regional, para prevenir a coagulação do sangue durante o processo. A anticoagulação regional com citrato é uma opção, na qual o sangue é infundido com citrato para evitar a coagulação, e o cálcio é reinfundido à medida que o sangue retorna ao paciente.

Esse método evita as complicações da heparinização sistêmica.

Em resumo, a hemodiálise veno-venosa contínua é uma ferramenta valiosa no tratamento de pacientes com lesão renal aguda e instabilidade hemodinâmica. A escolha entre as vias arteriovenosa e venovenosa deve ser individualizada, considerando as necessidades clínicas de cada paciente.

Cuidados de Enfermagem

  1. Preparação e Monitoramento:
    • Antes da sessão de hemodiálise, é essencial preparar o paciente. Isso inclui verificar os sinais vitais, avaliar o acesso vascular (fístula ou cateter), e garantir que o paciente esteja confortável e bem informado sobre o procedimento.
    • Durante a diálise, monitore constantemente os sinais vitais, a pressão arterial e o estado geral do paciente. Esteja atento a qualquer alteração e comunique prontamente a equipe médica.
  2. Punção de Fístula ou Manejo do Cateter:
    • Se o paciente possui uma fístula arteriovenosa (AVF) ou um cateter venoso central (CVC), realize a punção ou manejo adequado.
    • A punção da AVF deve ser feita com técnica asséptica para evitar infecções. Observe o fluxo sanguíneo e a permeabilidade da fístula.
    • No caso de CVC, verifique a integridade do curativo, evite manipulações excessivas e observe sinais de infecção.
  3. Programação da Máquina e Montagem do Circuito:
    • A máquina de hemodiálise deve ser programada de acordo com as prescrições médicas. Verifique os parâmetros, como taxa de filtração, tempo de sessão e concentração de soluções.
    • Monte o circuito de diálise com cuidado, garantindo que todas as conexões estejam seguras e sem vazamentos.
  4. Atenção Física e Emocional:
    • A hemodiálise pode ser um processo cansativo e emocionalmente desafiador para o paciente. Esteja presente para oferecer apoio e conforto.
    • Monitore os níveis de desconforto, náuseas, cãibras e outros sintomas. Administre medicações conforme necessário.
  5. Documentação e Comunicação:
    • Registre todas as intervenções realizadas durante a hemodiálise. Isso inclui dados vitais, observações e qualquer ocorrência relevante.
    • Comunique-se com a equipe multidisciplinar, incluindo médicos, nutricionistas e assistentes sociais, para garantir uma abordagem completa e integrada ao cuidado do paciente.

Referências: