O setor de diagnóstico por imagem é um dos ambientes mais tecnológicos dentro de um hospital. Tomografia, ressonância magnética, raio-X e ultrassonografia fazem parte da rotina — e por trás de toda essa tecnologia existe uma equipe multiprofissional altamente integrada.
Nesse cenário, o técnico de enfermagem tem um papel essencial, que muitas vezes vai muito além do que se imagina. Não se trata apenas de “auxiliar”, mas de atuar diretamente na segurança, preparo e acompanhamento do paciente em todas as etapas do exame.
Nesta publicação, vamos entender em detalhes todas as atribuições do técnico de enfermagem nesse setor, com base na prática clínica e no Parecer COREN-SP nº 013/2020.
O que é o setor de diagnóstico por imagem?
Os Centros de Diagnóstico por Imagem (CDI) são ambientes complexos, com alto nível tecnológico e que exigem profissionais qualificados.
Eles incluem exames como:
- radiografia (raio-X);
- tomografia computadorizada;
- ressonância magnética;
- ultrassonografia;
- procedimentos intervencionistas.
Segundo o COREN-SP, a assistência nesses setores envolve preparo físico e emocional do paciente antes, durante e após os exames.
O técnico de enfermagem dentro da equipe multiprofissional
O técnico de enfermagem atua sob supervisão do enfermeiro, conforme a legislação profissional, e integra uma equipe que inclui:
- médicos radiologistas;
- tecnólogos em radiologia;
- enfermeiros;
- equipe administrativa.
Sua atuação é centrada no cuidado direto ao paciente, garantindo segurança e qualidade durante todo o processo.
O Que Diz o Conselho: O Parecer Coren-SP 013/2020
Para atuarmos com segurança, precisamos conhecer o respaldo legal da nossa profissão. O Parecer Coren-SP 013/2020 é um documento fundamental que detalha a atuação da nossa equipe nesse setor. Ele reforça que o técnico de enfermagem atua sob a supervisão direta ou indireta do enfermeiro, participando ativamente de todas as etapas do atendimento.
Segundo o parecer, cabe à equipe de enfermagem o acolhimento, a verificação de preparos prévios e a assistência durante e após a realização dos exames. O documento deixa claro que o técnico não deve apenas “cumprir tarefas”, mas sim atuar como um agente de vigilância, identificando riscos e garantindo que o paciente receba o cuidado necessário antes de ser liberado para casa ou para sua unidade de origem.
Principais atribuições do técnico de enfermagem no diagnóstico por imagem
Preparação do paciente antes do exame
O trabalho começa muito antes de o paciente entrar na sala de exame. O técnico de enfermagem é responsável pela anamnese dirigida, que é uma entrevista focada no procedimento que será realizado. Imagine um paciente que fará uma Ressonância Magnética (RM); é nossa função aplicar o checklist de segurança de forma rigorosa.
Precisamos questionar sobre a presença de marcapassos, próteses metálicas, clipes de aneurisma ou fragmentos de metal no corpo. Além disso, verificamos o jejum e as condições alérgicas. Se o paciente tem histórico de alergia a frutos do mar ou medicamentos, o alerta deve ser imediato para a equipe médica e para o enfermeiro, pois o uso de meios de contraste pode desencadear reações adversas.
Assistência durante o exame
Uma das principais atribuições técnicas nesse setor é a punção venosa periférica. No diagnóstico por imagem, essa punção geralmente exige cateteres de calibres específicos, como o 18G ou 20G, para suportar a pressão da bomba injetora de contraste. O técnico deve garantir um acesso calibroso e pérvio, testando-o com soro fisiológico para evitar extravasamentos que podem causar danos teciduais graves.
Durante exames como Tomografia Computadorizada (TC) ou Ressonância, o técnico monitora os sinais vitais e observa qualquer mudança no comportamento do paciente. Alguns pacientes sentem calor intenso ou gosto metálico na boca durante a infusão do contraste iodado; cabe a nós explicar que isso é esperado e acalmá-los. No entanto, se surgirem sinais de urticária, tosse ou dificuldade respiratória, o técnico deve estar treinado para interromper o procedimento e auxiliar o enfermeiro e o médico nas manobras de emergência.
Administração de medicamentos e contraste
Em muitos exames, especialmente tomografia e ressonância, há uso de contraste.
O técnico pode:
- auxiliar na punção venosa (quando habilitado e conforme protocolo);
- administrar medicamentos sob prescrição e supervisão;
- observar reações adversas.
A vigilância é essencial, pois reações ao contraste podem ocorrer rapidamente.
Cuidados Específicos e Biossegurança
O setor de imagem exige cuidados de enfermagem muito particulares. Em exames de Ultrassonografia com biópsia, por exemplo, o técnico auxilia na organização da mesa estéril, na coleta e identificação correta dos frascos de biópsia e no curativo compressivo pós-procedimento.
A biossegurança também é uma atribuição constante. O técnico deve realizar a limpeza concorrente dos equipamentos e macas entre um paciente e outro, garantindo a prevenção de infecções cruzadas. Além disso, em setores que utilizam radiação ionizante, o uso correto dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como o avental de chumbo e o protetor de tireoide, é indispensável para a própria saúde do profissional.
Monitorização do paciente
Pacientes críticos ou instáveis podem ser encaminhados para exames de imagem.
Nesses casos, o técnico de enfermagem atua diretamente na monitorização:
- controle de sinais vitais;
- observação clínica contínua;
- suporte em intercorrências.
Essa atuação é especialmente comum em UTI e hemodinâmica.
O Pós-Exame e a Alta Segura
Após o término do exame, o cuidado não encerra. O técnico de enfermagem deve monitorar o paciente na sala de recuperação, especialmente se houve uso de sedação ou contraste. É necessário observar o local da punção em busca de hematomas e garantir que o paciente esteja orientado antes de se levantar.
As orientações de alta são cruciais. O técnico instrui o paciente a aumentar a ingestão de líquidos nas próximas 24 horas para facilitar a excreção renal do meio de contraste. Também orientamos sobre possíveis reações tardias e indicamos quando procurar um serviço de urgência. Esse fechamento do atendimento é o que garante que o ciclo de cuidado seja completo e seguro.
Organização do ambiente e materiais
O técnico também participa da organização do setor, garantindo:
- disponibilidade de materiais;
- preparo de equipamentos auxiliares;
- controle de estoque básico;
- descarte correto de resíduos.
O que o técnico de enfermagem NÃO pode fazer
O Parecer COREN-SP nº 013/2020 também traz limites importantes.
Entre eles:
- não realizar posicionamento técnico para aquisição de imagens;
- não executar atividades privativas de outros profissionais;
- não atuar fora de sua competência legal.
Isso reforça a importância de respeitar os limites éticos e legais da profissão.
A importância do cuidado humanizado no setor de imagem
Muitos pacientes chegam ao setor de diagnóstico com medo, dor ou ansiedade.
O técnico de enfermagem tem um papel essencial na humanização do cuidado:
- acolhendo o paciente;
- explicando o procedimento;
- transmitindo segurança.
Esse cuidado faz diferença direta na qualidade do exame e na experiência do paciente.
Cuidados de enfermagem no diagnóstico por imagem
Segurança do paciente
Garantir identificação correta, evitar erros de procedimento e checar preparo são ações fundamentais.
Prevenção de reações adversas
Principalmente em exames com contraste:
- observar sinais alérgicos;
- manter acesso venoso pérvio;
- agir rapidamente em intercorrências.
Monitorização clínica
Pacientes instáveis exigem atenção constante, especialmente durante transporte e exame.
Comunicação com a equipe
A comunicação clara com enfermeiros, médicos e equipe de radiologia é essencial para evitar erros.
Registro em prontuário
Toda assistência prestada deve ser registrada de forma clara e completa, garantindo continuidade do cuidado.
Com base no Parecer COREN-SP nº 013/2020, fica claro que esse profissional é peça-chave na segurança e qualidade do atendimento, desde que respeitados os limites de sua atuação.
Para quem está na enfermagem ou deseja atuar nessa área, é um campo que exige conhecimento técnico, responsabilidade e sensibilidade no cuidado.
Referências:
- CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO (COREN-SP). Parecer Coren-SP 013/2020: Atuação da Enfermagem em Centro de Diagnóstico por Imagem. São Paulo: Coren-SP, 2020. Disponível em: https://portal.coren-sp.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/Parecer-Coren-SP-013.2020-Atua%C3%A7%C3%A3o-da-Enfermagem-em-Centro-de-Diagn%C3%B3stico-por-Imagem.pdf.
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 545/2017: Atualiza as normas de procedimentos para o registro de títulos de pós-graduação lato e stricto sensu concedidos a Enfermeiros. Brasília: Cofen, 2017. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/.
- SANTOS, J. B.; SILVA, M. R. Enfermagem em Radiologia e Diagnóstico por Imagem. 2. ed. São Paulo: Editora Érica, 2022.
- BRASIL. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem. Disponível em: http://www.planalto.gov.br
- COREN-DF. Atribuições da enfermagem em diagnóstico por imagem. Disponível em: https://coren-df.gov.br











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