Insuficiência Cardíaca

Insuficiência Cardíaca

A insuficiência cardíaca (IC), também conhecida como insuficiência cardíaca congestiva (ICC), é uma condição ou um conjunto de sintomas em que o coração não bombeia sangue suficiente para satisfazer as necessidades do seu corpo.

A insuficiência cardíaca geralmente se desenvolve gradativamente após uma lesão no coração. Algumas lesões podem incluir um ataque cardíaco, muito esforço para o coração devido a anos de pressão arterial alta e não tratada ou uma válvula cardíaca doente.

As causas comuns da insuficiência cardíaca incluem:

  • Doença arterial coronariana
  • Ataque cardíaco anterior (enfarte do miocárdio)
  • Pressão arterial alta (hipertensão)
  • Doença de válvula cardíaca
  • Doença cardíaca congênita (problema com o qual você nasce)
  • Cardiomiopatia (coração aumentado)
  • Endocardite
  • Miocardite (infecção do coração)
  • Diabetes

Os sintomas da insuficiência cardíaca nem sempre são óbvios. Algumas pessoas nos primeiros estágios da insuficiência cardíaca podem não ter nenhum sintoma. Outras podem atribuir sintomas como fadiga ou falta de ar a sinais de seu envelhecimento.

Às vezes, entretanto, os sintomas de insuficiência cardíaca são mais óbvios. Devido à incapacidade do seu coração bombear o sangue eficientemente para suprir seus órgãos (como os rins e o cérebro), você pode sentir vários sintomas, incluindo:

  • Falta de ar
  • Inchaço dos pés e pernas
  • Falta de energia e cansaço
  • Dificuldade de dormir à noite devido a problemas respiratórios
  • Abdômen inchado ou mole, perda de apetite
  • Tosse com muco “espumante” ou catarro
  • Aumento de micção à noite
  • Confusão mental
  • Memória fraca

Algumas pessoas estão mais sujeitas que outras a desenvolverem insuficiência cardíaca. Ninguém pode prever com certeza quem irá desenvolvê-la, mas existem fatores de risco conhecidos. Estar ciente dos fatores de risco e visitar um médico para obter tratamento antecipado são boas estratégias para se tratar a insuficiência cardíaca. Os fatores de risco da insuficiência cardíaca incluem:

  • Pressão arterial alta (hipertensão)
  • Ataque cardíaco (infarto do miocárdio)
  • Válvulas cardíacas anormais
  • Aumento do coração (cardiomiopatia)
  • Histórico familiar de doença cardíaca
  • Diabetes

Conheça os 12 sinais que podem indicar problemas no coração

Saber quais os sinais que podem indicar problemas no coração pode ajudar a prevenir um ataque cardíaco, por exemplo, ou facilitar o diagnóstico de alguma doença do coração como insuficiência cardíaca.

Assim, 12 sinais que podem indicar problemas no coração são:

  1. Ansiedade: um ataque cardíaco pode causar muita ansiedade e medo da morte, momentos antes de ocorrer;
  1. Desconforto no peito: sintoma clássico de um ataque cardíaco;
  1. Tosse persistente: pode ser o resultado do acúmulo de líquidos nos pulmões, devido à insuficiência cardíaca;
  1. Tontura: sentir-se tonto e chegar a desmaiar pode ocorrer momentos antes de um ataque cardíaco ou em casos como arritmia ou hipotensão;
  1. Fadiga: sentir-se muito cansado o tempo todo pode indicar insuficiência cardíaca;
  1. Náusea ou falta de apetite: pode estar relacionada com o inchaço abdominal causado pela retenção de líquidos ou associada à dor do infarto;
  1. Dor em outras partes do corpo: a dor pode começar no peito e se espalhar para os ombros, braços, cotovelos, costas, pescoço, mandíbula ou abdômen ou estar relacionada a um ataque cardíaco;
  1. Pulso rápido e irregular: quando acompanhado de fraqueza, tonturas ou dificuldade em respirar pode ser evidência de um ataque cardíaco, insuficiência cardíaca ou uma arritmia;
  1. Falta de ar: pode indicar também o início de um ataque cardíaco;
  1. Suor frio repentino:pode indicar um infarto, hipotensão, hipertensão ou arritmia;
  1. Inchaço:o inchaço das pernas e dos pés pode ser sinal de insuficiência cardíaca, pois esta doença pode causar retenção de líquidos;
  1. Fraqueza extrema:pode ocorrer nos dias que antecedem um ataque cardíaco ou associada a insuficiência cardíaca ou hipotensão;

Indivíduos que possuem maiores chances de sofrer com doenças do coração são aqueles que têm antecedentes familiares com problemas de coração, os que estão acima do peso ideal, fumam e possuem outras doenças associadas, como diabetes e hipertensão. Nestes casos, todo o cuidado é pouco.

Cuidados de Enfermagem com Pacientes em IC

  1. Administrar medicamentos e avaliar resposta do paciente ao regime farmacológico;
  2. Avaliar o balanço hídrico (ingestão e débito);
  3. Pesar o paciente diariamente na mesma balança;
  4. Auscultar sons pulmonares, detectar um aumento ou diminuição nos estertores pulmonares (pelo enfermeiro);
  5. Determinar o grau de distenção venosa jugular (DVJ);
  6. Identificar e avaliar a gravidade do edema dependente;
  7. Monitorar a frequência de pulso e a pressão arterial, verificando se ha hipotensão postural decorrente a desidratação;
  8. Examinar turgor da pele e mucosa observando sinais de desidratação;
  9. Avaliar sintomas de sobrecarga hídrica;
  10. Avaliação Sistêmica identificando cianose, edemas.

Prescrição de Enfermagem

  1. Manter o paciente confortável em seu leito;
  2. Manter cabeceira elevada;
  3. Manter oxigênio terapia;
  4. Manter o paciente monitorizado;
  5. Controlar sinais vitais;
  6. Anotar balanço hídrico;
  7. Fazer as medicações nos horários prescritos pelo médico;
  8. Manter higienização oral e corporal

 

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Os Defeitos Cardíacos Congênitos

Defeitos Cardíacos

Síndrome de HELLP

Síndrome de HELLP

Síndrome de Hellp é uma complicação obstétrica grave, pouco conhecida e de difícil diagnóstico, que pode causar a morte da mãe e também do bebê. É chamada de síndrome porque envolve um conjunto de sinais e sintomas, e hellp, em razão da abreviação dos termos em inglês que querem dizer: H: hemólise (fragmentação das células do sangue); EL: elevação das enzimas hepáticas, e LP: baixa contagem de plaquetas. É importante lembrar que as plaquetas são células que auxiliam na coagulação sanguínea, e por isso um dos sintomas dessa síndrome é a hemorragia.

Embora ocorra isoladamente, a Síndrome de Hellp geralmente aparece como sendo uma complicação da pré-eclâmpsia, que é a hipertensão gerada pela gravidez. Especialistas calculam que cerca de 8% das mulheres que sofrem de pré-eclâmpsia, desenvolvem a Síndrome de Hellp. Quando uma gestante com pré-eclâmpsia apresenta alterações laboratoriais e exames clínicos compatíveis com hemólise, alteração das enzimas hepáticas e queda na contagem das plaquetas, ela está com Síndrome de Hellp.

Os sinais e sintomas da Síndrome de Hellp podem ser facilmente confundidos com os da pré-eclâmpsia grave, que são dor na parte alta ou central do abdome, cefaleia, náuseas, vômitos e mal estar generalizado. Quanto não é feita uma correta avaliação laboratorial, esses sintomas podem passar despercebidos, sendo feito o diagnóstico apenas quando a Síndrome de Hellp se agrava, provocando edema agudo dos pulmões, insuficiência renal, falência cardíaca, hemorragias e ruptura do fígado, podendo ocasionar a morte materna.

Mulheres que sofrem de doenças crônicas do coração e rim, e pacientes com lúpus e diabetes têm mais predisposição para desenvolver a síndrome. Infelizmente não existem meios de evitá-la, sendo que somente as mulheres que já desenvolveram essa síndrome, ao engravidarem novamente, poderão se prevenir para diminuir o risco.

O único tratamento capaz de frear os efeitos da Síndrome de Hellp é o término da gestação, que pode ser feito através de uma cesariana ou indução do parto. Caso a gestante apresente um quadro estável, o médico pode optar por ministrar medicamentos para induzir o amadurecimento pulmonar fetal, reduzindo as complicações neonatais e o tempo de internação na Unidade de Terapia Intensiva.

Como já dissemos, não há prevenção para essa doença, mas o diagnóstico precoce aumentam as chances de que mãe e bebê sobrevivam.

Tamponamento Cardíaco

tamponamento

O Tamponamento Cardíaco é uma emergência médica, onde ocorre acúmulo de líquido entre as duas membranas do pericárdio, que envolve o coração.

A consequência será o bombeamento ineficiente de sangue para os órgãos e tecidos do corpo, reduzindo a pressão arterial, podendo causar choque e morte, se não tratada a tempo!

Como acontece o Tamponamento Cardíaco?

Ocorre quando um trombo (coágulo) se desloca através da corrente sanguínea até o coração, ou o músculo cardíaco (miocárdio) sofre uma pequena ruptura em toda sua espessura, mas sem que a membrana que o envolve (pericárdio) seja rompida, ou quando seu rompimento é bloqueado por coágulos que se formam por hematoma mediastinal ou pelo próprio parênquima pulmonar.

Esta situação promove o acúmulo de sangue no espaço virtual compreendido entre o pericárdio e o miocárdio, fato que exerce efeito compressivo sobre as câmaras do coração, fazendo com que este seja impedido de relaxar satisfatoriamente durante a sua fase de relaxamento (diástole). Assim, o coração não se enche de sangue suficientemente para manter o débito cardíaco e a pressão arterial, que por esta razão, caem.

Bastam apenas pequenos acúmulos de líquido, da ordem de 100 a 150 ml, para que as manifestações clínicas do tamponamento apareçam.

Sintomas do Tamponamento Cardíaco

Os sintomas do tamponamento cardíaco são os seguintes:

  • Redução da pressão arterial;
  • Aumento da frequência respiratória e cardíaca;
  • Pulsação paradoxal: desaparece ou diminui durante a inspiração;
  • Veias do pescoço distendidas;
  • Dor no tórax;
  • Queda do nível de consciência;
  • Pés e mãos frias e roxas;
  • Falta de apetite e dificuldade para engolir:
  • Tosse e dificuldade para respirar.

Cuidados de Enfermagem com Pacientes em Tamponamento Cardíaco

Para um atendimento adaptado ao paciente que apresenta tamponamento cardíaco, é
de fundamental importância que a enfermagem esteja treinada e qualificada. Para tanto a enfermagem deve ter uma visão, preparo e comunicação da situação e deve organizar a assistência dada ao paciente.

Fora toda a assistência dada ao médico para a realização da pericardiocentese os cuidados incluem:

  • Tranquilização do paciente;
  • Transporte rápido e monitorização até um hospital que possa efetuar procedimentos cardíacos de emergência;
  • A equipe do hospital onde o paciente será levado deverá já estar informada, para que possam ser iniciadas as preparações para um intervenção cirúrgica de emergência;
  • Deve ser administrado oxigênio em alta concentração;
  • Obter-se dois acessos venosos;
  • Realizar a reposição volêmica para aumentar a pressão venosa central;
  • Deve-se considerar a intubação endotraqueal e a ventilação com pressão positiva, caso o paciente esteja hipotenso.

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O Fluxo Sanguíneo no Coração: O Diagrama

Coração

As válvulas do corpo permitem que o sangue flua apenas em uma direção. Isso dá suporte aos dois ciclos observados na circulação humana: o de sangue arterial, que foi oxigenado pelos pulmões e será distribuído pelo corpo quando o coração bombeia, e o sangue venoso, que retorna ao coração desoxigenado e rico em gás carbônico.

O sangue desoxigenado entra no coração pela veia cava superior e veia cava inferior, desaguando no átrio direito. Os músculos dessa câmara se relaxam e o espaço é preenchido com o sangue venoso, sendo então encaminhado controladamente por um orifício ao ventrículo direito. Funcionando como uma bomba, o ventrículo direito impulsiona o sangue aos pulmões.

Uma vez restaurado e novamente rico em oxigênio, o sangue retorna ao lado esquerdo do coração pelas veias pulmonares. Primeiramente chega ao átrio esquerdo, seguindo por um orifício ao ventrículo esquerdo. Sendo a mais potente câmara do coração, ele gera fortes contrações para bombear o sangue para todo o corpo pela porta de saída: a artéria aorta.

Embora seja um dos grandes responsáveis pela distribuição do oxigênio ao corpo, o coração também precisa receber oxigênio para que funcione corretamente. Dessa maneira, sua musculatura é nutrida por uma rede de artérias – as artérias coronárias – que se originam na aorta.

Para bombear sangue adequadamente, o órgão depende de sinais elétricos enviados pelo nodo sinoatrial (o “marca-passo natural”) às células do coração. Como resposta, essas células produzem as contrações necessárias para impulsionar o sangue a todos os tecidos do corpo.

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Possíveis causas de uma Síncope?

Possíveis causas de uma Síncope?

A síncope, ou desmaio, é uma perda brusca e transitória da consciência e da força muscular, associada à incapacidade de manter-se de pé, caracterizada por um rápido início e curta duração, com recuperação espontânea.

Os termos “desmaio” ou “desfalecimento” são sinônimos populares do termo médico “síncope”. Chama-se lipotimia à sensação de desmaio, sem que esse efetivamente ocorra. A síncope não é uma doença em si, mas sim um sintoma que pode ocorrer em diversas condições patológicas.

A síncope sempre é consequente a uma deficiência de irrigação sanguínea transitória do encéfalo, geralmente associada a episódios curtos de espasmos vasculares. Os motivos da síncope variam de causas não-graves até outras potencialmente mortais. Existem três grandes categorias de causas:

-As relacionadas ao coração e/ou aos vasos sanguíneos (síndromes cardíacas);
-As mediadas pelo sistema neural (síndrome vasovagal);
-As devidas à hipotensão ortostática (postural).

Algumas outras causas de síncopes incluem acidentes vasculares cerebrais, concussão cerebral, baixa de oxigênio ou açúcar no sangue, intoxicação por drogas e alguns transtornos psiquiátricos e fatores psicológicos, como estados de estresse agudo, por exemplo.

Outros fatores que podem causar desmaios são o jejum por longas horas, a pressão arterial baixa, a hipoglicemia, comoção emocional, falta de sono e acesso de tosse, dores fortes, reação à visão de sangue ou a uma agulha prestes a penetrar no corpo e a um corpo morto ou atividade específica, tais como a micção ou vômitos.

A síncope mediada neuralmente também pode ocorrer quando uma área do pescoço conhecida, como a cavidade carótida ou outras áreas do corpo, é pressionada.

O que fazer durante um caso de Síncope?

Quando uma pessoa apresenta os sintomas que anunciam uma síncope, deve deitar-se, preferencialmente com os membros inferiores elevados a um nível superior ao da cabeça, ou sentar-se e inclinar a cabeça para baixo, entre os joelho, promovendo assim um maior fluxo sanguíneo no encéfalo, promovendo maior oxigenação.

Caso a pessoa tenha perdido a consciência, é preciso colocá-la e mantê-la na posição horizontal com os membros elevados, observando seu pulso e respiração (em caso de parada cardiorrespiratória, inicia-se RCP imediatamente).

É importante também desapertar as roupas, em especial ao nível do pescoço, e evitar a aglomeração de curiosos à volta do paciente e, caso esteja em um local fechado, é conveniente abrir as portas e janelas para proporcionar um local arejado.

Tratamento Imediato de um Infarto Agudo do Miocárdio (IAM)

mona

Um paciente que se apresenta com dor torácica na emergência deve ser avaliado precocemente, de forma ideal, em até 10 minutos.

Após a realização do eletrocardiograma, todos os pacientes com IAM com supra de segmento ST devem ser submetidos à conduta terapêutica básica inicial, salve contraindicações a alguma das condutas, cuja sigla é MONA: Morfina, Oxigênio, Nitrato e AAS.

A morfina é altamente indicada no paciente com IAM devido ao seu efeito vasodilatador, reduzindo a resistência vascular periférica, pré e pós-carga do ventrículo esquerdo. Além disso, apresenta potente efeito analgésico sobre o SNC, reduzindo a dor e ansiedade do paciente. A dose inicial de morfina deve ser 2 a 4 mg, IV.

O oxigênio deve ser utilizado para aumentar a saturação de 02 e assim limitar a lesão miocárdica isquêmica, visto que haverá uma maior oferta para as células miocárdicas, consequentemente reduzindo a intensidade de elevação do segmento ST. Seu fornecimento deverá ocorrer através de cateter nasal, com fluxo de 2 a 4 l/min., se hipoxemia moderada, deve-se utilizar máscara de O2, com 5 a 10 l/min.

Os nitratos devem ser administrados devido a sua importante ação vasodilatadora, que reduzem a dor isquêmica associada a isquemia coronariana e a área de infarto. Inicialmente, a dose utilizada deve ser 5 a 10 (X) g/min, via endovenosa, em bomba de infusão contínua.

Finalmente, o AAS deve ser utilizado para impedir a agregação plaquetária, a reoclusão coronariana e a recorrência de eventos após a terapia fibrinolítica por inibir irreversivelmente a ciclooxigenase e consequentemente a produção de tromboxano A2. Deve-se administrar AAS a todos os pacientes na admissão, podendo ser administrado antes da realização do ECG e manter seu uso continuo indefinidamente. A dose inicial deve ser 200mg via oral e a dose de manutenção deve ser 100mg/dia via oral após almoço.

Estudo recentes identificaram a redução da mortalidade de pacientes que recebem associado ao MONA, β-bloqueadores, clopidogrel e heparina. Assim, adicionando o sufixo BCH à sigla, MONABCH.

O principal objetivo do uso de β bloqueadores é causar a redução da frequência cardíaca, buscando manter uma FC de, aproximadamente, 60 bpm.  Sua utilização rotineira deve ser feita por via oral, no paciente estável, mantendo-a após a alta hospitalar.

Semelhante ao AAS, o clopidogrel é, também, um antiagregante plaquetário, porém, seu efeito é devido à sua ação antagonista do receptor da adenosina.

Por fim, pela heparina ser um anticoagulante, seu uso é feito visando como meta atingir um tempo de coagulação ativado (TCa) de, pelo menos, 300 segundos. Vale ressaltar que, durante o uso da heparina não fracionada, é importante a monitoração da contagem do número de plaquetas, assim como os valores de hemoglobina e o hematócrito.

As doses desses últimos medicamentos variam de acordo com o paciente e a classe medicamentosa utilizada.

Referência:

Paciente critico: Diagnostico e tratamento: Hospital Sírio-Libanês / Guilherem Schettino et al. – 2. ed. – Barueri, SP: Manole,2012

Síndrome do Coração Pós Feriado (Holiday Heart Syndrome)

Síndrome do Coração Pós Feriado

Você sabia? Existe um fenômeno denominado “Holiday Heart Syndrome”, algo como “Síndrome do Coração Pós Feriado”, em tradução livre. Um dia após o término de um feriado, é comum os prontos socorros ficarem abarrotados de pessoas que sentem o coração acelerado, desconforto no peito e palpitações. O motivo, muitas vezes, é o consumo abusivo de álcool.

O termo surgiu em 1978, quando um pequeno estudo correlacionou a ocorrência de uma alteração do ritmo cardíaco (mais comum taquiarritmia supraventricular) com o consumo importante de álcool em uma pessoa sem evidências de doença cardíaca.

A arritmia mais comum é a fibrilação atrial, que geralmente retorna ao ritmo sinusal em até 24 horas. Apesar de poder haver recorrência, o curso clínico é geralmente benigno, e o uso de terapia anti-arrítmica a longo prazo é, na maioria dos casos, não indicado.

Mesmo quantidades moderadas de álcool já podem servir como desencadenante de uma nova crise.

Vários mecanismos fisiopatológicos são propostos para explicar essa síndrome. Pode ocorrer por um aumento na secreção de epinefrina e norepinefrina, aumento da descarga simpática, ou por efeitos indiretos de metabólitos do álcool. O álcool também pode reduzir a corrente de sódio e afetar o pH intra-celular.

O tratamento dos pacientes que procuram a emergência com uma taquiarritmia sustentada secundária à ingestão alcoólica pode ser observação com monitorização cardíaca e controle de freqüência cardíaca com bloqueadores do nó átrio-ventricular (betabloqueadores, diltiazem,verapamil). Se não houver resolução espontânea em até 24 à 48hs, cardioversão deve ser considerada.

Casos com sinais ou sintomas de instabilidade devem ser submetidos à cardioversão elétrica sincronizada.

Após resolvida a arritmia, a necessidade de internação dependerá das comorbidades do paciente. Casos de taquiarritmia em pacientes jovens sem evidência de doença cardíaca estrutural podem ser liberados para acompanhamento ambulatorial com cardiologista.

No seguimento, o mais importante é a abstinência alcoólica. Sugere-se evitar o uso de estimulantes ou o uso excessivo de cafeína. O tratamento farmacológico é geralmente desnecessário, se não houver nenhuma cardiopatia de base associada. Não costuma-se indicar a realização de procedimento invasivos (cirurgia ou ablação) após a ocorrência de fibrilação atrial supostamente atribuída à ingestão alcoólica.

Referência:

– Holiday Heart Syndrome. Budzikowski et al. In: emedicine.medscape.com.

Balão Intra-Aórtico (BIA)

Bia

O Balão Intra Aórtico (BIA) possui um pequeno balão em sua extremidade, que tem como função realizar uma contra pulsação. Em outras palavras, ele irá insuflar quando os músculos do coração relaxam, aumentando o fluxo de sangue para as artérias, e desinsufla quando o coração se contrai, aumento o fluxo do sangue para fora.

O funcionamento do balão é controlado por um computador acoplado a um monitor cardíaco permitindo assim, a sincronia com as contrações e relaxamentos do coração.

Como é um procedimento invasivo, seu uso é recomendado para casos instáveis, quando existem obstruções nas artérias coronárias e comprometimento da função contrátil do coração.

Como ocorre a Ação do BIA?

Durante a insuflação há um aumento da pressão diastólica da aorta, da pressão da raiz da aorta, da perfusão coronária e consequentemente do suprimento de oxigênio.

Na desinsuflação ocorre a diminuição da pressão diastólica final aórtica, da impedância à ejeção, da pós-carga e da demanda de oxigênio.

A insuflação aumenta a pressão de perfusão da artéria coronária e o fluxo sanguíneo, enquanto o esvaziamento reduz a impedância à ejeção (pós-carga), o trabalho ventricular esquerdo (VE), diminuindo a demanda de oxigênio pelo miocárdio.

Com a melhora do fluxo sanguíneo e a redução do trabalho do VE, os resultados desejados são a perfusão aumentada das artérias coronárias e a pós-carga diminuída, com subsequente aumento do débito cardíaco.

Como é feito o procedimento?

Quando o estado do paciente não é grave, é administrada apenas anestesia local e o paciente fica desperto. Uma pequena incisão e o cateter com o balão na ponta é inserido na artéria femoral e finalmente posicionado na artéria aorta. O cateter é conectado ao computador, que irá controlar a insuflação do balão, em sincronia com o ritmo cardíaco.

Quais são os componentes do BIA?

Tendo o principal componente o cateter contendo um balão cilíndrico de poliuretano (polímero de biocompatibilidade elevada e baixa trombogenicidade) em sua extremidade, com marca radiopaca para localização ao RX, de tamanhos variados (25, 34, 40 e 50 cc) para atender às diversas faixas de peso dos pacientes, há também o equipamento de contra pulsação com console que possui três componentes básicos: um sistema de monitorização, um mecanismo de deflagração eletrônica e um sistema de estimulação que movimenta o gás para dentro e para fora do balão.

Tipos de balão

Há, basicamente, dois tipos de balão: o bidirecional e o unidirecional.

  • Balão bidirecional – a insuflação do balão impulsiona o sangue da aorta em direção ao arco aórtico e em direção à aorta distal.
  • Balão unidirecional representa o duplo balão. O balão inferior (redondo) oclui a aorta distal e todo o fluxo do sangue é direcionado ao arco aórtico. Este mecanismo é mais eficiente para aumentar a perfusão coronariana e cerebral.

Indicações

O BIA será indicado em casos como em um quadro de infarto do miocárdio, falhas da angioplastia, doença coronária, CIV-pós infarto, aneurismas do VE e reoperações. Em outras situações de risco para o choque cardiogênico (falência cardíaca, acarretando queda significativa da pressão arterial e da irrigação sanguínea para os tecidos do organismo), o  BIA  também poderá ser instalado preventivamente.

Riscos

Os riscos de complicações graves (acidente vascular cerebral, complicação vascular significativa e óbito) são baixos, mas dependem da condição e gravidade do caso. Devem atentar pacientes com doença arterial obstrutiva periférica (DAOP). Devida a possibilidade de complicações, o procedimento é sempre realizado com uma equipe médica especialmente treinada para estes casos.

Durante passagem do cateter:

  • Sangramento, por falta de monitoramento do coagulograma
  • Perfuração ou dissecação da artéria – emergência cirúrgica
  • Trauma ou lesão arterial, por inadequação do tamanho e posição do cateter ou por dificuldade devido a doença oclusiva aterosclerótica
  • Infecção, por não utilização de técnicas assépticas no procedimento
  • Dor, por analgesia insuficiente
  • Isquemia do membro cateterizado

Durante o uso do cateter/ manutenção:

  • Obstrução ou enrolamento do cateter
  • Perfuração do balão, constatado pela presença de sangue no interior da tubulação do cateter – nesse caso, suspender o uso e o pinçar o cateter
  • Infecção; por manipulação inadequada
  • Sangramento, por uso de heparina ou plaquetopenia
  • Isquemia do membro (presente em cerca de 15 a 45% dos casos) – retirada imediata
  • Embolia arterial sistêmica
  • Erros de mensuração da pressão arterial, por calibração inadequada, dos transdutores, presença de bolhas, extensões muito longas, obstruções, entre outras
  • Erro no disparo do balão (deflação) por seleção incorreta de derivação no ECG
  • Instabilidade hemodinâmica, por falhas de funcionamento do balão (posição, quantidade de gás) e por presença de arritmias
  • Hematoma retroperitonial
  • Tromboembolismo, por deslocamento de trombos/êmbolos
  • Embolia aérea, por ruptura do balonete
  • Hemólise, por contrapulsação prolongada

Após a retirada do cateter:

  • Sangramento, por manutenção de heparina no período que antecede a retirada
  • Formação de hematoma no local da inserção, por falta de hemostasia adequada através de compressão local
  • Isquemia do membro cateterizado
  • Tromboembolismo pulmonar e cerebral por deslocamento de êmbolos durante a retirada

Desmame

O desmame pode iniciar em 24 a 72 horas depois da inserção, quando há evidência de estabilidade hemodinâmica que não requer suporte vasopressor excessivo.

Assistência de Enfermagem com pacientes em BIA

A função da Enfermagem inicia-se antes do procedimento, quando o técnico de enfermagem ou enfermeiro explica ao paciente e a família à finalidade do procedimento, o papel do paciente após a inserção e o cuidado após a implantação.

Dentre as intervenções e observações destacam-se:

– explicar ao paciente seu papel durante a inserção do BIA; preparar o material;
– posicioná-lo adequadamente no leito; proporcionar suporte ao paciente e a equipe médica;
– garantir um bom traçado eletrocardiográfico; atentar para possíveis complicações da técnica de inserção (dissecção aórtica e perfuração arterial);
– atentar para isquemia de membros inferiores (verificação da pulsação); atentar para sinais de embolia, infecção, sangramento, dor e trombocitopenia; prestar manutenção de um suporte circulatório seguro e efetivo; atentar para trombos no sítio de punção;
-Imobilidade do cateter balão, dentre outras.

Quanto à instalação do sistema para o BIA:

– Preparo do kit transdutor de pressão, montando com SF 0,9 % com 1 ml de Heparina
(prevenindo a coagulação do sistema e cateter);
– Iniciar o preparo do paciente, posicionando–o em decúbito dorsal, realizando tricotomia na região inguinal bilateral;
– Manter carro de emergência próximo para suprir qualquer intercorrência.
Na Unidade de Terapia Intensiva Cardíaca, as intervenções de enfermagem visam
adotar medidas de prevenção e detecção precoce das possíveis complicações, além de
proporcionar maior conforto ao paciente:
– Observar, comunicar e anotar: Nível de consciência; Padrão respiratório; Débito urinário; Queixas álgicas; Lesões de pele; Arritmias; Sinais de sangramento;
-Higiene corporal com higienizador cutâneo (proporciona movimentação mínima
do paciente);
– Massagem de conforto com hidrante corporal 2 x dia;
– Higiene oral com anti-séptico bucal;
– Estimular e auxiliar na alimentação (anotando aceitação da dieta);
– Manter decúbito dorsal, com elevação máxima da cabeceira em 30º;
– Manter Membro Inferior restrito (evitar fletir o membro da inserção do BIA);
-Verificação dos pulsos periféricos de 2/2 h;
– Observação da coloração e temperatura dos Membros inferiores a cada 2 horas;
– Realização da troca do curativo conforme rotina da instituição, inserção do cateter (não se deve cobrir o revestimento plástico do cateter, evitando a perfuração do mesmo);
– Realização de curativo com filme plástico podendo mantê-lo por 5 dias ( estar atento a
inserção quanto sinais flogísticos, se houver sinal de infecção retirar imediatamente este
curativo, realizar de forma tradicional, observando o local);
– Realização de discreta lateralização do decúbito com ângulo máximo de 45º (sempre
mantendo o membro inferior da inserção do cateter sem fletir, melhorando a lombalgia e prevenindo as lesões de pele);
– Instalação de colchão pneumático ou caixa de ovo;
– Colocação de curativo hidrocoloide para prevenção de úlceras de decúbito em região
sacra, cotovelos e calcâneos;
– Estimulo e encorajamento ao doente a participar das atividades de autocuidado;
– Realização de controle rigoroso de débito urinário.

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Interpretando o Eletrocardiograma Facilmente

Eletrocardiograma