Sepse: Entendendo a Resposta Extrema do Corpo

A Sepse, popularmente conhecida como “infecção generalizada”, é uma das condições mais críticas e mortais que nós, profissionais de enfermagem, enfrentamos. Longe de ser apenas uma infecção, a sepse é a resposta desregulada do próprio organismo a essa infecção. É o sistema de defesa do corpo entrando em colapso e, em vez de proteger, ele começa a danificar seus próprios órgãos.

Para nós, estudantes e profissionais, a sepse é um chamado à ação imediata. O tempo é, literalmente, a vida do paciente. Entender o que é a sepse, como identificá-la rapidamente e qual a nossa responsabilidade no manejo é o que diferencia um cuidado bom de um cuidado que salva vidas. Vamos desvendar essa síndrome e focar na “Hora de Ouro” da enfermagem.

O que é a Sepse?

A sepse é uma resposta inflamatória sistêmica grave do organismo a uma infecção. Em outras palavras, é quando o corpo reage de forma descontrolada a um agente infeccioso, como bactérias, vírus, fungos ou parasitas. Essa resposta exagerada causa lesões nos tecidos e órgãos, podendo evoluir rapidamente para choque séptico e falência múltipla de órgãos se não for tratada a tempo.

De acordo com a definição mais recente da Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3), publicada em 2016, a sepse é considerada uma disfunção orgânica potencialmente fatal causada por uma resposta desregulada do corpo à infecção.

O Ciclo Vicioso

 A infecção libera substâncias químicas na corrente sanguínea. Em vez de ficarem localizadas, essas substâncias (mediadores inflamatórios) desencadeiam uma inflamação sistêmica e maciça.

O Dano

Essa inflamação generalizada danifica o revestimento dos vasos sanguíneos, levando a:

  1. Vazamento Capilar: Os vasos dilatam e vazam fluido para os tecidos, causando edema e reduzindo o volume de sangue circulante.
  2. Má Perfussão: A pressão arterial cai drasticamente (hipotensão), o sangue coagula em pequenos vasos e o oxigênio não consegue chegar aos órgãos vitais (cérebro, rins, coração).
  3. Choque Séptico: É o estágio mais grave. A hipotensão é tão profunda que o paciente não responde à reposição volêmica (soro) e necessita de vasopressores (como a noradrenalina) para manter a pressão arterial. O risco de morte é altíssimo.

Causas e fatores de risco

A sepse pode surgir a partir de qualquer infecção, especialmente aquelas que não são diagnosticadas ou tratadas adequadamente. As infecções mais comuns associadas à sepse incluem:

  • Pneumonia
  • Infecções urinárias
  • Infecções de pele e tecidos moles
  • Infecções abdominais (como apendicite ou peritonite)
  • Infecções hospitalares relacionadas a cateteres, sondas ou feridas cirúrgicas

Alguns grupos são mais vulneráveis à sepse, como:

  • Idosos
  • Pacientes imunossuprimidos
  • Recém-nascidos
  • Pessoas com doenças crônicas (diabetes, doenças renais, hepáticas ou cardíacas)
  • Pacientes internados em UTI

Os Critérios de Alerta: Como Identificar a Sepse (qSOFA)

O diagnóstico precoce é nosso maior aliado. Um sistema de triagem rápida, o qSOFA (quick Sequential Organ Failure Assessment), ajuda a equipe a identificar pacientes com suspeita de infecção que estão em risco de evolução para sepse.

Basta que o paciente com infecção suspeita ou confirmada apresente dois ou mais dos seguintes critérios:

  1. Alteração do Estado Mental: Escala de Coma de Glasgow inferior a 15 (paciente letárgico, sonolento ou confuso).
  2. Frequência Respiratória Elevada: Igual ou superior a 22 incursões por minuto ( irpm).
  3. Hipotensão Arterial: Pressão Arterial Sistólica (PAS) inferior ou igual a 100 mmHg ($\leq 100 $ mmHg).

Se o paciente atende a dois desses critérios e há suspeita de infecção (por exemplo, pneumonia, ITU, ferida cirúrgica infectada), a Sepse deve ser o primeiro diagnóstico a ser considerado.

Manifestações clínicas

Os sinais e sintomas da sepse podem variar, mas alguns são fundamentais para o reconhecimento precoce:

  • Febre alta ou hipotermia
  • Taquicardia (aumento da frequência cardíaca)
  • Taquipneia (respiração acelerada)
  • Hipotensão arterial
  • Alteração do nível de consciência
  • Oligúria (diminuição da produção urinária)
  • Extremidades frias ou cianóticas

A gravidade da sepse pode ser avaliada através de escores clínicos, como o SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) e o qSOFA, que ajudam a identificar disfunções orgânicas e prever o prognóstico.

Diagnóstico

O diagnóstico da sepse é clínico, apoiado por exames laboratoriais e de imagem. Os principais exames incluem:

  • Hemoculturas e culturas de outros materiais biológicos (urina, secreções, etc.)
  • Hemograma completo
  • Gasometria arterial
  • Lactato sérico (para avaliar perfusão tecidual)
  • Função renal e hepática
  • Exames de imagem (como raio-X, ultrassonografia ou tomografia) para identificar o foco infeccioso

O diagnóstico precoce é essencial, pois cada hora de atraso no início do tratamento aumenta o risco de morte.

A Hora de Ouro: O Protocolo de Enfermagem e Médico

O tratamento da sepse é uma corrida contra o relógio, e a enfermagem coordena as ações do famoso “Bundle de Sepse”, que deve ser completado na primeira hora:

Ações Cruciais de Enfermagem (O Bundle da Primeira Hora)

  1. Coleta de Exames (Lactato e Culturas):
    • Lactato: Coletar o lactato sérico. Níveis elevados indicam que o organismo está com baixa oxigenação (má perfusão).
    • Hemoculturas: Coletar pelo menos duas amostras de sangue para cultura (uma aeróbia e uma anaeróbia) antes de administrar o antibiótico. Essa é a chave para identificar o agente causador.
  2. Administração de Antibióticos de Amplo Espectro:
    • Após a coleta das culturas, o enfermeiro deve administrar o antibiótico de amplo espectro prescrito imediatamente (em até 1 hora). Cada minuto de atraso aumenta a mortalidade.
  3. Ressuscitação Volêmica (Fluido):
    • Iniciar rapidamente a infusão de cristaloides (soro fisiológico ou Ringer Lactato), geralmente 30 mL/kg, em pacientes com hipotensão ou lactato elevado, sob monitoramento rigoroso para evitar sobrecarga.
  4. Monitoramento e Reavaliação:
    • O enfermeiro monitora rigorosamente a pressão arterial, frequência cardíaca, débito urinário e, crucialmente, reavalia o estado do paciente a cada hora. Se a pressão não melhorar, o médico precisa iniciar as drogas vasoativas.

Cuidados de Enfermagem

O profissional de enfermagem desempenha um papel crucial na detecção precoce e no cuidado contínuo do paciente com sepse. Entre as principais responsabilidades estão:

  • Avaliar e monitorar sinais vitais frequentemente, especialmente temperatura, pressão arterial e frequência cardíaca.
  • Reconhecer sinais de deterioração clínica e comunicar imediatamente à equipe médica.
  • Coletar amostras biológicas corretamente, seguindo técnicas assépticas rigorosas.
  • Administrar antibióticos e fluidos intravenosos conforme prescrição médica, respeitando horários e compatibilidades.
  • Manter controle rigoroso da diurese, utilizando balanço hídrico e sondagem vesical se necessário.
  • Garantir higiene adequada e prevenção de infecções, especialmente em pacientes com cateteres, sondas ou feridas abertas.
  • Educar familiares e cuidadores sobre a importância da prevenção de infecções e sinais de alerta.

Além disso, o enfermeiro deve participar ativamente das campanhas institucionais de prevenção de sepse, promovendo treinamentos e protocolos assistenciais.

Prognóstico e prevenção

O prognóstico da sepse depende da rapidez com que é diagnosticada e tratada. Pacientes que recebem antibióticos nas primeiras horas de evolução têm maior chance de recuperação.

A prevenção é baseada em medidas simples, mas eficazes:

  • Higienização adequada das mãos
  • Uso racional de antibióticos
  • Cuidados com feridas e dispositivos invasivos
  • Vacinação adequada
  • Controle rigoroso de infecções hospitalares

A educação continuada da equipe de enfermagem é um dos pilares fundamentais para reduzir a mortalidade por sepse.

A sepse é uma emergência médica e requer atuação rápida, precisa e integrada. O profissional de enfermagem é peça-chave nesse processo, tanto na identificação precoce quanto no suporte clínico e emocional ao paciente e sua família.

Reconhecer a sepse é salvar vidas. Por isso, o conhecimento, a vigilância e o comprometimento da equipe de enfermagem são ferramentas poderosas no combate a essa síndrome devastadora.

Referências:

  1. INSTITUTO LATINO AMERICANO DE SEPSE (ILAS). Campanha Sobrevivendo à Sepse: Diretrizes Internacionais para o Manejo de Sepse e Choque Séptico. São Paulo: ILAS, 2021. Disponível em: https://ilas.org.br/.
  2. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre choque e infecção).
  3. INSTITUTO LATINO-AMERICANO DE SEPSE (ILAS). Sepse: um problema de saúde pública. 2023. Disponível em: https://ilas.org.br
  4. RHODES, A. et al. Surviving Sepsis Campaign: International Guidelines for Management of Sepsis and Septic Shock: 2021. Intensive Care Medicine, v.47, p. 1181–1247, 2021. Disponível em: https://www.sccm.org/clinical-resources/guidelines
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de Manejo Clínico da Sepse em Adultos. Brasília: MS, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude

Classificação da Hipotermia

hipotermia é definida como a queda da temperatura corporal central abaixo de 35°C, podendo levar a complicações graves, incluindo arritmias cardíacas, falência de órgãos e morte. A classificação da hipotermia em leve, moderada e grave é essencial para determinar a abordagem terapêutica adequada.

Este artigo detalha cada estágio, seus sinais clínicos e os cuidados específicos de enfermagem necessários para um manejo eficaz.

Hipotermia Leve (32°C – 35°C)

Sinais e Sintomas

  • Tremores intensos (mecanismo de geração de calor);
  • Pele fria e pálida;
  • Taquicardia e taquipneia compensatórias;
  • Confusão leve e dificuldade de coordenação;
  • Pressão arterial normal ou levemente elevada.

Cuidados de Enfermagem

  • Aquecimento passivo:
    • Remover roupas molhadas e cobrir com cobertores secos.
    • Ambiente aquecido (25°C – 28°C).
  • Monitorar temperatura central (termômetro esofágico ou retal).
  • Oferecer líquidos quentes (se o paciente estiver consciente).
  • Evitar movimentos bruscos (risco de arritmia).

Hipotermia Moderada (28°C – 32°C)

Sinais e Sintomas

  • Tremores cessam (depleção de energia muscular);
  • Bradicardia e bradipneia;
  • Diminuição do nível de consciência (letargia, estupor);
  • Dilatação pupilar (midríase);
  • Hipotensão e diminuição do débito urinário;
  • Risco de fibrilação ventricular.

Cuidados de Enfermagem

  • Aquecimento ativo externo:
    • Manta térmica, compressas aquecidas (evitar queimaduras).
    • Oxigênio umidificado e aquecido (42°C – 46°C).
  • Monitorização cardíaca contínua (risco de arritmias).
  • Acesso venoso para fluidos aquecidos (soro fisiológico a 40°C – 42°C).
  • Preparo para intubação orotraqueal (depressão respiratória).

Hipotermia Grave (<28°C)

Sinais e Sintomas

  • Inconsciência (coma);
  • Arritmias graves (Fibrilação Ventricular, Assistolia);
  • Ausência de reflexos;
  • Pressão arterial indetectável;
  • Edema pulmonar e falência renal aguda;
  • Rigor mortis paradoxal (pode ser confundido com óbito).

Cuidados de Enfermagem

  • Aquecimento ativo interno:
    • Infusão intravenosa de soluções aquecidas.
    • Lavagem peritoneal ou pleural com fluido aquecido.
    • ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea) em casos extremos.
  • Suporte avançado de vida (ACLS) com ênfase em:
    • Desfibrilação pode ser ineficaz abaixo de 30°C.
    • CPR prolongado até aquecimento (>30°C).
  • Evitar manipulação excessiva (risco de fibrilação ventricular).

Cuidados Gerais de Enfermagem

Prevenção de Complicações

  • Monitorização contínua: ECG, temperatura central, diurese.
  • Evitar rewarming shock (vasodilatação abrupta → hipotensão).
  • Avaliar lesões associadas (congelamento, trauma).

Educação ao Paciente e Familiares

  • Grupos de risco (idosos, alcoólatras, sem-teto).
  • Roupas adequadas para ambientes frios.
  • Reconhecer sinais precoces de hipotermia.

A classificação da hipotermia em leve, moderada e grave direciona a intervenção terapêutica, desde medidas simples de aquecimento até suporte avançado de vida. A enfermagem desempenha papel crucial no monitoramento, reaquecimento seguro e prevenção de complicações, melhorando o prognóstico dos pacientes.

Referências:

  1. ZAFREN, K. et al. Wilderness Medical Society Practice Guidelines for the Out-of-Hospital Evaluation and Treatment of Accidental Hypothermia. Wilderness & Environmental Medicine, v. 30, n. 4, p. S47-S69, 2019. Disponível em: https://www.wemjournal.org/article/S1080-6032(19)30170-6/fulltext.
  2. RASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de Manejo da Hipotermia Acidental. Brasília, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude.
  3. BROWN, D. J. A. et al. Accidental Hypothermia. New England Journal of Medicine, v. 367, n. 20, p. 1930-1938, 2012. Disponível em: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMra1114208.
  4. AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation, v. 142, n. 16, 2020. Disponível em: https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/CIR.0000000000000916

A obesidade e o índice de massa corporal (IMC)

Como profissionais, deparamo-nos constantemente com a obesidade, uma condição de saúde complexa e multifatorial que impacta milhões de pessoas em todo o mundo.

Para compreendermos sua extensão e gravidade, uma ferramenta simples e amplamente utilizada é o Índice de Massa Corporal (IMC).

Embora não seja uma medida perfeita, o IMC nos oferece uma visão geral do peso de um indivíduo em relação à sua altura, permitindo classificar diferentes graus de obesidade e, consequentemente, direcionar nossos cuidados de forma mais eficaz. Vamos explorar juntos essa classificação e suas implicações para a nossa prática.

O Que é o IMC e Como Ele nos Ajuda a Entender o Peso Corporal?

O Índice de Massa Corporal (IMC) é calculado dividindo o peso de uma pessoa em quilogramas (kg) pelo quadrado de sua altura em metros (m²). A fórmula é simples:

IMC = Peso (kg) / Altura (m)²

O resultado desse cálculo nos fornece um número que pode ser interpretado de acordo com categorias predefinidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Essas categorias nos ajudam a classificar se o peso de um adulto está dentro da faixa considerada normal, acima do peso ou em diferentes graus de obesidade.

É importante ressaltar que o IMC é uma ferramenta de rastreamento e avaliação populacional, e sua interpretação individual deve ser feita com cautela, considerando outros fatores como composição corporal (massa muscular, massa gorda), idade e etnia.

A Escala do IMC: Do Peso Normal à Obesidade Mórbida (em Graus)

A classificação do IMC estabelecida pela OMS é a seguinte:

Peso Normal: Um Equilíbrio Saudável

Um IMC entre 18,5 e 24,9 kg/m² é geralmente considerado dentro da faixa de peso normal para adultos. Nessa faixa, o peso corporal é proporcional à altura, associando-se a um menor risco de desenvolvimento de diversas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer.

Implicações para o Cuidado de Enfermagem: Nos pacientes com IMC dentro da faixa normal, nosso foco é a promoção e a manutenção de hábitos de vida saudáveis, incluindo uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física, o sono adequado e a prevenção de fatores de risco para outras condições de saúde.

Sobrepeso: O Sinal de Alerta

Um IMC entre 25,0 e 29,9 kg/m² indica sobrepeso. Nessa faixa, o peso corporal está acima do considerado saudável para a altura, aumentando o risco de desenvolvimento de DCNT. Muitas vezes, o sobrepeso é o primeiro estágio antes da obesidade e representa um momento crucial para intervenções que visem a mudança de estilo de vida.

Implicações para o Cuidado de Enfermagem: Nesses pacientes, a nossa atuação envolve a identificação dos fatores de risco individuais, a educação sobre os benefícios da perda de peso (mesmo que modesta), o aconselhamento sobre alimentação saudável e atividade física, e o apoio na implementação de mudanças comportamentais. O monitoramento regular do peso e de outros indicadores de saúde é fundamental.

Obesidade Grau I: O Primeiro Nível da Complexidade

Um IMC entre 30,0 e 34,9 kg/m² caracteriza a obesidade grau I. Nesse estágio, o excesso de peso já representa um risco significativo para a saúde, aumentando a probabilidade de desenvolvimento de diversas comorbidades.

Implicações para o Cuidado de Enfermagem: O cuidado nesses pacientes requer uma abordagem mais intensiva, incluindo a avaliação das comorbidades existentes, o desenvolvimento de um plano de cuidados individualizado com metas realistas de perda de peso, o suporte na adesão a dietas específicas e programas de exercícios, e o acompanhamento regular para monitorar o progresso e identificar possíveis dificuldades. A educação sobre o manejo das comorbidades e a prevenção de complicações é essencial.

Obesidade Grau II: Um Risco Elevado à Saúde

Um IMC entre 35,0 e 39,9 kg/m² define a obesidade grau II. Nesse estágio, o risco de desenvolver ou agravar problemas de saúde é ainda maior, impactando significativamente a qualidade de vida do paciente.

Implicações para o Cuidado de Enfermagem: O cuidado nesses pacientes muitas vezes envolve uma abordagem multidisciplinar, com a participação de nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e, em alguns casos, endocrinologistas e cirurgiões bariátricos. Nosso papel inclui a coordenação do cuidado, o suporte emocional, a educação detalhada sobre as opções de tratamento (incluindo as cirúrgicas), o preparo pré e pós-operatório (em casos de cirurgia bariátrica) e o acompanhamento a longo prazo para garantir a manutenção da perda de peso e a adesão a um estilo de vida saudável.

Obesidade Grau III ou Obesidade Mórbida: O Limite da Severidade

Um IMC igual ou superior a 40,0 kg/m² caracteriza a obesidade grau III, também conhecida como obesidade mórbida ou obesidade severa. Nesse estágio, o excesso de peso representa um risco muito elevado para a saúde, com alta probabilidade de desenvolvimento de múltiplas comorbidades graves e impacto significativo na funcionalidade e na expectativa de vida.

Implicações para o Cuidado de Enfermagem: O cuidado desses pacientes é complexo e demanda uma abordagem integral e individualizada. Frequentemente, envolve o acompanhamento em unidades de terapia intensiva ou semi-intensiva no período pós-operatório de cirurgias bariátricas, o manejo de múltiplas comorbidades, o suporte para a mobilidade e a higiene, a prevenção de complicações como úlceras de pressão e trombose venosa profunda, o suporte emocional intensivo e a coordenação com uma equipe multidisciplinar experiente. A educação do paciente e da família sobre as mudanças radicais no estilo de vida e o acompanhamento a longo prazo são cruciais para o sucesso do tratamento.

O Cuidado de Enfermagem em Todas as Faixas do IMC: Uma Abordagem Holística

Independentemente da classificação do IMC, o cuidado de enfermagem na obesidade deve ser holístico e centrado no paciente. Nossa atuação vai além da simples medição do peso e do cálculo do IMC. Envolve:

  • Avaliação abrangente: Investigar os hábitos alimentares, o nível de atividade física, o histórico de tentativas de perda de peso, os fatores psicossociais, as comorbidades existentes e o impacto da obesidade na qualidade de vida do paciente.
  • Estabelecimento de vínculo terapêutico: Construir uma relação de confiança e empatia com o paciente, oferecendo apoio e motivação para as mudanças de estilo de vida.
  • Educação em saúde: Fornecer informações claras e acessíveis sobre os riscos da obesidade, os benefícios da perda de peso, as opções de tratamento disponíveis e as estratégias para uma alimentação saudável e a prática de atividade física.
  • Apoio na mudança de comportamento: Auxiliar o paciente a identificar metas realistas e a desenvolver um plano de ação para alcançar essas metas, oferecendo suporte para superar os obstáculos e manter a motivação.
  • Coordenação do cuidado: Trabalhar em colaboração com outros profissionais de saúde (médicos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas) para garantir uma abordagem multidisciplinar e integrada.
  • Monitoramento e avaliação: Acompanhar regularmente o progresso do paciente, monitorar o peso, o IMC e outros indicadores de saúde, e ajustar o plano de cuidados conforme a necessidade.
  • Prevenção de complicações: Implementar medidas para prevenir as complicações associadas à obesidade e aos tratamentos utilizados.
  • Defesa dos direitos do paciente: Atuar como defensor do paciente, garantindo o acesso a informações e a tratamentos adequados e combatendo o estigma e o preconceito relacionados à obesidade.

A obesidade é um desafio de saúde pública complexo, e o enfermeiro desempenha um papel fundamental na prevenção, no tratamento e no cuidado das pessoas afetadas. Compreender a classificação do IMC é um ponto de partida importante para direcionarmos nossos cuidados de forma individualizada e eficaz, sempre lembrando que o foco deve estar no bem-estar integral do paciente.

Referências:

  1. World Health Organization. (2000). Obesity: preventing and managing the global epidemic: report of a WHO consultation. 1 World Health Organization. https://www.who.int/nutrition/publications/obesity/WHO_TRS_894/en/  
  2. National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases. (2017). What Are the Health Risks of Overweight and Obesity? https://www.niddk.nih.gov/health-information/weight-management/health-risks-overweight-obesity
  3. Bray, G. A., Kim, K. K., & Wilding, J. P. H. (2016). The global burden of obesity. In Feingold, K. R., Anawalt, B., Boyce, A., Chrousos, G., Corpas, E., Goldfine, A. B., … & Hershman, J. M. (Eds.), Endotext [Internet]. MDText.com, Inc. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK279039/

O Linfedema e seus Estágios

O linfedema é uma condição crônica caracterizada pelo inchaço de um membro (geralmente braço ou perna) devido ao acúmulo de líquido linfático nos tecidos. Esse acúmulo ocorre quando o sistema linfático, responsável por drenar o líquido dos tecidos, está obstruído ou danificado.

Estágios do Linfedema

Estágio 0 (Latente)

Neste estágio, o inchaço ainda não é visível, mas o sistema linfático já está comprometido. O indivíduo pode apresentar sintomas como sensação de peso no membro afetado, fadiga e rigidez.

  • Tratamento: O tratamento precoce é crucial para prevenir a progressão da doença. Geralmente, envolve exercícios leves, cuidados com a pele e medidas para evitar infecções.

Estágio I (Leve)

O inchaço é leve e reversível, ou seja, diminui com a elevação do membro. A pele pode apresentar uma textura um pouco mais espessa.

  • Tratamento: O tratamento nesse estágio inclui terapia de compressão, drenagem linfática manual e exercícios específicos.

Estágio II (Moderado)

O inchaço é mais evidente e persistente, mesmo com a elevação do membro. A pele pode apresentar fibrose (endurecimento) e alterações na coloração.

  • Tratamento: O tratamento é mais complexo e pode incluir terapia de compressão mais intensa, drenagem linfática manual regular, cuidados avançados com a pele e, em alguns casos, cirurgia.

Estágio III (Severo ou Avançado)

O inchaço é irreversível e causa deformidades no membro afetado. A pele pode apresentar verrugas, fissuras e infecções frequentes.

  • Tratamento: O tratamento nesse estágio visa controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente, pois a reversão do inchaço é difícil. As opções incluem cuidados avançados com a pele, terapia de compressão, drenagem linfática manual e, em alguns casos, cirurgia reconstrutiva.

Causas do Linfedema: As causas do linfedema podem ser divididas em primárias e secundárias:

  • Primário: Causado por um defeito congênito no sistema linfático.
  • Secundário: Decorrente de outras condições, como:
    • Câncer e seus tratamentos (radioterapia, cirurgia)
    • Infecções
    • Obesidade
    • Varizes
    • Traumatismos

Sintomas

Além do inchaço, outros sintomas comuns do linfedema incluem:

  • Sensação de peso no membro afetado
  • Dor
  • Rigidez
  • Fadiga
  • Alterações na pele (verrugas, fissuras, infecções)
  • Dificuldade para movimentar o membro

Diagnóstico

O diagnóstico do linfedema é feito por um médico especialista, que pode solicitar exames como:

  • Ultrassonografia
  • Ressonância magnética
  • Cintilografia linfática
  • Linfografia

Tratamento

 O tratamento do linfedema é individualizado e depende do estágio da doença, da causa e das características de cada paciente. As principais opções de tratamento incluem:

  • Terapia de compressão: Uso de meias ou mangas de compressão para reduzir o inchaço.
  • Drenagem linfática manual: Massagem especial que estimula o fluxo da linfa.
  • Exercícios: Exercícios específicos para fortalecer os músculos e melhorar a circulação linfática.
  • Cuidados com a pele: Hidratação e proteção da pele para prevenir infecções.
  • Cirurgia: Em alguns casos, pode ser indicada a cirurgia para remover tecido linfático obstruído ou para reconstruir o sistema linfático.

Prevenção

Embora não seja possível prevenir completamente o linfedema, algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco, como:

  • Manter um peso saudável
  • Praticar atividade física regular
  • Cuidar da pele
  • Controlar infecções

Cuidados de Enfermagem

O tratamento do linfedema é individualizado e visa reduzir o inchaço, melhorar a função do membro afetado e prevenir complicações. O enfermeiro atua em diversas modalidades de tratamento:

  • Terapia de compressão: Auxiliar na escolha e aplicação de meias ou mangas de compressão, orientando sobre a importância do uso contínuo.
  • Drenagem linfática manual: Realizar ou supervisionar a técnica de drenagem linfática manual, que estimula o fluxo da linfa.
  • Exercícios terapêuticos: Ensinar e acompanhar os pacientes na realização de exercícios específicos para o linfedema, como os exercícios de bombeamento muscular.
  • Cuidados com a pele: Avaliar regularmente a pele do membro afetado, identificar e tratar lesões, e orientar sobre a importância da higiene.
  • Educação em saúde: Oferecer informações sobre o linfedema, suas causas, sintomas e tratamentos, para que o paciente possa participar ativamente de seu cuidado.

Acompanhamento do Paciente

O acompanhamento regular do paciente com linfedema é essencial para avaliar a evolução do tratamento, identificar e tratar complicações, e ajustar as intervenções conforme necessário. O enfermeiro deve:

  • Monitorar o inchaço: Realizar medidas periódicas do membro afetado para avaliar a efetividade do tratamento.
  • Avaliar a pele: Observar a presença de vermelhidão, calor, dor ou outras alterações na pele que possam indicar infecção.
  • Identificar e tratar complicações: Estar atento a complicações como celulite e linfangite, e orientar o paciente sobre os sinais e sintomas.
  • Oferecer suporte emocional: Acompanhar o paciente em suas dificuldades e oferecer suporte emocional, pois o linfedema pode afetar significativamente a qualidade de vida.

Outros Cuidados

Além das atividades já mencionadas, o enfermeiro pode realizar outras ações importantes, como:

  • Orientar sobre a importância de manter um peso saudável: A obesidade é um fator de risco para o linfedema, por isso é importante orientar o paciente sobre a importância de uma alimentação equilibrada e a prática de atividade física regular.
  • Ensinar técnicas de bandagem: Em alguns casos, o enfermeiro pode ensinar o paciente a realizar bandagens compressivas para auxiliar no controle do inchaço.
  • Promover a autocuidado: Incentivar o paciente a participar ativamente de seu tratamento, realizando os cuidados em casa conforme orientação do profissional de saúde.

Referências:

  1. Mariana França Bandeira de Melo, Eduardo Carvalho Horta Barbosa, Conrado Carvalho Horta Barbosa, Janine Silva Pires Horta Barbosa, Patricia de Melo Faria Horta Barbosa. Fisiopatologia, diagnóstico e tratamento do linfedema: revisão narrativa. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 5, n. 4 ,p. 12464-12478, jul./aug., 2022.
  2. Paiva, A. do C. P. C., Elias, E. A., Souza, Í. E. de O., Moreira, M. C., Melo, M. C. S. C. de ., & Amorim, T. V.. (2020). Cuidado de enfermagem na perspectiva do mundo da vida da mulher-que-vivencia-linfedema-decorrente-do-tratamento-de-câncer-de-mama. Escola Anna Nery, 24(2), e20190176. https://doi.org/10.1590/2177-9465-EAN-2019-0176
  3. Marchito, L. de O., Fabro, E. A. N., Macedo, F. O., Costa, R. M., & Lou, M. B. de A. (2019). Prevenção e Cuidado do Linfedema após Câncer de Mama: Entendimento e Adesão às Orientações Fisioterapêuticas. Revista Brasileira de Cancerologia, 65(1), e-03273. https://doi.org/10.32635/2176-9745.RBC.2019v65n1.273

Doença Renal: Evite alimentos com alto teor de potássio!

Pessoas com doença renal crônica (DRC) devem prestar atenção à ingestão de potássio.

Por que devem evitar altos teores de potássio?

O potássio é um nutriente essencial para a função celular e a saúde geral, mas a DRC pode diminuir a capacidade dos rins de remover o excesso de potássio do corpo. Níveis elevados de potássio podem causar sintomas graves, como irregularidades no funcionamento do coração e cãibras musculares. Por outro lado, uma deficiência de potássio também pode levar a complicações significativas.

Alimentos que devem ser evitados

  • Nozes
  • Substitutos de sal contendo cloreto de potássio
  • Laranjas e suco de laranja
  • Ameixas secas
  • Uvas passas
  • Feijões e leguminosas
  • Batatas e batatas-doces
  • Bananas
  • Muitos produtos lácteos
  • Abacates
  • Espinafre
  • Tomates

Alimentos pobres em potássio

  1. Maçãs, suco de maçã e purê de maçã
  2. A maioria das frutas vermelhas, incluindo amoras, mirtilos, morangos e framboesas
  3. Uvas e suco de uva
  4. Abacaxi e suco de abacaxi
  5. Melancia
  6. Aspargos
  7. Brócolis
  8. Cenouras
  9. Couve
  10. Repolho
  11. Pepinos
  12. Abobrinha

Lembrando que é importante consultar um profissional de saúde ou um nutricionista para obter orientações específicas sobre a quantidade adequada de potássio para o seu caso individual.

Referências:

  1. Ministério da Saúde

Sarcoma de Ewing

O sarcoma de Ewing é um tumor maligno que ocorre predominantemente em ossos ou em partes moles.

O sarcoma de Ewing afeta principalmente crianças, adolescentes e adultos jovens, com pico de incidência em torno dos 15 anos.

Meninos e homens são ligeiramente mais acometidos do que meninas e mulheres (uma relação de 3:2).

Atualmente, pacientes com doença localizada tem 70-80% chance de sobrevida geral em cinco anos, mas para pacientes com tumor pélvico, o resultado é um pouco menor. Pacientes com metástases ao diagnóstico têm sobrevida abaixo de 30%. Pacientes com metástase pulmonar isolada têm sobrevida geral em torno de 50%.

Os principais tipos são:

  • Sarcoma de Ewing do osso: ocorre no osso e é o mais frequente.
  • Sarcoma de Ewing extra-ósseo: o tumor começa em partes moles em volta dos ossos e podem ser difíceis de diferenciar de tumores ósseos primários.
  • Tumor neuroectodérmico primitivo periférico (PPNET): ocorre no osso ou em partes moles e tem características comuns ao sarcoma de Ewing e ao sarcoma de Ewing extra-ósseo.  O PPNET que inicia na parede torácica é denominado tumor de Askin.

A doença óssea ocorre, em ordem de frequência: nas extremidades inferiores, pelve, parede torácica, extremidade superior, coluna, mão e crânio.

O sarcoma de Ewing extra-ósseo ocorre no tronco, extremidades, cabeça e pescoço, retroperitôneo e outros sítios.

Fatores de Risco

A causa é desconhecida. Não parece ser hereditária. São tumores extremamente raros em negros e asiáticos. Não são conhecidos fatores de risco claramente associados ao desenvolvimento do sarcoma de Ewing.

O sarcoma de Ewing não pode ser prevenido. Este tipo de câncer não é herdado e não se conhece associação com estilo de vida ou ambiente. O diagnóstico precoce é fundamental.

A detecção Precoce

A maioria dos pacientes se apresenta com história de dor local, que pode ser intermitente, algumas vezes noturna, e que piora com o tempo.

A dor muitas vezes é confundida com “dor de crescimento”, com infecção, com osteomielite, lesões relacionadas ao esporte ou a atividades da vida diária (dor muscular, tendinite). Em um grande número de pacientes, a dor é seguida pela palpação de massa de partes moles.

Dor sem causa aparente com duração superior a um mês deve orientar para investigação.

A detecção precoce do câncer permite encontrar o tumor numa fase mais inicial, e possibilitar maior chance de cura com o tratamento.

Diagnóstico

A avaliação diagnóstica começa com história médica com foco no início dos sintomas. Na história familiar, é possível avaliar se tem associação com predisposição genética ao câncer. O exame físico do paciente deve ser cuidadoso, incluindo a inspeção e palpação do tumor, assim como a avaliação dos órgãos e sistemas.

Nos exames laboratoriais, além de avaliar a função de vários órgãos, podem ser avaliados alguns marcadores inespecíficos para envolvimento ósseo, como a dosagem de fosfatase alcalina e a desidrogenase láctica, que podem estar relacionadas com a carga tumoral.

A radiografia em sarcoma de Ewing mostra áreas de destruição óssea geralmente na metáfise-diáfise do osso, com aparência de múltiplas camadas, com aspecto característico de “casca de cebola”. A ressonância dá uma definição melhor das imagens para avaliar a extensão da doença e é usada se o tumor não surgir no osso.

A biópsia da tumoração é necessária para o diagnóstico definitivo. Histologicamente, o sarcoma de Ewing caracteriza-se por tumores de pequenas células redondas e azuis que expressam altos níveis de CD99. Geneticamente, são caracterizados pela translocação cromossomial balanceada em que um membro do gene da família FET se funde com um fator de transcrição ETS, sendo que a fusão mais comum é EWSR1-FLI1 (85% dos casos).

Tratamento

O tratamento padrão para sarcoma de Ewing consiste em regime de tratamento multimodal, que inclui poliquimioterapia intensiva associada ao tratamento local. Esse pode ser ressecção cirúrgica do tumor associada ou não à radioterapia.

A cirurgia pode consistir da ressecção sem reconstrução, como no caso de uma amputação. A ressecção tumoral com reconstrução pode ser feita por colocação de endoprótese, implante, transplante ósseo halogênico ou autólogo. A decisão da melhor forma de abordagem cirúrgica depende da avaliação do ortopedista ou cirurgião.

Idealmente, o planejamento do tratamento do sarcoma de Ewing deve ser feito num centro de referência com equipe multidisciplinar, que inclui radiologista, patologista, pediatra, oncologista pediátrico, radioterapeuta, cirurgiões geral e ortopédico e enfermeiras especializadas.

Após o tratamento

O tratamento pode trazer efeitos adversos, comprometendo a qualidade de vida do paciente.  É muito importante o seguimento em longo prazo para orientação e detecção de anormalidades passíveis de intervenção.

Referência: Ministério da Saúde

A Hipotensão e suas causas

hipotensão, popularmente conhecida como pressão baixa, é quando a pressão arterial é muito baixa, podendo causar danos ao organismo.

O que é hipotensão?

A hipotensão é quando o corpo apresenta pressão arterial abaixo do ideal, fazendo com que o sangue não chegue em quantidade suficiente em todo o corpo.

Assim, pressão baixa significa que a pessoa está com números inferiores a 90 mmHg de pressão sistólica e 60 mmHg de pressão diastólica, ou seja, a pressão está menor que 9 por 6.

Quando a pressão está muito baixa, as células não recebem o oxigênio e nutrientes necessários para manutenção do organismo e os resíduos não são eliminados corretamente, podendo causar danos aos órgãos.

A hipotensão faz com que a dilatação das arteríolas diminua a resistência do fluxo sanguíneo, o que significa que o coração está bombeando menos sangue, alterando assim, a largura das artérias, o batimento cardíaco e o volume de sangue no coração.

Sintomas da hipotensão

Os sintomas mais comuns apresentados por quem tem hipotensão são:

  • Tontura ou vertigem;
  • Visão embaçada ou escurecida;
  • Náusea;
  • Fadiga;
  • Falta de concentração;
  • Desmaio;
  • Falta de ar;
  • Dor torácica;
  • Palidez.

Além dos sintomas apresentados, a pressão arterial pode diminuir de acordo com a posição do corpo. Quando a pessoa está de pé, a pressão arterial tende a ser maior nas pernas e mais baixa na cabeça; quando está deitada a pressão é nivelada, ficando igual em todo o corpo.

Ao se levantar, a pressão arterial também sofre mudanças e fica mais baixa, pois o sangue que estava nas pernas apresenta dificuldade em subir de volta ao coração, fazendo com que seja bombeado menos sangue.

Por isso que ao se levantar é importante sentar, para que assim, o sangue volte com mais facilidade para o coração, normalizando as batidas cardíacas.

Causas da hipotensão

A hipotensão pode ser causada por diversos fatores, como:

  • Dilatação das arteríolas
    • Causada por infecções bacterianas graves;
    • Consequência do uso de alguns medicamentos específicos;
    • Reações alérgicas.
  • Doenças cardíacas
    • Ataque cardíaco;
    • Taquicardia (batimentos cardíacos muito rápidos);
    • Braquicardia (batimentos cardíacos muito lentos);
    • Arritmia (ritmo cardíaco anormal).
  • Volume de sangue baixo
    • Desidratação;
    • Hemorragia.

Tratamento para hipotensão

O tratamento para hipotensão pode variar de acordo com cada pessoa, no qual é levado em consideração quais são as causas e sintomas apresentados. Em alguns casos, pode ser recomendado o uso de medicamentos específicos, que devem ser receitados por médicos.

De forma geral, orienta-se tomar algumas medidas que podem auxiliar a restabelecer a pressão arterial normal.

  • Deitar-se em posição confortável, mantendo a cabeça na mesma linha do corpo;
  • Elevar os pés, de modo que fique mais alto que o coração e a cabeça;
  • Ingerir água ou suco em pequenos goles;
  • Evitar ficar muito tempo sem comer.

Tipos de hipotensão

A hipotensão pode apresentar diferentes tipos que reúnem características próprias. Veja a seguir os tipos mais comuns.

Hipotensão postural

A hipotensão postural é também conhecida como hipotensão ortostática e ocorre depois que a pessoa fica muito tempo em uma posição e se move de forma brusca. Esse movimento repentino faz com que o fluxo sanguíneo e a pressão não se adeque ao corpo de forma rápida.

Assim, a recomendação é que seja retomada a posição inicial e o movimento aconteça de forma mais lenta e gradual, auxiliando o fluxo sanguíneo e a pressão a chegar corretamente em todas as partes do corpo.

Hipotensão neural mediada

A hipotensão neural mediada é muito comum em crianças e jovens e ocorre quando há falha na comunicação entre o cérebro e o coração. Geralmente acontece quando a pessoa fica muito tempo em pé, acumulando assim sangue nas pernas e contribuindo para que ocorra a queda na pressão.

Hipotensão pós-prandial

A hipotensão pós-prandial é mais comum em idosos e acontece, geralmente, após a ingestão de alimentos, pois o sangue flui para o sistema digestório.

Síndrome de Shy-Drager

A síndrome de Shy-Drager é uma doença do sistema nervoso autônomo, responsável pelo controle da frequência cardíaca, pressão arterial, digestão e respiração.

Gestação

A gravidez também pode causar hipotensão, especialmente entre o terceiro e sexto mês de gestação. A principal causa é que neste período o bebê está em desenvolvimento e assim, necessitando de sangue na placenta.

Referência:

  1. Velten, A. P. C., Benseñor, I., Souza, J. B. de ., & Mill, J. G.. (2019). Fatores associados à hipotensão ortostática em adultos: estudo ELSA-Brasil. Cadernos De Saúde Pública, 35(8), e00123718. https://doi.org/10.1590/0102-311X00123718

Hipertermia Maligna (HM)

A Hipertermia maligna é uma síndrome de origem genética, onde os indivíduos susceptíveis, quando expostos a determinados anestésicos (especialmente inalatórios) desenvolvem um quadro hipermetabólico, que caso não seja tratado imediatamente pode evoluir para óbito.

Foi descrita inicialmente na Austrália, no ano de 1960, por Denborough e Lowell, posteriormente outros casos foram descritos por em Wisconsin e Toronto.

A síndrome recebe esse nome, porque os indivíduos acometidos apresentam quadro de hipertermia e, na época em que foi descrito, a taxa de mortalidade era muito elevada. A incidência no mundo todo varia de 1:3000 a 1:250000 anestesias.

Como ocorre?

A hipertermia maligna ocorre, na maioria dos casos, devido à mutação de um canal de cálcio da musculatura esquelética. Essa mutação pode resultar na liberação exacerbada de cálcio no músculo, quando na presença de alguns anestésicos.

Isso pode resultar na destruição da fibra muscular esquelética. Como há um elevado consumo de energia, aumento de produção de CO2 e rápido aumento da temperatura corporal, com consequências bioquímicas e hematológicas, também pode haver a evolução para choque irreversível e colapso cardiovascular.

Tipos

Pode apresentar-se sob duas formas: início agudo e fulminante ou instalar-se insidiosamente. Pode ocorrer quando o indivíduo recebe a sua primeira anestesia, mas em um terço dos casos ocorre nas anestesias subsequentes.

Sintomas

Os sintomas apresentados por portadores da síndrome são: taquipneia, taquicardia, rigidez muscular, cianose e outros sinais hipermetabólicos.

Diagnósticos

Como os indivíduos susceptíveis só desenvolvem o quadro clínico quando são expostos aos agentes desencadeante, o diagnóstico é difícil.

O método utilizado até hoje como padrão, é o teste de contratura in vitro, onde uma amostra da musculatura do indivíduo mandada para análise apresenta resposta contrátil aumentada na presença do anestésico halotano e cafeína. Como esse teste e muito invasivo, o diagnóstico torna-se prejudicado pela reduzida adesão.

Antagonista

Existe apenas uma única droga capaz de reverter a crise, que é o dantrolene sódico, droga bloqueadora do canal de cálcio.

Os indivíduos susceptíveis podem levar uma vida normal. Apenas necessitam portar algum tipo de identificação da susceptibilidade a hipertermia maligna. Existem anestésicos que são considerados seguros para essa parcela da população, sendo assim, esses indivíduos podem ser submetidos a qualquer procedimento cirúrgico.

O que fazer na hipótese de Hipertermia Maligna

Uma vez estabelecida a hipótese diagnóstica de Hipertermia Maligna, a equipe deve:

  • Suspender os agentes desencadeadores imediatamente
  • Hiperventilar o paciente, com alto fluxo de oxigênio (100%)– para atender a demanda metabólica
  • Retirar os vaporizadores do circuito do equipamento de anestesia – Não é necessário trocar o equipamento de anestesia, pois isso acarretaria perda de tempo valioso para realizar outras medidas
  • Administrar o Dantrolene – o prognóstico é influenciado significativamente pelo tempo entre o início dos sintomas e a administração do fármaco
  • A anestesia será mantida com hipnóticos, opióides e bloqueadores neuromusculares adespolarizantes, conforme a necessidade do paciente
  • Resfriar o paciente. Utilizar resfriamento externo (aplicação de bolsas de gelo, colchão térmico) e interno (infusão de soluções geladas intravenosas, retais, vesicais– resfriamento ativo), se necessário, até atingir 38ºC – para evitar hipotermia
  • Monitorar a temperatura corporal
  • Corrigir a acidose metabólica e reduzir a hipercalemia
  • Tratar as arritmias cardíacas – geralmente são controladas com a correção da acidose de da hipercalemia
  • Manter diurese acima de 2ml/kg/h – com hidratação ou diuréticos
  • Concluir a cirurgia o mais rápido possível

Referências:

  1. http://pt.wikipedia.org/wiki/Hipertermia_maligna
  2. http://www.saj.med.br/hipertermia_maligna.htm
  3. http://medicalsuite.einstein.br/diretrizes/anestesia/hipertermia-maligna.pdf
  4. http://www.medcenter.com/Medscape/content.aspx?bpid=119&id=18660
  5. http://www.centrodeestudos.org.br/pdfs/hipertermia.pdf
  6. http://www.rbaonline.com.br/files/rba/jul96302.pdf