Respiração Agônica (Gasping)

Respiração Agônica

A Respiração Agônica, também chamada de “Gasping”, como o nome indica, são quando uma última medida que o corpo adota para se salvar, apresentando movimentos respiratórios assincrônicos não efetivos, caracterizado por altas amplitudes de curta duração com períodos de apneias subsequentes, indicando mau prognóstico. Pode ocorrer em pacientes com lesão isquêmica de tronco cerebral, e também é uma das Emergências Pediátricas e Neo-natais mais comuns.

Literalmente, o paciente fica visivelmente em estado de “agonia”. É um sinal de que o corpo não está recebendo oxigênio suficiente. No caso de parada cardíaca , a respiração agônica é uma indicação para começar a Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP).

Como identificar uma Respiração Agônica em situação de Emergência?

De Acordo com a American Heart Association, o som da respiração agônica, pode fazer um barulho ofegante, na qual pode ser confundida com uma respiração normal, ou seja, não é, é considerada uma respiração anormal. Pode soar como ofegante , bufando, borbulhante, gemendo ou respiração difícil . Lembre-se, uma vítima em estado ofegante não está respirando normalmente. Para as vítimas em parada cardíaca, isso pode significar a diferença entre a vida e a morte.

Gasping em Pacientes Terminais

A Respiração Agônica em casos de pacientes terminais, é um reflexo medular, e normalmente ocorre em paciente com nível de consciência limitado, portanto não causa desconforto ao paciente, podendo situar o Ritmo Respiratório Irregular, que é parte natural do processo de morte.

Cuidados de Enfermagem em Situações de Gasping

A Enfermagem deve estar prontamente apta para identificar uma situação de Parada Cardiorrespiratória, e a respiração agônica na qual pode apresentar, e promover rapidamente a Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP). Promover a oxigenação adequada através do reanimador manual (AMBU) até a chegada do médico e fisioterapia.

Em casos de pacientes terminais, promover o conforto ao paciente, buscar o alívio do desconforto físico, emocional ou espiritual do paciente e da sua família, dando o suporte emocional adequado aos familiares.

 

O Que é Embolia Pulmonar?

Embolia Pulmonar

A Embolia Pulmonar, também conhecida como tromboembolismo pulmonar (TEP), é o bloqueio da artéria pulmonar ou de um de seus ramos. Geralmente, ocorre quando um trombo venoso (sangue coagulado de uma veia) se desloca de seu local de formação e viaja, ou emboliza, para o fornecimento sanguíneo arterial de um dos pulmões.

Quais são os Sinais e Sintomas Característicos?

Os sintomas podem incluir falta de ar, dor torácica na inspiração e tosse com sangue.

Sintomas de trombose venosa profunda em membro inferior também podem estar presentes, como hiperemia, calor, inchaço e dor.

Os sinais clínicos incluem baixa saturação de oxigênio sanguíneo, respiração acelerada e taquicardia. Casos graves de embolia pulmonar não tratada podem levar a perda de consciência, instabilidade circulatória e morte súbita.

O que causa uma Embolia?

É mais frequentemente causada pela presença um coágulo de sangue em uma artéria, que bloqueia a passagem de sangue. Esse coágulo é geralmente proveniente de veias perna (principalmente da região da coxa) ou da pélvis (área dos quadris).

Esse tipo de coágulo é chamado também de trombose venosa profunda (TVP). O TVP se solta e se desloca para os pulmões.

Causas menos comuns incluem bolhas de ar, gotículas de gordura, líquido amniótico, parasitas ou células cancerosas.

Há fatores de risco, quais são as principais?

  • Histórico familiar de trombose venosa profunda ou de embolia pulmonar;
  • Problemas cardíacos, como pressão alta, hipertensão e outras condições cardiovasculares;
  • Alguns tipos de câncer, especialmente pâncreas, ovários e no pulmão, além de algumas metástases. Mulheres com histórico de câncer de mama também podem desenvolver o problema;
  • Ficar muito tempo de repouso e deitado pode levar a uma embolia pulmonar também, como após uma cirurgia, um ataque cardíaco, uma fratura na perna ou qualquer outra doença grave que necessitasse de internação hospitalar;
  • Ficar muito tempo sentado também é um fator de risco, especialmente durante jornadas de trabalho e viagens de avião ou automóvel;
  • Fumo;
  • Obesidade;
  • Suplementos de estrogênio, comum em pílulas anticoncepcionais e na terapia de reposição hormonal;
  • Gravidez.

Alguns Cuidados de Enfermagem com pacientes em TEP

  • Manter oximetria de pulso e comunicar desaturação;
  • Verificar FR e registrar. Notificar caso alterações: FR >24 rpm, angustia intensa, inquietação e uso de musculatura acessória;
  • Realizar ausculta pulmonar em busca de adventícios e ou campos pulmonares com MV ausentes;
  • Manter em monitorização cardíaca: traçado eletrocardiográfico e FC. Comunicar se taquicardia/arritmia;
  • Programar aferição de PA a cada 15/15 minutos. Se hipotensão ou encurtamento da pressão de pulso, comunicar;
  • Realizar ausculta cardíaca. Registrar no prontuário e comunicar ao médico se surgimento de 3ª bulha, galope e ou sopro valvar;
  • Estar atento para sinais de choque: hipotensão, desorientação, taquicardia, pele fria, pegajosa e palidez.

O Broncoespasmo: O que é?

Broncoespasmo

Certamente, quando você estiver com um paciente e um fisioterapeuta ou o médico após avaliar o mesmo, irá citar que está apresentando o Broncoespasmo. É um termo bastante específico, e você com certeza se encherá de dúvidas.

Mas o que é o Broncoespasmo?

Entende-se por broncoespasmo ao estreitamento da luz bronquial como consequência da contração da musculatura dos brônquios, o que causa dificuldades para respirar, ou seja, também pode ser definido como espasmos nos brônquios que impedem a passagem do ar até os pulmões ou uma constrição reversível de vias aéreas pequenas do trato respiratório distal.

Normalmente é controlado mediante o uso de bronco-dilatadores, que cumprem a função de expandir os brônquios e permitir a passagem do ar. Alguns deles são inalados por via oral, enquanto outros são usados via intravenosa.

O que ocasiona o Broncoespasmo?

Pode ocorrer por vários tipos de problemas nos brônquios. Entre eles estão:

– A Inflamação do brônquio;

– Broncoespasmo induzido por exercício (BIE); 

– Hiper-reatividade bronquial;

– Broncoespasmo paradóxico;

– Outras causas como infecções leves, antecedentes patológicos, como respiratórios (asma) e alérgicos.

O que é feito quando apresentam o Broncoespasmo?

Antes de aplicar o tratamento, primeiro se deve ver a gravidade ou severidade do quadro. São estabelecidos 2 níveis: quadros leves e moderados ou quadros severos ou muito prolongados. Dependendo do nível podem ser aplicados os tratamentos necessários para diminuir o quadro de broncoespasmo na pessoa.

Nos Quadros Leves

Quando trata-se de quadros leves e moderados, se empregam os seguintes tratamentos.

  • Bronco-dilatadores de alívio rápido: Podem ser usados alguns como salbutamol, albuterol, salmeterol, pirbuterol, terbutalina que são administrados por nebulização ou aerossol.
  • Estabilizadores dos mastocitos: Nedocromil sódico ou cromolina sódica.
  • Bronco-dilatadores de ação prolongada: Alguns deles são o formoterol ou salmeterol.
  • Antileucotreno: São conhecidos alguns como montelukast sódico ou zafirlukast.

Alguns destes medicamentos são tomados 15 a 30 minutos antes de realizar uma atividade física ou no momento que apresentar um quadro leve de broncoespasmo. Alguns deles tem uma ação de proteção de até 24 horas de duração. Entretanto, os outros bronco-diltadores só apresentam uma ação que vai de 3 a 6 horas.

Quando são feitos exercícios, é importante o uso de alguns bronco-dilatadores de alívio rápido para diminuir os sintomas.

Também se recomenda evitar fazer exercícios ou atividades, particularmente em pessoas com algum tipo de alergia ou asma crônica, em condições onde a temperatura seja extremamente fria ou haja altos níveis de pólen.

Algumas vezes, para prevenir esses quadros leves, se empregam medicamentos preventivos.

Vários dos mencionados acima são medicamentos preventivos. Também, podem ser realizados esses tratamentos preventivos, mediante o uso de corticoides inalados, diminuindo efetivamente dessa maneira, a severidade, assim como a recorrência dos broncoespasmos.

Nos Quadros severos ou muito prolongados

Quando aparece esse tipo de quadros o tratamento empregado é à base de bronco-dilatadores e corticoides. Estes são administrados via oral ou intravenosa. Normalmente, logo após apresentar um quadro severo, são aplicados tratamentos preventivos para assim evitar broncoespasmos frequentes.

Em crianças menores de 6 anos com broncoespasmo, com os tratamentos adequados e inclusive às vezes na ausência de tratamento, isso pode desaparecer com os anos. Todavia, em pessoas que tenham familiares com antecedentes de asma, quando se apresentam quadros de broncoespasmo (leves ou severos), estes podem converter-se em asma crônica.

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Entenda sobre a Tuberculose

Tuberculose

A Tuberculose (TB) é uma doença infecciosa geralmente causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis (MTB), ou também conhecida como Bacilo de Koch.

A tuberculose afeta geralmente os pulmões, embora possa também afetar outras partes do corpo.

A maioria das infeções não manifesta sintomas, sendo nesses casos denominada tuberculose latente.

Cerca de 10% das infeções latentes evoluem para tuberculose ativa.

Se não for tratada, a tuberculose ativa causa a morte a metade das pessoas infectadas!

Quais são os sintomas clássicos da TB?

Podendo ser assintomática, ou seja, o portador pode não apresentar nenhum sinal ou sintoma, mas posteriormente podem ocorrer febre (mais comumente ao entardecer), suores noturnos, falta de apetite, emagrecimento, cansaço fácil e dores musculares.

Dificuldade na respiração, eliminação de sangue (Hemoptise) e acúmulo de secreção na pleura pulmonar são características em casos mais graves.

Como é ocorrido a Transmissão?

A tuberculose é transmitida pelos bacilos expelidos por um indivíduo contaminado quando tosse, fala, espirra ou cospe.

A tuberculose se dissemina através de aerossóis no ar que são expelidas quando pessoas com tuberculose infecciosa tossem, espirram.

Contactos próximos (pessoas que tem contato frequente) têm alto risco de se infectarem.

A transmissão ocorre somente a partir de pessoas com tuberculose infecciosa ativa (e não de quem tem a doença latente).

A probabilidade da transmissão depende do grau de infecção da pessoa com tuberculose e da quantidade expelida, forma e duração da exposição ao bacilo, e a virulência.

A cadeia de transmissão pode ser interrompida isolando-se pacientes com a doença ativa e iniciando-se uma terapia anti tuberculose eficaz.

A tuberculose resistente é transmitida da mesma forma que as formas sensíveis a medicamentos.

A resistência primária se desenvolve em pessoas infectadas inicialmente com micro-organismos resistentes.

A resistência secundária (ou adquirida) surge quando a terapia contra a tuberculose é inadequada ou quando não se segue ou se interrompe o regime de tratamento prescrito.

Como é diagnosticado?

Uma avaliação médica completa para a tuberculose ativa inclui um histórico médico, um exame físico, a baciloscopia de escarro, uma radiografia do tórax e culturas microbiológicas.

A prova tuberculínica (também conhecida como teste tuberculínico ou teste de Mantoux) está indicada para o diagnóstico da infecção latente, mas também auxilia no diagnóstico da doença em situações especiais, como no caso de crianças com suspeita de tuberculose. Toda pessoa com tosse por três semanas ou mais é chamada sintomática respiratória (SR) e pode estar com tuberculose.

Quais são as prevenções e o tratamento?

A imunização com vacina BCG dá entre 50% a 80% de resistência à doença. Em áreas tropicais onde a incidência de micobactérias atípicas é elevada (a exposição a algumas “micobactérias” não transmissoras de tuberculose dá alguma proteção contra a Tuberculose), a eficácia da BCG é bem menor. No Reino Unido, adolescentes de 15 anos são normalmente vacinadas durante o período escolar.

O tratamento para tuberculose é feito com antibióticos orais, como a Isoniazida e a Rifampicina, que eliminam do organismo a bactéria que provoca o surgimento da doença. Uma vez que a bactéria é muito resistente, é necessário fazer o tratamento por cerca de 6 meses, embora, em alguns casos, possa durar entre 18 meses a 2 anos até se atingir a cura.

Os casos mais fáceis de tratar são os de tuberculose latente, ou seja, quando a bactéria está no corpo mas se encontra adormecida, não causando sintomas, nem podendo ser transmitida. Já a tuberculose ativa é mais difícil de tratar e, por isso, o tratamento pode demorar mais tempo e pode necessário tomar mais do que um antibiótico para atingir a cura.

Assim, os medicamentos utilizados no tratamento variam de acordo com idade do paciente, estado geral de saúde e o tipo de tuberculose.

A Tuberculose e a Precaução por Aerossóis

Pacientes internados sob suspeita ou confirmação de Tuberculose, precisam estar isolados por precaução de Aerossóis, precisando:

  • Ficar em quarto privativo (ou coorte, que deve ser evitada) que possua pressão de ar negativa em relação às áreas vizinhas; e com filtragem com filtros HEPA, e as portas devem ser mantidas fechadas;
  • Deve obter a proteção respiratória com máscara que possua capacidade adequada de filtração e boa vedação lateral, máscara nº 95.
  • E o transporte dos pacientes deve ser limitado, mas se for necessário eles devem usar máscara (a máscara cirúrgica é suficiente).

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Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA)

SARA

Síndrome da Angústia Respiratória Aguda, SARA, (também denominada Síndrome da Angústia Respiratória do Adulto) é um tipo de insuficiência pulmonar provocado por diversos distúrbios que causam acúmulo de líquido nos pulmões (edema pulmonar). Essa síndrome é considerada uma emergência médica que pode ocorrer mesmo em pessoas que anteriormente apresentavam pulmões normais. Apesar de algumas vezes ser denominada síndrome da angústia respiratória do adulto, esse distúrbio também pode ocorrer em crianças.

Quais são as causas?

A causa pode ser qualquer doença que, direta ou indiretamente, produz lesão pulmonar. Aproximadamente um terço dos indivíduos com a síndrome a desenvolvem devido a uma infecção disseminada e grave (sépsis). Quando os alvéolos e os capilares pulmonares são lesados, ocorre um escape de sangue e de líquido para os espaços interalveolares e, finalmente, para o interior dos alvéolos. A inflamação subsequente pode acarretar a formação de tecido cicatricial. Como consequência, os pulmões não conseguem funcionar normalmente.

Quais são os Sintomas e Diagnóstico?

Normalmente, a síndrome da angústia respiratória aguda ocorre 24 ou 48 horas após a lesão ou a doença original. Inicialmente, o indivíduo apresenta falta de ar, quase sempre acompanhada por uma respiração superficial e rápida. Com o auxílio de um estetoscópio, o médico pode auscultar sons crepitantes ou sibilos nos pulmões. Devido aos baixos níveis de oxigênio no sangue, a pele pode tornar-se moteada ou azulada e a função de outros órgãos, como o coração e o cérebro, pode ser comprometida.

A gasometria arterial revela baixos níveis de oxigênio no sangue e as radiografias torácicas revelam a presença de líquido nos espaços que deveriam estar cheios de ar. Às vezes, é necessária a realização de outros exames para se confirmar que a causa do problema não é a insuficiência cardíaca.

Principais causas da Síndrome da Angústia Respiratória Aguda

  • Infecção disseminada e grave (septicemia);
  • Pneumonia;
  • Hipotensão arterial grave (choque);
  • Aspiração de alimento para o interior no pulmão;
  • Múltiplas transfusões de sangue;
  • Lesão pulmonar decorrente de concentrações elevadas de oxigênio;
  • Embolia pulmonar;
  • Lesão torácica;
  • Queimaduras;
  • Afogamento;
  • Cirurgia de derivação (bypass) cardiopulmonar;
  • Inflamação do pâncreas (pancreatite);
  • Dose excessiva de algum tipo de droga, como heroína, metadona, propoxifeno ou aspirina.

Quais sãos as complicações e Prognóstico?

A falta de oxigênio provocada por essa síndrome pode produzir complicações em outros órgãos logo após o início do quadro ou, quando não ocorre melhora do quadro, ao longo de dias ou semanas. A falta prolongada de oxigênio pode causar complicações graves como, por exemplo, a insuficiência renal. Sem um tratamento imediato, a privação grave de oxigênio provocada pela síndrome causa a morte em 90% dos pacientes.

No entanto, com um tratamento adequado, cerca de 50% dos indivíduos afetados sobrevivem. Como os indivíduos com síndrome da angústia respiratória aguda são menos resistentes às infecções pulmonares, eles comumente desenvolvem pneumonia bacteriana em algum momento no curso da doença.

Como é feito o tratamento?

Os pacientes com síndrome da angústia respiratória aguda, são tratados na unidade de terapia intensiva. A oxigenoterapia é fundamental para a correção dos baixos níveis de oxigênio. Se o oxigênio administrado com o uso de uma máscara facial não corrigir o problema, um ventilador deverá ser utilizado. Este fornece oxigênio sob pressão através de um tubo inserido na narina, na boca ou na traqueia. Essa pressão ajuda a forçar a passagem do oxigênio ao sangue.

A pressão é ajustada para ajudar a manter abertas as vias aéreas pequenas e os alvéolos, e para garantir que os pulmões não recebam uma concentração excessiva de oxigênio. Isto é importante, pois uma concentração excessiva de oxigênio pode lesar os pulmões e agravar a síndrome da angústia respiratória aguda. Também é importante a instituição de outros tratamentos adjuvantes, como a administração de líquido ou nutrientes através da via intravenosa, pois a desidratação ou a desnutrição aumentam a probabilidade de interrupção do funcionamento de diversos órgãos (falência múltipla de órgãos).

Tratamentos adicionais cruciais para o sucesso dependem da causa subjacente da síndrome da angústia respiratória aguda. Por exemplo, antibióticos são administrados para combater uma infecção. Os pacientes que respondem normalmente ao tratamento, recuperam-se bem com pouca ou nenhuma alteração pulmonar a longo prazo. Para aqueles pacientes cujo tratamento depende de longos períodos sob respiração assistida (com o auxílio de um ventilador), a possibilidade de formação de cicatrizes pulmonares é maior. No entanto, essas cicatrizes podem melhorar alguns meses após o paciente ter deixado de utilizar o ventilador.

Quais são os Cuidados de Enfermagem com o paciente em SARA?

  • Tranquilizar o cliente no apoio psicológico;
  • Encorajar a posição semi – Fowler ou Fowler para melhor ventilação;
  • Realizar o controle Hidreletrolítico;
  • Observar distenção da veia jugular (edema periférico);
  • Proporcionar apoio nutricional adequado;
  • Oferecer dieta assistida;
  • Manter acesso venoso calibroso, oxímetro de pulso e monitor cardíaco;
  • Manter higiene oral (traqueobrônquica) e corporal;
  • Auxiliar médico na IOT e a ventilação mecânica;
  • Administrar medicamentos conforme prescrição médica;
  • Verificar sinais vitais;
  • Observar, comunicar e anotar intercorrências.

Pneumotórax

Pneumotórax

Considerado um problema de saúde razoavelmente comum, o pneumotórax é definido pelo acúmulo de ar no tórax, consequência de alguma lesão que tenha sido imposta à membrana (pleura) que reveste os pulmões. Embora o Pneumotórax possa ocorrer de maneira espontânea em indivíduos com boas condições de saúde, os casos mais frequentes envolvem lesões no tórax, pessoas adeptas do tabagismo, ou aquelas que possuam doenças vinculadas aos pulmões.

Primeiramente, vamos entender o que é a pleura, como surge o pneumotórax, quais são os seus sintomas e o que é exatamente pneumotórax hipertensivo.

O QUE É A PLEURA?

Todos nós temos dois pulmões que ficam localizados dentro da caixa torácica e são recobertos por uma fina membrana que se chama pleura. A pleura é uma espécie de capa que isola os pulmões do resto das estruturas do tórax. Ela é composta por duas camadas, a pleura visceral, que é a camada mais interna, e a pleura parietal, que é a camada externa. Entre as pleuras existe apenas uma mínima lâmina de líquido que serve como lubrificante, impedindo que ambas fiquem aderidas.

Os nossos pulmões são órgãos esponjosos que se mantém insuflados o tempo todo, mesmo durante a expiração. O pulmão não funciona como um balão que se enche com ar e murcha sem ar. Mesmo quando jogamos todo o ar para fora, o pulmão não fica murcho. Isso ocorre devido a pressão negativa que existe dentro do nosso tórax.

COMO SURGE UM PNEUMOTÓRAX?

O pneumotórax ocorre quando há uma lesão da pleura e o ar que deveria estar apenas no dentro do pulmão, começa a vazar para a cavidade torácica. Como o pulmão fica insuflado devido à pressão negativa do tórax, qualquer vazamento de ar para essa região eleva a pressão e favorece o colapso do mesmo. O ar que deveria estar expandindo o pulmão, está agora do lado de fora, comprimindo-o e fazendo-o murchar.

Um pneumotórax (pneumo = ar) é exatamente o que seu nome diz, “ar no tórax”.

Pneumotórax espontâneo

O pneumotórax espontâneo é aquele que surge de repente, sem nenhum fator desencadeante óbvio. Na maioria das vezes, este tipo de pneumotórax surge em repouso e de modo súbito.

O pneumotórax espontâneo é mais comum em homens, fumantes e pessoas magras e altas. O grupo de maior risco são os adultos jovens, entre 20 e 30 anos. O pneumotórax espontâneo é pouco frequente em pessoas acima dos 40 anos.

Por motivos que ainda desconhecidos, este é o grupo que apresenta maior risco de desenvolver bolhas nos ápices dos pulmões. Essa bolhas não representam nenhuma doença em si, mas podem se romper, causando um “furo” na pleura, facilitando, assim, a passagem de ar dos pulmões para a cavidade torácica. A analogia que podemos fazer é com um pneu que apresenta uma bolha, estando sob alto risco de se romper.

O cigarro causa inflamação das vias aéreas, facilitando não só a formação de bolhas na pleura, mas também o seu rompimento. Por isso, o cigarro é o principal fator de risco para o pneumotórax espontâneo.

Cabe ressaltar que o vilão do pneumotórax não é só o cigarro. Fumar maconha também está relacionado a episódios de pneumotórax, principalmente o ato de inalar profundamente a fumaça e soltá-la bem lentamente com os lábios semi fechados, mantendo a fumaça mais tempo presa dentro dos pulmões.

Além do fumo, praticar mergulho, montanhismo, pegar peso e viajar de avião podem desencadear um pneumotórax naqueles que já apresentam bolhas na pleura.

Nas mulheres, uma causa rara de pneumotórax é a endometriose do pulmão. Esse diagnóstico deve ser pensado em mulheres que fazem pneumotórax na época da menstruação.

Pneumotórax secundário

Pneumotórax secundário é aquele que surge em pacientes que já apresentam alguma doença  pulmonar, como enfisema, tuberculose, pneumonia , fibrose cística, asma ou câncer de pulmão. Doentes internados em UTI ligados a ventiladores mecânicos (respiração por aparelhos) também estão sob risco de pneumotórax.

Pneumotórax traumático

O pneumotórax também pode surgir após acidentes com traumas na região do tórax. Qualquer lesão perfurante ou de alto impacto no tórax  pode causar um pneumotórax, incluindo acidentes automobilísticos, facadas, lesões por arma de fogo, fraturas da costela…

SINTOMAS DO PNEUMOTÓRAX

O principal sintoma do pneumotórax é uma súbita dor torácica de grande intensidade associada à dificuldade para respirar. O paciente costuma estar muito ansioso, pois a dor piora ao inspirar, o que leva a um imenso desconforto.

Pneumotórax - RX

Pneumotórax

O pneumotórax pequeno é aquele em que há apenas um pequeno vazamento de ar, não sendo capaz de “murchar” todo o pulmão. Neste caso o único sintoma é dor ao respirar.

Nos pneumotórax mais volumosos pode haver colabamento de um pulmão inteiro, fazendo com que o paciente sinta dor e muita dificuldade para respirar, pois um dos seus pulmões para completamente de funcionar.

PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO

O pneumotórax hipertensivo é o tipo mais grave e pode levar à parada cardiorrespiratória em pouco tempo, se não reconhecido e tratado rapidamente.

Em alguns casos de pneumotórax a lesão na pleura faz um mecanismo de válvula, que permite a passagem de ar em direção ao tórax, mas impede a sua saída. Como resultado, cada vez que o paciente inspira, entra um pouco de ar no tórax, ficando este preso lá dentro. Conforme a quantidade de ar presa no tórax vai aumentando, a pressão intratorácica vai eleva-se progressivamente, comprimindo órgãos internos como vasos, o outro pulmão e o coração.

O pneumotórax hipertensivo é uma emergência médica e deve ser tratado de imediato.

DIAGNÓSTICO DO PNEUMOTÓRAX

O diagnóstico do pneumotórax deve ser suspeitado a partir da história clínica e dos sintomas do paciente. Se o pneumotórax for volumoso, é possível detectá-lo apenas com um exame físico bem feito . Isso é importante nos casos de pneumotórax hipertensivo que ocorrem fora do ambiente hospitalar, como após acidentes automobilísticos. Neste caso, o médico pode fazer o diagnóstico através da auscultação do pulmão do paciente e iniciar os procedimentos de emergência para descompressão do pulmão sem a necessidade de exames complementares.

Nos casos de um pneumotórax de pequeno volume, pode ser difícil fazer o diagnóstico com certeza apenas pelo exame físico. Nestes casos, o diagnóstico costuma ser confirmado através de exames de imagens, como a radiografia simples do pulmão ou uma tomografia computadorizada do tórax.

TRATAMENTO DO PNEUMOTÓRAX

Se o pneumotórax for pequeno (cerca  e 2 ou 3 cm) e o paciente estiver clinicamente estável, o tratamento pode ser apenas expectante. Basta manter o paciente em observação que o pneumotórax costuma regredir sozinho.

Nos casos de pneumotórax volumoso, está indicada a drenagem torácia para a aspiração do ar e expansão do pulmão. Quando a pleura cicatriza após alguns dias, o dreno é retirado.

Nos casos de pneumotórax hipertensivo, a colocação do dreno deve ser feita o mais rápido possível. Se a drenagem por tubo torácico não estiver imediatamente disponível, a equipe de urgência pode perfurar o tórax com uma agulha calibrosa, provocando a saída do ar pela mesma. Esse procedimento mantém o pneumotórax, mas ele agora não é mais um pneumotórax hipertensivo. O pulmão continua colapsado, mas já não há aumento de pressão dentro do tórax para comprimir o coração, uma vez que o ar consegue sair facilmente pela agulha. Esse procedimento transforma um pneumotórax hipertensivo em um pneumotórax não hipertensivo e é suficiente para salvar a vida do paciente enquanto se aguarda a chegada do material e da equipe para introdução do tubo torácico.

Cuidados de Enfermagem com Pacientes em Pneumotórax

1) Aspiração quando necessário;
2) Posição de fowler com pernas e pés mais baixos que o resto do corpo;
3) Observar sinais sudorese, náuseas e vômitos;
4) Oxigenação (administração de O2 a 100% por meio de máscara facial);
5) Controle de sinais vitais;
6) Apoio psicológico;
7) Administração dos medicamentos solicitados pelo médico.

Insuficiência Respiratória Aguda (IRA)

Insuficiência Respiratória

Em Geral, a insuficiência respiratória resulta de uma falha de troca gasosa pelo sistema respiratório, o que significa que o oxigênio ou o dióxido de carbono arterial, ou ambos, não podem ser mantidos em seus níveis normais. Um decréscimo de oxigênio transportado no sangue é conhecido como hipoxemia e um aumento nos níveis de dióxido de carbono é chamado de hipercapnia.

A insuficiência respiratória pode ser classificada como Crônica ou Aguda. A Crônica é a falência respiratória  que surge nos pacientes com doença pulmonar  crônica, surge em período de meses ou  anos.

E a Aguda é quando há a falência respiratória  que surge nos pacientes cujos pulmões eram estrutural e funcionalmente normais, na qual ocorre rapidamente.

QUAIS SÃOS AS CAUSAS?

A insuficiência respiratória é causada por doenças ou condições que dificultam a respiração. Esses distúrbios podem afetar diretamente os pulmões ou os músculos, nervos, ossos ou tecidos envolvidos na respiração. Nessas condições, os pulmões não podem mover-se facilmente e/ou os tecidos orgânicos pertinentes não estão aptos para angariar a dose normal de oxigênio e remover o dióxido de carbono do sangue. Isto pode ocorrer por danos aos tecidos e costelas em torno dos pulmões, problemas com a coluna, drogas ou overdose de álcool, doenças e condições agudas ou crônicas do pulmão.

Assim, normalmente a insuficiência respiratória é causada por um desequilíbrio entre a ventilação e a perfusão. Ou seja, o volume de ar que entra e sai dos pulmões não é combinado com o fluxo de sangue para os pulmões.

A FISIOPATOLOGIA

A deficiência de oxigênio pode acontecer porque:

– O oxigênio ambiente esteja baixo como, por exemplo, em grandes altitudes.
– Porque haja um desequilíbrio ventilação-perfusão, em que partes do pulmão recebem o oxigênio normal, mas não a quantidade de sangue suficiente para absorvê-lo como, por exemplo, na embolia pulmonar.
– Porque haja hipoventilação alveolar como, por exemplo, na doença neuromuscular aguda.
– Se houver problema de difusão, em que o oxigênio não pode entrar nos capilares devido à doença do parênquima, por exemplo, na pneumonia.
– Por haver um shunt arteriovenoso, em que o sangue oxigenado se mistura com sangue não-oxigenado.
– O aumento da resistência das vias respiratórias como na doença pulmonar obstrutiva crônica, asma, asfixia, etc.
– Menor esforço respiratório, por efeito de drogas, lesão do tronco cerebral, obesidade extrema.
– Diminuição na área do pulmão disponível para a troca de gases, tal como na bronquite crônica.
– Problemas neuromusculares como, por exemplo, síndrome de Guillain-Barré e doença do neurônio motor.
– Deformações da coluna como cifoescoliose, espondilite anquilosante ou tórax instável.

SINAIS E SINTOMAS

Os principais sinais e sintomas da insuficiência respiratória dependem da causa subjacente e dos níveis de oxigênio e dióxido de carbono no sangue. Um baixo nível de oxigênio no sangue pode dispnéia. Se o nível de oxigênio é muito baixo, também pode causar cianose na pele, lábios e unhas. Um nível elevado de dióxido de carbono pode causar tauipinéia  e confusão mental. Algumas pessoas com esse problema podem tornar-se sonolentas ou mesmo perder a consciência. Também podem desenvolver arritmias ou batimentos cardíacos irregulares.

TRATAMENTO

É necessário o tratamento da causa subjacente. Sintomaticamente, pode precisar ser feita entubação endotraqueal e ventilação mecânica. Se a falha respiratória resultar de uma overdose de drogas sedativas, tais como opioides ou benzodiazepínicos, o antídoto apropriado deve ser usado. A pressão positiva contínua nas vias aéreas deve ser utilizada mesmo antes de transportar o paciente para um hospital.

CUIDADOS DE ENFERMAGEM COM PACIENTES EM (IR)

– Oxigenoterapia;
– Manter decúbito elevado 45º graus para maior expansão torácica;
– Manter oxímetro de pulso e monitorização cardíaca se necessário;
– Avaliar sinais vitais de 4/4h;
– Avaliar nível de consciência;
– Suporte psicossocial;
– Suporte nutricional, caso paciente seja entubado, o Enfermeiro deverá instalar uma SNE para dar suplemento nutricional ao paciente impossibilitado de auto-alimentação.