O Derrame Pleural e seus tipos

Predominantemente, os pacientes apresentam dispneia, mas tosse e dor torácica pleurítica podem ser um achado, podendo ser de etiologia do derrame pleural onde determina outros sinais e sintomas!

Mas o que é um Derrame Pleural?

Um derrame pleural acontece quando líquido se acumula entre as superfícies pleurais parietal e visceral do tórax. Uma camada fina de líquido está sempre presente nesse espaço para lubrificação e para facilitar o movimento do pulmão durante a inspiração e a expiração. Se o fluxo normal do líquido for interrompido, com excesso de produção ou remoção insuficiente de líquido, este será acumulado, resultado em derrame pleural.

Como são os sintomas de um Derrame Pleural?

Os principais sintomas decorrentes diretamente do envolvimento pleural são dor torácica, tosse e dispneia. A dor torácica pleurítica é o sintoma mais comum no derrame pleural. Ela indica acometimento da pleura parietal, visto que a visceral não é inervada, e geralmente ocorre nos exsudatos. Não necessariamente indica a presença de líquido, pelo contrário, tende a ser mais intensa nas fases iniciais da pleurite, melhorando com o aumento do derrame pleural. Seu caráter é geralmente descrito como “em pontada”, lancinante, nitidamente piorando com a inspiração profunda e com a tosse, melhorando com o repouso do lado afetado, como durante a pausa na respiração ou durante o decúbito lateral sobre o lado acometido. A dor torácica localiza-se na área pleural afetada, mas pode ser referida no andar superior do abdome ou na região lombar, quando porções inferiores da pleura são acometidas, ou no ombro, quando a porção central da pleura diafragmática é acometida.

A tosse é um sintoma respiratório inespecífico, podendo estar associada a doenças dos tratos respiratórios superior e inferior. A presença de derrame pleural, sobretudo com grandes volumes, isoladamente pode associar-se a tosse seca

A dispneia (alteração do ritmo da respiração) estará presente nos derrames mais volumosos e nos de rápida formação. Há uma tendência de melhora quando o paciente assume o decúbito lateral do mesmo lado do derrame. A presença de dor pleurítica importante, limitando a incursão respiratória, ou a presença de doença parenquimatosa concomitante também contribuem para o surgimento de dispneia.

Os Tipos de Derrame Pleural

O derrame pleural é divido entre transudato e exsudato, de acordo com a composição química do líquido pleural. Os critérios de classificação usados para diferenciar um derrame pleural de outro são:

Transudato

  • Relação entre proteína do líquido pleural e sérica menor ou igual a 0,5
  • Relação entre DHL do líquido pleural e sérica menor ou igual a 0,6
  • DHL no líquido pleural abaixo de 2/3 do limite superior no soro.

Exsudato

  • Relação entre proteína do líquido pleural e sérica maior que 0,5
  • Relação entre DHL do líquido pleural e sérica maior que 0,6
  • DHL no líquido pleural acima de 2/3 do limite superior no soro.

As Causas do Derrame Transudativo

  • Insuficiência cardíaca congestiva
  • Embolia pulmonar (20% dos derrames pleurais na embolia pulmonar são transudatos)
  • Atelectasias
  • Hipoalbuminemia
  • Diálise peritoneal
  • Cirrose hepática
  • Síndrome nefrótica
  • Glomerulonefrite
  • Neoplasias (raramente o derrame nas neoplasias e na sarcoidose são transudatos).

Mais raras

  • Iatrogenia (infusão de solução pobre em proteínas no espaço pleural)
  • Pericardite constritiva
  • Urinotórax
  • Obstrução da veia cava superior
  • Mixedema
  • Desnutrição
  • Sarcoidose
  • Fístula liquórica para a pleura
  • Procedimento de Fontan (procedimento cirúrgico realizado para correção de cardiopatias congênitas (atresia tricúspide e coração univentricular), pelo qual a cava superior ou inferior, ou o átrio direito, é anastomosado na artéria pulmonar.
  • atrogenia (infusão de solução pobre em proteínas no espaço pleural)
  • Pericardite constritiva
  • Urinotórax
  • Obstrução da veia cava superior
  • Mixedema
  • Desnutrição
  • Sarcoidose
  • Fístula liquórica para a pleura
  • Procedimento de Fontan (procedimento cirúrgico realizado para correção de cardiopatias congênitas (atresia tricúspide e coração univentricular), pelo qual a cava superior ou inferior, ou o átrio direito, é anastomosado na artéria pulmonar.

As Causas do Derrame Exsudativo

  • Neoplasia: metastática, mesotelioma; Doenças infecciosas: infecção bacteriana, tuberculose, infecções por fungos, vírus e parasitas; Tromboembolia pulmonar; Doenças cardíacas após cirurgia de revascularização miocárdica, doenças do pericárdio, síndrome de Dressler (pós-injúria do miocárdio), cirurgia de aneurisma de aorta;
  • Doenças gastrintestinais: pancreatite, abcesso sub-frênico, abcesso intrahepático, abcesso esplênico, perfuração de esôfago, hérnia diafragmática, esclerose endoscópica de varizes de esôfago, após transplante hepático;
  • Colagenoses e outras condições imunológicas: artrite reumatóide, lúpus, eritematoso sistêmico, febre familiar do Mediterrâneo, granulomatose de Wegener, Sjögren, Churg-Strauss;
  • Drogas: nitrofurantoína, dantrolene, metisergide, amiodarona, bromocriptina, procarbazina, metotrexate, interleucina 2;
  • Hemotórax: trauma torácico, iatrogênico, complicação de anti-coagulação na tromboembolia pulmonar, hemotórax catamenial, rupturas vasculares;
  • Quilotórax: cirurgias cardiovasculares, pulmonares e esofágicas, linfoma, outras neoplasias, traumas torácicos ou cervicais;
  • Outras: exposição ao asbesto, após infarto miocárdico ou pericardiectomia, após cirurgia de revascularização miocárdica, síndrome de Meigs, síndrome das unhas amarelas, após transplante pulmonar, uremia, radioterapia, pulmão encarcerado, pós-parto, amiloidose, queimadura elétrica, iatrogênico.

Como é diagnosticado um Derrame Pleural?

Aspectos visuais do líquido pleural podem ser muito úteis, podendo, em alguns casos, em conjunto com a clínica, já fornecer o diagnóstico. Em outros casos, eles podem orientar a solicitação de exames complementares. Assim, por exemplo, a presença de pus pode ser facilmente identificada e um líquido com aspecto leitoso sugere quilotórax, embora eventualmente o empiema possa apresentar este aspecto.

Na radiografia de tórax realizada com o paciente em pé ou de perfil, a apresentação do derrame varia com seu volume, tendo a seguinte evolução:

  • Radiografia de tórax normal: pequenos volumes não são identificados na radiografia de tórax em PA
  • Elevação e alteração da conformação do diafragma, com retificação de sua porção medial
  • Obliteração do seio costofrênico – surge a partir de volumes que variam de 175 a 500 ml em adultos
  • Opacificação progressiva das porções inferiores dos campos pleuropulmonares com a forma de uma parábola com a concavidade voltada para cima.

O derrame pleural pode apresentar-se com formas atípicas, tais como:

  • Derrame infra-pulmonar ou subpulmonar: por razões não esclarecidas, grandes volumes de líquido podem se manter sob os pulmões, sem se estender para o seio costofrênico ou para as porções laterais do espaço pleural
  • Derrame loculado: o líquido pleural pode manter-se encapsulado em qualquer ponto dos campos pleuropulmonares, o que ocorre mais comumente no hemotórax e no empiema
  • loculação entre as cissuras (tumor fantasma): o líquido pleural pode manter-se encapsulado na cissura horizontal ou oblíqua, formando uma imagem compatível com uma massa na projeção em PA, mas, em geral, com conformação elíptica na projeção lateral.

Exames Solicitados

Além das dosagens de proteínas e da desidrogenase lática (DHL), realizadas em todos os pacientes com derrame pleural, para a diferenciação entre transudato e exsudato, a análise da glicose, da amilase e do pH podem auxiliar no diagnóstico etiológico do derrame pleural, embora sempre de forma limitada, sem que haja pontos de corte que confirmem ou afastem uma ou outra doença.

Outros exames para diagnóstico e acompanhamento de derrame pleural são:

  • Citologia oncótica
  • Dosagens imunológicas
  • Biópsia pleural
  • Radiografia de tórax
  • Ultrassonografia
  • Tomografia computadorizada.

Os Tratamentos alternativos para o Derrame Pleural

Geralmente, o tratamento visa tratar a causa subjacente. Pode incluir medicamentos ou cirurgia.

Se os sintomas forem brandos, o médico pode adotar uma abordagem de “vigilância atenta”. Ela será controlada até que o vazamento desapareça.

Para ajudar a respirar

Se você tiver dificuldade para respirar, seu médico pode recomendar:

  • Tratamentos respiratórios: inalação de medicamentos diretamente para os pulmões
  • Oxigenoterapia

Drenagem do derrame pleural

O derrame pleural pode ser drenado por:

  • Toracocentese terapêutica: uma agulha é inserida na área para remover o excesso de líquido.
  • Tubo de toracostomia: Um tubo é inserido na lateral do tórax para permitir a drenagem do fluido. Esta sonda é deixada no lugar por vários dias.

Selando as camadas pleurais

O médico pode recomendar uma pleurodese química. Durante este procedimento, pó de talco ou substância química irritante é injetado no espaço pleural. Desta forma, as duas camadas pleurais são permanentemente seladas e unidas, o que pode ajudar a prevenir um maior acúmulo de fluido.

A radioterapia também pode ser usada para selar a pleura.

Cirurgia

Em casos graves, a cirurgia pode ser necessária. Durante a cirurgia, parte da pleura é removida. Opções de cirurgia podem incluir o seguinte:

  • Toracotomia : procedimento tradicional de tórax aberto
  • Cirurgia toracoscópica videoassistida (VATS): cirurgia minimamente invasiva na qual apenas pequenas incisões são feitas

Cuidados de Enfermagem para pacientes com Derrame Pleural

  • Controlar a dor corretamente;
  • Monitorar o dreno de tórax;
  • Verificar a quantidade de líquido que drenou e a sua cor;
  • Registrar os valores obtidos no dreno de tórax e deixar o paciente em repouso na cama ajustada a 45°.

Referências Bibliográficas:

Doença pulmonar induzida por drogas. Site da Versão Profissional do Manual da Merck. Disponível em: http://www.merckmanuals.com/professional/pulmonary_disorders/interstitial_lung_diseases/drug-induced_pulmonary_disease.html. Atualizado em maio de 2008. Acessado em 11 de junho de 2019.

Explorar pleurisia e outros distúrbios pleurais. Site do Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue. Disponível em: http://www.nhlbi.nih.gov/health/health-topics/topics/pleurisy. Atualizado em 21 de setembro de 2011. Acessado em 11 de junho de 2019.

Derrame pleural. Website das Comunidades de Saúde da Remedy. Disponível em: http://www.healthcommunities.com/pleural-effusion/overview-of-pleural-effusion.shtml. Acessado em 11 de junho de 2019.

Derrame pleural-avaliação diagnóstica. EBSCO DynaMed website. Disponível em: http://www.ebscohost.com/dynamed.Acessado em 11 de junho de 2019.

Derrame pleural – diagnóstico diferencial. EBSCO DynaMed website. Disponível em: http://www.ebscohost.com/dynamed. Acessado em 11 de junho de 2019.

10/12/2010 Vigilância de Literatura Sistemática da DynaMed http://www.ebscohost.com/dynamed: Roberts M, Neville E, Berrisford R, Tunes G. Ali N, et al. Manejo do derrame pleural maligno: Diretriz da doença pleural da Sociedade Britânica Torácica 2010. Tórax. 2010; 65 Suppl 2: ii32.

A Atelectasia Pulmonar: O que é ?

Atelectasia Pulmonar

A Atelectasia Pulmonar, também chamado de Colapso Pulmonar, é uma complicação respiratória que impede a passagem de ar suficiente, devido ao colapso dos alvéolos pulmonares.

Isso normalmente acontece quando existe fibrose cística, tumores no pulmão ou quando o pulmão ficou cheio de líquido devido a uma pancada forte no peito, por exemplo.

Dependendo de quantos alvéolos são afetados, a sensação de falta de ar pode ser mais ou menos intensa e, por isso, o tratamento também poderá variar de acordo com a intensidade dos sintomas.

O que pode Causar a Atelectasia?

Há alguns fatores que podem ocasionar o bloqueio das vias de condução do ar, como:

  • Objetos estranhos;
  • Sangramento;
  • Infecções (pneumonia, bronquite, enfisematuberculose…);
  • Anestesia geral;
  • Excesso de muco ou líquido purulento;
  • Pressão causada por uma acumulação de fluido entre as costelas e os pulmões (derrame pleural);
  • Repouso prolongado no leito, com poucas mudanças de posição;
  • Respiração insuficiente;
  • Tumores que bloqueiam as vias aéreas.

Outras possíveis causas sem bloqueio incluem:

  • Pneumotórax (perfuração do pulmão);
  • Trauma físico grave que reduza muito a respiração;
  • Cirurgia abdominal

Os Sinais e Sintomas de uma Atelectasia

Podem incluir:

  • Deslocamento da traqueia ou mediastino para o lado da atelectasia;
  • Desvio do choque da ponta cardíaco para o lado da atelectasia;
  • Elevação do diafragma do lado da atelectasia;
  • Alteração da fissura horizontal;
  • Pinçamento de costelas.

E os possíveis sintomas são:

  • Dificuldade de respirar;
  • Baixa saturação de oxigênio;
  • Batimento cardíaco acelerado;
  • Efusão pleural;

A falta de ar eventualmente deixa a pele e lábios azulados (cianose). Antigamente acreditavam que causava febre, porém estudos refutaram essa alegação.

Os Tipos de Atelectasia

Não há ainda um consenso no que pode abranger os tipos de colapso pulmonar.

No entanto, alguns nomes frequentemente falados são:

Atelectasia obstrutiva

Trata-se de um dos tipos mais comuns de atelectasia, no qual uma obstrução das vias aéreas impede a passagem do ar entre a traqueia e os alvéolos.

É também conhecida como atelectasia de reabsorção, por conta do ar que é “puxado” (absorvido) para o sangue, enquanto não há ar novo entrando nos sacos alveolares.

Atelectasia compressiva

Esse tipo de atelectasia ocorre quando há compressão do pulmão, muitas vezes por conta de problemas na pleura, lesões no tórax e tumores, que “empurram” o pulmão e fazem com que o ar saia dos alvéolos.

Atelectasia restritiva

Resulta de algum tipo de restrição em relação à capacidade respiratória, como dores para respirar fundo, deformidades na caixa torácica e na coluna vertebral, entre outras. Essas condições impedem a expansão do pulmão, fazendo com que ele não se encha de ar o suficiente para manter os alvéolos abertos.

Atelectasia cicatricial

A atelectasia cicatricial é o produto de uma lesão pulmonar que resulta em uma cicatriz no órgão, que impede sua expansão total.

Atelectasia tensiolítica

Esse tipo de colapso é causado por problemas no surfactante pulmonar, que tem problemas em deixar os alvéolos abertos.

Síndrome do lobo médio

O pulmão direito possui 3 lobos, sendo o único que possui um “lobo médio”. Esse lobo é circundado por tecido linfático, que tende a aumentar quando há infecções, tanto virais quanto bacterianas. Quando isso acontece, esse tecido comprime o lobo médio, levando à uma atelectasia crônica total ou parcial desse lobo.

Como é feito o diagnóstico?

Quando há suspeita de colapso pulmonar, o médico pneumologista, deverá pedir exames de imagem para verificar o estado do pulmão. Alguns exames que podem ser pedidos são:

Radiografia do tórax

Na imagem, a parte colapsada do pulmão aparece nitidamente, enquanto o pulmão saudável não aparece há apenas uma cavidade escura onde ele deveria estar, pois está cheio de ar.

Frequentemente, esse exame também consegue detectar possíveis objetos estranhos que podem ser a causa da atelectasia.

Tomografia computadorizada (TC)

A TC é um exame de imagem mais preciso que a radiografia convencional, sendo capaz de detectar o volume dos pulmões. Ela também auxilia a detectar se, por acaso, a causa da atelectasia é um tumor, o que não aparece normalmente no raio-X comum.

Oximetria

Este teste, realizado por meio de um pequeno aparelho que é colocado em um dos dedos, é capaz de medir a saturação de oxigênio no sangue. Caso haja pouco oxigênio circulando, eis uma grande pista de que pode se tratar de um colapso pulmonar.

Broncoscopia

Por meio de um tubo fino e flexível com uma câmera na ponta, a broncoscopia mostra imagens nítidas da garganta e de parte da árvore brônquica, sendo capaz de detectar obstruções nessas áreas.

Muitas vezes, esse aparelho denominado broncoscópio é equipado, também, com ferramentos para realizar biópsias e remoção dessas obstruções.

Tratamento para a Atelectasia

O tratamento para a atelectasia é feito de acordo com a causa e a intensidade dos sintomas, sendo que nos casos mais leves podem nem ser necessário qualquer tipo de terapia, vejamos algumas opções:

Suplementação de oxigênio

A fim de melhorar a falta de ar em casos de colapsos muito grandes, o médico pode recomendar uma suplementação de oxigênio. Esse tipo de terapia pode ser feito por meio de equipamentos como aparelhos de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAPs) ou pressão positiva contínua nas vias aéreas a dois níveis (BiPAPs):

CPAP

Trata-se de um equipamento de alta tecnologia que comprime o ar e, por meio de uma máscara que encobre o nariz e a boca do paciente, libera um fluxo de ar contínuo nas vias aéreas. Esse fluxo ininterrupto seria capaz de expandir os alvéolos, sem deixá-los colapsar novamente.

BiPAP

Funciona da mesma maneira que o CPAP, apenas com duas pressões diferentes: uma para a hora da inalação e outra, mais branda, para não atrapalhar na hora de expirar o ar.

Esses dois aparelhos devem ser utilizados e ter sua pressão regulada com o auxílio do médico, pois a má utilização dos mesmos pode ser prejudicial.

Procedimentos cirúrgicos

Em alguns casos, certos procedimentos cirúrgicos podem ser necessários. É o caso, por exemplo, de retirada de tumores e objetos estranhos que podem estar obstruindo as vias aéreas.

Quando há muco em excesso, pode ser feita uma aspiração dos pulmões, a fim de remover as secreções que impedem a respiração. Em muitos casos, a retirada de pequenos tumores e objetos estranhos pode ser feita por meio da broncoscopia.

Tratamento de doenças adjacentes

Outros tratamentos podem ser aplicados dependendo da causa. Se há um tumor, tratamento oncológico pode ser necessário. Em caso de infecções, pode-se receitar antibióticos. Causas neurológicas devem ser tratadas como um todo, sendo a atelectasia apenas um dos alvos de um programa de tratamento mais complexo.

Fisioterapia pulmonar

fisioterapia pulmonar foca em diversas técnicas que podem auxiliar a restaurar a respiração profunda, especialmente em pós-operatórios, quando há maior necessidade dessa atividade.

Algumas técnicas a serem usadas são:

  • Tosse forçada;
  • Tapotagem: Leves pancadas na área colapsada para soltar e movimentar as secreções acumuladas — pode ser feita por meio de aparelhos;
  • Exercícios de respiração profunda com a possibilidade de realizar uma espirometria;
  • Aparelhos que auxiliam a forçar a tosse;
  • Drenagem postural: técnica na qual a cabeça é posicionada em um nível abaixo do peito para fazer com que o muco seja drenado das vias aéreas inferiores para as superiores.

Medicamentos para atelectasia

Quando a atelectasia é causada por acúmulo de muco nas vias aéreas, o médico pode receitar o uso de mucolíticos: medicamentos que facilitam a expectoração dessas secreções.

Alguns exemplos são:

  • Acetilcisteína;
  • Carbocisteína;
  • Ambroxol.

Alguns Cuidados de Enfermagem com Paciente em Atelectasia

  • Repouso ao leito em decúbito elevado;
  • Manter ambiente limpo e arejado;
  • Promover higiene oral e corporal;
  • Trocar roupas de cama e do cliente sempre que necessário;
  • Oferecer dieta hipercalórica e rica em líquidos;
  • Movimentar o cliente com cuidado devido à dor;
  • Realizar a mudança de decúbito, evitando o acúmulo de secreções brônquicas;
  • Estimular tosse produtiva, evitando acúmulo de secreções brônquicas;
  • Administrar O2, conforme prescrição médica;
  • Administrar Medicações prescritas pelo médico;
  • Aferir sinais vitais;
  • Observar sinais e sintomas e intercorrências, anotar e comunicar a enfermeira e o médico.

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Edema Pulmonar: Tratamento Imediato

edema pulmonar

O Edema Agudo de Pulmão, ou Edema Pulmonar, surge de forma abrupta, frequentemente como complicação de uma insuficiência cardíaca congestiva, taquicardia ou taquiarritmia, infarto agudo do miocárdio extenso com comprometimento grave da função ventricular esquerda ou estágios terminais de neoplasias.

Também pode ser causado por obstrução das vias respiratórias gerando aumento da pressão pulmonar para mais de 25mmHg (o normal é 15mmHg) e drenagem do plasma sanguíneo dos capilares pulmonares. Além disso, pode ter causas neurológicas que prejudiquem a regulação da respiração pelo centro pneumotáxico como uma convulsão ou neurotoxina.

EAP Requer tratamento imediato!

Deve ser iniciado o mais rápido possível no pronto-socorro com máscara de oxigênio e remédios diuréticos diretamente na veia, como Furosemida, para aumentar a quantidade de urina e eliminar o excesso de líquidos nos pulmões.

Além disso, também é necessário fazer o tratamento adequado da doença que causou o problema, que pode incluir remédios para pressão alta, como Captopril, ou Lisinopril para tratar a insuficiência cardíaca descompensada, por exemplo.

Normalmente, o paciente precisa ficar internado no hospital durante cerca de 7 dias para aliviar os sintomas, controlar o problema que causou o surgimento do edema pulmonar e fazer fisioterapia respiratória. Durante este período, pode ser necessário utilizar uma sonda vesical para controlar a saída de líquidos do organismo, evitando que acumulem novamente.

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Respiração Agônica (Gasping)

Respiração Agônica

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 04/09/2026.

Em uma parada cardiorrespiratória, o erro mais perigoso pode acontecer antes mesmo da primeira compressão: olhar para um paciente que está “puxando o ar” e concluir que ele ainda está respirando normalmente. O gasping, ou respiração agônica, é uma respiração anormal e ineficaz que pode aparecer nos primeiros momentos da parada cardíaca.

Como reconhecer a respiração agônica

O gasping costuma aparecer como inspirações lentas, irregulares e espaçadas, podendo produzir sons semelhantes a engasgos, suspiros, roncos, gemidos ou respiração ofegante. Esses movimentos não devem ser interpretados como ventilação normal. Em uma pessoa inconsciente ou não responsiva, a presença desse padrão deve acelerar a avaliação para parada cardíaca, e não tranquilizar a equipe.

A respiração agônica é relativamente comum no início da parada cardiorrespiratória e tende a desaparecer conforme o tempo de parada aumenta. Justamente por poder dar a impressão de que existe respiração espontânea, ela está associada a atrasos no reconhecimento e no início da RCP.

Gasping e parada cardiorrespiratória

No adulto inconsciente e com respiração ausente ou anormal, o profissional de saúde deve verificar rapidamente o pulso por no máximo 10 segundos. Se não houver pulso definitivamente palpável, deve-se assumir parada cardíaca e iniciar a ressuscitação conforme o protocolo institucional, com acionamento da equipe de emergência e utilização do desfibrilador assim que disponível.

Isso também ajuda a diferenciar uma situação crítica de uma simples alteração do padrão respiratório: gasping não é um parâmetro para confirmar circulação. A avaliação deve considerar responsividade, respiração e pulso, sem prolongar a checagem a ponto de atrasar as compressões.

Quando ocorre no fim da vida

O gasping também pode aparecer durante o processo de morte, especialmente em pacientes com doença avançada e redução importante do nível de consciência. Nesse contexto, o significado clínico é diferente daquele observado em uma parada cardíaca e a conduta deve estar alinhada aos objetivos de cuidado, às decisões previamente estabelecidas e ao plano assistencial.

Nessas situações, a prioridade pode ser conforto, controle de sintomas e suporte à família, evitando transformar automaticamente uma manifestação do processo de morte em uma tentativa de ressuscitação incompatível com o plano terapêutico.

O que a enfermagem precisa perceber rapidamente

Na prática, a pergunta não deve ser apenas “ele está respirando?”. É preciso observar como ele está respirando. Uma pessoa não responsiva que apresenta apenas movimentos gasping deve ser tratada como uma situação potencial de parada cardíaca até que a circulação seja rapidamente avaliada.

Cuidados de enfermagem

Ao identificar um paciente não responsivo com respiração ausente ou anormal, acione imediatamente o protocolo de emergência, avalie rapidamente o pulso conforme treinamento e protocolo, inicie RCP quando indicada e providencie o desfibrilador. A ventilação com bolsa-válvula-máscara e oxigênio deve ser realizada por profissional treinado, dentro da sequência de ressuscitação e conforme os recursos e protocolos disponíveis.

Durante a ocorrência, a enfermagem também tem papel fundamental em organizar o ambiente, monitorizar o paciente, preparar materiais, registrar horários e intervenções e manter comunicação objetiva com a equipe. As diretrizes AHA 2025 reforçam o uso de recursos cognitivos durante eventos de ressuscitação por profissionais de saúde, justamente para reduzir falhas em situações de alta pressão.

Duas situações que ensinam muito na prática

Em uma situação típica de atendimento em UTI, um paciente monitorizado pode apresentar perda súbita de responsividade e, antes que alguém reconheça a parada, emitir duas ou três inspirações profundas e ruidosas, seguidas de pausas longas. Esse é exatamente o momento em que o profissional precisa reconhecer que aqueles movimentos não representam uma ventilação eficaz. Esperar “mais um pouco para ver se volta a respirar” pode consumir segundos importantes para o início da RCP.

Outra situação que merece atenção ocorre durante uma parada testemunhada: depois da perda de consciência, o paciente apresenta um padrão semelhante a um ronco, enquanto alguns membros da equipe inicialmente interpretam o som como respiração. A identificação correta do gasping muda imediatamente a prioridade: confirmar rapidamente a ausência de pulso, acionar a resposta à PCR, iniciar compressões e preparar o desfibrilador. O reconhecimento desse padrão respiratório é uma habilidade prática que precisa ser treinada, não apenas decorada para uma prova.

Decore para a Prova Para lembrar na prova e na assistência

Paciente inconsciente + respiração ausente ou apenas gasping = suspeite de parada cardíaca.

O gasping não deve ser contado como respiração normal e não deve atrasar o início da ressuscitação quando os critérios para parada cardíaca estão presentes. As diretrizes internacionais de 2025 reforçam exatamente esse ponto porque reconhecer a respiração agônica rapidamente pode evitar um atraso crítico no atendimento.

Resumo para salvar

Gasping: O Sinal Que Não Pode Esperar

  • Gasping é uma respiração anormal e ineficaz
  • Paciente inconsciente com apenas gasping pode estar em parada cardíaca
  • O pulso deve ser avaliado rapidamente, sem atrasar a RCP
  • Na terminalidade, a conduta deve considerar os objetivos de cuidado e conforto

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Part 7: Adult Basic Life Support: 2025 American Heart Association Guidelines for CPR and ECC. Dallas: American Heart Association, 2025. Disponível em: AHA – Adult Basic Life Support 2025.
  2. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Treatment of Cardiac Arrest. Dallas: American Heart Association, 2025. Disponível em: AHA – Treatment of Cardiac Arrest
  3. EUROPEAN RESUSCITATION COUNCIL. European Resuscitation Council Guidelines 2025: Adult Basic Life Support. Brussels: ERC, 2025. Disponível em: ERC – Guidelines 2025.
  4. RESUSCITATION COUNCIL UK. Adult Basic Life Support Guidelines 2025. London: Resuscitation Council UK, 2025. Disponível em: Resuscitation Council UK – Adult Basic Life Support 2025.
  5. DEL RIOS, M. et al. Part 1: Executive Summary: 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation, v. 152, supl., p. S284-S312, 2025. Disponível em: AHA – 2025 CPR and ECC Guidelines

O Que é Embolia Pulmonar?

Embolia Pulmonar

A Embolia Pulmonar, também conhecida como tromboembolismo pulmonar (TEP), é o bloqueio da artéria pulmonar ou de um de seus ramos. Geralmente, ocorre quando um trombo venoso (sangue coagulado de uma veia) se desloca de seu local de formação e viaja, ou emboliza, para o fornecimento sanguíneo arterial de um dos pulmões.

Quais são os Sinais e Sintomas Característicos?

Os sintomas podem incluir falta de ar, dor torácica na inspiração e tosse com sangue.

Sintomas de trombose venosa profunda em membro inferior também podem estar presentes, como hiperemia, calor, inchaço e dor.

Os sinais clínicos incluem baixa saturação de oxigênio sanguíneo, respiração acelerada e taquicardia. Casos graves de embolia pulmonar não tratada podem levar a perda de consciência, instabilidade circulatória e morte súbita.

O que causa uma Embolia?

É mais frequentemente causada pela presença um coágulo de sangue em uma artéria, que bloqueia a passagem de sangue. Esse coágulo é geralmente proveniente de veias perna (principalmente da região da coxa) ou da pélvis (área dos quadris).

Esse tipo de coágulo é chamado também de trombose venosa profunda (TVP). O TVP se solta e se desloca para os pulmões.

Causas menos comuns incluem bolhas de ar, gotículas de gordura, líquido amniótico, parasitas ou células cancerosas.

Há fatores de risco, quais são as principais?

  • Histórico familiar de trombose venosa profunda ou de embolia pulmonar;
  • Problemas cardíacos, como pressão alta, hipertensão e outras condições cardiovasculares;
  • Alguns tipos de câncer, especialmente pâncreas, ovários e no pulmão, além de algumas metástases. Mulheres com histórico de câncer de mama também podem desenvolver o problema;
  • Ficar muito tempo de repouso e deitado pode levar a uma embolia pulmonar também, como após uma cirurgia, um ataque cardíaco, uma fratura na perna ou qualquer outra doença grave que necessitasse de internação hospitalar;
  • Ficar muito tempo sentado também é um fator de risco, especialmente durante jornadas de trabalho e viagens de avião ou automóvel;
  • Fumo;
  • Obesidade;
  • Suplementos de estrogênio, comum em pílulas anticoncepcionais e na terapia de reposição hormonal;
  • Gravidez.

Alguns Cuidados de Enfermagem com pacientes em TEP

  • Manter oximetria de pulso e comunicar desaturação;
  • Verificar FR e registrar. Notificar caso alterações: FR >24 rpm, angustia intensa, inquietação e uso de musculatura acessória;
  • Realizar ausculta pulmonar em busca de adventícios e ou campos pulmonares com MV ausentes;
  • Manter em monitorização cardíaca: traçado eletrocardiográfico e FC. Comunicar se taquicardia/arritmia;
  • Programar aferição de PA a cada 15/15 minutos. Se hipotensão ou encurtamento da pressão de pulso, comunicar;
  • Realizar ausculta cardíaca. Registrar no prontuário e comunicar ao médico se surgimento de 3ª bulha, galope e ou sopro valvar;
  • Estar atento para sinais de choque: hipotensão, desorientação, taquicardia, pele fria, pegajosa e palidez.

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O Broncoespasmo: O que é?

Broncoespasmo

Certamente, quando você estiver com um paciente e um fisioterapeuta ou o médico após avaliar o mesmo, irá citar que está apresentando o Broncoespasmo. É um termo bastante específico, e você com certeza se encherá de dúvidas.

Mas o que é o Broncoespasmo?

Entende-se por broncoespasmo ao estreitamento da luz bronquial como consequência da contração da musculatura dos brônquios, o que causa dificuldades para respirar, ou seja, também pode ser definido como espasmos nos brônquios que impedem a passagem do ar até os pulmões ou uma constrição reversível de vias aéreas pequenas do trato respiratório distal.

Normalmente é controlado mediante o uso de bronco-dilatadores, que cumprem a função de expandir os brônquios e permitir a passagem do ar. Alguns deles são inalados por via oral, enquanto outros são usados via intravenosa.

O que ocasiona o Broncoespasmo?

Pode ocorrer por vários tipos de problemas nos brônquios. Entre eles estão:

– A Inflamação do brônquio;

– Broncoespasmo induzido por exercício (BIE); 

– Hiper-reatividade bronquial;

– Broncoespasmo paradóxico;

– Outras causas como infecções leves, antecedentes patológicos, como respiratórios (asma) e alérgicos.

O que é feito quando apresentam o Broncoespasmo?

Antes de aplicar o tratamento, primeiro se deve ver a gravidade ou severidade do quadro. São estabelecidos 2 níveis: quadros leves e moderados ou quadros severos ou muito prolongados. Dependendo do nível podem ser aplicados os tratamentos necessários para diminuir o quadro de broncoespasmo na pessoa.

Nos Quadros Leves

Quando trata-se de quadros leves e moderados, se empregam os seguintes tratamentos.

  • Bronco-dilatadores de alívio rápido: Podem ser usados alguns como salbutamol, albuterol, salmeterol, pirbuterol, terbutalina que são administrados por nebulização ou aerossol.
  • Estabilizadores dos mastocitos: Nedocromil sódico ou cromolina sódica.
  • Bronco-dilatadores de ação prolongada: Alguns deles são o formoterol ou salmeterol.
  • Antileucotreno: São conhecidos alguns como montelukast sódico ou zafirlukast.

Alguns destes medicamentos são tomados 15 a 30 minutos antes de realizar uma atividade física ou no momento que apresentar um quadro leve de broncoespasmo. Alguns deles tem uma ação de proteção de até 24 horas de duração. Entretanto, os outros bronco-diltadores só apresentam uma ação que vai de 3 a 6 horas.

Quando são feitos exercícios, é importante o uso de alguns bronco-dilatadores de alívio rápido para diminuir os sintomas.

Também se recomenda evitar fazer exercícios ou atividades, particularmente em pessoas com algum tipo de alergia ou asma crônica, em condições onde a temperatura seja extremamente fria ou haja altos níveis de pólen.

Algumas vezes, para prevenir esses quadros leves, se empregam medicamentos preventivos.

Vários dos mencionados acima são medicamentos preventivos. Também, podem ser realizados esses tratamentos preventivos, mediante o uso de corticoides inalados, diminuindo efetivamente dessa maneira, a severidade, assim como a recorrência dos broncoespasmos.

Nos Quadros severos ou muito prolongados

Quando aparece esse tipo de quadros o tratamento empregado é à base de bronco-dilatadores e corticoides. Estes são administrados via oral ou intravenosa. Normalmente, logo após apresentar um quadro severo, são aplicados tratamentos preventivos para assim evitar broncoespasmos frequentes.

Em crianças menores de 6 anos com broncoespasmo, com os tratamentos adequados e inclusive às vezes na ausência de tratamento, isso pode desaparecer com os anos. Todavia, em pessoas que tenham familiares com antecedentes de asma, quando se apresentam quadros de broncoespasmo (leves ou severos), estes podem converter-se em asma crônica.

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Entenda sobre a Tuberculose

A Tuberculose (TB) é uma doença infecciosa geralmente causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis (MTB), ou também conhecida como Bacilo de Koch.

A tuberculose afeta geralmente os pulmões, embora possa também afetar outras partes do corpo.

A maioria das infeções não manifesta sintomas, sendo nesses casos denominada tuberculose latente.

Cerca de 10% das infeções latentes evoluem para tuberculose ativa.

Se não for tratada, a tuberculose ativa causa a morte a metade das pessoas infectadas!

Quais são os sintomas clássicos da TB?

Podendo ser assintomática, ou seja, o portador pode não apresentar nenhum sinal ou sintoma, mas posteriormente podem ocorrer febre (mais comumente ao entardecer), suores noturnos, falta de apetite, emagrecimento, cansaço fácil e dores musculares.

Dificuldade na respiração, eliminação de sangue (Hemoptise) e acúmulo de secreção na pleura pulmonar são características em casos mais graves.

Como é ocorrido a Transmissão?

A tuberculose é transmitida pelos bacilos expelidos por um indivíduo contaminado quando tosse, fala, espirra ou cospe.

A tuberculose se dissemina através de aerossóis no ar que são expelidas quando pessoas com tuberculose infecciosa tossem, espirram.

Contactos próximos (pessoas que tem contato frequente) têm alto risco de se infectarem.

A transmissão ocorre somente a partir de pessoas com tuberculose infecciosa ativa (e não de quem tem a doença latente).

A probabilidade da transmissão depende do grau de infecção da pessoa com tuberculose e da quantidade expelida, forma e duração da exposição ao bacilo, e a virulência.

A cadeia de transmissão pode ser interrompida isolando-se pacientes com a doença ativa e iniciando-se uma terapia anti tuberculose eficaz.

A tuberculose resistente é transmitida da mesma forma que as formas sensíveis a medicamentos.

A resistência primária se desenvolve em pessoas infectadas inicialmente com micro-organismos resistentes.

A resistência secundária (ou adquirida) surge quando a terapia contra a tuberculose é inadequada ou quando não se segue ou se interrompe o regime de tratamento prescrito.

Como é diagnosticado?

Uma avaliação médica completa para a tuberculose ativa inclui um histórico médico, um exame físico, a baciloscopia de escarro, uma radiografia do tórax e culturas microbiológicas.

A prova tuberculínica (também conhecida como teste tuberculínico ou teste de Mantoux) está indicada para o diagnóstico da infecção latente, mas também auxilia no diagnóstico da doença em situações especiais, como no caso de crianças com suspeita de tuberculose. Toda pessoa com tosse por três semanas ou mais é chamada sintomática respiratória (SR) e pode estar com tuberculose.

Quais são as prevenções e o tratamento?

A imunização com vacina BCG dá entre 50% a 80% de resistência à doença. Em áreas tropicais onde a incidência de micobactérias atípicas é elevada (a exposição a algumas “micobactérias” não transmissoras de tuberculose dá alguma proteção contra a Tuberculose), a eficácia da BCG é bem menor. No Reino Unido, adolescentes de 15 anos são normalmente vacinadas durante o período escolar.

O tratamento para tuberculose é feito com antibióticos orais, como a Isoniazida e a Rifampicina, que eliminam do organismo a bactéria que provoca o surgimento da doença. Uma vez que a bactéria é muito resistente, é necessário fazer o tratamento por cerca de 6 meses, embora, em alguns casos, possa durar entre 18 meses a 2 anos até se atingir a cura.

Os casos mais fáceis de tratar são os de tuberculose latente, ou seja, quando a bactéria está no corpo mas se encontra adormecida, não causando sintomas, nem podendo ser transmitida. Já a tuberculose ativa é mais difícil de tratar e, por isso, o tratamento pode demorar mais tempo e pode necessário tomar mais do que um antibiótico para atingir a cura.

Assim, os medicamentos utilizados no tratamento variam de acordo com idade do paciente, estado geral de saúde e o tipo de tuberculose.

A Tuberculose e a Precaução por Aerossóis

Pacientes internados sob suspeita ou confirmação de Tuberculose, precisam estar isolados por precaução de Aerossóis, precisando:

  • Ficar em quarto privativo (ou coorte, que deve ser evitada) que possua pressão de ar negativa em relação às áreas vizinhas; e com filtragem com filtros HEPA, e as portas devem ser mantidas fechadas;
  • Deve obter a proteção respiratória com máscara que possua capacidade adequada de filtração e boa vedação lateral, máscara nº 95.
  • E o transporte dos pacientes deve ser limitado, mas se for necessário eles devem usar máscara (a máscara cirúrgica é suficiente).

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Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA)

SARA

Síndrome da Angústia Respiratória Aguda, SARA, (também denominada Síndrome da Angústia Respiratória do Adulto) é um tipo de insuficiência pulmonar provocado por diversos distúrbios que causam acúmulo de líquido nos pulmões (edema pulmonar). Essa síndrome é considerada uma emergência médica que pode ocorrer mesmo em pessoas que anteriormente apresentavam pulmões normais. Apesar de algumas vezes ser denominada síndrome da angústia respiratória do adulto, esse distúrbio também pode ocorrer em crianças.

Quais são as causas?

A causa pode ser qualquer doença que, direta ou indiretamente, produz lesão pulmonar. Aproximadamente um terço dos indivíduos com a síndrome a desenvolvem devido a uma infecção disseminada e grave (sépsis). Quando os alvéolos e os capilares pulmonares são lesados, ocorre um escape de sangue e de líquido para os espaços interalveolares e, finalmente, para o interior dos alvéolos. A inflamação subsequente pode acarretar a formação de tecido cicatricial. Como consequência, os pulmões não conseguem funcionar normalmente.

Quais são os Sintomas e Diagnóstico?

Normalmente, a síndrome da angústia respiratória aguda ocorre 24 ou 48 horas após a lesão ou a doença original. Inicialmente, o indivíduo apresenta falta de ar, quase sempre acompanhada por uma respiração superficial e rápida. Com o auxílio de um estetoscópio, o médico pode auscultar sons crepitantes ou sibilos nos pulmões. Devido aos baixos níveis de oxigênio no sangue, a pele pode tornar-se moteada ou azulada e a função de outros órgãos, como o coração e o cérebro, pode ser comprometida.

A gasometria arterial revela baixos níveis de oxigênio no sangue e as radiografias torácicas revelam a presença de líquido nos espaços que deveriam estar cheios de ar. Às vezes, é necessária a realização de outros exames para se confirmar que a causa do problema não é a insuficiência cardíaca.

Principais causas da Síndrome da Angústia Respiratória Aguda

  • Infecção disseminada e grave (septicemia);
  • Pneumonia;
  • Hipotensão arterial grave (choque);
  • Aspiração de alimento para o interior no pulmão;
  • Múltiplas transfusões de sangue;
  • Lesão pulmonar decorrente de concentrações elevadas de oxigênio;
  • Embolia pulmonar;
  • Lesão torácica;
  • Queimaduras;
  • Afogamento;
  • Cirurgia de derivação (bypass) cardiopulmonar;
  • Inflamação do pâncreas (pancreatite);
  • Dose excessiva de algum tipo de droga, como heroína, metadona, propoxifeno ou aspirina.

Quais sãos as complicações e Prognóstico?

A falta de oxigênio provocada por essa síndrome pode produzir complicações em outros órgãos logo após o início do quadro ou, quando não ocorre melhora do quadro, ao longo de dias ou semanas. A falta prolongada de oxigênio pode causar complicações graves como, por exemplo, a insuficiência renal. Sem um tratamento imediato, a privação grave de oxigênio provocada pela síndrome causa a morte em 90% dos pacientes.

No entanto, com um tratamento adequado, cerca de 50% dos indivíduos afetados sobrevivem. Como os indivíduos com síndrome da angústia respiratória aguda são menos resistentes às infecções pulmonares, eles comumente desenvolvem pneumonia bacteriana em algum momento no curso da doença.

Como é feito o tratamento?

Os pacientes com síndrome da angústia respiratória aguda, são tratados na unidade de terapia intensiva. A oxigenoterapia é fundamental para a correção dos baixos níveis de oxigênio. Se o oxigênio administrado com o uso de uma máscara facial não corrigir o problema, um ventilador deverá ser utilizado. Este fornece oxigênio sob pressão através de um tubo inserido na narina, na boca ou na traqueia. Essa pressão ajuda a forçar a passagem do oxigênio ao sangue.

A pressão é ajustada para ajudar a manter abertas as vias aéreas pequenas e os alvéolos, e para garantir que os pulmões não recebam uma concentração excessiva de oxigênio. Isto é importante, pois uma concentração excessiva de oxigênio pode lesar os pulmões e agravar a síndrome da angústia respiratória aguda. Também é importante a instituição de outros tratamentos adjuvantes, como a administração de líquido ou nutrientes através da via intravenosa, pois a desidratação ou a desnutrição aumentam a probabilidade de interrupção do funcionamento de diversos órgãos (falência múltipla de órgãos).

Tratamentos adicionais cruciais para o sucesso dependem da causa subjacente da síndrome da angústia respiratória aguda. Por exemplo, antibióticos são administrados para combater uma infecção. Os pacientes que respondem normalmente ao tratamento, recuperam-se bem com pouca ou nenhuma alteração pulmonar a longo prazo. Para aqueles pacientes cujo tratamento depende de longos períodos sob respiração assistida (com o auxílio de um ventilador), a possibilidade de formação de cicatrizes pulmonares é maior. No entanto, essas cicatrizes podem melhorar alguns meses após o paciente ter deixado de utilizar o ventilador.

Quais são os Cuidados de Enfermagem com o paciente em SARA?

  • Tranquilizar o cliente no apoio psicológico;
  • Encorajar a posição semi – Fowler ou Fowler para melhor ventilação;
  • Realizar o controle Hidreletrolítico;
  • Observar distenção da veia jugular (edema periférico);
  • Proporcionar apoio nutricional adequado;
  • Oferecer dieta assistida;
  • Manter acesso venoso calibroso, oxímetro de pulso e monitor cardíaco;
  • Manter higiene oral (traqueobrônquica) e corporal;
  • Auxiliar médico na IOT e a ventilação mecânica;
  • Administrar medicamentos conforme prescrição médica;
  • Verificar sinais vitais;
  • Observar, comunicar e anotar intercorrências.

Pneumotórax

Pneumotórax

Considerado um problema de saúde razoavelmente comum, o pneumotórax é definido pelo acúmulo de ar no tórax, consequência de alguma lesão que tenha sido imposta à membrana (pleura) que reveste os pulmões. Embora o Pneumotórax possa ocorrer de maneira espontânea em indivíduos com boas condições de saúde, os casos mais frequentes envolvem lesões no tórax, pessoas adeptas do tabagismo, ou aquelas que possuam doenças vinculadas aos pulmões.

Primeiramente, vamos entender o que é a pleura, como surge o pneumotórax, quais são os seus sintomas e o que é exatamente pneumotórax hipertensivo.

O QUE É A PLEURA?

Todos nós temos dois pulmões que ficam localizados dentro da caixa torácica e são recobertos por uma fina membrana que se chama pleura. A pleura é uma espécie de capa que isola os pulmões do resto das estruturas do tórax. Ela é composta por duas camadas, a pleura visceral, que é a camada mais interna, e a pleura parietal, que é a camada externa. Entre as pleuras existe apenas uma mínima lâmina de líquido que serve como lubrificante, impedindo que ambas fiquem aderidas.

Os nossos pulmões são órgãos esponjosos que se mantém insuflados o tempo todo, mesmo durante a expiração. O pulmão não funciona como um balão que se enche com ar e murcha sem ar. Mesmo quando jogamos todo o ar para fora, o pulmão não fica murcho. Isso ocorre devido a pressão negativa que existe dentro do nosso tórax.

COMO SURGE UM PNEUMOTÓRAX?

O pneumotórax ocorre quando há uma lesão da pleura e o ar que deveria estar apenas no dentro do pulmão, começa a vazar para a cavidade torácica. Como o pulmão fica insuflado devido à pressão negativa do tórax, qualquer vazamento de ar para essa região eleva a pressão e favorece o colapso do mesmo. O ar que deveria estar expandindo o pulmão, está agora do lado de fora, comprimindo-o e fazendo-o murchar.

Um pneumotórax (pneumo = ar) é exatamente o que seu nome diz, “ar no tórax”.

Pneumotórax espontâneo

O pneumotórax espontâneo é aquele que surge de repente, sem nenhum fator desencadeante óbvio. Na maioria das vezes, este tipo de pneumotórax surge em repouso e de modo súbito.

O pneumotórax espontâneo é mais comum em homens, fumantes e pessoas magras e altas. O grupo de maior risco são os adultos jovens, entre 20 e 30 anos. O pneumotórax espontâneo é pouco frequente em pessoas acima dos 40 anos.

Por motivos que ainda desconhecidos, este é o grupo que apresenta maior risco de desenvolver bolhas nos ápices dos pulmões. Essa bolhas não representam nenhuma doença em si, mas podem se romper, causando um “furo” na pleura, facilitando, assim, a passagem de ar dos pulmões para a cavidade torácica. A analogia que podemos fazer é com um pneu que apresenta uma bolha, estando sob alto risco de se romper.

O cigarro causa inflamação das vias aéreas, facilitando não só a formação de bolhas na pleura, mas também o seu rompimento. Por isso, o cigarro é o principal fator de risco para o pneumotórax espontâneo.

Cabe ressaltar que o vilão do pneumotórax não é só o cigarro. Fumar maconha também está relacionado a episódios de pneumotórax, principalmente o ato de inalar profundamente a fumaça e soltá-la bem lentamente com os lábios semi fechados, mantendo a fumaça mais tempo presa dentro dos pulmões.

Além do fumo, praticar mergulho, montanhismo, pegar peso e viajar de avião podem desencadear um pneumotórax naqueles que já apresentam bolhas na pleura.

Nas mulheres, uma causa rara de pneumotórax é a endometriose do pulmão. Esse diagnóstico deve ser pensado em mulheres que fazem pneumotórax na época da menstruação.

Pneumotórax secundário

Pneumotórax secundário é aquele que surge em pacientes que já apresentam alguma doença  pulmonar, como enfisema, tuberculose, pneumonia , fibrose cística, asma ou câncer de pulmão. Doentes internados em UTI ligados a ventiladores mecânicos (respiração por aparelhos) também estão sob risco de pneumotórax.

Pneumotórax traumático

O pneumotórax também pode surgir após acidentes com traumas na região do tórax. Qualquer lesão perfurante ou de alto impacto no tórax  pode causar um pneumotórax, incluindo acidentes automobilísticos, facadas, lesões por arma de fogo, fraturas da costela…

SINTOMAS DO PNEUMOTÓRAX

O principal sintoma do pneumotórax é uma súbita dor torácica de grande intensidade associada à dificuldade para respirar. O paciente costuma estar muito ansioso, pois a dor piora ao inspirar, o que leva a um imenso desconforto.

Pneumotórax - RX

Pneumotórax

O pneumotórax pequeno é aquele em que há apenas um pequeno vazamento de ar, não sendo capaz de “murchar” todo o pulmão. Neste caso o único sintoma é dor ao respirar.

Nos pneumotórax mais volumosos pode haver colabamento de um pulmão inteiro, fazendo com que o paciente sinta dor e muita dificuldade para respirar, pois um dos seus pulmões para completamente de funcionar.

PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO

O pneumotórax hipertensivo é o tipo mais grave e pode levar à parada cardiorrespiratória em pouco tempo, se não reconhecido e tratado rapidamente.

Em alguns casos de pneumotórax a lesão na pleura faz um mecanismo de válvula, que permite a passagem de ar em direção ao tórax, mas impede a sua saída. Como resultado, cada vez que o paciente inspira, entra um pouco de ar no tórax, ficando este preso lá dentro. Conforme a quantidade de ar presa no tórax vai aumentando, a pressão intratorácica vai eleva-se progressivamente, comprimindo órgãos internos como vasos, o outro pulmão e o coração.

O pneumotórax hipertensivo é uma emergência médica e deve ser tratado de imediato.

DIAGNÓSTICO DO PNEUMOTÓRAX

O diagnóstico do pneumotórax deve ser suspeitado a partir da história clínica e dos sintomas do paciente. Se o pneumotórax for volumoso, é possível detectá-lo apenas com um exame físico bem feito . Isso é importante nos casos de pneumotórax hipertensivo que ocorrem fora do ambiente hospitalar, como após acidentes automobilísticos. Neste caso, o médico pode fazer o diagnóstico através da auscultação do pulmão do paciente e iniciar os procedimentos de emergência para descompressão do pulmão sem a necessidade de exames complementares.

Nos casos de um pneumotórax de pequeno volume, pode ser difícil fazer o diagnóstico com certeza apenas pelo exame físico. Nestes casos, o diagnóstico costuma ser confirmado através de exames de imagens, como a radiografia simples do pulmão ou uma tomografia computadorizada do tórax.

TRATAMENTO DO PNEUMOTÓRAX

Se o pneumotórax for pequeno (cerca  e 2 ou 3 cm) e o paciente estiver clinicamente estável, o tratamento pode ser apenas expectante. Basta manter o paciente em observação que o pneumotórax costuma regredir sozinho.

Nos casos de pneumotórax volumoso, está indicada a drenagem torácia para a aspiração do ar e expansão do pulmão. Quando a pleura cicatriza após alguns dias, o dreno é retirado.

Nos casos de pneumotórax hipertensivo, a colocação do dreno deve ser feita o mais rápido possível. Se a drenagem por tubo torácico não estiver imediatamente disponível, a equipe de urgência pode perfurar o tórax com uma agulha calibrosa, provocando a saída do ar pela mesma. Esse procedimento mantém o pneumotórax, mas ele agora não é mais um pneumotórax hipertensivo. O pulmão continua colapsado, mas já não há aumento de pressão dentro do tórax para comprimir o coração, uma vez que o ar consegue sair facilmente pela agulha. Esse procedimento transforma um pneumotórax hipertensivo em um pneumotórax não hipertensivo e é suficiente para salvar a vida do paciente enquanto se aguarda a chegada do material e da equipe para introdução do tubo torácico.

Cuidados de Enfermagem com Pacientes em Pneumotórax

1) Aspiração quando necessário;
2) Posição de fowler com pernas e pés mais baixos que o resto do corpo;
3) Observar sinais sudorese, náuseas e vômitos;
4) Oxigenação (administração de O2 a 100% por meio de máscara facial);
5) Controle de sinais vitais;
6) Apoio psicológico;
7) Administração dos medicamentos solicitados pelo médico.