O pé diabético é uma complicação grave e frequente do diabetes mellitus, podendo evoluir para infecções, ulcerações e até amputações, quando não tratado adequadamente. Para que o manejo seja mais eficaz, a Universidade do Texas desenvolveu uma classificação bastante utilizada na prática clínica. Ela auxilia médicos e profissionais de enfermagem na avaliação do risco e no planejamento do tratamento.
Compreender essa classificação é essencial para os estudantes e profissionais da saúde, pois permite identificar o estágio da lesão, prevenir complicações e oferecer o cuidado adequado a cada situação.
Como funciona a classificação da Universidade do Texas?
A classificação avalia o pé diabético a partir de graus e estágios.
- Graus (0 a 3): descrevem a profundidade da lesão.
- Estágios (A a D): indicam a presença ou ausência de infecção e isquemia (redução do fluxo sanguíneo).
Essa combinação fornece um panorama detalhado da condição, sendo fundamental para orientar a conduta clínica.
Os Graus: A Profundidade da Lesão
Os graus de 0 a 3 indicam o quanto a ferida penetrou nos tecidos do pé:
| Grau | Descrição da Lesão (Profundidade) | Significado Clínico |
| Grau 0 | Lesão Pré-Ulcerativa ou Pós-Ulcerativa | A pele está intacta, mas há alto risco de desenvolver úlcera (ex: calosidade espessa, deformidade óssea). |
| Grau 1 | Úlcera Superficial | A úlcera atinge apenas a pele (epiderme e derme), sem atingir tendões, cápsulas articulares ou osso. |
| Grau 2 | Úlcera Profunda (Penetra Tendão ou Cápsula) | A úlcera se aprofundou e atinge estruturas como tendões ou cápsulas articulares. |
| Grau 3 | Úlcera com Envolvimento Ósseo ou Articular | A úlcera atingiu o osso ou a articulação (osteomielite). É a lesão mais profunda. |
Os Estágios: A Complicação da Lesão
Os estágios de A a D acrescentam informações cruciais sobre o estado da ferida, que têm um impacto direto no prognóstico do paciente:
| Estágio | Condição Clínica | Significado Clínico |
| Estágio A | Sem Infecção e Sem Isquemia | A ferida está “limpa”, sem sinais de infecção e a circulação para o pé é adequada. (Melhor prognóstico). |
| Estágio B | Infecção Presente | A ferida apresenta sinais clínicos de infecção (pus, vermelhidão, calor). |
| Estágio C | Isquemia Presente | A circulação do pé está comprometida. A falta de suprimento sanguíneo prejudica a cicatrização. |
| Estágio D | Infecção e Isquemia Presentes | A ferida está infectada e o pé apresenta má circulação. (Pior prognóstico e alto risco de amputação). |
Exemplo de aplicação prática
Um paciente pode ser classificado como Grau II, Estágio C: isso significa que há uma úlcera profunda atingindo tendão ou cápsula articular, acompanhada de isquemia, mas sem sinais de infecção.
Já um Grau III, Estágio D indica a forma mais grave, onde existe comprometimento ósseo ou articular, associado a infecção e isquemia.
Cuidados de Enfermagem
Nosso papel é de vigilância constante e intervenção especializada:
- Avaliação e Documentação: A cada curativo, é nosso dever classificar a lesão de acordo com o Texas. Documentar o grau, o estágio, o tamanho e as características da ferida no prontuário.
- Manejo da Infecção (Estágio B e D): Administrar antibióticos conforme a prescrição, realizar a limpeza da ferida (debridamento) e monitorar os sinais de sepse (febre, taquicardia, confusão).
- Cuidados com a Isquemia (Estágio C e D): Orientar a proteção da perna contra traumas e frio, e nunca massagear a área. Monitorar pulsos periféricos e a temperatura da pele, alertando o médico sobre qualquer sinal de piora circulatória.
- Alívio da Pressão (Grau 0 a 3): O principal cuidado é o offloading (alívio de peso). Orientar o paciente a não pisar sobre a úlcera, utilizar botas especiais ou muletas. O alívio de pressão é essencial para a cicatrização de todos os graus.
- Educação em Saúde: Enfatizar a importância do controle glicêmico rigoroso, que é a base para a prevenção e o tratamento de todas as complicações do pé diabético.
A Classificação da Universidade do Texas é a nossa bússola no cuidado das lesões diabéticas. Dominá-la nos permite ser mais assertivos, eficazes e verdadeiramente defensores da integridade física e da qualidade de vida dos nossos pacientes.
Referências:
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES (SBD). Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (2023–2024). São Paulo: SBD, 2023. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/.
- ARMSTRONG, D. G. et al. Validation of a diabetic wound classification system. The contribution of depth, infection, and ischemia to risk of amputation. Diabetes Care, v. 20, n. 5, p. 855-859, 1997. Disponível em: https://diabetesjournals.org/care/article/20/5/855/20703/Validation-of-a-diabetic-wound-classification.
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BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes para o cuidado das pessoas com doenças crônicas nas redes de atenção à saúde e nas linhas de cuidado prioritárias. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_cuidado_doencas_cronicas.pdf.



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