Curiosidades Sobre as Sondas Hospitalares: fatos que todo estudante e profissional de enfermagem deveria conhecer

Quando pensamos em dispositivos hospitalares, as sondas estão entre os materiais mais utilizados na assistência ao paciente. Elas fazem parte da rotina de hospitais, unidades de terapia intensiva, pronto-socorros, clínicas e atendimento domiciliar.

Embora muitas vezes sejam vistas apenas como tubos utilizados para drenagem, alimentação ou monitorização, as sondas possuem histórias curiosas, características específicas e funções extremamente importantes para a manutenção da vida.

Algumas permanecem no organismo por poucos minutos, enquanto outras podem permanecer por meses ou até anos. Existem sondas que ajudam pacientes a respirar, outras permitem alimentação quando a via oral não é possível e algumas são fundamentais para monitorar funções vitais.

O que é uma sonda?

Uma sonda é um dispositivo tubular flexível ou semirrígido introduzido no organismo com objetivos diagnósticos, terapêuticos ou de monitorização.

Dependendo da finalidade, ela pode ser inserida:

  • pelo nariz;
  • pela boca;
  • pela uretra;
  • através da pele;
  • por estomias cirúrgicas.

Curiosidade: a palavra “sonda” existe há séculos

O termo “sonda” deriva do francês antigo “sonde”, relacionado à ideia de explorar ou investigar. Muito antes dos materiais modernos, já existiam dispositivos rudimentares utilizados para drenagem urinária em civilizações antigas.

Sonda Nasogástrica (SNG)

A sonda nasogástrica é uma das mais conhecidas na enfermagem. Ela é introduzida pelo nariz e sua ponta permanece dentro do estômago.

Curiosidades sobre a SNG

Foi uma das primeiras sondas digestivas amplamente utilizadas na medicina moderna.

Pode ser utilizada para:

  • alimentação;
  • administração de medicamentos;
  • lavagem gástrica;
  • drenagem de conteúdo estomacal.

Uma sonda posicionada incorretamente pode alcançar os pulmões, motivo pelo qual a confirmação do posicionamento é indispensável.

Sonda Nasoenteral (SNE)

A sonda nasoenteral atravessa o estômago e alcança o intestino delgado. Ela é muito utilizada para terapia nutricional prolongada.

Curiosidades sobre a SNE

A ponta geralmente fica localizada no duodeno ou jejuno. Muitos modelos possuem guia metálico interno para facilitar a inserção.

Algumas unidades utilizam radiografia para confirmar o posicionamento correto. É considerada uma alternativa mais segura para pacientes com elevado risco de broncoaspiração.

Sonda OroGástrica (SOG)

Semelhante à nasogástrica, porém inserida pela boca.

Curiosidades sobre a SOG

É muito utilizada em recém-nascidos. Também pode ser utilizada em pacientes intubados. Costuma causar menos trauma nasal.

Gastrostomia (GTT ou PEG)

A gastrostomia consiste em uma comunicação direta entre a parede abdominal e o estômago.

Curiosidades sobre a gastrostomia

Muitos pacientes permanecem anos utilizando gastrostomia. A técnica endoscópica mais conhecida é chamada PEG (Gastrostomia Endoscópica Percutânea).

Diferentemente da SNG, não passa pelo nariz ou garganta. Proporciona maior conforto em tratamentos prolongados.

Jejunostomia

Semelhante à gastrostomia, porém a extremidade termina no jejuno.

Curiosidades sobre a jejunostomia

É indicada quando o estômago não pode ser utilizado. Pacientes com determinadas cirurgias digestivas podem necessitar dessa via de alimentação. A administração da dieta geralmente ocorre de forma mais lenta.

Sonda Vesical de Alívio

É utilizada para esvaziar a bexiga temporariamente. Após o procedimento, normalmente é retirada.

Curiosidades sobre a sonda de alívio

Seu uso pode evitar retenção urinária grave. Frequentemente é utilizada em procedimentos diagnósticos e cirúrgicos. O tempo de permanência costuma ser curto.

Sonda Vesical de Demora (Foley)

Uma das sondas mais conhecidas na assistência hospitalar. Possui um balão inflável que mantém o dispositivo fixado dentro da bexiga.

Curiosidades sobre a Foley

Foi criada pelo urologista norte-americano Frederic Foley. O balão pode conter diferentes volumes. É considerada uma das principais fontes de infecção urinária hospitalar quando utilizada sem indicação adequada. A retirada precoce reduz significativamente o risco de infecção.

Sonda de Três Vias

Uma variação da sonda Foley.

Curiosidades sobre a sonda de três vias

Possui um canal exclusivo para irrigação contínua. É amplamente utilizada após cirurgias urológicas. Ajuda a prevenir a formação de coágulos dentro da bexiga.

Sonda Retal

Utilizada para drenagem de gases ou eliminação de conteúdo intestinal.

Curiosidades sobre a sonda retal

Pode auxiliar pacientes com distensão abdominal importante. Seu uso prolongado não é recomendado devido ao risco de lesões.

Sonda de Sengstaken-Blakemore

Uma das sondas mais impressionantes da medicina. É utilizada em situações específicas de sangramento digestivo grave.

Curiosidades sobre a Sengstaken-Blakemore

Possui balões que exercem pressão sobre vasos sanguíneos sangrantes. Pode salvar vidas em hemorragias por varizes esofágicas. Seu manuseio exige treinamento especializado.

Sonda de Minnesota

Uma evolução da Sengstaken-Blakemore.

Curiosidades sobre a Minnesota

Possui um lúmen adicional para aspiração esofágica. Facilita o manejo do paciente. É utilizada principalmente em ambientes críticos.

Sonda de Levine

É uma das sondas gástricas mais clássicas.

Curiosidades sobre a Levine

Seu nome homenageia o médico que a desenvolveu. É frequentemente utilizada para descompressão gástrica. Possui apenas um lúmen.

Sonda de Salem

Muito utilizada em centros cirúrgicos e UTIs.

Curiosidades sobre a Salem

Possui dois lúmens. Um deles reduz o risco de lesão da mucosa gástrica. É considerada uma evolução da sonda de Levine.

Cateter ou Sonda de Aspiração Traqueal

Embora muitas vezes seja chamado de cateter, também pode ser considerado um dispositivo tubular semelhante às sondas.

Curiosidades sobre a aspiração traqueal

É essencial para remoção de secreções respiratórias. Pode provocar alterações transitórias da frequência cardíaca e saturação de oxigênio. Seu uso inadequado pode causar trauma das vias aéreas.

Qual é a sonda mais utilizada no ambiente hospitalar?

Provavelmente a sonda vesical de demora e as sondas para alimentação enteral estão entre os dispositivos mais frequentemente encontrados em hospitais. Elas fazem parte da rotina de praticamente todos os setores assistenciais.

Qual sonda apresenta maior risco de infecção?

Qualquer sonda pode se tornar uma porta de entrada para microrganismos.

Entretanto, as mais associadas a infecções são:

  • sonda vesical de demora;
  • sondas enterais mal manipuladas;
  • gastrostomias sem cuidados adequados.

A prevenção depende diretamente da qualidade da assistência.

Cuidados de enfermagem com todas as sondas

Independentemente do tipo, alguns princípios são universais. A enfermagem deve:

  • Confirmar a indicação do dispositivo.
  • Avaliar diariamente a necessidade de permanência.
  • Observar sinais de infecção.
  • Realizar higiene adequada do local.
  • Monitorar permeabilidade.
  • Evitar trações acidentais.
  • Registrar intercorrências.
  • Orientar paciente e familiares.
  • Manter técnica asséptica durante manipulações.
  • Comunicar alterações imediatamente à equipe responsável.

Curiosidades que poucos conhecem

As primeiras sondas urinárias eram confeccionadas com metais rígidos. As modernas são produzidas com silicone, poliuretano ou látex tratado. A escala French (Fr), utilizada para medir sondas, foi criada pelo fabricante francês Joseph-Frédéric-Benoît Charrière.

Quanto maior o número French, maior o diâmetro da sonda. Algumas sondas atuais possuem tecnologia antimicrobiana para reduzir infecções. Existem sondas desenvolvidas especificamente para recém-nascidos prematuros, com diâmetros extremamente pequenos.

As sondas hospitalares são muito mais do que simples dispositivos utilizados na rotina assistencial. Elas representam ferramentas fundamentais para diagnóstico, monitorização, alimentação, drenagem e manutenção da vida.

Conhecer suas características, indicações e curiosidades ajuda estudantes e profissionais de enfermagem a compreender melhor sua importância e a oferecer uma assistência mais segura, humanizada e baseada em evidências.

Além disso, entender o funcionamento de cada sonda contribui para a prevenção de complicações, redução de infecções e melhoria dos resultados clínicos dos pacientes.

Referências:

  1. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NUTRIÇÃO PARENTERAL E ENTERAL (SBNPE). Manual de Terapia Nutricional. São Paulo: SBNPE, 2023. Disponível em: https://sbnpe.org.br/
  3. TORTORA, Gerard J.; DERRICKSON, Bryan. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
  4. BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
  5. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NUTRIÇÃO PARENTERAL E ENTERAL (BRASPEN). Diretrizes Brasileiras de Terapia Nutricional. Disponível em: https://www.braspen.org
  6. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa 
  7. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.

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