Tipos de drenos cirúrgicos: o que todo estudante de enfermagem precisa saber

Os drenos cirúrgicos são dispositivos utilizados para remover líquidos, secreções ou ar acumulados em cavidades ou feridas após procedimentos cirúrgicos. Sua finalidade principal é prevenir complicações, como infecções, hematomas, seromas ou até mesmo o colapso pulmonar, dependendo do local onde estão instalados.

Para a enfermagem, compreender os tipos de drenos, seus mecanismos de funcionamento e os cuidados necessários é fundamental para garantir uma assistência segura e eficaz ao paciente.

Por que Usamos Drenos?

O acúmulo de fluidos no local da cirurgia (conhecido como seroma) pode ser um ambiente ideal para o crescimento de bactérias, levando a infecções e atrasando a cicatrização. Os drenos agem como um “aspirador”, removendo o excesso de líquido ou ar, permitindo que os tecidos se recuperem adequadamente.

Tipos de Drenos: Um Guia Prático

Os drenos podem ser classificados de várias formas, mas a maneira mais simples de entendê-los é por seu mecanismo de ação: por gravidade ou por sucção.

Drenos por Gravidade

Esses drenos funcionam com a ajuda da gravidade para que o líquido saia do corpo.

  • Dreno de Penrose: É um dos mais antigos e simples. É um tubo de látex, fino e macio, que fica aberto nas duas extremidades. Ele não tem reservatório e o líquido é coletado em uma gaze ou bolsa. É frequentemente usado em cirurgias menores, como abscessos.
    • Cuidados de Enfermagem: Avaliar a quantidade e o aspecto do líquido drenado. Proteger a pele ao redor do dreno, pois o líquido pode ser irritante. Trocar o curativo frequentemente.
  • Dreno Tubular Aberto: São drenos simples, em formato de tubo, que podem ser conectados a sistemas bolsa de coleta. São bastante versáteis, podendo ser utilizados em procedimentos abdominais, ortopédicos e de partes moles.

Drenos por Sucção

Esses drenos utilizam uma força de vácuo para “puxar” o líquido para fora do corpo, sendo mais eficientes.

  • Dreno de Portovac: É um sistema fechado que utiliza um reservatório em formato de sanfona ou de pera. Quando o reservatório é comprimido, ele cria um vácuo que suga o líquido para dentro. É muito utilizado em cirurgias de grande porte, como mamoplastias e cirurgias abdominais.
    • Cuidados de Enfermagem: Manter a sucção do reservatório. Esvaziar o reservatório periodicamente, medir o volume drenado e registrar as características do líquido. Observar se há vazamentos ou obstruções no tubo.
  • Dreno de Blake: Similar ao Portovac, mas com um tubo de silicone que tem múltiplos canais. Ele também usa um sistema de sucção e é menos propenso a obstruções.
  • Dreno de Sucção Seca: É um sistema de sucção que utiliza um regulador de pressão de parede, sem a necessidade de um reservatório manual. É comumente usado em drenagem de tórax.
  • Dreno de Tórax: É um dreno tubular que é inserido no espaço pleural (entre o pulmão e a parede torácica) para remover ar (pneumotórax), líquido ou sangue. Ele é conectado a um sistema de selo d’água, que impede que o ar volte para o tórax.
    • Cuidados de Enfermagem: Manter o sistema de drenagem abaixo do nível do tórax do paciente. Observar o borbulhamento no selo d’água (que indica saída de ar) e as oscilações da coluna d’água, que mostram que o dreno está funcionando. Nunca clampear (fechar) o dreno de tórax sem uma prescrição médica rigorosa.

Outros tipos de drenos utilizados em procedimentos médicos

Além dos já citados, existem outros drenos bastante comuns na prática clínica:

  • Dreno de Kehr: em forma de “T”, usado principalmente em cirurgias das vias biliares para drenagem de bile.
  • Dreno Malecot: com extremidade alargada em “asas”, muito usado em urologia, como na drenagem vesical ou renal.
  • Dreno de Pezzer: semelhante ao Malecot, mas com extremidade em formato de cogumelo, também empregado em drenagem urinária ou gástrica.
  • Drenos de aspiração fechada (como Jackson-Pratt): semelhantes ao Portovac, mas com reservatório em forma de bulbo, comuns em cirurgias de pequeno porte.

Cuidados de enfermagem com drenos

A nossa atuação é o elo entre a técnica e a segurança do paciente. Para o cuidado com os drenos, devemos seguir alguns passos:

  1. Avaliação: A cada plantão, avaliar o local de inserção do dreno, buscando sinais de infecção (vermelhidão, inchaço, calor, dor).
  2. Monitoramento: Medir o volume do líquido drenado a cada 6 ou 12 horas, dependendo do protocolo, e registrar as características do líquido (cor, odor, consistência).
  3. Higiene: Realizar a limpeza da pele ao redor do dreno com técnica asséptica e trocar o curativo, se necessário.
  4. Manutenção do Sistema: Em drenos de sucção, garantir que o vácuo seja mantido. Em drenos de tórax, verificar o borbulhamento e a oscilação.
  5. Fixação: Certificar-se de que o dreno esteja bem fixado à pele para evitar que ele seja puxado acidentalmente.
  6. Educação do Paciente: Explicar ao paciente a função do dreno, a importância de não puxá-lo e como ele pode ajudar a manter o sistema seguro.

Os drenos cirúrgicos são recursos indispensáveis na prática médica e de enfermagem, pois garantem a cicatrização adequada e previnem complicações graves. Cada tipo de dreno possui características próprias e é indicado para situações específicas.

Para o estudante de enfermagem, compreender os diferentes modelos e os cuidados necessários é um passo essencial para prestar uma assistência segura, qualificada e humanizada no período pós-operatório.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Boas Práticas para o Processamento de Produtos para Saúde. 2. ed. Brasília, DF: ANVISA, 2013. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/manuais-e-guias/manual_reprocessamento_produtos.pdf
  2. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre cirurgia e cuidados com drenos).
  3. BRUNNER, Lillian Sholtis; SUDDARTH, Doris Smith. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.
  4. SMELTZER, Suzanne C.; BARE, Brenda G. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.
  5. COELHO, Maria Sílvia. Drenos cirúrgicos: indicações e cuidados de enfermagem. Revista de Enfermagem Referência, Coimbra, v. 4, n. 5, p. 133-140, 2012. Disponível em: https://revistas.rcaap.pt/referencia/article/view/1462

Classificação de Fios de Sutura

Os fios de sutura são materiais essenciais em procedimentos cirúrgicos, utilizados para aproximar tecidos e promover a cicatrização.

Com uma variedade de tipos disponíveis, a escolha do fio de sutura adequado depende das características do tecido, do tipo de cirurgia e do tempo necessário para a cicatrização.

Nesta publicação, vamos explorar a classificação dos fios de sutura, citando exemplos de acordo com sua origem (sintéticos e naturais), estrutura (monofilamentares e multifilamentares) e capacidade de absorção (absorvíveis e não absorvíveis).

Classificação dos Fios de Sutura

Fios Sintéticos vs. Fios Naturais

Os fios de sutura podem ser classificados de acordo com sua origem em sintéticos ou naturais.

Fios Sintéticos

  • Exemplos: Poliglactina (Vicryl), Polidioxanona (PDS), Polipropileno (Prolene), Nylon.
  • Características: Produzidos a partir de materiais artificiais, são menos propensos a causar reações alérgicas e têm maior consistência em termos de força e durabilidade.
  • Aplicações: Amplamente utilizados em cirurgias gerais, plásticas e ortopédicas.

Fios Naturais

  • Exemplos: Seda, Catgut (feito a partir de submucosa intestinal de animais).
  • Características: São biodegradáveis e têm boa manipulação, mas podem causar reações inflamatórias em alguns pacientes.
  • Aplicações: Usados em cirurgias onde a reabsorção natural é desejada, como em tecidos subcutâneos.

Fios Monofilamentares vs. Fios Multifilamentares

A estrutura do fio de sutura também é um critério importante para sua classificação.

Fios Monofilamentares

  • Exemplos: Polipropileno (Prolene), Polidioxanona (PDS), Nylon.
  • Características: Compostos por um único filamento, são lisos e menos propensos a abrigar microrganismos.
  • Aplicações: Ideais para suturas em tecidos sensíveis, como vasos sanguíneos e pele.

Fios Multifilamentares

  • Exemplos: Poliglactina (Vicryl), Seda.
  • Características: Compostos por múltiplos filamentos trançados, oferecem maior força tênsil e facilidade de manipulação.
  • Aplicações: Usados em tecidos que exigem maior sustentação, como músculos e fáscia.

Fios Absorvíveis vs. Fios Não Absorvíveis

A capacidade de absorção do fio de sutura é outro fator crucial na escolha do material.

Fios Absorvíveis

  • Exemplos: Poliglactina (Vicryl), Polidioxanona (PDS), Catgut.
  • Características: São degradados pelo organismo ao longo do tempo, eliminando a necessidade de remoção.
  • Aplicações: Usados em tecidos internos, como músculos, submucosa e órgãos, onde a remoção do fio seria difícil ou desnecessária.

Fios Não Absorvíveis

  • Exemplos: Polipropileno (Prolene), Nylon, Seda.
  • Características: Não são degradados pelo organismo e precisam ser removidos após a cicatrização.
  • Aplicações: Utilizados em suturas cutâneas, onde a remoção é fácil, ou em tecidos que exigem suporte prolongado, como tendões.

Escolha do Fio de Sutura Adequado

A seleção do fio de sutura depende de vários fatores, incluindo:

  • Tipo de Tecido: Tecidos delicados, como pele e vasos, exigem fios monofilamentares, enquanto tecidos mais resistentes, como músculos, podem ser suturados com fios multifilamentares.
  • Tempo de Cicatrização: Fios absorvíveis são ideais para tecidos que cicatrizam rapidamente, enquanto fios não absorvíveis são usados quando o suporte prolongado é necessário.
  • Risco de Infecção: Fios sintéticos e monofilamentares são preferíveis em áreas com maior risco de infecção.

Cuidados de Enfermagem no Manejo de Suturas

A equipe de enfermagem desempenha um papel fundamental no cuidado pós-operatório de pacientes com suturas. Aqui estão algumas orientações:

  1. Monitoramento da Ferida: Observe sinais de infecção, como vermelhidão, inchaço ou secreção.
  2. Troca de Curativos: Realize a troca de curativos conforme orientação médica, mantendo a ferida limpa e seca.
  3. Remoção de Suturas: Em caso de fios não absorvíveis, siga o cronograma de remoção indicado pelo médico.
  4. Educação do Paciente: Oriente sobre os cuidados com a ferida e sinais de alerta que exigem retorno ao médico.

A classificação dos fios de sutura é essencial para garantir o sucesso de procedimentos cirúrgicos e a recuperação adequada dos pacientes. Compreender as características de cada tipo de fio permite aos profissionais de saúde escolher o material mais adequado para cada situação.

Referência:

  1. UNIFASE. “Suturas: tipos, definições, técnicas e mais um resumo de tudo que um estudante de medicina precisa saber.” Disponível em: https://www.unifase-rj.edu.br/suturas-tipos-definicoes-tecnicas-e-mais-um-resumo-de-tudo-que-um-estudante-de-medicina-precisa-saber.

Equipe Cirúrgica: A composição

Uma cirurgia bem-sucedida depende não apenas da habilidade do cirurgião, mas da atuação sincronizada de toda a equipe cirúrgica.

Cada profissional desempenha um papel fundamental, garantindo a segurança do paciente e o sucesso do procedimento.

Neste artigo, vamos explorar as funções de cada membro dessa equipe multidisciplinar.

A Equipe Cirúrgica: Quem são e quais suas funções?

Cirurgião

É o profissional responsável por planejar e executar o procedimento cirúrgico. Ele realiza as incisões, isola os tecidos, remove tumores, repara lesões e fecha a ferida.

Além de realizar a cirurgia, o cirurgião é responsável por comunicar ao paciente e à família os riscos e benefícios do procedimento, obter o consentimento informado e coordenar a equipe cirúrgica.

Anestesista

Responsável pela indução, manutenção e recuperação da anestesia. Avalia as condições clínicas do paciente, escolhe o tipo de anestesia mais adequado e monitora os sinais vitais durante todo o procedimento.

O anestesista garante que o paciente esteja confortável e seguro durante a cirurgia, controlando a dor, a ansiedade e os reflexos. Ele também monitora os sinais vitais e ajusta a anestesia conforme necessário.

Cirurgião Auxiliar ou Assistente

 Auxilia o cirurgião principal durante a cirurgia, realizando tarefas como hemostasia, passagem de instrumentos e sutura.

Realiza tarefas como hemostasia, passagem de instrumentos e sutura. Ele também pode realizar procedimentos menores, como a retirada de tecidos para biópsia.

Instrumentador Cirúrgico

 É o profissional responsável pela organização da mesa cirúrgica, pela escolha e passagem dos instrumentos cirúrgicos, além de manter a contagem dos instrumentos e materiais utilizados durante a cirurgia.

O instrumentador é um profissional altamente especializado, responsável por conhecer todos os instrumentos cirúrgicos e suas funções. Ele trabalha em estreita colaboração com o cirurgião, antecipando suas necessidades e garantindo que os instrumentos estejam prontamente disponíveis.

Circulante de Sala

É o enfermeiro responsável pela assistência ao paciente e à equipe cirúrgica durante o procedimento. Ele verifica a identificação do paciente, prepara o campo cirúrgico, auxilia na passagem de instrumentos e monitora os sinais vitais do paciente.

O circulante de sala é o elo entre a equipe cirúrgica e a equipe de enfermagem. Ele é responsável por garantir a segurança do paciente, monitorar os sinais vitais, administrar medicamentos e comunicar qualquer anormalidade à equipe.

A Importância do Trabalho em Equipe

A cirurgia é um procedimento complexo que exige a colaboração de todos os membros da equipe cirúrgica. A comunicação clara e eficiente entre os profissionais é fundamental para garantir a segurança do paciente e o sucesso do procedimento.

Cada membro da equipe tem um papel crucial a desempenhar, e a falta de um deles pode comprometer todo o processo.

A equipe cirúrgica é composta por diversos profissionais, cada um com suas funções específicas. A atuação conjunta e coordenada desses profissionais é fundamental para garantir a segurança e o sucesso do procedimento cirúrgico.

Referências:

  1. PROCESSO-CONSULTA CREMESE N.º 01/2013 – PARECER CREMESE N.º15/2018 
  2. Amato

Escala de Elpo

A Escala ELPO (Escala de Avaliação de Risco para o Desenvolvimento de Lesões Decorrentes do Posicionamento Cirúrgico) é uma ferramenta essencial utilizada por profissionais de saúde para identificar o risco de um paciente desenvolver lesões causadas pelo posicionamento durante uma cirurgia.

Essa escala considera diversos fatores que podem influenciar a susceptibilidade do paciente a essas lesões.

Como funciona a escala ELPO?

A ELPO avalia sete itens principais, cada um com cinco subitens que representam diferentes níveis de risco. A pontuação total varia de 7 a 35 pontos, sendo que quanto maior o escore, maior o risco de o paciente desenvolver complicações.

Item Subitens (1 a 5 pontos)
Tipo de Posição Posições neutra, semi-sentada, Trendelenburg, Fowler, prona, litotomia, outras
Tempo de Cirurgia Menor que 60 minutos, 60-120 minutos, 120-180 minutos, 180-240 minutos, maior que 240 minutos
Tipo de Anestesia Local, regional, geral
Superfície de Suporte Colchonete de espuma, colchonete de gel, mesa de operação, coxim especial, outros
Posição dos Membros Membros superiores e inferiores em posição neutra, membros superiores abduzidos, membros inferiores elevados, membros cruzados, outras
Comorbidades Ausência, leves, moderadas, graves
Idade do Paciente Menor que 60 anos, 60-70 anos, 70-80 anos, 80-90 anos, maior que 90 anos

Interpretação dos Resultados

  • Escore baixo: Indica menor risco de lesões.
  • Escore alto: Sinaliza maior risco de complicações relacionadas ao posicionamento cirúrgico.

Importância da Escala ELPO

  • Prevenção de lesões: Ao identificar os pacientes com maior risco, a equipe médica pode tomar medidas preventivas para minimizar as chances de lesões.
  • Melhora da qualidade do cuidado: A utilização da ELPO contribui para um cuidado mais seguro e eficaz.
  • Auxílio na tomada de decisão: A escala auxilia os profissionais de saúde na escolha das melhores práticas para cada paciente.

Observações

  • A ELPO é uma ferramenta valiosa, mas não substitui a avaliação clínica individualizada do paciente.
  • A interpretação dos resultados da escala deve ser realizada em conjunto com outros fatores clínicos.
  • A ELPO pode ser adaptada para diferentes contextos e necessidades.

A escala ELPO é um instrumento simples e eficaz para avaliar o risco de lesões causadas pelo posicionamento cirúrgico. Ao utilizar essa ferramenta, os profissionais de saúde podem contribuir para a segurança e o bem-estar dos pacientes durante o procedimento cirúrgico.

Referências:

  1. COFEN
  2. Lopes, C. M. de M., Haas, V. J., Dantas, R. A. S., Oliveira, C. G. de ., & Galvão, C. M.. (2016). Assessment scale of risk for surgical positioning injuries. Revista Latino-americana De Enfermagem, 24, e2704. https://doi.org/10.1590/1518-8345.0644.2704

OMS: Novas recomendações para Cirurgia Segura

No intuito de garantir a segurança do paciente no ato cirúrgico, a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou a primeira edição do manual “WHO Guidelines for Safe Surgery” (Diretrizes da OMS para Cirurgia Segura) em 2008.

Em 2016, a organização lançou as Diretrizes Globais para a Prevenção da Infecção do Sitio Cirúrgico. Os fatores de risco para a infecção cirúrgica são multifatoriais e a prevenção destas é complexa e requer a integração de uma série de medidas preventivas nos períodos antes, durante e após a cirurgia.

As principais diretrizes da OMS

A meta da OMS é que tais medidas forneçam uma gama de recomendações para intervenções que reduzam o risco de infecção do sítio cirúrgico durante os períodos pré, intra e pós-operatório.

Confira a seguir as orientações da instituição para manter o paciente seguro no pré, peri e pós-operatório:

Pré-operatório

  • o paciente deve tomar banho antes da cirurgia. A sugestão é ele utilize um sabão simples ou antimicrobiano;
  • recomenda-se o uso de pomada de mupirocina a 2% com ou sem a combinação de lavagem corporal com clorexidina aos pacientes que serão submetidos a cirurgia cardiotorácica ou ortopédica;
  • de acordo com o tipo de cirurgia, a administração de profilaxia antibiótica antes da cirurgia ajuda a evitar infecção do sítio cirúrgico;
  • não se deve fazer tricotomia nas salas de cirurgia em pacientes submetidos a qualquer procedimento cirúrgico. Quando absolutamente necessário, pelos e cabelos devem ser removidos apenas com máquinas de cortar;
  • recomenda-se o uso de soluções antissépticas alcoólicas — baseadas em gluconato de clorexidina — para a preparação da pele do sítio cirúrgico de todos os pacientes que serão submetidos a cirurgias;
  • não se deve utilizar selantes antimicrobianos após a preparação da pele nos pacientes do sítio cirúrgico;
  • a preparação das mãos para a cirurgia é essencial: recomenda-se sabonete antimicrobiano apropriado e água ou lavagem com escova adequada à base de álcool antes de colocar luvas estéreis.

Intra-operatório

  • recomenda-se a administração de fórmulas nutricionais orais ou entéricas reforçadas com múltiplos nutrientes em pacientes com baixo peso que passarão por grandes cirurgias;
  • a OMS sugere não interromper medicações imunossupressoras antes da cirurgia com a finalidade de prevenir infecção do sítio cirúrgico;
  • recomenda-se o uso de dispositivos de aquecimento na sala de cirurgia e durante o procedimento cirúrgico para o aquecimento do corpo do paciente;
  • para prevenir infecção, podem ser usados tanto campos estéreis de tecido reutilizáveis quanto campos estéreis descartáveis que não sejam de tecido, assim como aventais cirúrgicos;
  • o uso de campos fenestrados adesivos de plástico com ou sem propriedades antimicrobianas não são recomendados;
  • recomenda-se o uso de dispositivos de proteção de feridas em cirurgias abdominais potencialmente contaminadas, contaminadas e infectadas a fim de prevenir infecção do sítio cirúrgico;
  • a OMS sugere o uso de terapia profilática com pressão negativa em pacientes adultos em incisões cirúrgicas com fechamento primário, desde que sejam feridas de alto risco;
  • não é recomendado o uso de sistemas de ventilação com fluxo de ar laminar para a procedimentos de cirurgia de artroplastia total.

Pós-operatório

  • não é recomendado o prolongamento da administração de profilaxia antibiótica cirúrgica após a conclusão do procedimento;
  • não se deve usar qualquer tipo de curativo avançado ao invés de um curativo padrão sobre feridas cirúrgicas com fechamento primário;
  • a profilaxia antibiótica perioperatória não deve ser continuada na presença de um dreno na ferida;
  • quando clinicamente indicado, recomenda-se a remoção do dreno da ferida.

Em vias gerais, a cultura da segurança do paciente envolve diferentes critérios atrelados a valores, atitudes, normas, estratégias, práticas, políticas e comportamentos.

Portanto, as diretrizes da OMS objetivam não apenas a redução dos danos nos eventos cirúrgicos, mas a reflexão sobre a importância da adequação às propostas do órgão.

Por fim, ao implementar as recomendações para prevenir infecção do sítio cirúrgico, os profissionais da saúde têm a oportunidade de melhorar o cuidado assistencial e a qualidade dos serviços.

Além disso, a adoção dessas medidas possibilita a substituição do sentimento de culpa quanto aos erros eventualmente cometidos pela oportunidade de um aprendizado constante.

Referências:

  1. World Health Organization
  2. PebMed
  3. Orientações da OMS para a Cirurgia Segura 2009

Orquiectomia

A orquiectomia consiste numa cirurgia em que é removido um ou os dois testículos.

Geralmente, esta cirurgia é realizada de forma a tratar ou a prevenir a propagação do câncer de próstata ou para tratar ou prevenir o câncer testicular e câncer de mama no homem, já que são os testículos que produzem maior parte da testosterona, que é um hormônio que faz com que estes tipos de câncer cresçam mais rapidamente.

Além disso, este procedimento também pode ser usado para pessoas que pretendem mudar do sexo masculino para o sexo feminino, de forma a reduzir a quantidade de testosterona no corpo.

Tipos de orquiectomia

Existem vários tipos de orquiectomia, dependendo do objetivo do procedimento:

1. Orquiectomia simples

Neste tipo de cirurgia é removido um ou os dois testículos a partir de um pequeno corte no escroto, o que pode ser feito para tratar câncer da mama ou da próstata, de forma a reduzir a quantidade de testosterona que o organismo produz.

2. Orquiectomia radical inguinal

A orquiectomia radical inguinal é realizada fazendo um corte na região abdominal e não no escroto. Geralmente, a orquiectomia é realizada desta forma, quando é encontrado um nódulo num testículo, por exemplo, de forma a poder testar este tecido e perceber se tem câncer, já que uma biopsia regular pode fazer com que este se espalhe pelo corpo.

Este procedimento também é normalmente usado para pessoas que desejam mudar de sexo.

3. Orquiectomia subcapsular

Neste procedimento, o tecido que está no interior dos testículos, ou seja, a região que produz espermatozoides e testosterona, é removido, preservando a cápsula testicular, o epidídimo e o cordão espermático.

4. Orquiectomia bilateral

A orquiectomia bilateral é uma cirurgia em que ambos os testículos são removidos, o que pode acontecer em caso de câncer da próstata, câncer da mama ou em pessoas que pretendem mudar de sexo.

Como é a recuperação pós-operatório

Geralmente, a pessoa tem alta logo a seguir à cirurgia, no entanto, é necessário que volte ao hospital no dia seguinte para confirmar se está tudo bem. A recuperação pode demorar entre 2 semanas a 2 meses.

Na semana seguinte à cirurgia, o médico pode recomendar a aplicação de gelo no local, para aliviar o inchaço, lavar a região com um sabão suave, manter a região seca e coberta com gaze, usar apenas os cremes e as pomadas que forem recomendados pelo médico e tomar analgésicos e anti-inflamatórios que reduzem a dor e a inflamação.

Deve-se ainda evitar fazer grandes esforços, levantar pesos ou ter relações sexuais enquanto a incisão não estiver sarada. Caso a pessoa tenha dificuldade em evacuar, pode experimentar tomar um laxante leve, para evitar fazer muito esforço.

O médico pode ainda recomendar o uso de um suporte para o escroto, que deve ser usado por cerca de 2 dias.

Quais as consequências da orquiectomia

Depois da remoção dos testículos, devido à redução de testosterona, é provável que ocorram efeitos colaterais como osteoporose, infertilidade, ondas de calor, depressão e disfunção erétil.

Referência:

  1. Silva, Benedito Martins e, Silva Neto, José Ademir Bezerra da e Lima, Roberta Lins deAnálise de complicações em pacientes portadores de câncer de próstata metastático submetidos à orquiectomia bilateral. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões [online]. 2010, v. 37, n. 4 [Acessado 1 Outubro 2022] , pp. 269-273. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0100-69912010000400006&gt;. Epub 29 Out 2010. ISSN 1809-4546. https://doi.org/10.1590/S0100-69912010000400006.

Cirurgia Bariátrica

A cirurgia bariátrica, também conhecida como cirurgia da obesidade, cirurgia metabólica ou redução de estômago, reúne técnicas com respaldo científico destinadas ao tratamento da obesidade e das doenças associadas ao excesso de gordura corporal ou agravadas por ele.

O conceito metabólico foi incorporado pela importância que a cirurgia adquiriu no tratamento das doenças associadas, principalmente no diabetes e na hipertensão arterial.

Os benefícios da cirurgia bariátrica são perda de peso, remissão das doenças associadas à obesidade, como diabetes e hipertensão, aumento da longevidade e melhoria na qualidade de vida.

Os riscos são os mesmos de outras cirurgias abdominais, por isso deve ser feita em hospital com estrutura adequada e por médicos especialistas.

Vale lembrar, porém, que apesar dos inúmeros benefícios a cirurgia bariátrica é apenas o primeiro passo de uma jornada rumo a uma vida saudável.

O paciente precisará passar por uma mudança de hábitos, abandonando antigos costumes nocivos e adotando uma forma de vida mais saudável, que inclui dieta equilibrada e prática de exercícios.

Indicação

A cirurgia da obesidade é indicada para pacientes que se encaixam em parâmetros determinados pelo Índice de Massa Corporal (IMC), que é calculado dividindo-se o peso em quilogramas pela altura em metros ao quadrado.

Indica-se tratamento cirúrgico aos pacientes com IMC:

  • acima de 40;
  • entre 35 e 40 na presença de doenças associadas (hipertensão arterial, diabetes tipo 2, apnéia do sono, osteopatias, dislipidemia, etc…).

Não há restrições em relação à idade, para pessoas entre 18 e 65 anos. Em adolescentes e idosos, considerados casos de exceção, recomenda-se uma avaliação detalhada feita pelo cirurgião e por uma equipe multidisciplinar. A família deve acompanhar o paciente durante todo o período, especialmente na recuperação.

Tipos de Bariátrica

Os principais tipos são:

  • Banda gástrica ajustável: consiste em colocar um anel de silicone em volta do estômago, diminuindo seu tamanho e limitando a ingestão de alimentos. É o tipo menos invasivo e permite ajustar o tamanho do anel conforme a necessidade do paciente. Porém, tem uma perda de peso menor e pode causar complicações como deslizamento ou infecção do anel.
  •  Gastrectomia vertical ou sleeve: consiste em retirar cerca de 80% do estômago, deixando-o em forma de tubo. É um tipo irreversível que reduz a capacidade do estômago e a produção de hormônios que estimulam a fome. Tem uma perda de peso maior que a banda gástrica e menos complicações nutricionais que o bypass. Porém, pode causar refluxo, sangramento ou vazamento da sutura do estômago.
  • Bypass gástrico: consiste em dividir o estômago em duas partes, sendo uma menor que se conecta diretamente ao intestino delgado, formando um desvio. É um tipo misto que reduz a capacidade do estômago e a absorção de calorias pelo intestino. Tem uma perda de peso maior que os outros tipos e melhora doenças como diabetes e hipertensão. Porém, é irreversível e pode causar deficiências nutricionais, úlceras ou obstruções intestinais.
  • Derivação biliopancreática: consiste em retirar parte do estômago e do intestino delgado, deixando apenas uma pequena porção para a digestão dos alimentos. É um tipo predominantemente disabsortivo que reduz drasticamente a absorção de calorias pelo intestino. Tem uma perda de peso muito grande e pode ser indicado para casos de obesidade extrema. Porém, é irreversível e pode causar diarreia, desnutrição, cálculos biliares ou osteoporose.

Antes, Durante e Depois

Atualmente a cirurgia bariátrica é um procedimento bastante seguro e que além da perda de peso e melhora das doenças associadas e leva a melhora na qualidade de vida.

Pré-Operatório

O preparo pré-operatório otimiza a segurança e os resultados da cirurgia bariátrica. É pedido ao paciente que se esforce para perder um pouco de peso antes da cirurgia, pois alguns quilos a menos podem oferecer melhores condições à anestesia geral e à operação.

No pré operatório, o paciente deve realizar uma série de exames como endoscopia digestiva, ultrassom abdominal e exames de sangue, além de passar em consulta com todos os profissionais da equipe multidisciplinar (cirurgião, nutricionista, psicóloga ou psiquiatra, endocrinologista e cardiologista).

A Cirurgia

Na operação por laparoscopia são realizadas de cinco a sete furinhos. Insufla-se a cavidade abdominal com gás carbônico, criando assim espaço dentro dela para que o cirurgião possa trabalhar com o auxilio de uma videocâmera, instrumentos e grampeadores especiais.

A cirurgia leva de 1h a 2 h, em média, e o paciente recebe alta em 36 horas.

Pós-Operatório

O paciente deve fazer consultas e exames periódicos no pós operatório. Além das consultas com o cirurgião, o acompanhamento com o endocrinologista, a nutricionista e a psicóloga são fundamentais para o sucesso do tratamento.

Nas operações realizadas por videolaparoscopia, o período pós operatório costuma ser tranquilo, com pequeno desconforto nos locais das incisões. É muito importante salientar que a dieta líquida deve ser seguida rigorosamente nos primeiros dias. Após esse período, haverá nova orientação nutricional com evolução da dieta. Em decorrência da restrição gástrica, mínimas quantidades de alimento várias vezes ao dia são suficientes para gerar saciedade plena.

Apesar de raras, hoje em dia, a cirurgia pode gerar complicações como infecção, tromboses, deiscências (separações) de suturas, fístulas (desprendimento do grampos), obstrução intestinal, hérnia no local do corte, abscessos (infecções internas) e pneumonia. Portanto, um bom preparo pré-operatório e uma boa equipe cirurgia são importantes para melhores resultados.

Referências:

  1. https://www.tuasaude.com/obesidade-e-cirurgia-bariatrica/
  2. https://www.minhabariatrica.com.br/tipos-de-cirurgia-bariatrica/
  3. https://www.cirurgiabariatricaconvenio.com.br/quais-sao-os-tipos-de-cirurgia-bariatrica-e-qual-e-o-melhor-para-voce

Classificação das Cirurgias

O Centro Cirúrgico é um lugar especial dentro do hospital, convenientemente preparado segundo um conjunto de requisitos que o tornam apto à prática da cirurgia.

Todas elas possuem características que definem o estilo de cirurgia e até mesmo o nível de complexidade.

Classificação quanto à urgência

  • CIRURGIA ELETIVA: tratamento cirúrgico proposto, mas a realização pode aguardar ocasião propícia, ou seja, pode ser programado. Por ex.: mamoplastia, gastrectomia.
  • CIRURGIA DE URGÊNCIA: tratamento cirúrgico que requer pronta atenção e deve ser realizado dentro de 24 a 48 horas. Por ex.: apendicectomia, brida intestinal.
  • CIRURGIA DE EMERGÊNCIA: tratamento cirúrgico que requer atenção imediata por se tratar de uma situação crítica. Por ex.: ferimento por arma de fogo em região precordial, hematoma subdural.

Classificação quanto à finalidade do tratamento cirúrgico

  • CIRURGIA CURATIVA: objetivo é extirpar ou corrigir a causa da doença, devolvendo a saúde ao paciente. Para essa finalidade, às vezes é necessário a retirada parcial ou total de um órgão. Ex.: apendicectomia.
  • CIRURGIA PALIATIVA: tem a finalidade de atenuar ou buscar uma alternativa para aliviar o mal, mas não cura a doença. Ex.: gastrostomia.
  • CIRURGIA DIAGNÓSTICA: realizada com o objetivo de ajudar no esclarecimento da doença. Ex.: laparotomia exploradora.
  • CIRURGIA REPARADORA: reconstitui artificialmente uma parte do corpo lesada por enfermidade ou traumatismo. Ex.: enxerto de pele em queimados.
  • CIRURGIA RECONSTRUTORA / COSMÉTICA / PLÁSTICA: realizada com objetivos estéticos ou reparadores, para fins de embelezamento. Ex.: rinoplastia, mamoplastia etc.

Classificação quanto ao porte cirúrgico (tempo de duração)

  • PORTE I: com tempo de duração de até 2 horas. Por ex.: rinoplastia.
  • PORTE II: cirurgias que duram de 2 a 4 horas. Por ex.: colecistectomia,gastrectomia.
  • PORTE III: de 4 a 6 horas de duração. Por ex.: craniotomia.
  • PORTE IV: com tempo de duração acima de 6 horas. Por ex.: transplante de fígado. 

Classificação quanto a potencial contaminação

  • CIRURGIA LIMPA: eletiva, primariamente fechada, sem a presença de dreno, não traumática. Realizadas em tecidos estéreis ou passíveis de descontaminação, na ausência de processo infeccioso e inflamatório local. Cirurgias em que não ocorreram penetrações nos tratos digestivo, respiratório ou urinário. Por ex.: mamoplastia.
  • CIRURGIA POTENCIALMENTE CONTAMINADA: realizada em tecidos colonizados por microbiota pouco numerosa ou em tecido de difícil descontaminação, na ausência de processo infeccioso e inflamatório, e com falhas técnicas discretas no transoperatório. Cirurgias com drenagem aberta enquadram-se nessa categoria. Ocorre penetração nos tratos digestivo, respiratório ou urinário sem contaminação significativa. Por ex.: colecistectomia com colangiografia.
  • CIRURGIA CONTAMINADA: cirurgia realizada em tecidos abertos e recentemente traumatizados, colonizados por microbiota bacteriana abundante, de descontaminação difícil ou impossível, presença de inflamação aguda na incisão e cicatrização de segunda intenção ou grande contaminação a partir do tubo digestivo. Obstrução biliar ou urinária também se inclui nesta categoria. Por ex.: colectomia.

Cirurgias de acordo com a Associação Médica Brasileira (AMB)

Tem-se ainda a classificação de cirurgias conforma a tabela utilizada pelo sistema de cobrança dos hospitais segundo a Associação Médica Brasileira (AMB) que caracteriza de acordo com o procedimento anestésico. Varia do porte 0 a 8, sendo o porte zero, um procedimento com anestesia local e por ordem crescente, cresce a complexidade anestésica e consequentemente a cirúrgica.

As cirurgias também podem ser classificadas de acordo com a Associação Médica Brasileira (AMB), que diz:

Para a AMB as cirurgias são classificadas de porte 0 a 8, sendo o porte zero um procedimento com anestesia local e à medida que se utiliza a classificação em ordem crescente, existe também crescimento da complexidade cirúrgica. Portanto, trata-se de uma classificação com finalidade de cobrança do convênio e Serviço Único de Saúde (SUS), principalmente dos honorários médicos (anestesista e cirurgião), da instrumentação cirúrgica e da sala de operação.

Referências:

  1. MAGALHÃES, H. P. Técnica cirúrgica e cirurgia experimental. 1.ed. São Paulo: Sarvier, 1993.
  2. CIRINO, L. M. I. Manual de técnica cirúrgica para graduação. 1.ed. São Paulo: Sarvier, 2003.
  3. FULLER, J. R. Tecnologia cirúrgica: princípios e prática. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
  4. Conselho Federal de Medicina

Cirurgia Segura: O Checklist

A cirurgia é, muitas vezes, o único tratamento que pode aliviar, corrigir e salvar vidas, apesar de seus riscos inerentes; não controláveis.  Embora os procedimentos cirúrgicos tenham essa finalidade, falhas evitáveis de segurança podem ocorrer e causar danos físicos e psíquicos irreparáveis ao cliente, familiares e profissionais, quando medidas de segurança não são sistematicamente adotadas.

Nesta perspectiva, iniciativas de aumentar os padrões de qualidade para tornar a assistência cirúrgica segura vem acontecendo em nível mundial, conhecido como Segundo Desafio Global de Segurança do Paciente, contemplando medidas essenciais nas etapas críticas do atendimento perioperatório a serem incorporadas dentro da rotina das salas de operações.

As medidas contemplam 10 objetivos essenciais para a cirurgia segura que deverão estar apresentadas em uma lista de verificação de segurança cirúrgica “checklist”.

O checklist de Cirurgia Segura consiste em uma lista formal utilizada para identificar, comparar e verificar o cumprimento às etapas críticas de segurança e, assim, minimizar os riscos evitáveis mais comuns que colocam em risco as vidas e o bem-estar dos clientes cirúrgicos. Esse instrumento se utiliza das estratégias de comunicação oral e escrita para a sua condução e não possui caráter regulatório.

Sendo assim, o presente Protocolo Multiprofissional Assistencial apresentará as estratégias de segurança cirúrgica, baseadas nas recomendações do manual “Cirurgias Seguras Salvam Vidas”, da Organização Mundial de Saúde (OMS, 2009) e do “Protocolo Cirurgia Segura”, do Ministério de Saúde (MS, 2013), alinhadas ao contexto institucional, a serem implementadas por meio de um Checklist, construído seguindo os princípios de simplicidade, de ampla aplicabilidade e de possibilidade de mensuração, que contempla os 10 objetivos essenciais para a cirurgia segura:

  1. Certificar-se de que é o paciente certo e o sítio cirúrgico
  2. Proteger o paciente da dor, minimizando os riscos
  3. Ter capacidade para reconhecer dificuldades respiratórias e um plano de ação pronto.
  4. Preparar-se para identificar e agir em caso de grande perda sanguínea.
  5. Evitar induzir reações alérgicas ou à medicação que tragam riscos ao paciente.
  6. Usar métodos para minimizar o risco de infecções de sítio cirúrgico.
  7. Evitar a retenção de compressas ou instrumentos em feridas cirúrgicas.
  8. Identificar de maneira precisa todos os espécimes cirúrgicos.
  9. Comunicar e trocar informações críticas sobre o paciente.

Estabelecer vigilância de rotina sobre a capacidade, o volume e os resultados cirúrgicos.

O Público Alvo

Clientes (adulto e infantil) hospitalizados ou em atendimento ambulatorial submetidos à procedimentos cirúrgicos em caráter eletivo e de urgência que implicam em incisão, excisão, manipulação e suturas de tecidos, e que, geralmente, requeiram anestesia regional ou geral ou sedação profunda para controle da dor.

RESPONSABILIDADES Equipe Multiprofissional

  • Conhecer o presente Protocolo e as medidas que garantem a promoção da cirurgia segura.
  • Compartilhar os saberes interprofissionais específicos e comuns em colaboração no planejamento, na execução e na avaliação das intervenções, antes, durante e após o procedimento cirúrgico, para a tomada de decisão.
  • Envolver o cliente e a sua família no planejamento diário dos cuidados.
  • Confirmar a identificação do cliente em todos os procedimentos a serem realizados.
  • Participar frequentemente de educações continuada.
  • Participar ativamente na condução e registro do Checklist de Cirurgia Segura (Apêndice A).
  • Notificar qualquer risco identificado e evento adverso ocorrido no Aplicativo de Vigilância em Saúde e Gestão de Riscos Assistenciais Hospitalares (Vigihosp).

Responsável Técnico – RT/Chefe de Unidade

  • Supervisionar os cuidados prestados e o cumprimento de todas as etapas do Checklist de Cirurgia Segura.
  • Realizar/providenciar o levantamento dos indicadores de segurança/qualidade.

Médico Cirurgião

  • Realizar consulta pré-operatória.
  • Esclarecer ao cliente e familiares sobre os riscos cirúrgicos, e se consentida a cirurgia, providenciar a assinatura do Termo de Esclarecimento, Ciência e Consentimento para Procedimentos Cirúrgicos (Apêndice B).
  • Realizar demarcação de sítio cirúrgico, quando for o caso, no pré-operatório.
  • Prescrever os cuidados pré-operatórios.
  • Prescrever a antibioticoterapia profilática.
  • Informar a equipe interprofissional sobre os riscos e pontos críticos do procedimento cirúrgico no intraoperatório.
  • Conduzir/Realizar o procedimento cirúrgico.
  • Participar da conferência das compressas e instrumentais utilizados, ao término da cirurgia.

Médico Anestesista

  • Realizar consulta pré-anestésica.
  • Esclarecer ao cliente e familiares sobre os riscos anestésicos, e se consentida a cirurgia, providenciar as assinaturas dos Termos de Esclarecimento, Ciência e Consentimento para Anestesia e Sedação (Apêndice C) e, se necessário, para Transfusão de Hemocomponentes (Apêndice D).
  • Decidir e aplicar o anestésico mais indicado.
  • Checar o aparelho de anestesia, no intraoperatório.
  • Informar a equipe interprofissional sobre os riscos e pontos críticos no procedimento cirúrgico (via aérea difícil, risco de aspiração e alergias conhecidas).
  • Promover a monitorização hemodinâmica do cliente e a administração do antibiótico profilático, no intraoperatório.
  • Atentar ao manejo e recuperação, garantindo a estabilidade do estado geral do cliente.
  • Avaliar o cliente e da alta da Sala de Recuperação Pós Anestésica-SRPA.

Enfermeiro Assistencial (Unidade Assistencial, Centro Cirúrgico e SRPA)

  • Garantir que os cuidados pré-operatórios e a organização do prontuário estejam adequados, antes de encaminhar o cliente ao local em que será realizado o procedimento cirúrgico.
  • Realizar ou supervisionar a equipe de enfermagem no preenchimento do Checklist de Cirurgia Segura em suas diferentes etapas (Preparo do cliente; Antes da indução anestésica e da incisão cirúrgica e Antes do cliente sair da sala operatória).
  • Confirmar a presença de reserva sanguínea no Hemocentro, no pré-operatório, e registrar.
  • Gerenciar os recursos humanos de enfermagem e materiais necessários na sala operatória.
  • Capacitar a equipe de enfermagem para prestar uma assistência que garanta a segurança do cliente no perioperatório.

Técnico de Enfermagem  (Unidade Assistencial, Centro Cirúrgico e SRPA)

  • Implementar as intervenções para o pré-operatório, intraoperatório e pós-operatório prescritas e/ou estabelecidas em rotina.
  • Comunicar ao enfermeiro qualquer intercorrência durante a assistência prestada.
  • Realizar a conferência e o registro do Checklist de Cirurgia Segura de acordo com cada etapa.
  • Preparar e montar a sala operatória com materiais e equipamentos de acordo com o procedimento a ser realizado e os riscos cirúrgicos levantados (seguir rotina estabelecida na unidade).
  • Conferir a integridade, a quantidade e a validade dos materiais a serem utilizados, antes da cirurgia.  Posicionar o eletrocautério no cliente, antes da incisão cirúrgica.
  • Contar as compressas utilizadas junto ao médico cirurgião e instrumentador, ao término da cirurgia.
  • Identificar e encaminhar as peças anatômicas/culturas, ao término da cirurgia.
  • Fixar as etiquetas de esterilização no prontuário, ao término da cirurgia.
  • Monitorar e acompanhar o cliente na SRPA. Instrumentador (Centro Cirúrgico)
  • Preparar e montar a sala operatória com materiais e equipamentos de acordo com o procedimento a ser realizado e os riscos cirúrgicos levantados.
  • Preparar o instrumental cirúrgico de acordo com o tipo de cirurgia.
  • Conferir a integridade, a quantidade e a validade dos materiais utilizados (seguir rotina estabelecida na unidade).
  • Realizar a contagem dos instrumentais cirúrgicos junto ao médico cirurgião, ao término da cirurgia.

OPERACIONALIZAÇÃO DO CHECKLIST DE CIRURGIA SEGURA

  • A estrutura do Checklist de Cirurgia Segura integra a verificação das medidas críticas gerais de segurança nas etapas pré-operatória e intraoperatória em três momentos, descritos a seguir: ü Antes do encaminhamento do cliente ao centro cirúrgico (registrada na unidade assistencial) ü 2. Antes da indução anestésica e da incisão cirúrgica (conduzida e registrada na sala operatória) ü 3. Antes do cliente sair da sala operatória (conduzida e registrada na sala operatória).
  • O Checklist de Cirurgia Segura deverá ser conduzido oralmente no intraoperatório por um único profissional e na presença de toda equipe cirúrgica, cabendo a todos o envolvimento e responsabilidade compartilhada.
  • O condutor do Checklist de Cirurgia Segura no intraoperatório deverá solicitar a confirmação do cumprimento às medidas essenciais de segurança à equipe e registrar. Caso algum item do Checklist não esteja em conformidade, a verificação deverá ser interrompida para uma tomada de decisão, que poderá ser até o cancelamento da cirurgia. As observações, justificativas e não conformidades deverão ser registradas no verso do Checklist de Cirurgia Segura e no prontuário.
  • O profissional responsável pela condução do Checklist de Cirurgia Segura no intraoperatório (sala operatória) será o Técnico de Enfermagem do Centro Cirúrgico designado para exercer a função de circulante de sala.

Em situações especiais, qualquer membro da equipe interprofissional cirúrgica poderá assumir a responsabilidade em conduzir o Checklist de Cirurgia Segura.

  • O Checklist preenchido deverá ser arquivado no prontuário, com as assinaturas do profissional de enfermagem responsável na etapa pré-operatória e do condutor e dos médicos anestesista e cirurgião (Staffs e Residentes) na etapa intraoperatória.

O preenchimento do Checklist de Cirurgia Segura não substitui a obrigatoriedade do registro no prontuário das avaliações e intervenções realizadas.

Preparo Pré-Operatório do Cliente

O preparo pré-operatório do cliente hospitalizado consiste nos procedimentos a serem realizados em um período compreendido de 24 horas que antecedem o procedimento cirúrgico. São eles:

  1. a) Identificação do cliente (Responsabilidade de execução: Equipe Interprofissional)

– Confirmar a identificação do cliente por meio da pulseira; da placa à beira leito, se for o caso; dos dados de identificação no prontuário e pela confirmação verbal do cliente, se possível.

Notas:

  • Em casos de crianças ou clientes incapacitados, um tutor ou familiar poderá assumir a função de identificação.
  • O cliente não deverá ser encaminhado ao Centro Cirúrgico sem pulseira de identificação ou com uma pulseira com integridade prejudicada.
  1. b) Tipo de Precaução (Responsabilidade de execução: Equipe Interprofissional)

– Realizar os cuidados pré-operatórios seguindo as determinações dos tipos de precauções: padrão; contato; respiratório por aerossóis; respiratório por gotículas e/ou reverso.

Nota: Em situações de pandemia, seguir rotina e fluxo estabelecidos.

  1. c) Jejum (Responsabilidade pela prescrição: Médico; Responsabilidade pela execução: Enfermagem)
  • Orientar previamente ao cliente sobre a necessidade e o tempo de jejum prescrito. Recomenda-se 8 horas de jejum para alimentos sólidos.
  • Monitorizar a glicemia capilar e observar sinais de hipoglicemia (sudorese, tremores, palidez, náuseas, etc.).

Inconformidades: Informar ao médico qualquer não conformidade quanto ao cumprimento do tempo de jejum, tanto para mais quanto para menos, e presença de eventos indesejados. Registar a orientação e conduta no prontuário.

  1. d) Punção Venosa (Responsabilidade de execução: Enfermagem)

– Manter pérvio o cateter intravascular periférico (18 -20 Fr) ou o cateter intravascular central.

Nota: Clientes sem dispositivo intravenoso não precisarão ser puncionados somente para serem encaminhados ao Centro Cirúrgico. Nestes casos, o acesso venoso poderá ser providenciado pelo Médico Anestesista quando o cliente for admitido na sala operatória.

  1. e) Preparo gastrointestinal e vesical (Responsabilidades: Médico-prescrição e Enfermagem-execução)
  • Prescrever o tipo de solução; o método de aplicação e o intervalo, quando for indicado.
  • Realizar o preparo intestinal, quando prescrito, seguindo os passos descritos no Procedimento Operacional Padrão Institucional (POP) “Lavagem intestinal retrógrada”.
  • Esvaziar as bolsas de colostomia e vesical, se for o caso, antes do encaminhamento ao Centro Cirúrgico.
  1. f) Higiene corporal (Responsabilidade de execução: Enfermagem)

– Seguir as normatizações descritas no Quadro 1, quanto à frequência; ao tipo de degermante e ao horário do banho, de acordo com o tipo de cirurgia.

 CIRURGIA FREQUÊNCIA DEGERMANTE HORÁRIO
Cirurgias cardíacas; com implantes/próteses ou em clientes colonizados e/ou infectados com bactérias multirresistentes 3 vezes Clorexidina 2% degermante 1º banho – 16h

2º banho – 22h

3º banho – 5h

4° banho – 10h**

**quando cirurgia cardíaca agendada para o período da tarde.

Outras cirurgias eletivas de grande porte. 1 vez Sabonete neutro 2 horas antes da cirurgia.
Cirurgias eletivas de pequeno e médio porte 1 vez Sabonete neutro Banho a ser realizado na manhã da cirurgia
Cirurgias de urgência Sabonete neutro À critério da avaliação da equipe assistente.
Cirurgias de emergência
  1. g) Higiene bucal (Responsabilidade de execução: Enfermagem)

– Seguir as normatizações descritas no Quadro 2, quanto ao tipo de limpeza bucal e à escolha do produto, de acordo com o tipo de cirurgia. Consultar a Rotina Operacional Padrão InstitucionalEnfermagem (ROP) “Uso de solução bucal a base de digluconato de clorexidina 0,12%”.

TIPO DE CIRURGIA MODO TEMPO
 Cirurgias de grande porte: cardíacas e com

implantes/próteses

 

1.                  Limpeza com escova e creme dental ou com gaze embebida com solução dentifrícia, a depender do nível de consciência e orientação do cliente.

2.                  Antissepsia com solução bucal a base de digluconato de clorexidina 0,12%, por meio de bochecho ou aplicação de gaze embebida, a depender do nível de consciência e orientação do cliente.

Máximo 2 horas antes

da cirurgia

**cirurgia cardíaca, no

momento       de          cada

banho

 Demais

procedimentos cirúrgicos

2. Limpeza com escova e creme dental ou com gaze embebida com solução dentifrícia, a depender do nível de consciência e orientação do cliente.  

2 horas antes da cirurgia

 Cirurgia de urgência 3. A critério da avaliação da equipe assistente.
  1. h) Tricotomia (Responsabilidade de execução: Enfermagem)
  • Realizar a tricotomia nas áreas do procedimento cirúrgico e de posicionamento de eletrodos no tórax, quando prescrito ou indicado.
  • Realizar tricotomia, no máximo, duas horas antes do procedimento cirúrgico.
  • Utilizar, preferencialmente, tesouras ou tricotomizador elétrico. Evitar o uso de lâminas.
  • Avaliar e registrar a presença de marcas, erupções, lesões, verrugas e demais anormalidades da pele no local da incisão cirúrgica.
  1. i) Remoção de próteses, adornos e de vestimentas (Responsabilidade de execução: Enfermagem)
  • Perguntar ao cliente e retirar quaisquer adornos (brincos, colares, piercing, relógios, pulseiras, cintos, prendedores de cabelo, anéis, unhas e cílios postiços e outros) e próteses (exemplos: prótese dental e lentes de contato), assegurando destinação correta para guarda.
  • Checar se as unhas das mãos da cliente estão sem esmalte, preferencialmente, ou com algum de coloração clara. Caso contrário, providenciar remoção do esmalte.
  • Vestir roupa hospitalar, sem o uso de peças íntimas.
  1. j) Demarcação de lateralidade (Responsabilidade pela execução: Médico Cirurgião)
  • Realizar a demarcação do sítio cirúrgico em casos de lateralidade (direito e esquerdo), de estruturas múltiplas (p. ex. dedos das mãos, membros inferiores, costelas) e de níveis múltiplos (p.ex. coluna vertebral).
  • Realizar a demarcação do sítio cirúrgico com o símbolo de um alvo “¤” sobre a pele, tala gessada e/ou curativo, se for o caso.
  • Utilizar marcador permanente específico (caneta dermográfica) para a demarcação do sítio cirúrgico.
  • Realizar a demarcação, preferencialmente e se possível, com o cliente acordado e consciente, que confirmará o local da intervenção.
  1. k) Providência de reserva sanguínea (Responsabilidades: Médico-prescrição e Enfermagem-execução)
  • Prescrever, coletar e encaminhar a amostra de sangue do cliente para prova cruzada, quando indicado, no mínimo 24 horas antes da cirurgia.
  • Confirmar a reserva sanguínea no Hemocentro por meio de contato telefônico. Registrar a confirmação da reserva sanguínea no prontuário.

Notas: validade da prova cruzada é de 72 horas; em crianças até 4 meses de idade, proceder também à coleta de amostra de sangue da mãe.

l) Organização do prontuário (Responsabilidade de execução: Enfermagem e Escrituração/Secretário) O prontuário deverá ser encaminhado ao Centro Cirúrgico junto ao cliente, constando:

  1. – Dados de identificação do cliente;
  2. – Prescrição médica;
  3. – Evolução médica e de enfermagem;
  4. – Formulário de sinais vitais;
  5. – Ficha de avaliação pré-anestésica;
  6. – Termos de consentimentos (Cirúrgico, Anestésico e de Hemotransfusão) informados assinados;
  7. – Resultados laboratoriais, de biópsia e de imagem;
  8. Checklist de Cirurgia Segura;
  9. – Documentos diversos específicos.

Notas importantes:

  1. Ficha de avaliação pré-anestésica e os termos de consentimentos cirúrgico, anestésico e de hemotransfusão deverão ser providenciados pelo médico durante o atendimento ambulatorial do cliente, a não ser que a indicação cirúrgica ocorra no período de hospitalização.
  2. Em clientes admitidos para a realização de procedimentos cirúrgicos eletivos, sem prévia internação, o preenchimento do checklist e organização do prontuário será conduzido pelo enfermeiro da Sala de Internação.
  3. O Termo de Consentimento de Hemotransfusão é indicado quando há previsão de risco de grande perda sanguínea (> 500 mL, em adultos, ou 7mL/Kg, em crianças).

Observações

 Na presença de alguma não conformidade justificada no preparo pré-operatório, o enfermeiro da Unidade Assistencial ou da Sala de Internação deverá informar ao enfermeiro do Centro Cirúrgico, para análise da situação, junto à equipe cirúrgica, e permissão para o encaminhamento.

Estrutura de apresentação do Checklist de Cirurgia Segura      destacando       o      momento       “Antes      do Encaminhamento do Cliente ao Centro Cirúrgico.

INTRAOPERATÓRIO

III-   Recepção do Cliente no Centro Cirúrgico (Responsável pela execução: Enfermagem)

  • Confirmar a identificação do cliente (nome completo, número de registro e data de nascimento), por meio da tripla checagem (pulseira, identificação no prontuário e confirmação com o próprio cliente ou responsável) e comparar as informações com o mapa cirúrgico.
  • Confirmar o cumprimento dos cuidados pré-operatórios prescritos no Checklist de Cirurgia Segura e a apresentação da documentação obrigatória.

        Inconformidades: Se o Checklist não for apresentado ou estiver incompleto com algum cuidado indicado não realizado ou com algum documento não apresentado, exceto quando situações especiais, será necessário discutir com a equipe a decisão por aguardar a resolução da inconformidade ou o cancelamento da cirurgia.

        Situações especiais: 1. Cliente externo com indicação de cirurgia eletiva encaminhado diretamente ao Centro Cirúrgico e  2. Cliente internado com indicação de cirurgia de urgência.

  • Encaminhar o cliente à sala operatória de destino, previamente preparada de acordo com o procedimento programado. Orientar e acomodar o cliente.
  • Preencher e fixar a placa de identificação do cliente (nome completo; registro hospitalar; data de nascimento e descrição do tipo de cirurgia e de anestesia) na porta da sala cirúrgica.

IV – Na Sala de Cirurgia (Responsável pela execução: Equipe Interprofissional)

  1. a) Antes da indução anestésica (CHECK IN) e da incisão cirúrgica (TIME OUT)

O condutor do Checklist de Cirurgia Segura, em voz alta, junto a toda equipe presente, deverá solicitar aos profissionais que se apresentem informando o nome completo e a função, e ao cliente que se apresente informando o nome completo, a data de nascimento, o procedimento cirúrgico e o local da cirurgia, caso seja capaz de responder. E a seguir, direcionará aos profissionais para que confiram, confirmem e informem a realização dos pontos críticos primordiais contemplados nos 10 objetivos essenciais para a cirurgia segura, conforme demonstração abaixo:

Direcionamento Medidas Essenciais de Segurança Ação Esperada
Equipe

Interprofissional

Identificação do Cliente Conferir e confirmar o nome completo, o registro hospitalar e a data de nascimento do cliente por meio da pulseira de identificação, do prontuário, do relato verbal do cliente e da placa de identificação da sala operatória.
Médico Cirurgião Procedimento a ser realizado. Relatar.
Sítio cirúrgico/demarcação Demonstrar o local e, se for o caso, a lateralidade.
Disposição dos exames Relatar os tipos de exames e o local de disposição.
Médico Anestesista

 

Via aérea difícil

 

Se confirmado, informar os materiais providenciados, como videolaringoscópio e máscara laríngea, e informar a presença do médico anestesista auxiliar.
Risco de aspiração

 

Se confirmado, administrar medicamentos pró cinéticos (nome, dose e horário) e informar os materiais providenciados.
Alergia conhecida

 

Se confirmado a alergia a algum medicamento,  informar as opções indicadas.
Avaliação pré-anestésica

 

Informar os dados relatados em ficha de avaliação pré-anestésica, assim como os exames solicitados em avaliação; checar os preditores de via aérea difícil realizados ambulatoriamente.
Acesso venoso

 

Descrever o tipo de acesso venoso (central ou periférico); calibre do dispositivo; local e permeabilidade.
Monitorização hemodinâmica

 

Relatar     os     parâmetros     e     a       funcionalidade

(parâmetros mínimos: pressão arterial não invasiva; frequência cardíaca, saturação de oxigênio e cardioscopia).

Profilaxia antimicrobiana

 

Relatar o antibiótico profilático, a dose e a hora da administração. A administração deve ocorrer de 0 a 60 minutos antes da incisão cirúrgica.
Aparelho de anestesia Confirmar a realização do teste de funcionalidade do aparelho de anestesia, seguindo recomendações do fabricante.
 Médicos Cirurgião e Anestesista Previsão dos pontos críticos do procedimento cirúrgico Se pontos críticos, relatar (risco de grande perda sanguínea, presença de comorbidades, tempo prolongado da cirurgia, risco de parada cardiorrespiratória e outros) e apresentar o plano de intervenção.
 

 

 

 

 

 

 

 

Enfermagem

 

 

 

 

Sala        operatória           montada                 e equipada Relatar os materiais e equipamentos reunidos e preparados.
Eletrocautério posicionado Demonstrar o local de posicionamento da placa de eletrocautério. A placa deverá estar bem aderida à pele em área limpa, seca, sem pelos, bem vascularizada, com maior massa muscular e longe de proeminências ósseas; o mais próximo possível da incisão cirúrgica e com menor risco de ser molhada.

Estrutura de apresentação do Checklist de Cirurgia Segura destacando o momento “Antes da Indução Anestésica e da Incisão Cirúrgica.

b) Antes do cliente sair da sala cirúrgica (CHECK OUT)

O condutor do Checklist de Cirurgia Segura, em voz alta, junto a equipe presente, direcionará aos profissionais para que confiram, confirmem e informem a realização dos pontos críticos primordiais contemplados nos 10 objetivos essenciais para a cirurgia segura, conforme demonstração abaixo:

Direcionamento Medidas Essenciais de Segurança Ação Esperada
Enfermagem

Médico Cirurgião

Instrumentador

Contagem final de instrumentais Confirmar se confere a contagem de instrumentais e de compressas.

Caso a contagem final não apresente o mesmo resultado da contagem inicial, será necessário examinar todos os campos, recipientes de descarte, rampers, feridas cirúrgicas ou obter imagens radiológicas.

Contagem final de compressas
Enfermagem Peça anatômica identificada e com requisição preenchida Quando se aplica, confirmar a realização da dupla checagem da identificação do cliente (nome completo e RG) e da peça anatômica (tipo, local e
 

 

Enfermagem

data e horário de coleta), juntamente com o médico cirurgião.
Cultura identificada e com requisição preenchida Quando se aplica, confirmar a realização da dupla checagem da identificação do cliente (nome completo e RG) e da amostra biológica (descrição da amostra e local anatômico, data e horário de coleta), juntamente com o médico cirurgião.
Etiquetas de esterilização fixadas no prontuário. Confirmar a fixação das etiquetas de esterilização no prontuário.
Equipe

Interprofissional

Presença de não conformidades Quando se aplica, relatar, registrar e notificar
Pontos críticos na recuperação pós-operatória Se presente preocupações da equipe com a evolução do cliente no pós-operatório imediato, relatar, registrar e discutir o plano de intervenções.
Registros        do         procedimento

intraoperatório

Confirmar o registro da:

v  Descrição cirúrgica

v  Prescrição Médica

v  Ficha Intraoperatória (Anestesia)

v  Ficha de Consumo de Materiais

 

Estrutura de apresentação do Checklist de Cirurgia Segura destacando o momento “Antes do cliente Sair da sala operatória.

PÓS-OPERTÓRIO IMEDIATO

VI -Na Sala de Recuperação Pós Anestésica – SRPA

  1. a) Admissão na SRPA (Responsável pela execução: Equipe Multiprofissional)

 Implementar cuidados relacionados:

  • Admissão e acolhimento;
  • Exame físico: geral; cardiorrespiratório; motor; neurológico; vascular;
  • Prevenção de hipotermia;
  • Administração de medicamentos;
  • Controle da dor e promoção de conforto;
  • Manutenção da integridade da pele e segurança dos dispositivos;
  • Permeabilidade de drenos;
  • Avaliação da ferida operatória;
  • Mensuração dos débitos de drenos e cateteres, quando presentes;
  • Balanço hídrico;
  • Orientações e apoio psicológico;
  • Monitorização dos Sinais Vitais (Quadro 3).
Parâmetros Vitais Valores Normais de Referência 1° hora 2° hora 3° hora
Pressão Arterial Sistêmica Pressão Sistólica – 100 a 120 mmHg Pressão Diastólica – 60 a 80 mmHg Cada 15 min Cada 30min Cada 1 hora
Frequência Respiratória 16 – 20 rpm
Frequência Cardíaca 60 – 100 rpm
Temperatura corporal 35,1 – 37,7°C

 Quadro 3. Valores normais para referência dos sinais vitais

Não conformidades: Qualquer alteração identificada, deve-se comunicar ao médico anestesista e/ou cirurgião responsável.

  1. b) Alta da SRPA (Responsável pela execução: Médico Anestesita)
  • O estado geral do cliente deverá ser avaliado detalhadamente. Como critério para alta da SRPA, o valor da escala de Aldrete/Kroulik deverá ser maior ou igual a 8; em clientes que foram submetidos à anestesia espinhal, o valor da escala de Bromage para alta deverá ser 2, 1 ou 0.
  • Os clientes hemodinamicamente estáveis e que foram submetidos a cirurgias de pequeno porte, sem intercorrências, poderão ser encaminhados, imediatamente, para as enfermarias, a critério do médico anestesista.

MÉTRICAS DE MONITORAMENTO

  • Número de cirurgias em local errado/mês e ano
  • Número de cirurgias em paciente errado/mês e ano
  • Número de procedimentos errados/mês e ano
  • Taxa de adesão completa ao Checklist de Cirurgia Segura

Referências:

  1. ALEX B. HAYNES et al. A Surgical Safety Checklist to Reduce Morbidity and Mortality in a Global Population. N Engl J Med., 360, p. 491-499, 2009.
  2. ASKARIAN M, et al. Effect of surgical safety checklists on postoperative morbidity and mortality rates, Shiraz, Faghihy Hospital, a 1-year study. Qual Manag Health Care, v.20, p. 293–7. 2011.
  3. BERALDO, Carolina Contador; DE ANDRADE, Denise. Higiene bucal com clorexidina na prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 34, n. 9, p. 707-714, 2008.
  4. BERGS, J., LAMBRECHTS, F., SIMONS, P., VLAYEN, A., MARNEFFE, W., HELLINGS, J. et al. Barriers and facilitators related to the implementation of surgical safety checklists: a systematic review of the qualitative evidence. BMJ Qual Saf., v. 24, n. 12, p. 776-86, 2015.
  5. BOHMER AB et al. The implementation of a perioperative checklist increases patients’ perioperative safety and staff satisfaction. Acta Anaesthesiol Scand, v. 56, p. 332-8, 2012.
  6. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Assistência Segura: Uma Reflexão Teórica Aplicada à Prática. Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde. Brasil:  Anvisa,2017.Disponível em: http://www.saude.pi.gov.br/uploads/divisa_document/file/374/Caderno_1__Assist%C3%AAncia_Segura__Uma_Reflex%C3%A3o_Te%C3%B3rica_Aplicada_%C3%A0_Pr%C3%A1tica.pdf
  1. Agência Nacional De Vigilância Sanitária – ANVISA. Critérios diagnósticos de infecção relacionada à assistência à saúde. 2013.
  2. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Manual de higienização das mãos em serviços de saúde. Brasil: Anvisa, 2007. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/hotsite/higienizacao_maos/ficha_tecnica.htm
  1. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Brasília: Anvisa, 2017. 126p. Disponível em: < http://www.riocomsaude.rj.gov.br/Publico/MostrarArquivo.aspx?C=pCiWUy84%2BR0%3D>.
  2. EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES – EBSERH. Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Protocolo: Prevenção de Infecção Cirúrgica. Unidade de Vigilância em Saúde e Qualidade Hospitalar/Setor de Vigilância em Saúde e Segurança do Paciente do HCUFTM, Uberaba, 2017. 13p. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh/ptbr/hospitaisuniversitarios/regiaosudeste/hcuftm/documentos/protocolosassistenciais/prtsvssp003prevencaodeinfeccaocirurgicaversaopdf
  3. EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES – EBSERH. Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Procedimento Operacional Padrão: Lavagem intestinal retrógada. Serviço de Educação em Enfermagem da Divisão de Enfermagem HC-UFTM, Uberaba, 2020. 9p. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh/ptbr/hospitaisuniversitarios/regiaosudeste/hcuftm/documentos/pops/popde010lavagemintestinalretrograda.pdf
  1. MALACHIAS MVB, SOUZA WKSB, PLAVNIK FL, RODRIGUES CIS, BRANDÃO AA, NEVES MFT, et al. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arq Bras Cardiol., 2016; 107(3Supl.3):1-83
  2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Agência Nacional de Vigilância Sanitária; Fundação Oswaldo Cruz. Protocolo para cirurgia segura. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.

14. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Manual de Implementação – Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica da OMS. 2009

  1. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Segundo desafio global para a segurança do paciente: cirurgias seguras salvam vidas (orientações para cirurgia segura da OMS) / Organização Mundial da Saúde; Rio de Janeiro: Organização Pan-Americana da Saúde; Ministério da Saúde; Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2009. 211p.
  2. RUSS, S., ROUT, S., SEVDALIS, N., MOORTHY, K., DARZI, A., VINCENT, C. Do safety checklists improve teamwork and communication in the operating room? a systematic review. Ann Surg.,258, n.6, p.856-71, 2013. doi: https://doi.org/10.1097/SLA.0000000000000206.
  3. SEMEL M.E, et al. Adopting A Surgical Safety Checklist Could Save Money And Improve The Quality Of Care In U.S. Hospitals. Health Affairs, v. 29, p. 1593–9, 2010.
  4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO, RECUPERAÇÃO ANESTÉSICA E CENTRO DE MATERIAL E ESTERILIZAÇÃO (SOBECC). Práticas recomendadas: centro cirúrgico, recuperação pós-anestésica e centro de material e esterilização. 5ªed. São Paulo: SOBECC; 2009.
  5. TREADWELL J.R., LUCAS, S., TSOU, A.Y. Surgical checklists: a systematic review of impacts and implementation. BMJ Qual Saf., v.13, n. 4, p. 299-318, 2014.

Caixa de Pequena Cirurgia: Para que serve?

A Caixa de Pequenas Cirurgias é um kit de instrumentos cirúrgicos que podem estar disponíveis em setores hospitalares, clínicas e ambulatórios.

As cirurgias podem ser divididas em portes de tamanho ou complexidade. Assim, temos cirurgias de pequeno, médio e grande portes.

Cirurgias de Pequeno Porte

As cirurgias de pequeno porte ou “pequenas cirurgias”, são aquelas em que o grau de traumatismo ocasionado pelo cirurgião é pequeno, ocasionando poucas alterações sistêmicas.

Desta forma, a probabilidade de complicações graves é menor, e a recuperação tende a ser rápida. As pequenas cirurgias geralmente são rápidas e demandam de anestesias loco-regionais, como a anestesia local por infiltração no sitio cirúrgico ou bloqueios de nervos regionais.

Também não requerem internação, sendo realizadas em regime de hospital-dia, onde o paciente fica algumas horas em observação, ou ambulatorial, onde o paciente vai embora imediatamente após o término da cirurgia.

sedação não é obrigatória para as cirurgias de pequeno porte, ficando indicadas para as pessoas muito ansiosas, que apresentam fobia ou que não são capazes de colaborar com o cirurgião.

Tipos de Pequenas Cirurgias

  • Ressecção de lesões cutâneas
  • Ressecção de tumores de pele
  • Correção de pequenas cicatrizas
  • Eletrocoagulação de verrugas
  • Vasectomia
  • Postectomia (cirurgia de fimose)
  • Biópsia de lesões
  • Exérese de lipoma
  • Debridamento de feridas
  • Cantoplastia (correção de unha encravada)
  • Plástica do freio bálano-prepucial
  • Correção de fenda do lóbulo da orelha

O que pode conter dentro de uma caixa de pequenas cirurgias?

A caixa será montada de acordo com o protocolo institucional, podendo variar o conteúdo. Mas em geral é composta:

  • 1 Cabo de Bisturi n°3
  • 2 Gancho Gilles Delicado
  • 1 Pinça Adson Dente de Rato 12 cm
  • 1 Pinça Adson Serrilhada 12 cm
  • 1 Pinça Mosquito Curva 12 cm
  • 1 Pinça Pean 14cm
  • 1 Porta Agulha Mayo Hegar com Videa 12cm
  • 1 Porta Agulha Mayo Hegar com Vídea 14 cm
  • 1 Tesoura Íris Curva Ponta Fina 11 cm
  • 1 Tesoura Mayo Curva 15 cm
  • 1 Estojo de Inox Perfurado 20 x 10 x 05 cm

Referências:

  1. https://www.harteinstrumentos.com.br/produto/caixa-para-pequenas-cirurgias/