Cirurgia Segura: Time Out

O TIME OUT é uma prática baseada em evidências que visa a prevenção de cirurgias, procedimentos e exames invasivos errados, no paciente errado e/ou no local errado.

O TIME OUT deve ser feito na sala em que a cirurgia, procedimento ou exame invasivo será realizado, antes do seu início.

Neste momento, o enfermeiro confere com o médico e com o anestesista, em voz alta, determinados itens de verificação.

Itens de Verificação

  • Paciente certo: checagem da identificação do paciente quanto ao nome completo e número do prontuário;
  • Procedimento certo: checagem no prontuário do procedimento agendado;
  • Local certo: local da cirurgia demarcado de acordo com o procedimento agendado;
  • Equipamentos, materiais e medicamentos certos em sala, conforme estabelecido pela equipe médica;
  • Documentação certa: anamnese, exame físico, avaliação pré-anestésica e consentimentos preenchidos; exames complementares relevantes para o procedimento em sala.

Lembre-se:
Para assegurar o sucesso do TIME OUT, os pacientes devem ser encaminhados ao Bloco Cirúrgico ou à sala de exame ou procedimento com a documentação certa preenchida previamente, no consultório ou na unidade de internação.

Documentação Certa
  • Anamnese e exame físico;
  • Demarcação do sítio cirúrgico;
  • Avaliação pré-anestésica;
  • Consentimentos cirúrgico;
  • Consentimento anestésico;
  • Exames complementares e imagens relevantes para a cirurgia, exame ou procedimento. ​

Referência:

  1. Hospital Albert Einstein

Abdominoplastia e os Cuidados de Enfermagem

A abdominoplastia, também conhecida como demolipectomia, é um procedimento cirúrgico estético que objetiva remover gordura e pele em excesso da região abdominal, habitualmente por motivos estéticos.

Parede Abdominal

A parede abdominal é composta por diversas camadas responsáveis por envolver e proteger as estruturas situadas na cavidade abdominal.

Logo abaixo da pele encontra-se o tecido subcutâneo, formado especialmente por tecido adiposo e, mais profundamente, encontram-se três camadas superpostas de tecido muscular, responsáveis pela contração abdominal com compressão das estruturas profundas viscerais.

De todas as partes do organismo, o tecido subcutâneo do abdômen, na maior parte das vezes, é o local onde a gordura mais se acumula.

Indicações

O procedimento de abdominoplastia é indicado em casos de envelhecimento, excesso de pele devido à grande perda de peso ou então resultante de gestações. Dependendo do tipo de problema ocorrido, pode ser necessária a correção das paredes musculares profundas do abdômen, ou apenas os da superfície, na região do subcutâneo.

O Procedimento

Anteriormente à realização da abdominoplastia, são solicitados alguns exames de rotina, como exames de sangue (coagulograma, hemograma, glicose, função renal e proteínas), de urina e eletrocardiograma.

Normalmente, aplica-se anestesia geral nesse tipo de cirurgia, mas também pode ser peridural ou similar. Realiza-se uma incisão horizontalmente acima da implantação dos pelos pubianos, prolongando-se lateralmente em maior ou menor extensão, variando de acordo com o volume do abdômen a ser corrigido.

Por conseguinte, desloca-se amplamente a parede anterior e lateral do abdômen, possibilitando uma visualização da parede muscular, bem como as correções necessárias.

Após corrigido os defeitos, tanto das paredes profundas quanto superficiais, é feito o fechamento da parede e reposicionamento da cicatriz umbilical em sua posição natural. Subsequentemente, o paciente é colocado na cama com o corpo semi-flexionado para evitar a tração dos tecidos remodelados.

No geral, a hospitalização para este tipo de procedimento gira em torno de 2 a 3 dias.

Complicações

As complicações são raras, mas podem ocorrer, como: infecções, hematomas, seroma, problemas na cicatrização e trombose.

Cuidados de Enfermagem

Durante as primeiras 48h do pós-operatório é normal o paciente apresentar dor que é controlada por meio do uso de anti-inflamatórios e analgésicos.

Durantes os primeiros 15 dias após a cirurgia, deve-se evitar realizar esforço físico, devido ao risco de ruptura das suturas feitas na musculatura.

O paciente retorna à sua rotina normal gradativamente, sendo que a cicatriz final irá depender basicamente da cicatrização individual.

Outros cuidados:

  • Orientar o paciente em procedimentos pré e pós-operatórios;
  • Participar ou colaborar em tratamentos que visem a correção de distúrbios congênitos ou adquiridos;
  • Avaliar a assistência de enfermagem aos clientes em todas etapas dos procedimentos fornecendo suporte técnico educativo adequado a sua equipe;
  • Realizar atividades gerenciais e administrativas, estando a par de todos os acontecimentos;
  • Assegurar ambiente adequado ao cliente e sua família, atendendo-os de forma humanizada e respeitosa durante a continuidade do tratamento;
  • Promover a educação do cliente e da equipe sobre aspectos relativos a prevenção e recuperação de problemas de ordem estética;
  • Manter responsabilidade técnica e de supervisão a instituição assistida;
  • Aplicar condutas terapêuticas, recuperação e ou reabilitação;
  • Documentar os procedimentos em todas as suas etapas, por registro escrito e fotográfico;
  • Atuar em equipe de forma cooperativa, dentre outras atribuições;
  • Cuidados circulatórios, como a insuficiência venosa;
  • Controle da dor;
  • Cuidado com sondas e drenos;
  • Monitorar sinais vitais (SSVV);
  • Cuidados com o local de incisão;
  • Usar orientação antecipada para preparar o paciente para mudanças previsíveis na imagem corporal.

Referências:

  1. http://www.portalcirurgiaplastica.com.br/abdominoplastia/
  2. http://abdominoplastiamed.com/
  3. http://www.zamarian.com.br/html/corpo/abdominoplastia/abdomen.html
  4. ORTOLAN, M. Enfermagem estética: ações e atos do enfermeiro do processo de cuidar. 2007. Trabalho de conclusão de curso-Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007
  5. PARK, A. Importância da SAE na efetivação de uma assistência de enfermagem de qualidade. Anaisdo v SEPE e v Jornada de Iniciação Científica.vol.v, RS, 2015
  6. PERSKI, R. Sistema agroflorestais em pequenas propriedades no município de hulha negra. URCAMP. Bagé/RS, 2004. Disponivel em: https://scholar.google.com.br 
  7. PETRY et al.Cirurgia plástica estética: experiências sobre (re) construções corporais e implicações para enfermagem. Revista rene.RS.2015 mar-abr; p.185-93. Disponivel em: http://www.revistarene.ufc.br/revista/index.php/revista. 
  8. REMIZOSKI, J. ROCHA, M. VALL, J. Dificuldades da implantação da sistematização da assistência de enfermagem – SAE: Uma revista teórica. Caderno da escola de saúde, Curitiba, 03: 1-14, 2010. Disponivel em:http://revistas.facbrasil.edu.br 
  9. SALDANHA et al. Fatores preditivos para complicações em procedimentos de cirurgia plástica – sugere escores de segurança. Revista brasileira de cirurgia plastica, 2014,Sao Paulo,v. 29, n. 1
  10. SBCP, A idade deve ser um fator para a realização de cirurgia plástica, Sociedade Brasileira de cirurgia plástica, São Paulo. 2014 Disponivel em: http://www2.cirurgiaplastica.org.br/a idade deve ser um fator para realização de cirurgia plástica
  11. SERRA et al. Assistência de enfermagem no pós-operatório imediato: estudo transversal.Revista brasileira de enfermagem. Ceara, mar:2015,14(2):161-7. Disponivel: http://www.objnursing.uff.br/index.php/nursing/article/view/5082. 
  12. SILVA, A. MORAES, M. Incidência de dor no pós-operatório de cirurgia estética. Revista Dor.SP.2010; p.136-139.
  13. SILVA, R. SANTOS, M. Sistematização da assistência de enfermagem como uma estratégia para autonomia do enfermeiro. Revista nursing. Salvador, JanNov;2009;12 (136): 435-442. Disponivel em:http://ba.corens.portalcofen.gov.br/wpcontent/uploads/2013/03/sistematização da assistência de enfermagem como uma estratégia para autonomia do enfermeiro.

Gastroplastia em Y de Roux

A cirurgia bariátrica (gastroplastia) mais realizada no Brasil e no mundo atualmente é o Bypass Gástrico em Y de Roux ou Cirurgia de Fobi-Capella. É uma cirurgia que reduz o tamanho do estômago dividindo-o em dois, sendo assim, a parte maior é separada e não recebe mais alimentos.

Já a parte menor, que tem cerca de 30 ml é ligada diretamente a uma parte do intestino. Como o trajeto do alimento é reduzido, sua absorção também diminui. Como a parte do estômago que recebe o alimento fica bem menor, o paciente tem a sensação de saciedade mais cedo.

Efetividade

É uma das técnicas que apresenta melhor efetividade, porque a perda de peso é controlada podendo chegar a 40% do peso inicial. Nos 30 dias seguintes da cirurgia bariátrica, o paciente deve só se alimentar com líquidos. Só depois que os alimentos sólidos são introduzidos à dieta, sempre com orientação do cirurgião bariátrico e de um nutricionista.

O bom resultado da cirurgia bariátrica se dá através de um conjunto de fatores, entre eles: atividade física, redução da ingestão de calorias devido a menor capacidade do estômago e alterações anatômicas que, por exemplo, ocasiona uma alteração hormonal que auxilia na redução de apetite do paciente.

Como é feito?

O estômago é diminuído através de grampeamentos, sem retirar nenhuma parte do estômago nem do intestino – é apenas um desvio – reduzindo o espaço para o alimento e desviando o intestino inicial, o que acarreta alterações hormonais que dão saciedade e diminuem a fome.

Esses dois fatores juntos, a menor ingestão de alimentos e aumento da saciedade, além das mudanças de hábitos de vida orientadas pela equipe multidisciplinar, levam ao emagrecimento e controlam as doenças associadas, como a hipertensão arterial e o diabetes.

Pode ser realizada por videolaparoscopia ou aberta (por corte), podendo ser com anel ou sem anel. O anel de Silastic pode ser colocado, mas não é obrigatório e pode até ser contraindicado em algumas situações.

Alguns cuidados

  • Ingestão correta de líquidos, para que não ocorra desidratação ou formação de cálculo renal, o consumo de comidas muito calóricas pode ocasionar tonturas e diarreias e por isso deve ser evitado;
  • A reposição oral de vitaminas também deve ser feita, já que ocorre a alteração no caminho do alimento e a absorção de nutrientes pode estar diminuída;
  • Orientar o paciente a monitorar sinais de desconforto respiratório, febre e acúmulo de secreções;
  • Enfatizar a importância de não ingerir líquidos 15 minutos antes de cada refeição e até 90 minutos depois, para evitar desconforto gástrico, pois beber e comer juntos aumenta a distensão gástrica, o que resulta em sensação de estofamento e até vômitos. Reforçar que a ingestão de líquidos que, além de evitar a desidratação, auxilia na
    perda de peso, deve ser feita gradativamente de acordo com a capacidade gástrica;
  • Avaliar débito urinário no sistema de drenagem fechada ou o desejo do paciente e a distensão vesical;
  • Auscultar o abdome para determinar a presença e a localização dos ruídos hidroaéreos; Monitorizar presença de íleo paralítico (os ruídos hidroaéreos deverão retornar em média de 6 a 12 h após a cirurgia), flatulência, distensão abdominal;
  • Orientar o paciente a comunicar desconforto em região supra púbica;
  • Registrar a coloração, o odor, a consistência, a quantidade e a frequência das evacuações;
  • Verificar presença, aspecto, características e frequência de eliminações intestinais;
  • Observar e anotar eliminações e outras perdas como: diurese, vômitos, débitos de drenos, ingestão hídrica;
  • Medir diariamente o débito do dreno de Blake; – Comunicar à equipe médica para tomar as condutas necessárias, como a necessidade de sondagem vesical de alívio;
  • Reforçar que a atividade física é muito importante para os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, pois a perda de peso será mais rápida;
  • Orientar o paciente para que evite esforços físicos excessivos nos primeiros 90 dias. Caminhadas leves, de curta distância (pela manhã, próximo ao almoço e à tarde), poderão ser feitas conforme a resistência, progredindo lentamente, aumentando 01 minuto por dia;
  • Motivar e estimular a participação do paciente nas atividades de autocuidado;
  • Estimular o paciente a participar de atividades de lazer logo que possível;
  • Explicar a importância das estratégias para manter o sono eficaz.

Referências:

  1. BARTH, M. M ; JEFERSON, C. E. Cuidados de enfermagem pós-operatória de pacientes com bypass gástrico. American Journal of Critical Care, v.15, n. 4, jun., 2006. 
  2. FONTES, Helio Augusto. Gastroplastia – O que é essa cirurgia, como é feita, resultados. Disponível em: < http://www.copacabanarunners.net/gastroplastia.html&gt; .
  3. MOREIRA, Rosa Aparecida Nogueira et al. Diagnósticos de enfermagem, fatores relacionados e de risco no pós-operatório de cirurgia bariátrica. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 47, n. 1, p. 168-175, 2013.
  4. NEGRÃO, Renata de Jesus da Silva. Cirurgia bariátrica: revisão sistemática e cuidados de enfermagem no pós-operatório. 2006. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo.
    NIBI, Fabiana Aparecida. Cuidados intensivos no pós-operatório imediato de cirurgia bariátrica. Revista Uninga. Maringa: PR. 2014.

Mapa Cirúrgico: Para que serve?

Um mapa cirúrgico nada mais é do que um relatório que apresenta, separadamente, cada profissional, cada cirurgia com suas respectivas datas, os dados do paciente, o procedimento a ser realizado, materiais e medicamentos utilizados, observações e o total de cirurgias por dia e por profissional.

De acordo com a configuração da janela inicial de parâmetros, deve-se definir as informações mediante com o intervalo desejado e se os dados serão separados por Médico ou por Sala Cirúrgica. Para que seja possível a emissão deste relatório, é preciso que existam movimentações na rotina.

Como funciona?

As reservas cirúrgicas são agendadas nos horários disponíveis das salas do centro cirúrgico e do profissional médico. Para que o agendamento seja possível, deve haver harmonia entre o setor, plano, médico e procedimento.

Essa rotina vai permitir um maior controle da marcação das cirurgias de forma segura e com a garantia da integridade das informações. Todo atendimento do centro cirúrgico será bem organizado, considerando toda a programação da agenda do hospital.

Dessa maneira, para que a rotina seja efetuada corretamente, é necessário que os horários de uso das salas e da disponibilidade do médico já tenham sido gerados, seguindo a disponibilidade cirúrgica.

Preparação da Sala Cirúrgica

A montagem da sala cirúrgica é uma atividade primordial e de responsabilidade da equipe de Enfermagem do Centro Cirúrgico. Toda a organização e o planejamento nesta atividade envolve o conhecimento do mapa cirúrgico, a dinâmica das cirurgias, os instrumentos utilizados e sua interface junto à Central de Material e Esterilização (CME).

O mapa cirúrgico irá possibilitar que a equipe saiba o nome e idade do paciente, o procedimento que será realizado, os integrantes da equipe médica, o horário, o tipo de convênio e outras observações de destaque que cada serviço dispõe no mapa.

A partir dessas informações, a sala deve estar preparada com os equipamentos básicos que a compõem e os materiais/instrumentais cirúrgicos necessários que serão usados em cada procedimento específico.

A montagem da sala cirúrgica inclui a disponibilização de insumos básicos como:

  • luvas estéreis;
  • luvas de procedimentos;
  • agulhas;
  • seringas;
  • equipos;
  • escovas para degermação;
  • micropore e esparadrapo;
  • soluções antissépticas;
  • soros;
  • fios cirúrgicos;
  • manopla;
  • cubas;
  • recipientes para anatomopatológico;
  • compressas estéreis;
  • lap e aventais estéreis;
  • por fim, instrumentais e dispositivos médicos específicos de acordo com cada cirurgia;
  • Além de toda a montagem, após o término de cada cirurgia, é necessário que a sala seja organizada novamente, seguindo o mapa cirúrgico, para o próximo procedimento, executando ações como a limpeza e descontaminação da sala, pensando na segurança do paciente.

Benefícios do Mapa Cirúrgico

  • Organização e mais facilidade de realizar tarefas;
  • Mais rapidez na hora de preparar as salas cirúrgicas, identificar novos procedimentos e como lidar com as individualidades de cada paciente;
  • Identificação prévia dos riscos existentes no ambiente hospitalar e quais são os riscos que podem expor a equipe e o paciente;
  • Conscientização sobre o uso adequados das medidas e dos equipamentos de proteção coletiva e individual;
  • Redução de gastos com acidentes e doenças, medicação, indenização, substituição de profissionais e danos a qualquer tipo de paciente;
  • Facilitação da gestão de saúde e segurança na cirurgia, com o aumento da segurança interna e externa;
  • Melhor clima organizacional, maior produtividade e chances de resultados assertivos.

Referência:

  1. FERREIRA, Maria de Jesus Veríssimo et al.. CONSTRUÇÃO DE UM MAPA CIRÚRGICO: FERRAMENTA DE QUALIDADE NA SEGURANÇA DO PACIENTE.. In: Anais da 15ª Jornada Norte Nordeste de Centro Cirúrgico e Central e Esterilização. Anais…Fortaleza(CE) Ponta Mar Hotel, 2019. Disponível em: <https//www.even3.com.br/anais/15jnnccce/129310-CONSTRUCAO-DE-UM-MAPA-CIRURGICO–FERRAMENTA-DE-QUALIDADE-NA-SEGURANCA-DO-PACIENTE>. 

Amigdalectomia

A Amigdalectomia ou Tonsilectomia é o procedimento realizado para a remoção das amígdalas.

Pode ser realizada como procedimento isolado, ou combinada a outros procedimentos como a retirada da adenoide (adenoidectomia), a cauterização de cornetos ou a colocação de tubos de ventilação.

Ao contrário do que você possa imaginar, a retirada das amígdalas não causa queda na imunidade, já que existem outros componentes do nosso corpo responsáveis pelo fortalecimento do sistema imunológico.

Indicações

  • mais de sete episódios de dor ou inflamação da garganta por ano;
  • mais de cinco episódios de dor ou inflamação da garganta por ano, durante dois anos consecutivos;
  • três episódios de dor ou inchaço da garganta ao ano durante três anos seguidos;
  • aumento no tamanho das amígdalas.

É importante destacar que o procedimento também possui contra-indicações. Pacientes que estão com alterações dos fatores de coagulação e processos inflamatórios ou infecciosos ativos nas vias aéreas superiores, ou sofrem com anemias moderadas e graves não devem se submeter à cirurgia sem a correção prévia do problema.

Como é realizado?

A amigdalectomia é um procedimento considerado bastante rápido e simples. Para retirar as amígdalas, o cirurgião responsável insere uma espécie de pinça pela própria boca do paciente e realiza uma pequena incisão na borda anterior da amígdala para removê-la por completo.

Após a retirada, o cirurgião utiliza eletrocautério e pontos para controlar possíveis sangramentos na região. Os pontos caem espontaneamente cerca de uma semana após o procedimento, não sendo necessário retirá-los em consultório. A cirurgia é realizada sob anestesia geral, possui duração média entre 30 minutos e 1 hora e é considerada bastante simples e segura.

Cuidados Pós Cirúrgicos

  • Alimentação: após a cirurgia, engolir pode ser bem incômodo e, por isso, a alimentação deve ser restrita. Nos três primeiros dias, os alimentos devem ser líquidos, pastosos e frios. Uma boa opção, principalmente para as crianças, é tomar sorvetes e sucos gelados, por exemplo;
  • Repouso: na primeira semana, o paciente deve ficar em repouso, evitando qualquer tipo de esforço. Atividades físicas só estão liberadas cerca de 30 dias após o procedimento, podendo variar para mais ou para menos dependendo da recomendação médica para cada caso;
  • Higienização bucal: a escovação da parte posterior da garganta deve ser realizada com muito cuidado, a fim de evitar que a escova de dente entre em contato com a região em processo de cicatrização. Bochechos e gargarejos devem ser evitados durante a primeira semana pós-cirurgia.

Além disso, vale ressaltar que infecções e dores de garganta são comuns nos primeiros dias após a cirurgia. Nesses casos, o médico pode orientar o paciente a fazer uso de analgésicos e anti-inflamatórios para controlar os sintomas.

Referências:

  1. CDO (Centro de Diagnóstico Otorrinolaringológico)

Nefropexia: O “Rim Caído”

Uma anormalidade nos posicionamento dos rins, como por exemplo, a Ptose Renal (ou Rim Caído),  tem como indicação a correção anatômica através do procedimento de Nefropexia.

Como é feito a Nefropexia?

É feito a fixação cirúrgica do rim na parede posterolateral da cavidade retroperitoneal, podendo ser realizada através da videolaparoscopia, uma técnica inovadora, com tempo operatório médio em torno de até sessenta minutos e permanência hospitalar de apenas um dia.

Graças a este procedimento minimamente invasivo, os pacientes apresentam completo restabelecimento em tempo bastante curto, retornando rapidamente às suas atividades profissionais.

Cuidados de Enfermagem

  • Preparar o paciente para a cirurgia, com informações a respeito da rotina da sala de cirurgia, administrar antibióticos para a limpeza intestinal;
  • Avaliar os fatores de risco para a tromboembolia (como fumo, uso de anticoncepcionais orais, varizes nas extremidades inferiorres), e aplicar meias elásticas, se prescrito;
  • Rever os exercícios com a perna e fornecer informações a respeito das meias compressivas que serão utilizadas no pós-operatório;
  • Avaliar o estado pulmonar (como a presença de dispneia, tosse produtiva, outros sintomas cardíacos relacionados) e ensinar os exercícios de respiração profunda, tosse eficaz e o uso de espirômetro de incentivo.

Referência:

  1. https://treat-simply.com/pt/records/3645

Mesa de Mayo: Para que serve?


A Mesa de Mayo às vezes chamada de mesa cirúrgica, é uma mesa auxiliar localizada dentro da sala de cirurgia, e em setores de assistência na qual estão dispostos todos os instrumentos cirúrgicos necessários à um procedimento.

Geralmente, o material com o qual a mesa Mayo é construída é aço inoxidável e tem uma superfície plana e uma perna com rodas para que possa ser facilmente movida conforme necessário.

Por que esse nome, Mayo?

A mesa cirúrgica foi inventada pelos irmãos William Mayo e Charles Mayo, filhos do médico William Worrall Mayo, fundador da prestigiosa Mayo Clinic em Minnesota, Estados Unidos.

Os dois irmãos, ambos cirurgiões, substituíram a Clínica Mayo do pai e introduziram várias inovações no campo da cirurgia, sendo a mesa de mayo cirúrgica uma delas.

A Real Finalidade da Mesa de Mayo

É utilizada para colocar todos os instrumentos cirúrgicos de que o cirurgião precisará imediatamente para realizar uma procedimento. Tendo como objetivo ter todo o material cirúrgico em mãos para dar continuidade aos horários específicos da intervenção de acordo com as manobras do cirurgião. Dessa forma, o instrumentador não perde tempo procurando o material que o cirurgião solicita durante a cirurgia.

Em setores assistenciais (enfermarias, UTIs, ambulatórios), a Mesa de Mayo serve para auxiliar procedimentos corriqueiros de enfermagem, como sondagens, cateterismos, até procedimentos julgados pequenos, como traqueostomia, drenagem torácica.

Existem Mesas de Mayos que podem ser utilizados para as refeições, já que se encaixam no leito hospitalar, proporcionando conforto ao paciente.

Onde as Mesas de Mayo são colocadas, durante um procedimento cirúrgico?

Durante a cirurgia, são utilizadas mais duas mesas além da mesa de Mayo: a mesa de rins(mesa de riñón ou mesa circular) e a mesa de instrumentos cirúrgicos.

A localização da mesa do instrumental cirúrgico é de extrema importância para o correto desenvolvimento da cirurgia. Deve ser colocado em um local que permita ao instrumentador visualizar os movimentos e indicações do cirurgião a todo momento.

O instrumentador deve acompanhar o desenvolvimento da cirurgia em todos os momentos e se antecipar às necessidades do cirurgião e de sua equipe, que geralmente se posicionam do lado direito para realizar as intervenções.

A mesa de Mayo, por conter os instrumentos de que o cirurgião vai precisar imediatamente, é colocada sobre o paciente sem entrar em contato com ele, graças ao seu único pé que fica de um lado da mesa.

Como é montado a Mesa de Mayo?

Existem duas técnicas para montar a mesa instrumental de Mayo . Antes de prosseguir, o instrumentador deve usar uma capote e luvas estéreis. Em uma delas, ele usa uma longo campo duplo de tecido, semelhante às usadas em travesseiros, e sobre ela é colocada uma bandeja esterilizada.

A outra opção é colocar uma bandeja que já está dentro da tampa. Para isso, retrai-se da tampa, que vem com uma grande dobra por onde são inseridas as mãos que devem segurar a bandeja, e desliza-a junto à tampa até cobrir a mesa.

Como os instrumentos cirúrgicos são preparados na mesa?

O instrumentador é responsável pela disposição dos instrumentos na mesa auxiliar cirúrgica, devendo fazê-lo levando em consideração a ordem em que serão necessários e os tempos de operação. Para fazer isso, execute uma divisão da tabela de mayo.

  • Metade posterior: nesta parte da mesa, coloque os instrumentos necessários para corte, hemostasia, tração e sutura.
  • Metade anterior: nesta parte, coloque os instrumentos necessários para dissecção e separação.

A Circulação Extracorpórea (CEC)

A Circulação Extracorpórea (CEC) é um recurso conceitualmente simples, seguro e de fácil manuseio.

Ela é utilizada na cirurgia cardíaca para desviar o sangue não oxigenado do paciente e devolver sangue reoxigenado para a sua circulação. Essa técnica é feita por uma bomba oxigenadora (máquina coração – pulmão).

Esta técnica é realizada por pelo profissional Perfusionista, é o membro da equipe habilitado para operar a máquina de Circulação Extracorpórea e demais acessórios, sendo responsável pela manutenção das funções cardiorrespiratórias do paciente durante o procedimento, além do seu equilíbrio bioquímico, hematológico e hidroeletrolítico.

Este profissional deve reunir qualidades como: agilidade, atenção, compromisso, consciência, ética, precisão, responsabilidade e, principalmente, interdisciplinaridade.

Como é o esquema?

Durante a circulação extracorpórea o sangue venoso é drenado para um reservatório e bombeado através de um oxigenador. O sangue oxigenado retorna para o recipiente através de um tubo conectado à circulação arterial.

O sangue extravasado (durante o procedimento) para o campo cirúrgico é drenado por bombas auxiliares, filtrado e devolvido para o reservatório e circulação do paciente. A temperatura do paciente pode ser controlada pelo sangue que passa em um trocador de calor integrado ao sistema de oxigenação.

As quatro finalidades da bomba oxigenadora são:

– Desviar a circulação do coração e dos pulmões, oferecendo ao cirurgião um campo sem sangue;
– Realizar todas as trocas gasosas para o corpo enquanto o sistema cardiopulmonar do paciente está em repouso;
– Filtrar, reaquecer e resfriar o sangue; e
– Circular o sangue filtrado e oxigenado de volta para o sistema arterial.

A máquina tem de ser ativada (cheia) antes de o procedimento começar. No passado, isso era feito com três a quatro litros de sangue heparinizado, mas hoje em dia geralmente é feito com solução fisiológica cristaloide (por exemplo, lactato de Ringer).

Após a abertura do tórax do paciente o cirurgião introduz duas cânulas de largo calibre no átrio direito e, em seguida, nas veias cavas inferior e superior e cateteres de sucção dentro da cavidade torácica e dentro dos ventrículos.

Antes do início da circulação extracorpórea, o paciente necessita ser anticoagulado para neutralizar a cascata da coagulação pelo contato sanguíneo com tubos e circuitos não endotelizados. Isso é possível por meio da administração intravenosa de heparina, geralmente na dose de 300 a 400 U/kg (3 a 4 ml/kg).

Em seguida, o sangue é bombeado das veias cavas, da cavidade torácica e dos ventrículos para dentro da bomba oxigenadora. Na máquina, o trocador de calor reaquece (ou esfria o sangue, se o cirurgião desejar hipotermia).

Um oxigenador em seguida remove o dióxido de carbono do sangue e adiciona oxigênio. Finalmente o sangue passa por meio de um filtro que remove as bolhas de ar e outros êmbolos antes de retornar esse sangue para o corpo através da aorta.

Procedimento para finalização da circulação extracorpórea:

– Depois de o procedimento intracardíaco ter sido completado, todo o ar deve ser evacuado do ventrículo esquerdo. Uma dose aquecida de solução cardioplégica pode ser dada, depois da qual a pinça de clampeamento é removida;

– Muitas vezes, a desfibrilação é espontânea com a remoção do clampeamento aórtico e entrada de sangue quente dentro da circulação coronária. Se não ocorrer, torna-se necessária a desfibrilação elétrica. Cabos de marca-passo temporário são conectados ao átrio e ao ventrículo;

– É reduzido o fluxo de sangue venoso à bomba. O fluxo arterial também é reduzido para igualar o retorno venoso. Quando o funcionamento cardíaco for suficiente e a pressão sanguínea sistêmica tiver se estabilizado, o retorno venoso é reduzido ainda mais e o paciente é desligado da circulação extracorpórea, pinçando-se todas as vias de acesso e parando a bomba;

– À medida que são removidos os cateteres de canulação, as suturas em bolsas são apertadas e cortadas. Suturas adicionais podem ser necessárias para hemostase;

– Os tubos torácicos devem ser introduzidos dentro do pericárdio (e da cavidade pleural, caso a pleura tenha sido aberta);

– É administrado sulfato de protamina, um antagonista da heparina;

– Usualmente o pericárdio é deixado aberto, de modo que o acúmulo de secreções não produza tamponamento cardíaco.

Períodos Perioperatórios

Perioperatório

O Perioperatório é o termo usado para o período de tempo que vai desde que o cirurgião decide indicar a operação e comunica ao paciente até que este último retorne, depois da alta hospitalar, às atividades normais.

Este conceito vem ganhando importância em função da necessidade de avaliar o risco de complicações relacionadas às intervenções cirúrgicas. Os notáveis avanços na medicina e na cirurgia permitiram a realização de intervenções cirúrgicas em pacientes mais graves para os quais realizar uma operação era impensável.

As Fases do Perioperatório

1 – O pré-operatório que engloba a avaliação pré-operatória na qual é avaliado o risco de complicações frente ao estado de saúde do paciente.

Pode ser subdividido em:

  • Pré-operatório mediato (começa no momento da indicação da operação e termina 24 horas antes do seu início. Geralmente, nesse período o paciente ainda não se encontra internado);
  • Pré-operatório imediato (Esta fase compreende as 24 horas que antecedem a operação. De um modo geral, o paciente é admitido no hospital dentro desse período, com o objetivo de ser devidamente preparado para o ato cirúrgico).

2 – O intraoperatório que consiste na intervenção propriamente dita, realizada dentro do centro cirúrgico.

3 – O pós-operatório que compreende o período entre a saída do centro cirúrgico e o retorno do paciente às atividades normais. Muitas das complicações acontecem nesta fase e a vigilância da equipe de saúde deve ser tão mais intensa quanto maior o risco de complicações estimado na avaliação pré-operatória.

Podendo ser subdividido em:

  • Pós-operatório imediato (POI – É a fase que se inicia com o final da cirurgia e vai até as 24 horas subsequentes deste final);
  • Pós-operatório mediato (POM – É a fase que se inicia após as 24 horas da cirurgia e vai até a alta hospitalar do paciente);
  • Pós-operatório tardio (POT – É a fase que se inicia com a alta hospitalar e vai até a alta médica).

Histórias

Zbigniew Religa: O Médico Cardiologista Notório e sua imagem mais famosa

A descrição não deixa de ser verdadeira, mas nem de longe dá conta da complexidade que a imagem representa. Tirada em 1987, na Polônia, a fotografia retrata uma sala de cirurgia 23 horas depois do início de um transplante de coração. O tempo transcorrido explica não só a expressão do médico, mas também a condição […]