Desbridamento Autolítico: Coberturas

O desbridamento autolítico é um processo natural de limpeza da ferida, onde o próprio organismo utiliza suas próprias enzimas para remover o tecido necrosado (morto). É como se o corpo fizesse uma limpeza interna, promovendo a cicatrização.

Como funciona?

As coberturas utilizadas nesse processo, como hidrogel e hidrocolóides, criam um ambiente úmido na ferida, o que facilita a ação das enzimas, e as enzimas presentes no organismo começam a decompor o tecido morto, transformando-o em um material gelatinoso que pode ser facilmente removido com a troca do curativo.

Coberturas para Desbridamento Autolítico

Cada cobertura possui características específicas que as tornam mais adequadas para diferentes tipos de feridas e estágios de cicatrização.

Hidrogel

    • Forma um gel na ferida, proporcionando um ambiente úmido e resfriante.
    • Indicado para feridas secas e com necrose.
    • Auxilia na remoção do tecido necrótico e na redução do odor.

Hidrocolóide

    • Forma um gel na superfície da ferida, mantendo a umidade e protegendo os tecidos saudáveis.
    • Indicado para feridas com pouco ou moderado exsudato.
    • Auxilia na remoção do tecido necrótico e na promoção da granulação.

Hidropolímero

    • Absorve o exsudato e mantém a umidade da ferida, proporcionando um ambiente ideal para a cicatrização.
    • Indicado para feridas com moderado a alto exsudato.
    • Auxilia na remoção do tecido necrótico e na prevenção da maceração.

Hidrofibra

    • Fibras altamente absorventes que formam um gel em contato com o exsudato.
    • Indicado para feridas com alto exsudato e cavitárias.
    • Auxilia na remoção do tecido necrótico e na manutenção de um ambiente úmido.

Fibras hidrodesbridantes

    • Fibras que interagem com o exsudato, formando um gel que facilita a remoção do tecido necrosado.
    • Indicado para feridas com tecido necrótico aderido.
    • Auxilia na remoção do tecido necrosado de forma suave e indolor.

Iodo cadexômero

    • Libera iodo de forma gradual, proporcionando ação antimicrobiana e auxiliando na remoção do tecido necrosado.
    • Indicado para feridas infectadas ou com risco de infecção.
    • Auxilia na prevenção da colonização bacteriana e na promoção da cicatrização.

Quando usar o Desbridamento Autolítico?

  • Feridas com tecido necrosado.
  • Feridas superficiais.
  • Pacientes com pouca dor.
  • Quando outros métodos de desbridamento não são adequados.

É importante ressaltar que a escolha da cobertura ideal e a condução do tratamento devem ser realizadas por um profissional de saúde qualificado.

Referência:

  1. SOBEST; URGO. Preparo do leito da ferida. 2016. Disponível em: https://sobest.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Preparo-do-leito-da-ferida_SOBEST-e-URGO-2016.pdf

Coberturas e Correlatos de feridas: As diferenças

No contexto médico, especialmente no cuidado de feridas, coberturas e correlatos são termos distintos, embora interligados, com funções específicas no processo de cicatrização.

Entenda as diferenças

Coberturas

  • Função principal: Entrar em contato direto com a ferida, proporcionando um ambiente propício para a cicatrização.
  • Tipos: Variedade imensa, desde curativos simples (gaze, algodão) até produtos complexos (coberturas bioabsorvíveis, películas de hidrogel).
  • Características: Escolha depende das características da ferida (exsudato, profundidade, tecido necrosado, etc.), objetivo do tratamento (absorção, cicatrização úmida, controle de infecção) e perfil do paciente.
  • Exemplos:
    • Gaze: Absorve exsudato, facilita troca gasosa.
    • Cobertura de hidrogel: Mantém ambiente úmido, favorece desbridamento autolítico.
    • Alginato: Altamente absorvente, controla sangramento, indicado para feridas cavitadas.

Correlatos

  • Função principal: Complementar a ação das coberturas, auxiliando no processo de cicatrização.
  • Tipos: Antisépticos, soluções de limpeza, cremes, pomadas, gazes impregnadas com antimicrobianos, drenos, ataduras, bandagens, etc.
  • Características: Escolha depende da cobertura utilizada, características da ferida e comorbidades do paciente.
  • Exemplos:
    • Solução de salina: Limpa a ferida, remove sujidades e detritos.
    • Antisséptico: Combate microrganismos, reduz risco de infecção.
    • Pomada cicatrizante: Estimula cicatrização, reduz formação de queloides.
    • Drenos: Removem líquidos e secreções da ferida, impedem acúmulo e formação de hematomas.

Em resumo

  • Coberturas: “Vestem” a ferida, criando um ambiente ideal para cicatrização.
  • Correlatos: “Acessórios” que complementam as coberturas, otimizando o processo.

Juntas: Coberturas e correlatos trabalham em sinergia para promover a cicatrização rápida e eficaz, prevenindo infecções e complicações.

Observações importantes

  • A escolha correta de coberturas e correlatos deve ser feita por um profissional enfermeiro, com base em avaliação individual da ferida e do paciente.
  • Automedicação pode atrasar a cicatrização e colocar em risco a saúde.
  • Siga rigorosamente as instruções do profissional quanto à troca de curativos e uso dos produtos.
  • Mantenha dúvidas e preocupações em relação ao tratamento em aberto com o profissional responsável.

Referência:

  1. COREN-SP

Polytube

O Curativo Polytube é uma membrana polimérica recoberta por um filme semipermeável. É uma matriz de poliuretano de alta densidade composta por 3 copolímeros: agente de limpeza (surfactante F68)+ agente umectante (glicerina) + goma super absorvente (prata inorgânica).

BENEFÍCIO:

  • Redução da manipulação recorrente da ferida ou estoma;
  • Pode absorver até 20x o seu peso.
  • Pode ser recortado;
  • Acelera o processo de cicatrização;
  • Aumenta o conforto do paciente.

INDICAÇÃO DE USO:

  • Úlceras (diabéticas, venosas ou por pressão);
  • Desordens dermatológicas;
  • Queimaduras de 1º e 2º grau; Aplicação em estomas (traqueostomia, gastrostomia) e drenos;
  • Feridas exsudativas;
  • Feridas cavitárias;
  • Lesões agudas;
  • Deiscência cirúrgicas;
  • Locais de doação e enxerto.

PRECAUÇÃO/CONTRAINDICAÇÃO:

  • Não há

FREQUÊNCIA DE TROCA:

  • Troca quando ocorrer 80%da saturação do produto.
  • Tempo máximo de permanência é de 7 dias.

CONSIDERAÇÕES:

  • Funções: limpeza, absorção, hidratação e preenchimento de cavidade.

Curativo para Traqueostomia


Hoje em dia existem tecnologias à favor aos cuidados com o paciente traqueostomizado, obtendo coberturas para curativos essenciais ao cuidado tanto em âmbito hospitalar e domicilar, o que chamamos de “Curativos para Traqueostomia” à base de espuma de poliuretano e hidrocelular.

Vantagens

  • A estrutura exclusiva do curativo permite que o mesmo absorva grandes quantidades de secreção;
  • A secreção deve estar bem fluída para melhor absorção pelo curativo;
  • Previne a maceração e auxilia a manter as boas condições da pele na área periestomal;
  • Capacidade de permanecer no local por até 7 dias;
  • Minimiza a aderência tanto à pele periestomal quanto à cânula de traqueostomia, reduz o trauma ao paciente durante o uso e a troca;
  • A película externa de poliuretano do curativo age como barreira contra bactérias, prevenindo contaminação. É também uma barreira contra líquidos, o que evita extravazamento de secreções pela parte frontal do curativo;
  • O curativo proporciona aparência limpa e funcional que auxilia o paciente e seus cuidadores.

Algumas Observações e Cuidados de Enfermagem

  • O Curativo para Traqueostomias deve ser trocado antes que o curativo fique saturado.Isso ocorrerá quando for observada uma mancha escura sob a película externa, aproximadamente a 1 cm de distância da borda, quando o curativo secundário apresentar sinais de saturação (como aumento de volume) ou quando o curativo for retirado para trocas rotineiras;
  • Intervalo de Trocas: pode permanecer no local por até sete dias, dependendo da quantidade de exsudato, e durante o início do tratamento o curativo deve ser inspecionado regularmente, e a necessidade da frequência da troca deve ser avaliada pelo profissional da saúde responsável.

Hidrofibra

A Hidrofibra (Aquacel) é um curativo altamente absorvente para feridas com baixa a moderada exsudação, que proporciona um ambiente úmido facilitador do processo de granulação.

Este curativo é mais aderente devido a presença de uma camada de hidropolímero com capacidade de expansão e manutenção da adesão do curativo a lesão.

Apresentação

Apresentação em placa ou fita. Pode estar associado à prata.

BENEFÍCIO:

  • Mantém o meio úmido;
  • Favorece o desbridamento autolítico;
  • Absorve grande quantidade de exsudato;
  • Reduz a dor e o trauma no momento da troca;

INDICAÇÃO DE USO:

  • Feridas com moderada a grande quantidade de exsudato;
  • Feridas infectadas ou com risco de infecção;
  • Úlceras vasculares, diabéticas e LPP;
  • Queimaduras de espessura parcial (2ª grau);

PRECAUÇÃO/CONTRAINDICAÇÃO:

  • Feridas secas;
  • Sensibilidade aos componentes do produto.

FREQUÊNCIA DE TROCA:

  • Feridas limpas: até 7 dias;
  • Feridas infectadas: no máximo 3 dias;
  • Com prata: remover somente por vazamento, sangramento excessivo, dor ou em no máximo 7 dias.

CONSIDERAÇÕES:

  • Manter borda de no mínimo 1 a 2 cm em todos os lados;
  • Pode ser recortado;
  • Não deve ser associado com produtos à base de óleo.

Placa de Carvão Ativado

A Placa de Carvão Ativado é uma cobertura estéril, composto por uma camada de carvão ativado impregnado com prata inserida em um sachê de não tecido, podendo ser associado com prata.

Composição:

Uma camada de tecido de carvão ativado impregnado com prata inserido em um envoltório de não tecido com borda selada em toda sua extensão.

BENEFÍCIO:

  • Absorção;
  • Controla o odor;
  • Reduz flora bacteriana pela ação da prata.

INDICAÇÃO DE USO:

  • Feridas infectadas com ou sem odor;
  • Feridas profundas com exsudação moderadas à abundante.

PRECAUÇÃO/CONTRAINDICAÇÃO:

  • Feridas limpas;
  • Queimaduras;
  • Feridas pouco exsudativas, hemorrágicas ou com necrose de coagulação/escara.

FREQUÊNCIA DE TROCA:

  • A saturação do tecido de carvão ativado acontece, em média, em 3 a 4 dias, podendo ficar no leito até 7 dias;
  • Estabelecer necessidade de troca do curativo secundário conforme avaliação do profissional que acompanha o cuidado.

CONSIDERAÇÕES:

Havendo aumento do intervalo de trocas, devido à diminuição do exsudato, deve-se suspender o uso dessa cobertura para evitar o ressecamento do leito da ferida.

CURIOSIDADE: Existem hoje, no mercado, curativos a base de carvão ativado que podem ser recortados de acordo com o tamanho da lesão.

Óleo Ácido Graxo Essencial (AGE)

O óleo ácido graxo essencial (AGE) ou ácidos gordos essenciais são os ácidos graxos que não são produzidos bioquimicamente pelos seres humanos e devem ser adquiridos da dieta.

O termo “óleo ácido graxo essencial” refere-se aos ácidos graxos necessários aos processos biológicos e não à aqueles que funcionam como fonte de energia.

Este óleo vegetal é composto por ácido linoleico, ácido caprílico, ácido cárpico, vitamina A, E e lecitina de soja.

BENEFÍCIO:

  • Mantém o meio úmido;
  • Promove angiogênese;
  • Acelera o processo de granulação tecidual;
  • Forma película protetora na pele;
  • Auxilia o desbridamento autolítico;
  • Pode ser usado em qualquer fase de cicatrização.

INDICAÇÃO DE USO:

  • Prevenção de LPP;
  • Feridas com tecido de granulação.

PRECAUÇÃO/CONTRAINDICAÇÃO:

  • Pode ocorrer hipersensibilidade;
  • Feridas com necrose e /ou infecção.

FREQUÊNCIA DE TROCA:

  • Trocar no máximo a cada 24 h ou sempre que o curativo secundário estiver saturado.

CONSIDERAÇÕES:

  • O uso prolongado pode causar hipergranulação da ferida;
  • Pode ser associado a outras coberturas.