Teoria de Imogene King: A Teoria do Alcance de Metas na Enfermagem

Para nós, que estamos na linha de frente do cuidado, a enfermagem é muito mais do que a execução de tarefas e procedimentos; é uma interação humana profunda e intencional. É aqui que as grandes teóricas da nossa profissão nos dão ferramentas para ir além. Uma das mais relevantes é Imogene King e sua Teoria do Alcance de Metas (Theory of Goal Attainment).

A Teoria de King não é complicada. Ela nos convida a ver o cuidado como um processo de comunicação e negociação entre o enfermeiro e o paciente. Em vez de simplesmente “fazer pelo” paciente, King propõe que nós trabalhemos com ele para definir e atingir objetivos de saúde mutuamente acordados. Para um estudante de enfermagem, entender essa teoria é a chave para transformar um cuidado técnico em um cuidado verdadeiramente colaborativo e centrado no paciente.

Quem foi Imogene King?

Imogene King (1923–2007) foi uma enfermeira, pesquisadora e educadora norte-americana que dedicou sua carreira ao desenvolvimento do conhecimento teórico da enfermagem. Com formação sólida e ampla experiência clínica, King acreditava que o papel da enfermagem deveria ir além da execução de técnicas: o foco deveria ser o relacionamento interpessoal e o alcance de objetivos comuns de saúde.

Em 1981, ela apresentou sua Teoria do Alcance de Metas (Goal Attainment Theory), derivada de um modelo conceitual mais amplo chamado “Sistema de Interação Pessoal”, que integra os conceitos de pessoa, saúde e ambiente — considerados essenciais na enfermagem.

A base da Teoria do Alcance de Metas

Imogene King via o ser humano e o ambiente de forma sistêmica, organizando sua teoria em três sistemas inter-relacionados que influenciam o processo de cuidado:

Sistema Pessoal

Este é o indivíduo (paciente e enfermeiro), que possui percepções, um self, imagem corporal, espaço e tempo próprios.

  • Foco: A unicidade de cada pessoa. Para King, a percepção é fundamental. A forma como o paciente percebe sua doença e seu tratamento influencia diretamente sua resposta e participação no cuidado.

Sistema Interpessoal

Este é o domínio da interação e comunicação entre duas ou mais pessoas. É aqui que a relação enfermeiro-paciente acontece.

  • Foco: A interação e a comunicação. King argumenta que a clareza na comunicação leva a transações (trocas) bem-sucedidas. É a base para a negociação de metas.

Sistema Social

Este é o contexto maior: a família, o grupo, a comunidade, a escola ou o sistema de saúde. Inclui as regras, o status e os papéis sociais.

  • Foco: Como o ambiente social e as regras institucionais (políticas, responsabilidades) afetam o processo de cuidado e a consecução das metas.

Conceitos-chave da teoria

A teoria de King é estruturada em conceitos que ajudam o enfermeiro a compreender o processo de cuidado de forma ampla:

  • Percepção: a forma como cada indivíduo entende o mundo ao seu redor.
  • Comunicação: ferramenta essencial para o entendimento mútuo e alcance das metas.
  • Interação: processo de troca entre enfermeiro e paciente.
  • Transação: momento em que ocorre o acordo entre ambos sobre os objetivos do cuidado.
  • Papel: conjunto de expectativas e comportamentos assumidos por cada pessoa.
  • Estresse: resposta individual a situações desafiadoras que podem interferir na saúde.
  • Crescimento e desenvolvimento: mudanças que ocorrem ao longo da vida e influenciam o estado de saúde.

Esses elementos formam o alicerce da teoria e ajudam o enfermeiro a compreender cada paciente como um ser humano complexo, inserido em múltiplos contextos.

A Teoria do Alcance de Metas: A Colaboração no Cuidado

A Teoria do Alcance de Metas surge do Sistema Interpessoal. King afirma que a enfermagem é um processo dinâmico de ação, reação e interação que ocorre entre o enfermeiro e o paciente.

O objetivo final do processo de enfermagem, segundo King, é alcançar o alcance de metas (goal attainment). Isso ocorre quando:

  1. O enfermeiro e o paciente se encontram e interagem.
  2. Eles se comunicam de forma eficaz.
  3. Eles negociam e concordam sobre as metas (por exemplo: “controlar a glicemia” ou “andar até o final do corredor”).
  4. Eles trabalham juntos em uma transação (troca de ações) para atingir essa meta.

A Grande Lição: Se as metas são definidas e acordadas mutuamente, a probabilidade de adesão do paciente e, consequentemente, de resultados positivos (melhora de saúde) é muito maior. A enfermeira e o paciente são parceiros na jornada de saúde.

Aplicação prática da teoria na enfermagem

Na prática clínica, a Teoria do Alcance de Metas orienta o enfermeiro a estabelecer uma parceria ativa com o paciente. Isso significa que o cuidado não é imposto, mas construído por meio do diálogo e da confiança mútua.

O processo se desenvolve em etapas:

  1. Avaliação: o enfermeiro coleta dados sobre o paciente, identificando percepções, necessidades e expectativas.
  2. Planejamento: juntos, enfermeiro e paciente estabelecem metas realistas e mensuráveis.
  3. Implementação: o enfermeiro executa intervenções direcionadas às metas definidas.
  4. Avaliação dos resultados: ambos verificam se os objetivos foram alcançados ou se ajustes são necessários.

Essa abordagem é útil em todos os níveis de atenção à saúde, desde o cuidado hospitalar até a atenção primária, e fortalece o vínculo entre profissional e paciente.

Cuidados de Enfermagem Baseados em King: A Prática da Parceria

A teoria de King direciona nossos cuidados para longe de um modelo paternalista e em direção a um modelo participativo:

  1. Priorize a Percepção do Paciente: Ao planejar o cuidado, sempre pergunte ao paciente como ele vê o problema e o que ele espera do tratamento. Por exemplo, se a meta da equipe é alta precoce, mas a meta do paciente é só ter conforto, é preciso negociar.
  2. Comunicação Clara e Feedback: Garanta que todas as instruções (medicações, exercícios) sejam claras. Use loop de feedback: peça ao paciente para repetir o plano para garantir que houve compreensão mútua. Evite jargões técnicos.
  3. Estabelecer Metas SMART: As metas negociadas devem ser específicas, mensuráveis, atingíveis, relevantes e com tempo definido (S.M.A.R.T.). Exemplo: em vez de “melhorar a dieta”, a meta é “comer três porções de vegetais por dia até o final da semana”.
  4. Encorajar a Participação: Inclua o paciente ativamente nas decisões. Ao fazê-lo se sentir parte do processo, aumentamos sua responsabilidade e motivação. King define o paciente como um participante ativo, não um receptor passivo do cuidado.

Relevância da teoria para a enfermagem atual

A Teoria do Alcance de Metas continua sendo extremamente relevante na prática contemporânea. Em um cenário onde a humanização e a autonomia do paciente são prioridades, a proposta de Imogene King se mostra moderna e aplicável.

Ela estimula o enfermeiro a enxergar o cuidado não apenas como execução técnica, mas como processo de interação e construção conjunta de resultados, promovendo a satisfação e o empoderamento do paciente.

A teoria de Imogene King reforça a essência da enfermagem: o cuidado centrado na pessoa e a busca pela realização de metas que promovam bem-estar e saúde.

Sua proposta mostra que o sucesso do cuidado depende de comunicação, compreensão e colaboração, princípios que continuam fundamentais em todas as áreas da enfermagem.

Referências:

  1. KING, I. M. A Theory for Nursing: Systems, Concepts, Process. New York: John Wiley & Sons, 1981.
  2. BARBOSA, T. C.; et al. A Teoria do Alcance de Metas de Imogene King e sua aplicação na prática clínica: uma revisão integrativa. Revista de Enfermagem, v. X, n. Y, 2022. 
  3. GEORGE, J. B. Teorias de Enfermagem: Os fundamentos à prática profissional. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2020.
  4. MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2021.
  5. COFEN – Conselho Federal de Enfermagem. A importância das teorias de enfermagem na prática profissional. 2023. Disponível em: https://www.cofen.gov.br

A sequência de uma Anotação de Enfermagem

A anotação de enfermagem é um registro essencial no prontuário do paciente. Ela serve não apenas para documentar a assistência prestada, mas também para garantir a continuidade do cuidado e a segurança do paciente. Além disso, é um instrumento legal e ético que pode ser utilizado como prova documental das ações da equipe de enfermagem.

Para quem está começando a vida acadêmica ou profissional na enfermagem, entender como estruturar uma boa anotação pode parecer desafiador. Pensando nisso, elaboramos este guia completo com a sequência lógica de uma anotação de enfermagem, com exemplos práticos, explicações detalhadas e cuidados que não podem faltar.

Por Que Anotar Tão Detalhadamente? A Importância Além do Óbvio

Você pode se perguntar: “Preciso anotar tudo isso?”. E a resposta é um sonoro sim! A anotação de enfermagem tem múltiplas funções:

  • Comunicação Efetiva: É o principal meio de comunicação entre a equipe de saúde sobre o paciente. Imagine a passagem de plantão: uma boa anotação permite que o próximo colega compreenda rapidamente o estado do paciente e as intervenções realizadas.
  • Continuidade do Cuidado: Garante que o cuidado seja sequencial e lógico, sem repetições desnecessárias ou omissões importantes.
  • Base para o Planejamento: Ajuda a equipe a planejar os próximos passos, adaptar o plano de cuidados e avaliar a eficácia das intervenções.
  • Documento Legal: Serve como prova legal do cuidado prestado, essencial em caso de auditorias ou processos judiciais.
  • Pesquisa e Ensino: Contribui para a base de dados para pesquisas e para o ensino de futuros profissionais.

Agora que entendemos a importância, vamos à sequência que pode te ajudar a organizar suas anotações de forma impecável.

Entenda a Sequência

1. Apresenta: condições de entrada, estado geral e físicas observadas

Nesta parte, o profissional descreve como o paciente se apresenta no momento do atendimento. É importante relatar sinais observáveis, como nível de consciência, coloração da pele, presença de lesões, estado nutricional, entre outros.

  • Condições de entrada (se for admissão ou pós-procedimento): Como o paciente chegou ou como ele está após um evento.
    • Exemplo: “Paciente admitido no leito 10, consciente e orientado, pós-operatório imediato de apendicectomia.”
  • Estado geral: Uma avaliação rápida e abrangente do paciente.
    • Exemplo: “Paciente em bom estado geral, lúcido e comunicativo.” ou “Paciente em estado geral regular, sonolento e com queixa de dor.”
  • Condições físicas apresentadas (ao início do plantão ou momento da anotação): Observações objetivas sobre o corpo do paciente.
    • Exemplo: “Pele e mucosas coradas, hidratadas e quentes ao toque. Perfusão periférica de 3 segundos.” ou “Pele pálida e úmida, mucosas descoradas. Presença de cianose em extremidades.”

Outro exemplo prático:
“Paciente admitido a esta unidade de internação, em leito 10, lúcido, orientado, com coloração da pele pálida +/4, hidratado, afebril, acamado, com lesão por pressão estágio II em região sacral.”

Esse tipo de descrição ajuda a equipe a compreender o estado basal do paciente, o que pode orientar condutas e decisões clínicas posteriores.

2. Mantém: dispositivos e condições assistenciais em uso

Aqui são descritos todos os dispositivos que o paciente está utilizando, como cateteres, sondas, drenos, oxigenoterapia, acesso venoso, entre outros. Também é possível relatar se o paciente mantém posicionamento adequado, dieta prescrita, ou qualquer outro aspecto relevante do cuidado.

Dispositivos: Cateteres, sondas, drenos, acessos venosos, etc. Descreva o tipo, local e as condições de cada um.

  • Exemplo: “Mantendo acesso venoso periférico em dorso da mão direita, sem sinais flogísticos, com SF 0,9% 500 mL correndo em gotejamento rápido.”
  • Exemplo: “Mantendo sonda vesical de demora com débito urinário claro, em sistema fechado.”
  • Exemplo: “Mantendo dreno de tórax em hemitórax esquerdo, com débito serossanguinolento em selo d’água sem oscilação.”
  • Exemplo: “Mantendo sonda nasoenteral em narina esquerda, fixada, sem sinais de irritação.”

Outro exemplo prático:
“Mantém cateter nasal de O₂ a 2L/min, acesso venoso periférico em MSD com jelco 22G funcionante, SNE posicionada, com dieta enteral em gotejamento contínuo sem intercorrências.”

Esse registro mostra o suporte necessário para o paciente e facilita a vigilância desses dispositivos.

3. Refere: queixas e percepções relatadas pelo paciente

Nessa parte, são descritas as queixas espontâneas do paciente ou aquilo que ele verbaliza. É essencial utilizar aspas para destacar as falas do paciente, assegurando a fidelidade da informação.

Queixas, sensações, percepções: O que o paciente verbaliza.

  • Exemplo: “Paciente refere dor abdominal em quadrante inferior direito, de intensidade 7/10, em facada.”
  • Exemplo: “Paciente refere náuseas e tontura ao se levantar.”
  • Exemplo: “Paciente refere que está com sede e com dificuldade para dormir.”

Outro exemplo prático:
“Refere dor abdominal difusa, tipo cólica, intensidade 7 em escala de 0 a 10, iniciada há cerca de 2 horas. Refere também náuseas e ausência de evacuação há 2 dias.”

Esse tipo de anotação contribui para a construção diagnóstica e o planejamento das ações terapêuticas.

4.Procedimentos realizados: todas as ações executadas

Todos os procedimentos de enfermagem realizados devem ser registrados, com clareza, horário, técnica utilizada, materiais empregados e resposta do paciente, se aplicável.

  • Medicações administradas: Nome, dose, via, horário.
    • Exemplo: “Administrado dipirona 500 mg EV conforme prescrição, às 14h.”
  • Aferição de sinais vitais: Valores e horário.
    • Exemplo: “Sinais vitais aferidos às 15h: PA 120×80 mmHg, FC 88 bpm, FR 18 ipm, Tax 37,2°C, SatO2 96% em ar ambiente.”
  • Higiene e conforto: Banho, troca de roupa, mudança de decúbito.
    • Exemplo: “Realizado banho no leito com auxílio, troca de roupa e mudança de decúbito para decúbito lateral esquerdo.”
  • Curativos: Tipo de curativo, local, condições da ferida.
    • Exemplo: “Realizado curativo em ferida operatória abdominal com SF 0,9% e gaze estéril; ferida limpa, sem sinais de infecção, com pequena quantidade de exsudato seroso.”
  • Coletas de exames: Tipo de exame e horário.
    • Exemplo: “Coletada amostra de sangue para hemograma e função renal às 16h, encaminhada ao laboratório.”
  • Orientações fornecidas: O que você orientou o paciente ou familiar.
    • Exemplo: “Orientado paciente e familiar sobre a importância da hidratação e movimentação precoce no pós-operatório.”

Outro exemplo prático:
“Realizada troca de curativo em ferida sacral conforme prescrição médica e protocolo institucional, utilizando técnica asséptica, solução fisiológica 0,9% e cobertura de hidrocolóide. Ferida apresenta bordas regulares, presença de exsudato amarelado em pequena quantidade. Paciente colaborativo durante o procedimento.”

Isso demonstra a execução da assistência e oferece rastreabilidade para auditorias e revisões clínicas.

5. Intercorrências: descrição do evento, sinais e condutas

Sempre que houver algum evento inesperado, como quedas, reações adversas, agravamento do quadro clínico, entre outros, é obrigatório fazer o registro completo com data, hora, sinais/sintomas, condutas adotadas e equipe notificada.

  • Descrição do fato: O que aconteceu.
    • Exemplo: “Às 17h, paciente apresentou episódio de vômito em jato…”
  • Sinais e sintomas observados: As manifestações clínicas da intercorrência.
    • Exemplo: “… com aproximadamente 200 mL de conteúdo alimentar, seguido de palidez e sudorese fria.”
  • Condutas tomadas: As ações que você tomou em resposta à intercorrência.
    • Exemplo: “Oferecido cuba rim, lateralizado decúbito para evitar broncoaspiração, aferido SSVV (PA 90×60 mmHg, FC 110 bpm). Comunicado médico Dr. [nome do médico], que prescreveu antiemético e reavaliação em 30 min. Administrado Ondansetrona 4 mg EV conforme prescrição, às 17h15min.”
  • Avaliação da resposta: Como o paciente reagiu às suas condutas.
    • Exemplo: “Paciente com melhora do quadro, sem novos episódios de vômito até o momento. Mantido em observação.”

Outro exemplo prático:
“Às 15h30, paciente apresentou queda da oximetria para 85%, taquipneia e queixa de dispneia. Realizada aspiração de secreção via cateter nasal, coletado gasometria arterial, notificado médico plantonista. Iniciado O₂ a 3L/min. Saturação aumentou para 92% após intervenção. Permanece em monitoramento.”

A anotação precisa ser objetiva, sem julgamentos ou interpretações subjetivas, focando em fatos.

Cuidados importantes ao anotar:

  • Use linguagem técnica, clara e objetiva;
  • Evite abreviações não padronizadas;
  • Sempre identifique-se com nome completo e registro no COREN;
  • Registre o horário com precisão;
  • Não deixe espaços em branco;
  • Nunca rasure ou utilize corretivo;
  • Faça a anotação imediatamente após a ação realizada.

A Anotação Completa: Um Exemplo Integrado

Juntando tudo, uma anotação de enfermagem poderia ficar assim:

14h00 – Paciente admitido no leito 10, consciente e orientado, pós-operatório imediato de apendicectomia. Apresenta-se em bom estado geral, lúcido e comunicativo. Pele e mucosas coradas, hidratadas e quentes ao toque. Perfusão periférica de 3 segundos. Mantém acesso venoso periférico em dorso da mão direita, sem sinais flogísticos, com SF 0,9% 500 mL correndo em gotejamento rápido. Mantém sonda vesical de demora com débito urinário claro, em sistema fechado. Paciente refere dor abdominal em quadrante inferior direito, de intensidade 7/10, em facada. Administrado dipirona 500 mg EV conforme prescrição. Sinais vitais aferidos: PA 120×80 mmHg, FC 88 bpm, FR 18 ipm, Tax 37,2°C, SatO2 96% em ar ambiente. Orientado paciente e familiar sobre a importância da hidratação e movimentação precoce no pós-operatório.

17h00 – Paciente apresentou episódio de vômito em jato, com aproximadamente 200 mL de conteúdo alimentar, seguido de palidez e sudorese fria. Oferecido cuba rim, lateralizado decúbito para evitar broncoaspiração, aferido SSVV: PA 90×60 mmHg, FC 110 bpm. Comunicado médico Dr. [nome do médico], que prescreveu antiemético e reavaliação em 30 min. Administrado Ondansetrona 4 mg EV conforme prescrição, às 17h15min. Paciente com melhora do quadro, sem novos episódios de vômito até o momento. Mantido em observação.

20h00 – Realizado banho no leito com auxílio, troca de roupa e mudança de decúbito para decúbito lateral esquerdo. Realizado curativo em ferida operatória abdominal com SF 0,9% e gaze estéril; ferida limpa, sem sinais de infecção, com pequena quantidade de exsudato seroso. Paciente aceita dieta líquida em pequena quantidade, sem queixas. Mantido confortável.”

A Ponta do Lápis que Salva Vidas: Nossos Cuidados na Anotação

Anotar é um ato de cuidado. Lembre-se sempre de:

  • Ser Objetivo e Claro: Use termos técnicos, mas evite gírias. Seja direto e evite ambiguidades.
  • Ser Conciso: Vá direto ao ponto, mas sem omitir informações importantes.
  • Ser Cronológico: Anote os eventos na ordem em que aconteceram, com horários precisos.
  • Ser Legível: Sua letra precisa ser clara (ou a digitação, se for eletrônico).
  • Assinar e Carimbar: Sempre assine e carimbe suas anotações com seu nome completo, categoria profissional e número de registro no conselho.
  • Nunca Rasurar: Em caso de erro, passe um traço simples sobre o que errou, escreva “erro” e anote corretamente ao lado, datando e assinando. Nunca use corretivo.
  • Anotar o Que Você Viu e Fez: Baseie suas anotações em observações diretas e intervenções realizadas. Evite interpretações pessoais ou julgamentos.

Dominar a arte da anotação de enfermagem é um passo crucial para sua carreira. Ela é a prova do seu profissionalismo, o elo entre a equipe e a garantia de um cuidado de excelência para o paciente. Pratique, peça feedback e faça da anotação detalhada uma parte inseparável da sua rotina de enfermagem.

Referências:

  1. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução COFEN nº 358/2009. Dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem. Brasília, DF: COFEN, 2009. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-3582009_4384.html.
  2. HERMIDA, V. R. et al. Anotações de enfermagem: importância para a qualidade da assistência e segurança do paciente. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 65, n. 4, p. 627-632, jul./ago. 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/36t9V4Y5L9c8B5c9Y6G6p8w/?lang=pt
  3. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar capítulo sobre documentação em enfermagem).