Patologias Obstétricas

A gravidez é um evento fisiológico, mas não está isenta de riscos. Durante os nove meses, o corpo da gestante passa por transformações radicais, e qualquer desequilíbrio pode levar a condições que colocam em risco a vida da mãe e do feto. Essas são as patologias obstétricas, e para nós, estudantes e profissionais de enfermagem, são os sinais de alerta que exigem nossa máxima vigilância.

Nosso papel na obstetrícia é ser o primeiro elo de identificação e manejo dessas complicações. A diferença entre um desfecho favorável e uma tragédia pode residir na nossa capacidade de reconhecer um sintoma sutil, monitorar um sinal vital fora do padrão ou orientar a gestante sobre o que observar em casa. Vamos detalhar as patologias obstétricas mais cruciais, focando no nosso cuidado preventivo e de emergência.

O que são patologias obstétricas?

Patologias obstétricas são doenças ou complicações que acometem a mulher durante a gravidez, o parto ou o pós-parto. Elas podem ter causas diversas — desde alterações hormonais até infecções ou fatores genéticos.

O reconhecimento precoce dessas condições permite intervenções oportunas, reduzindo a morbimortalidade materna e fetal.

O Primeiro Alerta: Doenças Hipertensivas da Gestação

As condições hipertensivas são a principal causa de mortalidade materna no Brasil e no mundo.

Pré-Eclâmpsia (PE)

É a patologia mais comum. É uma condição multifacetada que se manifesta, classicamente, após a 20ª semana de gestação.

  • Tríade de Sinais: Hipertensão (PA maior que  140/90 mmHg), Proteinúria (perda de proteína na urina) e Edema.
  • O Perigo: A PE afeta a placenta e a circulação, podendo levar à Restrição de Crescimento Fetal (RCF).
  • Alerta de Enfermagem: Acompanhar rigorosamente a Pressão Arterial (PA) em todas as consultas pré-natais. Orientar a paciente a procurar a emergência imediatamente se notar cefaléia intensa, dor no estômago/epigástrio e alterações visuais (“moscas volantes”).

Eclâmpsia

É a forma mais grave das doenças hipertensivas, caracterizada pela ocorrência de convulsões tônico-clônicas em uma gestante com pré-eclâmpsia.

  • Emergência: A enfermagem deve garantir a segurança da gestante durante a convulsão (prevenir trauma) e administrar o sulfato de magnésio (MgSO4), o medicamento padrão para controle e prevenção de novas crises convulsivas.
  • Cuidados com MgSO4: O Sulfato de Magnésio exige monitoramento rigoroso. A toxicidade (excesso de magnésio) pode levar à depressão respiratória. Monitoramos a frequência respiratória, os reflexos patelares (que desaparecem na toxicidade) e o débito urinário.

Complicações Hemorrágicas: Riscos de Sangramento na Gestação

Qualquer sangramento vaginal, especialmente no segundo e terceiro trimestres, é um sinal de alerta máximo.

Placenta Prévia

A placenta se implanta total ou parcialmente sobre o orifício interno do colo do útero.

  • Sintoma Clássico: Sangramento vermelho vivo, indolor, geralmente após a 28ª semana.
  • Cuidados de Enfermagem: NUNCA realizar toque vaginal em casos de sangramento suspeito até que a ultrassonografia descarte a placenta prévia. O toque pode desencadear uma hemorragia maciça.

Descolamento Prematuro de Placenta (DPP)

A placenta se separa da parede uterina antes do nascimento do bebê.

  • Sintoma Clássico: Sangramento vaginal, acompanhado de dor abdominal intensa e útero com consistência “em tábua” (endurecido).
  • Emergência: É uma emergência obstétrica com alto risco de óbito fetal e materna (choque hipovolêmico). A enfermagem deve garantir dois acessos venosos calibrosos, iniciar a reposição volêmica e preparar para o parto imediato (geralmente cesárea).

Diabetes Gestacional (DMG): O Desafio Metabólico

É a intolerância à glicose diagnosticada pela primeira vez durante a gravidez.

  • Risco Fetal: A hiperglicemia materna leva ao excesso de glicose para o feto, resultando em macrossomia (bebê grande), hipoglicemia neonatal e risco de obesidade infantil.
  • Cuidados de Enfermagem:
    • Rastreio: Garantir a realização do Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) entre 24 e 28 semanas.
    • Educação e Adesão: Orientar rigorosamente sobre a dieta, a prática de exercícios e, se necessário, o uso de insulina. O enfermeiro é o educador principal no automonitoramento da glicemia em casa.

Cuidados de Enfermagem: Nossa Vigilância no Pré-Natal

A prevenção é o pilar da assistência de enfermagem em obstetrícia:

  1. Monitoramento de Sinais Vitais: A PA em todas as consultas é a nossa primeira ferramenta de rastreio para a PE. Monitorar também o peso (ganho excessivo é um alerta) e a presença de edema.
  2. Avaliação Fetal: Auscultar e registrar a Frequência Cardíaca Fetal (FCF). Observar e orientar a gestante sobre a contagem de movimentos fetais (se o bebê mexer menos, procurar a emergência).
  3. Educação sobre Sinais de Perigo: Orientar a gestante de forma clara e objetiva sobre quando procurar o hospital:
    • Dor de cabeça que não passa.
    • Dor na boca do estômago.
    • Sangramento vaginal (qualquer volume).
    • Diminuição dos movimentos do bebê.
    • Perda de líquido (suspeita de ruptura de bolsa).

A enfermagem obstétrica exige paixão e precisão. Ao dominar as patologias obstétricas, elevamos o nível de segurança e cuidado, garantindo que o ciclo gravídico seja, na maioria das vezes, uma jornada de saúde e alegria.

Referências:

  1. FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). Recomendação de Conduta: Doenças Hipertensivas na Gestação. São Paulo: FEBRASGO, 2023. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Manual Técnico Pré-Natal e Puerpério. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2017. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_tecnico_pre_natal_puerperio.pdf.
  3. AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS (ACOG). Hypertension in Pregnancy: ACOG Practice Bulletin. Washington, 2022. Disponível em: https://www.acog.org/.
  4. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Maternal and Perinatal Health. Geneva: WHO, 2023. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/maternal-health.

Sulfato de Magnésio: 10% e 50%

sulfato de magnésio serve para a reposição dos níveis de magnésio, sendo um dos eletrólitos do corpo. Ou seja, são minerais que liberam uma carga elétrica quando dissolvidos no sangue. Mas a maioria do magnésio no corpo é interligada às proteínas ou armazenada nos ossos.

O mineral do magnésio pode ser encontrado em diversos alimentos, como sementes, amendoim e leite, desempenhando várias funções no organismo, como regular o funcionamento dos nervos e dos músculos, além de ajudar no controle do açúcar no sangue.

Precisamos de uma quantidade diária mínima e, em caso de deficiência, o médico pode recomendar a reposição. A quantidade é definida de acordo com gênero e idade, e caso isso não ocorra da maneira correta, podem surgir alguns problemas, como a hipomagnesemia, hipocalcemia e hipocalemia.

Sulfato de Magnésio 10% e 50%

O sulfato de magnésio a 10% é utilizado em diferentes situações, e sua administração ocorre por via intravenosa. Aqui estão algumas indicações específicas para o uso desse medicamento:

  1. Administração:
    • Via Intravenosa Direta: A velocidade de injeção recomendada é de 150 mg/minuto.
    • Infusão Intravenosa: Pode ser administrado como parte de uma infusão intravenosa.

Indicações:

  • Toxemia Gravídica (Eclâmpsia):
      • O sulfato de magnésio a 10% é utilizado estritamente se necessário e sob supervisão médica.
      • O sulfato de magnésio é a principal medicação tanto para a prevenção quanto para o tratamento da eclâmpsia.
  • Hipomagnesemia leve e moderada:
      • O sulfato de magnésio pode ser utilizado para tratar casos de hipomagnesemia leve a moderada.
  • Restaurador de deficiência leve e moderada de eletrólito: O sulfato de magnésio é utilizado como restaurador de eletrólitos em casos de deficiência leve e moderada.

O sulfato de magnésio 50% é um medicamento utilizado para diversas finalidades. Pode ser administrada tanto quanto via intramuscular e intravenosa:

  • Tratamento de hipomagnesemia: Isso ocorre quando há uma baixa quantidade severa de magnésio no sangue. O sulfato de magnésio ajuda a corrigir essa deficiência severa.
  • Uremia aguda: O sulfato de magnésio pode ser usado para controlar convulsões em pacientes com uremia aguda.
  • Eclâmpsia: É uma condição grave que ocorre durante a gravidez, e o sulfato de magnésio pode ajudar a prevenir ou tratar convulsões eclâmpticas.
  • Tétano: O medicamento também é usado para controlar convulsões em pacientes com tétano.
  • Hipomagnesemia severa: O sulfato de magnésio pode ser utilizado para tratar casos de hipomagnesemia severa.
  • Restaurador de deficiência severa de eletrólito: O sulfato de magnésio é utilizado como restaurador de eletrólitos em casos de deficiência severa.

O magnésio é essencial para várias funções no corpo, incluindo atividade enzimática, transmissões neuroquímicas e excitabilidade muscular. O sulfato de magnésio ajuda a corrigir deficiências e a manter essas funções adequadas.

Referências:

  1. Bula Sulfato de Magnésio
  2. Medicinanet
  3. Bulasmed (MgSo4 10%)
  4. Bulasmed (MgSo4 50%)
  5. UFRJ
  6. Hospital Albert Einstein
  7. Hospitalar Distribuidora

Conheça os Esquemas de Sulfatação na Eclâmpsia!

As síndromes hipertensivas na gestação merecem especial destaque no cenário da saúde pública mundial. Atualmente, representam a terceira causa de mortalidade materna no mundo, perdendo apenas para hemorragia pós-parto e infecção pós-parto, respectivamente.

No Brasil é a primeira causa. Em países desenvolvidos, aproximadamente de duas a oito em cada 100 gestantes vão desenvolver o evento enquanto no Brasil, pode-se chegar a 10% dos casos. Devido à gravidade da doença, é considerada como causa de internamento em unidade de terapia intensiva e, por vezes, incluída como critério de morbidade materna grave.

A condição de eclâmpsia consiste na manifestação convulsiva de estado grave da pré-eclâmpsia (PE), desenvolvendo-se de maneira isolada nesse estado clínico ou ainda presente nas gestações com hipertensão arterial já preexistente.

Sulfatação

As pacientes com eclâmpsia devem ser sulfatadas imediatamente, em meio ao quadro de convulsão gestacional, ou ainda antes, especificamente em casos de PE grave associado a
sinais iminência de eclâmpsia.

E os principais esquemas de sulfatação, que atualmente são utilizados seriam os esquemas de Pritchard, Zuspan e Sibai.

Esquema de Zuspan

Zuspan descreveu um dos mais utilizados esquemas de administração do sulfato de magnésio, o endovenoso, no qual é administrada uma dose inicial de 4g de sulfato de magnésio e uma dose contínua de manutenção de 1g por hora, ambas aplicadas por via intravenosa, que deve ser mantido por pelo menos 24 horas.

A dose de manutenção de sulfato de magnésio do esquema de Zuspan não coloca-se como sendo suficiente para o atingimento e manutenção de concentrações terapêuticas e, assim, evidenciou a proposição de aumentar a concentração da dose de manutenção para 2g por hora, em infusão contínua, por ao menos 24 horas, intencionando especificamente atingir as mesmas concentrações séricas proposta pelo tratamento por via intramuscular dimensionado por Pritchard.

Esquema de Pritchard

Expõe que, o esquema proposto por Pritchard a dose inicial é de 10g de sulfato de magnésio por via intramuscular em conjunto com 4g infundida por via intravenosa em “bolus”, destarte, a dose de manutenção é de 5g via intramuscular a ser aplicada a cada 4 horas possuem inicialmente níveis de concentração terapêutica adequado para controle convulsivo nas gestantes.

Ainda, depreende que o modelo de Pritchard traz determinações ao fato de que, a concentração sérica do íon magnésio, para proporcionar prevenção ou tratamento da condição de eclâmpsia, deve ser categoricamente maior do que a concentração sérica normal, sendo importante o esclarecimento de que esta concentração deve alcançar variação entre 4,8 e 8,4mg/dL, o que de fato ocorre durante aplicação da dose de ataque neste esquema.

Esquema de Sibai

Como o esquema proposto por Sibai apresenta doses altas de MgSO4 e próximas aos níveis tóxicos, poucos se estimularam a utilizá-lo, o que necessita ainda de novas investigações.

A importância da utilização da bomba de infusão contínua, oferecendo uma alternativa à administração intramuscular de sulfato de magnésio (tal como propõe Pritchard), levando a menos náuseas, dor de cabeça, risco de hematomas e abscesso derivado da aplicação e dor em geral, além de diminuir efeitos colaterais e de circunstâncias como toxicidade, oligúria (diminuição da produção de urina) ou de insuficiência renal.

Referência:

  1. Ruano, Rodrigo & Alves, Eliane & Zugaib, Marcelo. (2004). Sulfato de magnésio (MgSO4) no tratamento e prevenção da eclâmpsia: qual esquema adotar?. Revista Da Associacao Medica Brasileira – REV ASSOC MED BRAS. 50. 10.1590/S0104-42302004000300018. 

O Cuidado ao “Sulfatar” na Pré-Eclâmpsia e Eclâmpsia

Se sua paciente é uma gestante/puérpera cujo H.D é Eclâmpsia/Pré-Eclâmpsia, e obrigatoriamente a mesma está “sulfatando”, ou seja, sob tratamento intensivo com Sulfato de Magnésio (MgSO4), deve ter obrigatoriamente EM BEIRA LEITO o kit para “terapêutica para intoxicação por MgSO4”, com o GLUCONATO DE CÁLCIO!

Primeiramente, o que é “Sulfatar” a Paciente Gestante ou Puérpera?

Quando a paciente já está com um quadro confirmado de pré-eclâmpsia, ou eclampsia P.A elevada, usa-se o termo “sulfatar a gestante”, que nada mais é do que usar o sulfato de magnésio na paciente para diminuir a pressão arterial ou tratar convulsões durante o quadro, por exemplo.

O Gluconato de Cálcio e o Antagonismo: Pode salvar em uma crise de intoxicação pelo MgSO4!

O Gluconato de cálcio é o antagonista fisiológico natural do cálcio, sendo assim atuando como um antídoto, podendo reverter o efeito adverso com o MgSO4 que pode ocasionar na gestante/puérpera durante a “sulfatação”, que é uma crise convulsiva e sinais depressivos do sistema nervoso central.

Referência:

  1. BARBOSA, Fabiano Timbó; BARBOSA, Luciano Timbó; JUCA, Mário Jorge  and  CUNHA, Rafael Martins da. Usos do sulfato de magnésio em obstetrícia e em anestesia. Rev. Bras. Anestesiol. [online]. 2010, vol.60, n.1 [cited  2021-02-16], pp.104-110. Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-70942010000100013&lng=en&nrm=iso&gt;. ISSN 0034-7094.  https://doi.org/10.1590/S0034-70942010000100013.

Pré-Eclâmpsia

Pré-Eclâmpsia

A Pré-eclâmpsia (também conhecida por Toxemia e, quando o quadro é acrescido de convulsão e coma constitui-se a eclâmpsia), é caracterizada por hipertensão (alta pressão arterial), edema (retenção de líquidos) e proteinúria (presença de proteína na urina). Manifesta-se na segunda metade da gravidez (após a 20ª semana de gestação) e pode evoluir para convulsão e coma, mas essas condições melhoram com a saída do feto e da placenta.

No meio médico, o termo usado é MHEGMoléstia Hipertensiva Específica da Gravidez ou SHEG- Síndrome Hipertensiva Específica da Gravidez. O termo toxemia, apesar de consagrado, não é tão fiel, pois nunca se demonstrou a existência de uma toxina que levasse a esta moléstia.

A pré-eclâmpsia pode ser leve ou severa (grave). Pode restringir severamente a circulação sanguínea para a placenta, o bebê pode ser perigosamente afetado. Se não tratada, a pré-eclâmpsia pode se desenvolver em uma eclâmpsia, o que pode ser ainda mais perigoso tanto para a mãe quanto para o bebê.

A retenção de líquidos ocorre porque a toxemia tem menor capacidade de excretar sódio e portanto, o retém, mesmo sob dietas hipossódicas.

Os recém-nascidos de mulheres pré-eclâmpsias têm 4 a 5 vezes mais probabilidades de ter problemas pouco depois do parto do que os de mulheres que não sofram dessa doença. Os recém-nascidos podem ser pequenos porque a placenta funciona mal ou porque são prematuros.

Qual é a causa?

Não se conhece a causa.

Quais os riscos de desenvolver tal quadro?

A pré-eclâmpsia verifica-se em 5 % das mulheres grávidas. É mais frequente na primeira gravidez e nas mulheres que já têm a tensão arterial elevada ou que sofrem de um problema nos vasos sanguíneos. A eclâmpsia surge em 1 de cada 200 mulheres que têm pré-eclâmpsia e, em geral, é mortal, a menos que seja tratada com rapidez. No entanto, desconhecem-se as causas da pré-eclâmpsia e da eclâmpsia . O risco mais importante da pré-eclâmpsia é o desprendimento prematuro da placenta da parede uterina.

Na pré-eclâmpsia, a tensão arterial é superior a 140/90 mmHg, aparecem edemas (no rosto, pernas ou nas mãos e são detectados valores anormalmente elevados de proteínas na urina. Também se considera que tem pré-eclâmpsia uma mulher cuja tensão arterial aumenta consideravelmente, mas mantém-se abaixo dos 140/90 mmHg durante a gravidez.

A ocorrência também fica mais restrita à primeira gravidez e, embora a gestante possa desenvolver a pré-eclâmpsia mesmo que nunca tenha tido problemas de hipertensão antes, ela está em maior risco se já tiver problemas de pressão alta antes da gravidez ou se há casos na família.

Como se faz o diagnóstico?

Através da pressão arterial diastólica (mínima) igual ou superior a 90 mmHg ou o aumento da pressão arterial acima de 15 mmHg do valor medido antes de 20 semanas de gestação.

Quando a hipertensão na gravidez estiver associada a perda de proteínas pela urina (proteinúria), teremos um quadro chamado PRÉ -ECLÂMPSIA ou TOXEMIA GRAVÍDICA.

Como prevenir?

A pré-eclâmpsia é relativamente rara e embora não haja exatamente como se prevenir, o que pode-se fazer é assegurar bons cuidados pré-natais, visando detectar o problema ainda nos primeiros estágios, podendo assim realizar o tratamento preventivo à eclâmpsia. São utilizados testes de urina e acompanhamento da pressão arterial ao longo da gravidez visando detectar problemas arteriais.

Como tratar?

Ao contrário da tensão arterial elevada (hipertensão), a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia não respondem aos diuréticos (fármacos que eliminam o excesso de líquido) nem às dietas de baixo teor em sal. Aconselha-se a mulher a que consuma uma quantidade normal de sal e que beba mais água. O repouso na cama é importante. Em geral, também é aconselhada a virar-se sobre o lado esquerdo, visto que assim é exercida menor pressão sobre a grande veia do abdômen (veia cava inferior), que devolve o sangue ao coração, e melhora o fluxo sanguíneo.Em certos casos, pode ser administrado sulfato de magnésio por via endovenosa para fazer descer a tensão arterial e evitar as convulsões.

Em caso de pré-eclâmpsia ligeira, acamamento pode ser suficiente, mas a mulher deverá consultar o seu médico de 2 em 2 dias. Se não melhorar com rapidez, deve ser hospitalizada e, se o problema continuar, o parto deve ser provocado quanto antes.

Uma mulher que sofra de pré-eclâmpsia grave deve ser hospitalizada e permanecer na cama. O fato de administrar líquidos e sulfato de magnésio por via endovenosa muitas vezes alivia os sintomas. Em 4 a 6 horas a tensão arterial costuma baixar até atingir valores normais e pode-se proceder ao parto sem correr nenhum risco. Se a tensão arterial continuar alta, são administrados mais fármacos antes de se tentar provocar o parto.

Uma importante complicação da pré-eclâmpsia e da eclâmpsia graves é a síndrome HELLP, que consiste no seguinte:

  • Hemólise (destruição de glóbulos vermelhos);
  • Aumento dos enzimas hepáticos (liver), que indicam lesão hepática;
  • Baixa (low, em inglês) contagem de plaquetas, o que indica uma deficiente capacidade de coagulação do sangue (um problema potencialmente grave durante e depois do parto).

A síndrome HELLP é mais provável que apareça quando se atrasa a instituição do tratamento da pré-eclâmpsia. Se surgir a síndrome, deve-se fazer uma cesariana, o método disponível mais rápido, a não ser que o colo uterino esteja suficientemente dilatado para permitir um rápido nascimento pela vagina.

Depois do nascimento, controla-se exaustivamente a mulher para detectar sinais de eclâmpsia. Uma quarta parte dos casos de eclâmpsia acontece depois do parto, em geral nos primeiros 2 a 4 dias. À medida que o estado da mulher melhora de forma gradual, é incentivada a caminhar um pouco. Mesmo assim, pode ser-lhe administrado um sedativo suave para controlar a tensão arterial. A hospitalização pode durar de poucos dias a algumas semanas, conforme a gravidade da doença e suas complicações. Mesmo depois de ter sido dada alta, é possível que a mulher tenha que tomar medicamentos para reduzir a tensão arterial. Em geral, deve consultar o médico, pelos menos de 2 em 2 semanas durante os primeiros meses depois do parto. A sua tensão arterial pode, no entanto, manter-se elevada durante 6 a 8 semanas, mas, caso mantenha-se alta durante mais tempo, talvez a sua causa se deva a outro problema e não à pré-eclâmpsia.

Quanto ao recém-nascido, encontram-se altos índices de prematuridade (80%), muitas vezes motivada pela própria antecipação do parto, e em 30% dos casos eles são pequenos para idade gestacional

Cuidados de Enfermagem à Mulher em Pré-Eclâmpsia

  • Explicar à paciente e ao seu acompanhante o processo patológico e a necessidade de períodos de repouso em decúbito lateral esquerdo.
  • Permitir tempo para perguntas da paciente ou acompanhante.
  • Manter o ambiente tranqüilo.
  • Monitorar os sinais vitais de hora em hora, de acordo com a prescrição médica.
  • Coletar sangue para realização de exames, caso seja solicitado pela equipe médica.
  • Instruir quanto à importância de relatar sintomas como cefaléia, alterações visuais, tonteira e dor epigástrica.
  • Puncionar e manter acesso venoso periférico, de acordo com a prescrição médica.
  • Aplicar medicações conforme prescrição médica.
  • Manter grades laterais elevadas para evitar lesão em caso de convulsão.
  • Preparar a unidade da paciente mantendo material para oxigenoterapia (fluxômetro, catéteres, umidificador, máscara de Hudson e macronebulizador) prontos para utilização.
  • Preparar e manter próximo ao leito material para uma possível parada cardiorrespiratória.
  • Tomar as medidas para a possibilidade de cesariana (preparação da sala cirúrgica, materiais e equipamentos necessários).
  • Reunir os equipamentos e materiais necessários para os cuidados imediatos e possível reanimação do RN.