Órgãos que podem ser transplantados

A doação de órgãos ou de tecidos é o ato pelo qual manifesta-se a vontade de doar uma ou mais partes do com o objetivo de reestabelecer as funções de um órgão ou tecido doente, de outras pessoas.

É importante esclarecer que a possibilidade de transplante depende de diversos fatores, incluindo a saúde do doador, o tipo de órgão, a compatibilidade com o receptor e a disponibilidade de recursos médicos.

Órgãos que podem ser transplantados

Transplantes em vida:

  • Rim: O transplante renal é o mais comum entre os transplantes em vida. Um doador saudável pode doar um rim sem comprometer sua própria saúde.
  • Fígado: É possível doar uma parte do fígado em vida, já que o órgão se regenera. Essa opção é mais complexa e exige um acompanhamento médico rigoroso.
  • Pulmão: O transplante de um lobo pulmonar de um doador vivo é uma opção rara, mas viável em alguns casos.
  • Pâncreas: A doação de uma parte do pâncreas em vida é possível, mas menos frequente.

Transplantes após morte encefálica:

  • Coração: É possível transplantar o coração de um doador em morte encefálica para um receptor.
  • Pulmões: O transplante de pulmão é uma opção para pacientes com insuficiência respiratória grave.
  • Fígado: O transplante de fígado é uma opção para pacientes com doenças hepáticas graves.
  • Pâncreas: O transplante de pâncreas é uma opção para pacientes com diabetes tipo 1.
  • Intestino delgado: O transplante de intestino delgado é uma opção para pacientes com doenças intestinais graves.
  • Rins: Como mencionado anteriormente, o transplante de rins também pode ser realizado após a morte encefálica.

Transplantes de doador falecido:

  • Coração: O transplante de coração é uma opção para pacientes com insuficiência cardíaca grave.
  • Pulmões: O transplante de pulmão é uma opção para pacientes com doenças pulmonares graves.
  • Fígado: O transplante de fígado é uma opção para pacientes com doenças hepáticas graves.
  • Pâncreas: O transplante de pâncreas é uma opção para pacientes com diabetes tipo 1.
  • Intestino delgado: O transplante de intestino delgado é uma opção para pacientes com doenças intestinais graves.
  • Rins: O transplante de rins é uma opção para pacientes com insuficiência renal.
  • Córnea: A córnea, a parte transparente do olho, pode ser transplantada de doadores falecidos.
  • Tecidos: Outros tecidos, como pele, válvulas cardíacas, tendões e ossos, também podem ser transplantados de doadores falecidos.

É importante ressaltar que esta lista não é exaustiva e que as possibilidades de transplante podem variar de acordo com os protocolos médicos e as necessidades do paciente.

Quem pode doar?

Qualquer pessoa pode ser um potencial doador de órgãos. O que determina a possibilidade de transplante dos órgãos ou tecidos é a condição de saúde em que se encontre atualmente, independentemente da idade. Na ocasião da morte, a equipe médica fará uma avaliação do histórico médico e dos órgãos.

Para doar órgãos em vida é necessário:

  • ser um cidadão juridicamente capaz;
  • estar em condições de doar o órgão ou tecido sem comprometer a saúde e aptidões vitais;
  • apresentar condições adequadas de saúde, avaliadas por um médico que afaste a possibilidade de existir doenças que comprometam a saúde durante e após a doação;
  • querer doar um órgão ou tecido que seja duplo, como o rim, e não impeça o organismo do doador de continuar funcionando;
  • ter um receptor com indicação terapêutica indispensável de transplante;
  • ser parente de até quarto grau ou cônjuge. No caso de não parentes, a doação só poderá ser feita com autorização judicial.

Referências:

  1. Morte encefálica — Ministério da Saúde (www.gov.br)
  2. Manual-dos-transplantesebook-versao-2022_compressed-1.pdf (abto.org.br)
  3. Biblioteca Virtual em Saúde

Síndrome da disfunção de múltiplos órgãos

A síndrome de disfunção de múltiplos órgãos, também chamada síndrome da falência de múltiplos órgãos (SFMO), é caracterizada pela deterioração aguda de dois ou mais órgãos, resultando em perda da função dos órgãos acometidos. Uma das causas mais comuns SFMO é a sepse (choque séptico).

A SFMO pode ser definida como uma complexa manifestação patológica subaguda, desencadeada por trauma inespecífico e grave. Desenvolve-se após um hiato variável de tempo em que há aparente estabilidade do paciente.

Como exemplos de traumas indutores, podem ser mencionados: politraumatismos acidentais, queimaduras extensas, circulação extracorpórea, contusões pulmonares, múltiplas transfusões, pancreatite aguda, aspiração pulmonar,infecções difusas, entre outros. Em geral, o trauma primário não está anatomicamente associado às futuras lesões multiorgânicas.

A SFMO está sempre vinculada a elevada morbidade e mortalidade devido à gravidade da deterioração multiorgânica, que é progressiva e universal, secundária ao desenvolvimento de lesões difusas do tipo isquemia/reperfusão.

A deterioração de múltiplos órgãos é evidenciada clinicamente e ocorre de maneira progressiva. A degradação sistêmica, ou seja, o comprometimento fisiológico gradativo dos diversos sistemas ocorre à medida que os vários órgãos entram em desequilíbrio funcional.

Entre os órgãos mais atingidos por lesões múltiplas progressivas, estão os pulmões (síndrome da angústia respiratória do adulto, SARA); os rins (síndrome da insuficiência renal pós-traumática); o estômago (úlceras de estresse); fígado (insuficiência hepática pós-traumática); além de lesões cardíacas pós-traumáticas, lesões cerebrais pós-traumáticas, lesões multiglandulares, lesões intestinais, alterações do perfil de coagulação e imunitário, entre muitas outras alterações.

Sintomas

Os principais sintomas dessa condição são:

  • Febre alta;
  • Diarreias;
  • Tremores;
  • Calafrios;
  • Náuseas;
  • Redução da produção de urina;
  • Queda da pressão sanguínea;
  • Aumento da contagem de leucócitos e redução do número de plaquetas, nos exames de sangue.

Diagnóstico

O diagnóstico de falência múltipla de órgãos é feito por meio dos sintomas clínicos e do resultado de certos exames físicos e laboratoriais. Os principais dados em que o médico deve basear-se são:

  • Temperatura corporal acima de 38ºC ou menor que 36ºC.
  • Frequência respiratória maior que 20 incursões respiratórias por minuto.
  • Pressão parcial de CO2 no sangue arterial menor que 32 mmHg.
  • Frequência cardíaca maior de 90 batimentos por minuto.
  • Aumento ou redução significativos do número de leucócitos (células brancas) no sangue.
  • Presença de mais 10% de bastões (leucócitos jovens).

Como é evoluído?

A síndrome de falência de múltiplos órgãos está sempre vinculada à elevada morbidade e mortalidade, devido à gravidade da deterioração multiorgânica, que é progressiva e universal. Se dois órgãos são comprometidos, a mortalidade é de 60%. Se a falência é de três órgãos, a taxa sobe para 85% e no caso de quatro órgãos ou mais é de 100%.

Referência:

  1. Oliveira, G.G. Síndrome da Falência de Múltiplos Orgãos. Rio de Janeiro, MEDSI Editora Médica e Científica LTDA. 1997.

Notícias da Enfermagem

Cofen atualiza resolução sobre transplante, doação e captação de órgãos

O Conselho Federal de Enfermagem publicou a Resolução 710/2022, que revoga a Resolução 611/2019 e normatiza a atuação da equipe de Enfermagem no processo de doação, captação e transplante de órgãos, tecidos e células. A atualização já entrou em vigor, após publicação no Diário Oficial, no dia 5 de outubro e instituições terão o prazo de seis […]

Regiões e Quadrantes Abdominais, sabe localizar?

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 11/09/2026.

Na avaliação abdominal, dizer apenas “o paciente está com dor na barriga” fornece pouca informação. Quando a dor é registrada como quadrante inferior direito, epigástrio ou hipocôndrio esquerdo, a comunicação fica muito mais precisa e ajuda a equipe a organizar o raciocínio clínico. É por isso que conhecer as divisões do abdome continua sendo básico para enfermagem.

Os 4 quadrantes do abdome

A divisão em quatro quadrantes é feita por duas linhas imaginárias que se cruzam no umbigo: uma vertical e outra horizontal. Assim, o abdome é dividido em quadrante superior direito (QSD), superior esquerdo (QSE), inferior direito (QID) e inferior esquerdo (QIE).

Essa divisão é especialmente prática para registrar dor, massas, distensão, alterações da parede abdominal e achados do exame físico. Importante: direita e esquerda são sempre as do paciente, não as do profissional que está à sua frente.

Quadrante Superior Direito — QSD

Inclui principalmente estruturas como fígado e vesícula biliar, além de partes do duodeno, cólon e intestino delgado. Dor nessa região pode ocorrer em diferentes condições hepatobiliares, gastrointestinais e até renais, portanto a localização ajuda a direcionar a avaliação, mas não fecha o diagnóstico.

Quadrante Superior Esquerdo — QSE

Relaciona-se principalmente ao estômago e baço, além de partes do pâncreas, cólon e intestino delgado.

Quadrante Inferior Direito — QID

Contém estruturas como ceco e apêndice, além de segmentos do intestino delgado, cólon, ureter e, nas mulheres, estruturas anexiais. A dor nessa região pode ter origem gastrointestinal, urinária ou ginecológica.

Quadrante Inferior Esquerdo — QIE

Inclui principalmente segmentos do cólon, além de alças intestinais, ureter e estruturas pélvicas. A localização da dor precisa ser interpretada junto à idade, sexo, sintomas associados e exame físico.

As 9 regiões abdominais

Quando é necessária uma localização anatômica mais detalhada, utiliza-se a divisão em nove regiões. Elas são organizadas em três níveis:

  • Superior: hipocôndrio direito, epigástrio e hipocôndrio esquerdo.
  • Médio: região lombar direita, região umbilical e região lombar esquerda.
  • Inferior: região ilíaca direita, hipogástrio e região ilíaca esquerda.

Essa nomenclatura é útil tanto para o ensino da anatomia quanto para descrever achados do exame físico e documentar alterações encontradas durante a assistência.

O que costuma aparecer em cada região?

No hipocôndrio direito, destacam-se fígado e vesícula biliar. No epigástrio, encontram-se estruturas como estômago, duodeno, pâncreas e parte do fígado. No hipocôndrio esquerdo, destacam-se baço e parte do estômago e do cólon.

Nas regiões lombares, encontram-se principalmente segmentos do cólon e os rins em posição posterior. A região umbilical contém grande quantidade de intestino delgado. Já nas regiões ilíacas, encontram-se porções do intestino grosso e estruturas pélvicas; o hipogástrio também se relaciona com bexiga, cólon sigmoide e órgãos reprodutivos.

Um ponto importante para a prova e para a prática: os órgãos não ficam confinados perfeitamente dentro de um quadrante ou região. O fígado, por exemplo, ocupa predominantemente o lado direito, mas também se estende para a região superior esquerda. Portanto, a localização da dor funciona como uma referência anatômica, não como um mapa diagnóstico absoluto.

Como isso aparece na enfermagem?

Imagine um paciente que informa “dor abdominal”. Durante a avaliação, ele aponta especificamente para o quadrante inferior direito. Essa informação é muito mais útil para o registro e para a comunicação com a equipe do que simplesmente anotar “dor abdominal”, principalmente se houver mudança na intensidade, vômitos, febre ou alteração do estado geral.

O mesmo raciocínio vale para um paciente no pós-operatório. Ao observar uma incisão ou um dreno localizado no quadrante superior direito, registrar exatamente a localização facilita a comparação entre avaliações e reduz ambiguidades na comunicação. A documentação de achados por regiões anatômicas faz parte de uma avaliação abdominal sistemática.

Quadrantes não substituem o exame abdominal

A divisão anatômica é apenas uma ferramenta dentro da semiologia. A avaliação abdominal deve integrar inspeção, ausculta, percussão e palpação, considerando também dor, distensão, massas, cicatrizes, estomas, drenos e alterações da parede abdominal.

Por exemplo, identificar dor no QIE é apenas o primeiro dado. Se o paciente também apresenta distensão, alteração do hábito intestinal, febre e dor à palpação, o conjunto passa a ter muito mais relevância clínica. O profissional deve registrar os achados de forma objetiva e comunicar alterações relevantes conforme o quadro.

Cuidados de enfermagem

Na avaliação, mantenha o paciente em posição confortável, exponha adequadamente o abdome, preserve a privacidade e observe contorno, simetria, cicatrizes, abaulamentos, lesões, drenos e estomas. A localização de dor ou alterações deve ser registrada utilizando quadrantes ou regiões de forma clara.

Durante o exame abdominal, lembre-se de que a ausculta deve preceder a palpação, pois a manipulação do abdome pode modificar os ruídos intestinais. Dor intensa ou progressiva, rigidez, defesa involuntária, distensão importante, vômitos persistentes, sangramento gastrointestinal ou instabilidade hemodinâmica exigem atenção imediata e comunicação à equipe.

Para memorizar rapidamente

  • 4 quadrantes: QSD, QSE, QID e QIE.
  • 9 regiões: hipocôndrio direito, epigástrio, hipocôndrio esquerdo, lombar direita, umbilical, lombar esquerda, ilíaca direita, hipogástrio e ilíaca esquerda.

A regra mais importante é simples: quadrantes e regiões servem para localizar e comunicar achados com precisão. Eles ajudam o profissional a organizar o exame, mas não devem ser usados isoladamente para determinar a causa de uma dor ou alteração abdominal.

Resumo para salvar

Regiões e Quadrantes Abdominais

  • O abdome pode ser dividido em 4 quadrantes ou 9 regiões
  • Os quatro quadrantes são delimitados a partir do umbigo
  • As nove regiões permitem localização anatômica mais detalhada
  • A localização ajuda no exame e registro, mas não determina sozinha o diagnóstico

 

 

Referências:

  1. GOLDIN, J.; SODHANI, S. Abdominal Examination. StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2026. Disponível em: NCBI Bookshelf – Abdominal Examination.
  2. OPENSTAX. Medical Terminology for Healthcare Professions: Body Regions. Bethesda: National Library of Medicine, 2024. Disponível em: NCBI Bookshelf – Body Regions. 
  3. NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE. Chapter 12: Abdominal Assessment – Nursing Skills. Bethesda: NCBI Bookshelf. Disponível em: NCBI Bookshelf – Abdominal Assessment.
  4. TORONTO METROPOLITAN UNIVERSITY. Abdomen – Inspection. Introduction to Health Assessment for the Nursing Professional. 2024. Disponível em: TMU – Abdomen Inspection. 

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