Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)

Imagine os seus pulmões como uma rede complexa de vias aéreas, responsáveis por levar o oxigênio essencial para o seu corpo e eliminar o dióxido de carbono. Na DPOC, essa rede enfrenta um obstáculo crescente.

A doença se caracteriza por uma limitação persistente do fluxo de ar nos pulmões, tornando a respiração cada vez mais difícil. Essa obstrução não é totalmente reversível e geralmente piora com o tempo.

A DPOC, na verdade, engloba principalmente duas condições que frequentemente coexistem: a bronquite crônica, marcada pela inflamação dos brônquios e produção excessiva de muco, e o enfisema pulmonar, caracterizado pela destruição dos pequenos sacos de ar nos pulmões (alvéolos) e pela perda da elasticidade pulmonar.

Essa combinação de fatores leva ao aprisionamento de ar nos pulmões (hiperinsuflação), dificultando a expiração completa e comprometendo a troca gasosa vital.

As Raízes do Problema: Desvendando as Causas da DPOC

A principal causa da DPOC é a exposição prolongada a substâncias irritantes que agridem os pulmões. O grande vilão nessa história é, sem dúvida, o tabagismo. A fumaça do cigarro, com suas inúmeras toxinas, desencadeia uma inflamação crônica nas vias aéreas e nos alvéolos, levando aos danos estruturais característicos da doença.

No entanto, o cigarro não é o único culpado. A exposição a poluentes ambientais e ocupacionais, como poeiras industriais, produtos químicos e fumos, também pode contribuir significativamente para o desenvolvimento da DPOC, especialmente em indivíduos não fumantes. A inalação passiva da fumaça do cigarro, embora em menor grau, também representa um risco.

Outros fatores podem aumentar a suscetibilidade à DPOC, como infecções respiratórias recorrentes na infância, que podem prejudicar o desenvolvimento pulmonar, e uma predisposição genética, sendo a deficiência de alfa-1 antitripsina o exemplo mais conhecido.

A asma de longa data não tratada e o próprio processo de envelhecimento, que naturalmente causa uma perda gradual da função pulmonar, também podem contribuir. Além disso, fatores como baixo peso ao nascer e nível socioeconômico baixo, que pode estar associado a maior exposição a poluentes e menor acesso à saúde, também são considerados.

Os Sinais de Alerta: Reconhecendo as Características da DPOC

A DPOC pode se manifestar de diversas formas, e os sintomas podem variar em intensidade dependendo do estágio da doença. É fundamental estarmos atentos aos sinais que podem indicar a presença dessa condição:

  • Falta de Ar (Dispneia): Este é um dos sintomas mais comuns e angustiantes. Inicialmente, pode ocorrer apenas durante o esforço físico, mas com a progressão da doença, a falta de ar pode surgir mesmo em repouso, limitando severamente as atividades diárias.
  • Tosse Crônica: Uma tosse persistente, que pode ser seca ou acompanhada de secreção, é um sintoma frequente. Muitas vezes, o paciente pode atribuir essa tosse ao “cigarro” ou a “alergias”, retardando a busca por ajuda médica.
  • Produção Crônica de Muco (Expectoração): A tosse geralmente vem acompanhada da produção de escarro, que pode variar em cor e quantidade. Essa secreção é resultado da inflamação e da hipersecreção nas vias aéreas.
  • Chiado no Peito (Sibilos): Um som sibilante ou chiado durante a respiração, especialmente ao expirar, pode ocorrer devido ao estreitamento das vias aéreas.
  • Aperto no Peito: Alguns pacientes descrevem uma sensação de aperto ou peso no peito, que pode estar relacionada à dificuldade em respirar.
  • Fadiga: A dificuldade em obter oxigênio suficiente e o esforço extra para respirar podem levar a uma sensação de cansaço constante e diminuição da tolerância ao exercício.
  • Perda de Peso Involuntária: Em estágios mais avançados, alguns pacientes podem perder peso sem intenção, devido ao aumento do gasto energético para respirar e à diminuição do apetite.
  • Exacerbações: Períodos de piora súbita e intensa dos sintomas (aumento da falta de ar, tosse e produção de muco) são comuns na DPOC e podem exigir tratamento médico imediato, incluindo antibióticos ou corticosteroides.
  • Tórax em Barril: Em casos de enfisema avançado, a hiperinsuflação pulmonar crônica pode levar a uma alteração na forma do tórax, que assume um formato mais arredondado, semelhante a um barril.

O Cuidado de Enfermagem: Nosso Papel Essencial no Manejo da DPOC

Para nós, profissionais de enfermagem, o cuidado ao paciente com DPOC vai muito além do alívio dos sintomas agudos. Nosso papel é fundamental para melhorar a qualidade de vida, prevenir complicações e educar o paciente e seus familiares sobre o manejo da doença. Nossas ações incluem:

  • Avaliação Abrangente: Realizar uma anamnese detalhada, investigando o histórico do paciente, fatores de risco, sintomas, impacto da doença nas atividades diárias e qualidade de vida. Avaliar os sinais vitais, ausculta pulmonar e padrão respiratório.
  • Educação para a Saúde: Informar o paciente sobre a natureza da DPOC, suas causas, os mecanismos da doença e a importância da adesão ao tratamento. Reforçar a necessidade de cessação do tabagismo, caso aplicável, oferecendo apoio e recursos para auxiliar nesse processo.
  • Administração de Medicamentos: Garantir a administração correta dos medicamentos prescritos, como broncodilatadores (de curta e longa ação), corticosteroides inalatórios e orais, e outros fármacos. Orientar o paciente sobre a técnica correta de utilização dos dispositivos inalatórios (bombinhas e espaçadores) e a importância da regularidade do uso.
  • Oxigenoterapia: Administrar oxigênio suplementar conforme a prescrição médica, monitorando a saturação de oxigênio e ajustando o fluxo quando necessário. Educar o paciente e seus familiares sobre o uso correto e seguro do oxigênio domiciliar, se indicado.
  • Reabilitação Pulmonar: Encorajar e orientar o paciente a participar de programas de reabilitação pulmonar, que incluem exercícios respiratórios, treinamento físico, orientações nutricionais e suporte psicossocial. Esses programas são cruciais para melhorar a tolerância ao exercício, reduzir a falta de ar e melhorar a qualidade de vida.
  • Manejo das Exacerbações: Reconhecer precocemente os sinais de exacerbação e orientar o paciente sobre quando e como procurar ajuda médica. Seguir as prescrições médicas durante as exacerbações, administrando medicamentos, oxigênio e oferecendo suporte respiratório, se necessário.
  • Suporte Respiratório Não Invasivo (VNI): Em casos de exacerbação grave, auxiliar na implementação e monitorização da ventilação não invasiva, conforme a indicação médica.
  • Promoção da Nutrição Adequada: Avaliar o estado nutricional do paciente e oferecer orientações sobre uma dieta equilibrada e rica em nutrientes. Em casos de perda de peso, pode ser necessário o acompanhamento de um nutricionista.
  • Suporte Emocional: Oferecer apoio emocional e escuta ativa ao paciente e seus familiares, que podem enfrentar ansiedade, depressão e isolamento social devido à doença.
  • Prevenção de Infecções: Orientar sobre a importância da vacinação contra a gripe e pneumonia, além de medidas de higiene para prevenir infecções respiratórias.
  • Monitorização Contínua: Avaliar regularmente os sintomas, a função pulmonar (através de espirometria e oximetria), a capacidade de realizar atividades diárias e a resposta ao tratamento.

Nosso cuidado humanizado e a nossa expertise são fundamentais para ajudar os pacientes com DPOC a viverem da melhor forma possível, apesar dos desafios impostos pela doença.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA. Diretrizes para o Manejo da DPOC – 2017. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 43, n. 1, p. 1-46, 2017. Disponível em: https://jornaldepneumologia.com.br/detalhe_artigo.asp?id=3346.
  2. GLOBAL INITIATIVE FOR CHRONIC OBSTRUCTIVE LUNG DISEASE (GOLD). Global Strategy for the Diagnosis, Management, and Prevention of Chronic Obstructive Pulmonary Disease (2023 Report). [S. l.]: GOLD, 2023. Disponível em: https://goldcopd.org/2023-gold-report-2/.
  3. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G.; HINKLE, J. L.; CHEEVER, K. H. Brunner & Suddarth’s textbook of medical-surgical nursing. 14. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2018.

Os Princípios da Oxigenoterapia

A oxigenoterapia é um tratamento essencial para pacientes com deficiência de oxigênio.

No entanto, deve-se entender basicamente os princípios fundamentais desse procedimento, abordando aspectos como dosagem, continuidade, controle, temperatura e umidificação.

Dosagem

  • A dosagem de oxigênio deve ser personalizada para cada paciente. Ela é determinada com base na pressão arterial de oxigênio (PaO2) ou na saturação de oxigênio (SatO2).
  • Indicações comuns para oxigenoterapia incluem PaO2 ≤ 55 mmHg ou SatO2 ≤ 88% em gasometria arterial.
  • Profissionais capacitados devem prescrever a dosagem adequada para evitar efeitos colaterais.

Continuidade

  • A oxigenoterapia deve ser contínua, especialmente para pacientes com necessidades crônicas.
  • Interrupções podem comprometer a saúde do paciente. Portanto, é crucial seguir as orientações médicas rigorosamente.

Controle

  • Monitorar a saturação de oxigênio (SpO2) é fundamental durante o tratamento.
  • A oximetria de pulso é uma ferramenta útil para avaliar a eficácia da oxigenoterapia.

Temperatura e Umidificação

  • O oxigênio seco pode causar ressecamento das vias aéreas e mucosas.
  • Pacientes com fluxo de oxigênio acima de 3 LPM devem usar um umidificador de oxigênio para evitar esse problema.
  • A umidificação é especialmente importante para pacientes traqueostomizados.

Benefícios da Oxigenoterapia

  • Melhora o sono, a memória e o desempenho nas atividades diárias.
  • Proporciona mais disposição geral.

Lembre-se de que a oxigenoterapia deve ser prescrita e monitorada por profissionais da enfermagem, medicina e fisioterapia qualificados.

Referências:

  1. São Camilo
  2. Telemedicina Morsch
  3. ConstaMed
  4. SBPT
  5. CPAPS

Cateter Nasal de Alto Fluxo (CNAF)

O Cateter Nasal de Alto Fluxo, também chamado de Cânula Nasal de Alto Fluxo (CNAF), é um dispositivo de suporte de oxigênio umidificado e aquecido a fluxos tão altos quanto 60L/min via um cateter nasal largo.

É usado em pacientes críticos em diversos cenários, como IRespA hipoxêmica e hipercápnica, pós extubação, pré oxigenação para intubação orotraqueal (IOT), ou mesmo no intuito de se evitar IOT em pacientes imunossuprimidos.

Benefícios

Teoricamente, o CNAF traz vantagens fisiológicas ao suporte de O2 convencional, como redução do trabalho respiratório devido aos fluxos do dispositivo serem compatíveis com o fluxo inspiratório, melhor sincronia toracoabdominal e esforço respiratório mais eficaz associados à redução do espaço morto anatômico, maior facilidade no clareamento de secreções, menor risco de atelectasias e melhor oxigenação.

O dispositivo inclui uma fonte de gás (usualmente um gerador de fluxo com um blender de ar comprimido e oxigênio), capaz de gerar fluxos até 60L/min com frações inspiradas de O2 que variam de 21 – 100%, um umidificador aquecido, um circuito inspiratório único e um prong nasal largo.

Mecanismo de funcionamento

  • O CNAF permite a eliminação do espaço morto da nasofaringe, o que contribui para estabelecer uma fração melhorada de gases alveolares em relação tanto ao dióxido de carbono quanto ao oxigênio;
  • Promove o fornecimento de um fluxo adequado para sustentar a inspiração, de maneira que reduz o trabalho respiratório e inspiratório;
  • O fornecimento de gás adequadamente aquecido e umidificado às vias aéreas condutoras melhora a condutância e a complacência pulmonar em comparação ao gás seco e frio. Além disso, reduz o trabalho metabólico associado ao condicionamento de gases;
  • O alto fluxo por meio da nasofaringe pode ser usado para fornecer pressão de distensão final.

O fluxo aquecido e umidificado promove maior conforto e elevado fluxo de ar, o qual vai direto para a nasofaringe e faz com que o espaço morto seja diminuído devido à menor fração de CO2, melhorando a ventilação alveolar e o trabalho respiratório.

Assim, após entender o mecanismo, fica fácil saber quais são as principais vantagens do CNAF: ele possui valores mais altos e estáveis de FiO2, o espaço morto anatômico é diminuído por meio de lavagem do espaço nasofaringe, uma fração maior da ventilação/minuto participa da troca gasosa, e os esforços respiratórios ficam mais eficientes.

Indicação

Em 2020, a Intensive Care Medicine publicou um guideline sobre CNAF que mostra quais são as principais indicações de uso. Confira as recomendações com base nos quadros dos pacientes abaixo.

Recomendação forte: insuficiência respiratória hipoxêmica aguda

Neste quadro, comparando o CNAF com as terapias de oxigênio convencionais, as principais diferenças são:

  • redução nas taxas de intubação;
  • aumento do suporte respiratório, podendo ter um pequeno efeito no conforto e na dispneia.

Recomendação moderada: insuficiência respiratória aguda pós-extubação

Nesta situação, o CNAF foi sugerido após extubação para pacientes intubados por mais de 24 horas e com qualquer característica de alto risco, entre as citadas abaixo, para reintubação:

  • idade > 65 anos;
  • insuficiência cardíaca congestiva (ICC);
  • DPOC moderada a grave;
  • APACHE II > 12;
  • IMC > 30;
  • permeabilidade ou secreção das vias aéreas;
  • dificuldade de desmame;
  • duas ou mais comorbidades;
  • ventilação mecânica > 7 dias.

Desvantagens

A principal preocupação deve ser em retardar a intubação por mascarar uma piora clínica do paciente. O estudo observacional mostrou que os pacientes intubados após 48 horas de tratamento tiveram mortalidade mais elevada que os que foram intubados nas primeiras 48 horas.

A grande diferença entre o CNAF e a ventilação não invasiva (VNI) é que não há possibilidade de monitoramento de pressões ou volumes, com chance de ocasionar uma lesão pulmonar em pacientes que respiram com altos volumes.

O principal ponto é que, embora o CNAF seja uma opção promissora na unidade de terapia intensiva, são necessários estudos adicionais para definir, de forma mais precisa, quais são os pacientes com maior oportunidade de se beneficiarem a partir do uso da oxigenoterapia nasal de alto fluxo.

É de extrema importância que a indicação seja adequada, e o paciente esteja em um ambiente com uma equipe que consiga monitorar de perto o curso clínico, treinada para reconhecer os primeiros sinais de falha.

Referências:

  1. Cummings MJ, Baldwin MR, Abrams D, et al.: Epidemiology, clinical course, and outcomes of critically ill adults with COVID-19 in New York City: a prospective cohort study. The Lancet 2020; 395:1763–1770
  2. Gattinoni L, Coppola S, Cressoni M, et al.: Covid-19 Does Not Lead to a “Typical” Acute Respiratory Distress Syndrome. Am J Respir Crit Care Med 2020; rccm.202003-0817LE
  3. Alhazzani W, Møller MH, Arabi YM, et al.: Surviving Sepsis Campaign: guidelines on the management of critically ill adults with Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) [Internet]. Intensive Care Med 2020; Available from: http://link.springer.com/10.1007/s00134-020-06022-5
  4. Perkins GD, Ji C, Connolly BA, et al.: Effect of Noninvasive Respiratory Strategies on Intubation or Mortality Among Patients With Acute Hypoxemic Respiratory Failure and COVID-19: The RECOVERY-RS Randomized Clinical Trial. JAMA 2022; 327:546
  5. Ospina-Tascón GA, Calderón-Tapia LE, García AF, et al.: Effect of High-Flow Oxygen Therapy vs Conventional Oxygen Therapy on Invasive Mechanical Ventilation and Clinical Recovery in Patients With Severe COVID-19: A Randomized Clinical Trial. JAMA 2021; 326:2161
  6. Lewis SR, Baker PE, Parker R, et al.: High-flow nasal cannulae for respiratory support in adult intensive care patients [Internet]. Cochrane Database Syst Rev 2021; 2021[cited 2022 Jul 3] Available from: http://doi.wiley.com/10.1002/14651858.CD010172.pub3
  7. Frat J-P, Thille AW, Mercat A, et al.: High-Flow Oxygen through Nasal Cannula in Acute Hypoxemic Respiratory Failure. N Engl J Med 2015; 372:2185–2196
  8. Baldomero AK, Melzer AC, Greer N, et al.: Effectiveness and Harms of High-Flow Nasal Oxygen for Acute Respiratory Failure: An Evidence Report for a Clinical Guideline From the American College of Physicians. Ann Intern Med 2021; 174:952–966
  9. Thille AW, Muller G, Gacouin A, et al.: Effect of Postextubation High-Flow Nasal Oxygen With Noninvasive Ventilation vs High-Flow Nasal Oxygen Alone on Reintubation Among Patients at High Risk of Extubation Failure: A Randomized Clinical Trial. JAMA 2019; 322:1465
  10. Guitton C, Ehrmann S, Volteau C, et al.: Nasal high-flow preoxygenation for endotracheal intubation in the critically ill patient: a randomized clinical trial. Intensive Care Med 2019; 45:447–458
  11. Frat J-P, Ricard J-D, Quenot J-P, et al.: Non-invasive ventilation versus high-flow nasal cannula oxygen therapy with apnoeic oxygenation for preoxygenation before intubation of patients with acute hypoxaemic respiratory failure: a randomised, multicentre, open-label trial. Lancet Respir Med 2019; 7:303–312

Oxigenoterapia: Baixo e Alto fluxo

Há dois tipos de oxigenoterapia que, por definição, é a administração de oxigênio como proposta terapêutica a níveis pressóricos acima do encontrado na atmosfera. Têm por finalidade corrigir ou atenuar quadros de deficiência de oxigênio ou hipóxia.

De acordo com a necessidade do paciente e com seu quadro clínico, o profissional indica os seguintes tipos de oxigenoterapia:

  1. Baixo Fluxo:  É caracterizado por fornecer fluxo de oxigênio complementar, suprindo as necessidades do paciente.Sendo que as principais interfaces utilizadas são: cateter tipo óculos ou máscaras para oxigenoterapia, para aqueles pacientes cujas alterações de saturação são mais brandas.
  2. Alto fluxo: Entre os tipos de oxigenoterapia, esse é responsável por ofertar um fluxo maior de oxigênio, atendendo à necessidade do paciente.

A principal interface utilizada é a máscara tipo venturi, em que é possível regular o fluxo de ar e o controle da fração de oxigênio inspirada, e o cateter nasal de alto fluxo (CNAP).

Objetivos principais da oxigenoterapia:

  • Corrigir e reduzir os sintomas decorrentes da hipoxemia e melhorar a difusão de O2;
  • Melhorar a oxigenação tecidual em casos de transporte ineficiente;
  • Reduzir o trabalho cardiopulmonar;
  • Corrigir pressões gasométricas (PaO2 80 – 100 mmHg e SapO2 90 – 100%);

Em quadros de hipoxemia, notamos sintomas como cianose de extremidades, desorientação, agitação psicomotora e taquidispnéia. Sendo assim, a observação clínica do paciente é fundamental no momento da indicação dos tipos de oxigenoterapia e dequal tratamento seguir.

Segundo a American Association for Respiratory Care (AARC), indica-se oxigenoterapia nos casos de:

  • Pressão de Oxigênio e Saturação Baixas (PaO2 <60mmHg ou SpO2 <90% em ar ambiente);
  • SpO2 <88% durante deambulação, exercícios ou sono em portadores de doenças cardiorrespiratórias;
  • Infarto Agudo do Miocárdio (IAM); entre outros.

Após uma avaliação completa do quadro clínico e a identificação de qual dos tipos de oxigenoterapia seguir, e a evolução no caso específico do paciente, pode-se orientar o uso de oxigenoterapia.

Considera-se também os exames laboratoriais de gasometria arterial, a fim de entender qual a necessidade de fração inspirada de oxigênio (FiO2).

Referências:

  1. Dres, M., & Demoule, A.. (2017). O que todo intensivista deve saber sobre oxigenoterapia nasal de alto fluxo em pacientes críticos. Revista Brasileira De Terapia Intensiva, 29(4), 399–403. https://doi.org/10.5935/0103-507X.20170060
  2. CRAVEN, R. F.; HIRNLE, C. J. Fundamentos de Enfermagem: saúde e função humanas. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. Disponível em : http://www2.ebserh.gov.br/documents/147715/0/POP+19+Oxigenoterapia+hospitalar+aprovado.pdf/ccd04e6e-2aa9-4f59-a8a3-ac7b3eb14f30. 
  3. POTTER, P. A.; PERRY, A. G. Fundamentos de enfermagem: conceitos, processo e prática. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009.
  4. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G.; BRUNNER & SUDDARTH. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.

Máscara Não Reinalante

A Máscara Não Reinalante é um dispositivo muito utilizado em salas de emergência e UTI, onde a princípio compõem por uma máscara facial com duas portas de exalações, uma delas contendo uma válvula unidirecional.

Conectada à máscara, há uma bolsa reservatório flexível com uma válvula unidirecional entre a bolsa e a máscara, e uma extensão de O2.

A FiO2 varia de 60 a 100%, com fluxo mínimo de 6L/min e com fluxo máximo de 15 l/min.

A Desvantagem

Alguns estudos relatam que o paciente pode reinalar o ar expirado, o que não faz jus ao seu nome. Além de que, não costuma ficar perfeitamente acoplada à face do paciente, portanto, é comum que não alcance uma FiO2 de 100%, ainda mais que a utilização prolongada pode ser desconfortável devido ao peso do equipamento sob o paciente e a vedação necessária, ou seja, muitas vezes pode lesionar o rosto do paciente.

Alguns Cuidados de Enfermagem

  • Separar máscara facial de tamanho adequado para o paciente;
  • Monitorizar (oxímetro de pulso) e avaliar paciente;
  • Checar funcionamento da rede de oxigênio;
  • Acoplar umidificador de gases no fluxômetro de O2 previamente instalado na rede de gases;
  • Acoplar a máscara facial no paciente, envolvendo a boca e o nariz, e ajustar elástico ao redor da cabeça e clipe metálico no nariz;
  • Ajustar fluxo de O2 de modo que os valores de SpO2 sejam satisfatórios;
  • Certificar-se pela avaliação do paciente de que houve melhora do quadro;
  • Registrar no prontuário o início do suporte;

Quanto aos cuidados com o Dispositivo

  • A máscara de reservatório é de uso individual e descartável;
  • Certificar-se de que o equipamento esteja completo e em perfeito estado para sua utilização;
  • Manter fluxo mínimo de 6 l/min, para evitar o colabamento do reservatório;
  • Realizar o desmame da oxigenoterapia adequadamente, reduzindo gradativamente o fluxo de oxigênio ofertado;
  • Atenção contínua a sinais de toxicidade pelo uso prolongado e/ou em altas concentrações de oxigênio;
  • Na persistência de baixos níveis de SpO2 e/ou dispneia, comunicar a equipe médica e considerar a necessidade de outro sistema ou de suporte ventilatório;
  • Em caso de intercorrência clínica, comunicar a equipe médica, e registrar o ocorrido em prontuário;
  • Em caso de não funcionamento adequado do equipamento, cancelar o procedimento e solicitar troca e/ou reposição do mesmo.

Referências:

  1. Pebmed
  2. COSTA, A. P. B. M.; PERES, D.B. Aerossolterapia e oxigenoterapia em pediatria e neonatologia. In: Profisio Pediátrica e Neonatal: cardiorrespiratória e terapia intensiva, 2012, 1(1):107-151.
  3. LEAL, A.G.C.; SILVA, R.J.; ANDRADE, L.B. Aerossolterapia em pediatria e em neonatologia. In: Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva;
  4. MARTINS, J.A.; e org. PROFISIO Programa de Atualização em Fisioterapia Pediátrica e Neonatal: Cardiorrespiratória e Terapia Intensiva: Ciclo 3. v. 1. Porto Alegre: Artmed/Panamericana; 2014. p. 9-28.
  5. PRADO, C.; VALE, L. A. Fisioterapia neonatal e pediátrica. REBELO, C. M.; HADDAD, L. B. Oxigenoterapia e ventilação manual. Barueri, SP : Manole, 2012.
  6. REBELO, C. M.; HADDAD, L. B. Oxigenoterapia e ventilação manual. In: PRADO, C.; VALE, L.A. Fisioterapia neonatal e pediátrica.. Barueri, SP : Manole, 2012.
  7. REIS, L.F.F. Uso terapêutico do oxigênio em terapia intensiva. In: Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva; DIAS, C.M.; MARTINS, J.A. (Org.). PROFISIO Programa de Atualização em Fisioterapia em Terapia Intensiva Adulto: Ciclo4. Porto Alegre: Artmed/Panamericana; 2014. p. 69-96. (Sistema de Educação em Saúde Continuada a Distância, v. 3).
  8. SARMENTO, G. J. V. Fisioterapia respiratória em pediatria e neonatologia. Barueri, SP: Manole, 2007.

Entendendo sobre a Inaloterapia

A Inaloterapia
Inaloterapia: fluidificação e broncodilatação.

A Inaloterapia também faz parte da Oxigenoterapia, mas objetiva-se em manter a umidade das vias aéreas adequadas, para a garantia de uma respiração apropriada, podendo ser subdividida em fluidificação e a broncodilatação.

É indicada para administração de medicamentos, principalmente os bronco dilatadores e os muco líticos, e ou para suplementar o oxigênio no sistema respiratório do paciente. Com o uso da Inaloterapia, pode-se mobilizar e fluidificar as secreções mucosas, aliviar o edema da mucosa, reduzir o broncoespasmo e até reduzir processos inflamatórios por nebulizações de antibióticos.

Na forma não invasiva, pode-se realizar a umidificação, administração de oxigênio e medicamentos por meio de nebulizações, por via de máscara inalatória, enquanto por via invasiva (paciente intubado ou traqueostomizado), deve-se utilizar um conector próprio ao circuito ventilatório, o conector MDI (Tubo “T”), conectando o frasco de inalação na terceira via do conector, sem perder a ventilação e não dar perdas ao paciente.

Os medicamentos também podem ser administrados por aerossóis propelidos a freon, um gás que gera alta pressão e produz uma névoa com a solução medicamentosa. Nas unidades de tratamento intensivo (UTIs), são utilizadas nebulizações contínuas para umidificar as vias aéreas e administrar oxigênio, principalmente para os pacientes que foram extubados e ainda apresentam valores diminuídos da pressão parcial de oxigênio, a hipoxemia.

A inaloterapia em geral pode provocar infecções ou superinfecções, em frequência maior que a suspeitada, por contaminação do equipamento (organismos gram-negativos) e pelas alterações na fagocitose e transporte provocados pelo oxigênio em alta tensão.

COMO REALIZAR A INALOTERAPIA?

Materiais necessários para o procedimento:

  • Bandeja;
  • Inalador;
  • Fluxômetro,
  • SF 0,9% ou Água (AD);
  • Medicamento prescrito.

Realizando o procedimento em método não invasivo:

  1. Higienizar como Mãos;
  2. Conferir a prescrição e reunir todo o material e levar junto ao paciente;
  3. Colocar o SF 0,9% ou AD no reservatório do inalador e medicação;
  4. Orientar o paciente sobre o procedimento;
  5. Colocar o paciente em posição de “Fowler”;
  6. Montar o sistema e conectar o inalador a rede de oxigênio ou ar comprimido através do fluxômetro;
  7. Regular o fluxo de oxigênio ou ar comprimido de acordo com a prescrição através do fluxômetro, verificando se há saída de névoa do inalador;
  8. Colocar a máscara sobre a face do paciente delicadamente e orientá-lo a respirar tranquilamente;
  9. Manter a nebulização/inalação durante o tempo indicado e observar o paciente;
  10. Deixar o paciente do Confortável;
  11. Recolher o material para limpeza e guarda;
  12. Higienizar as mãos;
  13. Checar o Procedimento;
  14. Realizar Anotações de Enfermagem no Prontuário.

Realizando o procedimento em método invasivo:

  1. Higienizar como Mãos;
  2. Conferir a prescrição e reunir todo o material e levar junto ao paciente;
  3. Colocar o SF 0,9% ou AD no reservatório do inalador e medicação;
  4. Orientar o paciente sobre o procedimento caso o mesmo estiver consciente;
  5. Colocar o paciente em posição de “Fowler”;
  6. Montar o sistema e conectar o inalador a rede de oxigênio ou ar comprimido através do fluxômetro;
  7. Regular o fluxo de oxigênio ou ar comprimido de acordo com a prescrição através do fluxômetro, verificando se há saída de névoa do inalador;
  8. Instale o conector MDI (Tubo T) na saída do inalador, e desconecte o circuito do paciente, e rapidamente, conecte o tubo T já com a inalação ligada no tubo do paciente, e reconecte o circuito novamente junto ao tubo T (se o paciente obtiver de filtro bacteriológico no circuito, retire enquanto estiver realizando a inalação, pois a eficácia da medicação diminuirá com o filtro bacteriológico conectado ao paciente);
  9. Manter a nebulização/inalação durante o tempo indicado e observar o paciente, e após o término do mesmo, realizar a desconexão do inalador com o tubo T e instalar o filtro bacteriológico novamente, reconectando ao paciente rapidamente;
  10. Deixar o paciente do Confortável;
  11. Recolher o material para limpeza e guarda;
  12. Higienizar as mãos;
  13. Checar o Procedimento;
  14. Realizar Anotações de Enfermagem no Prontuário.

Entendiendo sobre la Inhaloterapia

Inhaloterapia

La Inhaloterapia también forma parte de la Oxigenoterapia, pero se objetiva en mantener la humedad de las vías aéreas adecuadas, para la garantía de una respiración apropiada, pudiendo ser subdividida en fluidificación y la broncodilatación.

Es indicada para la administración de medicamentos, principalmente los broncodilatadores y los mucolíticos, y o para suplementar el oxígeno en el sistema respiratorio del paciente. Con el uso de la inhaloterapia, se pueden movilizar y fluidificar las secreciones mucosas, aliviar el edema de la mucosa, reducir el broncoespasmo y hasta reducir procesos inflamatorios por nebulizaciones de antibióticos.

En la forma no invasiva, se puede realizar la humidificación, administración de oxígeno y medicamentos por medio de nebulizaciones, por vía de máscara inhalatoria, mientras que por vía invasiva (paciente intubado o traqueostomizado), se debe utilizar un conector propio al circuito ventilatorio, el conector MDI (Tubo “T”), conectando el frasco de inhalación en la tercera vía del conector, sin perder la ventilación y no dar pérdidas al paciente.

Los medicamentos también pueden ser administrados por aerosoles propulsados ​​a freón, un gas que genera alta presión y produce una niebla con la solución medicamentosa. En las unidades de tratamiento intensivo (UTIs), se utilizan nebulizaciones continuas para humidificar las vías aéreas y administrar oxígeno, principalmente para los pacientes que fueron extubados y aún presentan valores disminuidos de la presión parcial de oxígeno, la hipoxemia.

La inhaloterapia en general puede provocar infecciones o sobreinfecciones, en frecuencia mayor que la sospechada, por contaminación del equipo (organismos gram-negativos) y por los cambios en la fagocitosis y transporte provocados por el oxígeno en alta tensión.

¿Cómo realizar la inhaloterapia?

Materiales necesarios para el procedimiento:

  • Bandeja;
  • Inhalador;
  • Caudalímetro;
  • SF 0,9% o Agua (AD);
  • Medicamento prescrito.

Realizando el procedimiento en método no invasivo:

  1. Higienizar las manos;
  2. Ver la prescripción y reunir todo el material y llevar junto al paciente;
  3. Colocar el SF 0,9% o AD en el depósito del inhalador y medicación;
  4. Orientar al paciente sobre el procedimiento;
  5. Colocar al paciente en posición de “Fowler”;
  6. Montar el sistema y conectar el inhalador a la red de oxígeno o aire comprimido a través del caudalímetro;
  7. Regular el flujo de oxígeno o aire comprimido de acuerdo con la prescripción a través del caudalímetro, comprobando si hay salida de niebla del inhalador;
  8. Colocar la mascarilla sobre la cara del paciente suavemente y orientarle a respirar tranquilamente;
  9. Mantener la nebulización / inhalación durante el tiempo indicado y observar al paciente;
  10. Dejar al paciente del Cómodo;
  11. Recoger el material para limpieza y guardado;
  12. Higienizar las manos;
  13. Comprobar el procedimiento;
  14. Realizar Anotaciones de Enfermería en el Prontuario.

Realizando el procedimiento en método invasivo:

  1. Higienizar las manos;
  2. Ver la prescripción y reunir todo el material y llevar junto al paciente;
  3. Colocar el SF 0,9% o AD en el depósito del inhalador y medicación;
  4. Orientar al paciente sobre el procedimiento;
  5. Colocar al paciente en posición de “Fowler”;
  6. Montar el sistema y conectar el inhalador a la red de oxígeno o aire comprimido a través del caudalímetro;
  7. Regular el flujo de oxígeno o aire comprimido de acuerdo con la prescripción a través del caudalímetro, comprobando si hay salida de niebla del inhalador;
  8. Instale el conector MDI (Tubo T) en la salida del inhalador, y desconecte el circuito del paciente, y rápidamente, conecte el tubo T ya con la inhalación conectada en el tubo del paciente, y vuelva a conectar el circuito nuevamente al tubo T (si el paciente obtenga de filtro bacteriológico en el circuito, retire mientras esté realizando la inhalación, pues la eficacia de la medicación disminuirá con el filtro bacteriológico conectado al paciente);
  9. Mantener la nebulización / inhalación durante el tiempo indicado y observar al paciente, y después de la terminación del mismo, realizar la desconexión del inhalador con el tubo T e instalar el filtro bacteriológico nuevamente, reconectando al paciente aptamente;
  10. Dejar al paciente del Cómodo;
  11. Recoger el material para limpieza y guardado;
  12. Higienizar las manos;
  13. Comprobar el procedimiento;
  14. Realizar Anotaciones de Enfermería en el Prontuario.

Inaloterapia e Oxigenoterapia: As Diferenças

Inaloterapia e Oxigenoterapia

Certamente você tem dúvidas em questão a este dois itens: A Oxigenoterapia e a Inaloterapia. Mas antes, vamos relembrar, que a Inaloterapia pode ser subdividida em fluidificação, oxigenoterapia e a broncodilatação. Objetivando-se em manter a umidade das vias aéreas adequadas, para a garantia de uma respiração apropriada.

Mas iremos abordar sobre estes dois itens:

A inaloterapia é um recurso utilizado para manter a umidade adequada das vias aéreas, permitindo que a respiração funcione apropriadamente. É indicada para administração de medicamentos, principalmente os broncodilatadores e os mucolíticos, e ou para suplementar o oxigênio no sistema respiratório do paciente. Com o uso da inaloterapia, pode-se mobilizar e fluidificar as secreções mucosas, aliviar o edema da mucosa, reduzir o broncoespasmo e até reduzir processos inflamatórios por nebulizações de antibióticos.

Na forma não invasiva, pode-se realizar a umidificação, administração de oxigênio e medicamentos por meio de nebulizações. Os medicamentos dos nebulizadores podem ser por ação pneumática (ar comprimido), em que um estreito jato de gás de alta pressão é expelido através de um reservatório de água, formando gotas de água e vapor lançados contra um anteparo que filtra as partículas maiores de água, com tamanhos de 5 a 20 mícrons, ou por ação mecânica ou ultra-sônica, em que uma corrente elétrica ativa um transdutor piezoelétrico, produzindo vibrações de altíssima frequência, transmitidas para um recipiente plástico fino contendo solução terapêutica. Essas partículas, de tamanho inferior a 0,5 a 8 mícrons, são suspensas no gás propelente para um inalador.

Os medicamentos também podem ser administrados por aerossóis propelidos a freon, um gás que gera alta pressão e produz uma névoa com a solução medicamentosa. Nas unidades de tratamento intensivo (UTIs), são utilizadas nebulizações contínuas para umidificar as vias aéreas e administrar oxigênio, principalmente para os pacientes que foram extubados e ainda apresentam valores diminuídos da pressão parcial de oxigênio, a hipoxemia.

A inaloterapia em geral pode provocar infecções ou superinfecções, em frequência maior que a suspeitada, por contaminação do equipamento (organismos gram-negativos) e pelas alterações na fagocitose e transporte provocadas pelo oxigênio em alta tensão.

A oxigenoterapia é uma forma terapêutica que tem por finalidade primária a administração de oxigênio suplementar na tentativa de manter a saturação de oxigênio maior que 90%, corrigindo o prejuízo na liberação de oxigênio; sendo assim uma terapia para a correção da hipóxia tissular. É empregada com base no conhecimento dos índices de oxigenação do paciente, em que várias medidas e índices derivados são utilizados para a avaliação da oxigenação. Entre estes, incluem-se pressão e saturação arterial de oxigênio, conteúdo de oxigênio arterial, saturação e pressão de oxigênio venoso misto, liberação sistêmica de oxigênio.

Tendo como métodos da oxigenoterapia:

– Cateter nasal (O paciente recebe oxigênio numa concentração que varia de 25 a 45% e com um fluxo de 0,5 até 5L/mim. É um cateter de fácil colocação e permite o paciente falar e se alimentar sem interromper a oxigenoterapia. Porém, possui algumas desvantagens como: não conhecer o fluxo exato da FiO2, ressecamento da mucosa, irritação cutânea (dermatites de contato) e vazamentos. Para fluxos maiores do que 4L/mim é necessário a umidificação e está contra-indicada em indivíduos que tenham respiração predominantemente oral);
 Máscaras faciais, ou Nebulização (Também não oferecem concentrações fixas de ar inspirado. Devem ser anatômicas, transparentes e resistentes. Durante a alimentação deve ser retirada e também se o paciente apresentar claustrofobia);
– Máscaras com reservatório de oxigênio (É uma máscara com as mesmas características da descrita acima, porém com uma bolsa onde o oxigênio é armazenado e liberado durante as inspirações do paciente);
– Máscaras de Venturi (Constitui um método seguro, pois fornece uma FiOconhecida. O sistema Venturi é baseado na passagem d e um alto fluxo de oxigênio a orifícios no corpo da máscara, cuja escala de concentração de oxigênio varia d e 24% a 50% (FiO 2de 24, 28, 31, 35, 40 e 50%). Esse tipo de máscara é utilizado em ambiente hospitalar, principalmente pós extubação.
– Tenda facial (É uma máscara constituída de material maleável e transparente, geralmente utilizada com crianças. Este t ipo d e mascara oferece uma concentração elevada de oxigênio).

Conhecendo a Máscara de Venturi

Venturi

A Máscara de Venturi é dispositivo de alto fluxo para tratamento cujo objetivo é manter a saturação de O2 acima de 90%, o nível recomendado para a saúde. Algumas pessoas possuem a taxa de oxigênio baixa em casos de fibrose pulmonar ou taquipneia, por exemplo, e então precisam de complementação através deste método.

De onde vem este nome, o Venturi?

O nome dado à esta máscara é proveniente do físico Giovanni Battista Venturi (1746-1822), que na qual é chamado de “Efeito de Venturi”, ocorre, quando em um sistema fechado, o fluido em movimento constante dentro de um duto uniforme comprime-se momentaneamente ao encontrar uma zona de estreitamento diminuindo sua pressão e consequentemente aumentando sua velocidade ao atravessar a zona estreitada onde ocorre ” também ” uma baixa pressão.

Como a Máscara funciona?

O sistema de Venturi possibilita um controle da Fração inspirada de O2 (FiO2) fornecida ao paciente. Neste item, a codificação da FiO2 fornecida ao sistema é realizada por meio de válvulas plásticas de diferentes cores, de acordo com a quantidade de oxigênio que elas liberam em litros por minuto.

Quais são os componentes que compõem a Máscara de Venturi?

A máscara de venturi é composta por: máscara, traquéia, diluidor, suporte do diluidor e extensão.

O Sistema de cores

A maioria dos fabricantes de máscaras de Venturi segue uma tabela de cores padrão:

Válvula Azul: libera 4L de oxigênio por minuto a uma concentração de O2 de 24%;

Válvula Amarela: Oferece 4L por minuto a uma concentração de 28%;

Válvula Branca: oferece 6L por minuto a uma concentração de 31%;

Válvula Verde: Oferece 8L por minuto a 35%;

Válvula Rosa: Oferece 8L por minuto a 40%;

Válvula Laranja: Oferece 10L por minuto a 50%.

É preciso umidificar?

É indicado utilizar água destilada para que evite o ressecamento das VAS, portanto, cabe a pesquisar o POP de sua instituição, para conhecer o seu padrão de uso.

É recomendado em uso domiciliar?

Não pode ser usada para prescrição domiciliar devido ao alto fluxo utilizado (no mínimo 3 l/min).

Cuidados com a Limpeza

Antes da primeira utilização e após cada utilização em paciente, se necessário, LIMPE a Máscara Venturi, DESMONTE e DESINFECTE/ESTERILIZE.

A limpeza antes do uso pode ser feita com água morna e sabão neutro e/ou lavagem por imersão em solução de detergente enzimático neutro, à temperatura entre 35 °C e 54 °C, durante 10 minutos.

O enxágue deve ser feito com água destilada ou filtrada de forma a eliminar as altas concentrações de cloro e/ou outros contaminantes que possam afetar os materiais e deixe-a secar ao ar. Álcoois jamais devem ser utilizados para limpeza da Máscara Venturi. Após a limpeza, faça a secagem com um pano limpo, macio e seco. A Máscara Venturi deve ser descartada após o uso.

Aproveite e assista ao vídeo em nosso canal YouTube, e conheça um pouco mais sobre a Máscara de Venturi.

 

Diferenças entre CPAP e BIPAP

CPAP e BIPAP

São muitos os tipos de aparelhos para tratar a apneia do sono e diversas doenças respiratórias. Os mais usados são os dispositivos CPAP e BiPAP (binível). Mas você sabe a diferença entre eles?

Fiz um resumido geral para explicar a você, em termos simples, o que cada um pode te oferecer:

CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas)

A máquina de CPAP fornece um nível predeterminado de pressão. Ela libera uma corrente de ar comprimido através de uma mangueira para a máscara de nariz e mantém aberta a via aérea superior, sob pressão de ar contínua.

A pressão do ar impede apneia obstrutiva do sono, que ocorre como resultado do estreitamento das vias aéreas devido ao relaxamento dos músculos das vias respiratórias superiores durante o sono.

Esta máquina ajuda a aumentar o fluxo de oxigênio, mantendo as vias aéreas abertas. CPAP, embora inicialmente usado para tratar a apneia do sono, também é usado para pacientes com doenças neuromusculares e problemas respiratórios.

Auto-CPAP ou Máquina pressão positiva ajusta automaticamente a pressão de ar de acordo com a exigência do paciente em um determinado momento.

BiPAP (Pressão Positiva em Vias Aéreas a Dois Níveis)

Já os aparelhos BiPAP, dispositivos biníveis, possuem o diferencial de permitirem a configuração de dois níveis diferentes de pressão: uma sobre a inspiração (IPAP) e outra sobre a expiração (EPAP) – está sempre mais baixa para facilitar ao máximo a expiração, ou seja, o esforço para exalar é menor nos dispositivos biníveis.

O BiPAP é usado para tratar a apneia central do sono e apneia obstrutiva do sono grave. Também é prescrito para pacientes que têm dificuldade respiratória e doenças cardíacas.