Se você é telespectador assíduo daqueles seriados médicos americanos, deve ter notado em algumas situações, o famoso símbolo “Rx” estampado nas prescrições médicas dos pacientes.
Mas afinal, o que é isso?
O Significado
Primeiramente, não devemos confundir – Não é Px, e sim Rx onde o “x” é feito na perna da letra R.
É a abreviação em latim para Recipé (rekipé), onde significa misturar. Esta foi uma abreviação médica por apenas 100 anos até que os chefs e cozinheiros começaram a usar a palavra “receita” em suas cozinhas.
Usar a primeira letra de uma palavra mais um “x” depois é uma prática muito comum em vários profissões, por exemplo, “Wx” para um piloto de avião significa “clima” como em “como é o wx lá fora”.
Existem várias explicações sobre sua origem. Uma dela é de que o símbolo deriva do “Olho de Horus” ou “Olho Sagrado”, um símbolo mitológico do Egito antigo, que significa proteção, restabelecimento da saúde, intuição e visão.
Teorias
Os egípcios usavam o símbolo para afastar o perigo, a doença e má sorte, sendo muito parecido com a abreviação “Rx”.
Outra teoria, é de que deriva do latim “recipere”, significando “recuperação” ou “take, thus” e precede a prescrição de alguns médicos.
Nos tempos em que os médicos precisavam prescrever a fórmula do medicamento, e misturando e compondo seus ingredientes. A abreviação “Rx” era completada por uma afirmação como “fiat mistura” que significa “que a mistura seja feita”.
Outra teoria é de que “Rx” é uma invocação ao Deus Romano, ou ao planeta da sorte, Júpiter. Uma prece a ele, para que o tratamento seja efetivo, tanto que, em manuscritos médicos antigos, todos os R´s eram cruzados.
Talvez, o símbolo não seja muito usado em nosso País, por sermos essencialmente católicos em sua maioria.
Que o ato de “checar” um medicamento que foi utilizado em um horário aprazado, nas prescrições de enfermagem e médica, significa que a ação foi realizada, e o “bolar” ou “circular” significa que a ação prescrita não foi realizada?
É importante sempre realizar estas ações, independente da medicação que foi prescrita, seja ela com a frequência estabelecida pelo médico ou a critério médico! E também é importante saber que em cima do sinal “checado” é indispensável a colocação do nome completo do profissional que realizou a ação, legível.
Lembrando que o ato de checar não dispensa a necessidade de anotar também! Sempre anote administrado item “tal número” conforme prescrição médica, por exemplo.
E se, após “bolar” um horário, é imprescindível anotar a justificativa de não realização do cuidado, para que seja documentado uma possível recusa do paciente, uma alteração e suspensão do medicamento pelo médico.
A cobrança das medicações é realizada através da prescrição do médico e checagem de horários pela enfermagem. A maioria dos convênios paga exatamente o que está prescrito pelo médico, ou seja, miligramas e principio ativo. Nas medicações parenterais além do medicamento são cobrados todos os componentes necessários para administração (seringa, agulhas, diluentes).
A prescrição médica realizada dentro das instituições hospitalares quando o paciente está internado, possui uma validade de 24 horas. O horário de início e término da prescrição é acordado entre o hospital e os médicos. A prescrição pode ser manual (feita a punho) ou eletrônica (sistema informatizado do prontuário).
O processo da administração correta de um medicamento vai muito além de aplicar uma injeção no paciente. Por ser um processo longo e que envolve mais de um profissional de saúde, está passível de erros. Para minimizar as falhas, há um protocolo “Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos”, publicado pela Anvisa.
“O protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos deverá ser aplicado em todos os estabelecimentos que prestam cuidados à saúde, em todos os níveis de complexidade, em que medicamentos sejam utilizados para profilaxia, exames diagnósticos, tratamento e medidas paliativas”, ressalta a Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
1 – Paciente Certo
Para certificar-se que a medicação será administrada no paciente certo, indica-se:
Usar dois identificadores (nome do paciente e data de nascimento).
Perguntar ao paciente seus dados e confirmar com a pulseira de identificação.
Verificar se o nome corresponde ao nome identificado no leito, nome identificado no prontuário e nome identificado na prescrição médica.
Evitar internar dois pacientes com nomes similares na mesma enfermaria.
Evitar que o mesmo funcionário seja responsável pela prestação da assistência de enfermagem a dois pacientes com nomes similares.
2 – Medicamento Certo
Neste momento, deve-se:
Conferir se o nome do medicamento que tem em mãos é o que está prescrito. Antes de administrar, deve-se conferir o nome do medicamento com a prescrição médica.
Averiguar alergias. Pacientes que tenham alergia a alguma medicação devem ser identificados com pulseira e aviso no prontuário. Se houver associação de medicamentos, deve-se certificar-se de que o paciente não é alérgico a nenhum dos componentes.
3 – Via Certa
Nesta etapa importante, é fundamental:
Verificar se a via de administração prescrita é a via tecnicamente recomendada para administrar determinado medicamento.
Verificar se o diluente (tipo e volume) foi prescrito. Controlar gotejamento seguindo a velocidade de infusão estabelecida.
Analisar se o medicamento tem compatibilidade com a via prescrita. Ver identificação da via na embalagem.
Avaliar a compatibilidade do medicamento com os produtos utilizados para sua administração (seringas, cateteres, sondas, equipos, e outros).
Esclarecer todas as dúvidas com a supervisão de enfermagem, prescritor ou farmacêutico previamente à administração do medicamento.
4 – Hora Certa
O medicamento deve ser administrado sempre na hora prescrita, evitando atrasos.
É preciso reforçar que:
A medicação deve ser preparada na hora da administração, de preferência à beira leito.
Em caso de medicações administradas após algum tempo do preparo devemos atentar para o período de estabilidade (como quimioterápicos) e também para a forma de armazenamento.
A antecipação ou o atraso da administração em relação ao horário predefinido somente poderá ser feito com o consentimento do enfermeiro e do prescritor.
5 – Dose Certa
É fundamental:
Conferir atentamente a dose prescrita para o medicamento. Doses escritas com “zero”, “vírgula” e “ponto” devem receber atenção redobrada, conferindo as dúvidas com o prescritor sobre a dose desejada, pois podem redundar em doses 10 ou 100 vezes superiores à desejada.
Verificar a unidade de medida utilizada na prescrição, em caso de dúvida ou medidas imprecisas (colher de chá, colher de sopa, ampola), consultar o prescritor e solicitar a prescrição de uma unidade de medida do sistema métrico.
Conferir a velocidade de gotejamento. Realizar dupla checagem dos cálculos para o preparo e programação de bomba para administração de medicamentos potencialmente perigosos ou de alta vigilância.
6 – Registro correto da Administração do Medicamento
O registro da administração das medicações é um instrumento importante para garantir a segurança do paciente e a continuidade do tratamento. Lembre-se de registrar:
Na prescrição: o horário da administração do medicamento e cheque (novamente)
Na anotação de enfermagem: registre o medicamento administrado e justifique em casos de adiamentos, cancelamentos, desabastecimento, recusa do paciente e eventos adversos.
7 – Orientação Correta
Tanto o profissional quanto ao paciente são responsáveis pela orientação correta, pois o paciente é uma barreira para prevenir erros. Por isso, deve ser envolvido na segurança de sua assistência.
Deve-se informar o paciente sobre qual medicamento está sendo administrado (nome), para que “serve” (indicação), a dose e a frequência que será administrado.
8 – Forma Certa
A forma farmacêutica do medicamento também deve ser checada:
O medicamento a ser administrado possui a forma farmacêutica e via de administração prescrita.
Verifique se forma farmacêutica e a via de administração prescritas estão apropriadas à condição clínica do paciente (por exemplo, se o nível de consciência permite administração de medicação por via oral – V.O).
9 – Resposta Certa
Na última etapa, é preciso observar cuidadosamente o paciente. O objetivo é verificar se o medicamento teve o efeito desejado.
Então, registre tudo em prontuário e informe ao prescritor os efeitos diferentes (em intensidade e forma) do esperado para o medicamento.
E nunca desconsidere relatos do paciente ou da família.
Conteúdo Atualizado!Revisado e atualizado em 16/09/2026.
O aprazamento não é simplesmente colocar horários ao lado dos medicamentos. É uma etapa da terapia medicamentosa que organiza quando cada medicamento será administrado e pode interferir diretamente na segurança do tratamento.
O que é aprazamento?
Aprazar uma prescrição significa planejar os horários e intervalos de administração dos medicamentos prescritos, respeitando as orientações da prescrição, características dos medicamentos, possíveis interações e os protocolos do serviço.
Por isso, não existe uma regra universal dizendo que todo medicamento de 24/24 horas deve ser administrado às 10h ou às 22h. O horário deve seguir a prescrição, a rotina institucional e, quando necessário, critérios farmacológicos e clínicos. O Cofen também orienta que o processo seja respaldado por POP atualizado e educação permanente da equipe.
Quem pode fazer o aprazamento?
Essa é uma das principais atualizações desta página.
O Parecer Cofen nº 211/2025 concluiu que o aprazamento pode ser realizado pelo enfermeiro e pelo técnico de enfermagem, sob supervisão do enfermeiro. O parecer também recomenda que o enfermeiro organize os procedimentos operacionais padrão e a educação permanente para que a equipe realize essa atividade com conhecimento científico e segurança.
Isso é diferente de simplesmente reproduzir horários já utilizados na unidade. Ao encontrar uma prescrição com vários medicamentos, o profissional precisa reconhecer situações que mereçam atenção, como intervalos inadequados, possíveis interações, duplicidades ou informações incompletas, acionando o enfermeiro, médico ou farmacêutico conforme o fluxo institucional.
Na prática, um detalhe que costuma aparecer durante o plantão é o paciente receber dois medicamentos em horários muito próximos, embora exista uma razão clínica ou farmacológica para avaliar esse intervalo. É justamente nesse momento que o aprazamento deixa de ser uma tarefa mecânica e passa a exigir conhecimento sobre a terapia medicamentosa.
Cores e horários: o que realmente é regra?
A utilização de caneta azul, preta ou vermelha para identificar determinados turnos não é uma regra nacional do Cofen. A forma de registrar o aprazamento deve seguir o sistema adotado pela instituição.
O mesmo vale para os horários padronizados. Um hospital pode organizar determinados medicamentos em horários fixos para facilitar o fluxo da assistência, mas essa padronização não deve ignorar a prescrição, as características do medicamento ou as necessidades do paciente.
Outro ponto importante: em ambiente hospitalar, a Resolução Cofen nº 689/2022 estabelece validade de 24 horas para prescrições hospitalares, sendo vedada a execução de prescrição fora da validade.
Antes de aprazar, confira
O profissional deve analisar a prescrição antes de simplesmente distribuir os horários. Identificação do paciente, medicamento, dose, via, posologia, intervalo, duração do tratamento e demais informações necessárias precisam estar claras.
Se houver dúvida ou inconsistência, não se deve “corrigir” a prescrição por conta própria. A situação deve seguir o fluxo institucional para esclarecimento com o profissional responsável.
Em uma rotina de unidade de internação, por exemplo, uma prescrição pode chegar com um medicamento de uso contínuo e outro recém-incluído após uma mudança clínica. Se o novo horário for lançado sem conferir a prescrição atualizada, a equipe pode trabalhar com informação diferente daquela validada pelo prescritor. A conferência antes do aprazamento é uma barreira de segurança.
Cuidados de enfermagem
Durante o aprazamento, a equipe deve:
conferir a prescrição vigente e a identificação do paciente;
respeitar dose, via, frequência e intervalo prescritos;
observar possíveis interações e incompatibilidades conforme protocolos e referências disponíveis;
esclarecer dúvidas antes da administração;
seguir o POP da instituição e os sistemas de registro adotados;
manter atenção especial aos medicamentos potencialmente perigosos ou de alta vigilância;
registrar e comunicar alterações, recusas, omissões ou incidentes conforme o protocolo do serviço.
A segurança começa antes do medicamento chegar à bandeja ou à seringa. Prescrição, aprazamento, dispensação e administração fazem parte de um mesmo processo e devem estar integrados.
Um cuidado que faz diferença
Aprazamento não deve ser confundido com autorização para alterar a prescrição. O profissional organiza os horários de administração dentro das informações prescritas e dos protocolos aplicáveis. Quando o horário ou intervalo não estiver adequado ou houver dúvida clínica, é necessário buscar esclarecimento, e não simplesmente escolher outro horário.
Além disso, a prescrição eletrônica também pode ser válida: a Resolução Cofen nº 689/2022 permite o cumprimento de prescrições eletrônicas validadas por assinatura digital ou eletrônica, observados os requisitos previstos na norma.
Resumo para salvar
Aprazamento de Medicamentos
Organiza os horários e intervalos dos medicamentos prescritos
Enfermeiro e técnico podem aprazar sob supervisão do enfermeiro
Horários e cores seguem protocolos institucionais e não uma regra nacional
Dúvidas na prescrição devem ser esclarecidas antes da administração
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Referências:
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos. Brasília, DF: Anvisa, 2020.
COFEN – CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen nº 689, de 3 de fevereiro de 2022. Normatiza a atuação da equipe de enfermagem no cumprimento de prescrições à distância, através de meios eletrônicos. Brasília, DF, 2022.
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