Aprazamento de Medicamentos e as Mudanças na Enfermagem

Aprazamento

🔄
Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 16/09/2026.

O aprazamento não é simplesmente colocar horários ao lado dos medicamentos. É uma etapa da terapia medicamentosa que organiza quando cada medicamento será administrado e pode interferir diretamente na segurança do tratamento.

O que é aprazamento?

Aprazar uma prescrição significa planejar os horários e intervalos de administração dos medicamentos prescritos, respeitando as orientações da prescrição, características dos medicamentos, possíveis interações e os protocolos do serviço.

Por isso, não existe uma regra universal dizendo que todo medicamento de 24/24 horas deve ser administrado às 10h ou às 22h. O horário deve seguir a prescrição, a rotina institucional e, quando necessário, critérios farmacológicos e clínicos. O Cofen também orienta que o processo seja respaldado por POP atualizado e educação permanente da equipe.

Quem pode fazer o aprazamento?

Essa é uma das principais atualizações desta página.

O Parecer Cofen nº 211/2025 concluiu que o aprazamento pode ser realizado pelo enfermeiro e pelo técnico de enfermagem, sob supervisão do enfermeiro. O parecer também recomenda que o enfermeiro organize os procedimentos operacionais padrão e a educação permanente para que a equipe realize essa atividade com conhecimento científico e segurança.

Isso é diferente de simplesmente reproduzir horários já utilizados na unidade. Ao encontrar uma prescrição com vários medicamentos, o profissional precisa reconhecer situações que mereçam atenção, como intervalos inadequados, possíveis interações, duplicidades ou informações incompletas, acionando o enfermeiro, médico ou farmacêutico conforme o fluxo institucional.

Na prática, um detalhe que costuma aparecer durante o plantão é o paciente receber dois medicamentos em horários muito próximos, embora exista uma razão clínica ou farmacológica para avaliar esse intervalo. É justamente nesse momento que o aprazamento deixa de ser uma tarefa mecânica e passa a exigir conhecimento sobre a terapia medicamentosa.

Cores e horários: o que realmente é regra?

A utilização de caneta azul, preta ou vermelha para identificar determinados turnos não é uma regra nacional do Cofen. A forma de registrar o aprazamento deve seguir o sistema adotado pela instituição.

O mesmo vale para os horários padronizados. Um hospital pode organizar determinados medicamentos em horários fixos para facilitar o fluxo da assistência, mas essa padronização não deve ignorar a prescrição, as características do medicamento ou as necessidades do paciente.

Outro ponto importante: em ambiente hospitalar, a Resolução Cofen nº 689/2022 estabelece validade de 24 horas para prescrições hospitalares, sendo vedada a execução de prescrição fora da validade.

Antes de aprazar, confira

O profissional deve analisar a prescrição antes de simplesmente distribuir os horários. Identificação do paciente, medicamento, dose, via, posologia, intervalo, duração do tratamento e demais informações necessárias precisam estar claras.

Se houver dúvida ou inconsistência, não se deve “corrigir” a prescrição por conta própria. A situação deve seguir o fluxo institucional para esclarecimento com o profissional responsável.

Em uma rotina de unidade de internação, por exemplo, uma prescrição pode chegar com um medicamento de uso contínuo e outro recém-incluído após uma mudança clínica. Se o novo horário for lançado sem conferir a prescrição atualizada, a equipe pode trabalhar com informação diferente daquela validada pelo prescritor. A conferência antes do aprazamento é uma barreira de segurança.

Cuidados de enfermagem

Durante o aprazamento, a equipe deve:

  • conferir a prescrição vigente e a identificação do paciente;
  • respeitar dose, via, frequência e intervalo prescritos;
  • observar possíveis interações e incompatibilidades conforme protocolos e referências disponíveis;
  • esclarecer dúvidas antes da administração;
  • seguir o POP da instituição e os sistemas de registro adotados;
  • manter atenção especial aos medicamentos potencialmente perigosos ou de alta vigilância;
  • registrar e comunicar alterações, recusas, omissões ou incidentes conforme o protocolo do serviço.

A segurança começa antes do medicamento chegar à bandeja ou à seringa. Prescrição, aprazamento, dispensação e administração fazem parte de um mesmo processo e devem estar integrados.

Um cuidado que faz diferença

Aprazamento não deve ser confundido com autorização para alterar a prescrição. O profissional organiza os horários de administração dentro das informações prescritas e dos protocolos aplicáveis. Quando o horário ou intervalo não estiver adequado ou houver dúvida clínica, é necessário buscar esclarecimento, e não simplesmente escolher outro horário.

Além disso, a prescrição eletrônica também pode ser válida: a Resolução Cofen nº 689/2022 permite o cumprimento de prescrições eletrônicas validadas por assinatura digital ou eletrônica, observados os requisitos previstos na norma.

Resumo para salvar

Aprazamento de Medicamentos

  • Organiza os horários e intervalos dos medicamentos prescritos
  • Enfermeiro e técnico podem aprazar sob supervisão do enfermeiro
  • Horários e cores seguem protocolos institucionais e não uma regra nacional
  • Dúvidas na prescrição devem ser esclarecidas antes da administração

Saiba mais em nosso canal Youtube:

Referências:

  1. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos. Brasília, DF: Anvisa, 2020.
  2. COFEN – CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Parecer nº 211/2025/Plenário: competência legal e ética para o aprazamento de prescrição médica por profissionais de Enfermagem. Brasília, DF, 2025.
  3. COFEN – CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen nº 689, de 3 de fevereiro de 2022. Normatiza a atuação da equipe de enfermagem no cumprimento de prescrições à distância, através de meios eletrônicos. Brasília, DF, 2022.
  4. COFEN – CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen nº 801, de 14 de janeiro de 2026. Estabelece diretrizes para a prescrição de medicamentos pelo enfermeiro. Brasília, DF, 2026.

O que você achou da nossa publicação?

Clique nas estrelas!

Média da classificação 0 / 5. Votos: 0

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar esta publicação.

Como você achou esse post útil...

Sigam nossas mídias sociais!

Não achou o que queria?

Nos dê a sugestão do tema! Iremos elaborar ilustrações e publicações com sua ajuda!

Escreva um tema que gostaria que fosse abordado!

💡

Faltou algum tema ou procedimento?

Conta pra gente qual assunto você quer ver esmiuçado e transformado em ilustração no próximo post!

🎉

Muito obrigado pela sua sugestão!

Sua ideia foi enviada com sucesso para a nossa equipe. Em breve ela poderá virar uma linda ilustração no blog! 💙

Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
✓ 16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

EXPERIÊNCIA E ÁREAS DE CONHECIMENTO
UTI Adulto Enfermagem Intensiva Paciente Crítico Educação em Enfermagem Ilustração Digital
✓ Conteúdo produzido com base em conhecimento, experiência profissional e educação em enfermagem.