
Vá direto ao ponto!
O aprazamento não é simplesmente colocar horários ao lado dos medicamentos. É uma etapa da terapia medicamentosa que organiza quando cada medicamento será administrado e pode interferir diretamente na segurança do tratamento.
O que é aprazamento?
Aprazar uma prescrição significa planejar os horários e intervalos de administração dos medicamentos prescritos, respeitando as orientações da prescrição, características dos medicamentos, possíveis interações e os protocolos do serviço.
Por isso, não existe uma regra universal dizendo que todo medicamento de 24/24 horas deve ser administrado às 10h ou às 22h. O horário deve seguir a prescrição, a rotina institucional e, quando necessário, critérios farmacológicos e clínicos. O Cofen também orienta que o processo seja respaldado por POP atualizado e educação permanente da equipe.
Quem pode fazer o aprazamento?
Essa é uma das principais atualizações desta página.
O Parecer Cofen nº 211/2025 concluiu que o aprazamento pode ser realizado pelo enfermeiro e pelo técnico de enfermagem, sob supervisão do enfermeiro. O parecer também recomenda que o enfermeiro organize os procedimentos operacionais padrão e a educação permanente para que a equipe realize essa atividade com conhecimento científico e segurança.
Isso é diferente de simplesmente reproduzir horários já utilizados na unidade. Ao encontrar uma prescrição com vários medicamentos, o profissional precisa reconhecer situações que mereçam atenção, como intervalos inadequados, possíveis interações, duplicidades ou informações incompletas, acionando o enfermeiro, médico ou farmacêutico conforme o fluxo institucional.
Na prática, um detalhe que costuma aparecer durante o plantão é o paciente receber dois medicamentos em horários muito próximos, embora exista uma razão clínica ou farmacológica para avaliar esse intervalo. É justamente nesse momento que o aprazamento deixa de ser uma tarefa mecânica e passa a exigir conhecimento sobre a terapia medicamentosa.
Cores e horários: o que realmente é regra?
A utilização de caneta azul, preta ou vermelha para identificar determinados turnos não é uma regra nacional do Cofen. A forma de registrar o aprazamento deve seguir o sistema adotado pela instituição.
O mesmo vale para os horários padronizados. Um hospital pode organizar determinados medicamentos em horários fixos para facilitar o fluxo da assistência, mas essa padronização não deve ignorar a prescrição, as características do medicamento ou as necessidades do paciente.
Outro ponto importante: em ambiente hospitalar, a Resolução Cofen nº 689/2022 estabelece validade de 24 horas para prescrições hospitalares, sendo vedada a execução de prescrição fora da validade.
Antes de aprazar, confira
O profissional deve analisar a prescrição antes de simplesmente distribuir os horários. Identificação do paciente, medicamento, dose, via, posologia, intervalo, duração do tratamento e demais informações necessárias precisam estar claras.
Se houver dúvida ou inconsistência, não se deve “corrigir” a prescrição por conta própria. A situação deve seguir o fluxo institucional para esclarecimento com o profissional responsável.
Em uma rotina de unidade de internação, por exemplo, uma prescrição pode chegar com um medicamento de uso contínuo e outro recém-incluído após uma mudança clínica. Se o novo horário for lançado sem conferir a prescrição atualizada, a equipe pode trabalhar com informação diferente daquela validada pelo prescritor. A conferência antes do aprazamento é uma barreira de segurança.
Cuidados de enfermagem
Durante o aprazamento, a equipe deve:
- conferir a prescrição vigente e a identificação do paciente;
- respeitar dose, via, frequência e intervalo prescritos;
- observar possíveis interações e incompatibilidades conforme protocolos e referências disponíveis;
- esclarecer dúvidas antes da administração;
- seguir o POP da instituição e os sistemas de registro adotados;
- manter atenção especial aos medicamentos potencialmente perigosos ou de alta vigilância;
- registrar e comunicar alterações, recusas, omissões ou incidentes conforme o protocolo do serviço.
A segurança começa antes do medicamento chegar à bandeja ou à seringa. Prescrição, aprazamento, dispensação e administração fazem parte de um mesmo processo e devem estar integrados.
Um cuidado que faz diferença
Aprazamento não deve ser confundido com autorização para alterar a prescrição. O profissional organiza os horários de administração dentro das informações prescritas e dos protocolos aplicáveis. Quando o horário ou intervalo não estiver adequado ou houver dúvida clínica, é necessário buscar esclarecimento, e não simplesmente escolher outro horário.
Além disso, a prescrição eletrônica também pode ser válida: a Resolução Cofen nº 689/2022 permite o cumprimento de prescrições eletrônicas validadas por assinatura digital ou eletrônica, observados os requisitos previstos na norma.
Aprazamento de Medicamentos
- Organiza os horários e intervalos dos medicamentos prescritos
- Enfermeiro e técnico podem aprazar sob supervisão do enfermeiro
- Horários e cores seguem protocolos institucionais e não uma regra nacional
- Dúvidas na prescrição devem ser esclarecidas antes da administração
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Referências:
- BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos. Brasília, DF: Anvisa, 2020.
- COFEN – CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Parecer nº 211/2025/Plenário: competência legal e ética para o aprazamento de prescrição médica por profissionais de Enfermagem. Brasília, DF, 2025.
- COFEN – CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen nº 689, de 3 de fevereiro de 2022. Normatiza a atuação da equipe de enfermagem no cumprimento de prescrições à distância, através de meios eletrônicos. Brasília, DF, 2022.
- COFEN – CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen nº 801, de 14 de janeiro de 2026. Estabelece diretrizes para a prescrição de medicamentos pelo enfermeiro. Brasília, DF, 2026.
Medicamento Referência, Genérico e Similar: Desvendando as Diferenças
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Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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