Os Tipos de Ambulâncias

Você já se perguntou qual a diferença entre uma ambulância e outra?

As ambulâncias não são todas iguais e possuem classificações específicas de acordo com o tipo de atendimento que oferecem.

Neste artigo, vamos te explicar as principais diferenças entre os tipos de ambulâncias, desde a básica até a avançada, incluindo as aeronaves e embarcações de resgate.

Tipos de Ambulâncias e suas Funções

As ambulâncias são classificadas de acordo com a complexidade dos equipamentos e a natureza dos atendimentos que realizam. Vamos conhecer cada tipo:

Tipo A: Ambulância de Transporte

    • Características: É a ambulância mais básica, utilizada para transportar pacientes que não correm risco de vida e que não necessitam de cuidados médicos complexos.
    • Equipamentos: Maca, oxigênio, materiais de imobilização e sinalização visual e sonora.

Tipo B: Ambulância de Suporte Básico

    • Características: Oferece atendimento pré-hospitalar básico, com equipamentos para estabilização inicial do paciente.
    • Equipamentos: Além dos equipamentos do tipo A, possui medicamentos de uso emergencial, materiais para intubação orotraqueal e desfibrilador externo automático (DEA).

Tipo C: Ambulância de Suporte Avançado

    • Características: Equivalente a uma UTI móvel, realiza atendimento pré-hospitalar avançado, com equipamentos e medicamentos para estabilização de pacientes críticos.
    • Equipamentos: Monitor multiparamétrico, ventiladores mecânicos, bombas de infusão, medicamentos vasoativos, entre outros.

Tipo D: Ambulância de Resgate

    • Características: Utilizada para atendimentos em locais de difícil acesso, como acidentes em rodovias ou áreas remotas.
    • Equipamentos: Além dos equipamentos do tipo C, possui equipamentos de salvamento, como macas de vácuo, talhas e equipamentos de corte.

Tipo E: Aeronave de Transporte Médico

    • Características: Utilizada para o transporte de pacientes em longas distâncias ou em locais de difícil acesso por via terrestre.
    • Equipamentos: Equivalente a uma UTI aérea, com equipamentos para monitorização e suporte avançado de vida.

Tipo F: Embarcação de Transporte Médico

    • Características: Utilizada para o transporte de pacientes em regiões costeiras ou fluviais.
    • Equipamentos: Similar às ambulâncias terrestres, com adaptações para o ambiente marítimo.

Qual a importância de cada tipo de ambulância?

Cada tipo de ambulância possui um papel fundamental no atendimento pré-hospitalar.

A escolha do veículo adequado depende da gravidade do caso e da necessidade do paciente. As ambulâncias de suporte básico são ideais para atendimentos mais simples, enquanto as ambulâncias de suporte avançado são essenciais para casos mais complexos, como paradas cardiorrespiratórias e traumas graves.

A classificação das ambulâncias é essencial para garantir que os pacientes recebam o atendimento adequado de acordo com suas necessidades. Cada tipo de ambulância possui equipamentos e recursos específicos para atender a diferentes tipos de emergências.

Referência:

  1. ANVISA

Antidiabéticos: Diabetes Mellitus tipo 2

O diabetes mellitus tipo 2 é uma doença crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. O tratamento com medicamentos antidiabéticos é fundamental para controlar os níveis de glicose no sangue e prevenir complicações.

Nesta publicação, vamos explorar os principais grupos de antidiabéticos, seus mecanismos de ação e os cuidados de enfermagem essenciais para pacientes com diabetes.

Os Principais Grupos de Antidiabéticos

Biguanidas (Metformina)

  • Mecanismo de ação: Diminui a produção de glicose pelo fígado, aumenta a sensibilidade à insulina e retarda a absorção de glicose no intestino.
  • Cuidados de enfermagem: Monitorar função renal, orientar sobre o risco de acidose láctica, especialmente em situações de jejum prolongado, desidratação ou insuficiência renal.
  • Exemplo mais comum: Metformina (Glucophage, Gliformin)

Sulfonilureias

  • Mecanismo de ação: Estimulam a liberação de insulina pelo pâncreas.
  • Cuidados de enfermagem: Monitorar hipoglicemia, especialmente em idosos e pacientes com função renal alterada. Orientar sobre a importância de uma alimentação regular e a associação com atividade física.
  • Exemplos: Glibenclamida, Glipizida, Glimepirida

Inibidores da alfa-glicosidase

  • Mecanismo de ação: Retardam a absorção de carboidratos no intestino, reduzindo os picos de glicose pós-prandial.
  • Cuidados de enfermagem: Orientar sobre a importância de uma dieta equilibrada e a ingestão de fibras.
  • Exemplos: Acarbose, Miglitol

Tiazolidinedionas (Glitazonas)

  • Mecanismo de ação: Aumentam a sensibilidade à insulina nos tecidos periféricos.
  • Cuidados de enfermagem: Monitorar ganho de peso, retenção hídrica e insuficiência cardíaca congestiva.
  • Exemplos: Pioglitazona, Rosiglitazona

Agonistas do GLP-1

  • Mecanismo de ação: Mimetizam a ação do hormônio incretina, estimulando a liberação de insulina, reduzindo a glucagonemia e retardando o esvaziamento gástrico.
  • Cuidados de enfermagem: Monitorar hipoglicemia, náuseas e vômitos.
  • Exemplos: Liraglutida (Victoza), Semaglutida (Ozempic), Exenatida (Byetta)

Inibidores da DPP-4

  • Mecanismo de ação: Aumentam os níveis de incretinas endógenas, potencializando a ação da insulina e reduzindo a produção de glicose hepática.
  • Cuidados de enfermagem: Monitorar infecções do trato respiratório superior.
  • Exemplos: Sitagliptina (Januvia), Saxagliptina (Onglyza), Linagliptina (Trajenta)

Inibidores da SGLT2

  • Mecanismo de ação: Inibem a reabsorção de glicose nos túbulos renais, aumentando a excreção urinária de glicose.
  • Cuidados de enfermagem: Monitorar infecções urinárias e genitais, poliúria e polidipsia.
  • Exemplos: Dapagliflozina (Forxiga), Canagliflozina (Invokana), Empagliflozina (Jardiance)

Cuidados de Enfermagem Gerais para Pacientes com Diabetes

  • Educação: Oferecer educação sobre o diabetes, automonitoramento da glicemia, importância da dieta, atividade física e adesão ao tratamento.
  • Monitoramento: Acompanhar regularmente os níveis de glicose, pressão arterial e peso.
  • Identificação de complicações: Estar atento aos sinais e sintomas de hipoglicemia, cetoacidose diabética e outras complicações agudas e crônicas.
  • Promoção da saúde: Estimular hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle do estresse.

É importante ressaltar que esta publicação tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada paciente é único e o tratamento deve ser individualizado, considerando as características clínicas e as necessidades de cada um.

Referências:

  1. Ruy Lyra, Luciano Albuquerque, Saulo Cavalcanti, Marcos Tambascia, Wellington S. Silva Júnior e Marcello Casaccia Bertoluci. Manejo da terapia antidiabética no DM2. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2024). DOI: 10.29327/5412848.2024-7, ISBN: 10.29327/5412848.2024-7.
  2. Araújo, L. M. B., Britto, M. M. dos S., & Porto da Cruz, T. R.. (2000). Tratamento do diabetes mellitus do tipo 2: novas opções. Arquivos Brasileiros De Endocrinologia & Metabologia, 44(6), 509–518. https://doi.org/10.1590/S0004-27302000000600011

Os Tipos de Agulhas

As agulhas são instrumentos indispensáveis em diversos procedimentos médicos, cada uma com características específicas para atender a diferentes necessidades. Vamos explorar três tipos comuns: com filtro, ponta romba e para injeção.

Agulhas com Filtro

As agulhas com filtro possuem um elemento filtrante que impede a passagem de partículas sólidas, como fragmentos de vidro ou outras impurezas, para a seringa ou para o paciente. Essa característica é fundamental para garantir a segurança e a eficácia dos procedimentos, especialmente na administração de medicamentos.

Características:

  • Ponta romba: Reduz o risco de perfurações acidentais.
  • Filtro: Retém partículas sólidas.
  • Material: Geralmente fabricadas em polipropileno, garantindo resistência e biocompatibilidade.
  • Esterilidade: Assegura a ausência de microrganismos.

Aplicações:

  • Preparação de medicamentos em ampolas.
  • Reconstituição de medicamentos em pó.
  • Acesso a bolsas de infusão (IV Bags).

Agulhas com Ponta Romba

As agulhas com ponta romba possuem uma extremidade arredondada, ao contrário das agulhas hipodérmicas tradicionais que possuem uma ponta afiada. Essa característica as torna mais seguras para manuseio e reduzem o risco de lesões.

Características:

  • Ponta arredondada: Minimiza o risco de perfurações acidentais.
  • Material: Geralmente fabricadas em aço inoxidável ou outros materiais biocompatíveis.

Aplicações:

  • Aspiração de medicamentos.
  • Transferência de líquidos.
  • Procedimentos que exigem maior segurança.

Agulhas para Injeção

As agulhas para injeção são as mais conhecidas e utilizadas em diversas aplicações médicas. Elas possuem uma ponta afiada para facilitar a penetração na pele e são projetadas para a administração de medicamentos por via intramuscular, subcutânea ou intravenosa.

Características:

  • Ponta afiada: Facilita a penetração na pele.
  • Biesel: Angulação da ponta que influencia a facilidade de penetração e a dor do paciente.
  • Material: Geralmente fabricadas em aço inoxidável.

Aplicações:

  • Administração de medicamentos injetáveis.
  • Coleta de amostras de sangue.

Observação: Existem diversos tipos de agulhas para injeção, com diferentes calibres (espessura) e comprimentos, escolhidos de acordo com o tipo de medicamento, volume a ser administrado e local da aplicação.

Em resumo, a escolha da agulha adequada depende do procedimento a ser realizado. É fundamental que o profissional de saúde tenha conhecimento sobre os diferentes tipos de agulhas e suas características para garantir a segurança e o conforto do paciente.

Referência:

  1. Pereira, I. B., Oliveira, M. M. M. de ., Ferreira, P. B. P., Coutinho, R. P., Cameron, L. E., & Porto, I. S.. (2018). Avaliação ultraestrutural de agulhas e seu papel no conforto durante a administração subcutânea de medicamentos. Revista Da Escola De Enfermagem Da USP, 52, e03307. https://doi.org/10.1590/S1980-220X2017024003307

Tipos de Choque

O choque é um estado grave que afeta a circulação sanguínea e o fornecimento de oxigênio aos órgãos, podendo colocar a vida em risco.

Nos casos de choque, ocorre uma redução dos níveis de oxigênio circulando na corrente sanguínea, atrapalhando seu fornecimento para órgãos e sistemas, causando danos variados e risco à vida.

Os Tipos de Choque

Choque Séptico

    • Causa: Complicação da sepse (infecção generalizada) quando a infecção atinge o sangue, levando ao mau funcionamento de órgãos como coração e rins.
    • Sintomas: Febre, convulsões, coração acelerado, falta de ar e sonolência.
    • Tratamento: Antibióticos, vasopressores e soro intravenoso.
    • Cuidados de Enfermagem:
      • Monitorar sinais vitais e função cardíaca.
      • Administrar medicamentos conforme prescrição.
      • Avaliar resposta ao tratamento.

Choque Anafilático

    • Causa: Reação alérgica grave a substâncias como alimentos ou medicamentos.
    • Sintomas: Inchaço do rosto, dificuldade para respirar, aumento dos batimentos cardíacos e desmaio.
    • Tratamento: Adrenalina, anti-histamínicos, corticoides e soro intravenoso.
    • Cuidados de Enfermagem:
      • Monitorar vias aéreas e respiração.
      • Administrar adrenalina conforme protocolo.
      • Preparar para intubação se necessário.

Choque Hipovolêmico

    • Causa: Falta de sangue para levar oxigênio aos órgãos vitais, como coração e cérebro.
    • Subgrupos:
      • Hemorrágico: Perda de sangue devido a trauma, cirurgia ou úlcera.
      • Não Hemorrágico: Perda de fluidos (vômitos, diarreia, queimaduras).
    • Sintomas: Taquicardia, taquipneia, hipotensão, alteração do estado mental e oligúria.
    • Tratamento: Reposição de volume com soro intravenoso.
    • Cuidados de Enfermagem:
      • Avaliar sinais de hemorragia.
      • Monitorar balanço hídrico.
      • Manter acesso venoso permeável.

Choque Cardiogênico

    • Causa: Disfunção do coração, resultando em baixo débito cardíaco.
    • Sintomas: Insuficiência cardíaca, hipotensão e dificuldade respiratória.
    • Tratamento: Medicamentos para melhorar a função cardíaca e suporte circulatório.
    • Cuidados de Enfermagem:
      • Monitorar ECG e sinais de insuficiência cardíaca.
      • Administrar medicamentos conforme prescrição.
      • Avaliar necessidade de suporte mecânico.

Choque Distributivo

    • Causa: Vasodilatação excessiva, levando à queda da resistência vascular sistêmica.
    • Subgrupos:
      • Choque Séptico: Como mencionado anteriormente.
      • Choque Neurogênico: Disfunção do sistema nervoso.
      • Choque Anafilático: Como mencionado anteriormente.
    • Sintomas: Hipotensão, taquicardia e alterações na perfusão.
    • Tratamento: Tratar a causa subjacente e suporte hemodinâmico.
    • Cuidados de Enfermagem:
      • Monitorar sinais vitais e perfusão periférica.
      • Administrar medicamentos conforme necessidade.
      • Avaliar resposta ao tratamento.

Choque Obstrutivo

    • Causa: Obstrutivo ocorre quando há redução do débito cardíaco secundário devido a um inadequado preenchimento ventricular.
    • Subgrupos:
      • Tamponamento Pericárdico:
      • Acúmulo de sangue no pericárdio, prejudicando o enchimento cardíaco.
      • Cuidados de Enfermagem:
        • Monitorar sinais de tamponamento cardíaco, como hipotensão e distensão jugular.
        • Preparar para drenagem pericárdica se necessário.
    • Embolia Pulmonar Maciça:
      • Bloqueio de uma ou mais artérias dos pulmões por gordura, ar ou coágulos.
      • Cuidados de Enfermagem:
        • Monitorar sinais de insuficiência respiratória aguda.
        • Administrar oxigênio conforme prescrição.
        • Avaliar necessidade de anticoagulantes.
    • Pneumotórax:
      • Presença de ar entre as camadas da pleura, resultando em colapso dos pulmões.
      • Cuidados de Enfermagem:
        • Avaliar dor torácica e dificuldade respiratória.
        • Preparar para drenagem pleural se necessário.
    • Tumores Obstrutivos Intratorácicos:
      • Causam obstrução venosa direta.
      • Cuidados de Enfermagem:
        • Monitorar sinais de obstrução vascular.
        • Avaliar necessidade de intervenção cirúrgica.
    • Hipertensão Pulmonar Aguda e Dissecção da Aorta:
      • Comprometimento da contração sistólica.
      • Cuidados de Enfermagem:
        • Monitorar sinais de insuficiência cardíaca e hipertensão.
        • Preparar para tratamento específico da causa subjacente.

Referências:

  1. CONDUTAS EMERGENCIAIS DE ENFERMAGEM AO PACIENTE EM CHOQUE – SECAD (artmed.com.br)
  2. Medicina de Emergência: Choque: o que é, tipos e sinais e sintomas
  3. Choque – Medicina de cuidados críticos – Manuais MSD edição para profissionais (msdmanuals.com)

Esterilização e seus Tipos

A esterilização é um processo que visa destruir todas as formas de vida microbianas que possam contaminar produtos, materiais e objetos voltados para a saúde. Portanto, são eliminados durante a esterilização organismos como vírus, bactérias fungos.

Dizemos que o processo de esterilização foi eficaz quando a probabilidade de sobrevivência dos microrganismos for menor do que 1:1.000.000.

A esterilização garante:

  • Segurança para pacientes e profissionais
  • Obediência às normas legais estabelecidas pela Anvisa
  • Maior vida útil aos materiais médicos
  • Economia e otimização de recursos

O Processo: Tipos de Esterilização

Existem várias formas de realizar a esterilização. No entanto, a decisão de qual processo utilizar deve ser baseada no tipo de material e no risco de contaminação.

Os métodos de esterilização podem ser divididos em químicos (compostos fenólicos, clorexidina, halogênios, álcoois, peróxidos, óxido de etileno, formaldeído, glutaraldeído e ácido peracético) e físicos (calor, filtração e radiação). Para a escolha do melhor método, deve-se levar em consideração, além da compatibilidade do material, a efetividade, toxicidade, facilidade de uso, custos, entre outros.

Métodos químicos de esterilização

É indicada para artigos críticos e termossensíveis, ou seja, aqueles que não resistem às altas temperaturas dos processos físicos.

Dentre os métodos químicos, alguns deles podem ser utilizados tanto para desinfectar como para esterilizar, depende apenas do tempo de exposição e concentração do agente. Os mais utilizados para produtos laboratoriais e hospitalares são:

  • Óxido de Etileno (ETO): é um gás vastamente utilizado na esterilização de materiais laboratoriais e hospitalares de uso único por causa do seu bom custo/benefício. Sua ação se dá pela reação com uma proteína no núcleo da célula, impedindo a reprodução. Todos os produtos devem ser colocados em embalagens permeáveis a gases para permitir que o ETO penetre. Seu uso não danifica os materiais e pode ser utilizado em vários tipos de materiais, inclusive os termossensíveis. Contudo, ele é altamente tóxico e agressivo ao ambiente externo.
  • Ácido Peracético: tem ação rápida, baixa toxicidade e é biodegradável. Porém, danifica metais. Uma grande vantagem é ser efetivo mesmo na presença de matéria orgânica (ou seja, os materiais não precisam ser previamente limpos). Em compensação, os materiais devem ser utilizados imediatamente após a esterilização por esse método, por isso não é muito utilizado.
  • Peróxido de hidrogênio (água oxigenada): em concentração de 3% e 6% tem ação rápida, é biodegradável e atóxico, mas tem alta ação corrosiva. Sua ação é mais eficaz em capilares hemodializadores e lentes de contato, mas esse processo não é muito utilizado.
  • Formaldeído: pode ser utilizado na forma gasosa e líquida e, para ter ação esporicida, necessita de um longo tempo de exposição. É indicado para cateteres, drenos e tubos, laparoscópios, artroscópios e ventriloscópios, enxertos de acrílico. Por ser carcinogênico e irritante das mucosas, seu uso está mais restrito.
  • Glutaraldeído: líquido com potente ação biocida e pode ser utilizado em materiais termossensíveis, mas necessita de um longo tempo de exposição para ser esporicida. É muito utilizado por ter baixo custo e baixo poder corrosivo, porém é irritante das vias aéreas; pode causar queimaduras na pele, membrana e mucosas; e materiais porosos podem reter o produto. Enxertos de acrílico, cateteres, drenos e tubos de poliestireno são os materiais rotineiramente esterilizados por esse processo.

Métodos físicos de esterilização

A esterilização por processos físicos pode ser através de calor úmido, calor seco ou radiação. A esterilização por radiação tem sido utilizada em nível industrial, para artigos médicos-hospitalares. Ela permite uma esterilização a baixa temperatura, mas é um método de alto custo. Para materiais que resistam a altas temperaturas a esterilização por calor é o método de escolha, pois não forma produtos tóxicos, é seguro e de baixo custo.

  • Radiação ionizante: destrói o DNA formando radicais super-reativos (superóxidos), matando ou inativando os micro-organismos (quando são incapazes de se reproduzir). Muitos materiais são compatíveis com esse tipo de esterilização, pois não há aumento da temperatura nesse processo. Caso dos materiais termossensíveis e tecidos biológicos para transplantes. Apesar de parecer, a radiação não é transmitida para os produtos processados. É um processo livre de resíduos e ecológico, pois não gera emissões tóxicas ou resíduos, além de não causar impactos na qualidade do ar ou da água. Destacaremos dois tipos delas:
    • Radiação Gama: a energia é gerada por fontes de Cobalto 60. Esse processo tem alto poder de penetração, permitindo que os produtos sejam esterilizados já na embalagem final, sem necessidade de manipulação.
    • E-beam (feixe de elétrons): utilizado preferencialmente para o processamento de produtos de alto volume/baixa densidade, como seringas médicas, ou produtos de baixo volume/alto valor, como dispositivos cardiotorácicos. Além disso, pode ser utilizado para produtos biológicos e tecidos. Podem ser esterilizados na embalagem final, pois a radiação E-beam também possui alto poder de penetração. A grande vantagem desse tipo de radioesterilização é que necessita menor tempo de exposição, evitando rompimentos e efeitos de envelhecimento a longo prazo que podem acontecer com polipropileno quando submetido à radiação prolongada
  • Calor úmido (ex.: autoclavagem, fervura e pasteurização): provoca a desnaturação e coagulação das proteínas e fluidificação dos lipídeos. Não pode ser utilizado em materiais termossensíveis, nem para materiais que oxidam com água. A autoclavagem é muito utilizada nos vários setores de serviços da saúde por ser de custo acessível e de fácil utilização. Além disso, consegue esterilizar uma infinidade de materiais, inclusive tecidos e soluções.
  • Calor seco (ex.: estufa, flambagem e incineração): provoca a oxidação dos constituintes celulares orgânicos. Penetra nas substâncias de uma forma mais lenta que o calor úmido e por isso exige temperaturas mais elevadas e tempos mais longos. Não pode ser utilizado para materiais termossensíveis.
  • Filtração: utilizada para soluções e gases termolábeis, quando atravessam superfícies filtrantes com poros bem pequenos, como velas porosas, discos de amianto, filtros de vidro poroso, de celulose, e filtros “millipore” (membranas de acetato de celulose ou de policarbonato).
  • Radiação não-ionizante (ex.: luz UV): altera a replicação do DNA no momento da reprodução. Muito utilizado em lâmpadas germicidas encontradas em centros cirúrgicos, enfermarias, berçários, capelas de fluxo laminar. Tem como desvantagens: baixo poder de penetração e efeitos deletérios sobre a pele e olhos, causando queimaduras graves.

Validação dos processos de esterilização

Indicadores químicos e biológicos servem para verificar se o processo de esterilização está validado. Os indicadores químicos incluem o teste de Bowie e Dick, que testa a eficácia do vácuo na autoclave. Existem os indicadores colocados dentro do pacote, que avalia a penetração do agente esterilizante; e as fitas termocrômicas, que são colocados na parte externa dos pacotes e ficam listradas após a esterilização por calor.

O uso da fita é recomendado em todos os pacotes ou caixas, uma vez que indicam pelo menos se o material passou pelo processo.

Entretanto, os indicadores biológicos são os mais seguros com relação à qualidade da esterilização. Podem ser tiras impregnadas com esporos ou suspensões-padrão de esporos bacterianos, que são submetidos à esterilização juntamente com os materiais a serem processados em autoclaves, estufas e câmaras de irradiação. Terminado o ciclo de esterilização, os indicadores são colocados em meios de cultura adequados para verificação do desenvolvimento destes esporos. Se não houver crescimento, significa que o processo de esterilização está validado.

Atualmente, existem também as tiras de esporos com meio de cultura e ampolas contendo bacilos e meio de cultura líquido (autocontido), que também devem ser processados juntos com o material a ser analisado, para posterior análise após finalizado o ciclo.

Referências:

  1. Orientações gerais para central de esterilização – Ministério da saúde
  2. Irradiação por feixe de elétrons – Sterigenics
  3. Quais as diretrizes básicas de esterilização e desinfecção de artigos clínicos e médico-hospitalares? – Biblioteca virtual em saúde
  4. Monitoramento dos Métodos de Esterilização
  5. Radioesterilização – Instituto de pesquisas energéticas e nucleares
  6. Irradiação por raios gama é alternativa eficiente para esterilização
  7. 9 Tipos de Esterilização de materiais: qual é o mais seguro?
  8. Manual de Biossegurança para serviços de saúde – FIOCRUZ

Fluidoterapia e suas indicações (Tipos de Soro)

A fluidoterapia ou “Tipos de Soros” é considerada um tratamento de suporte, tendo como principais objetivos expandir a volemia, corrigir desequilíbrios hídricos e eletrolíticos, suplementar calorias e nutrientes, auxiliar no tratamento da doença primária.

Entretanto é importante que a doença primária seja diagnosticada e tratada adequadamente.

Água corporal

A água é a substância mais abundante nos seres vivos, todas as reações químicas do organismo são realizadas em meio aquoso.

A água corporal total representa de 60 a 70% do peso corporal.

Destes 60%, 2/3 (40%) está localizado no espaço intracelular e 1/3 (20%) no espaço extracelular, que inclui plasma e espaço intersticial.

A água ingressa no organismo através dos alimentos e da água ingerida e é eliminada por pele, pulmões, rins e intestino. Mesmo que ocorram variações no consumo e perda de água e eletrólitos no organismo, as concentrações destes nos diferentes compartimentos, é mantida de forma relativamente constante.

Componentes da fluidoterapia

Depois de realizar a avaliação clínica e laboratorial do paciente, pode-se classificar o tipo e porcentagem de desidratação que este apresenta. Então parte-se para a escolha do tipo de fluido a ser utilizado.

A fluidoterapia compreende três etapas: reanimação, reidratação e manutenção. A reanimação normalmente é necessária em casos de emergência, onde se devem repor perdas ocorridas devido a uma patologia existente.

Um exemplo são pacientes em choque que necessitam de rápida administração de grande volume de fluido, a fim de expandir o espaço intravascular e corrigir o déficit de perfusão. Outro exemplo são pacientes com vômito e diarréia severa.

A reidratação é a etapa de reposição, onde se necessita repor a volemia, repor perdas dos compartimentos intra e extracelular.

A etapa de manutenção é utilizada em casos de pacientes com hidratação normal, mas que são incapazes de ingerir volume de água adequado para manter o equilíbrio dos fluidos.

Tipos de fluidos

Ringer com lactato

É uma solução isotônica, cristalóide, com composição semelhante ao LEC, pH 6,5, utilizada para reposição.

Tem características alcalinizantes, uma vez que o lactato sofre biotransformação hepática em bicarbonato, sendo indicado para acidoses metabólicas.

Por conter cálcio é contra-indicada para pacientes hipercalcêmicos, assim como não é indicada para pacientes hepatopatas.

Não deve ser administrada junto com hemoderivados, no mesmo cateter intravenoso, para evitar precipitação do cálcio com o anticoagulante.

Ringer Simples

Possui características semelhantes ao ringer lactato, porém não contém lactato, é utilizada para reposição.

Contém mais cloreto e mais cálcio que outras soluções, tornando-a levemente acidificantes (pH 5,5).

É uma solução de emprego ideal nas alcaloses metabólicas. É uma solução cristalóide, isotônica.

Solução NaCl a 0,9%

É uma solução cristalóide, isotônica, utilizada para reposição, não é uma solução balanceada, pois contém apenas sódio, cloro e água.

É acidificadora, sendo indicada para pacientes com alcalose, hipoadrenocorticismo (por aumentar reposição de sódio), insuficiência renal oligúrica ou anúrica (pois evita retenção de potássio) e hipercalcemia (pois não contém cálcio).

Solução de glicose a 5% em NaCl a 0,9%

Também é chamada de solução glicofisiológica, solução cristalóide utilizada para reposição. Possui composição semelhante à solução de NaCl a 0,9%.

Apresenta, porém maior osmolaridade e pH 4,0.

Solução de glicose a 5%

É uma solução que contém glicose em água.

É utilizado para administração de medicamentos dissolvidos ou diluídos através de acessos venosos ou como nutriente energético, uma vez que a glicose é uma fonte de energia facilmente absorvida pelas células.

Existe nas vertentes isotônica (5 ou 5.5%, em massa, isto é, 5 ou 5.5g/100ml de glicose)hipotônica (2.5%) e hipertônica (10%).

Referência:

Wikipedia

Veja também:

 

Glossário de Terminologias e Termos Técnicos na Enfermagem

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