Tipos e Indicações das Agulhas

Agulhas

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 04/09/2026.

Na enfermagem, escolher uma agulha não é simplesmente olhar a cor do canhão. O que realmente importa é relacionar calibre, comprimento, via de administração, tipo de procedimento, característica do paciente e orientação do fabricante. A cor ajuda na identificação do calibre, mas não deve ser usada isoladamente para decidir a técnica. A ISO 6009 estabelece a codificação por cores para agulhas hipodérmicas de uso único em diferentes tamanhos métricos.

Partes da agulha

A agulha hipodérmica possui três componentes básicos: canhão, que realiza a conexão com a seringa; haste ou cânula, a parte metálica de comprimento e calibre definidos; e bisel, a extremidade inclinada responsável pela penetração no tecido.

Na prática, a identificação deve considerar principalmente a medida descrita na embalagem. Uma agulha 25 × 0,7 mm, por exemplo, possui 25 mm de comprimento e 0,7 mm de diâmetro, correspondendo a 22G em especificações usuais de materiais hospitalares.

Calibre e comprimento fazem diferença

O sistema Gauge (G) merece atenção: quanto maior o número G, menor tende a ser o diâmetro externo da agulha. Por isso, 30G é mais fina que 21G.

Algumas medidas frequentemente encontradas na rotina são 13 × 4,5 mm (26G), 20 × 0,55 mm (24G), 25 × 0,7 mm (22G), 25 × 0,8 mm (21G), 30 × 0,8 mm (21G) e 40 × 1,2 mm. A escolha, entretanto, não deve ser feita apenas pela tabela: o comprimento e o calibre precisam ser compatíveis com a via, volume, viscosidade da solução e características do paciente.

A cor não define a via

Esse é um ponto importante para provas e para a prática: não existe uma regra segura do tipo “agulha de determinada cor é sempre para determinada via”.

A cor do canhão é uma forma de identificação padronizada do tamanho da agulha. A indicação clínica depende do conjunto de características do dispositivo e do procedimento que será realizado. Por isso, antes de preparar uma medicação, confira a embalagem, o calibre, o comprimento, a via prescrita e o protocolo da instituição.

Segurança vem antes da técnica

Agulhas são materiais perfurocortantes e representam risco ocupacional importante. A NR-32 estabelece que o profissional que utiliza o perfurocortante deve realizar seu descarte e proíbe expressamente o reencape e a desconexão manual de agulhas. Sempre que disponíveis e indicados, dispositivos de segurança devem ser utilizados conforme treinamento e instruções do fabricante.

Depois do uso, a agulha deve ser descartada imediatamente no recipiente apropriado para perfurocortantes, que deve ser rígido, identificado e resistente à punctura, ruptura e vazamento. A RDC nº 222/2018 também estabelece regras específicas para o gerenciamento desses resíduos.

Dois exemplos que acontecem na prática

Situação 1 — preparo de medicamento: durante o preparo de uma medicação intramuscular, é comum o profissional encontrar diferentes calibres disponíveis na bandeja. Escolher automaticamente pela cor pode levar a uma seleção inadequada. A conferência da medida impressa na embalagem e a comparação com o protocolo institucional são atitudes simples que reduzem esse risco.

Situação 2 — após a aplicação: em uma rotina movimentada, o maior risco pode surgir depois que a medicação já foi administrada. Deixar a seringa sobre a bancada para “descartar depois” ou tentar recolocar o protetor na agulha cria uma oportunidade desnecessária para acidente. O descarte imediato no coletor, sem reencape, faz parte da técnica segura. A OMS recomenda que dispositivos usados sejam descartados imediatamente e que agulhas não sejam reencapadas de forma convencional.

Cuidados de enfermagem

Antes do procedimento, confirme a prescrição, a via, a dose, o paciente e a validade e integridade da embalagem. Escolha o dispositivo conforme o procedimento e protocolo institucional, faça higiene das mãos e mantenha técnica asséptica.

Após o uso, não reencape, não dobre e não desconecte manualmente a agulha. Descarte imediatamente no coletor adequado e comunique qualquer acidente com perfurocortante conforme o protocolo do serviço. A segurança não termina quando a medicação é administrada.

Resumo para salvar

Agulhas: Você Sabe Escolher a Certa?

  • Calibre e comprimento devem ser escolhidos conforme o procedimento
  • A cor identifica o tamanho da agulha e não determina sozinha sua via de administração
  • Quanto maior o número Gauge, menor tende a ser o diâmetro da agulha
  • Após o uso, a agulha deve ser descartada sem reencape no coletor de perfurocortantes

Referências:

  1. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 32 (NR-32): Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde. Brasília, DF: MTE. Acessar NR-32
  2. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Perguntas e respostas: RDC nº 222/2018 — gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde. Brasília, DF: Anvisa. Acessar documento da Anvisa
  3. INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 6009:2016: Hypodermic needles for single use — Colour coding for identification. Geneva: ISO, 2016. Consultar ISO 6009:2016
  4. WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO best practices for injections and related procedures toolkit. Geneva: WHO, 2010. Consultar publicação da OMS
  5. WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO guideline on the use of safety-engineered syringes for intramuscular, intradermal and subcutaneous injections in health care settings. Geneva: WHO, 2016. Consultar diretriz da OMS

Veja também:

Angulações de Injeções e seus Tipos

Seringas: Tipos e Indicações

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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

EXPERIÊNCIA E ÁREAS DE CONHECIMENTO
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