Aspiração de Vias Aéreas Inferiores

A aspiração de secreções das vias aéreas inferiores é um procedimento realizado para auxiliar pacientes que não conseguem eliminar a secreção dos pulmões.

Deve ser utilizadas luvas estéreis ou de procedimento?

Para executar a aspiração em vias aéreas inferiores, é importante seguir as diretrizes adequadas e utilizar luvas estéreis.

Existem dois sistemas de aspiração: o sistema aberto (com sonda conectada a um aspirador) e o sistema fechado (com adaptação ao tubo orotraqueal ou à cânula de traqueostomia).

O sistema fechado é preferível em casos de lesão pulmonar aguda.

Referências:

  1. PO.ENF_.018-00-Aspiração-de-vias-aéreas.pdf (ints.org.br)
  2. parecer-coren-sp-015-2021.pdf
  3. PO.FISIO_.001-00-Aspiracao-de-Vias-Aereas.pdf (ints.org.br)

Manejo de Vias Aéreas: Manobra de Chin Lift e Jaw Thrust

O estabelecimento precoce de uma via aérea patente e segura é um princípio básico e imprescindível no suporte a vida. Para um adequado acesso às vias aéreas é necessário entender às condições do paciente, o cenário clínico no qual ele se encontra e quais as habilidades do profissional que irá atendê-lo.

A obstrução das vias aéreas pode ser apresentada de duas formas, quando compromete às vias aéreas superiores se estendendo nariz ou da boca até a laringe enquanto que a obstrução das vias aéreas inferiores estar relacionada à árvore traqueobrônquica.

Classificação

A obstrução das vias aéreas pode ser classificada como parcial ou completa, dependendo do mecanismo e causa.

Uma obstrução completa causará hipóxia e parada cardíaca rapidamente, enquanto que a obstrução parcial pode ser mais enganosa no início, porém com a ventilação reduzida no paciente pode levar a hipercapnia, acidose respiratória e hipoxemia.

Podemos classificar uma respiração com a presença de ruídos como uma via aérea parcialmente obstruída enquanto que a ausência completa de ruído, indica uma obstrução total.

Manejo de Vias Aéreas

Jaw Thrust

Também conhecida como tração mandibular, essa manobra serve para anteriorizar o osso hioide e a língua para longe da parede faríngea. É utilizada em pacientes inconscientes, pois a hipotonia da língua pode obstruir a hipofaringe.

Para corrigir prontamente essa forma de obstrução, é indicado pelos profissionais de saúde utilizarem as manobras de Jaw Thrust ou Chin Lift.

Inicialmente, em pacientes com suspeita de trauma na cabeça, pescoço ou face, a coluna cervical deve ser mantida em uma posição estável, uma vez que a manobra de tração mandibular permite que o profissional limpe as vias aéreas com pouco ou nenhum movimento da cabeça e da coluna cervical.

Por isso, a técnica consiste em primeiro certificar-se da estabilidade da coluna cervical, em seguida deve-se colocar os polegares em cima do osso zigomático em ambos os lados da face e os dedos indicadores e médio no ângulo da mandíbula, tracionando-a para a frente.

A manobra de Jaw Thrust apresenta desvantagens em pacientes com limitações de abertura bucal uma vez que a realização da tração mandibular será mais difícil.

Chin Lift

Também conhecida como elevação do mento é uma manobra simples para abrir e manter uma via aérea pérvia, sendo indicada em pacientes inconscientes. A técnica consiste em se posicionar de lado do paciente e colocar a palma de uma mão sobre a região frontal, empurrando suavemente para realizar uma hiperextensão da cabeça.

Os dedos da outra mão do socorrista devem ser colocados sob a região de sínfise mandibular da vítima levantando o queixo para frente, pois como a língua tem alguns de seus músculos inseridos na mandíbula, ela é tracionada para anterior e para longe da parede posterior da laringe, estabelecendo assim uma via aérea patente.

Essa manobra é contra indicada em paciente politraumatizado de face com possível lesão cervical, pois esse movimento pode aumentar os riscos de danos às vértebras e a medula espinhal da vítima.

Referências:

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  3. Bribriesco, A., Patterson, G. A. (2018). Cricothyroid approach for emergency access to the airway.Thorac surg clin, 28(3), 435 – 440.
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  7. Furlow, P. W., Mathisen, D. J. (2018). Surgical anatomy of the trachea. Ann cardiothorac Surg, 7(2), 255 – 260.
  8. Gray, H., Goss, C. M. (1988).Anatomia. Guanabara Koogan, 29ed.
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  10. Herman, A. et al. (2018). Heimlich maneuver – induced diaphragmatic rupture and hiatal hernia. The american journal of the medical sciences, 355(4), 13.
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  13. Ichikawa, M. et al. (2017). Influence of body position during Heimlich maneuver to relieve subpharyngealobstruction: a manikin study. Acute Med Surg, 4(1), 418-425.
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  17. Macêdo, M. B. et al. (2016). Emergency cricothyrotomy: temporary measure or definitive airway? A systematic review. Rev. Col. Bras. Cir., 43(6), 493- 499.
  18. Malamed, S. F. (2015). Medical emergencies in the dental office. Elsevier, 7º ed.
  19. Mehran, R. J. Fundamental and practical aspects of airway anatomy. Thorac Surg Clin., 28(2),117-125.

Conheça as Vias de Administração das Vacinas

Vias de Administração

Uma vacina é uma preparação antigénica, cuja administração visa produzir no indivíduo vacinado proteção contra um ou mais agentes infetantes. Uma característica determinante das vacinas é serem imunogénicas, ou seja, desencadearem uma reação imunitária humoral e celular no vacinado sem provocarem doença.

Aos termos Imunização e Vacinação são atribuídos significados diferentes, embora estes sejam usados frequentemente como sinônimos:

Imunização Versus Vacinação

A Imunização: 

  • Desenvolvimento de imunidade a uma determinada doença, através de níveis protetores de anticorpos;
  • Pode ser conseguida através da infeção natural, da administração de imunoglobulinas ou da administração de uma vacina.

A Vacinação:

  • Refere-se especificamente à administração de uma vacina;
  • Não confere necessariamente imunidade, uma vez que a eficácia e efetividade das vacinas não é geralmente de 100%.

Qual é o principal objetivo da vacinação?

Primeiramente, as vacinas visam proteger os indivíduos vacinados de doenças infecciosas. Além desta proteção direta, conferem também proteção indireta aos indivíduos não imunes, pela presença e proximidade de indivíduos imunes pela vacinação.

Assim, as vacinas protegem não só os indivíduos vacinados, mas também a própria comunidade. Este fenômeno designa-se Imunidade de grupo.

O efeito das vacinas na redução da incidência de doenças numa comunidade combina então estes dois mecanismos: proteção indireta dos não vacinados e proteção direta dos vacinados.

As Classificações das Vacinas

As vacinas podem ser classificadas segundo vários aspetos relacionados com o antigênio que integram.

Bacterianas:

  • Vacina contra a doença pneumocócica;
  • Vacina poliosídica de 23 valências;
  • Vacina contra a cólera;
  • Vacina contra a febre tifoide.

Virais:

  • Vacina contra a encefalite por picada de carraça;
  • Vacina contra a gripe;
  • Vacina contra a hepatite A e a hepatite B;
  • Vacina contra o VPH;
  • Vacina contra a raiva;
  • Vacina contra o rotavírus;
  • Vacina contra a varicela;
  • Vacina contra a zona.

Conheça as Vias de Administração!

A maioria das vacinas apresenta-se sob forma injetável:

Vacinas Vias <2 anos >2 anos
BCG ID Deltoide direito Deltoide direito
Febre Tifoide IM Deltoide/glúteo
Hepatite A IM Vasto lateral coxa Deltoide
Hepatite A + B IM Vasto lateral coxa Deltoide
DTPa IM Vasto lateral coxa/Glúteo Deltoide/ Glúteo
Tétano IM Vasto lateral coxa Deltoide/Glúteo
Tríplice Bacteriana Adulto IM Deltoide/Glúteo
Pentavalente IM Vasto lateral coxa/Glúteo Deltoide/Glúteo
Hexavalente IM Vasto lateral coxa Deltoide
Hemófilos IM Vasto lateral coxa/Glúteo Deltoide/Glúteo
Tríplice Viral (SCR) SC Vasto lateral coxa/Glúteo Deltoide/Glúteo
Pneumocócica polivalente IM Vasto lateral coxa Deltoide/Glúteo
Pneumocócica conjugada IM Vasto lateral coxa Deltoide
Meningocócica C conjugada IM Vasto lateral coxa Deltoide
Meningocócica quadrivalente ACWY IM Vasto lateral coxa Deltoide
Meningocócica B IM Vasto lateral coxa/Deltoide Deltoide
Influenza (Gripe) IM/SC Vasto lateral coxa/glúteo Deltoide/Glúteo
Varicela (Catapora) SC Vasto lateral coxa/glúteo Deltoide/Glúteo
Rotavírus V.O Oral
dTpa + IPV IM Deltoide/Glúteo
HPV (Ambas) IM Deltoide
Herpes Zóster SC Deltoide/Glúteo
Dengue SC Deltoide/Glúteo

Dicas!

Quais são as Vacinas Vírus Vivos Atenuados?

Injetáveis:

  • Rubéola, sarampo, caxumba, varicela (triviral/ SCR e tetraviral) , febre amarela, herpes-zóster e dengue.

Orais:

  • Poliomielite e rotavírus.

Qual é o intervalo mínimo necessário entre vacinas diferentes?

Vacinas Intervalo Mínimo entre as Vacinas
Entre 2 inativadas NENHUM
Entre 1 inativada e 1 viva atenuada NENHUM
Entre 2 vivas atenuadas injetáveis 30 dias (alguns autores admitem 15 dias)
Entre 2 vivas atenuadas por via oral NENHUM (exceto entre pólio oral e rotavirus, desejável esperar 15 dias, atentando para  idade máxima limite para a aplicação.
DTPa/Hexa/Penta 1 mês entre as três primeiras; 6 meses entre a terceira e o primeiro reforço.
Poliomielite 1 mês
Dengue 6 meses
Hepatite B Entre primeira e segunda doses: 1 mês Entre segunda e terceira doses: 2 meses Entre segunda e terceira doses: 6 meses (já se admitem 4 meses)
Hepatite A 6 meses
Hepatite A + B Entre primeira e segunda doses: 4 semanas/ 1 mês Entre segunda e terceira doses: 20 semanas/ 5 meses Entre primeira e terceira doses: 24 semanas/ 6 meses
Tríplice Viral 1 mês
Varicela <13 anos 3 meses
Varicela >13 anos 1 mês
Meningocócica C conjugada 1 mês
Meningocócica B 1 mês
Pneumo 13 conjugada No primeiro ano de vida: 6 semanas. A partir de 1 ano de vida: 8 semanas
HPV Entre primeira e segunda doses: 1 mês Entre segunda e terceira doses: 3 meses Entre primeira e terceira doses:: 6 meses (já se admitem 4 meses)
Rotavirus 1 mês

O Calendário das Vacinas

Anualmente, o calendário de vacinas está constantemente sendo atualizada, sendo importante consultar a tabela sempre. A Sociedade Brasileira de Imunização disponibiliza estes calendários atualizados, vale uma consulta!

Veja mais em:

farmacologia