Transtorno da Somatização

Transtorno ou Sindrome de Biquet é caracterizada essencialmente pela presença de sintomas físicos, múltiplos, recorrentes e variáveis no tempo, sem causa orgânica identificável que persiste por mais de dois anos.

A maioria dos pacientes teve uma longa e complicada história de contato tanto com a assistência médica primária quanto especializada durante as quais muitas investigações negativas ou cirurgias exploratórias sem resultado podem ter sido realizadas. É um tipo de transtorno somatoforme assim como o transtorno hipocondríaco transtorno dismórfico corporal.

As representações psíquicas, ou seja, experiências emocionais do indivíduo em seu contexto social, exercem um papel central no processo de somatização através de sintomas físicos, cuja origem não é explicada pelas ciências médicas e por este motivo considerados sintomas de origem emocional.

Qual é a causa?

Assim como receber notícia de uma tragédia pode causar sintomas psicológicos como dor de cabeça, tontura, fraqueza, batimento cardíaco acelerado e náusea, vivenciar eventos estressantes causam um grande número de sintomas físicos especialmente relacionados ao sistema neurológico, digestivo, imune, reprodutivo e ao circulatório.

Outra possível causa é uma sensibilidade aumentada a sintomas físicos, que são aumentados e agravados por sintomas psicológicos no momento de desespero. A mente tem uma capacidade limitada de lidar com estresse e cansaço físico e pode potencializar sintomas físicos como forma de pressionar a pessoa a descansar e buscar ajuda

Sinais e Sintomas Comuns

A alteração no estado emocional pode promover o aparecimento de doenças como: dor de cabeça – inclusive enxaqueca -, resfriados frequentes, asma, gastrite, dores no corpo sem causa aparente, problemas cardiorrespiratórios, ganho de peso, acometimento da pele por processos alérgicos entre outros.

Critérios que devem estar presentes para fazer o diagnóstico de transtorno de somatização

Os critérios que devem ser levados em consideração pelos especialistas em saúde mental para fazer o diagnóstico do transtorno de somatização são os seguintes:

A. Um ou mais sintomas somáticos que causam mal-estar ou dão lugar a problemas significativos na vida diária.

B. Pensamentos, sentimentos ou comportamentos excessivos relacionados aos sintomas somáticos ou associados à preocupação com a saúde, como se torna evidente por uma ou mais das seguintes características:

  • Pensamentos desproporcionais e persistentes sobre a gravidade dos próprios sintomas.
  • Nível persistentemente elevado de ansiedade em relação à saúde ou aos sintomas.
  • Emprego de tempo e energia em excesso na preocupação com esses sintomas ou com a saúde.

C. Embora algum sintoma somático possa não estar continuamente presente, o estado sintomático é persistente (em geral por mais de seis meses).

Tratamento

Atualmente a terapia comportamental cognitiva (TCC) é o tratamento com melhores resultados comprovados cientificamente para tratar transtornos somatoformes, incluindo o transtorno de somatização.

Essa terapia envolve ajudar o indivíduo a identificar os eventos e crenças que desencadeiam e mantem seus sintomas físicos, ensiná-lo como lidar com a ansiedade e desgaste emocional, estimular reflexões sobre seus pensamentos e comportamentos não saudáveis, empoderar o paciente para enfrentar a raiz dos problemas, podendo acompanhá-lo em situações estressantes e estimular comportamentos e pensamentos que tornam o indivíduo mais saudável, produtivo e eficiente.

Antidepressivos podem ser usados para reduzir a ansiedade, melhorar a auto-estima do paciente e amenizar transtornos do humor ou transtornos de ansiedade correlacionados a somatização.

Assim, conforme o humor melhora e a ansiedade diminui os sintomas também reduzem significativamente.

Referências:

  1. Schreiber D, Kolb NR, Tabas G. Somatização 1ª parte – diagnóstico prático. NeuroPsicoNews 2003;53: 3-6.
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