Quais os procedimentos invasivos realizados pelo enfermeiro e os cuidados na manutenção?

O enfermeiro, no exercício de suas funções, realiza diversos procedimentos invasivos, tanto de natureza assistencial quanto, em alguns casos (e mediante capacitação específica), estética, sempre sob a regulamentação do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Os cuidados na manutenção desses procedimentos visam, primariamente, a prevenção de infecções e a segurança do paciente.

Procedimentos Invasivos Realizados pelo Enfermeiro

Dentre os procedimentos invasivos que podem ser realizados por enfermeiros, destacam-se:

  • Punção Venosa Periférica e Central (em algumas situações, como a jugular externa, sob resolução específica): Para administração de medicamentos, fluidos, coleta de exames e hemotransfusão.
  • Cateterismo Vesical (Sondagem Vesical de Alívio e de Demora): Inserção de sonda na bexiga para drenagem de urina, diagnóstico ou tratamento de retenção urinária.
  • Sondagem Nasoentérica e Nasogástrica: Inserção de sonda via nasal ou oral até o estômago ou intestino para fins de nutrição (dietas enterais), administração de medicamentos ou descompressão gástrica.
  • Punção Arterial: Para coleta de gasometria arterial ou monitoramento contínuo da pressão arterial invasiva.
  • Aspiração Endotraqueal e de Vias Aéreas: Remoção de secreções em pacientes com comprometimento respiratório, como aqueles em ventilação mecânica.
  • Passagem de Acesso Venoso Umbilical (em neonatologia): Procedimento privativo do enfermeiro, conforme regulamentação específica.
  • Realização de Curativos Complexos: Incluindo a avaliação e tratamento de lesões por pressão e feridas com o uso de técnicas avançadas.
  • Procedimentos Estéticos (mediante pós-graduação e regulamentação): Aplicação de toxina botulínica, preenchimentos dérmicos e bioestimulação por cânula (sujeito a regulamentações e decisões judiciais específicas).

Cuidados na Manutenção

A manutenção adequada desses dispositivos é crucial para prevenir complicações, como infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS). Os principais cuidados incluem:

  • Higienização Rigorosa das Mãos: O cuidado mais fundamental e eficaz na prevenção de infecções.
  • Técnica Asséptica: Utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e manutenção de um campo estéril durante a inserção e manuseio dos dispositivos.
  • Monitoramento Contínuo do Paciente: Observação constante de sinais vitais e do local de inserção do dispositivo para identificar precocemente sinais de infecção, sangramento, oclusão ou deslocamento.
  • Cuidados com o Curativo: Realizar a troca de curativos conforme os protocolos institucionais (geralmente a cada 24-48 horas ou se estiver sujo/solto), utilizando técnicas padronizadas e produtos apropriados, como desinfecção dos conectores.
  • Revisão Diária da Necessidade: Avaliar diariamente se o dispositivo invasivo ainda é necessário, promovendo sua remoção o mais rápido possível para reduzir riscos.
  • Elaboração e Seguimento de Protocolos: Adoção de protocolos e Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) baseados em evidências científicas para a inserção, manutenção e remoção de dispositivos invasivos.
  • Educação do Paciente e Família: Orientar o paciente e cuidadores sobre os cuidados necessários e sinais de alerta, garantindo a continuidade do tratamento e a segurança após a alta.
  • Registro Adequado: Documentar todos os procedimentos realizados, as avaliações feitas e as orientações fornecidas nas anotações de enfermagem.

Referências de consultas:

  1. BRASIL. [Resolução COFEN]. Resolução COFEN nº 311, de 8 de fevereiro de 2007. Aprova o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem e dá outras providências. Brasília, DF: COFEN, 2007.
  2. BRASIL. Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Resolução COFEN nº 388/2011: Dispõe sobre a normatização da execução, pelo enfermeiro, do Acesso Venoso Central e Arterial, para fins de coleta de sangue e monitoramento contínuo da pressão arterial. Brasília, DF: COFEN, 2011. 
  3. BRASIL. Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Resolução COFEN nº 450/2013: Dispõe sobre o cateterismo vesical. Brasília, DF: COFEN, 2013.
  4. BRASIL. Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Resolução COFEN nº 529/2016: Dispõe sobre a atuação do enfermeiro na área de Estética. Brasília, DF: COFEN, 2016.
  5. POTTER, Patricia Ann; PERRY, Anne Griffin. Fundamentos de enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. 

    SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM EM FERIDAS E ESTÉTICA (SOBEFE). Diretrizes para prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde. São Paulo: SOBEFE.

  6. TIMBY, Barbara K.; SMITH, Nancy E. Enfermagem médico-cirúrgica. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.
Christiane Ribeiro
Sou Técnica de Enfermagem Intensivista há 15 anos, atuando em UTI Adulto. Além da rotina hospitalar, também sou ilustradora digital, criando conteúdos educativos para facilitar o aprendizado na enfermagem. No blog e nas redes sociais, compartilho minhas experiências e ilustrações para ajudar quem está começando na área.
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