Se um paciente sentir dor aguda no peito, a enfermagem deve tomar medidas imediatas, priorizando o reconhecimento precoce de condições graves, como a síndrome coronariana aguda (infarto), e seguindo o protocolo de dor torácica da instituição.
As medidas imediatas incluem:
Avaliação Rápida (Triagem):
-
- Avaliar imediatamente a queixa de dor e sinais de gravidade, como intensidade, localização e irradiação para braços, mandíbula, pescoço ou costas.
-
- Verificar a presença de sintomas associados, como falta de ar, sudorese (suor frio), náuseas, vômitos, tontura, palidez ou alteração do nível de consciência.
Monitoramento e Estabilização Inicial:
-
- Monitorização Contínua: Instalar imediatamente o paciente em monitorização cardíaca contínua (eletrocardiograma), oximetria de pulso e aferição da pressão arterial.
-
- Acesso Venoso: Obter um acesso venoso periférico de grosso calibre (preferencialmente nº 18 ou 20).
-
- Oxigenoterapia: Administrar oxigênio suplementar, se a saturação de oxigênio estiver abaixo de 94% ou se o paciente apresentar desconforto respiratório.
-
- Glicemia Capilar: Realizar a medição da glicemia capilar.
Realização do Eletrocardiograma (ECG):
-
- Realizar e interpretar um ECG de 12 derivações em até 10 minutos da chegada do paciente ou do início do atendimento, pois é crucial para o diagnóstico de infarto com supradesnivelamento do segmento ST.
Comunicação e Preparação:
-
- Notificação Médica: Comunicar imediatamente o médico responsável sobre a queixa do paciente e os achados da avaliação inicial e do ECG.
-
- Preparo para Medicações: Deixar medicações padronizadas para dor torácica (conforme protocolo médico, como AAS, nitrato sublingual, morfina) prontas para administração, mediante prescrição.
-
- Coleta de Exames: Colher amostras de sangue para exames laboratoriais, incluindo marcadores de necrose miocárdica (troponina ultrassensível), conforme a urgência e o protocolo.
Posicionamento e Conforto:
-
- Posicionar o paciente de forma confortável (geralmente em repouso no leito) e acalmá-lo, reduzindo sua ansiedade, o que ajuda a diminuir o consumo de oxigênio pelo miocárdio.
Essas ações visam agilizar o diagnóstico e o tratamento de doenças graves, como o infarto agudo do miocárdio ou embolia pulmonar, que são as principais causas de mortalidade por dor torácica.
Referências:
- BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos de Intervenção para a Enfermagem em Urgência e Emergência. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2018.
- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMAGEM (ABEn). Diretrizes para o Atendimento de Enfermagem na Síndrome Coronariana Aguda. São Paulo: ABEn, 2020.
- TIMBY, Barbara K. Enfermagem Médico-Cirúrgica. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
- WHITE, H. D.; CHEXAL, S. P. Management of acute myocardial infarction. Journal of the American College of Cardiology, v. 72, n. 18, p. 2221-2235, 2018.



