
Vá direto ao ponto!
As botas pneumáticas compressivas, também chamadas de compressão pneumática intermitente (CPI), são dispositivos utilizados principalmente para prevenção de trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar (EP) em pacientes com risco aumentado de tromboembolismo venoso.
O equipamento possui câmaras de ar que inflam e desinflam de maneira sequencial, comprimindo a panturrilha, a coxa ou o pé. Esse movimento aumenta o fluxo venoso e reduz a estase sanguínea, simulando parcialmente o efeito da contração muscular durante a caminhada.
Por que são importantes na internação?
A imobilidade prolongada favorece a estase venosa, especialmente em pacientes internados, no pós-operatório, após traumas, em terapia intensiva ou em situações nas quais a mobilização está temporariamente limitada.
Por isso, a avaliação do risco de TEV deve fazer parte da assistência. Dependendo do quadro clínico e do risco de sangramento, a profilaxia mecânica pode ser utilizada isoladamente ou associada à farmacológica, conforme prescrição e protocolo. Em pacientes com trauma grave, por exemplo, a compressão pneumática intermitente pode ser indicada desde a admissão.
Em uma situação típica de UTI, um paciente sedado, acamado e com mobilidade praticamente ausente permanece várias horas sem movimentar adequadamente os membros inferiores. A colocação correta da bota e a manutenção do dispositivo durante o período indicado tornam-se parte da estratégia preventiva, junto com a avaliação diária do risco de TEV e das condições clínicas.
Como funciona a compressão?
O equipamento possui uma bomba conectada às botas ou mangas. Dependendo do modelo, as câmaras são insufladas de forma sequencial, criando períodos de compressão e relaxamento.
Essa alternância favorece o retorno venoso e reduz a estase. É justamente essa ação que diferencia a compressão pneumática intermitente de uma simples faixa ou meia de compressão.
Um detalhe importante para a enfermagem é verificar se o equipamento está realmente funcionando. Em um paciente que permanece imóvel durante o plantão, uma bota mal posicionada, desconectada da bomba ou com algum problema no sistema pode dar a impressão de que a profilaxia está sendo realizada quando, na prática, a compressão não está acontecendo adequadamente.
Bota pneumática e meia de compressão são iguais?
Não. A meia antitrombo exerce compressão contínua e graduada, enquanto a compressão pneumática intermitente utiliza ciclos de insuflação e desinsuflação realizados pelo equipamento.
A escolha depende da condição clínica, do risco de TEV, do risco de sangramento, da mobilidade e das contraindicações. Em algumas situações, a compressão pneumática é preferida ou utilizada como alternativa quando determinado método não é apropriado.
Cuidados de enfermagem
Antes de instalar o dispositivo, é importante verificar a prescrição ou protocolo institucional, avaliar a pele e observar alterações relevantes nos membros inferiores. A bota deve estar posicionada conforme as orientações do fabricante, sem dobras ou montagem inadequada.
Durante o uso, observe dor, desconforto, alteração de coloração, edema, lesões de pele, dormência ou outras mudanças no membro. Também confira se as conexões estão corretas e se as câmaras estão insuflando adequadamente.
A pele deve ser inspecionada regularmente, principalmente em pacientes com mobilidade reduzida, alterações de sensibilidade ou maior risco de lesão. A avaliação do risco de TEV e sangramento também deve ser reavaliada quando houver mudança clínica.
Quando ter atenção redobrada?
A bota não deve ser colocada automaticamente em qualquer paciente com edema. É necessário avaliar a indicação e possíveis contraindicações. Doença arterial periférica significativa, alterações importantes da pele, infecção local, suspeita ou presença de determinadas condições vasculares podem exigir avaliação médica antes do uso, conforme protocolo e instruções do dispositivo.
Também é importante lembrar que a compressão pneumática é uma medida preventiva e não substitui a avaliação de uma TVP já suspeita. Se o paciente apresentar edema unilateral novo, dor, aumento de temperatura ou outras manifestações sugestivas, a situação precisa ser investigada pela equipe.
Um cuidado simples que evita um erro comum
O paciente pode retirar o dispositivo para higiene, exames, mobilização ou outros procedimentos, dependendo da orientação da equipe. O problema está quando a retirada se prolonga sem necessidade e ninguém percebe.
Por isso, durante a passagem de plantão, vale verificar não apenas se o paciente “tem bota pneumática”, mas se ela está instalada, funcionando e sendo utilizada pelo tempo prescrito. Em pacientes de alto risco, essa diferença pode ser relevante para a efetividade da profilaxia.
Para guardar na prova
✓ Decore para a Prova A compressão pneumática intermitente utiliza ciclos de insuflação e desinsuflação para aumentar o retorno venoso e reduzir a estase nos membros inferiores.
Seu principal objetivo no ambiente hospitalar é a profilaxia do tromboembolismo venoso, especialmente em pacientes com mobilidade reduzida e em determinados cenários cirúrgicos, traumáticos e neurológicos.
Para a enfermagem, três pontos merecem atenção: indicação correta, posicionamento adequado e inspeção frequente do membro e do funcionamento do equipamento.
Botas Pneumáticas: Quando Usar
- A compressão pneumática intermitente reduz a estase venosa e favorece o retorno sanguíneo
- É utilizada principalmente na prevenção de tromboembolismo venoso em pacientes de risco
- A enfermagem deve verificar posicionamento, funcionamento e condições da pele durante o uso
- A bota não substitui a investigação de uma possível TVP e deve ser utilizada conforme indicação e protocolo
Referências:
- NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Venous thromboembolism in over 16s: reducing the risk of hospital-acquired deep vein thrombosis or pulmonary embolism (NG89). London: NICE. Disponível em: NICE – VTE: Recommendations.
- NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Venous thromboembolism in over 16s: reducing the risk of hospital-acquired deep vein thrombosis or pulmonary embolism – Full guideline. London: NICE. Disponível em: NICE – Full Guideline NG89.
Faltou algum tema ou procedimento?
Conta pra gente qual assunto você quer ver esmiuçado e transformado em ilustração no próximo post!
Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.


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