Botas Pneumáticas: Quando Usar

botas pneumáticas

As botas pneumáticas compressivas, também chamadas de compressão pneumática intermitente (CPI), são dispositivos utilizados principalmente para prevenção de trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar (EP) em pacientes com risco aumentado de tromboembolismo venoso.

O equipamento possui câmaras de ar que inflam e desinflam de maneira sequencial, comprimindo a panturrilha, a coxa ou o pé. Esse movimento aumenta o fluxo venoso e reduz a estase sanguínea, simulando parcialmente o efeito da contração muscular durante a caminhada.

Por que são importantes na internação?

A imobilidade prolongada favorece a estase venosa, especialmente em pacientes internados, no pós-operatório, após traumas, em terapia intensiva ou em situações nas quais a mobilização está temporariamente limitada.

Por isso, a avaliação do risco de TEV deve fazer parte da assistência. Dependendo do quadro clínico e do risco de sangramento, a profilaxia mecânica pode ser utilizada isoladamente ou associada à farmacológica, conforme prescrição e protocolo. Em pacientes com trauma grave, por exemplo, a compressão pneumática intermitente pode ser indicada desde a admissão.

Em uma situação típica de UTI, um paciente sedado, acamado e com mobilidade praticamente ausente permanece várias horas sem movimentar adequadamente os membros inferiores. A colocação correta da bota e a manutenção do dispositivo durante o período indicado tornam-se parte da estratégia preventiva, junto com a avaliação diária do risco de TEV e das condições clínicas.

Como funciona a compressão?

O equipamento possui uma bomba conectada às botas ou mangas. Dependendo do modelo, as câmaras são insufladas de forma sequencial, criando períodos de compressão e relaxamento.

Essa alternância favorece o retorno venoso e reduz a estase. É justamente essa ação que diferencia a compressão pneumática intermitente de uma simples faixa ou meia de compressão.

Um detalhe importante para a enfermagem é verificar se o equipamento está realmente funcionando. Em um paciente que permanece imóvel durante o plantão, uma bota mal posicionada, desconectada da bomba ou com algum problema no sistema pode dar a impressão de que a profilaxia está sendo realizada quando, na prática, a compressão não está acontecendo adequadamente.

Bota pneumática e meia de compressão são iguais?

Não. A meia antitrombo exerce compressão contínua e graduada, enquanto a compressão pneumática intermitente utiliza ciclos de insuflação e desinsuflação realizados pelo equipamento.

A escolha depende da condição clínica, do risco de TEV, do risco de sangramento, da mobilidade e das contraindicações. Em algumas situações, a compressão pneumática é preferida ou utilizada como alternativa quando determinado método não é apropriado.

Cuidados de enfermagem

Antes de instalar o dispositivo, é importante verificar a prescrição ou protocolo institucional, avaliar a pele e observar alterações relevantes nos membros inferiores. A bota deve estar posicionada conforme as orientações do fabricante, sem dobras ou montagem inadequada.

Durante o uso, observe dor, desconforto, alteração de coloração, edema, lesões de pele, dormência ou outras mudanças no membro. Também confira se as conexões estão corretas e se as câmaras estão insuflando adequadamente.

A pele deve ser inspecionada regularmente, principalmente em pacientes com mobilidade reduzida, alterações de sensibilidade ou maior risco de lesão. A avaliação do risco de TEV e sangramento também deve ser reavaliada quando houver mudança clínica.

Quando ter atenção redobrada?

A bota não deve ser colocada automaticamente em qualquer paciente com edema. É necessário avaliar a indicação e possíveis contraindicações. Doença arterial periférica significativa, alterações importantes da pele, infecção local, suspeita ou presença de determinadas condições vasculares podem exigir avaliação médica antes do uso, conforme protocolo e instruções do dispositivo.

Também é importante lembrar que a compressão pneumática é uma medida preventiva e não substitui a avaliação de uma TVP já suspeita. Se o paciente apresentar edema unilateral novo, dor, aumento de temperatura ou outras manifestações sugestivas, a situação precisa ser investigada pela equipe.

Um cuidado simples que evita um erro comum

O paciente pode retirar o dispositivo para higiene, exames, mobilização ou outros procedimentos, dependendo da orientação da equipe. O problema está quando a retirada se prolonga sem necessidade e ninguém percebe.

Por isso, durante a passagem de plantão, vale verificar não apenas se o paciente “tem bota pneumática”, mas se ela está instalada, funcionando e sendo utilizada pelo tempo prescrito. Em pacientes de alto risco, essa diferença pode ser relevante para a efetividade da profilaxia.

Para guardar na prova

Decore para a Prova A compressão pneumática intermitente utiliza ciclos de insuflação e desinsuflação para aumentar o retorno venoso e reduzir a estase nos membros inferiores.

Seu principal objetivo no ambiente hospitalar é a profilaxia do tromboembolismo venoso, especialmente em pacientes com mobilidade reduzida e em determinados cenários cirúrgicos, traumáticos e neurológicos.

Para a enfermagem, três pontos merecem atenção: indicação correta, posicionamento adequado e inspeção frequente do membro e do funcionamento do equipamento.

Resumo para salvar

Botas Pneumáticas: Quando Usar

  • A compressão pneumática intermitente reduz a estase venosa e favorece o retorno sanguíneo
  • É utilizada principalmente na prevenção de tromboembolismo venoso em pacientes de risco
  • A enfermagem deve verificar posicionamento, funcionamento e condições da pele durante o uso
  • A bota não substitui a investigação de uma possível TVP e deve ser utilizada conforme indicação e protocolo

Referências:

  1. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Venous thromboembolism in over 16s: reducing the risk of hospital-acquired deep vein thrombosis or pulmonary embolism (NG89). London: NICE. Disponível em: NICE – VTE: Recommendations.
  2. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Venous thromboembolism in over 16s: reducing the risk of hospital-acquired deep vein thrombosis or pulmonary embolism – Full guideline. London: NICE. Disponível em: NICE – Full Guideline NG89

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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

EXPERIÊNCIA E ÁREAS DE CONHECIMENTO
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Conteúdo produzido com base em conhecimento, experiência profissional e educação em enfermagem.